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terça-feira, 22 de julho de 2025
Ozzy para sempre
Hoje foi escrito o último parágrafo do diário. Se foi o Ozzy Osbourne. Em outros tempos, só voltaria pra casa ébrio e que se foda o dia de amanhã.
Mas o tempo passou irredutível para o Madman – que já faz hora extra desde 1978, pelo menos – e também passou para aquele guri que o conheceu pela transmissão do 1º Rock in Rio. Fiquei assombrado diante da tevê. Nem de longe estava preparado. Outros tempos.
De um modo ou de outro, Ozzy nunca deixou de me assombrar. A prova mais recente foi há duas semanas, no antológico show de despedida dele com o Black Sabbath. Ali, o mundo testemunhou a luta de um homem contra seus limites físicos e neurológicos na base do coração, da raça, da coragem e de uma força de vontade inabalável, quase sobrenatural. Impossível assistir à performance sem se emocionar. Isso fica bem claro, para ele e para o público com olhos marejados, durante uma arrepiante “Mama, I'm Coming Home” – nunca essa balada soou tão pedrada.
O Ozzy, quem diria, dando um exemplo de resiliência diante dos reveses da vida e do mais puro amor às coisas que realmente importam. Louco, ele? Sim e com orgulho.
Thank you, goodnight and God bless you, Ozzy!
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Black Sabbath,
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sábado, 5 de julho de 2025
Black Sabbath, mon amour
Já que não e$tamos lá, nada como revisitar o Black Sabbath no auge do peso, malevolência e vitalidade. Performance incendiária de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward no Olympia Theatre em Paris, em 20 de dezembro de 1970. Heavy, thrash, doom, gothic, stoner, já estava tudo lá. E até hoje não fizeram melhor.
Foi lançado aqui paraguayamente por uma certa Norfolk Filmes (que se dane a procedência duvidosa, são unsung heroes!) e garimpado ao acaso por este escriba num bacião das Americanas. Guardo esse DVD com muito carinho até hoje. Acervo histórico.
Tem no YouTube.
terça-feira, 27 de agosto de 2024
O culto ao Lagarto Mágico

Na zaga: Cook Craig, Ambrose Kenny-Smith, Michael Cavanagh e Lucas Harwood; No ataque: Stu Mackenzie e Joey Walker
Era mais fácil acertar na loteria do que antecipar o sucesso atual do King Gizzard & the Lizard Wizard. Esperaria isso de outras bandas cult ad eternum, tipo Gallon Drunk, The BellRays ou até o Squirrel Nut Zippers. Mas a evolução das espécies – e da indústria musical – tinha outros planos.
O sexteto australiano foi fundado por Stu Mackenzie, Joey Walker e pelo ex-integrante Eric Moore em 2010, quando estudavam indústria musical na Universidade RMIT, em Melbourne. Conheci em 2019, no pesadão Infest the Rats' Nest. Desde então, o grupo não saiu mais do play e das minhas listas de melhores do ano. E afirmo isso da forma menos deslumbrada possível, visto que os caras são ratos (ou lagartos) de estúdio: só em 2022 eles lançaram cinco álbuns. Contando com o excelente Flight b741, lançado este mês, eles já contam com 26 discos de estúdio. E olha lá se não desovaram mais algum enquanto termino de datilografar.
O mais impressionante é que cada registro trafega por um gênero diferente. Tem pra todo mundo: rock psicodélico, heavy metal, stoner, thrash metal, garage rock, space rock, música eletrônica, progressivo. E sem perder a identidade.
Mas nada é ao acaso. Além de multi-instrumentistas impecáveis, são operários 24/7, trabalhadores heavy duty. E é evidente que souberam, como poucos, ressignificar a desconstrução do disco ao seu favor.
O resultado são os shows concorridíssimos das últimas turnês – sold out na Europa e agora, nos Estados Unidos e Canadá. Ao que consta, o cachê atual da banda gira entre 150 e 300k (Bidens, of course) para datas na América do Norte. Abaixo da linha do Equador, deve ser o triplo do valor mais os rins e as córneas do público.
Mas até nisso o grupo resolveu subverter e está transmitindo cada apresentação do atual rolê em lives no seu canal do YouTube. A ação é qualquer coisa de espetacular. Seguem os shows de sábado e domingo últimos.
De Cleveland/Ohio a Newport/Kentucky são 402 km. Deve ter sido um corre daqueles. 24 horas de busão, toneladas de equipamentos, seis abençoados mais equipe. Operários mesmo.
Logo mais, tem outro.
Ps: as lives são removidas na sequência, mas sempre tem um samaritano que reposta. Lógico que não devem durar muito também.
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Alta Rotação,
heavy metal,
King Gizzard & the Lizard Wizard,
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2022
Let's try to sleep now...
Mark William Lanegan
(1964 - 2022)
Na conta oficial do Twitter, apenas o breve e impessoal aviso de um amigo, apressadamente pedindo respeito à privacidade da família. É inevitável pensar, não tão lá no fundo, "epa, calma aí, amigo... como é que é o negócio?" E pegando no braço, inclusive. Como é que soltam uma dessa, do nada, numa terça-feira qualquer?
Para quem viveu plenamente o rock entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990, o músico, compositor, escritor e espetacular cantor já havia garantido sua cadeira no panteão da música. Seja com o Screaming Trees, nas colaborações com o Queens of the Stone Age, com a Isobel Campbell ou seja na carreira solo com sua discografia estranha, imprevisível e interessantíssima. É uma lenda do rock desde o dia um.
Essa foi pra sumir com o chão abaixo dos pés. Se foi o Mark Lanegan. Numa rara terça-feira qualquer.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Caravana da viagem
Óskar Logi Ágústsson (guitarrista e vocalista), Guðjón Reynisson (baterista) e Alexander Örn Númason (baixista) são três moleques espinhudos e mal saídos da adolescência com os pés fincados nas raízes do rock setentista. À primeira vista, o grupo The Vintage Caravan parecia um novo Silverchair, mas à primeira ouvida... As influências básicas podem ser até próximas, mas eles bebem direto na fonte: Hendrix, Cream, Mountain, Grand Funk, Humble Pie e todo o contigente do peso lisérgico dos anos 60 e 70, mas com acabamento moderno e "radio friendly".
Acabaram de lançar seu 2º disco, o ótimo Voyage, via Nuclear Blast. Que está em altíssima rotação em todos os formatos de players dos quais eu sou responsável.
O fato de serem agora internacionalizados pelo tradicional reduto metálico não é menos que sintomático - o som do power trio islandês é uma paulada. A única semelhança com Sigur Rós e Björk é a procedência subzero. Apesar da temperatura ártica destoar do desert sound invocado dos garotos, pelo lado psicodélico, o idílico país (que parece uma versão psicodélica do Condado, do Tolkien) parece o local perfeito pra submergir nas good trips do The Vintage Caravan.
Pelo menos foi essa a vibe do bem-humorado vídeo da música "Expand Your Mind".
Qualquer dia também seguirei rumo à estação Islândia...
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Metal fértil
Piração cannábico-headbanger, reafirmação de estilo de vida e uma porradaria de primeira traduzidos em imagens. A música é do último (e acachapante) álbum do High on Fire, De Vermis Mysteriis. Por sinal, um disco conceitual que evoca Robert Bloch (escritor de Psicose) e os Mitos Cthulu de H.P. Lovecraft. O que prova que por baixo daquela fachada rude e embrutecida os caras também são uns filhos da puta sombrios bagarai.
Dica do Sandro "All Star Velho", que atravessa um dia mais hardcore que o normal.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
HIPPIES DON'T LIE
Peso, lisergia e lirismo diretos de Estocolmo, Suécia. O Siena Root poderia ser mais uma banda de garotos que amavam Zeppelin, Purple & Sabbath, não fossem as relações realmente estreitas com o dito "classic rock" - e o talento necessário para tal. O grupo foi criado no fim dos anos noventa pelo baixista Sam Riffer e pelo baterista Love H Forsberg ("Love", para os íntimos), que já tocavam juntos há quase dez anos. Logo arrendaram KG West (guitarra, órgão, cítara [!], backings e clone do Urso do Cabelo Duro) e Oskar Lundström (vocais). Com essa formação, gravaram o excelente debut, A New Day Dawning, de 2004. Pouco depois, Oskar saiu da banda e foi substuído pela cantora Sanya. Com a vocalista, eles lançaram seu segundo disco, Kaleidoscope, de 2006. No ano seguinte, ela deixou o grupo, dando lugar a Sartez, que cantou no novo álbum, Far From The Sun - e que, até onde sei, ainda continua na banda.
As constantes mudanças de frontmen seria algo desastroso em qualquer grupo, mas o que acontece com o Siena Root é a profusão de um fenômeno raro. Quantas vezes na história do rock'n'roll um cantor cedeu espaço a outro tão bom ou até melhor? E que compreende exatamente o que a banda precisa naquele momento? Os casos são poucos e notórios - de cabeça, vou aí de Bon Scott/Brian Johnson (AC/DC), Ozzy/Dio (Sabbath), Gillan/Coverdale (Purple), Di'Anno/Dickinson (Maiden) e Halford/Owens (Judas). No grupo sueco isto aconteceu três vezes em três discos (100% de "reaproveitamento"!), sempre com resultados excepcionais.
O trio de vocalistas é peculiar ao extremo. Cada um tem um estilo bem diferente dos demais. Oskar Lundström, o primeiro pródigo, tem influências de soul, inclusive com timbre e alcance próximos do lendário Glenn Hughes. Quem conhece, sabe o que isso significa (e deve estar me acusando de heresia agora). Já a gatinha Sanya ouviu muito o Robert Plant dos áureos tempos e deve cantarolar "Since I've Been Loving You" em casa sem fazer feio. É uma cantora incrível. E Sartez... é glam. Mas glam, glam mesmo, com um estilo espetacularmente andrógino. Tenha em mente Ian Hunter (Mott The Hoople), Marc Bolan (T. Rex) e Bowie fase Ziggy Stardust. Mais uma vez, a banda foge do lugar comum e mantém o alto nível.
Apesar do trampo nivelado dos três à frente do Siena Root, Sanya é de longe a mais cultuada entre os admiradores do grupo. Muito marmanjo ainda choraminga pela saída da moça e é fácil entender porque.
No vídeo a seguir, ela faz uma releitura sensacional de "Coming Home", faixa de abertura do primeiro disco, cuja linha vocal (de Oskar) é dificílima.
Impossível não lembrar de Plant no filme The Song Remains The Same, mais precisamente nas cenas ao vivo no Madison Square Garden.
Como de praxe, os três álbuns do Siena Root continuam inéditos por aqui. Espero que não por muito tempo. Discoteca básica para qualquer stonerhead ou simplesmente fãs de Música.
sexta-feira, 25 de março de 2005
Feliz Páscoa pra todo mundo! Hoje é dia de caçar coelhos com uma metralhadora! Mas antes, alguns comentários... coisa básica. Discos e algumas correções.
Let's get it on...
AFGHAN WHIGS - GENTLEMEN
(Elektra/1993)

