
E vamos à digerida suicida de Quarteto Fantástico de Josh Trank & Equipe de Contenção de Danos da Fox Studios...
"Ainda isso?", você vai perguntar. E eu, pimpão, replico: pois é! Já me fiz entender em posts-protesto aqui e acolá, inclusive pré-julgando a 200 por hora, sem as mãos e com os faróis apagados. Lógico que não fui ao cinema e pretendia ignorar a existência disso ad eternum, mas grupos de e-mail e arquivos torrent são como a máfia: você tenta sair, mas eles sempre te puxam de volta.
Só que dessa vez a coisa será diferente. Merece ser. Afinal, essa foi uma das produções mais caóticas da História do Cinema. Seguindo a tradição das análises já bem pernetas dos filmes anteriores e prestando tributo ao seu aspecto mais singular (a edição à Frankenstein), vou apenas desovar a conversa que me trouxe até aqui, em versão nua, crua e tranker.
Estiveram presentes no experimento Ludovico 2.0: Sandro, do Reverberre!, o tricolor em recuperação Fivo e um elemento suspeito que, por questões de segurança (do leitor), vamos simplesmente chamar de Guimba.
Olho no lanceeeee...!


FIVO - Mermão... se tu achou quarteto melhor que Xmen, vou ter que ver. Vou esperar um BRRip.
SANDRO - Ah, cara, sei lá se vai curtir. Eu fui com a expectativa -1, então o que viesse era lucro. Ao meu ver, inclusive, é um filme que estaria facilmente ambientado no universo X-Men/Fox.
GUIMBA - Melhor que o último X-Men? Vou ver só pra manter o score das suas indicações. TRDV (trad.: "Tô Rindo De Verdade")
SANDRO - TRDV. O último X-Men é lixão.
DOGG - Também verei FF. Sandro, contamos com você! rs
SANDRO - Meu, eu acho que vc vai acabar com o Quarteto. Mas tudo bem, eu pensei bastante antes de escrever.

DOGG - Vou não... rs
O filme se autossabota a partir da metade, quando vira um remendo de cenas nitidamente refilmadas, mas nem de longe é aquele lixo que apregoaram. Fica na média minus.
Agora, como leitor dos gibis:

- o build-up, tomando todo o terço inicial, é uma boa adaptação do Quarteto Ultimate. A abertura, em particular, é... fantástica. Coisa linda mesmo. Mas para por aí;
- perderam deixas inacreditáveis para referenciar o cânone clássico da equipe... nada de Latvéria... falam em "4ª Dimensão" e "Planeta Zero", mas nada de chamarem aquele mundo de Dimensão X (sic!), o lugar preferido do Quarteto e de onde saíram grandes vilões;
- o Coisa pode até agradar visualmente, mas ficou totalmente sem alma e o ator, que é dos bons, sacaneado com um script de 10 linhas - Fivo... ele lembra mais o Coisa calado e assassino de Planetary que o velho e bom Ben Grimm;
- Victor Von Doom... inexplicável.
- a equipe não tem a menor química. Nem mesmo os irmãos Storm.
Em tempo... ótima:
Pela frequência que isso aconteceu, todo mundo ia sair bêbado.
GUIMBA - Vc não foi direto ao ponto: afinal, é melhor que Dias de um Futuro Esquecido?
DOGG - heh... Futuro eh problemático, mas nao da nem pra comparar. Eh como se fosse o Barcelona, e F4 o Ibis.
FIVO - Melhor não é, mas tá longe de ser ruim. Vou te dizer que gostei muito. Comparando com os outros quartetos, esse é muito, mas muito melhor. Aliás, é melhor que o superman do Singer, que os dois wolverines, que o terceiro aranha McGuire e os dois recentes, todos os motoqueiros fantasmas, Batman antigo e mais alguns que devo estar esquecendo.
Problemas:

