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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Pop-Up of the Dead

Quando a gente acha que já tem memorabilias e tralhas o suficiente, os deuses da cultura pop contra-atacam.


Eu também achava que havia terminado em bons termos com The Walking Dead da AMC, mas esse livro pop-up baseado na série aguçou meus instintos mais zumbísticos. É simplesmente... lindo.

O item foi lançado em 2015 pela mesma Insight Editions que já tinha largado meu queixo no chão com o memorável livro pop-up de Babadook (...dook ...dook ...dook). Os textos recapitulando alguns highlights do show são da autora Stephani Danelle "SD" Perry, as ilustrações embrulha-estômago são de Sally Elizabeth Jackson e a cabulosíssima engenharia de papel é da abençoada dupla Becca Zerkin e David Hawcock.

Não tem na Amazon BR, o que me deixa até feliz. Mas tem na Amazon US$, o que me deixa até preocupado...

Dica do Sandro, esse maldito.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Juiz, júri e rebatedor


The Walking Dead abriu sua 7ª temporada e, enfim, o insidioso Negan saciou a sede de sua Lucille. Após seis meses de suspense em estado sólido, um estranho alívio se instala após a experiência. E com certeza foi uma experiência.

Como era de se esperar, muita gente ficou indignada. Achei uma graça o artigo/bate-bola de dois colunistas do The Verge. Pontuando os argumentos de seu Clube de Desistentes de The Walking Dead estão missivas como "torture-porn mascarado de drama", "o episódio mostra o quão vazia a série se tornou" e, minhas favoritas, "o desprezo pelos espectadores é o maior pecado de The Walking Dead" e a lapidar "respeite sua energia emocional e diga 'não'".

Neste ponto, onde foi preciso recorrer a slogans antidrogas de três décadas atrás, fiquei na dúvida se queriam convencer o leitor ou a eles mesmos - talvez já antecipando a porrada da abstinência.

Mas sou solidário. E não é da boca pra fora: dropei Game of Thrones quando vi as engrenagens daquela máquina de criar-personagens-carismáticos-em-tempo-recorde-só-para-trucidá-los-em-seguida funcionando a pleno vapor. Uma vez conhecendo o truque, parei de me importar. Spoilers de uma ou outra atrocidade cometida na temporada seguinte me mantiveram afastado.

Para mim, que não li os tijolos da franquia literária, não fizeram diferença os possíveis desdobramentos daquilo. Só me pareceu... vazio... arrogante... emocionalmente exaustivo. E acima de tudo, gratuito. Em outro aspecto, porém, havia a grande referência do Casamento Vermelho - momento ainda mais brutal, chocante e inesperado, mas o fruto perfeito de um crescendo narrativo que vinha sendo cultivado sorrateiramente ao longo da série. Com a premiere de The Walking Dead foi o mesmo, com reverência extra à performance descaralhante de Andrew Lincoln.

Talvez não signifique muito para o não-leitor do gibi, puto com o episódio, o fato da série conferir uma tardia dignidade à despedida de um determinado personagem e ainda desenvolver a premissa de Robert Kirkman de uma forma que superou até a original. Não. A melhor dica é que tudo o que aconteceu ali foi essencial para a nova etapa daquele universo, que, garanto, valerá a pena para quem se atrever a chegar lá.

Provavelmente.

Quase acertei, hm? Meio ponto pra mim e estamos conversados.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Éramos onze


O clímax do arco da prisão, depois o olhar 43 de Carl e agora a chegada triunfal de Negan. The Walking Dead finalizou sua sexta temporada em sincronia com o 3º grande momento da saga nos quadrinhos. Não é apenas uma das cenas mais aguardadas pelos leitores, como também a mais extrema no quesito gráfico. Foi uma grosseria splatter mesmo. Difícil dizer se a network vai bancar uma versão literal e explícita daquilo que chocou tanta gente nos quadrinhos, ainda mais considerando que nem luminares da casca-grossice como Game of Thrones foram tão fundo na ferida. O certo é que a cena com o nosso querido grupo de anti-heróis ajoelhados diante de um trágico destino já é antológica.

Essa 6ª temporada periga ter sido a mais balanceada da série até aqui. Bons ganchos nas subtramas de Alexandria e o mega-êxodo zumbi, a polêmica bem plantada sobre Glenn no fim da meia-temporada, um desenvolvimento mais intenso de personagens importantes, como foi o caso de Carol, e os primeiros contatos com a colônia Hilltop, com os Salvadores e até mesmo com o Reinado. Tudo de forma cadenciada, sem reimaginações furadas e o mais próximo possível da linha narrativa original. Créditos para o showrunner e roteirista Scott M. Gimple e para o diretor, roteirista, técnico de fx, zelador, faxineiro e office-boy Greg Nicotero, que, salvo a barrigada nos últimos dois episódios antes do season finale, não deixaram a peteca cair.

