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quarta-feira, 30 de agosto de 2023

This is not my idea of a good time

Line up do Reading Festival '98. Só de bater o olho, a pupila se dilata com a (então) relevância comercial do Garbage se sobressaindo à relevância histórica do New Order. E foram os únicos laureados pelo critério, visto que o mesmo não ocorreu nos dias anteriores.

25 anos depois, a banda ainda não esqueceu. Principalmente a frontwoman Shirley Manson.

“25 anos atrás. Passei o dia inteiro me sentindo mortificada por sermos a atração principal acima do New Order. Foi no mesmo verão que alcançamos os postos mais altos, acima de Bob Dylan, Nick Cave e Patti Smith. A cada vez queríamos rastejar de vergonha aos pés de nossos heróis.
Mas éramos jovens e inexperientes. Ainda não tínhamos aprendido que a indústria da música não trata seus veteranos com mãos gentis.
No devido tempo, desfrutando do grande privilégio de permanecer por aqui, nos encontramos em posições similares nas escalações dos festivais, conforme enfrentado por nossos heróis antes de nós. Viemos a aprender que é a ordem natural das coisas. As posições das escalações têm pouca influência em qualquer coisa além do simples continuum da vida.
Estamos gratos por ainda estarmos aqui. Brincar e surfar e planar através do tempo enquanto é curado pelas pessoas. Vocês, pessoas – agradecemos por nos permitirem um lugar à mesa por mais de 25 anos. Estamos para sempre em dívida com vocês.”
Palavras sóbrias e com uma honestidade pungente sobre a natureza do business. Em especial nos dias atuais, num cenário pop onde os astros são youtubers e tocadores de pendrive...

sexta-feira, 7 de julho de 2023

80 são, 20 buscar


Parece um daqueles pôsteres fan made vindo das ideias de algum quarentão com Photoshop (culpado!). Mas o festival Darker Waves é bem autêntico. E um impressionante intensivão da década de 1980. Tem pra todo mundo, do sujão 45 Grave ao limpinho Tears for Tears. E todos no mesmo dia!

A fórmula é idêntica à do festival Cruel World (lembra dele?), que segue firme e forte. O revivalismo oitentista sempre esteve por aí, mas tomou um fôlego notável neste primeiro ano pós-pandemia, por motivos óbvios.

Inclusive, os ingressos para esta edição de novembro já estão esgotados. Para quem ainda quiser ir, resta preparar a carteira e recorrer a um tipo de profissional muito requisitado nos anos 80...

sábado, 20 de abril de 2019

O salmo da Wax Trax!

Pra quem foi tomado de assalto por aqueles loucos de Chicago no fim da década de 1980, o trailer de Industrial Accident: The Story of Wax Trax! Records é puro deleite de bad trip boa. E "com simpatia".


Só mesmo um doc longa-metragem para descrever a importância da Wax Trax! para a cena alternativa americana. A loja/gravadora fundada por Jim Nash e Dannie Flesher foi seminal durante a efeverscência do pós-punk, da new wave, da eletrônica e do industrial do início dos anos 80. Seus padrões artísticos, estéticos e comportamentais transgressores e anti-establishment se estenderam muito além da seara musical - e continuam até hoje, ironicamente inseridos até no universo pop, ainda que a esmagadora maioria do público (e dos artistas) sequer se dê conta disso.

Em terra brazilis, onde as informações chegavam com alguns anos de atraso e à conta-gotas, o selo teve até certa exposição. Principalmente através da revista Bizz e das matérias do jornalista André Barcinski, incluídas também em seu livro Barulho: Uma Viagem pelo Underground do Rock Americano.

Meu 1º contato com a Wax Trax! foi justamente pela icônica revista. O marco zero foi a capa do Sepultura circa Arise levando um corta-luz das verdadeiras estrelas da edição: o Ministry. "Massacre eletrônico"? Já me ganhou só pelo conceito - lembrando que, naquela época, Internet só existia em filmes, livros e gibis; e como importar discos era para ricos, o jeito era viver de conceitos.

Depois vieram os artigos da célebre turnê Ministry/Helmet/Sepultura e do lançamento dos clássicos The Mind Is a Terrible Thing to Taste e Psalm 69 em terra, oh, brazilis. Finalmente. E assim meu salário de office-boy foi pro sal numa tacada só.

Houveram outras convergências pelo caminho, mas o trecho da estrada com tijolos de ouro foi esse. Embora sejam mais do que raros, tenho certeza que existem por aí outros brasileirinhos sobreviventes que ainda curtem Ministry, Lard, Revolting Cocks, Pailhead, Chris Connelly, KMFDM, My Life with the Thrill Kill Kult, Laibach, The Young Gods e outras pérolas WaxTraxianas que trilharam um caminho semelhante. Isso se as vicissitudes do dia a dia - também conhecidas como família, filhos, plano de saúde, aluguel, IPVA, etc. - não expurgaram essas lembranças e sensações à fórceps, deixando no lugar só um toquinho útil pagador de contas.

Se for o caso, uma sessão de Industrial Accident poderá reativar alguns neurônios há muito adormecidos e causar um grande estrago no seio familiar...