A. cagaram o final com aquele destino.
B. O coisa pareceu um cameo, de tão inexpressivo (mas os efeitos dele ficaram ótimos)
C. O filme inteiro é minimalista no trato do que está rolando. Parece mais um piloto muito bom de série do que um filme fechado em si.
D. O Victor não se encaixa no filme. Tá perdido. Em todos os sentidos. Mais perdido que ele, só o militar arrogante e canastra.
Pontos fortes:
A. Gostei da Química reed e Susan. Mas só deles.
B. Os efeitos do tocha estavam muito bons.
C. A construção toda até eles ganharem os poderes, apesar do Victor e do minimalismo, foi ótima.
DOGG - Em azul-da-cor-do-mar:
"Melhor não é, mas tá longe de ser ruim. Vou te dizer que gostei muito. Comparando com os outros quartetos, esse é muito, mas muito melhor. Aliás, é melhor que o superman do Singer, que os dois wolverines, que o terceiro aranha McGuire e os dois recentes, todos os motoqueiros fantasmas, Batman antigo e mais alguns que devo estar esquecendo."
Subscrevo todos, menos o SuperSinger (coisa minha) e o Batman antigo (o do Burton, né?), que acho sensacional. Muita vontade de incluir nessa lista Vingadores 2, mas não é pra tanto... :)
"Problemas:
A. cagaram o final com aquele destino."
Pra mim a cagada já começou na caracterização bad-boy.

"B. O coisa pareceu um cameo, de tão inexpressivo (mas os efeitos dele ficaram ótimos)"
Textura tava ótima, só preferia menos irregular. E de cueca. Reparou que o escondiam sempre que podiam? Bicho ficava tanto nas sombras que parecia um Dark Coisa. Grana tava curta.
"C. O filme inteiro é minimalista no trato do que está rolando. Parece mais um piloto muito bom de série do que um filme fechado em si."
Aí sim teria contornos expressivos, mesmo com o efeito da fuga do grupo pelo portal, ao final, parecendo feito pela equipe de mkt do Dollynho. Já como produto para cinema, é fragmentado e defeituoso além do suportável. Os cortes novos e diálogos expositivos aparecem em neon da metade pro final... e qualquer dúvida era só olhar pra cabeça da Kate Mara. Uma vergonha pra Fox e pra Hollywood no âmbito técnico. Mesmo o Quarteto do Corman teve a hombridade de ser engavetado.

"D. O Victor não se encaixa no filme. Tá perdido. Em todos os sentidos. Mais perdido que ele, só o militar arrogante e canastra."
O engravatado? Se for, não me incomodou não. É um estereótipo apenas. Victor sem nenhuma razão de ser ali e não podia estar mais distante da essência original e da Ultimate, na qual o filme se aproxima.
"Pontos fortes:
A. Gostei da Química reed e Susan. Mas só deles."
Só gostei da conversa na biblioteca e dela curtindo Portishead. De resto, não vi nenhuma conexão entre os dois. Em tempo... ridícula a fuga do Reed. Nada adicionou à história, à unidade do grupo ou à diversão do espectador. E totalmente contra a postura lógica dele. Largar a base de última geração pra revirar sucata em ferro-velho... Pior quando volta, 1 ano depois. Parecia que tinha ido ao barzinho da esquina tomar uma.
"B. Os efeitos do tocha estavam muito bons."
Bem à frente do Tocha Evans e Motoca, mas ainda longe de convencer. Fogo é osso.
"C. A construção toda até eles ganharem os poderes, apesar do Victor e do minimalismo, foi ótima."
Tava indo bem e garantindo o passe das liberdades criativas sobre os quadrinhos. Única coisa que não desceu mesmo da "parte boa" foi construírem uma máquina que lida com buracos negros num prédio no centro da cidade. No gibi Ultimate, a mesma máquina foi construída no meio dum deserto.
FIVO - No e-mail do celular não dá para comentar no texto, então vai aqui mesmo.
Me referi aos Batman do Burton, Schumacher e o quarto que não lembro quem dirigiu. Os dois últimos nem se discute, enquanto os dois primeiros tem fãs de verdade e fãs nostálgicos. Já eu acho aquilo um Carnaval.
Problemas

A- sim, concordo. Meio que joguei a crítica à fase "humana" dele para a letra d. Além disso que vc destacou, o personagem Bad boy, descolado e genial simplesmente não tem aderência com os perfis que de espera para aquilo. Veja bem... Ele não é um geek, nem um funcionário sinistro do Google... O cara estava desenvolvendo fringe Science, porra.
B- a falta de cuecas não me incomodou. Me pareceu até lógico, assim como a textura. O movimento da boca dele ficou natural, até. Não tinha me tocado que tinham escondido ele, mas agora que vc falou, é vero.
C- a questão dos cortes me deixou curioso para ver como era o filme no primeiro corte, antes de ser retalhado. Não entendi a cabeça da Kate Mara. Do jeito que vc fala sobre a hombridade de ser engavetado, vc rebaixa o filme ao nível de merda malcheirosa.
D. Sim, estereótipo, mas ainda assim mal interpretado.
Pontos fortes:
A. Gostei da parte em que ficam conversando e o Victor fica com ciúmes (o que tb não teve nenhuma utilidade no filme). Quando à fuga, pode ter sido roteiro remendado. Ou só fizeram aquilo para mostrar que ele podia moldar o rosto. Naquele momento, a fuga faria sentido se ele estivesse tentando tirar todos de lá, não apenas o Ben.