A verdade é que esse pessoal tem aqui uma oportunidade única para redimir a série de alguns equívocos do passado - sendo o mais gritante o Governador soft das temporadas anteriores. Não é preciso ser um gênio para perceber que os gibis de Robert Kirkman são quase um story-board de luxo (com mil perdões à arte fantástica de Charlie Adlard), apenas aguardando tridimensionalidade física. Claro que aparar algumas arestas aqui e ali faz parte, mas tudo de essencial que deveria ser planejado, medido e pesado já o foi, anos atrás, lá no estúdio do gordinho.

Ainda mais a essa altura do campeonato, com os US$ da AMC minando incessantemente na conta bancária. Impossível pensar em Rick Grimes & cia. apenas como personagens de gibi mensal.

Acaba sendo bem interessante comparar esses eventuais ajustes, agora mais relacionados à transposição de formatos do que de conteúdo. Aquele catártico #100 dos quadrinhos - na minha época a centésima edição era comemorada de outro jeito - é um bom exemplo de alteração técnica. O impactante final da HQ pontuava o fim de uma fase e o início de outra. Já na telinha, foi priorizado o cliffhanger. Estratégia alternativa e narrativamente oposta ao imediatismo de um Casamento Vermelho, mas comercialmente a jogada certa.

Com um episódio com mais atmosfera que Júpiter, vazando tensão por todos os frames e algumas das melhores performances do elenco principal, o final foi de baixar a pressão até o subsolo. O aguardado Negan de Jeffrey Dean Morgan soou menos fanfarrão e mais polido que aquele o qual estamos acostumados, mas ainda assim monopolizou o widescreen inteiro.

Apostas para outubro?

Spoilers?

"Eenie, meanie, miney...












...moe."

Rick, Carl e Michonne são "praticamente invencíveis"Maggie está nos planos desta indústria vital; Sasha, Aaron, Eugene e Rosita, me desculpem, são irrelevantes.

Abraham e Daryl são os que parecem irresistíveis para Lucille. Ambos uma chance de ouro para os deuses da ficção corrigirem incongruências entre os universos.

Mas fico com o Glenn basicão mesmo. É simplesmente... perfeito.

Mesmo o ator Steven Yeun já teve tempo de sobra pra se acostumar. Afinal, já se passaram mais de 3 anos desde a sua missiva enfurecida (e hilária) publicada na seção de cartas da edição #102.


Ps: me resta por hora minha série chata favorita, Fear the Walking Dead. E aquele ep. da volta? Chatíssimo...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

The Walking Dead S06E09 ou "Sem Saída", parte quatro


Que volta.

Foram alguns dos melhores - senão os melhores - minutos de The Walking Dead até agora. Catarse pura. E só porque fizeram by the (comic) book. Greg Nicotero: te devo uma rodada.

Agora dá licença que vou ali checar a reação da neofitada e já volto com um sorriso no rosto.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

The Walking O'Brien


Ok, isso foi legal bagarai.

Conan O'Brien sempre foi dos meus favoritos (só perde pro Graham Norton, por enquanto). Como intro pro entrevistão com o cast de The Walking Dead então, foi bem sacado demais.

Às vezes esqueço que há um mundo lá fora de gente que não lê quadrinhos (as tais pessoas na sala de jantar, como diria Rita Lee) e que foram genuinamente arrebatadas pela série da AMC. Vamos dar o crédito.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

I'm as mad as hell and I'm not going to take this anymore!

É oficial: Preacher vai virar série pela AMC com Seth Rogen e Evan Goldberg como roteiristas e produtores executivos.


Até uns 4 anos atrás essa seria possivelmente uma das melhores notícias envolvendo quadrinhos e televisão já imaginadas. Longe de mim desmerecer a network que deu a luz a Breaking Bad (até porque, nunca assisti), mas sou testemunha ocular dos crimes que a mesma cometeu com a trama original de The Walking Dead. Me pergunta se assisti algum episódio da última temporada? Não consegui. Não, definitivamente a AMC não é mais um porto seguro.

Goldberg é o escritor de Rogen de longa data. São sócios na gangue do diretor Judd Apatow e funcionam muito bem por lá. Adorei as bobajadas nonsense de Superbad, Segurando as Pontas e É o Fim. Também é evidente que os caras são über-nerds e provavelmente conhecem a saga de Jesse Custer de cabo a rabo, mas tenho quase 101% de certeza que a dupla não tem cacife pra segurar o rojão. E, principalmente, defender a criação/criatura de Garth Ennis contra as concessões impiedosas da AMC. E nem vou citar a incursão anterior dos rapazes pelo revoltoso mundo das adaptações.

Lembra daquele velho sonho molhado com Preacher virando série pela HBO? Infelizmente não foi dessa vez, moçada.

Mas que semaninha, hein?

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

The Walking Headbanger

O guitarrista espanhol Victor De Andrés costuma fazer versões de quase tudo o que sai dos alto-falantes - no seu canal do YouTube encontra-se de babas como "Barbie Girl" até temas de filmes como Piratas do Caribe e Gladiador. Nada muito seletivo, o negócio parece ser pela diversão pura mesmo.

Contudo, o lúgubre tema da série The Walking Dead, composta por Bear McCreary, ganhou uma roupagem extreme metal fantástica nas mãos do sujeito.


