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sexta-feira, 25 de março de 2005

Feliz Páscoa pra todo mundo! Hoje é dia de caçar coelhos com uma metralhadora! Mas antes, alguns comentários... coisa básica. Discos e algumas correções.

Let's get it on...


AFGHAN WHIGS - GENTLEMEN
(Elektra/1993)


Uma verdade sobre o Afghan Whigs é que o grupo sempre foi bom demais pra fazer sucesso. Apesar de ter pertencido ao cast da mesma Sub Pop que canalisou o grunge de Seattle, ela fez parte de um seleto time de bandas que foram sufocadas por hits que dominaram o cenário do rock americano nos anos 90. Coisinhas como Alive, Man in the Box, Hunger Strike e, principalmente, Smells Like Teen Spirit. Mas, ao contrário da conotação pop que o termo "rock alternativo" tem hoje, o Afghan Whigs nunca deixou os corações e mentes daqueles que buscaram algo mais do que aquilo que rolava nas paradas de sucesso. Essa busca podia ser até árdua, mas, no final, era verdadeiramente compensadora.

Liderada pelo compositor e vocalista Greg Dulli, a banda evoluiu de um barulhento pós-punk de garagem para uma sonoridade mais sofisticada, melódica, plasticamente mais bem trabalhada e fluída, e, num lampejo de genialidade underground, repleta de influências de soul e rhythm'n'blues (chegaram a regravar uma música do Barry White). Isso tudo sem deixar de lado a inevitável herança oitentista no wave e letras que são um verdadeiro soco no estômago existencial, no pior sentido dor-de-cotovelo possível. Desilusões amorosas fudidas, finais de relacionamento nada agradáveis e pura auto-comiseração são destilados nas letras ácidas e no senso de humor predatório de Dulli, que ainda é dono de uma entrega quase suicida nos vocais. O Afghan Whigs é uma das bandas mais passionais do rock e Gentleman foi o momento em que eles mais se enxergaram nessa condição. Um disco perfeito até na capa... belíssima.

Ps.: Reza a lenda que os integrantes da banda se conheceram nos idos de 86, durante uma estada em comum num presídio em Cincinnati, sua terra natal. Belo background...


FIREBIRD - DELUXE
(Music for Nations/2001)


Bill Steer é um sujeito rodado. Egresso de formações extremas como o Napalm Death e o podrão Carcass, ele ensaiou um retorno à cena de forma inusitada, à frente de pérolas stoner rock como Badlands e The Cry of Love. Dessa forma, o excelente Firebird acabou sendo uma espécie de cream of the cream de tudo o que Steer andou aprendendo (e tocando) nos últimos anos. Em um retorno às raízes on the road do rock, a banda pode ser simplesmente classificada de stoner, mas aí seria uma injustiça cruel. Stoner é Nebula, Orange Goblin, Fu Manchu e outras (boas) bandas que não conseguem dar nem um passo pra fora da sombra do Black Sabbath. O Firebird estabelece uma relação mais próxima dos power trios dos anos 60 e 70, com riffs ganchudos e freqüentes, e aquelas passagens intensas entremeadas com momentos mais suaves e bluesy. As referências imediatas são grupos clássicos como Cream, Mountain, Blue Cheer, Rush fase John Rutsey e até o Jimi Hendrix Experience. Firebird é uma excursão lisérgica na pré-história do hard rock. A viagem é, no mínimo, fascinante.

A formação da banda nesse disco é toda ex-metálica - além de Steer nos vocais e na guitarra, completam o time Ludwig Witt (bateria e percussão, ex-Spiritual Beggars) e Leo Smee (baixo e órgão, ex-Cathedral). Aliás, a técnica old school de Bill Steer (cujo belo vocal me lembra o de Eric Clapton nos áureos tempos do Cream) tem sido muito elogiada. E realmente ele arrebenta nas seis cordas - vide pedradas como Dirt Trap, Forsaken, Sinner Takes All e Sad Man's Quarter. Destaque também para a belíssima Miles From Nowhere, com uma atmosfera idílica parecida com a do clássico Thank You, do Led Zeppelin, e para a última faixa, o boogie-woogie Slow Blues, que de "slow" não tem nada e traz a harmônica mais alucinada que ouço desde os primeiros discos do Blues Traveler.

A faixa para download não consta no disco. Trata-se de um cover pesadão para Working Man, do Rush, que só saiu em um single lançado no mercado japonês.