B. Acho que só os olhos e boca ficaram esquisitos, muito embora seja semelhante à representação dos quadrinhos. De resto, o fogo ficou muito natural e curti o lance de o uniforme servir para conter o fogo.
C. A questão da máquina no centro é o que chamei de tratamento minimalista. Um empreendimento daqueles e eles tratavam como mais um dia no escritório. Mandam um macaco para outra dimensão e beleza, ok, keep up with the good work. Porra, era para estarem todos fazendo sexo sobre as mesas, em puro êxtase.
DOGG - Em verde-Hulk:
"No e-mail do celular não dá para comentar no texto, então vai aqui mesmo.
Me referi aos Batman do Burton, Schumacher e o quarto que erro não lembro quem dirigiu. Os dois últimos nem se discute, enquanto os dois primeiros tem fãs de verdade e fãs nostálgicos. Já eu acho aquilo um Carnaval."
Os BatBurton são isso mesmo. Eventos pop. Kim Basinger, trilha do Prince, etc. Um dos poucos que curti. Já hoje, vejo que eram mais filmes de freaks do Burton que qualquer outra coisa. Também acho o Bruce do Keaton dos mais intrigantes. Não há ponte visível entre o playboy yuppie e o vigilante sisudo. Isso chega a ser meio perturbador.
"Problemas
A- sim, concordo. Meio que joguei a crítica à fase "humana" dele para a letra d. Além disso que vc destacou, o personagem Bad boy, descolado e genial simplesmente não tem aderência com os perfis que de espera para aquilo. Veja bem... Ele não é um geek, nem um funcionário sinistro do Google... O cara estava desenvolvendo fringe Science, porra.
B- a falta de cuecas não me incomodou. Me pareceu até lógico, assim como a textura. O movimento da boca dele ficou natural, até. Não tinha me tocado que tinham escondido ele, mas agora que vc falou, é vero."
A falta de cueca não vinha me incomodando tanto, mas no final, quando caminham até uma sacada da base, aparece a bundinha pedregosa do cara... aí incomodou, rs...
"C- a questão dos cortes me deixou curioso para ver como era o filme no primeiro corte, antes de ser retalhado. Não entendi a cabeça da Kate Mara. Do jeito que vc fala sobre a hombridade de ser engavetado, vc rebaixa o filme ao nível de merda malcheirosa."
Me referi apenas aos aspectos técnicos da montagem. Colocar na praça um filme tão mal editado - e a parte técnica é a única que Hollywood ainda pode se vangloriar sem reservas - é como a Volkswagen colocar automóveis defeituosos no mercado conscientemente (o que acabou fazendo dia desses, por sinal). O resultado final não ser uma merda malcheirosa foi acertar um 1 em 1 milhão.
Cabeça da Mara:

Me tirava do filme toda vez.
"D. Sim, estereótipo, mas ainda assim mal interpretado.
Pontos fortes:
A. Gostei da parte em que ficam conversando e o Victor fica com ciúmes (o que tb não teve nenhuma utilidade no filme). Quando à fuga, pode ter sido roteiro remendado. Ou do fizeram aquilo para mostrar que ele podia moldar o rosto. Naquele momento, a fuga faria sentido de ele estivesse tentando tirar todos de lá, não apenas o Ben."
Se foi remendado, não sei. Mas dá pra saber verificando a cabeça da Mara quando ela triangula a localização do Reed. Se estiver normal, a culpa é do Trank, rs.

