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sábado, 10 de junho de 2023

Whoa, Oa!

Quem diria. Desenhos de sábado de manhã num sábado de manhã. Achava que a grade infantil - ou infanto-juvenil? - na TV aberta já tinha ido pro vinagre há éons.

No caso do SBT, é bom ver que não. E ainda com a ótima e solenemente ignorada Lanterna Verde: A Série Animada.



A série fechou em meros 26 episódios. Não vejo muitos órfãos por aí. Provavelmente tem algo a ver com o CGI superbásico no lugar da animação tradicional da linha Animated. Deve ter rolado uma estranheza. Mas a produção de Bruce Timm e a direção de Sam Liu e Rick Morales não deixaram a peteca cair.

Esse episódio, "Babel", o 21º da temporada, é um bom exemplo. Hal Jordan, Kilowog e o Lanterna Vermelho Razer tentam sobreviver numa cidadela hostil. O problema é que seus anéis estão descarregados e, sem o tradutor universal, eles nem mesmo conseguem compreender um ao outro. O resultado é engenhoso e impagável.

Teve mais um na sequência. Até onde vi, estão exibindo na ordem. Boa, Patrão!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Supergirl (e a Legião dos Super-Heróis)


Legião dos Super-Heróis (Legion of Super-Heroes, 2023) é o 6º longa da atual fase de produções da Warner Bros. Animation, iniciada com Superman: O Homem do Amanhã (Superman: Man of Tomorrow, 2020) e seguida por Sociedade da Justiça: 2ª Guerra Mundial (Justice Society: World War II, 2021), Batman: O Longo Dia das Bruxas, Parte Um e Parte Dois (Batman: The Long Halloween, Part One/Part Two, 2021) e Lanterna Verde: Cuidado com Meu Poder (Green Lantern: Beware My Power, 2022). A fase, apelidada de Tomorrowverse, mantém certa continuidade e estabelece uma nova estética para as animações da DC: visual clean, linhas mais arrendondadas, contornos com maior espessura (por vezes, bem maior) e uma transposição mais evidente de perspectivas dos quadrinhos.

A história começa com Kara Zor-El ainda em Krypton e sendo enviada à Terra para se tornar a Supergirl. Além das dificuldades de adaptação, Kara sofre com o trauma da perda de sua mãe e de seu planeta natal. Para ajudá-la na transição, Superman a leva até o século 31, onde é recrutada pela Legião dos Super-Heróis. Logo ela se vê às voltas com o também candidato a legionário Brainiac 5, suspeitíssimo neto-clone do clássico vilão do século 21, e com uma conspiração envolvendo um obscuro grupo terrorista chamado Dark Circle. Tudo isso é apresentado numa tacada bem superficial, de quase sinopse.

No filme há pouco sobre a própria Legião e sua história. Se o título fosse Supergirl e a Legião dos Super-Heróis ou apenas Supergirl seria bem mais honesto. A trama é basicamente sobre ela, mesmo que boa parte — incluindo os conflitos psicológicos/emocionais da personagem — já tenha sido abordada no longa animado Superman/Batman: Apocalypse, de 2010. Então quem esperava uma adaptação de A Saga das Trevas Eternas ou A Legião dos 3 Mundos, pode tirar Cometa, o Supercavalinho, da chuva.

E nem arrisco mencionar a espetacular fase Legion of Super-Heroes: Five Years Later, de Keith Giffen, ainda inexplicavelmente inédita no Brasil.

Apesar do novo visual dessas animações ainda parecer incipiente aos olhos de um veterano de Batman: The Animated Series, um aspecto positivo é inegável e encontra seu ponto alto aqui: a expressividade.



Kara nunca esteve tão carismática e tridimensional numa animação da DC. Sem afetações desnecessárias, o formato agora permite mais flexibilidade nas feições, traduzindo com muito mais eficácia cada emoção apresentada. Fora que a kryptoniana está uma fofa.