CIRCUS OF POWER - MAGIC & MADNESS
(Columbia/1993)


A boa impressão já começa pela bela arte da capa, feita pela fera Tate Mosesian. E o Circus of Power não desaponta, mandando ver um rockão estradeiro de respeito. Algo assim, entre o drunk'n'roll do AC/DC fase Bon Scott e blues rock cheio de slide guitar. Infelizmente, suas bases hard rock acabaram colocando a banda no gueto heavy do final dos anos 80, justamente quando o estilo dava seus últimos suspiros no mainstream. Sem o tino comercial de bandas como G'NR, Bon Jovi e Skid Row, o CoP acabou morrendo na praia noventista, embora fosse milhões de vezes mais interessante que todos aqueles ícones poser. Magic & Madness é o seu terceiro álbum, e considerado por muitos como o seu melhor. Não faço a mínima idéia se é mesmo, pois nunca ouvi nenhum dos outros. :P

Às vezes, o COP lembra um The Cult sem frescuragem. Tanto é que o próprio Ian Astbury, vocal do Cult, faz uma participação na ótima Shine. Outro convidado especialíssimo é o grande guitarrista Jerry Cantrell, do Alice in Chains, que manda acordes e vocais na grudenta Heaven & Hell. Confira também as pesadonas Evil Woman, Poison Girl, a animada Dreams Tonight e, a melhor de todas, Mama Tequila, cujo refrão virou o meu grito de guerra nº1.

Ótimo álbum!


SLAYER - UNDISPUTED ATTITUDE
(American/1996)


Puta que o pariu! Me sinto com vontade de porrar o próprio capeta quando ouço esse álbum. Cansado de ver conterrâneos do thrash jogando seu passado pela privada e de testemunhar a ascensão de bobagens poppy punk, os reis da Zona Sul do Céu, Vsa. Megafodescência Slayer resolveu revisitar podreirinhas memoráveis do punk/hardcore. Ah, se todos os álbuns de covers fossem assim! É festa punk feita por profissionais da agressão desenfreada. Pra bater a cabeça até perder as orelhas. Os caras conseguiram amplificar ainda mais a porradaria dos clássicos do Verbal Abuse, D.R.I., GBH, Minor Threat e até do TSOL, quando esse era punk.

Para os fãs mais ortodoxos do "metálico" Slayer, só uma ou duas infos de grátis. Em seus primeiros shows, tanto o Slayer quanto o Metallica tocavam para uma platéia dividida entre headbangers e punks. Claro que rolavam tretas, mas o fato é que a sonoridade das duas continham naturalmente elementos hardcore. E o Slayer, ao lado do badmotherfucker Ice-T, já havia demonstrado sua veia crusty, através de um medley arrasador do Exploited que saiu na memorável trilha sonora do filme Uma Jogada do Destino. Definitivamente o Slayer tem raízes hardcore. E afinal, o que é o thrash metal senão uma evolução do hardcore, que por sua vez é uma evolução do punk...? Achou ruim? Então pode cair dentro que eu tô ouvindo Undisputed Attitude e não vou perder pra ninguém na porrada nesse momento. :)

Além do quê, só aqui você pode ouvir uma instituição como o Slayer tocando furiosamente o classicaço I Wanna Be Your Dog, dos Stooges - providencialmente rebatizada I Wanna Be You God. Mas a velha torção no pescoço comparece sim, e a última faixa, Gemini, é autoral. Peso gótico e deprê, South of Heaven' style.

A propósito... sabia que o Ramones e o Black Sabbath fizeram uma tour conjunta nos anos setenta? É sério, li isso numa entrevista antiga com o falecido Joey Ramone. Diz ele que eram dez confusões por música executada.


LIV KRISTINE - DEUS EX MACHINA
(Massacre/1998)


Eu sou suspeito pra falar.

Antes de sair do Theatre Of Tragedy para formar o Leaves' Eyes, a cantora norueguesa Liv Kristine Spenæs concebeu um magistral e etéreo debut solo. Longe das guitarras distorcidas e dos backings death metal que caracterizam o som do Theatre, Deus Ex Machina talvez seja a primeira vez em que Liv se mostra por inteira, entregue e despida (quem dera!) artisticamente, sem as amarras do estilo gothic metal que a limitava. Pra quem nunca nem ouviu falar de Liv Kristine, basta dizer que ela é influência confessa de Tarja Turunem, do Nightwish. Dentro do gothic metal - e aí vai um espectro que começa no ultra-obscuro The Sins Of Thy Beloved e termina no mega-estourado Evanescense - Liv Kristine, ao lado de Aneke van Giersbergen (do The Gathering), é a maior precursora do estilo.