O problema mesmo é esse perfil do Reed. Ele negociaria algumas condições sim, mas ganharia pela lógica (pense na mecânica dessa cena - https://www.youtube.com/watch?v=5_m_ggToC2I). Tiraria todos daquela prisão e voltaria às pesquisas na base do gogó. É uma pena que não pescaram esse personagem das HQs.
"B. Acho que só os olhos e boca ficaram esquisitos, muito embora seja semelhante à representação dos quadrinhos. De resto, o fogo ficou muito natural e curti o lance de o uniforme servir para conter o fogo.
C. A questão da máquina no centro é o que chamei de tratamento minimalista. Um empreendimento daqueles e eles tratavam como mais um dia no escritório. Mandam um macaco para outra dimensão e beleza, ok, keep up with the good work. Porra, era para estarem todos fazendo sexo sobre as mesas, em puro êxtase."
Se já penso nisso nas minúsculas vitórias do dia-a-dia, imagina diante desse marco científico e uma Kate Mara nas redondezas...

Cena pós-créditos:
DOGG - Pedido... Sandro e Fivo, posso copiar e colar esse papo no blog, assim mesmo, sem edição?


Mas sempre fui do tipo "tenho que ouvir pra criticar". Tinha medo de ler Mein Kampf, do Hitler, por pré-julgamento do povo mindless, então lia escondido. Mas lia. Queria saber o que pensava um cara como Hitler, assim como queria saber o que Mandela e o Black Panther Party pensava. Informação sempre é útil, mesmo quando se tratava de uma álbum como Ten. Ouvi tudinho. Vi clipe na MTV. A tal da Jeremy tinha uma letra bem legal, mas não adianta, eu só ouvia a merda da Alive no rádio e na boca dos pseudo-fãs. Não ouvi ninguém falar nada do restante do disco. Mais tarde, Black tocou até doer. Mas não adianta, para quem estava ouvindo Jesus Christ Pose ou Suck You Dry não havia Why Go? que agradasse. Pelo menos, esse era meu ponto de vista.
O disco novo veio logo, uns dois anos depois. Vs era o nome e tinha uma foto de um bicho tirada com uma grande angular. Na primeira vez que vi não entendi direito e nunca iria pensar que era uma ovelha. Eu estava chapado de bebida numa festa, mas ainda lembro quando fulano veio me mostrar o CD. Era um dos primeiros cd's que eu via na vida. E confesso que fiquei curioso pra saber o que aqueles caras iriam fazer depois da mega exposição. Perdão pelo trocadilho, mas acho que no momento pensei "será que eles still alive?". Chapar nessa época era legal. Surpresa minha ao acordar na casa de meus pais no dia seguinte com uma puta dor de cabeça e o tal do disco no bolso da minha jaqueta. Eu nem tinha CD player e, mais ainda, nem sabia de quem era o disco, não lembrava do fulano que me mostrou. Se você, fulano, está lendo isso, eu te devolvo, ok? É só pedir educadamente.
Novamente, dois anos depois, uma nova e agradável surpresa. Vitalogy era o projeto gráfico mais ousado que eu já havia visto. O CD é um livro, o acabamento impecável e a música tendenciando para um pré-experimentalismo, o que ocasiona, obviamente, queda nas vendas. Poucos hits de rádio e o Pearl Jam já tinha declarado que odiava fazer videoclipe, o que iria baixar ainda mais as vendas do disco. MTV vende. E muito. Mas tava estampado no disco todo que os caras queriam mesmo é que se foda, queriam segmentar o público-alvo deles com gente que gostasse. Queriam esquecer o passado black e simplesmente tocar. Ainda assim, músicas como Nothingman ou Not For You tocaram em rádios consideradas de rock, antes da jabálização das mesmas. Para fãs, um disco espetacularmente diferente, com direito a sanfona em Bugs e experimentalismos diversos, o que os levou a No Code, um disco em que os integrantes realmente deixaram de lado opiniões totais e simplesmente tocaram. Novamente com projeto gráfico impecável, que trazia algumas imitações de polaroids com letras de músicas no verso e fotos representativas, o disco torceu o nariz até dos fãs mais ardorosos. Eu, particularmente, somente admirava mais e mais a coragem dos caras e, até hoje, me surpreendo um pouco. De Oceans para Sometimes em 5 anos não é um pulo, é uma queda livre a 350km por hora, principalmente no conceito dos fãs do primeiro disco. E eu queria mais, queria saber onde é que aqueles caras iriam parar.