Podreira sônica & zumbis é um casamento perfeito. Me perdoe o Urso, mas essa cover tem que ser oficializada na série urgente.

domingo, 12 de maio de 2013

Walk talk

Como o nome já diz, o pessoal do Bad Lip Reading faz releituras completamente chapadas de cenas de filmes, séries e vídeos de música. O resultado até rende alguns punchlines, mas na maior parte do tempo é o mais puro nonsense demencial - e por isso mesmo impagável.

Não é humor pra todo mundo, mas o laureado da vez não podia passar em branco.


E eu nunca mais verei o Governador da mesma maneira.

"La-bibbida-bibba-do, la-bibbida-bibba-do "... essa droga pega...

Ps: o bad lip reading de Jogos Vorazes também é ótimo!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Merle Dixon, fast and loose


Arte sensacional de Ashlee V. Casey, a.k.a Czaritsa. E não foi só inspiração momentânea não, o trabalho da menina é impressionante. Confira em seu deviantART.

Dica do Sandro Dixon.

Michael Rooker, zumbis e Motörhead...


Quão iconicamente foda é esta cena?

terça-feira, 2 de abril de 2013

"Nascidos para Sofrer" (os leitores da HQ)


E prevaleceu a teoria de um amigo: The Walking Dead até levou às telas o catártico arco do Governador e da Prisão, porém a AMC substituiu todas as ideias originais por outras novas e (muito) pioradas, resultando numa versão tão suavizada e hesitante que por pouco não ficou completamente irreconhecível. O resultado é essa blasfêmia que testemunhei. Anticlímax total.

Saideira melancólica de Glen Mazzara. E Robert Kirkman devia estar amarrado num paiol cercado por meia dúzia de biters para permitir essa tranqueira.

Num ponto de vista não-leitor, um "mais ou menos" tá de bom tamanho. Bola da vez boba e furada até, dada a experiência em se virar sozinha diante de situações bem mais extremas. Furambaça. A do caipirão foi muito mais significante, tocou mais, live fast-die young, Motörhead na veia e in loco. Mas essa...

Resumindo, a essa altura já estamos todos juntos à deriva na jangada da decepção, todos os nossos sonhos mais caros estão agonizando no chão da negligência e, sim, Rick ainda pode ensinar Carl a rebater uma bola de baseball - porém!, e sempre há um porém!, temos que considerar para melhor o que esse season finale raquítico significará a longo prazo.

Sou um maldito otimista disfarçado de pessimista.

Cotação da 3ª temporada:


Cotação do season finale:


Sem especialzinho dessa vez, pois o consenso praticamente pulou na minha garganta. Confabulações rigor mortis nos comentários.

terça-feira, 26 de março de 2013

A Sombra


e a Escuridão


Mesmo não havendo tempo hábil para mais nada, "This Sorrowful Life", penúltimo episódio desta 3ª temporada de The Walking Dead, desponta com alguns dos momentos mais impactantes até aqui. Da lista negra da série, pra mim foi o item que mais me comoveu. E perturbou.

A natureza tinha que seguir seu curso. Mas que vai fazer falta, ah, vai...

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dia de caça


Recap rápido & rasteiro de The Walking Dead: o 14º episódio desta 3ª temporada deixa evidente a vocação natural da série para tramas semi-contidas, conduzidas por um só personagem ou por um pequeno grupo. E essa teoria desta vez encarou uma prova de fogo, já que Andrea (Laurie Holden) seria a anfitriã. Considerando os rumos que ela tem tomado, à anos-luz de distância e da qualidade das HQs, esse prometia ser páreo duro com os famigerados episódios-Kate de Lost. Inesperadamente, não foi o que aconteceu.

Dirigido por Stefan Schwartz, com roteiro do futuro ex-showrunner Glen Mazzara junto com Evan Reilly, "Prey" (em termos literais, "A Presa") tem como linha central um jogo de gato e rato(a) protagonizado por Andrea e Phillip, o Governador (David Morrissey). Quase como numa partida de xadrez, eles seguem travando uma extenuante batalha física e psicológica (Holden, em particular, consegue transmitir perfeitamente a sensação de desgaste extremo), enquanto tentam driblar os bolsões de mortos-vivos que eclodem pelo caminho. O clima sufocante de tensão remete aos thrillers de horror dos anos 70, como Halloween ou algum outro pesadelo filmado por John Carpenter ou Tobe Hopper.

O Governador finalmente fez uso ostensivo do que tem de melhor (ou pior) nesta encarnação: seu silêncio sepulcral e um olhar fulminante que praticamente faz um download do pensamento alheio. Está genuinamente assustador. Até Michael Myers daria meia-volta se topasse com ele num beco escuro.