Uma verdade sobre o Afghan Whigs é que o grupo sempre foi bom demais pra fazer sucesso. Apesar de ter pertencido ao cast da mesma Sub Pop que canalisou o grunge de Seattle, ela fez parte de um seleto time de bandas que foram sufocadas por hits que dominaram o cenário do rock americano nos anos 90. Coisinhas como Alive, Man in the Box, Hunger Strike e, principalmente, Smells Like Teen Spirit. Mas, ao contrário da conotação pop que o termo "rock alternativo" tem hoje, o Afghan Whigs nunca deixou os corações e mentes daqueles que buscaram algo mais do que aquilo que rolava nas paradas de sucesso. Essa busca podia ser até árdua, mas, no final, era verdadeiramente compensadora.
Liderada pelo compositor e vocalista Greg Dulli, a banda evoluiu de um barulhento pós-punk de garagem para uma sonoridade mais sofisticada, melódica, plasticamente mais bem trabalhada e fluída, e, num lampejo de genialidade underground, repleta de influências de soul e rhythm'n'blues (chegaram a regravar uma música do Barry White). Isso tudo sem deixar de lado a inevitável herança oitentista no wave e letras que são um verdadeiro soco no estômago existencial, no pior sentido dor-de-cotovelo possível. Desilusões amorosas fudidas, finais de relacionamento nada agradáveis e pura auto-comiseração são destilados nas letras ácidas e no senso de humor predatório de Dulli, que ainda é dono de uma entrega quase suicida nos vocais. O Afghan Whigs é uma das bandas mais passionais do rock e Gentleman foi o momento em que eles mais se enxergaram nessa condição. Um disco perfeito até na capa... belíssima.
Ps.: Reza a lenda que os integrantes da banda se conheceram nos idos de 86, durante uma estada em comum num presídio em Cincinnati, sua terra natal. Belo background...
FIREBIRD - DELUXE
(Music for Nations/2001)

Bill Steer é um sujeito rodado. Egresso de formações extremas como o Napalm Death e o podrão Carcass, ele ensaiou um retorno à cena de forma inusitada, à frente de pérolas stoner rock como Badlands e The Cry of Love. Dessa forma, o excelente Firebird acabou sendo uma espécie de cream of the cream de tudo o que Steer andou aprendendo (e tocando) nos últimos anos. Em um retorno às raízes on the road do rock, a banda pode ser simplesmente classificada de stoner, mas aí seria uma injustiça cruel. Stoner é Nebula, Orange Goblin, Fu Manchu e outras (boas) bandas que não conseguem dar nem um passo pra fora da sombra do Black Sabbath. O Firebird estabelece uma relação mais próxima dos power trios dos anos 60 e 70, com riffs ganchudos e freqüentes, e aquelas passagens intensas entremeadas com momentos mais suaves e bluesy. As referências imediatas são grupos clássicos como Cream, Mountain, Blue Cheer, Rush fase John Rutsey e até o Jimi Hendrix Experience. Firebird é uma excursão lisérgica na pré-história do hard rock. A viagem é, no mínimo, fascinante.
A formação da banda nesse disco é toda ex-metálica - além de Steer nos vocais e na guitarra, completam o time Ludwig Witt (bateria e percussão, ex-Spiritual Beggars) e Leo Smee (baixo e órgão, ex-Cathedral). Aliás, a técnica old school de Bill Steer (cujo belo vocal me lembra o de Eric Clapton nos áureos tempos do Cream) tem sido muito elogiada. E realmente ele arrebenta nas seis cordas - vide pedradas como Dirt Trap, Forsaken, Sinner Takes All e Sad Man's Quarter. Destaque também para a belíssima Miles From Nowhere, com uma atmosfera idílica parecida com a do clássico Thank You, do Led Zeppelin, e para a última faixa, o boogie-woogie Slow Blues, que de "slow" não tem nada e traz a harmônica mais alucinada que ouço desde os primeiros discos do Blues Traveler.
A faixa para download não consta no disco. Trata-se de um cover pesadão para Working Man, do Rush, que só saiu em um single lançado no mercado japonês.
CIRCUS OF POWER - MAGIC & MADNESS
(Columbia/1993)