Apesar da atmosfera suave, Deus Ex Machina não se enquadra no formato pop. Transitando por paisagens new age, pelo gótico romântico e por climas soturnos pontuados com efeitos eletro-percussivos, Liv está à vontade e supera fácil tudo o que ela já fez anteriormente, incluindo aí o seu trabalho memorável no Theatre Of Tragedy. Daí saem a intrincada melodia da faixa-título (que é mais difícil de cantar do que parece), a bela Waves Of Green, a bad trip nórdica de Huldra, a soft-gregoriana Portrait: Ei Tulle Med Øyne Blå, a linda, mas muito linda mesmo, In The Heart of Juliet, e a sensacional 3 AM, que conta com o vozeirão dark de Nick Holmes, do Paradise Lost.

Deus Ex Machina é um disco pra se ouvir com a luz apagada e com algumas velas acesas. E se estiver acompanhado... que seja uma ótima companhia pra não estragar o momento.

Mas como eu disse...


...sou suspeito pra falar.



FÊNIX NEGRA 2 X GALACTUS 0
Brilho Eterno de um Blog sem Lembranças



18 de março de 2004... um ano e poucos dias atrás. Foi quando eu escrevi um texto admirando pela enésima vez o Galactus e sua fome eterna de planetas incautos. Para ilustrar o texto, catei aleatoriamente algumas imagens na web, que retratavam o gigante cósmico se estranhando com Jean Grey, numa história que eu tinha quase certeza que já havia lido.

Depois, nos coments, soube pelo jpvolley (fala aê jp!) que essas imagens, do grande Alan Davis, eram de uma história que saiu numa edição do Excalibur e que ali não era a Jean Grey, e sim Rachel Summers, totalmente overpower. Corretíssimo. Até porquê, nunca fui especialista nos mutunas mesmo.



Alan Davis e a justa cósmica... clique nas imagens

Mas a dúvida persistia... eu já tinha lido uma história com a Jean encarando o velho Galan. Num belo dia, durante um raio-x de rotina em um sebo, (re)descubro essa história como um bônus na revista Marvel Especial 8 - A Saga da Fênix Negra. Era O que Aconteceria se Fênix Não Tivesse Morrido?, um daqueles elseworlds narrados pelo Vigia.


Jean Grey já bateu o celestial também! Clique nas imagens

Comparando as imagens dos dois confrontos... dá pra ver que Alan Davis "curtia bastante" a série What If... Galactus está praticamente com a mesma postura quando dispara uma rajada de energia em Jean/Rachel, e nas duas histórias ele termina batendo em retirada após ver a magnitude de sua adversária. Ficou igualzinho. Não é à toa que eu me confundi... :)


dogg, querendo saber se hoje pode beber cerveja

domingo, 6 de junho de 2004

"...SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS!"


Odeio me flagrar tendo uma atitude idealista de araque. Dá pra sentir até aquela boina com uma estrelinha vermelha enfiada na cabeça. O próprio Che de final de semana. Só que às vezes não consigo me render ao capitalismo selvagem e simplesmente viro as costas (ainda que esteja devorando um Big Mac® com Coca-Cola®). É justamente como eu me senti quanto à infame versão lusa do Rock In Rio, um desserviço à preservação do amor à pátria amada, devidamente coroada pelo nosso ministro da Cultura - que também tocou lá. Eu já conhecia muito bem a mania do Roberto Medina de vender a alma ao diabo pela enésima vez, afinal, como se explicaria Sandy & Junior, Britney Spears e atrocidades afins na 3ª edição do festival...? Mas pior que isso foi ver o Medina vender a alma aos portugueses. Rock in RIO em... LISBOA?! Prestigiar um festival nosso feito em outro país?! Tô fora. E outra: quem no mundo tem interesse em conhecer uma banda chamada "Xutos & Pontapés"? Fala sério, seu Joaquim. Isso foi demais pra minha pobre cabecinha headbanger e, revoltado, pensei em me alistar no exército Zapatista ou então nas FARC.


A ficha demorou bastante pra cair dessa vez. Quando assisti um pedaço do show do Evanescence que passou na Rede Globo, fiquei impressionado e logo quis estar do "lado direito" do Atlântico. Eu já vi vários shows deles, mas este foi especial. As dimensões do local eram muito desproporcionais à proposta da banda, que funciona bem melhor em um lugar pequeno, como um ginásio ou mesmo um pub. Na vastidão daquela arena, o som se desvanescia (consegui, hohoho), principalmente pra quem estava lá atrás.

