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segunda-feira, 31 de agosto de 2020

😷 😷 😷 😷 😷 😷 Retrospec Agosto/2020 😷 😷 😷 😷 😷 😷


1/8¹ – Atire a 1ª pedra quem nunca entrou no Mercenários Livres pra seguir negociação de comprador marrento com vendedor mais marrento ainda.


1/8² – Se vai Wilford Brimley, aos 85. O ator e cantor americano iniciou a carreira quando voltou da Guerra da Coreia trabalhando como extra e dublê em faroestes. Suas participações no seriado Os Waltons lhe rendeu certa fama nos anos 1970, mas Brimley ficou conhecido mesmo como o biólogo Blair, de O Enigma de Outro Mundo, como o simpático avozão Benjamin, de Cocoon, e, claro, com os comerciais da aveia Quaker (acho que chegaram a ser veiculados aqui, se não me falha a memória). Grande veterano.

Reni Santoni passed away yesterday morning. April 21, 1939-August 1, 2020. He had been sick for quite a while. Those of...
Publicado por Tracy Newman em Domingo, 2 de agosto de 2020

1/8³Se vai Reni Santoni, aos 81. A carreira do ator nova-iorquino começou na década de 1960, nos teatros off-Broadway. Entre papéis não-creditados, extras e dublagens, a extensa trajetória de Santoni no cinema e na TV era algo errática, mas certamente ninguém vai se esquecer de personagens como o certinho Inspetor Chico Gonzalez (o 1º parceiro do Dirty Harry – e ele sobrevive!), o Sargento Tony Gonzales (o parceiro do Stallone Cobra – e ele novamente sobrevive!!) e, meu predileto, o impagável chef "Poppie", de Seinfeld.

3/8DComposição é o nome bolado pela Panini para a (boa) série DCeased. Se saíram bem. Achei que viriam com um DCaídos ou um DCrépitos.

O homem branco quer brincar? Kriança Índia é o primeiro quadrinho do selo de independentes da Guará, que será lançado...
Publicado por Guará em Terça-feira, 4 de agosto de 2020

4/8¹Kriança Índia: Morte ao Invasor!, de Rafa Campos e Álvaro Maia é o ebook de estreia do selo indie Guará. Pelas prévias, os perrengues florestais de Amargo Pesadelo e O Confronto Final serão um passeio no parque perto das travessuras dessa kriança pra cima do homem branco lazarento que devasta a Amazônia. Disponível no site da Guará e via Amazon, claro.


4/8²Revelado o design dos personagens de Invincible, a série animada da Amazon Prime baseada na sensacional HQ de Robert Kirkman e Cory Walker. Visualmente parece bem fiel. Mas será realmente fiel?


5/8Se vai Gésio Amadeu, aos 73, em decorrência da COVID-19. O ator mineiro fez muito sucesso na noveleta Chiquititas (1997), do SBT, e no Sítio do Picapau Amarelo (versão 2007), da Globo, mas já era bem conhecido pelos telespectadores mais velhos. Sua lista de trabalhos no teatro, na TV e no cinema é prolífica – da mesma forma que a quantidade de personagens subalternos e/ou escravos em novelas de época. Um retrato literal da nossa realidade.

6/8¹John Wick 5 é confirmado pela Lionsgate, mas não só: ele será filmado simultaneamente com o 4º filme da franquia. A notícia ruim é que o quarto filme só estreia no longínquo 27 de maio de 2022.

6/8² – Não teve Crivella, mas teve choro e vela: Hulkling e Wiccano se casam nos gibis. :´)

6/8³James Hong, o Lo Pan, finalmente vai ganhar uma estrela na Calçada da Fama. Isso graças a um GoFundMe que abriram pra ele. E assim fiquei sabendo que se paga para ter uma estrela na Calçada da Fama.

6/84Ed Brubaker e Sean Phillips, uma das melhores e mais produtivas duplas dos quadrinhos da atualidade (e criminosamente ignorada pelas editoras nacionais), estão com projeto novo na praça gringa: Reckless, uma série de três graphic novels autocontidas. Climão pulp, misterioso e violento da melhor qualidade.

6/85 – Após 18 anos fora de catálogo, o supergrupo Gen¹³ terá suas primeiras histórias republicadas num HC Deluxe. Alguém avise à Fairchild que as coisas mudaram um pouquinho de lá pra cá...


