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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

The Smashing Corgan


Há algum tempo acompanho o conteúdo do Track Star* – tenho um fraco pela premissa do cabra-cega musical. Conspiram a favor do canal a dinâmica enxuta, a seleção diversificada de gêneros e um entrevistador não-pentelho que sabe ouvir, pra variar. E essa edição com o Billy Corgan é um escândalo de boa.

Corgan – que tem um podcast viciante, The Magnificent Others with Billy Corgan – é franco como uma tijolada. Acerta tudo (menos uma armadilha picareta lá pro final), despeja um conhecimento histórico-musical absurdo, um impagável desdém por New York e sua voracidade hipsterista e uma bagagem de causos sensacionais. E com a moral de ilustrar um deles com um show em que divide o palco com David Bowie...

Imagina se o careca não estivesse mal-humorado.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Let's try to sleep now...


Mark William Lanegan
(1964 - 2022)

Na conta oficial do Twitter, apenas o breve e impessoal aviso de um amigo, apressadamente pedindo respeito à privacidade da família. É inevitável pensar, não tão lá no fundo, "epa, calma aí, amigo... como é que é o negócio?" E pegando no braço, inclusive. Como é que soltam uma dessa, do nada, numa terça-feira qualquer?

Para quem viveu plenamente o rock entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990, o músico, compositor, escritor e espetacular cantor já havia garantido sua cadeira no panteão da música. Seja com o Screaming Trees, nas colaborações com o Queens of the Stone Age, com a Isobel Campbell ou seja na carreira solo com sua discografia estranha, imprevisível e interessantíssima. É uma lenda do rock desde o dia um.

Essa foi pra sumir com o chão abaixo dos pés. Se foi o Mark Lanegan. Numa rara terça-feira qualquer.

sábado, 9 de maio de 2020

Vida Longa ao Arquiteto!


Little Richard pode ter dividido a paternidade/maternidade do Rock and Roll, mas foi ele quem viu primeiro a chance de levar toda a malandragem, safadeza, promiscuidade e, putz, anarquia até os culhões da família, da moral & dos bons costumes. Fãs? Teve alguns. Mas isso não era o mais importante.

Provavelmente sem perceber, ele deu a Deus e o mundo a matéria-prima inesgotável do rock e do pop até os dias de hoje. Little foi grande assim.

E como ainda não inventaram um termo à altura para agradecê-lo, nada como recorrer a um que ele mesmo inventou:

A-WOP-BOP-A-LOO-BOP-A-WOP-BAM-BOOM!


Thank you for everything, Little Richard!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cães velhos merecem o céu


Steven Gene Wold, vulgo Seasick Steve, aprendeu a tocar guitarra aos oito anos de idade. Quem ensinou foi o bluesman K.C. Douglas, que fazia um bico na oficina de seu avô. Aos 13 fugiu de casa - e dos maus-tratos que sofria do padrasto - e caiu na estrada. Pegou muita carona, viajou como clandestino em trens, conheceu o Mississippi, o Tennessee e Deus sabe mais onde. Viveu muitos anos como sem-teto, comeu muita poeira. Virou um hobo: migrava pelo interior atrás de emprego, trabalhando sazonalmente em fazendas. Depois sumia no mundo de novo, evaporando por longos períodos.

Emergiu nos anos 60, em meio à efervescência blueseira e psicodélica de São Francisco. Tocou com vários artistas da cena independente. Foi músico de rua em Paris. Em 2001, morando na Noruega, lançou seu 1º disco, como Seasick Steve & The Level Devils. Em 2006 veio o primeiro álbum solo.

You Can't Teach an Old Dog New Tricks já é seu quarto álbum e, pra mim, um dos melhores de 2011. Na bateria está o figuraça Dan Magnusson (parece roadie do ZZ Top, como o próprio Steve) e nas quatro cordas um ilustre senhor de nome John Paul Jones. É um discaço de country 'n' blues com os dois pés fincados na garagem - vide a cigar box guitar zoadaça construída por Steve - e recheado de slides insanos e boogies deliciosos. Ora melancólico, como na abertura "Treasures", ora rasgado e frenético como em "Days Gone", mas sempre carregado com um groove blueseiro irresistível. Sob medida para as melhores espeluncas de beira de estrada.

Na última faixa, "Levee Camp Blues (Write Me A Few Of Your Lines)", Steve deixa de lado os instrumentos e desfia um tostão da sua vida louca vida. Fantástico.


Steve tem estado em alta na Inglaterra desde sua aparição no programa do Jools Holland. Tem sido redescoberto na América também, inclusive com dois terços do Them Crooked Vultures lhe pagando tributo e servindo de banda de apoio. Merecido é pouco.

segunda-feira, 3 de março de 2008


Cedo, cedo demais. E 2008 segue, muito mais triste.

Em algum lugar, aquela jam com Stevie Ray Vaughan está rolando de novo, neste exato momento.


Obrigado por tudo, Jeff Healey.

See the light, mr. bluesman.