A boa impressão já começa pela bela arte da capa, feita pela fera Tate Mosesian. E o Circus of Power não desaponta, mandando ver um rockão estradeiro de respeito. Algo assim, entre o drunk'n'roll do AC/DC fase Bon Scott e blues rock cheio de slide guitar. Infelizmente, suas bases hard rock acabaram colocando a banda no gueto heavy do final dos anos 80, justamente quando o estilo dava seus últimos suspiros no mainstream. Sem o tino comercial de bandas como G'NR, Bon Jovi e Skid Row, o CoP acabou morrendo na praia noventista, embora fosse milhões de vezes mais interessante que todos aqueles ícones poser. Magic & Madness é o seu terceiro álbum, e considerado por muitos como o seu melhor. Não faço a mínima idéia se é mesmo, pois nunca ouvi nenhum dos outros. :P
Às vezes, o COP lembra um The Cult sem frescuragem. Tanto é que o próprio Ian Astbury, vocal do Cult, faz uma participação na ótima Shine. Outro convidado especialíssimo é o grande guitarrista Jerry Cantrell, do Alice in Chains, que manda acordes e vocais na grudenta Heaven & Hell. Confira também as pesadonas Evil Woman, Poison Girl, a animada Dreams Tonight e, a melhor de todas, Mama Tequila, cujo refrão virou o meu grito de guerra nº1.
Ótimo álbum!
SLAYER - UNDISPUTED ATTITUDE
(American/1996)

Puta que o pariu! Me sinto com vontade de porrar o próprio capeta quando ouço esse álbum. Cansado de ver conterrâneos do thrash jogando seu passado pela privada e de testemunhar a ascensão de bobagens poppy punk, os reis da Zona Sul do Céu, Vsa. Megafodescência Slayer resolveu revisitar podreirinhas memoráveis do punk/hardcore. Ah, se todos os álbuns de covers fossem assim! É festa punk feita por profissionais da agressão desenfreada. Pra bater a cabeça até perder as orelhas. Os caras conseguiram amplificar ainda mais a porradaria dos clássicos do Verbal Abuse, D.R.I., GBH, Minor Threat e até do TSOL, quando esse era punk.
Para os fãs mais ortodoxos do "metálico" Slayer, só uma ou duas infos de grátis. Em seus primeiros shows, tanto o Slayer quanto o Metallica tocavam para uma platéia dividida entre headbangers e punks. Claro que rolavam tretas, mas o fato é que a sonoridade das duas continham naturalmente elementos hardcore. E o Slayer, ao lado do badmotherfucker Ice-T, já havia demonstrado sua veia crusty, através de um medley arrasador do Exploited que saiu na memorável trilha sonora do filme Uma Jogada do Destino. Definitivamente o Slayer tem raízes hardcore. E afinal, o que é o thrash metal senão uma evolução do hardcore, que por sua vez é uma evolução do punk...? Achou ruim? Então pode cair dentro que eu tô ouvindo Undisputed Attitude e não vou perder pra ninguém na porrada nesse momento. :)
Além do quê, só aqui você pode ouvir uma instituição como o Slayer tocando furiosamente o classicaço I Wanna Be Your Dog, dos Stooges - providencialmente rebatizada I Wanna Be You God. Mas a velha torção no pescoço comparece sim, e a última faixa, Gemini, é autoral. Peso gótico e deprê, South of Heaven' style.
A propósito... sabia que o Ramones e o Black Sabbath fizeram uma tour conjunta nos anos setenta? É sério, li isso numa entrevista antiga com o falecido Joey Ramone. Diz ele que eram dez confusões por música executada.
LIV KRISTINE - DEUS EX MACHINA
(Massacre/1998)

Eu sou suspeito pra falar.
Antes de sair do Theatre Of Tragedy para formar o Leaves' Eyes, a cantora norueguesa Liv Kristine Spenæs concebeu um magistral e etéreo debut solo. Longe das guitarras distorcidas e dos backings death metal que caracterizam o som do Theatre, Deus Ex Machina talvez seja a primeira vez em que Liv se mostra por inteira, entregue e despida (quem dera!) artisticamente, sem as amarras do estilo gothic metal que a limitava. Pra quem nunca nem ouviu falar de Liv Kristine, basta dizer que ela é influência confessa de Tarja Turunem, do Nightwish. Dentro do gothic metal - e aí vai um espectro que começa no ultra-obscuro The Sins Of Thy Beloved e termina no mega-estourado Evanescense - Liv Kristine, ao lado de Aneke van Giersbergen (do The Gathering), é a maior precursora do estilo.
Apesar da atmosfera suave, Deus Ex Machina não se enquadra no formato pop. Transitando por paisagens new age, pelo gótico romântico e por climas soturnos pontuados com efeitos eletro-percussivos, Liv está à vontade e supera fácil tudo o que ela já fez anteriormente, incluindo aí o seu trabalho memorável no Theatre Of Tragedy. Daí saem a intrincada melodia da faixa-título (que é mais difícil de cantar do que parece), a bela Waves Of Green, a bad trip nórdica de Huldra, a soft-gregoriana Portrait: Ei Tulle Med Øyne Blå, a linda, mas muito linda mesmo, In The Heart of Juliet, e a sensacional 3 AM, que conta com o vozeirão dark de Nick Holmes, do Paradise Lost.
Deus Ex Machina é um disco pra se ouvir com a luz apagada e com algumas velas acesas. E se estiver acompanhado... que seja uma ótima companhia pra não estragar o momento.
Mas como eu disse...

FÊNIX NEGRA 2 X GALACTUS 0
Brilho Eterno de um Blog sem Lembranças

18 de março de 2004... um ano e poucos dias atrás. Foi quando eu escrevi um texto admirando pela enésima vez o Galactus e sua fome eterna de planetas incautos. Para ilustrar o texto, catei aleatoriamente algumas imagens na web, que retratavam o gigante cósmico se estranhando com Jean Grey, numa história que eu tinha quase certeza que já havia lido.
Depois, nos coments, soube pelo jpvolley (fala aê jp!) que essas imagens, do grande Alan Davis, eram de uma história que saiu numa edição do Excalibur e que ali não era a Jean Grey, e sim Rachel Summers, totalmente overpower. Corretíssimo. Até porquê, nunca fui especialista nos mutunas mesmo.










Alan Davis e a justa cósmica... clique nas imagens
Mas a dúvida persistia... eu já tinha lido uma história com a Jean encarando o velho Galan. Num belo dia, durante um raio-x de rotina em um sebo, (re)descubro essa história como um bônus na revista Marvel Especial 8 - A Saga da Fênix Negra. Era O que Aconteceria se Fênix Não Tivesse Morrido?, um daqueles elseworlds narrados pelo Vigia.