8/8Se vai Chica Xavier, aos 88. A atriz e produtora soteropolitana com extensa carreira no teatro, na TV e no cinema era uma das profissionais mais queridas e respeitadas do meio. Atuando desde 1956, Xavier figurou em um sem número de novelas, muitas delas personificando a realidade histórica sofrida dos afrobrasileiros, em papéis de empregadas domésticas (ou, quando muito, governantas) e de escravas – abrindo assim o caminho para muitos atores e atrizes que vieram depois, em condições infinitamente melhores. Da mesma forma que Gésio Amadeu, um símbolo do racismo estrutural ainda hoje impregnado na sociedade.


9/8¹Se vai Martin Birch, aos 71. O lendário produtor e engenheiro de som começou a carreira em 1969 já trabalhando em álbuns antológicos do Deep Purple, Jeff Beck e Fleetwood Mac. A quantidade de clássicos do rock produzidos pelo britânico é incomparável: Killers, The Number of the Beast, Stormbringer, Rising, Long Live Rock 'n' Roll, Snakebite, Heaven and Hell, Mob Rules... Sem dúvida, um nome que mudou o jogo e foi essencial para definir o hard rock e o heavy metal das décadas de 1970 e 1980.

New - Immortal Hulk cover
Publicado por Alex Ross em Domingo, 9 de agosto de 2020

9/8² – Enquanto isso, em The Immortal Hulk, Alex Ross elimina Boris Karloff do sistema e injeta uma Benzetacil de Sal Buscema.

10/8Reestruturação na WarnerMedia acerta em cheio o staff da DC: divisões como DC Direct (de colecionáveis) e DC Universe (streaming) sendo extintas e mais de 600 demissões em todos os escalões, só pra começar. A notícia causa uma celeuma sem precedentes no mundo nerd e, confesso, dá mesmo um frio na barriga. Ainda bem que na época da falência da Marvel, em 1996, a internet ainda era de várzea. Do contrário, seria trauma na certa.

11/8¹John Stephens, CFO da AT&T, tentou acalmar os nerds acionistas e declarou que as medidas não eram para ajustar algo, mas para "refocar" a companhia e deixá-la "super-hiper-focada" (eitaporra) no streaming direto ao consumidor via HBO Max, da qual babou um ovo colossal. Pelo visto, gibizinhos são a menor das preocupações no topo da pirâmide.


11/8²ESSA COLEÇÃO.




11/8³ – Se vai Trinidad López III, o Trini Lopez, aos 83, por complicações relacionadas à COVID-19. O guitarrista, cantor e ator texano foi ficou eternizado em pop songs dançantes como "If I Had a Hammer", "Lemon Tree" e sua versão da clássica "La Bamba", entre outras. Lopez também criou o design de dois modelos das guitarras Gibson - uma delas, aliás, a favorita do Dave Grohl. Um dos últimos grandes ícones da Era de Ouro da música pop.

11/84 – O Ministro da Economia Paulo Guedes quer taxar livros em 12% na reforma tributária. Segundo ele, livros são produtos de elite e que, para compensar a taxação, o governo pode aumentar o valor do Bolsa Família ou criar um programa para doação de livros. E o link para a petição online contra esta tributação absurda está aqui.

11/85 – Há tempos não leio nada do Savage Dragon (adorava) e sei que nem de longe é o favorito da molecada acima dos 30, mas a edição #252 (!) tem contornos de imperdível, hm?

12/8¹ – E Ken Parker? Continua sendo lançado pelo CLUQ. Vendas via e-mail, ao preço de 95 centavos por página. Ê, Brasil.

An open letter to Avatar: The Last Airbender fans: Many of you have been asking me for updates about the Avatar...
Publicado por Michael Dante DiMartino em Quarta-feira, 12 de agosto de 2020

12/8²Avatar - The Last Airbender retornando via Netflix. Parecia um sonho, até que os criadores Michael Dante DiMartino e Bryan Konietzko sartaram do projeto, já em produção. Sinal claro de que dificilmente algo que preste sairá dali...

13/8¹ – O governo federal assume a gestão da Cinemateca e todos os funcionários são demitidos. As chaves da instituição, conforme ofício, serão entregues ao atual secretário da cultura Mário Frias. É, pois é.