Um episódio revigorante com um clímax primoroso. Mesmo as subtramas com Milton (o ótimo Dallas Roberts) e os deslocados Tyreese (Chad Coleman) e Sasha (Sonequa Martin-Green) ocupam um papel de relevância a longo prazo. E ainda trazem um aperitivo gore que foi apenas sugerido no episódio anterior e é reeditado aqui em versão pé-na-jaca definitiva:



sexta-feira, 8 de março de 2013

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

The Walking Glen


Então, de volta ao escritório... Glen Mazzara não será mais o showrunner de The Walking Dead. Como de praxe, nada foi muito explicado pelas partes por razões contratuais, apenas que foi uma "decisão mútua". Nos artigos que já se espalham pela rede tampouco são reveladas novas infos, mas as especulações novamente se voltam aos velhos desacordos orçamentários que assombram a série - uma das mais bem-sucedidas desse início de década. Segundo a AMC, Mazzara permanecerá até concluir a pós-produção dos episódios restantes dessa 3ª temporada.

Parece que foi ontem que eu perguntava se o produtor estaria à altura da tarefa, após a passagem meteórica de Frank Darabont pela série. Depois de uma temporada turbulenta, Mazzara andou acertando a mão com o time de diretores, roteiristas e também com o consultor e criador Robert Kirkman. A série ainda tem alguns problemas estruturais, mas é seu melhor momento desde o início da minitemporada de estreia. Como profissional de televisão, seu trabalho foi irrepreensível, o que é evidenciado pela impressionante audiência.

Essa foi merecedora de um 21 de dezembro de 2012 no calendário maia, com certeza. Mas e aí? Será que essa saída foi para o bem ou mal? Será que a trama ficará ainda mais zoada em relação à HQ (se é que isso é possível)? Quem será o próximo ex-showrunner de The Walking Dead? E quantas garrafas de cerveja eu matarei até o ano novo?

Dúvidas, dúvidas...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Always Look on the Bright Side of Life


Chegamos ao mid-season de The Walking Dead e até aqui a série segue firme numa agenda à parte dos quadrinhos. Alterações nas subtramas e nos perfis dos personagens, mortes inesperadas ou fora da ordem original são tão parte do cenário quanto o núcleo protagonista de sobreviventes. Ou os zumbis. Para os leitores da saga de Robert Kirkman é um deleite manter a postura de mestre do jogo ao mesmo tempo em que se surpreende (positivamente ou não) com as novidades que pipocam pelo monitor.

Mas mesmo com o grau de imprevisibilidade acima da média, o desvínculo nunca chega a ser total: na prática, é quase uma versão "Terra-2" da HQ, uma realidade alternativa onde a ordem dos fatores é diferente, mas os resultados quase sempre são os mesmos. Não tão impactantes, como já era previsto, mas invariavelmente tétricos. Neste sentido, a atual fase conduzida por Glen Mazzara foi categórica. O inferno são os outros. E nós também.

A première foi arrasadora, tanto em termos dramáticos quanto no broadcasting. Escrito pelo próprio Mazzara (que aqui mantém diligentemente o ótimo nível de seus roteiros para a série) e dirigido por Ernest Dickerson (do bom Sobrevivendo ao Jogo e do péssimo Bones, com Snoop Dogg), o episódio da volta foi eletrizante, recheado de gore e zombie-action generoso. E ainda reservou cenas surpreendentes, como a solução encontrada por Rick (Andrew Lincoln) para salvar Hershel (Scott Wilson) da infecção fatal - o que, na perspectiva dos leitores da HQ, representou uma interessante fusão de Hershel com Dale, finado na telessérie, mas ainda bem vivo na revista até aquele ponto. Se o amálgama continuar, dias ainda mais negros virão para o bom velhinho...

A única ressalva fica mesmo na ótima sequência de abertura com os protagonistas se esgueirando pela estrada em busca de abrigo. Ao mesmo tempo em que eu finalmente recebia da série o retrato da mais pura miséria humana há muito ansiado, me emputeci decepcionei deveras num momento que quase pôs tudo a perder: a cena em que Carl descobre uma lata fechada de comida para cães, cujo consumo é prontamente vetado por Rick em nome da dignidade.

Bola fora.

Já vimos um rato a caminho da grelha em Exterminador do Futuro e um saboroso ratoburguer em O Demolidor, mas nem é preciso ir tão longe. De cara, lembro de dois worst case scenarios onde um enlatado para caninos até caiu bem mediante as circunstâncias.

O primeiro é óbvio.


O segundo, precursor na iguaria, Digby - O Maior Cão do Mundo, figurinha fácil na Sessão da Tarde safra anos 80.


Diacho, até eu sinto vontade de dar umas garfadas nas latinhas de patê de frango do meu cachorro. Mas tenho medo de gostar, comer tudo e deixar o totó a ver navios!

Resumindo, o valor nutricional daquela lata só não era mais importante do que seu valor metafórico. Ao ser descartada foi negado aos personagens o rito de passagem para aceitação daquela nova e terrível realidade, acorrentando-os por mais algum tempo à ilusão de um american way of life ainda intacto.

De qualquer forma, duvido muito que Daryl deixou aquela latinha por lá dando sopa...

No capítulo seguinte, veio o tenso embate entre o grupo de Rick e os "residentes" da prisão. Mais lances imprevisíveis e violentos deram uma noção mais clara de que a telessérie seguia por uma marginal paralela à da revista. Particularmente esclarecedora foi a cena em que Rick impede o início de uma rebelião com uma singela facãozada na cabeça do detento Tomas - um hispânico agressivo e genérico, ocupando o lugar que no gibi era do enigmático e assustador nigga Dex. Curto e grosso, nosso herói aqui há muito já não se prende em dilemas éticos, embora o mesmo não se possa dizer dos morais.

