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terça-feira, 22 de setembro de 2020

A gata de Schrödinger

Trailer de WandaVision em todos os lugares e aumentando diametralmente as probabilidades de uma boa série no horizonte.


Ou estaríamos todos na seca (e menos exigentes) após nove meses mergulhando de nariz nesse 2020 inesquecível? 50/50 se acotovelando quanticamente dentro da caixa.

Mas nota-se que a Disney+ não teve medo de esgarçar o bolso: a produção parece coisa de cinema, coisa linda, bem como o pano de fundo – basicamente, Pleasantville e A Rosa Púrpura do Cairo se entrelaçando na tela. E se o recurso Back to the Golden Age não é exatamente novidade (mesmo sendo bem vinda a revitalização), tampouco a resolução provável da equação Mas-o-Visão-não-foi-defenestrado-pelo-Thanos-em-Guerra-Infinita-pô?. Mole pra qualquer sommelier marvete de longa data:

Será tudo culpa da Wanda.

Com a real extensão dos seus poderes malandramente evitada nas produções da Marvel Studios, é quase certo que WandaVision trará sua capacidade de alteração de probabilidade, realidade, matéria e tempo at full throttle. E voilá, tá aí nossa geradora delivery de realidades alternativas.

Então, nada mais oportuno que me adiantar e mandar um daqueles textos for idiodummies que pipocarão por toda a internet ao fim da série, tipo "WANDAVISION: ENTENDA" ou "FINAL DE WANDAVISION EXPLICADO!". Que a Felicia Hardy me coma se um dia não bombo essa bagaça aqui.

Normalmente, recorreria a algum excerto clássico, mas como Agatha Harkness parecia mais interessada em transformar a Wanda no Mickey de Fantasia, é melhor buscar a nossa modelo de oráculo em outra realidade. No caso, na Terra 31916, com a Srta. Arcanna Jones.


Mais simples que isso, só desenhando igual ao Liefeld.

Em pese o fato de que a própria Arcanna pareça uma Garota Maravilha® de outra realidade, essa opção quântica deve cobrir as possíveis inconsistências que estarão em WandaVision – mais umas raspinhas de Visão do Tom King aqui e acolá – e, de quebra, irá reintroduzir o andróide, ou melhor, sintozóide à ordem do dia.

Além disso, o céu é o limite. Wanda ainda nem foi apresentada às delícias da supergravidez psicológica. E as mutações que estirpará em massa num dos futuros alternativos do MCU. Sem querer menosprezar a série, mas esses sim, serão verdadeiros wandalismos!

Mas o que sei eu. Ainda estou tentando decodificar as desventuras do casal Wisão (eu shippo) naqueles escalafobéticos formatinhos da Abril.


Sério, que cogumelos ingeriram Steve Englehart e Bill Mantlo?

Parece que foram para a Montanha Wundagore, se jogaram numa rave da DJ Bova (também parteira nas horas vagas), tiveram uma bad trip de ácido e mezcal com verme matrixiano no fundo da garrafa e saíram de lá balbuciando "Eu vejo Sem-Mentes" enquanto rolavam pela encosta.

Hmm... que dia acaba a quarentena mesmo?

WandaVision estreia em 27 de novembro. Há uma grande probabilidade, pelo menos.

domingo, 26 de julho de 2020

Departamento de aquisições, lote #666

"Larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição", já dizia Seu Mateus na pala 7:13. E, de fato, ontem aportou um pacote que há muito cortejava, mas que, tão logo conjurado (sem juros), só levou três dias para chegar às minhas pútridas patas.

Ontem, um sábado. Terá sido um sabá negro?



Dicionário Infernal – Repertório Universal é um calhamaço de respeito: 944 páginas. Um verdadeiro tomo, um tomão. Praticamente um Aurélio from Hell (um AuHéllio?). O acabamento é um espetáculo discreto, obedecendo um conceito visual simples, taciturno e intrigante. Páginas de guarda, um verniz discreto aqui e acolá e pronto. Nada de perfumarias desnecessárias – uma beleza de desDarkSidezação do produto final. A co-edição é primorosa. Méritos da parceria das editoras UnB e Edusp Livraria com o Arquivo Nacional.