Futuro dos shows? 🎤🎸Assim foi o primeiro de uma série de shows com distanciamento social num parque de Newcastle, Reino...
Publicado por BBC News Brasil em Quinta-feira, 13 de agosto de 2020

13/8²Coronanews: show do cantor Sam Fender (?) em Newcastle (UK) com o público diligentemente distribuído em grupinhos. Ainda não foi divulgado como serão o mosh e o stage dive nessa configuração. Mais notícias em breve.

13/8³ – Quanto mais Torpedo melhor: desta vez é o Catarse de Torpedo 1972, de Enrique Sánchez Abulí e Eduardo Risso, via JBraga Comunicação. O precinho é que ficou meio salgado para 64 páginas, mas é o Old Man Luca Torelli, meu!

14/8¹Twilight of the Superheroes foi uma maxissérie planejada por Alan Moore em 1987 onde ele mostraria como será o fim do Universo DC. Nunca foi publicada, mas o texto na íntegra será resgatado em DC Through the ’80s: The End of Eras, coleção de histórias pré-Crise com lançamento previsto para dezembro. É a lixeira do Alan Moore operando a todo vapor!

14/8² – O tsunami provocado pelo banho de sangue na WarnerMedia chega à DC e alguns títulos já cantaram pra subir: Hawkman, Suicide Squad (!), Teen Titans, Young Justice e John Constantine: Hellblazer.


14/8³Se vai Pete Way, aos 69. Para quem acompanha o hard e o heavy clássico da safra 1970/1980, a carreira do baixista, compositor e cantor britânico é um must hear. Além de ser membro fundador do espetacular UFO, do divertido Fastway (no qual, ironicamente, não gravou nada, devido a amarras contratuais) e do Waysted, também figurou na banda do Ozzy (ao vivo) e em dois discos do Michael Schenker. Uma lenda do rock.

14/84 – O artista, editor e ainda executivo da DC Jim Lee diz que a "companhia ainda está no ramo de publicação de quadrinhos" e que "não há notícias sobre lápis no chão". Daria um belo músico no Titanic.

Novos trabalhos sendo preparados! Quem aí gosta da Marvel? Novos lançamentos em breve! Fiquem ligados :) . ✈ Frete...
Publicado por Editora Heroica em Sexta-feira, 14 de agosto de 2020

14/85 – A Editora Heroica – do excelente O Império dos Gibis – publicou um teaser tesudo em sua página no Facebook. Se é o que estou pensando, um livro vai ser pouco.

14/85 – Então... Wolverine #4 confirma que o Carcaju realmente marcou território no capacete do Magneto. Golden shower por tabela pra cima do Mestre do Magnetismo!

15/8George R. R. Martin avisa que voltou a escrever. Aham, Cersei, senta lá.

18/8¹Festival de Volta para o Cinema é novo projeto do Érico Borgo. Talvez dê uma passadinha por lá, logo depois de pegar um ônibus lotado, encher a lata nos botecos mais pés sujos da cidade, curtir um baile funk clandestino e, no fim, dar uma cavernosa tossida no rosto do ex-omeleteiro.


18/8² – A DarkSide Books empala o festival supracitado com elegância singular. E a hash #nãomecovid é ótima!

18/8³O Exorcista está nos planos da produtora Morgan Creek para um reboot em 2021. Ah, pelo amor de Deus.

Batman: A Queda do Morcego n° 1/2 (Panini) 2020 8) Tamanho diferente dos volumes ERRO PONTUAL. NÃO ESTÁ PRESENTE EM...
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Quinta-feira, 20 de agosto de 2020

20/8¹ – A Paninada come bonita nos volumes de Batman: A Queda do Morcego. A esta altura, já são praticamente Batmimos. Vacilo mesmo foi lá atrás, na reunião de pauta: a editora publicou os TPBs que a DC lançou em 2012, com a saga severamente incompleta, quando poderia ter adaptado os Omnibus 2017-2018 ou as edições de aniversário de 25 anos, ambas com A Queda na íntegra. Sairia mais caro, mas venderia mais que pãozinho quente.

20/8² – Era uma questão de tempo: Michael Keaton vestirá novamente o manto do Morcego em The Flash, com estreia prevista para junho de 2022. Ah, sim... Ben Affleck também voltará como o Bátima-que-Mata no mesmo filme.