O episódio foi revelador também quanto ao planejamento e à cadência do plot da prisão. Aquele crescendo sufocante de tensão que residia na HQ, intercalado com momentos de alívio cômico e/ou triviais, na TV virou um trem desgovernado indo direto para a 666ª estação do inferno. Os planos de limpeza, contenção e humanização do lugar, mais as ambições de Hershel em aplicar ali seus conhecimentos agrícolas foram sumariamente ignorados. Estratégia questionável, afinal, não deixou quase nenhuma esperança para ser cruelmente despedaçada mais adiante. Desde o início o lugar era só dor e amargura.

Por algum motivo, The Walking Dead live-action não faz joguinhos com os brios do espectador. Não lança mão de sutilezas, tampouco alimenta falsas expectativas. Talvez o formato não comporte isso, talvez algo simplesmente tenha se perdido na transição. Ou talvez fosse perverso demais.

O curioso é que esse arranque em ritmo grindcore não prossegue onde ele era mais aguardado: Woodbury, a comunidade liderada pelo infame Governador.


Apresentado bucolicamente no 3º episódio, o Governador e sua pacata cidadezinha recebem Andrea (Laurie Holden) e Michonne (Danai Gurira), recém-capturadas pelo redivivo Merle Dixon (Michael Rooker) - que, afinal, não era o Governador, veja só (embora ache difícil crer que Frank Darabont não tenha considerado isso seriamente em seu run). Aqui o Governador - ou Phillip! - é retratado como um líder zeloso por sua comunidade e pelo espírito de coletividade que cultiva ali. Chega a policiar suas atitudes e discursos em público para sempre passar uma mensagem positiva aos habitantes. Mesmo os eventos de vale-tudo-com-zumbis à noitinha são seguros e têm lá seu aspecto de entretenimento society.

O Governador tem uma bela foto com a esposa e a filha na sala de estar. Orador talentoso, tem até uma boa justificativa para a TV LZD ligada 24/7 em sua suíte particular. Também não é chegado em nenhuma estripulia sexual envolvendo crianças ou cadáveres ou os dois ao mesmo tempo.

Fosse eu o responsável pelo casting da série, minha 1ª, 2ª e 3ª opções para o papel do Governador seria John Hawkes, John Hawkes e John Hawkes. Se Inverno da Alma é um dos meus filmes preferidos de todos os tempos, em grande parte é por causa "daquilo" que ele fez lá. Isso sem falar da oportuna semelhança física com o vilão. Contudo, o inglês David Morrissey desempenha seu trabalho com inegável competência. Só não é o mesmo personagem da HQ.

Seu Governador é um figurão classudo, austero, sedutor. Por meros detalhes, Phillip (may I?) não ganha a carteirinha oficial do bom samaritano. Um deles foi o massacre de um grupo de soldados (espertamente ligados ao gancho do helicóptero). Sem maiores aprofundamentos, foi o mais próximo que a série chegou de um dos pilares da sociedade pré-apocalipse. Uma pena. Seria interessante saber se ainda existem mais equipes militares operando isoladamente por aí ou mesmo algum resquício agonizante do antigo governo.

Na sequência veio "Killer Within", o episódio mais marcante dessa meia-temporada. Se por um lado certamente deixou os espectadores incautos com os nervos a mil, por outro fulminou os veteranos em TWD com uma série de sentimentos conflitantes. Foi um episódio poderoso, excepcionalmente visceral para uma série de TV. Sem precedentes mesmo. O problema é que a catalisadora da maior parte desses sentimentos foi a sra. Rick Grimes, Lori (Sarah Wayne Callies). Ao lado do Governador, ela era a personagem-chave para a pergunta que tanto nos atormentou até aqui: será tão punk quanto foi nos quadrinhos?

A reposta, logicamente, não.

Por mais brutal que tenha sido, foi apenas uma saída politicamente correta para um material muito mais extremo. Para efeito de perspectiva, nos quadrinhos Lori e sua bebê recém-nascida protagonizaram nada menos que o clímax do arco da prisão e do Governador. Quem leu a fatídica edição #48 nunca esquecerá aquela aterradora splash page, até porque já está irreversivelmente fundida ao córtex. E seus piores pesadelos terão a gloriosa arte-final do Charlie Adlard.

Em que pese também a precocidade daquilo em relação à cronologia da revista, sacrificando: 1) a construção em médio/longo prazo de uma atmosfera de apreensão relacionada à gravidez de altíssimo risco da personagem; e 2) a posterior desconstrução da esperança em um futuro melhor que ela e sua filhinha recém-nascida despertariam em Rick e no grupo. Nada feito.

Fica pra próxima.

Mas em meio às baixas e ao caos provocado por sabotagens e pela invasão de mortos-vivos, tivemos um bônus a ser comemorado efusivamente!