Também fica nítido que deram um tapinha em algumas sequências com CGI disfarçado. Certos momentos quase remetem àquelas animações dos anos 2000 produzidas com Flash Player (lembra de Archer?), que, por si só, não é mal, mas frequentemente soa artificial, asséptico, estéril.

Novamente: apenas a impressão de um velho apaixonado pelo estilo Fleischer Studios/Bruce Timm das animações tradicionais.


O roteiro de Josie Campbell, egressa da excelente série She-Ra e as Princesas do Poder, arrisca bem pouco. Dá para ver as reviravoltas a parsecs de distância e sentir as limitações impostas pelo "andar de cima" para mexer na cronologia da prima do Super. Então, para qualquer iniciado, não há grandes novidades. O que resta é o que Campbell sabe fazer melhor: a dinâmica entre um núcleo central bem diverso, que, além de Supergirl e Brainiac 5, também conta com Vésper, Saltador, Moça-Tríplice/Dama Dupla, Rapaz Invísivel, Etérea, Mon-El e o infame Arms Fall Off Boy, que já teve até versão live action no filme bom do Esquadrão Suicida.

O diretor Jeff Wamester fez um trabalho razoável na parte da ação, que, talvez por ser material Supergirl, seja bem mais contida que seu longa anterior, o confuso Sociedade da Justiça: 2ª Guerra Mundial. Nesse quesito, a bancada de legionários veteranos formada por Penumbra, Rei Químico e Lobo Cinzento foi um tanto desperdiçada — com ligeira exceção para o último, que protagoniza uma boa sequência de pancadaria ao melhor estilo eu-sou-o-Wolverine-original-xará, com direito até a uns respingos de sangue. Tudo muito breve, porém.

Legião dos Super-Heróis se assemelha mais a um piloto de série do que um filme autocontido. Termina mostrando que não é nem um, nem outro (a cena pós-créditos se certifica disso). E que a Warner mais uma vez está audaciosamente nos levando até onde nenhum planejamento jamais esteve.

sábado, 26 de agosto de 2017

Caso das Três Mulheres Degoladas Ligado às Misteriosas Aparições da Bizarra Criatura Noturna


Isso é o que chamo de boas novas!

Gotham by Gaslight é uma das minhas aventuras favoritas do Morcego. O roteiro sorumbático e ao mesmo tempo evocativo e espirituoso de Brian Augustyn - parceiro de Mark Waid em seus runs do Flash e X-O Manowar - faz uma perfeita realocação do Batman e seu mythos para o cenário vitoriano. E, claro, para a histórica caçada de um infame Estripador, o Jack.

Claro que a magia não seria completa sem o traço inconfundível de Mike Mignola (com arte-final de P. Craig Russel), que fez aqui um de seus trabalhos mais bonitos. Apesar de não ter inaugurado originalmente a linha, a história passou a ser considerada o 1º Elseworld da DC, tendo inclusive inspirado a sua criação.

Por aqui ela foi publicada só uma vez duas vezes, pela Panini em Batman - 70 Anos #3 e pela Abril, com o título Um Conto de Batman - Gotham City 1889.


E depois ganhou uma continuação, Batman - Mestre do Futuro, novamente com roteiro de Augustyn e desenhos do excelente artista uruguaio Eduardo Barreto.


Uma coisa que não entendi é o fato de não adaptarem o traço do Mignola na animação. Seu estilo simples e peculiar funciona na tela à perfeição e sem ele a história perderá muito da caracterização e da atmosfera originais.

Santa negligência, Batman.

Aliás, há um tempo percebo que a divisão de animações da DC parou no automático com essa roupagem sub-Bruce Timm (sob os auspícios do próprio), quando até há pouco diversificava os designs emulando diferentes artistas com bons resultados. Uma pena também é notar a queda na qualidade das animações - e sempre nas mais transgressoras, com temáticas mais densas e menos comerciais que o padrão. A de Piada Mortal, por exemplo, foi atroz. E a prévia de Gotham by Gaslight já deixa claro que o longa terá uma quantidade pífia de quadros/sec.