20/8³Se vai Frankie Banali, aos 68. O renomado baterista gravou com várias bandas (incluindo oito discos do W.A.S.P.), mas foi com o Quiet Riot que fez fama – e muita grana. Eram notórias sua cortesia e elegância não apenas com o público, mas também no meio profissional. Foi o único integrante do Quiet a não agir como um imbecil durante a turnê do grupo por aqui em 1985. Além disso, também era conhecido por seu ativismo no resgate de animais abandonados. Rest in peace, Banali!

22/8John Carpenter está envolvido no reboot de O Enigma de Outro Mundo via Universal/Blumhouse. A nova produção irá adaptar Frozen Hell, a versão expandida recém descoberta do conto Who Goes There?, de John W. Campbell Jr., no qual foi baseado o clássico de 1982. Soa promissor, mas, parafraseando Regina Duarte, eu tenho medo...

Darkseid carpindo um lote de tomatinhos é dark, adulto e vizyonário! <3 #SnyderCut
Publicado por Cantinho do Caio em Domingo, 23 de agosto de 2020

23/8Caio Oliveira também é vizyonário.


26/8 – Se vai Joe Ruby, aos 87. O veterano animador, editor, roteirista e produtor televisivo começou sua carreira direto na fonte: no departamento de animação da Walt Disney na década de 1950. Trabalhou na Hanna-Barbera, onde conheceu Ken Spears e juntos criaram a famosa Ruby-Spears Productions, umas das maiores fornecedoras de matéria-prima das "manhãs de sábado" na História. Ruby é conhecido como co-criador do Scooby-Doo, mas sua lista de desenhos antológicos vai muito além – de Bicudo o Lobisomem, Tutubarão, Dinamite o Bionicão e Thundarr o Bárbaro às séries adaptando O Homem-Elástico e Super-Homem, entre uma infinidade de outros. Quem está na casa dos 40 cresceu assistindo o trabalho de Ruby. Gênio.


27/8¹ – Se vai Arnaldo Saccomani, aos 71. O produtor, compositor e multi-instrumentista paulista ficou famoso no Brasil inteiro como o "jurado ranzinza" em programas do SBT – dos divertidos Astros e Ídolos a tranqueiras abomináveis como Qual É o seu Talento? e Programa do Ratinho. Mas sua carreira dentro da música é uma extensa turnê pelo pop brasileiro dos últimos 50 anos. Fácil, um dos nomes mais importantes e influentes da cultura nacional.

27/8² – A franquia Resident Evil vai ganhar uma série live action via Netflix. Em teoria, é uma puta ideia. Se a ex-adorada plataforma de streaming colaborar...


27/8³Jim Starlin apresenta um vilão bastante peculiar para a nova HQ Dreadstar Returns – e, sem cerimônia, corta o mal pela raiz. E antes que venham os recalques, foi o alaranjado mandatário quem começou...

28/8¹The X-Files: Albuquerque é uma série animada de humor que está sendo desenvolvida pela Fox. Tô dentro. Até hoje me acabo de rir com o impagável The Springfield Files.


28/8² – O desenhista Bob McLeod ficou pistola com as adaptações visuais do filme dos Novos Mutantes. E tá errado?


It is with immeasurable grief that we confirm the passing of Chadwick Boseman.⁣ ⁣ Chadwick was diagnosed with stage III...
Publicado por Chadwick Boseman em Sexta-feira, 28 de agosto de 2020

28/8³ – Se vai Chadwick Aaron Boseman, aos 43. O ator californiano ficou eternizado no papel de Pantera Negra no ótimo e histórico filme homônimo. Iniciou a carreira na TV há 17 anos no cinema há apenas 12 anos. Logo na estreia, interpretou Ernie Davis, o primeiro jogador afro-americano de football a conquistar o Troféu Heisman, no filme No Limite: A História de Ernie Davis (2008), dando início a uma sequência de papéis de relevância histórica que se tornou uma constante em sua vida – do famoso Jackie Robinson, o 1º jogador afro-americano de baseball a entrar na Major League (42: A História de uma Lenda, 2013) a James Brown (Get on Up - A História de James Brown, 2014), até o advogado e ativista pelos direitos civis Thurgood Marshall, o 1º afro-americano a integrar a Suprema Corte (Marshall: Igualdade e Justiça, 2017). Mesmo num período notavelmente curto, deixa um gigantesco legado de inspiração, superação e esperança. Quis o destino que Boseman partisse exatamente no Jackie Robinson Day e no dia do aniversário de Jack Kirby, co-criador do Rei T'Challa/Pantera Negra.