Jean Grey já bateu o celestial também! Clique nas imagens
Comparando as imagens dos dois confrontos... dá pra ver que Alan Davis "curtia bastante" a série What If... Galactus está praticamente com a mesma postura quando dispara uma rajada de energia em Jean/Rachel, e nas duas histórias ele termina batendo em retirada após ver a magnitude de sua adversária. Ficou igualzinho. Não é à toa que eu me confundi... :)
dogg, querendo saber se hoje pode beber cerveja
Let's get it on...
(Elektra/1993)

Uma verdade sobre o Afghan Whigs é que o grupo sempre foi bom demais pra fazer sucesso. Apesar de ter pertencido ao cast da mesma Sub Pop que canalisou o grunge de Seattle, ela fez parte de um seleto time de bandas que foram sufocadas por hits que dominaram o cenário do rock americano nos anos 90. Coisinhas como Alive, Man in the Box, Hunger Strike e, principalmente, Smells Like Teen Spirit. Mas, ao contrário da conotação pop que o termo "rock alternativo" tem hoje, o Afghan Whigs nunca deixou os corações e mentes daqueles que buscaram algo mais do que aquilo que rolava nas paradas de sucesso. Essa busca podia ser até árdua, mas, no final, era verdadeiramente compensadora.
Liderada pelo compositor e vocalista Greg Dulli, a banda evoluiu de um barulhento pós-punk de garagem para uma sonoridade mais sofisticada, melódica, plasticamente mais bem trabalhada e fluída, e, num lampejo de genialidade underground, repleta de influências de soul e rhythm'n'blues (chegaram a regravar uma música do Barry White). Isso tudo sem deixar de lado a inevitável herança oitentista no wave e letras que são um verdadeiro soco no estômago existencial, no pior sentido dor-de-cotovelo possível. Desilusões amorosas fudidas, finais de relacionamento nada agradáveis e pura auto-comiseração são destilados nas letras ácidas e no senso de humor predatório de Dulli, que ainda é dono de uma entrega quase suicida nos vocais. O Afghan Whigs é uma das bandas mais passionais do rock e Gentleman foi o momento em que eles mais se enxergaram nessa condição. Um disco perfeito até na capa... belíssima.
Ps.: Reza a lenda que os integrantes da banda se conheceram nos idos de 86, durante uma estada em comum num presídio em Cincinnati, sua terra natal. Belo background...
(Music for Nations/2001)

Bill Steer é um sujeito rodado. Egresso de formações extremas como o Napalm Death e o podrão Carcass, ele ensaiou um retorno à cena de forma inusitada, à frente de pérolas stoner rock como Badlands e The Cry of Love. Dessa forma, o excelente Firebird acabou sendo uma espécie de cream of the cream de tudo o que Steer andou aprendendo (e tocando) nos últimos anos. Em um retorno às raízes on the road do rock, a banda pode ser simplesmente classificada de stoner, mas aí seria uma injustiça cruel. Stoner é Nebula, Orange Goblin, Fu Manchu e outras (boas) bandas que não conseguem dar nem um passo pra fora da sombra do Black Sabbath. O Firebird estabelece uma relação mais próxima dos power trios dos anos 60 e 70, com riffs ganchudos e freqüentes, e aquelas passagens intensas entremeadas com momentos mais suaves e bluesy. As referências imediatas são grupos clássicos como Cream, Mountain, Blue Cheer, Rush fase John Rutsey e até o Jimi Hendrix Experience. Firebird é uma excursão lisérgica na pré-história do hard rock. A viagem é, no mínimo, fascinante.
A formação da banda nesse disco é toda ex-metálica - além de Steer nos vocais e na guitarra, completam o time Ludwig Witt (bateria e percussão, ex-Spiritual Beggars) e Leo Smee (baixo e órgão, ex-Cathedral). Aliás, a técnica old school de Bill Steer (cujo belo vocal me lembra o de Eric Clapton nos áureos tempos do Cream) tem sido muito elogiada. E realmente ele arrebenta nas seis cordas - vide pedradas como Dirt Trap, Forsaken, Sinner Takes All e Sad Man's Quarter. Destaque também para a belíssima Miles From Nowhere, com uma atmosfera idílica parecida com a do clássico Thank You, do Led Zeppelin, e para a última faixa, o boogie-woogie Slow Blues, que de "slow" não tem nada e traz a harmônica mais alucinada que ouço desde os primeiros discos do Blues Traveler.
A faixa para download não consta no disco. Trata-se de um cover pesadão para Working Man, do Rush, que só saiu em um single lançado no mercado japonês.
(Columbia/1993)

A boa impressão já começa pela bela arte da capa, feita pela fera Tate Mosesian. E o Circus of Power não desaponta, mandando ver um rockão estradeiro de respeito. Algo assim, entre o drunk'n'roll do AC/DC fase Bon Scott e blues rock cheio de slide guitar. Infelizmente, suas bases hard rock acabaram colocando a banda no gueto heavy do final dos anos 80, justamente quando o estilo dava seus últimos suspiros no mainstream. Sem o tino comercial de bandas como G'NR, Bon Jovi e Skid Row, o CoP acabou morrendo na praia noventista, embora fosse milhões de vezes mais interessante que todos aqueles ícones poser. Magic & Madness é o seu terceiro álbum, e considerado por muitos como o seu melhor. Não faço a mínima idéia se é mesmo, pois nunca ouvi nenhum dos outros. :P
Às vezes, o COP lembra um The Cult sem frescuragem. Tanto é que o próprio Ian Astbury, vocal do Cult, faz uma participação na ótima Shine. Outro convidado especialíssimo é o grande guitarrista Jerry Cantrell, do Alice in Chains, que manda acordes e vocais na grudenta Heaven & Hell. Confira também as pesadonas Evil Woman, Poison Girl, a animada Dreams Tonight e, a melhor de todas, Mama Tequila, cujo refrão virou o meu grito de guerra nº1.
Ótimo álbum!
(American/1996)

Puta que o pariu! Me sinto com vontade de porrar o próprio capeta quando ouço esse álbum. Cansado de ver conterrâneos do thrash jogando seu passado pela privada e de testemunhar a ascensão de bobagens poppy punk, os reis da Zona Sul do Céu, Vsa. Megafodescência Slayer resolveu revisitar podreirinhas memoráveis do punk/hardcore. Ah, se todos os álbuns de covers fossem assim! É festa punk feita por profissionais da agressão desenfreada. Pra bater a cabeça até perder as orelhas. Os caras conseguiram amplificar ainda mais a porradaria dos clássicos do Verbal Abuse, D.R.I., GBH, Minor Threat e até do TSOL, quando esse era punk.
Para os fãs mais ortodoxos do "metálico" Slayer, só uma ou duas infos de grátis. Em seus primeiros shows, tanto o Slayer quanto o Metallica tocavam para uma platéia dividida entre headbangers e punks. Claro que rolavam tretas, mas o fato é que a sonoridade das duas continham naturalmente elementos hardcore. E o Slayer, ao lado do badmotherfucker Ice-T, já havia demonstrado sua veia crusty, através de um medley arrasador do Exploited que saiu na memorável trilha sonora do filme Uma Jogada do Destino. Definitivamente o Slayer tem raízes hardcore. E afinal, o que é o thrash metal senão uma evolução do hardcore, que por sua vez é uma evolução do punk...? Achou ruim? Então pode cair dentro que eu tô ouvindo Undisputed Attitude e não vou perder pra ninguém na porrada nesse momento. :)
Além do quê, só aqui você pode ouvir uma instituição como o Slayer tocando furiosamente o classicaço I Wanna Be Your Dog, dos Stooges - providencialmente rebatizada I Wanna Be You God. Mas a velha torção no pescoço comparece sim, e a última faixa, Gemini, é autoral. Peso gótico e deprê, South of Heaven' style.
A propósito... sabia que o Ramones e o Black Sabbath fizeram uma tour conjunta nos anos setenta? É sério, li isso numa entrevista antiga com o falecido Joey Ramone. Diz ele que eram dez confusões por música executada.
(Massacre/1998)

Eu sou suspeito pra falar.
Antes de sair do Theatre Of Tragedy para formar o Leaves' Eyes, a cantora norueguesa Liv Kristine Spenæs concebeu um magistral e etéreo debut solo. Longe das guitarras distorcidas e dos backings death metal que caracterizam o som do Theatre, Deus Ex Machina talvez seja a primeira vez em que Liv se mostra por inteira, entregue e despida (quem dera!) artisticamente, sem as amarras do estilo gothic metal que a limitava. Pra quem nunca nem ouviu falar de Liv Kristine, basta dizer que ela é influência confessa de Tarja Turunem, do Nightwish. Dentro do gothic metal - e aí vai um espectro que começa no ultra-obscuro The Sins Of Thy Beloved e termina no mega-estourado Evanescense - Liv Kristine, ao lado de Aneke van Giersbergen (do The Gathering), é a maior precursora do estilo.
Apesar da atmosfera suave, Deus Ex Machina não se enquadra no formato pop. Transitando por paisagens new age, pelo gótico romântico e por climas soturnos pontuados com efeitos eletro-percussivos, Liv está à vontade e supera fácil tudo o que ela já fez anteriormente, incluindo aí o seu trabalho memorável no Theatre Of Tragedy. Daí saem a intrincada melodia da faixa-título (que é mais difícil de cantar do que parece), a bela Waves Of Green, a bad trip nórdica de Huldra, a soft-gregoriana Portrait: Ei Tulle Med Øyne Blå, a linda, mas muito linda mesmo, In The Heart of Juliet, e a sensacional 3 AM, que conta com o vozeirão dark de Nick Holmes, do Paradise Lost.
Deus Ex Machina é um disco pra se ouvir com a luz apagada e com algumas velas acesas. E se estiver acompanhado... que seja uma ótima companhia pra não estragar o momento.
Mas como eu disse...