Ironicamente, o sneak peek saiu nos extras do tecnicamente redondinho Batman and Harley Quinn - um tour-de-fanservice que nasceu hit pronto. Um esmero que toda animação da Detective Comics-Comics deveria ter.

Ou pelo menos as de boa estirpe.

sábado, 23 de julho de 2016

O Espectro que não estava lá


Nem Batman v Superman em versão esticada, nem Rogue One com sombra e baforada do Vader, nem a postura sóbria de George Takei ante a desastrada homenagem no novo Sulu. A manchete que mais me chamou atenção nas últimas semanas - pelos motivos errados - foi repercutida discretamente: o personal cult Nicolas Winding Refn soltando em entrevista que havia recusado a direção de Spectre.

Nada demais, certo? Não para este vos escreve. A notícia bateu numa trauletada só.

"Refn dirigindo um filme do Espectro! Mas que ideia filhadaputamente do caralho!", refleti em meio a cotoveladas num busão lotado. E expandi: "quando eu pensava que a Warner não teria o menor espasmo de (boa) ousadia e inventividade em suas adaptações dos Arquivos DC, olha só que eles me aprontam!". E tome mais cotovelada.

Sei, sei. Não foi dos meus melhores momentos. Estava embriagado com a avassaladora 1ª impressão de uma mente há muito deteriorada pela cultura pop. Mais tarde, a autotrollada se desfez quando finalmente vi que o cineasta se referia a Spectre-o-último-filme-do-007. Meh.

Vão-se os enganos, ficam as divagações. Seria a melhor chance de subversão pop do estúdio em muito tempo. Jim Corrigan, o Espectro, é personagem da série C e dos bons. Tem a classe de seus chapas do country club místico, mas com uma frieza e crueldade que arrancaria do Frank Castle um sorriso à Buddy Revell.

Com baixos números envolvidos e o céu sendo o limite, tudo estaria favorável para uma abordagem mais experimental, mais transgressora, mais culhuda. Mais Refnada. Que, nunca custa lembrar, é o cão dinamarquês que criou a grotesqueria sanguinolenta do lindo Valhalla Rising.

Melhor ainda com sua filmografia recente, estilosa e aveludada, flertando com texturas do gênero terror, e, inerente ao meu caso ilusório em questão, com a décadence avec élégance dos thrillers criminais oitentistas.

E o que isso tem a ver? Ora, tem a ver com o fabuloso curta DC Showcase: The Spectre, de 2010. É Winding puro.


Refn não dirigiu Spectre, mas bem que podia dirigir um The Spectre. O cara tá facim, facim. Outro dia mesmo comentou que faria um filme da Batgirl.

Warner, atire logo o dinheiro aos pés do homem. Preciso urgente ver algo fora da caixinha.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Bom, mau e feio


Os recentes trailers de Jonah Hex não negam. Vem aí mais um genérico de ação pop-sobrenatural aos moldes de Elektra e Motoqueiro Fantasma, com uma boa dose de As Loucas Aventuras de James West. Isso pode até soar pessimista demais, mas aquelas cenas "divertidas" e modernosas passam a semanas de cavalgada do anti-herói original, um elo perdido entre Bronson, Van Cleef e Eastwood e um dos primeiros badasses de fato dos quadrinhos.

Pois o velho confederado ganhou boas chances de atravessar esse hype tosco com alguma dignidade. Um curta animado do Hex será incluído nos extras do Blu-Ray/DVD de Batman: Under the Red Hood. Hip Hip Hooray!

Segue o release oficial da Warner Home Video:

The second DC Showcase animated short, “Jonah Hex,” will appear as a bonus feature on the Special Edition Blu-Ray and 2-Disc Special Edition DVD release of “Batman: Under the Red Hood.”