30/8Rocky IV vai ganhar um director's cut em sua edição de aniversário de 35 anos, em novembro próximo. Sly não adiantou muito, apenas que não veremos mais o robô do Paulie. Boa!

R.I.P. Chadwick Boseman. Not going to lie, this one was hard to do. (11x17 (28x43cm)watercolor ,colored pencil, airbrush on hot press watercolor paper)
Publicado por Bill Sienkiewicz em Domingo, 30 de agosto de 2020

31/8Bill Sienkiewicz presta uma belíssima homenagem a Chadwick Boseman.


* * * * *


Não é novidade que 2020 tem sido um ano pavoroso, mas agosto superou todas as expectativas negativas. Um mês que começa horrivelmente, transcorre de forma desumana e termina melancolicamente com a partida prematura de Boseman. Só que o mesmo Boseman, com seu exemplo de tenacidade, trabalho e coração, ainda teima em nos fazer acreditar em dias melhores. E, quem sabe, a sermos humanos melhores também.

#WakandaForever

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Operação Resgate

Na Antártida ninguém vai ouvir você gritar.






Já tem um bom tempo desde... o último O.R. foi o quê? ...caramba, foi aquele do Danzig, há 1 ano atrás. Se bem que o Fivo, meio que inadvertidamente, manteve a adoração por estas velharias em textos como este, este e este (justamente a trinca de estréia do Lost boy por estas bandas!). De qualquer forma, este é o primeiro de uma série sobre filmes de terror que pretendo iniciar aqui. Embora esses filmes tenham conservado aquele charme irresistível que os tornaram memoráveis, muitos deles envelheceram bastante. Já outros, passaram ilesos pelo teste do tempo. Então, nada melhor do que iniciar essa seqüência gore com o assustador O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982), dirigido por um John Carpenter em grande forma e, com certeza, um daqueles momentos atemporais.


Spoilers assembled!


O filme é uma adaptação do conto Who Goes There?, de John W. Campbell Jr. (leia aqui, na íntegra, em inglês), que narrava as mazelas de uma equipe científica na Antártida após a descoberta de uma nave espacial cravada no gelo há cerca de 100.000 anos. Foi a 2ª adaptação, para ser exato, sendo a primeira o sci-fi O Monstro do Ártico, de 1951, um legítimo exemplar da "Era McCarthy" do cinema de ficção (neste mesmo ano estrearam O Homem do Planeta X e o mega-absurdamente-clássico O Dia em que a Terra Parou, ambos com temáticas referenciais bastante próximas). De cara, nota-se que o filme relegou a densa atmosfera psicológica do conto em favor de uma analogia à situação geopolítica da época, notadamente à Guerra Fria e à paranóia anticomunista. Com o segmento da ficção-científica em alta no final dos anos 70/início dos anos 80 (via Alien e Blade Runner), a proposta para uma nova adaptação - que circulava há alguns anos pelos bastidores - começou a ganhar força.

A Universal não teve dúvidas: John Carpenter era a escolha natural para assumir a direção. Egresso de uma ótima e rentável fase (Halloween, Fuga de Nova Iorque), ele despontava como o próximo grande nome do cinema mainstream. Carpenter era dono de um estilo carismático, revezando intensas seqüências de ação com uma forte pegada de horror old shcool. O belíssimo trabalho de adaptação de Bill Lancaster deixou o roteiro sob medida para Carpenter desfiar suas influências de suspense clássico (O Enigma de Outro Mundo tem os climas mais hitchcockianos que Brian De Palma jamais sonhou conceber).

O staff era de primeira, parecia uma conjunção de astros do ramo. A fotografia claustrofóbica e incômoda ficou a cargo de Dean Cundey (que já havia trabalhado com Carpenter, em Fuga de Nova Iorque). A arrepiante trilha incidental era do mestre Ennio Morricone (numa das raras ocasiões em que Carpenter não compôs a trilha do seu próprio filme). Já os efeitos especiais ficaram nas mãos de um dos maiores especialistas de todos os tempos: Rob Bottin, a fera responsável pelos monstrengos do filme Grito de Horror (lançado 1 ano antes e que contém a 2ª melhor transformação de lobisomem da História - assunto pra um outro O.R. desses) e, anos mais tarde, pelo make-up insano do primeiro Robocop (sente o drama).