(...?)

Consta que alguns dos textos já rolavam na internet há anos, com traduções ruins do francês. É a 1ª vez que a obra do ocultista e demonologista Jacques Collin de Plancy (1793–1881) foi traduzida oficialmente no Brasil a partir da edição mais recente, de 1863. Enxofre de primeira.

É uma infinidade de demônios, bruxas, espíritos, criaturas monstruosas e, tenha muito medo, até dos temíveis seres humanos. E as ilustrações clássicas de M. Jarrault, juntamente com as cultuadas 69 gravuras de Louis Le Breton (1818–1866), são magníficas. E, porra, assustadoras bagarai.

Aí preciso me render ao pecado da obviedade: é uma leitura infernalmente deliciosa. Segue uma amostrinha de aperitivo.








Amostrinha mesmo, já que a diversão nessas páginas não acaba nunca. Afinal, é uma enciclopédia. A primeira que adquiro desde a longínqua época em que vendedores iam oferecê-las de porta em porta. E era imperativo que toda casa ostentasse uma bela coleção na estante da sala.

No caso desta obra, imagino fácil a lata do sujeito que bateria na porta com uma conversa mole e uma oferta tentadora...


Danação garantida ou seu dinheiro de volta.

Aliás, lendo, é inevitável não convergir o conteúdo descritivo de todas essas lendas, religiões, filosofias, superstições e passagens históricas com a cultura pop da qual somos humildes sacerdotes.

No meu caso, fica patente que muitas das informações catalogadas pesaram no lápis do jovem Geezer Butler enquanto este rabiscava as primeiras letras do Black Sabbath - e "Black Sabbath", a música, ficou no repeat até furar o HD durante as imersões no livro.

E Mike Mignola? Culpadíssimo. O que já pesquei de fontes e termos bizarros daqui que desaguaram nas páginas do Hellboy não tá no gibi. Ou melhor...

Da mesma forma, Neil Gaiman e Alan Moore certamente deram suas goladas blasfemas, embora o(s) buraco(s) ali esteja(m) bem mais embaixo. Mas quase dá pra ver cravado com canivete em algumas páginas "A. Moore esteve aqui" e, logo ao lado, "N. Gaiman também".

Cinema então, nem se fala. Muita coisa faz sentido agora.

Taí... agora fiquei na pilha de caçar o famoso Livro de São Cipriano ou algum outro grimoire casca grossa para mexer com essas coisas mesmo sem a experiência necessária para tal. O que poderia dar errado?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Rob Bruxo

Saiu mais um teaser poster de The Lords of Salem, o novo filme de Rob Zombie:


Creepy. Qualquer semelhança com o simpático boomer de The Walking Dead é mera ressonância mórfica.


The Lords of Salem terá uma première no próximo dia 10, no longínquo Festival Internacional de Toronto. O lançamento oficial vai ficar mesmo para algum ponto de 2013.

Não é o filme que eu apostava ser o próximo do Rob Zombie, mas parece ser tão divertido quanto. A premissa é uma mistura de Evil Dead com Heavy Metal do Horror, incluindo o velho recurso da obscura gravação (no caso, um disco de vinil) que é executada inadvertidamente e libera uma maldição secular.

E o elenco mantém o padrão de qualidade ISO-Zombie 9000: Meg Foster, Barbara Crampton, Udo Kier, Clint Howard, Ken Foree, Sid Haig, Michael Berryman, Billy Drago, Camille Keaton, Maria Conchita Alonso, Dee Wallace e Ernest Lee Thomas (também conhecido como Sr. Omar... trágico!). Só a diretoria. Isso sem falar na patroa.

Outro detalhe que chama a atenção é o orçamento, estimado em 1,5 milhão de dólares americanos. Isso, em termos cinematográficos, equivale ao troco da padaria que você esqueceu no bolso da calça (quem dera, hein). Mas dando uma breve olhada na lista de companias indie que Rob Zombie arrebanhou para o projeto logo se vê que não há nenhum mistério nisso. É simplesmente o preço que se paga por um pequeno detalhe chamado "controle criativo".



Enquanto isso, na Sala de Injustiça...