Scripted by renowned author Joe Lansdale and starring the voices of Thomas Jane (Hung), Linda Hamilton (The Terminator), Michelle Trachtenberg (Mercy, Buffy the Vampire Slayer) and Michael Rooker (Days of Thunder), the DC Showcase short is based on the award winning comic series. The short is rated PG-13.

In the DC Showcase story, the tough-as-nails bounty hunter Jonah Hex always gets his man – until someone else gets to him first – in this case a murderous madam who wants to steal more than just her bounty from Jonah Hex.

“Batman: Under the Red Hood,” the next entry in the popular ongoing series of DC UNIVERSE Animated Original PG-13 Movies, arrives July 27, 2010 from Warner Premiere, DC Entertainment and Warner Bros. Animation. The full-length film will be distributed by Warner Home Video.


É só um curta. Mas se mantiver o nível das animações da DC, já será o suficiente, filho. Rrrc... cusp.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A VOLTA DO HOMEM DE VERDE


Enquanto as adaptações dos quadrinhos da DC para o cinema vão tomando rumos incertos (salvo as do orelhudo de Gotham, claro), o departamento de animações straight-to-DVD vão indo muito bem, obrigado. Lanterna Verde: Primeiro Voo (Green Lantern: First Flight, EUA, 2009) mantém o bom nível com uma aventura divertida e lançada sem muita cerimônia - talvez para aproveitar o bom momento do universo do personagem nas HQs e as constantes notícias sobre o filme. Com nomes do porte de Bruce Timm (aqui produzindo) e Alan Burnett (roteirizando, ao lado de Michael Allen), não tem erro. Esses dois, ao lado de Paul Dini, moldaram a cara das animações da DC nas últimas duas décadas. Além de estabelecerem um padrão de excelência para as séries animadas daqui do ocidente, foram, de longe, a melhor alternativa à invasão animê daquele período.

Com esse timaço nivelando tudo por cima, Primeiro Voo se torna uma boa oportunidade para acompanhar a evolução da "novata" Lauren Montgomery. Co-diretora de Superman/Doomsday, ela participou do storyboarding dos bacanas Hulk Vs e dirigiu o surpreendente Wonder Woman, ilustrando frame a frame como a personagem funcionaria na telona às mil maravilhas (sem trocadilho). Se destacando cada vez mais nessa nova fase de animações pós-Liga da Justiça Sem Limites e assumindo projetos com as principais marcas da casa (aos 29 anos, num mercado concorrido e predominantemente Clube do Bolinha), a promissora cineasta é gente igual a gente mesmo.

Muito simpática, bem-humorada, fã da Cheetara (!), fissurada em A Pequena Sereia (a Disney é uma influência primordial), com blog e deviantArt à distância de um clique pra quem quiser curtir - impressiona a simplicidade. Pra lembrar como isso é raro no meio, confira qualquer entrevista com o Bruce Timm ou o Brad Bird onde eles emanam toda aquela aura übernerd/Brainiac híbrida e tão agradável quanto um banho de nitrogênio líquido. Creepy.


Historicamente, o Lanterna Verde sempre foi um personagem do segundo escalão. Senão vejamos: Clark, Bruce, Diana, depois Barry/Wally... o velho Hal Jordan é imediatamente o segundo herói abaixo da santíssima trindade world's finest da DC. Com poderes tão Era de Prata em essência, o maior risco era de uma interpretação camp, o que, felizmente, não ocorre em nenhum momento. E por aí se nota o quanto foi importante e definitiva a caracterização conceitual e estética criada para o Lanterna John Stewart nas séries da Liga. Praticamente toda aquela abordagem foi reeditada no longa, com as providenciais expansões que o herói sempre mereceu. Toda aquela dimensão e grandiosidade estão lá e a gama de possibilidades se mostra realmente universal. Fica bem claro: o lugar desse cara é no cinema.

