quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

ESSE É O ESPÍRITO!


Ótimo preview de Batman Begins. Me lembrou bastante a atmosfera lúgubre do curta Dead End. Um dos shots mais bacanas que eu vi até agora. Clique na imagem para aumentar (1024x768).


Thanks a lot, Scarlat Spider... and keep goin'!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005

ELAS ESTÃO DESCONTROLADAS

Especial Mulheres que Amamos


IGNORANCE IS BLISS


"Já viu um coração? Parece um punho banhado em sangue!" - Larry, personagem de Clive Owen descrevendo o amor no filme Closer - Perto Demais (Closer, 2004 e um belo sic pelo subtítulo nacional).

E digo mais... "coração dos outros é terra que ninguém pisa". Mas sim, o amor existe sim, mas esqueça essa besteira de cavalo branco, compreensão à toda prova, ou pior, frases de efeito como "me guardei pra você". Isso é viagem de hippie encharcado de ácido na ressaca do Woodstock. O amor é um turbilhão de empatia, sensações carregadas de frenesi incontrolável, calor humano e sentimentalidades (como bem disse o Arnaldo Antunes). São aspectos quase conceituais, intangíveis, que demandam fé cega imediata por parte do outro, visto que não podemos provar que eles existem. O que nos deixa com o outro aspecto do amor, dessa vez bem mais físico, instintivo e selvagem, que é mais antigo na índole do ser humano, e por isso mesmo mais recorrente, embora muito pouco (ou nada) romântico e idealizado. No fim das contas, "back-to-the-basic". Closer, dirigido pelo veterano Mike Nichols, trata primorosamente de muita coisa, mas o básico instinto é definitivamente a cereja.

Situado em Londres, o filme mostra Dan (Jude Law), um escritor fracassado que escreve obituários de jornal, se envolvendo com Alice (Natalie Portman), uma ex-stripper americana. A princípio é um relacionamento perfeito, até que Dan conhece a fotógrafa Anna (Julia Roberts) e se apaixona, mas é rejeitado. Sem querer, durante uma conversa fake num chat (e existe alguma que não seja?), Dan acaba jogando Anna para os braços do dermatologista Larry. A partir daí, tem início um jogo passional de... hã, encontros e desencontros que, juro por Deus, vai te fazer se enxergar na tela nem que seja por alguns poucos segundos.


Adaptado de uma peça teatral, Closer revela em algumas seqüências a sua verdadeira natureza, visto que é repleto de situações e climas no argumento, suficientes para lavar a alma de qualquer fã de uma boa interpretação. Os diálogos são nada menos que excelentes. Natalie Portman prova pela enésima vez seu talento intrínseco e uma segurança invejável, mesmo em cenas não tão confortáveis assim. É incrível como alguém pode atingir tamanha autenticidade, mesmo com laboratório e outros preparativos. Embora "técnico" demais, seu trabalho foi excepcional e irretocável, sem dúvida. O mesmo não se pode dizer de Julia Roberts, ainda que tenha ela demonstrado uma inegável competência. Sua personagem, Anna, é passiva e emocionalmente contida, o que também é algo difícil de se conseguir sem que pareça mera auto-preservação. Ótima atuação, mas subjetiva por natureza.

E por falar em natureza, Jude Law, embora talentoso, sempre carregou consigo uma aura de arrogância suprema (ecos de Gattaca?), mas aqui ele embalou com uma camada de narcisismo travestido de um providencial romantismo. Dan é o par ideal para as meninas que sublimam o amor e, mais ainda, o sexo. Lembra do que eu escrevi sobre o "cavalo branco" idealizado? Então. Dan é o tipo do sujeito que chega montado em um desses. Mas não... calma aí. Recapitulando, o "cavalo branco" existe sim. Mas como um belo de um símbolo fálico. O que nos leva ao cara que fala tudo o que a gente pensa primeiro antes do glacê: Larry (um espírito-irmão de Frank Mackey, personagem de Tom Cruise em Magnólia). Ele é uma manifestação do id masculino que traz à tona todo o sexismo, perversão, voyerismo, egocentrismo natural, e até uma certa covardia emocional. Essas coisinhas que vivemos tentando reprimir para podermos conviver em sociedade e não voltarmos a morar em cavernas, mas que têm a sua utilidade até hoje.