O filme começava num ritmo pra lá de intrigante, em pleno inverno antártico, sem muitas explicações para os personagens (e muito menos para o espectador!). Em um helicóptero, dois homens armados caçavam implacavelmente um cão da raça husky siberiano, que fugia pela planície congelada. Logo, eles chegam à uma estação de pesquisas norte-americana, a Outpost #31, e o safári termina da pior maneira. O helicóptero explode em um acidente, matando um dos homens. E o outro morre logo em seguida: após acertar um tiro em um integrante da estação, ele é baleado pelo administrador do lugar. Único sobrevivente: o cachorro sortudo.

Após as devidas averiguações, descobre-se que os dois homens pertenciam à uma equipe norueguesa instalada em uma estação próxima. Eles decidem ir à tal estação na tentativa de apurar os fatos. Chegando lá, eles se deparam com um cenário aterrador: vários cadáveres mutilados evidenciavam que o local foi palco de um verdadeiro massacre. Não sobrou ninguém para contar história. Entre documentos e vídeos com registro de atividades, eles também encontram uma criaturinha difícil de descrever. Após uma cena vomitoresca de autópsia capaz de embrulhar o estômago do legista mais calejado, eles chegam à conclusão de que "a coisa" era humana e "com todos os órgãos vitais no lugar". A partir daí, tudo segue, ou tenta seguir, na mais perfeita monotonia de um isolamento sub-zero, quando um incidente ocorre no canil da base. O husky-sobrevivente-siberiano é pego no flagra se revirando pelo avesso e tentando absorver e assimilar os outros cães, quando é sabido que huskies siberianos não têm este mal-hábito. Tudo é resolvido à base do lança-chamas e, com uma análise nos restos mortais, eles começam a decifrar os bizarros acontecimentos.

O organismo não-identificado era capaz de neutralizar e copiar a estrutura celular de qualquer ser vivo à perfeição, com relativa rapidez. Cálculos revelam que a taxa de propagação per capita é extremamente alta, e que o bicho faria um estrago daqueles em um lugar mais pop. Como a Lei de Murphy também tem serviço de entrega na Antártida, a pesquisa nos vídeos da estação norueguesa revela que a equipe de lá encontrou o ser original em um imenso ovni enterrado no gelo - o que eleva a ameaça biológica para ameaça-biológica-com-intelecto-superior-e-conquistadora-de-mundos (um senhor DEFCON 1!). Em hipótese alguma a criatura deveria chegar até uma área povoada (na China então, nem pensar). E outro problema, desta vez iminente: pelos cálculos baseados na rapidez de assimilação, e tempo de exposição ao "cachorro" e à criatura disforme da autópsia, ao menos 1 dos 12 integrantes da equipe já estaria assimilado.

E é aí que O Enigma de Outro Mundo vira futebol-arte, futebol-moleque, maroto e sapeca.


Talvez a maior sacada do filme tenha sido a cuidadosa construção de cada personagem, desde os mais ativos até os mais secundários. A virada sensacional que o roteiro empreende - saindo de um açougue splatter profissional para um horror psicológico tenso até a medula - é capaz de emocionar até o Papa Bento XVI. O filme vira um jogo de gatos e ratos com complexo de perseguição. Todos se acham suspeitos e ninguém quer ficar sozinho com ninguém. Sumiços e sabotagens estratégicas pipocam aqui e acolá, criando uma atmosfera tão surreal de paranóia que só podemos esboçar um sorriso petrificado na tentativa de aliviar a tensão (em vão, é claro).

A força motriz do filme era inegavelmente o carisma do personagens, que encontrava na excelente escalação dos atores um feedback mais que apropriado. Esse é um dos pontos em que a produção lembra bastante Alien, de Ridley Scott. O time era tão carismático quanto o pessoal enclausurado na Nostromo, num ambiente inóspito (em pleno espaço) e também com um alienígena serial-killer à solta. E daquela mesma forma, não existiam protagonistas em uma primeira instância, apenas os que se destacavam com um maior espírito de sobrevivência diante de uma situação de risco em potencial. Mas de uma maneira natural, todos estavam lá em pé de igualdade.