...sou suspeito pra falar.
Brilho Eterno de um Blog sem Lembranças

18 de março de 2004... um ano e poucos dias atrás. Foi quando eu escrevi um texto admirando pela enésima vez o Galactus e sua fome eterna de planetas incautos. Para ilustrar o texto, catei aleatoriamente algumas imagens na web, que retratavam o gigante cósmico se estranhando com Jean Grey, numa história que eu tinha quase certeza que já havia lido.
Depois, nos coments, soube pelo jpvolley (fala aê jp!) que essas imagens, do grande Alan Davis, eram de uma história que saiu numa edição do Excalibur e que ali não era a Jean Grey, e sim Rachel Summers, totalmente overpower. Corretíssimo. Até porquê, nunca fui especialista nos mutunas mesmo.
Alan Davis e a justa cósmica... clique nas imagens
Mas a dúvida persistia... eu já tinha lido uma história com a Jean encarando o velho Galan. Num belo dia, durante um raio-x de rotina em um sebo, (re)descubro essa história como um bônus na revista Marvel Especial 8 - A Saga da Fênix Negra. Era O que Aconteceria se Fênix Não Tivesse Morrido?, um daqueles elseworlds narrados pelo Vigia.

Jean Grey já bateu o celestial também! Clique nas imagens
Comparando as imagens dos dois confrontos... dá pra ver que Alan Davis "curtia bastante" a série What If... Galactus está praticamente com a mesma postura quando dispara uma rajada de energia em Jean/Rachel, e nas duas histórias ele termina batendo em retirada após ver a magnitude de sua adversária. Ficou igualzinho. Não é à toa que eu me confundi... :)
dogg, querendo saber se hoje pode beber cerveja
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
(Koch Records/2004)
Um dos discos mais divertidos do ano passado. E como a maioria dos discos "apenas divertidos", passou despercebido em grande parte das listas de melhores. Mas a vocação de Spin The Bottle - An All-Star Tribute To Kiss não é pra tanto, visto que foi um projeto quase que independente de Bob Kulick, que produziu o disco. Da mesma forma que fez nos tributos ao Def Leppard, AC/DC e Van Halen, entre outros (o cara é um tributeiro de mão cheia), ele reuniu vários profissionais do hard em formações esporádicas para executar alguns clássicos do Kiss. Daí saem times que variam de improváveis a brilhantes. Pra quem conhece, é uma festa.
Ninguém menos que Dee Snider já chega arregaçando a goela no hino Detroit Rock City, que conta também com Doug Aldrich num belíssimo trampo de guitarra, Mark Mendonza no baixo e John Tempesta na bateria.
Love Gun recebeu um instrumental afiadíssimo: Tim Bogart, Jay Schellen e até Steve Lukather, do Toto (!!). Pena que o vocal não saiu pra briga (ao contrário do original com o Paul Stanley)... mas Tommy Shaw nunca foi lá essas coisas mesmo.
Cold Gin é grande, espaçosa e sacana. Música pra implodir estádio. Característica muito bem mantida pela dupla de guitarristas Ryan Roxy/Robben Ford e os vocais "yeah" de Mark Slaughter.
King Of The Night Time World é do tipo "todo-mundo-agora-segura-no-refrão" e o espírito continua lá. Rich Ward mandou bem nas guitarras, Chris Jericho se esgoelou numa boa e conseguiram resgatar até o baixista Mike Inez (ex-Ozzy, ex-Alice in Chains, ex-Heart... enfim, ex-tudo).
A próxima, I Want You. Um hard soulzístico que influenciou de Lenny Kravitz a Ben Harper. Meu... mas que guitarra digitada é essa do Paul Gilbert (Mr. Big)? O cara é sinistrão!
A porrada seguinte já era porrada desde 1976: God Of Thunder. E o time escolhido é pesadão mesmo, com a batera cavalar de Carmine Appice, a guitarra canibal de Bruce Kulick (esse é um entra-e-sai do Kiss que eu nunca vi igual) e um vocal meio death de Buzz Osbourne (do Melvins). Mas a versão do White Zombie era melhor.
A agitadona Calling Dr. Love conta com os vocais de Page Hamilton (do Helmet... é o mesmo que Max Cavalera cantando no Barão Vermelho). Esse é com certeza um dos times improváveis que eu citei. Mas ficou ótima!
A seguinte é festa pura - Should It Out Loud com ninguém menos que mr. Lemmy Kilmister nos vocais ultra-hiper-mega-fodônicos®. FODA-FODA-FODA! Lemmy rulz, e como sempre, ele pega uma música alheia (do Kiss!!! Saca a magnitude da coisa?!) e a transforma em mais uma do Motörhead. E ele está muuuuuito bem acompanhado (em todos os sentidos): Samantha Malone (ex-Hole) na bateria e Jennifer Batten (ex-Michael Jackson!!) na guitarra.
Parasite ficou "assim, assim". Bem mais ou menos. A música é ótima por natureza, mas apesar do instrumental pancadão do próprio Bob Kulick (guitarra) e de Vinnie Colaiuta (bateria), o vocal de Doug Pinnick (do King's X) não segurou as ondas. Existe uma versão dessa música feita pelo Anthrax, no disco Live, ainda com o Joey Belladonna nos vocais. Essa sim ficou arrasadora.
Strutter é o "segredo menos bem guardado do mundo". Praticamente uma punk song. Portanto, Phil Lewis (LA Guns, vocais), Gilby Clarke (Ex-GN'R, guitarra) e Jeff Pilson (ex-Dokken, baixo), a levam profissionalmente sem errar ou arriscar. Ficou ótima, mas sem aquele "fogo". Prefiro a versão da banda feminina The Donnas, bem mais simpática.
I Stole Your Love... estou ouvindo agora. Instrumental matador! Deixa eu ver... CC De Ville (do Poison... ressuscitaram o cara!) e Ashley Dunbar. Entra um vocal matadinho, sem força nenhuma... putz, é Robin McCauley, que conseguiu chutar pra fora depois de uma belíssima jogada ensaiada. Nota 11 para o instrumental. Os vocais eu vou apagar no Pro Tools.
Por último, destaque total e absoluto para a doce señorita que embeleza a capa. ;D
(SPV/2004)
Dave Wyndorf, frontman e líder do "Monstro Magnético", começou a correr do rótulo stoner rock assim que o estilo começou a fazer sucesso com os hits do Queens Of The Stone Age. O sucesso ( +$ ) às vezes atrapalha - principalmente quando termina ( -$$$$$$ ) - e como lá nos EUA há uma moda diferente pra cada dia da semana, fica bem compreensível a atitude do cara. Mas tanto por merecimento quanto por bom senso, o Monster Magnet já deveria ter estourado há muito tempo por lá. O som deles evoluiu daquele peso lisérgico/sabbático dos primórdios (vide o disco Spine Of God, de 1991) para um bem-resolvido mix de elementos tradicionais e caros ao povão norte-americano. A sonoridade atual do MM é um furacão acid rock movido à country, blue-grass, folk (!) e efeitos com bastante feedback, e dotado de um inequívoco tino pop com melodia, refrão marcante e final apoteótico. MM não é MM's, mas é tão americano quanto.
Monolithic Baby! traz todas essas informações já incorporadas a banda e conta novamente com uma excelente produção. Abrindo o álbum, Slut Machine manda ver numa rifferama de guitarras saturadas com a tensão lá no topo, só pra esquentar os alto-falantes. Essa música me lembra muito um MC5 atualizado. Pra falar a verdade... todos os discos do Monster Magnet me lembram um MC5 atualizado. Na seqüência, Supercruel traz uma levada de guitarra simples, barulhenta e efetiva, que Jack White daria a alma pra poder criar algo igual. Unbroken (Hotel Baby) tem um fôlego mais pop, mas sem perder a fomeagem guitarreira-viajante da banda. Poderia rolar na rádio numa boa (se a rádio for boa, claro!). Radiation Day é um amasso de stoner e punk, com mudanças de tempo e um refrão gritadão que eu não canso de cantar no chuveiro. The Right Stuff segue a mesma trilha sujona com várias camadas de guitarras e aquele ritmo train from hell que deve ser algo maravilhoso de se ouvir ao vivo. Já Ultimate Everything ressuscita o monstro stoner que ainda vive no MM. Peso doom com guitarras lascivas e vocais curtidos a gim puro e sem gelo. É o Monster fazendo o que fazia no começo, só que ainda melhor. E uma dica... não ouça There's No Way Out From Here "de cara" (sóbrio, capice?). Essa maravilhosa cover de David Gilmour (Pink Floyd, man) fica ainda mais viajante acompanhada de um bom vinho, um bom whisky ou, melhor ainda, de uma boa mulher. É pra sair de órbita mesmo.
(Mercury/1976)
Para o gosto médio, o Kiss sempre foi uma banda estilo "ame-ou-odeie". Houve uma época em que gostar deles era considerado tão brega quanto gostar de ABBA, discotéque ou Cat Stevens. Mas, sejamos justos, isso nunca teve razão de ser. Méritos para o Kiss não faltam. Eles (re)descobriram a fórmula do hit fácil, em rockões repletos de riffs cortantes de guitarra, refrães ultra-grudentos e letras falando de garotas, festas, rock'n'roll, garotas, carrões, garotas, sua amada Detroit e garotas (já mencionei garotas?). Nada daquele pseudo-satanismo que lhes imputaram no início da carreira (Kids In Satan's Service... bah!). O Kiss estabeleceu padrões definitivos para todo o rock posterior e foi - ao lado do Nazareth e do Aerosmith - o pai e a mãe do hard rock oitentista, com apenas a parte boa que esse título confere.