T-Dog (IronE Singleton) foi um dos presuntos mais escorregadios de toda a longa antologia do horror. Foi um valoroso oponente, mas finalmente se rendeu ao cartão de identificação amarrado no dedão de seu pé desde sua 1ª aparição. Pelo bom jogo que proporcionou, ganhou umas honrarias na saída: teve mais diálogos e motivações relevantes neste único capítulo do que em todas as temporadas juntas.

Mais ainda, se despediu como um herói, o ex-gangsta.


Na dúvida se seria "my friend" ou...

Lembranças ao Tupac!

Se a saideira de Lori foi bastante suavizada, coube a Carl (um Chandler Riggs imerso) dar um ponto final àquela via crucis, num momento genuinamente perturbador. O episódio termina com Rick em choque, perdendo seus últimos fusíveis que ainda prestavam.


Durante os dois capítulos seguintes, Michonne e Andrea divergem suas opiniões a respeito do Governador e seguem caminhos separados. Na prisão, enquanto o grupo está enterrando seus mortos e providenciando os cuidados para a filha ainda sem nome de Lori, Rick mergulha numa bad trip aparentemente sem volta. Por sorte, calhou de ter ali uma válvula de escape perfeita que ele jamais teria num mundo civilizado: uma prisão cavernosa com corredores lotados de mortos-vivos. Ele então perpetra um zumbicídio generalizado, quase liquefazendo Glenn (Steven Yeun) no processo. Em certa altura daquele cenário de horror triste e degradante acontece uma sequência em que não me contive nas gargalhadas: Rick entrando na sala da caldeira onde estava o corpo de Lori, seguindo uma trilha ensaguentada que termina num zumbi gorducho fazendo a siesta após uma lauta refeição! Cruel, eu sei. Sou desprezível.

Após uma rápida catarse em que pensei que Rick abriria o bucho do desmorto glutão e abraçaria aos prantos os restos semi-digeridos de sua consorte, se inicia o plot do telefone. Que eu, particularmente, considerei uma boa sacada de narrativa da HQ, servindo para ilustrar em breves quadrinhos o fuzuê psicológico a que Rick foi submetido desde que o Governador e a prisão passaram por sua vida. Mas também sei que não teve o mesmo apelo para vários leitores, cujos argumentos contrários são igualmente pertinentes. Seja como for, a subtrama foi comprimida entre um episódio e outro, limitada a uma ponte en passant que serviu para pontuar aquele acesso de fúria e trazer Rick de volta à Terra e ao posto de pai e líder do bando.

Com os demônios de Rick de volta à garrafa, a série finalmente começa a se alinhar (um pouco) com a trama original. Não por acaso é onde começa a ficar mais empolgante no sentido do dramático da coisa, com Glenn e Maggie (a linda Lauren Cohan) encontrando Merle enquanto este estava à caça de Michonne. O desfecho previsível (os pombinhos sendo subjulgados pelo caipira putardo) serviu para Michonne finalmente bater aos portões da prisão e encontrar Rick e seu grupo. Numa cena visualmente bacanuda, diga-se.

Coberta de sangue e vísceras apodrecidas, a katana-girl caminhou lentamente entre vários zumbis até o alambrado sob o olhar surpreso de Rick. Não teve o mesmo impacto que chegar lá com dois mortos-vivos acorrentados, sem os braços e sem os maxilares, mas foi uma entrada triunfal mesmo assim.


A reta final da meia-temporada foi centrada em Michonne voltando à Woodbury com Rick, Daryl (Norman Reedus) e o ex-detento (e ex-guarda-costas do Wayne Gretzky) Oscar. Eles, com o objetivo de resgatar Maggie e Glenn. Ela, querendo a cabeça do Governador-Phillip. Inexplicavelmente, Michonne não chega a mencionar que tanto Andrea quanto Merle estariam por lá também. Mais estranho ainda é sua atitude de voltar àquele lugar apenas pra se vingar do Governador, quando o normal seria ter simplesmente continuado sua fuga pra longe dali. Soou como maluquice da personagem ou uma tremenda forçada de barra do roteiro, mas a verdade é que representou mais um problema causado pela suavização do material dos quadrinhos.

No original, Michonne é presa, torturada e violentada por dias a fio pelo Governador. O ódio que a movia suplantava qualquer bom-senso e instinto de autopreservação. Sua motivação havia se transformado numa força da natureza. O mesmo não acontece com a Michonne da TV, onde está entregue a uma sede de vingança sem embasamento suficiente e no mínimo exagerada. E infelizmente, em descompasso com a impressionante personificação de Gurira, que eu juraria que não só leu a HQ como submergiu por lá e nunca mais voltou.

Em meio à ação, uma nova trama paralela tem início, com Tyreese (Chad Coleman, de The Wire), sua filha e mais três pessoas aportando na prisão. Finalmente, o Tyreese deu as caras! Um dos personagens mais marcantes da HQ não podia ficar de fora, mesmo que tarde demais para qualquer coisa que lembre sua trajetória no original. Resta torcer para que os planos reservados para ele tenham ao menos a metade daquela qualidade.