Outro bom timing foi abreviar a origem do personagem, considerando que já foi mostrada recentemente em Liga da Justiça: A Nova Fronteira. Uma ótima ideia para agilizar a trama e evitar repetições, mesmo com Nova Fronteira sendo de um "elseworld". Assim, o background do Lanterna é bastante sintético e dura o tempo dos créditos de abertura: uma breve apresentação do piloto de testes Hal Jordan, seguido do clássico encontro com o alienígena moribundo Abin Sur e logo o herói chega ao planeta Oa para integrar a Tropa dos Lanternas Verdes. Lá, ele enfrenta os problemas típicos de adaptação de um recém-chegado em meio a veteranos, mais a perigosa rotina da maior força peacemaker do universo - além, é claro, de uma obscura ameaça que se revela na segunda metade da trama.

A dinâmica entre os personagens principais costura uma relação tensa, bem ao estilo do filme Dia de Treinamento, onde o novato Jordan passa dobrados cada vez mais sinistros com seu oficial... Sinestro. Que por sinal rouba a cena. Sua evolução e motivações pessoais são observadas bem de perto, desde a relação desgastada com os Guardiões de Oa até sua transformação no primeiro Lanterna Amarelo, ganhando mais tempo de tela do que o esperado. Isso acaba criando a interessante sensação de que Primeiro Voo se trata mais sobre a origem do vilão do que do herói.

Dono de um carisma arrogante e uma relação dúbia com Hal - ele admira a raça humana por tudo que ela tem de pior -, Sinestro ainda conta com uma irretocável dublagem.



Estreando em animações, o ator Victor Garber empresta elegância e sagacidade ao Lanterna renegado. Já Hal Jordan teve a ótima performance de Christopher Meloni, o Chris Keller, da série Oz (tão inesperado quanto irônico). Kilowog encontrou sua voz definitiva no gogó de Michael Madsen (superando até o excelente Dennis Haysbert, na série da Liga), Kurtwood Smith competente como sempre na voz de Kanjar Ro e a fabulosa Tricia Helfer bem à vontade na voz da Lanterna Boodikka.

Mas se for contabilizar tempo de tela x desenvoltura, quem sai na frente é a atriz Juliet Landau. Numa pequena (e sensacional) participação, ela confere sarcasmo e uma deliciosa vulgaridade na voz da alien Labella.

Até onde conheço do universo do Lanterna, Primeiro Voo se mostra bem fiel aos seus aspectos mais caros. E alguns deles tiveram uma ótima transição da arte sequencial para a arte animada. Um bom exemplo são os anéis que retornam à Oa quando seus portadores morrem. Isso rende cenas tão sutis quanto impactantes - o que parece ser o objetivo maior da diretora Montgomery nos 75 minutos da animação.

Se o vindouro filme tiver metade dessa vibe, o dia será mais claro e a noite menos densa para as adaptações da DC. Afinal, nem todos vivem de intimidações.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

ONE-TWO-THREE-FOUR

(considerações rapidinhas)


Imagine aquele certo tipo nerd que chegou à maturidade, atingiu o status quo nerdiano, que vive compenetrado em um mundo de Ciência invisível aos olhos comuns e que, miseravelmente, é confrontado a todo momento com o mundo "real". Esse era pra ser o Reed Richards, no filme Quarteto Fantástico (Fantastic Four, 2005), mas o ator Ioan Gruffudd não arranha nem a lataria. Cada década tem o Harold Ramis que merece. Esse ponto é meramente ilustrativo. Arriscar uma olhada mais séria do filme é brincar de tomar pedala Robinho!! no meio da nuca.

Esqueçam as aventuras no universo subatômico, viagens em worm-holes, explorações em dimensões paralelas e todo o combo sci-fi que vem atrelado aos heróis nos quadrinhos. Esqueçam também aquele monstrão que sai do solo - obrigatório nas reprises da origem do Quarteto. O tom aqui é rasteiro, solto e, acima de tudo, pop. Mas isso não é demérito. Os Incríveis é melhor? Em todos os aspectos. O roteiro tem buracos? Parece a Régis Bittencourt. O vilão é bacana? Visualmente sim, mas ainda fico com Dr. Destino daquela produção de Roger Corman (embora seu... hã... "destino" tenha sido uma variação bacanuda do final de Os Caçadores da Arca Perdida). E nunca vi uma caríssima e aguardada viagem espacial ser desenrolada tão rápido!