A simplicidade quase minimalista das músicas davam vazão para influências até em outras subdivisões do rock. God Of Thunder, de 1976 (ano pré-explosão do punk), pode até não ser o melhor do Kiss, mas com certeza é um dos discos mais Kiss que o Kiss já gravou. Logo na 1ª faixa, um clássico definitivo do rock e música obrigatória para aquela seleção estradeira: Detroit Rock City é uma daquelas canções tão cativantes quanto simples, ou cativantes justamente porque são simples (ou algo parecido). Agora, muito cuidado ao ouvir as animadinhas King Of The Time Night World, Flaming Youth, Shout It Out Loud e, principalmente, Do You Love Me?. O grau de chicletismo dessas músicas chega a ser assustador (Do you Love Me? foi até "adotada" pelo Nirvana, em seus últimos shows). Já a paulada God Of Thunder tem samples de uns moleques gritando e um peso tribal, deixando vir à tona toda a carga heavy que a banda sempre ameaçou (essa música já foi até regravada pelo White Zombie). Mas o Kiss também sabia fazer carinho: a esperançosa Great Expectations é emocionante e Beth é perfeita pra... hã, aprofundar relações interpessoais com o seu interesse amoroso... enfim, música pra trepar mesmo.
Quando eu afirmo que o Kiss foi uma banda influente pra caramba não é à toa. O tão utilizado formato rock de shows foi popularizado por eles. Todos os artistas de hard, glam e pop devem as calças ao grupo. Portanto, largue o preconceito. O Kiss é uma banda legal pra cacete. Ah, as máscaras...? Elas faziam parte da zoeira. Ninguém nunca pegou no pé dos Secos & Molhados por causa disso.
Em tempo... a minha preferida era a do Gene Simmons (o 2º da esq. pra dir.)... :P
(Warner/1996)
Banda-projeto que passou praticamente batida nos anos 90. O Neurotic Outsiders fez história ao enfileirar os rockstars Duff McKagan (baixista do Guns N'Roses), Steve Jones (eterno guitarrista do Sex Pistols), John Taylor (guitarrista do Duran Duran) e Matt Sorum (baterista do The Cult e do GN'R) numa mesma banda. Com uma produção levada por Jerry Harrison (do Talking Heads!), eles revisitavam o glam e o free rock setentista (praticado por Humble Pie, Small Faces, Free, entre outros) de forma competente e energética. O fato é que o primeiro e único álbum da banda não fez feio, como a maior parte da crítica pintou na época. Aliás, provavelmente esses críticos devem ser da mesma linhagem maldita que até pouco tempo atrás babou pelo The Darkness e pelo Velvet Revolver, que têm exatamente a mesma proposta de sonoridade. E essa última ainda tem uma similaridade gritante com o NO, que é a sua formação bem peculiar (no caso, com integrantes do Stone Temple Pilots e, novamente, do GN'R). Mas definitivamente, NO não bombou na época. E por que será? Tranqüilo e infalível como Bruce Lee eu vos digo: grunge, baby.
O disco é um primor de rock'n'roll festeiro. Se no Brasil o samba fosse rock (quem dera) ele iria tocar até em trio elétrico. Lembra do álbum de covers do GN'R, "The Spaghetti Incident?" (o melhor disco do GN'R segundo os detratores do GN'R?). NO faz uma versão extendida desse disco. Estruturas de rock old school com uma roupagem mais agressiva, gravada com equipamentos modernos e poderosos. Faixa-a-faixa de leve:
Nasty Ho - Abertura curta e grossa! Riff e velocidade punks (ho!) com Matt Sorum literalmente espancando as peles da batera. Vocal pingando ironia e guitarra-base em ritmo de serra-elétrica. Nastyyyy Ho!
Always Wrong - Tom sisudo com ritmo cadenciado e socadão (tipo pá-pá-pá-pá nem devagar nem rápido). As guitarras marcam o passo de forma quase percussiva. Deve ter sido foda ao vivo.
Angelina - Ótima canção rocker. Como é que isso não tocou sem parar nas rádios? Ritmo alto astral, pesada e falando sobre uma garota. Hit total (pelo menos pra mim!).
Good News - Essa é punk!! O riff é melódico na medida certa. Depois larga a mão no instrumental rapidão. Me lembrou muito a ótima banda Down By Law!
Better Way - Ecos hippie rock. Lembra de Breaking The Girl, a canção zeppeliniana do Red Hot Chili Peppers? Então, Better Way é a canção zeppeliniana do Neurotic Outsiders. Ah, e belíssima.
Feelings Are Good - Esse título deveria ter sido endereçado à crítica da época... a guitarrona é bem encorpada e dita o ritmo da música inteira, com o resto do instrumental correndo atrás (aliás, todas as músicas do NO são assim, mas essa é mais que as outras). Pra aumentar o volume no refrão - ótimo.
Revolution - Arrancada punk turbinada. A música toda é um enorme refrão com a tensão instrumental no auge o tempo todo. Putz, Matt Sorum se acaba nessa faixa.
Jerk - NO é one-hit-band! E esse é o hit. Se tinha de ser só uma, então fizeram justiça. A música tem um refrão pra lá de super-bonder (também... "You're a bitch... I'm a jerk... I don't think that we can work...") e uma levada de guitarra matadora. Porrada certeira.
Union - O início tem uma melodia que parece muito com Slumber, do Bad Religion, mas a música é outra coisa. Com um vocal e um refrão bem tristonhos ("I wish I had a union..." - snif), Union parece um daqueles rocks australianos pra ouvir na praia durante o pôr-do-sol. Contra-indicada para momentos extremos de dor-de-cotovelo.
Janie Jones - Yowzaaa!! É essa mesma! A clássica Janie Jones do Clash! Punk, rockabilly, boogie-woogie e o escambau rockeiro em pouco mais de um minuto e meio de corre-corre! Pra ouvir durante uma bagunça sem precedentes!!
Story Of My Life - Pop song com jeitão de baladona melancólica. Alto potencial radiofônico. Normal.
Six Feet Under - Huh!! Rockão querendo sair dos trilhos - e saindo com tudo. A levada da guitarra é contagiante e o resto vai acelerando na pista. Parece um Aero em seus momentos mais velozes e irresponsáveis. E dá-lhe Matt Sorum! Coitada da bateria...!
(Warner/1972)
O velho "Cabeça de Máquina" do Deep Purple sempre foi um dos meus discos favoritos desde que comecei a ouvir rock and roll. E não era só por causa de Smoke On The Water não. O disco flagrava um Purple inspirado como nunca, tecnicamente no auge e com a formação ainda toda original. Por algum capricho dos Deuses do Rock'n'Roll, respondiam pela mesma banda, Ian Paice (bateria), Roger Glover (baixo), Jon Lord (teclados), Ian Gillian (vocal) e o lorde sith Ritchie Blackmore (guitarra... e que guitarra). Agora imagine esse dream team em plena sintonia, cúmplices no improviso e equiparáveis em talento natural e conhecimento técnico sobre seus instrumentos e seus respectivos lugares dentro do espírito da banda.
Eu costumava traçar paralelos entre os três maiores grupos de rock da época, que eram o Purple, o Black Sabbath e o Led Zeppelin. Em termos místicos e metafísicos (hehe) eles eram correspondentes, mas em termos de técnica musical fluída, o Purple levava a coroa (mesmo porquê, tem a questão do estilo deles, que "pede" mais do que o estilo das outras, etc). O fato é que Machine Head foi concebido numa era em que os músicos de rock eram valorizados acima de tudo pelo seu talento. Hoje em dia, p.ex., ninguém diz "nossa, o guitarrista do Creed toca muito" ou "caramba, o baterista do Nickelback é demais". Ou seja, a "identidade rock" de hoje está mais pra imagem do que para o reconhecimento artístico, infelizmente.
Sempre ouvi Machine Head. É um dos meus discos de cabeceira. Mas ultimamente tenho ouvindo mais do que de costume, pois só agora tive acesso ao excepcional trabalho de remasterização feito em 1998, em comemoração aos 25 anos do clássico. A qualidade é fora-de-série. Dá pra ouvir os caras marcando o tempo ao fundo, aqueles "yeah" discretos do Gillian em algumas passagens, alguns reverbers de guitarra e do pedal de distorção do teclado, e até uns "one, two, three, four" antes da introdução. Parece mesmo que a banda está ensaiando bem ao lado. É incrível como conseguiram melhorar ainda mais uma obra que já era (quase) perfeita.
Cara, Deep Purple é som de macho. Som de Hell Angel bebendo cerveja com uma groupie esperando na garupa da Harley. O Purple tocando é o mesmo que uma sinfonia de motores V8 roncando.
Eu ia colocar Highway Star, mas se ignorasse Smoke On The Water, Frank Zappa iria me atormentar até o fim dos meus dias. Aquele maldito estúpido com um lança-chamas...
dogg haley and his comets
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domingo, 6 de junho de 2004
"...SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS!"