Mesmo assim, com o auxílio de alguns playbacks, o Evanescence revelou uma front-woman que é um verdadeiro paradoxo: do "alto" de seus 1,63m de altura, Amy Lee mandou ver numa performance arrebatadora, que de quixotesca não teve nada. Ela venceu aquele jogo praticamente sozinha. Cantou, correu, agitou, se esgoelou, tocou soberbamente um piano de cauda e ainda arrumou tempo para exibir uma sensualidade estonteante. E que olhos, meu Deus... (será que eles brilham no escuro?)

Já o restante da banda era só... restante. Nem dava pra notar a presença de alguém ali. Parecem aquelas orquestras que ficam escondidas embaixo do palco.


No final, suspirei profundamente, deitei no sofá e assisti à reprise do Gilberto Gil. Causa? Que causa? Anarquistas, graças a Deus.


STONER ROCK
MÚSICA P/ DESABAMENTOS



Deuses do Rock sessentista como Jimi Hendrix, Cream e Blue Cheer, entre outros, já encerraram as atividades há muito tempo, mas o seu legado ecoa até hoje. E as bandas do chamado Stoner Rock, estão aí pra confirmar. A primeira referência para esse estilo são as bandas citadas aí em cima que, aliás, inseriram o conceito do power-trio no rock - baixo/guitarra/bateria a serviço de um som sujão, ultra-distorcido e "viajante" (ou stoned, gíria pra chapado e origem do neologismo "stoner"). Lisergia total. Mas a inspiração do stoner não parou por aí e ainda abraçou o que os anos 70 tiveram a oferecer - e como...! Bandas emblemáticas do rock setentista, como Led Zeppelin, Deep Purple, Motörhead, Thin Lizzy, Jethro Tull, Free, Mountain, AC/DC e, principalmente, Black Sabbath forneceram a matéria prima para o estilo.


Os Cavaleiros do Sabá Negro. Quem diria que Ozzy faria um reality show...

Mas quem pensa que esse revival começou com o grande Queens Of The Stone Age, calma lá. A coisa toda começou lá atrás, no início dos anos 90, com o pessoal de Seattle ou, mais precisamente, com o famigerado grunge. Muitas das bandas que estouraram naquele movimento já tinham muitos anos de estrada e, não raro, vários discos lançados. Soundgarden, Screaming Trees, The Melvins e mais uma batelada de grupos já eram putas velhíssimas, enquanto o Nirvana, Pearl Jam e Alice In Chains ainda estavam choramingando no berçário.


É só ligar a Harley Davidson e pegar a Rota 66

Dessas todas, a que mais se aproximava do que viria a ser o stoner rock era o Soundgarden (banda do Chris Cornell, atual Audioslave). Essa banda alcançou o sucesso um pouco mais tarde que seus conterrâneos de Seattle. Mainstream pra eles, só em 94, com o multi-platinado Superunknown. Mas, na minha opinião, o verdadeiro Soundgarden está no disco anterior, Badmotorfinger, de 1991, esse sim, uma paulada tipicamente stoner. Ouça preciosidades como Outshined, Rust Cage ou Jesus Christ Pose no volume 10 e sinta o chão tremer como se um T.Rex estivesse se aproximando à mil por hora.


Mais influente que o monolito negro, do filme 2001

Um ano depois, em 92, mais um disco simplesmente memorável, Blues For The Red Sun, da banda californiana Kyuss (embrião do QOTSA e de boa parte da cena). Era Nick Oliveri (baixo), Josh Homme (guitarra), Brant Bjork (bateria) e John Garcia (vocais), todos por volta dos 16/17, na época. Pra se ter uma idéia das experimentações dos caras, a guitarra era plugada num amplificador de baixo, com a afinação mais grave possível. Parecia o ronco enfurecido de um V8. O efeito era digno de um terremoto, alterava até o batimento cardíaco. Mais outra moda stoner inaugurada pelos caras: festas regadas à muito álcool (e outros "aperitivos") em pleno deserto californiano, onde eles, com auxílio de geradores, tocavam por horas e horas sem parar. Kyuss era isso aí, pra ouvir em alto e bom som, de preferência, com os olhos fechados (o mundo seria perfeito se desse pra dirigir de olhos fechados).

O Kyuss acabou cedo, em 95, e os estilhaços formaram as galáxias e os planetas do universo stoner. Das bandas diretamente ligadas ao Kyuss, estão o Fu Manchu, Slo Burn, Unida, Che, Brant Bjork & The Operators e, agora sim, o Queens Of The Stone Age, que herdou Josh Homme e Nick Oliveri - aquele cara que ficou peladão no palco do Rock In Rio 3. O QOTSA é, de uma certa forma, uma versão mais polida do Kyuss, sem o lado lisérgico e experimental, mas mesmo assim, é uma puta banda (meu disco preferido dos caras é o Songs For The Deaf, o mais recente).