Eis os "doze condenados": o piloto de helicóptero MacReady (um paranóico Kurt Russell, na 2ª de suas quatro parcerias com Carpenter), o chefe de estação Garry (Donald Moffat), o cozinheiro Nauls (o sumido T.K. Carter), o geofísico Norris (Charles Hallahan), o enfezado mecânico Childs (o excelente Keith David, que, anos mais tarde, voltou a enfrentar aliens sob a batuta de Carpenter, no maneiríssimo Eles Vivem), o biólogo-sênior Blair (Wilford Brimley), o mecânico-assistente Palmer (David Clennon), o físico Cooper (Richard A. Dysart), o biólogo-assistente Fuchs (Joel Polis, veterano ator de séries americanas), o meteorologista Bennings (Peter Maloney), o cara-que-cuida-dos-cachorros Clark (Richard Masur, que já atuou em mais filmes do que se imagina) e o rádio-operador Windows (Thomas G. Waites) - nenhum deles exatamente "do mesmo lado".

Muito menos insuspeitos. Norris, por exemplo, protagoniza uma seqüência que é uma baforada criogênica na espinha. Após uma briga, ele perde os sentidos e a equipe tenta reanimá-lo, sem imaginar que ele já estava pra lá de "animado": confira aqui essa singeleza, junto com o story-board (seguido à risca, pelo visto). Esta mesma cena desemboca em um dos momentos mais singulares do cinema fantástico (até hoje inacreditável) - a famosa cena da cabeça se separando do corpo e criando pernas. Rob Bottin é deus! Tudo isso numa época em que o máximo de tecnologia empregada na área não chegava nem perto do que hoje é o famigerado CG.

Esta cena repugnante também revela outras similaridades com Alien. Quando o torso de Norris se abre, lembra bastante os ovos coriáceos do clássico de 79. E afinal, o que é aquela spider-head senão algum "primo" do asqueroso face-hugger? E não pára por aí. As primeiras concepções da arte conceitual revelavam uma criatura quase idêntica, incluindo a relação simbiótica com o hospedeiro. Ainda bem que o bom senso falou mais alto e optou-se por um design não-uniforme (a cria máxima de H.R. Giger ainda hoje é tão influente que chega a representar um bloqueio criativo) - o que modificou até o conceito do filme original, onde a criatura era um praticamente clone do Monstro de Frankenstein.


A saída (genial, diga-se) foi ocultar o monstro até o gran finale, reservando apenas algumas participações esporádicas (e putrefactas), nas quais ele se encarrega de acabar com o apetite de qualquer cidadão. O resultado era uma cruza demoníaca de tudo que o monstro já assimilou em sua extensa carreira (confira na imagem acima e nos story-boards, bem bacanas por sinal).

No final das contas, o que mais prevalece no espectador é a sensação de ter participado de um acampamento de férias no inferno ao lado dos remanescentes da Outpost #31. A intrigante conclusão primava pela incerteza. Com a base em frangalhos, Childs e MacReady, totalmente exaustos e sem nenhum meio de transporte e comunicação, não têm o menor motivo para confiar um no outro. MacReady foi o único que viu a criatura original e sobreviveu, enquanto Childs simplesmente sumiu, só reaparecendo após as explosões que destruíram a estação. Mas, por incrível que pareça, este era o menor dos problemas, afinal o inverno antártico chegava ao seu pico mais rigoroso. Para a criatura (será?) bastava esperar o congelamento iminente e a posterior chegada de uma equipe de resgate. E para o(s?) humano(s?), apenas o fim de uma garrafa de whisky.

O Enigma de Outro Mundo é uma homenagem de John Carpenter à toda a cultura de sci-fi e horror B, e que acabou se tornando um cult absoluto com o passar dos anos. Cult? Sim... quando foi lançado, o filme teve uma péssima recepção do público e principalmente da crítica, que o acusou de ser "exageradamente violento", com efeitos especiais "perturbadores", "imorais" (?) e até mesmo "pornográficos" (!!). Curiosamente, neste mesmo ano, estreava E.T. - O Extra-Terrestre, recebido como uma elogiadíssima diversão para toda a família...


MAS O ENIGMA CONTINUA...