Odeio me flagrar tendo uma atitude idealista de araque. Dá pra sentir até aquela boina com uma estrelinha vermelha enfiada na cabeça. O próprio Che de final de semana. Só que às vezes não consigo me render ao capitalismo selvagem e simplesmente viro as costas (ainda que esteja devorando um Big Mac® com Coca-Cola®). É justamente como eu me senti quanto à infame versão lusa do Rock In Rio, um desserviço à preservação do amor à pátria amada, devidamente coroada pelo nosso ministro da Cultura - que também tocou lá. Eu já conhecia muito bem a mania do Roberto Medina de vender a alma ao diabo pela enésima vez, afinal, como se explicaria Sandy & Junior, Britney Spears e atrocidades afins na 3ª edição do festival...? Mas pior que isso foi ver o Medina vender a alma aos portugueses. Rock in RIO em... LISBOA?! Prestigiar um festival nosso feito em outro país?! Tô fora. E outra: quem no mundo tem interesse em conhecer uma banda chamada "Xutos & Pontapés"? Fala sério, seu Joaquim. Isso foi demais pra minha pobre cabecinha headbanger e, revoltado, pensei em me alistar no exército Zapatista ou então nas FARC.

A ficha demorou bastante pra cair dessa vez. Quando assisti um pedaço do show do Evanescence que passou na Rede Globo, fiquei impressionado e logo quis estar do "lado direito" do Atlântico. Eu já vi vários shows deles, mas este foi especial. As dimensões do local eram muito desproporcionais à proposta da banda, que funciona bem melhor em um lugar pequeno, como um ginásio ou mesmo um pub. Na vastidão daquela arena, o som se desvanescia (consegui, hohoho), principalmente pra quem estava lá atrás.
Mesmo assim, com o auxílio de alguns playbacks, o Evanescence revelou uma front-woman que é um verdadeiro paradoxo: do "alto" de seus 1,63m de altura, Amy Lee mandou ver numa performance arrebatadora, que de quixotesca não teve nada. Ela venceu aquele jogo praticamente sozinha. Cantou, correu, agitou, se esgoelou, tocou soberbamente um piano de cauda e ainda arrumou tempo para exibir uma sensualidade estonteante. E que olhos, meu Deus... (será que eles brilham no escuro?)
Já o restante da banda era só... restante. Nem dava pra notar a presença de alguém ali. Parecem aquelas orquestras que ficam escondidas embaixo do palco.

No final, suspirei profundamente, deitei no sofá e assisti à reprise do Gilberto Gil. Causa? Que causa? Anarquistas, graças a Deus.
MÚSICA P/ DESABAMENTOS



Deuses do Rock sessentista como Jimi Hendrix, Cream e Blue Cheer, entre outros, já encerraram as atividades há muito tempo, mas o seu legado ecoa até hoje. E as bandas do chamado Stoner Rock, estão aí pra confirmar. A primeira referência para esse estilo são as bandas citadas aí em cima que, aliás, inseriram o conceito do power-trio no rock - baixo/guitarra/bateria a serviço de um som sujão, ultra-distorcido e "viajante" (ou stoned, gíria pra chapado e origem do neologismo "stoner"). Lisergia total. Mas a inspiração do stoner não parou por aí e ainda abraçou o que os anos 70 tiveram a oferecer - e como...! Bandas emblemáticas do rock setentista, como Led Zeppelin, Deep Purple, Motörhead, Thin Lizzy, Jethro Tull, Free, Mountain, AC/DC e, principalmente, Black Sabbath forneceram a matéria prima para o estilo.