Fica claro que, após um segundo ato inglório, Larry, que não é nenhum gênio, passou a usar o que tinha em mãos. Algo que ele já tinha desde que nasceu: o conhecimento sobre a natureza masculina, que, por tabela, é o mesmo que ele tem de si. A grosso modo, ele não fez "nada" (fez sim, mas em termos concretos e definitivos não foi nada), apenas deixou que o outro fizesse. Gostaria de resumir esse sentimento primal em apenas uma palavra, mas só consigo lembrar do refrão de uma música do Sepultura (!)... "War for territory". Sem exceções, todos os homens trazem consigo essa informação. Faz parte da nossa natureza, mesmo em alguém supostamente mais "sofisticado" emocionalmente, como Dan. Quanto ao título "ignorance is bliss" (música do Ramones), é auto-explicativo e comparece no filme como uma derrocada por querer saber demais. "O que o coração não vê"... É por aí, temos fraquezas também. E o Larry sabia disso.

Clive Owen... mal posso esperar até a estréia de Sin City.

Mike Nichols fez para a raça masculina o que Nelson Rodrigues fez para a feminina, com direito a finalzinho surpresa. Os homens não prestam, mas a vida é assim mesmo. Mulheres... prometam que não serão tão deslumbradas que a gente promete não manipular tanto pra conseguir o que queremos.

Em tempo, Bebel Gilberto na vernissage foi mesmo um luxo (I got it Fivo!). Mas How Soon Is Now?, dos Smiths, numa boate londrina com certeza faz parte dos meus devaneios mais tolos.

E "Alice Ayres"... "can't take my eyes of you"...


GIRLS JUST WANNA HAVE FUN


''E eis que o Evanescence chega ao seu segundo disco (se não considerarmos o Origin) da mesma forma que o nosso hoje sucateado RPM. Saídos de um sucesso estrondoso, com direito à tema principal em filme hollywoodiano, a banda retarda seu retorno à realidade (o temido 2º disco), com Anywhere but Home, um CD/DVD gravado ao vivo no The Zenith, Paris, e dirigido por Hamish Hamilton. O combo ainda traz um música inédita, Missing, estratégia que deve amenizar um pouco a expectativa dos fãs mundo afora.

O grupo faz um mix de gothic rock, heavy e new metal, com vocais líricos femininos. Mas não se enganem, existem bandas mais precursoras e muito mais eficientes e/ou sofisticadas nesse mesmo contexto musical, como Theatre of Tragedy, Nightwish, Lacuna Coil, After Forever, The Gathering, The Sins of thy Beloved, Nocturne, Within Temptation e Gardens of Gehenna, só pra citar algumas. Mas o mérito maior do Evanescence foi ter criado uma solução mais acessível e pop para um estilo que sempre pediu por isso. Não é para o gosto médio de um fã do Slayer, por exemplo, mas é honesto e tecnicamente bem-resolvido.

Com uma evidente boa performance (= pesada e com espírito de "entrega"), o Evanescence é do tipo que só tem hits no repertório. Isso se nota facilmente pela recepção alucinada do público, que delira em cada virada, cada refrão e, principalmente, cada gesto da vocalista Amy Lee. E em Anywhere But Home, Amy impera. É impressionante a quantidade de garotas gritando "i love you" para a líder do Evanescence. Mas também não é pra menos.


Amy sempre cultivou uma imagem de princesa gótica com espírito livre, sexualidade passional e ambivalente, e uma personalidade soturna e cheia de mistérios (ai), ampliada ainda mais pelas baladonas intimistas levadas no piano de cauda mal-assombrado, como Hello, Breathe No More e, principalmente, My Immortal - essa última rendeu talvez o maior orgasmo coletivo já registrado na História. Mas a parte que eu mais gostei do show foi a execução raçuda de Going Under, não por acaso a música que mais exige o fôlego real de Amy. Aqui não fica funcional a inclusão em demasia de playbacks, então a Amy "tem de fazer o serviço direitinho", e ela o faz, se esgoelando, gemendo e suspirando exausta ao fim de cada falsete. Não sei por quê, mas existe esse sentimento meio sádico por parte do público. A técnica pode ser absurda, mas por si só não resolve. A gente quer é ver os caras dando o sangue lá em cima.