...a começar pelos games! Em 2002, a Computer Artworks lançou um jogo homônimo baseado no filme, para PC, PS-2 e X-Box. A sinopse começava alguns dias após os acontecimentos do filme e a linha básica não poderia ser outra:

"Após misteriosas mortes em uma estação da Antártida, uma equipe de resgate foi enviada para investigar o ocorrido. Naquele ambiente inóspito, eles se deparam com uma estranha forma de vida que assume a aparência das pessoas que mata"... e por aí vai.

Apesar de não ser nenhuma super-produção digital, pessoalmente, muito me agradou. No jogo você comanda o soldado Blake e a missão é descobrir o que aconteceu nas estações norte-americana e norueguesa. Durante o jogo, você vai passando pelos cenários do filme e chega até a encontrar aquele tape que MacReady gravou num momento de desespero. Antes da missão, você escolhe o seu time, dividido entre soldados, engenheiros e médicos. O bacana é que, à medida que o jogo avança e descobre-se a natureza do alien, você tem de manter a confiança dos seus companheiros na sua liderança (tem uma espécie de "confiômetro" que você pode acessar). Caso contrário, eles começam a adotar todo tipo de insubordinação, desde não obedecer ordens diretas e fugirem até tentarem te matar. Nos momentos mais lúgubres e tensos, o jogo lembra a atmosfera horror survivor de Resident Evil/Silent Hill, e na hora do pega-pra-capar a referência imediata é o velho estilão Doom/Quake.




Game bem simples, ótima jogabilidade, gráficos decentes e um climão de terror bem legal. Se quiser experimentar, está disponível nos links a seguir (no Rdsh, sem senha): The Thing - From Another - World (links, obviamente, down).

Requerimentos:

Processor, 4x+ CD-ROM drive, DX8 Compatible Card, 8Mb Video memory, DirectSound8 Compatible Card
Recommended PC System Requirements: 64 MB RAM, 600 Mb HD space, 600Mhz PIII Processor, 4x+ CD-ROM drive, DX8 Compatible Card, 8Mb Video memory, DirectSound8 Compatible Card


Já testei e recomendo!


QUADRINHOS
(como não poderia deixar de ser)


Em 1991, a Dark Horse Comics lançou uma minissérie em duas partes chamada The Thing from Another World (mesmo nome do filme de 1951). A história começa exatamente onde o filme parou, e mostra o que de fato aconteceu com MacReady e Childs após os eventos trágicos da Outpost #31. Quase moribundos diante de uma violenta tempestade, os dois milagrosamente avistam um baleeiro japonês. MacReady apaga e acorda horas depois, na enfermaria do navio. Só então ele fica sabendo que Childs o deixou lá e retornou à estação "para buscar os outros sobreviventes"... Mas não vá tirando conclusões precipitadas, pois a história reserva surpresas pra lá de inesperadas. O ótimo roteiro de Chuck Pfarrer e a belíssima arte pintada de John Higgins garantem a diversão.

No ano seguinte, a Dark Horse voltou a explorar o universo da "Coisa" e publicou uma nova mini, em 4 partes, chamada Climate of Fear. Era uma continuação direta da revista anterior e expandia ainda mais o conceito original. Como é um material que teve pouca repercussão, não vou me ater à muitos detalhes spoilerosos, visto que estes estragariam a experiência de quem não leu a sensacional minissérie de 91. O roteiro de John Arcudi e o traço "McFarlaneano" de Jim Somerville acabam sendo eficientes num contexto geral, mas comparativamente inferior à primeira mini.

Em 1993, mais uma incursão da Dark Horse: Eternal Vows, outra mini em 4 partes, colocou o alien copião pra assombrar uma cidade portuária da Nova Zelândia. O engraçado é que o alien não poderia nem sonhar em chegar à civilização e, no entanto, ele praticamente fixa residência em uma femme-fatale deliciosa, o que deixa a HQ com cara de adaptação do filme A Experiência (aquele com a Natasha Henstridge). Além disso, o suspense/horror de outrora é reduzido ao zero, dando lugar à altas seqüências de ação. Incrivelmente, não é ruim. Mas também não é do mesmo alien que estamos falando aqui. Roteiro de David de Vries e desenhos do furibundo Paul Gulacy.

As minis estão disponíveis para download nos links abaixo (em inglês):

The Thing from Another World
Climate of Fear
Eternal Vows


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Na trilha: 10,000 Days, o novo do Tool.