Mas - olha só a virada, óia, óia - o Coisa ficou legal? Ficou sim, entre altos (Michael Chicklis é O Cara) e baixos (a corcunda esquisita e as mãos muito grandes), e me deixou com pena de quem o comparou a um coliforme ambulante (se a única referência que você tem se parece com ele, recomendo uma dieta à base de fibras, muitas fibras). E Chris Evans como o Tocha Humana? É um scene robber son of a bitch (a cena do espanador foi a melhor!). E finalmente, a toda-poderosa Mulher-Invisível Sue Storm... a girlie Jessica Alba é mais deliciosa que Kirsten Dunst e Katie Holmes juntas e a cena dela só de calcinha e sutiã já faz valer a sessão.

Que fique claro: ninguém nunca salvou New York de maneira tão cool quanto os Caça-Fantasmas do primeiro filme. Mas o Quarteto fica ali, bem naquela esquina do pop nonsense, pueril, escapista, que já rendeu uma porção de crássicos involuntários. É bem divertido - às vezes divertido bagarái - e se não consegui te convencer disso, quem dirá fazer o mesmo em relação à obras do calibre de Bill & Ted 1 e 2, Godzilla vs Megalon, Spider, Westworld, A Maldição de Quicksilver...



WRESTLING DE ESCOTEIRO


Superman e Capitão Marvel. Clark e Billy. De cara, são os dois maiores "bebedores de leite" das HQs (conceito dugarái de autoria do Alcofa - que está [re]pendurando as chuteiras...). A história desses dois é engraçada. Criado em 1939 por C.C. Beck e Bill Parker para a Fawcett Comics, o velho Capitão foi logo acusado de ser plágio do Super, seu predecessor da Detective Comics. Apesar dos conceitos próximos (dois super-humanos utópicos por excelência), Billy tinha lá as suas idiossincrasias que o distingüiam do Clark. Óbvio que isso não comoveu a DC, que engoliu a concorrente, levando-a à falência e, em seguida, saqueou o personagem para o seu cast. E dá-lhe situação inusitada: a editora ficou com dois super-homens invencíveis na casa.

Coincidentemente, o background do Capitão era originado de uma das únicas fraquezas que afligiram o Super durante um bom tempo: a magia. Isso nivelava um pouco as suas diferenças, visto que o Cap era uma contradição. Apesar de ser o detentor da Sabedoria de Salomão, ele mantinha a mesma índole à Oliver Twist de seu alter-ego. Já o Super era (muito) mais calejado e há tempos parou de destroçar carros para deter ladrões de banco. Só enfrentava de Mongul e Bizarro pra cima. Essa equiparação acabou gerando umas vias de fato memoráveis entre os dois, ao melhor estilo "dois paralelos se enfrentando". Também influenciou uma carreirada de situações dentro do universo pop, fornecendo inclusive a matéria prima para o duelo final entre Neo e o Agente Smith, em Matrix Revolutions. Que Dragonball Z que nada!

Tudo isso pra falar do maravilhoso episódio Clash, da excelente Justice League Unlimited. A luta em si durou breves e acachapantes cinco minutos, mas valeu por um longa metragem. O Capitão Marvel/Billy Batson está perfeito, com aquele olhar inocente e ainda mais escoteiro que o Clark. Este, aliás, está quase um herói à Image nesse episódio - bem mais super do que herói (justificado pelas maquinações certeiras de Lex Luthor).












Rolou até referência ao clássico Reino do Amanhã... Imperdível. Tinha de ser exibido nas TVs abertas. É um crime omitirem um material dessa qualidade.


Na trilha: Queen - Live At Wembley Stadium... weee are the champions... my frieeeend... :P