Na conclusão, um cliffhanger também problemático, com o Governador-Phillip, já caolho, tirando da cartola uma rinha entre os irmãos Daryl e Merle, a quem acusa de traição. Hã? A menos que isso sinalize um princípio de incêndio que culminará num Governador quase tão doidão quanto o dos quadrinhos, soa como um twist (mal-) encaixado às pressas.

The Walking Dead segue indomável para os leitores e, a julgar pelos ratings, cada vez mais atraente para o público médio. Merecido. Uma das melhores características dessa adaptação é não se importar em agradar ninguém. E isso também é marca registrada dos escritos de Robert Kirkman.

Afinal, nada melhor do que a espetacular cena de Glenn amarrado e lutando contra um zumbi como terapia para aquela atordoante edição #100...

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Rob Bruxo

Saiu mais um teaser poster de The Lords of Salem, o novo filme de Rob Zombie:


Creepy. Qualquer semelhança com o simpático boomer de The Walking Dead é mera ressonância mórfica.


The Lords of Salem terá uma première no próximo dia 10, no longínquo Festival Internacional de Toronto. O lançamento oficial vai ficar mesmo para algum ponto de 2013.

Não é o filme que eu apostava ser o próximo do Rob Zombie, mas parece ser tão divertido quanto. A premissa é uma mistura de Evil Dead com Heavy Metal do Horror, incluindo o velho recurso da obscura gravação (no caso, um disco de vinil) que é executada inadvertidamente e libera uma maldição secular.

E o elenco mantém o padrão de qualidade ISO-Zombie 9000: Meg Foster, Barbara Crampton, Udo Kier, Clint Howard, Ken Foree, Sid Haig, Michael Berryman, Billy Drago, Camille Keaton, Maria Conchita Alonso, Dee Wallace e Ernest Lee Thomas (também conhecido como Sr. Omar... trágico!). Só a diretoria. Isso sem falar na patroa.

Outro detalhe que chama a atenção é o orçamento, estimado em 1,5 milhão de dólares americanos. Isso, em termos cinematográficos, equivale ao troco da padaria que você esqueceu no bolso da calça (quem dera, hein). Mas dando uma breve olhada na lista de companias indie que Rob Zombie arrebanhou para o projeto logo se vê que não há nenhum mistério nisso. É simplesmente o preço que se paga por um pequeno detalhe chamado "controle criativo".



Enquanto isso, na Sala de Injustiça...

segunda-feira, 16 de abril de 2012

I believe in miracles


Logo nas primeiras cenas, o final da 2ª temporada de The Walking Dead mostrou que ia economizar no suspense. E nem foi necessário tanto esforço criativo. A munição, farta, já estava lá, pegando poeira e vagando a esmo nas imediações da fazenda de Hershel. A sensação de redenção após tantos assuntos mal-acabados sendo eliminados com a velocidade de um maxilar fechando foi libertadora. A verdade é que a trajetória desta temporada foi sufocante e incômoda, no bom e no mau sentido. Foi bem sucedida, se a intenção era mexer com os brios do público - lembrando que todo bom filme (ou série) tem a obrigação mínima de largar o espectador num lugar diferente de onde o encontrou. É justamente o ponto onde suas qualidades se confundiram com suas deficiências. E no meio disso, um público exaurido.

O roteiro do season finale foi escrito pelos próprios Glen Mazzara e Robert Kirkman. Se divertiram, com certeza. Escancararam as comportas do foda-se e não foram nem um pouco prolixos: a história abre com um bando de zumbis sendo atraídos por um helicóptero sobrevoando a cidade e dali seguindo em direção ao interior. A turba vai engrossando suas fileiras à medida em que outros mortos-vivos vão instintivamente aderindo à marcha - ou à manada ("herd", no original). É a primeira vez na série em que um dos conceitos mais descaralhantes dos quadrinhos é colocado em prática.

Dali pra frente, a trama volta aos trilhos furiosa e sem escalas: adrenalina sempre no talo, um desabamento narrativo com som & fúria e gostinho de hora da verdade. Sacrifícios são impostos, decisões são tomadas, personagens tropeçam em seus próprios erros e o futuro está incerto novamente - sentimento refletido no olhar amargurado de Hershel ao abandonar sua fazenda engolida pelo caos. Ainda que essa retomada tenha o desespero como fio condutor, houve espaço para que uma suave brisa de esperança fosse inserida sem destoar do contexto.

Foi um trabalho muito bem realizado e um belo zombie-tale que fechou a temporada em alto nível desta vez. Devo ter reassistido umas três ou quatro vezes desde então e a força da história continua intacta, mesmo subtraída do elemento surpresa. Sem exagero: só não supera o episódio da première.


Não sei como os fãs die-hard dos quadrinhos enxergaram a construção de Rick nesta reta final. Na minha opinião, o personagem de Andrew Lincoln se tornou menos conciliador e mais badass que na HQ. Fora que antecipou alguns discursos e posições fascistóides que originalmente ele só teria mais tarde na cronologia. A estranheza foi meio inevitável na comparação - afinal, ele era um cara tão gente-boa e "sussa" -, porém contou com um background psicológico bastante sólido para tal. E nisso o crédito tem que ser dado a quem merece: não só o impecável Shane de Jon Bernthal, mas o roteiro de Mazzara e Evan Reilly para o episódio anterior, forneceram o prólogo perfeito para a conclusão. Isso inclui, principalmente, a alteração que tanto temi em relação aos últimos momentos de Shane com Rick e Carl.