Em 1998, a banda havia firmado o que queria musicalmente e fora do circuito de grandes divulgações. Ainda assim, sem mega produções, o PJ levava milhares de fãs a shows, e isso os irritava. Queriam shows menores, mas era impossível. A produtora via o potencial de renda dos shows mais ainda do que da vendagem de discos, o que ocasionava contratos milionários e, conseqüentemente, um preço extremamente alto para os fãs que, ainda assim, pagavam. E nova briga comprada pelo Pearl Jam, agora com as empresas que vendiam seus ingressos a preços exorbitantes. Briga esta vencida pela banda, que conseguiu baixar em cerca de 65% o valor cobrado. Neste ano também veio a conciliação com a MTV, através do petardo visual Do The Evolution lançando o disco novo Yield. Dirigido por Todd "Spawn" McFarlane e roteirizado pela banda, o clipe não só é revolucionário pela sua técnica como pelo seu conteúdo, até hoje, 8 anos depois, ainda atual. E o disco trouxe de volta um Pearl Jam não de raízes, mas de coesão musical e, principalmente, satisfeito consigo mesmo. E isso dava pra se sentir nas letras e músicas. Discão para qualquer fã de rock, se nada de experimental, somente grandes músicos tocando grandes músicas, o que fez com que o próximo álbum de estúdio, Binaural fosse recebido com grande expectativa pelos fãs, agora já segmentados e não apenas "Eddie Vedder wannabes". Não manteve a estrutura musical de seu antecessor, mas concluíu o caminho da banda no sentido de direcionamento. Músicas como Nothing As It Seems e Breakerfall foram lançadas nas rádios, sem muito alarde e, consequentemente, sem o sucesso esperado. Acredito que a gravadora sempre esperou um novo Even Flow, que não veio. De certa forma, isso é um grande alívio. Entre um disco e outro, a banda lançou um disco ao vivo muito bom chamado Live On Two Legs, uma compilação de grandes músicas, nem todas grandes sucessos, o que comprova mais uma vez a intenção real da banda, a divulgação do trabalho em si, não apenas de hits ou vendagens. Banda de caráter, isso sim.
2002. Sem nenhum tipo de divulgação encontro o disco Riot Act numa loja. O PJ é uma as poucas bandas em que faço questão de comprar o disco original, mesmo antes de conhecer o conteúdo. Pelo menos um bom projeto gráfico eu terei em mãos. E não era surpresa alguma ao ouvir o disco saber que o Pearl Jam continuava seu caminho em direção a evolução, com músicas impecáveis como Ghost e I Am Mine, com direito a imagem da banda na MTV em videoclipe gravado em estúdio depois de cerca de quase 10 anos, desde Rearviewmirror. Era um retorno, mas um retorno ao estilo da banda, do jeito deles. Mais uma vez o disco tinha algo que falta na maioria das bandas atuais: conceito. Foi o que permeou o próximo disco, Lost Dogs, que trazia apenas B-Sides e raridades da banda, disco fundamental pra qualquer fã que queira realmente conhecer o trabalho sério e digno da banda. Na verdade, você só conhece uma banda realmente depois de conhecer o outro lado dela, o lado significativo e não-vendável, o aspecto simbólico concreto da motivação deles. Um disco como este mostra o que você não vai ouvir em rádios provavelmente nunca, mas nem por isso, menos importante e sonoro. Em 2003 mais um disco ao vivo, agora com vendagem revertida para o Youth Care, com grandes sucessos e a pouco conhecida Crazy Mary, o que mostrava como a banda mantinha seu engajamento sócio-político e causas humanitárias em pauta.
Agora o PJ está com um disco novo, batizado com o nome da banda. Para uma banda que tem mais de 10 discos lançados, quase 70 discos duplos com gravações de shows (será que algum fã tem todos?) e participações em trilhas sonoras de filmes e causas humanitárias, até que demorou para lançarem um disco com esse título. Na verdade, o disco demonstra exatamente o que seu título quer dizer. O novo disco É o Pearl Jam. É a demonstração precisa de para onde a banda gostaria de ter ido, e conseguiu chegar. Músicas rápidas, diretas, som rasteiro e sem frescura. Num mundo globalizado, World Wide Suicide, que já começou a tocar nas rádios, devia virar hino. E não consigo enumerar as que mais gostei, porque o disco todo é recheado de riffs cortantes e letras concretas. Acho que banda boa é assim, surpreende a gente a cada disco. E eu, como fã real do Pearl Jam, estou novamente surpreendido pela dedicação aos fãs e por lutar pra fazer o que eles querem. Se todas as bandas fossem assim, talvez as coisas fossem um pouco diferentes por aqui. Atitude e iniciativa, é isso que o Pearl Jam representa para mim.