Quando soube da partida do veteraníssimo quadrinhista Frank Thorne, domingo último, me senti como o cara de Cinema Paradiso. Foi a primeira notícia que tive dele desde moleque. E justamente a derradeira.
Igual à maioria, cresci encantado pela arte singular do mago barbudo em seu trabalho mais icônico: Red Sonja. ❤️ ❤️ ❤️
Impossível falar da personagem sem lembrar da passagem dele pela revista solo da heroína no período 1977-1979 (mais a Marvel Feature #2, de 1976). Muito além de desenhar a intempestiva e voluptuosa guerreira ruiva, Thorne redefiniu a titular da "armadura-biquíni metálica" (cortesia marota de Esteban Maroto), influenciando tudo o que veio depois na categoria mulherada-chutando-bundas-na-quebrada-sword-&-sorcery.
Meu 1º contato com o trabalho do mestre foi há exatos 36 anos (putzgrila), mas ele já peregrinava por terras brazilis desde meados dos anos 1950. Sua carreira começou aos 18 anos, em gibis de romance. Logo após a formatura, aos 20, tirou a sorte grande. Bateu à porta da King Features com seus esboços debaixo do braço e saiu de lá contratado para desenhar as populares tirinhas do Perry Mason, abocanhando uma pequena fortuna.
O que seguiu foi um mergulho de cabeça nos universos pulp de editoras como Dell, Warren, Gold Key, Seaboard e Archie. Desenhou histórias do Besouro Verde, Jim das Selvas, Flash Gordon, Às Inimigo, Drácula, Tarzan, Fantasma, Tomahawk e incontáveis outros. Retornava às tiras sazonalmente, como Dr. Guy Bennett/Dr. Duncan, desenhando barbaridade até evoluir para o famoso traço que o eternizou à frente da guerreira hyrkaniana.
Após o furacão Sonja, Thorne trilhou o caminho de todo grande quadrinhista, preterindo as grandes editoras em favor de uma carreira 100% autoral e 200% engajado na fantasia erótica. Nessa fase, estão quadrinhos sensacionais como Ghita of Alizarr, The Iron Devil, Moonshine McJugs para a Playboy, Lann para a Heavy Metal e Danger Rangerette para a National Lampoon, entre outros — todos esses criminosamente inéditos por aqui.
Fez de tudo um pouco. Mas, com exceção de um Espectro furtivo nos anos 70, nunca desenhou super-heróis, que detestava.
Às vezes penso que os quadrinhos eram só um pretexto: o negócio de Thorne era mesmo personificar Thenef, o Mágico (ou Shard, o aventureiro espacial!) (ou Grampy, o veinho caipira safadão!) e badalar por aí com suas Thornezettes.
Além disso, nunca existiu animador de Comic Con melhor do que ele...
11/1 -Gibis Disney começarão do nº zero pela Culturama, aquela editora que distribui quadrinhos em supermercados, postos de conveniência, bingos e casas de tolerância.
18/1 - 2018 começa nos deixando culturalmente (ainda) mais pobres: lá se vai Marcelo Yuka, 53, um dos maiores letristas, poetas e bateristas que este país já teve - além de um profundo estudioso de música brasileira.
18/1² - O editor Paulo Maffia, ex-Abril e atual Culturama, revela que os gibis Disney virão com numeração dupla para agradar tantos leitores antigos quanto novos. Assim, a 1ª edição de Mickey será o nº 0 e também o nº 912.584.674.989 pra não quebrar a série histórica.
19/1 - O genial George Pérez anuncia sua aposentadoria após 45 anos de carreira. Daqui pra frente é no esquema José Luis García-López: só mojitos, commissions e bem-alimentadas fangirls com cosplay de Poderosa.
23/1 - Adeus a Caio Junqueira, 42, veterano ator da TV brasileira eternizado na cultura pop por sua participação no filme Tropa de Elite como o instável aspira Neto. "Tira essa roupa preta. Tira essa roupa preta que você não merece usar. Você não é caveira, você é moleque. Ouviu? Você... é moleque!"
23/1² - Além do deslocamento temporal e da singularidade verbal, dominamos também a técnica da invisibilidade moral.
25/1 - Rompimento na Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, BH. Este dia e suas chocantes imagens são mais um monstruoso monumento à ganância, corrupção, falta de caráter e irresponsabilidade corporativa, executiva, legislativa e judiciária. É a metástase do sistema literalmente vitimando tudo e todos à sua frente.
30/1¹ -Aquele caraDick Miller se vai, aos 90. Ele foi parte essencial na cultura pop da minha geração - mesmo que a maioria sequer tenha reparado. Meu 1º contato com ele: Gremlins, claro. Depois Exterminador do Futuro, Depois de Horas, A Noite dos Arrepios, Grito de Horror, Matinee, etc, etc, etc.
Sensação-mor da MegaCon, em fevereiro último. E não estou me referindo ao simpático e imaginativo velhinho.
Não sei como a moça está respirando ali, nem quantas costelas ela mandou para o limbo, mas uma coisa eu sei: é o melhor cosplay de Feiticeira Escarlate que já vi. E olha que fazer uma Wanda decente sempre foi das missões mais difíceis.
Sério. Se eu fosse o Stan exigiria meus direitos de criador sobre esta criatura. Ali mesmo, no carpete.
Merece uma galeria Coelhinhas da Mansão Triple XXX, só pra ela (e alguns bicões). Primeiro live-action da série, alterando psiquicamente as probabilidades por uma boa causa.
Sneak peek aos 05:56 >>
Ps: quem souber o nome da vingadora, favor informar nos comentários. Pago em gratidão eterna e bons pensamentos. Ou quase.