O bom e o mal. Ambos são feios.

Outro grupo digno de nota é o Monster Magnet, do malucão Dave Wyndorf. Hoje, a banda é meio como um artigo de luxo na cena stoner, transitando entre o industrial, uma certa nuance pop e o stoner. Pra quem quer conhecer o MM atual, recomendo o excelente disco Powertrip, de 98 e presença constante no seleto Top5 at your left. Já para conhecer a pré-história do MM, pode ir de Spine Of God e que a Força esteja com você. Esse disco, de 92 (o ano do stoner!), subverte a rifferama do Black Sabbath e é uma das wild trips mais singulares do rock. Tem até um solo de bateria no meio, ao melhor estilo In-A-Gadda-Da-Vida (do também seminal Iron Butterfly).

Nessa linha, vale à pena conhecer também o Orange Goblin, Spiritual Beggars, Nebula e Corrosion Of Conformity, que são ótimas bandas e mandam ver num som pauleiríssimo, e sem chance alguma de rolar nas FMs (isso é um elogio!).

Até algumas figuras da cena metal têm se rendido ao estilo, como Phil Anselmo (ex-Pantera), que formou o Down - que, embora não seja exatamente stoner, tem muitos elementos dele. O ex-Napalm Death Lee Dorrian também é uma referência na cena, visto que sua banda Cathedral, há muito tempo saiu do doom metal que praticava no começo, para um som bem mais "sabbático", obviamente mais próximo do stoner. Aliás, no álbum The Carnival Bizarre, a banda contou com ninguém menos que Tony Iommi, tocando guitarra na música Utopian Blaster. Reverência maior, impossível.

O onipresente Dave Grohl também embarcou de cabeça no estilo, já que seu projeto paralelo Probot é predominantemente stoner. Pra arrematar qualquer dúvida, é só lembrar dos convidados presentes no disco de estréia - gente do porte de Lemmy, Mike Dean (do Corrosion Of Conformity), Eric Wagner (do Trouble), Kurt Bretch (do D.R.I.), além do próprio Lee Dorrian, entre outros.


Firebird é retrô até na capa

Outro caso parecido é o do ex-Carcass Bill Steer, que formou o excelente Firebird. A banda segue à risca o esquema dos power-trios sessentistas, desde a formação propriamente dita (ele, Ludwig Witt, do Spiritual Beggars e Leo Smee, do Cathedral - timaço), até o visual, como visto nessa capa aí, do álbum Deluxe (o 2º, de 2001). O som é um primor de blues rock deliciosamente distorcido, mas com um certo apuro instrumental em relação aos demais. Aqui, o som é muito bem executado, lembrando por vezes os devaneios instrumentais do Deep Purple (em especial, do álbum Purplendicular). Conheci a banda através de um cover de Working Man, do Rush, que estava disponível nesse site. Pena que apagaram o arquivo (mas vale conferir a info que ficou). De qualquer forma, não se deixe abater e faça como este que vos escreve. Caçe essa banda no DC++, e-Mule, ou qualquer outro compartilhador desses, mas passe à quilômetros de distância dos KaZaAs da vida (lá só tem de Britney Spears pra baixo). Vale (muito) à pena, se você curtir esse estilo.

Em tempo: o Rush (banda-tia do stoner) adicionou a música Summertime Blues, de Eddie Cochran e imortalizada pelo Blue Cheer (banda-bisavó do stoner), no set-list do seu novo álbum, Feedback (só de covers). Clique aqui pra conferir um trecho (ficou bem mais pesada que a original, claro).

Além dos links que passei (os sublinhados não foram porque achei bonitinho não), é parada obrigatória também o Planeta Stoner, o melhor site dedicado ao estilo no Brasil. Essa matéria, da central rock Whiplash, também ficou muito boa, bem esclarecedora para iniciantes.

Outra coisa, o stoner sempre caminhou lado a lado (mas sem boiolagem) com o gothic e o já citado doom metal. À primeira ouvida, parece tudo a mesma coisa, mas para o ouvido treinado é quase uma blasfêmia proferir tal afirmação. Doom é pesadaço e arrastado, gothic é... gótico e depressivo e stoner é isso tudo, só que cheio de marijüana, e todos os três nem sonhariam em existir se não fosse o Black Sabbath. Pra saber diferenciá-los "profissionalmente", recomendo essa excelente matéria, onde Jorge Vitzac destrincha legal toda essa viagem lisérgica e incandescente. Pra visitar tomando uma cerva trincando de gelada.


Post ao som de Kyuss, Firebird, Helmet e Black Sabbath - e haja café!!