Os Cavaleiros do Sabá Negro. Quem diria que Ozzy faria um reality show...
Mas quem pensa que esse revival começou com o grande Queens Of The Stone Age, calma lá. A coisa toda começou lá atrás, no início dos anos 90, com o pessoal de Seattle ou, mais precisamente, com o famigerado grunge. Muitas das bandas que estouraram naquele movimento já tinham muitos anos de estrada e, não raro, vários discos lançados. Soundgarden, Screaming Trees, The Melvins e mais uma batelada de grupos já eram putas velhíssimas, enquanto o Nirvana, Pearl Jam e Alice In Chains ainda estavam choramingando no berçário.

É só ligar a Harley Davidson e pegar a Rota 66
Dessas todas, a que mais se aproximava do que viria a ser o stoner rock era o Soundgarden (banda do Chris Cornell, atual Audioslave). Essa banda alcançou o sucesso um pouco mais tarde que seus conterrâneos de Seattle. Mainstream pra eles, só em 94, com o multi-platinado Superunknown. Mas, na minha opinião, o verdadeiro Soundgarden está no disco anterior, Badmotorfinger, de 1991, esse sim, uma paulada tipicamente stoner. Ouça preciosidades como Outshined, Rust Cage ou Jesus Christ Pose no volume 10 e sinta o chão tremer como se um T.Rex estivesse se aproximando à mil por hora.

Mais influente que o monolito negro, do filme 2001
Um ano depois, em 92, mais um disco simplesmente memorável, Blues For The Red Sun, da banda californiana Kyuss (embrião do QOTSA e de boa parte da cena). Era Nick Oliveri (baixo), Josh Homme (guitarra), Brant Bjork (bateria) e John Garcia (vocais), todos por volta dos 16/17, na época. Pra se ter uma idéia das experimentações dos caras, a guitarra era plugada num amplificador de baixo, com a afinação mais grave possível. Parecia o ronco enfurecido de um V8. O efeito era digno de um terremoto, alterava até o batimento cardíaco. Mais outra moda stoner inaugurada pelos caras: festas regadas à muito álcool (e outros "aperitivos") em pleno deserto californiano, onde eles, com auxílio de geradores, tocavam por horas e horas sem parar. Kyuss era isso aí, pra ouvir em alto e bom som, de preferência, com os olhos fechados (o mundo seria perfeito se desse pra dirigir de olhos fechados).
O Kyuss acabou cedo, em 95, e os estilhaços formaram as galáxias e os planetas do universo stoner. Das bandas diretamente ligadas ao Kyuss, estão o Fu Manchu, Slo Burn, Unida, Che, Brant Bjork & The Operators e, agora sim, o Queens Of The Stone Age, que herdou Josh Homme e Nick Oliveri - aquele cara que ficou peladão no palco do Rock In Rio 3. O QOTSA é, de uma certa forma, uma versão mais polida do Kyuss, sem o lado lisérgico e experimental, mas mesmo assim, é uma puta banda (meu disco preferido dos caras é o Songs For The Deaf, o mais recente).


O bom e o mal. Ambos são feios.
Outro grupo digno de nota é o Monster Magnet, do malucão Dave Wyndorf. Hoje, a banda é meio como um artigo de luxo na cena stoner, transitando entre o industrial, uma certa nuance pop e o stoner. Pra quem quer conhecer o MM atual, recomendo o excelente disco Powertrip, de 98 e presença constante no seleto Top5 at your left. Já para conhecer a pré-história do MM, pode ir de Spine Of God e que a Força esteja com você. Esse disco, de 92 (o ano do stoner!), subverte a rifferama do Black Sabbath e é uma das wild trips mais singulares do rock. Tem até um solo de bateria no meio, ao melhor estilo In-A-Gadda-Da-Vida (do também seminal Iron Butterfly).
Nessa linha, vale à pena conhecer também o Orange Goblin, Spiritual Beggars, Nebula e Corrosion Of Conformity, que são ótimas bandas e mandam ver num som pauleiríssimo, e sem chance alguma de rolar nas FMs (isso é um elogio!).
Até algumas figuras da cena metal têm se rendido ao estilo, como Phil Anselmo (ex-Pantera), que formou o Down - que, embora não seja exatamente stoner, tem muitos elementos dele. O ex-Napalm Death Lee Dorrian também é uma referência na cena, visto que sua banda Cathedral, há muito tempo saiu do doom metal que praticava no começo, para um som bem mais "sabbático", obviamente mais próximo do stoner. Aliás, no álbum The Carnival Bizarre, a banda contou com ninguém menos que Tony Iommi, tocando guitarra na música Utopian Blaster. Reverência maior, impossível.
O onipresente Dave Grohl também embarcou de cabeça no estilo, já que seu projeto paralelo Probot é predominantemente stoner. Pra arrematar qualquer dúvida, é só lembrar dos convidados presentes no disco de estréia - gente do porte de Lemmy, Mike Dean (do Corrosion Of Conformity), Eric Wagner (do Trouble), Kurt Bretch (do D.R.I.), além do próprio Lee Dorrian, entre outros.

Firebird é retrô até na capa
Outro caso parecido é o do ex-Carcass Bill Steer, que formou o excelente Firebird. A banda segue à risca o esquema dos power-trios sessentistas, desde a formação propriamente dita (ele, Ludwig Witt, do Spiritual Beggars e Leo Smee, do Cathedral - timaço), até o visual, como visto nessa capa aí, do álbum Deluxe (o 2º, de 2001). O som é um primor de blues rock deliciosamente distorcido, mas com um certo apuro instrumental em relação aos demais. Aqui, o som é muito bem executado, lembrando por vezes os devaneios instrumentais do Deep Purple (em especial, do álbum Purplendicular). Conheci a banda através de um cover de Working Man, do Rush, que estava disponível nesse site. Pena que apagaram o arquivo (mas vale conferir a info que ficou). De qualquer forma, não se deixe abater e faça como este que vos escreve. Caçe essa banda no DC++, e-Mule, ou qualquer outro compartilhador desses, mas passe à quilômetros de distância dos KaZaAs da vida (lá só tem de Britney Spears pra baixo). Vale (muito) à pena, se você curtir esse estilo.
Em tempo: o Rush (banda-tia do stoner) adicionou a música Summertime Blues, de Eddie Cochran e imortalizada pelo Blue Cheer (banda-bisavó do stoner), no set-list do seu novo álbum, Feedback (só de covers). Clique aqui pra conferir um trecho (ficou bem mais pesada que a original, claro).
Além dos links que passei (os sublinhados não foram porque achei bonitinho não), é parada obrigatória também o Planeta Stoner, o melhor site dedicado ao estilo no Brasil. Essa matéria, da central rock Whiplash, também ficou muito boa, bem esclarecedora para iniciantes.
Outra coisa, o stoner sempre caminhou lado a lado (mas sem boiolagem) com o gothic e o já citado doom metal. À primeira ouvida, parece tudo a mesma coisa, mas para o ouvido treinado é quase uma blasfêmia proferir tal afirmação. Doom é pesadaço e arrastado, gothic é... gótico e depressivo e stoner é isso tudo, só que cheio de marijüana, e todos os três nem sonhariam em existir se não fosse o Black Sabbath. Pra saber diferenciá-los "profissionalmente", recomendo essa excelente matéria, onde Jorge Vitzac destrincha legal toda essa viagem lisérgica e incandescente. Pra visitar tomando uma cerva trincando de gelada.
Post ao som de Kyuss, Firebird, Helmet e Black Sabbath - e haja café!!
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