Além de ter ficado bem mais crível (o moleque não ia estourar os miolos de sua figura paterna secundária, não ainda...), o confronto memorável da dupla Lincoln/Bernthal permanecerá gravado no cânone cinemático-televisivo até o apocalipse zumbi que assolará o mundo real num futuro próximo. Como várias vezes já aconteceu nesta série, essa foi mais uma mudança de adaptação que, se não superou o original, foi bem mais sensata que uma preguiçosa transposição per se.

O mesmo não se pode dizer dos demais personagens, já que todos andam na faixa. Existem alguns conflitos, mas numa escala de tensão que praticamente evapora perto de Rick e Shane. Andrea não parece (ou não teve tempo de) ter sido tão influenciada por Dale quanto deveria (e deveria?). Carol, ainda em auto-reconstrução, está a anos-luz de cometer todas as sandices que cometeu nos quadrinhos - paradoxalmente, agora, sem Sophia, é que ela poderia abrir os portões do inferno sem a menor dor na consciência. Maggie e Glenn estão ótimos arrancados da celulose direto para o celulóide. Atenção especial para Lauren Cohan, a atriz que interpreta a Maggie, que consegue expressar sua dor e confusão de forma quase palpável - algo que pode ser muito útil mais pra frente se o script não mudar o tom dos quadrinhos.

Daryl ficou um pouco apagado desde que desistiu de ser o renegado e resolveu se unir ao grupo, mas manteve o mesmo grau de importância para a trama. Foi dele o CSI Zombie que desvendou o assassinato de Randall e a armadilha de Shane.

O saldo das vítimas, aliás, foi bem modesto dadas as circunstâncias. Descontando Shane, Randall e Dale-ah-Dale!, foram devidamente deglutidos Jimmy e Patricia, que já se pareciam com snacks ambulantes desde suas primeiras aparições. Surpreendentemente, Beth sobreviveu e, pior, T-Dog, a ração para mortos-vivos mais teimosa a aparecer na tela desde que os primeiros desmortos saíram do Haiti para ganhar o mundo. Todos esses personagens juntos não fazem a metade da falta que fará o RV de Dale, agora reduzido a uma cantina para zumbis. Triste.


Lori parece ser um caso à parte. Muito bem caracterizada pela atriz Sarah Wayne Callies, na reta final da temporada a personagem veio se tornando, como direi... uma vaca. Acho que é ponto pacífico que chegar em Shane pra discutir relação àquela altura do campeonato (no episódio em que ele consertava o gerador) é pra lá de contraproducente. Não satisfeita, mais tarde, no mesmo episódio, ela diz ao marido que Shane é perigoso. Mas deixei em stand-by, processando as infos que poderiam decodificar a cabeça da mulher. O que se provou tarefa impossível na cena em que Rick confessa pra ela que matou Shane em legítima defesa. A reação de Lori? Repúdio.

Mas antes de cometer grosserias com essa autêntica profissional do baixo meretrício, penso que talvez esse seja o verniz ideal para uma personagem como ela. Ao contrário da HQ, onde Lori era insossa e dependente e mesmo assim protagonizou a cena mais forte entre tantas de The Walking Dead, a Lori da TV rescende antipatia e prepotência. Em suma, já deve estar em construção para chegar até aquele ponto tão controverso mostrado no gibi. Aposto no maniqueísmo dos roteiristas, afinal, para o senso comum ela tem que pagar por alguma coisa. No mais, a AMC podia abraçar o exemplo categórico da HBO no episódio de estreia desta 2ª temporada de Game of Thrones. O céu é o limite. E o inferno também.

Este 2º season finale de The Walking Dead foi bastante aclamado pela crítica e pelo público. E que público. Mas esse sucesso não deveria ser traduzido como uma sequência de decisões acertadas. Foi uma temporada problemática. Eventos externos influíram na trama de maneira efetiva - e continuarão influindo em tudo o que tiver relação com Dale. A primeira metade foi mal administrada e esticada quase ao limite do aceitável. Mais um pouco e eu já estaria comparando a fazenda de Hershel à ilha de Lost.

Contudo, não houve nada, nem de longe, que se comparasse ao CDC da primeira temporada. E, reitero, quando foi preciso, Glen Mazzara botou a cara a tapa, injetando emoção nos episódios que roteirizou (notadamente os dois últimos) e vertendo alterações arriscadas em releituras bastante decentes.

E sim, teve clareza e oportunismo para engendrar o timing da série até agora.


Mais ainda, soube guardar a cereja muito bem até o final. Se a impressão foi das melhores, fico imaginando como será uma temporada onde ele terá 100% de autonomia, nenhum problema de casting ou transição de showrunner.

E sem contar que terá em mãos o melhor arco da HQ...

Cotação do season finale:


Cotação da temporada: