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sábado, 16 de fevereiro de 2008

YouMovie



Cloverfield - Monstro (Cloverfield, EUA, 2008) coleciona façanhas em seus 85 minutos de trincheira, sendo a principal, talvez, a humanização de um subgênero em agonia. Seja pelo eterno comércio informal da Toho/Daiei ou pelas tentativas obtusas de upgrade (Godzilla, 1998), o kaiju há tempos destrói prédios de papelão em cidades fantasmas, mesmo pertencendo a um nicho pop por excelência. Desde sempre, filme de monstro é filme-evento. É espetáculo quimicamente manipulado para as massas. Objetivo que Cloverfield agarra com som e fúria: o monstro aqui é incomensurável, indescritível, lovecraftiano, mal dá pra saber onde começa e onde termina. Uma força da natureza que mal conseguimos entrever antes de sermos tragados pelos efeitos devastadores da sua presença. Para tal, nada foi mais efetivo do que o formato adotado.

Em tempos de banda larga, iPhones, uploads e handycams, o filme não poderia soar mais familiar. Baseado numa suposta filmagem salva em cartão SD (o que não foi bem o caso), Cloverfield, se não reinventa, anaboliza o estilo mockumentary. Com notável habilidade, inverte pontos de vista, entrelaça cenas de puro baque físico com bucólicas imagens de um vídeo gravado por baixo e recicla as motivações que impulsionam sua filmagem contínua, mesmo em condições radicais de trabalho para o "camera man". Interação e entendimento invejáveis do diretor Matt Reeves com o roteiro de Drew Goddard, ambos graduados em séries de TV.

Entre outras coisas, Reeves foi co-criador e diretor de vários episódios de Felicity. Já Goddard roteirizou Buffy, Angel, Alias e Lost. Os dois são velhos colaboradores de J.J. Abrams (M:I 3), que produz e preenche cada frame com sua recém-aflorada personalidade cinemática. A influência de Lost é evidente, uma vez que Cloverfield reescreve os melhores elementos da série - e que, justiça seja feita, são narrativamente arrebatadores.


A primeira meia-hora do filme é projetada para instigar a identificação do espectador. Começa com momentos íntimos entre Rob Hawkins (Michael Stahl-David) e sua melhor amiga/quase namorada Beth (Odette Yustman), documentando o que seria o início de um relacionamento amoroso. Corta pra quase um mês depois. O irmão de Rob, Jason (Mike Vogel), e sua namorada Lily (Jessica Lucas) preparam uma festa de despedida pra ele, que assumirá um cargo de chefia no escritório de sua empresa, no Japão. A cena flui com grande articulação e mantém a afinidade com alguns subterfúgios, como os amigos deixando mensagens de boa viagem e uma trilha pop casual. É nesta seqüência que somos apresentados ao nosso avatar dentro do filme.

Hud (T.J. Miller) se torna o mapa, a bússola e a âncora do espectador, a partir do momento em que assume a câmera. Inicialmente à contra-gosto, ele acaba se revelando uma espécie de paparazzi video-maker. Sua absurda indiscrição nos permite saber o que aconteceu do romance inicial até o exílio voluntário de Rob. Suas incursões sempre inconvenientes revelam os traços mais peculiares de cada personagem, começando por ele mesmo e sua paixonite aguda pela reservada Marlena (Lizzy Caplan).

E mais importante, sua fragilidade diante do inesperado é o combustível do filme. A dinâmica e os impactos pontuais são equalizados conforme sua percepção dos acontecimentos - que é, invariavelmente, embasbacada.


Espertamente, o filme não entrega o jogo tão fácil. A seqüência do primeiro ataque prima pela incerteza. À primeira vista, o que parece o Godzilla fazendo um tour por Manhattan, também poderia ser uma nova investida da Al Qaeda. Viés atualíssimo, se estendendo pelos celulares e handheld cameras que filmam, em primeira mão, um "souvenir" atirado no meio da rua (com sorte, o vídeo amador poderia ir parar na CNN, quem sabe). E novamente citando o filme de Roland Emmerich, Cloverfield mastiga e cospe a cena correspondente daquela produção. É ridiculamente superior em composição, timing, tensão e até em escalas, mesmo custando muito menos. O curioso é que a fórmula é exatamente a inversa, num exercício nada sutil de sugestão. Quando os personagens se abrigam numa loja, algo dantesco acontece lá fora, mas a proporção se torna muito mais aterradora pela sua natureza desconhecida. Um velho recurso de suspense clássico, criado por Hitchcock e traduzido para o cinemão blockbuster por Spielberg (Encurralado, 1971), assumido aqui com um tesão pelo idiossincrático poucas vezes visto numa produção de ponta.

Não há "overdoses de monstro", mas doses esporádicas com tarja preta, intensas e traumáticas o suficiente pra manter a adrenalina sempre em ebulição e os olhos dilatados até o flerte definitivo, quase ao final. Fora que elimina qualquer possibilidade de assimilação (ou até simpatia) pela imagem da criatura, que do início ao fim se mostra como deveria: um nêmesis estrangeiro e obscuro, algo entre um pesadelo vivo e uma aberração inumana. O mesmo vale para seus acompanhantes, repugnantes pulgões-carrapatos-aracnídeos-face huggers, que protagonizam um trecho realmente incômodo num túnel de metrô. Ri de nervoso ali.

O crossover estilístico desenvolvido pelo filme resultou no longa-metragem mais pop e acessível já filmado em 1ª pessoa. Gênerozinho anti-comercial e ranhento, aqui anos-luz da cria mais notória e influente de Ruggero Deodato. Ao contrário do que os cartazes de aviso dos cinemas americanos indicavam, o sensório é (quase) preservado em momentos de enquadramento estável, nitidez, contraste e um conveniente foco automático - tecnologia, enfim. Faz uma diferença crucial na empreitada. E que empreitada.

O filme não mede esforços para colocar a vida dos personagens na ponta da faca. Nada é tão simples, seja atravessar uma rua, conversar com a mãe pelo celular, voltar para resgatar um amigo ou, o mais difícil, se conformar com uma situação insustentável e ainda saber o que fazer com aquele último e precioso instante - justo onde Cloverfield transcende categorizações e se revela maior do qualquer monstro.


SPOILERS ahead, punk.

Com uma massiva campanha marketeira viral, o filme cultivou dúvidas bem antes de seu lançamento lá fora, a começar pelo título. Durante a produção, o projeto foi rebatizado várias vezes, com nomes variando entre Slusho, Cheese (?!), Clover, Monstrous e até 1-18-08, que foi a data da estréia oficial. Acabou ganhando Cloverfield mesmo, nome de um boulevard próximo ao escritório de J.J. Abrams em Santa Monica, Califórnia.

O filme surgiu da idéia de um (produto-)monstro genuinamente americano, em contrapartida ao teor insano e destrutivo de Godzilla no Japão - não por acaso, o destino inicial do personagem Rob. Um dos pontos de partida ganhou uma referência no filme, quando Rob e Beth passam um dia num parque em Coney Island. É uma citação ao clássico do stop-motion The Beast From 20,000 Fathoms, de 1953, onde um monstrengo vira ao avesso o centro de New York e, posteriormente, Coney Island. Outra homenagem foi a cabeça da Dama da Liberdade estatelada na rua, reverenciando, obviamente, Fuga de Nova York.

O target mais freqüente dos virais foi o visual do monstro. Um sem-número de imagens, fan-arts em sua maioria, rodaram a internet ad nauseum. A mais divulgada foi uma espécie de baleia mutante, que, embora tenha errado no shape, foi uma das primeiras fontes a mencionar a existência dos parasitas super-desenvolvidos. Uma outra imagem bem conhecida chegou mais perto do aspecto real - que no fim das contas, foi o quê... uma cruza escrota entre Rancor e Gyodai? :-)

Conforme atestou o tenebroso sussuro pós-créditos, já sabemos que a criatura é ultra-resistente. Os demais pontos de discussão giram em torno de suas proporções, o que é, de onde vem, pra onde vai, qual seu papel no universo, etc.



Um dos misteriosos previews gerou várias especulações, sugerindo que o monstro tem uma predileção megalodôntica por baleias no breakfast. O que explicaria a foto ao lado, mostrando o mar vermelho de sangue. Ou será que não? Pouco tempo depois, foi liberada uma foto com visão noturna flagrando uma ofensiva marítima contra um alvo não-identificado. Alguma chance da criatura ter tombado no ataque?

O tempo e a ordem dos acontecimentos parece ser a chave para se entender melhor o universo expandido de Cloverfield. O site 1-18-08 traz algumas fotos de cenas constantes no filme e outras tantas inéditas, com hora e data aproximadas dos eventos (abaixe o volume pra não enfartar com o ruidoso "rooooaaaarr" que a página carrega). Uma das fotos traz a loira Jamie Lascano, que esteve na despedida de Rob e protagonizou uma série de vídeos caseiros. Todos compilados junto com reportagens (algumas de arrepiar) sobre um violento ataque na plataforma Chuai - estranhamente creditado ao grupo ecoterrorista T.I.D.O. - e vários comerciais de TV no canal do YouTube do Cloverfield Clues. Alguma dúvida sobre o termo "universo expandido"?

Agora, uma luz no fim do túnel e tomara que não seja um trem: a Chuai Station pertence à Tagruato Corporation, uma companhia de perfuração. Rob iria assumir a vice-presidência da Slusho! (por sinal, um dos títulos fake do filme), fabricante japonesa de soda e subsidiária da Tagruato. Agora a parte mais surreal. Visitando o site miguxíssimo da Slusho!, na seção flavors (sabores) há uma linha afirmando que todos os produtos têm como base um ingrediente extraído do fundo do mar. Daí pode-se especular muita coisa. E vai de encontro com a teoria mais comentada, a do OVNI caindo no oceano.

Isto acontece na última cena do filme, no canto direito, com Rob e Beth na roda gigante em Coney Island. Pode muito bem ser a arrebentação, pois basicamente só se vê espuma (infelizmente, os videocaps disponíveis no YouTube estão em qualidade sofrível). Muitos afirmam que o "OVNI" seria um satélite japonês e estaria ligado diretamente ao ragnarök perpretado pelo monstro. Na minha opinião, filmar acidentalmente algo tão insólito, com mesma câmera, cartão de memória e protagonistas, seria uma coincidência, digamos, monstruosa. Mas nunca se sabe.


O logo d'A Pérola, a estação 5 da Iniciativa Dharma, aparece logo no início. E teria Beth, sobrenome McIntyre, algum parentesco com Hugh McIntyre, Diretor de Comunicação da Hanso Foundation? Os tentáculos de Lost parecem se entrelaçar em Cloverfield. Talvez esses caras tenham acertado em algo, afinal.

Próximo item: alguém mais teve a impressão de que o monstro nunca se afastava? Que às vezes parecia se desdobrar em dois, ou três (invadindo o coração da Big Apple à mil por hora, mas voltando atrás logo em seguida, tipo "oh shit, esqueci de derrubar a ponte")? Ou que o monstro que vitimou Hud não parecia alto o suficiente para decapitar a Estátua da Liberdade e se apoiar em arranha-céus pra não cair? Que os militares não fazem referências quantitativas, mesmo pra designar a criatura no singular (e de bônus, um "a ilha está cercada" dúbio até não poder mais)? E porque considerar a Operação Martelo na ilha inteira? Foram duas explosões?

A pergunta que não quer calar: Cloverfield tinha mais de 1 monstro?

Marlena. Mordida por um dos parasitas, ela sofre uma hemorragia brutal. Alguém grita que ela está infectada e alguns soldados a isolam numa tenda. Segundos depois, ela incha e explode da cintura pra cima. Daí em diante, nada se sabe. Seriam embriões parasitas eclodindo, Alien's style, ou algum tipo de reação química venenosa? P.s.: coitadinha da Marlena.


A confirmar:

Todos morreram? Até ontem, eu tinha certeza que não, visto que o helicóptero que levou Lily saiu segundos antes do helicóptero de Hud, Rob & Beth. Mas várias fontes na web destacam a comunicação via rádio após a queda do 2º helicóptero: "All helicopters down. Target still active. Hammer down in 15 min. Sirens sound in 2 min. (...)"

Então, a seqüência já cogitada não deverá se basear nas experiências posteriores de algum sobrevivente. Se for o caso, bate com o que Matt Reeves andou entregando:

"Há um momento na Ponte do Brooklyn em que um cara filma algo ao lado da ponte e Hud o vê filmando, e depois o navio que está sendo virado e a Estátua da Liberdade sem a cabeça. Então ele olha de novo e vê esse cara o filmando. Na minha cabeça, foram dois filmes interagindo por um breve momento e pensei que seria interessante a idéia deste incidente ocorrendo com diferentes pontos de vista, e vários filmes onde poderíamos observar trechos uns dos outros."

À despeito da inspiração midiática nas mesmas circunstâncias que cercaram o 9/11, Reeves acabou criando um filão quase inesgotável. Além de renovar a mítica do evento principal e desenvolver sagas paralelas igualmente instigantes, tem a possibilidade de agregar novos dados ao contexto. E desta forma, talvez conferir uma outra dimensão às perguntas que contribuíram tanto para o charme deste primeiro filme - mas que se forem respondidas num futuro próximo também será de bom grado...

Créditos não-remunerados para os sobreviventes Fivo, Guimba e Sandro.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

LOST IN TRANSCRIPTION


Mudando mais uma vez de assunto, resolvi escrever sobre uma das coisas que são bem competentes em roubar meu tempo de vida religiosamente toda semana: Lost. Não costumamos falar de séries aqui, mas nem por isto estou sendo original, já que o chefe já andou escrevendo sobre 24 Hs. De qualquer forma, pode ser que mencione alguma coisa no texto que seria entendido como spoiler. Leia por conta e risco.

A série não é mais novidade para ninguém. Teve seu hype forte à época do lançamento, entrou em velocidade de cruzeiro, deu uma aumentadinha na popularidade e expectativa junto àqueles que não tem TV a cabo quando ganhou o Globo de Ouro e, finalmente, re-experimentou o sentido de novidade quando a Globo passou toda a primeira temporada numa tacada só, inclusive com o último episódio sendo exibido praticamente na véspera em que a AXN lançava a segunda temporada. Fui arrebatado logo de cara. Comecei acompanhando na Net e depois via torrent, já que odeio ser escravo de programação, e a forma como o roteiro brinca com o sentimento é um tormento, mesmo que em alguns momentos este sentimento tenha mais a ver com o ritmo da série do que com os conflitos dos personagens.


A primeira temporada foi irretocável. Apresentou cada indivíduo, construiu suas personalidades, abusou dos flashbacks para montar seus backgrounds, motivações, reações e recheou de mistérios seu principal personagem: a Ilha. Tudo parecia muito bem amarrado e o fato de não termos pistas sobre o que estava realmente acontecendo parecia parte do jogo, para não falar das situações vividas naquele microcosmo que dão muito pano para manga. Entretanto, veio a segunda temporada e em vários momentos – pelo menos até o décimo-segundo ou décimo-terceiro episódio – tive a sensação de que J.J Abrahams estava calçando os sapatos de Chris Carter quando, em Arquivo X, percebi que planejaram menos do que a audiência pedia e esticaram mais do que em minha paciência cabia, perdendo completamente o controle sobre o rumo da história. Dramas já explorados na primeira temporada haviam retornado, a coisa estava meio que morna e o ponto alto do período foi a apresentação do segundo grupo de sobreviventes que caiu do outro lado da ilha e tinham em seu cast dois personagens interessantíssimos: Ana Luzia – Michelle "Kate Mahoney" Rodriguez e seus olhares de mulé má – e Mistereko (ou Mr Eko, como alguns escrevem por aí, mas acho pouco provável que ele se referiria a si próprio como Mr) – personagem que acabou se transformando num dos mais interessantes da série. Achei pouco em relação ao que me acostumei na temporada anterior e já estava sentindo cheiro de enrolação. Ledo engano, gafanhoto! Daí para frente o caldo tomou forma e agora, faltando cinco episódios para o fim da temporada, a chapa ta quentíssima, criando raízes para a certeza de que o leme está bem seguro nas mãos de J.J.

Não vou revelar muito sobre o que vejo nos torrents, mas quem acompanha pela AXN já viu o que tem dentro da escotilha, o que tira parte da aura mística dos eventos, mas não diminui o mistério. Dadas as variadas formas em que os absurdos ocorrem no local: curas milagrosas, ursos polares, materializações de pessoas mortas, monstros gigantes, fumaça assassina e mais algumas que serão vistos nos capítulos do porvir, minha lógica limitada já tinha cansado de tentar entender o que poderia estar a ocorrer com o gajos, ora pois. Já deixava rolar no automático, até porque assim seria mais fácil de ser surpreendido no futuro. Eis que surge em minhas mãos o livro Presa (Michael Crichton, 2002, 472 páginas). Crichton já é renomado por suas obras de transcendência de estados/situações, vide Runaways: Fora de Controle e Jurassic Park, e este livro não foge à regra. Aqui ele aborda aquilo que a comunidade científica já vem alardeando com brilho, esperança, expectativa e medo: o cruzamento perigoso e cada vez mais próximo da nanotecnologia com a informática e engenharia genética. Fala de um analista de sistemas especializado em sistemas de agentes – programas independentes que reagem entre si como rede – baseados em comportamentos de diversas comunidades biológicas existentes na natureza, dentre elas as relações entre formigas, cupins, abelhas e a relação presa/predador de leoas, hienas e afins. Seus sistemas trabalham dentro desta lógica, enquanto sua mulher é alta executiva de uma empresa de produção na área de nanotecnologia que anuncia a quebra da barreira intransponível: há tempos a ciência sabe como construir nano robôs, mas o processo fabril era impossível. Claro, se o livro é de Crichton, isto tinha que dar zebra, então os nano robôs produzidos pela empresa para o exército e operados segundo a lógica do programa predador/presa do protagonista saem de controle e se espalham na natureza. O que acontece daí para frente? Curas milagrosas, materializações de pessoas mortas, fumaça assassina. Déja vu? Também tive esta impressão. Até as reações da fumaça às situações são idênticas. Não bastando, o protagonista cético chama-se Jack, mas temos também os arquétipos de Kate, Sawyer, Hurley, Locke, Michael e Walt, pelo menos até onde identifiquei. É tudo muito parecido com o que vem ocorrendo e bem mais coerente do que o hoax sobre a entidade do folclore brasileiro que habitaria a ilha, além de ter sido publicado alguns anos antes da série.


Mas não é só isto, em conversa com um amigo, dias atrás, ele destacou que os arquétipos da série também são idênticos aos dos personagens da Caverna do Dragão. Na época concordei, mas pensando bem, se nos enveredarmos nesta linha, estes entretenimentos que existem por aí possuem 90% dos mesmos perfis. Ser original, hoje, é bem difícil e torna-se inevitável cruzar com o que já existe. De qualquer forma, não vejo isto como demérito algum. Pouco me importa se elementos já foram usados, contando que a história seja boa e inovadora na forma de usar estes elementos. Assim foi com o primeiro Matrix, assim é com Lost. Se pensar bem, praticamente todas as séries que curto hoje em dia são revisões de algo já feito: 4400 é um Arquivo X reloaded e The O.C é um Barrados no Baile/Melrose Place pervertido.

Em tempo: toda semana escrevo um resumo do episódio visto para alguns amigos que não se importam com Spoilers. Claro, o site da série também tem isto, mas é formal e in english. Se alguém quiser entrar na lista, avisa nos comentários e coloco o nome nas próximas mensagens.


TODO MUNDO REALMENTE ADORA UMA TEORIA DA CONSPIRAÇÃO


Recebi por empréstimo de um amigo e já comecei a ler As Sociedades Secretas e seu Poder no Século XX. É um calhamaço de papel de 489 páginas escritas em 1993 por Jan Van Helsing, um pseudônimo escolhido pelo alemão Jan Udo Holey provavelmente como alusão ao caçador de uma lenda que sugava a vida da humanidade. Se tem uma pessoa que gosta mesmo de uma teoria de conspiração, esta pessoa é ele. Este livro trata todas as comunidades ditas secretas que existiram nos últimos séculos e como elas afetaram este que passou; dos Sábios de Sião (ou Priorado) até os Illuminati, passando pela família Rothschild, a sociedade de Caveiras e Ossos (Skull & Bones), 666, guerras mundiais, Vaticano, FMI e uma infinidade de outros assuntos interessantes (tem um texto sobre o símbolo da Procter et Gamble, dizendo que o dono teria afirmado na Tv em 1984 que "concluiu um pacto com Satã, tendo vendido sua alma em troca de expansão econômica").

O curioso é que as publicações do autor foram banidas da Alemanha e da Suíça por serem consideradas anti-semitas. Além disto, o livro, apesar de ter ISBN (ISBN 3-89478-816-x), não existe para compra.

Bacana? Sim.

Interessante? Também.

É para levar a sério? Claro que não... se levarmos isto a sério, é capaz de enlouquecermos, mas que é bacana, não tenha dúvidas! E é ótimo para papo de bar! Mais detalhes aqui.

O livro para download aqui. Outros livros tão esquizofrênicos quanto (ou mais) aqui. Divirtam-se.