Já os playbacks, eles existem sim, mas inseridos de modo responsável e não chegam a ofuscar o esmero técnico da banda (pô, até o Rush usa playbacks). Na verdade, a maior falha do show ficou por conta da direção e edição do DVD. Eu costumo sempre comparar gravações de performances com dois extremos que conheço. O pior vai para o Live & Loud, do tio Ozzy. Mesmo com uma excelente banda (uma constante na carreira dele), o vídeo foi lotado de overdubs criminosos e cada música executada foi recortada com trechos de vários shows, o que jogou a estabilidade na vala, literalmente. Uma desgraceira de edição de rock. Já o melhor é Cunning Stunts, do Metallica, extremamente bem balanceado entre a funcionalidade da performance instrumental (dá pra ver até as cordas da guitarra tremendo) sem perder a agilidade frenética que se espera desse tipo de show. Anywhere But Home fica bem no meio-termo, com desonroso destaque para os irritantes replays de gestos que permeiam toda a apresentação. Quase um clip longa-metragem da MTV.

Na seção behind the scenes, um pouco da intimidade do pessoal. Fora a bem-vinda olhada no dia-a-dia da Amy (nada daquela Deusa do Caos... Amy é uma menina... toda bobona, muito divertida e desencanada como só uma menina se dá o direito), o que rola são quebradeiras OK em hotéis, bagunças em backstages, passagens de som, fãs enlouquecido(a)s, bunda-lêlês na sacada (não é o apê do Latino), brincadeiras em jammin's despretensiosas, videokês rolando Bring Me to Life, uma bacana seqüência "video-cassetada" durante algumas apresentações... Sim, a banda está curtindo muito tudo isso. Esse é o momento do Evanescence. É aproveitar enquanto a responsa do 2º disco não chega.

Ah sim, tem um cheat no DVD. Na tela de apresentação, pressione a tecla esquerda duas vezes em cima de behind the scenes. Vai aparecer o logotipo da banda no lado esquerdo, e aí é só clicar em cima. O bônus é uma apresentação ao vivo de (adivinha) Bring me to Life.


DEADPOOL TAMBÉM AMA


Algum troglodita já se engraçou pra sua namorada e ela te obrigou a tirar uma satisfação com ele? Não? Coitado... desejo boa sorte. - - Essa pergunta é só pra efeito estatístico pessoal, nada a ver com o resto - -

Tem gente que curte o Homem-Múltiplo, outros o Lobo. Meu personagem favorito nos dias de hoje é o Deadpool. É o que eu mais leio ultimamente em termos de super-herói. Ainda que se pareça demais com o Hitman (que eu me amarro também!), o Deadpool tem algumas idiossincrasias interessantes. Ele não acerta o tempo inteiro e às vezes se mete em umas enrrascadas sinistras. É um anti-herói nato (assassino profissional e mercenário), mesmo assim é impossível não curtir suas ações. Tem coragem para encarar monstros como o Rino ou o Fanático, mas encontra a maior dificuldade para se declarar para sua amada, Siryn, da X-Force.


Na saudosa Marvel 99 foram publicadas as histórias do Deadpool escritas por Joe Kelly e desenhadas por Ed McGuinness. O senso de humor (negro ou apenas espirituoso), a ação poderosa e dinâmica, quase um mangá, e situações inusitadas e desconcertantes lembram muito a dupla Peter David/Chris Cross, nas histórias do Capitão Marvel. Nas edições #3, #4 e #5 de Deadpool (publicadas aqui em M99 #4 e #5), nosso herói tem seu fator de cura danificado após uma missão na Antártida. Como sabemos (sabemos?), o fator de cura é a única coisa que impede o mercenário de morrer de câncer. E qual é a solução? Lê aí, mas adianto que tem algo a ver com um enfezado Incrível Hulk.

Mas a melhor parte é a seqüência final. A resposta... :)

Clique na imagem abaixo. Vai aparecer uma página, escolha a opção de download "FREE", espere a contagem regressiva. Quando acabar, é só baixar.

Link jurássico off, claro, mas ainda dá pra achar por aí!


dogg, ouvindo uma seqüência com Girls, do Beastie Boys, Girls, Girls, Girls, do Motley Crüe, Material Girl, da Madonna, e Eu Gosto é de Mulher, do Ultraje.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2005

OSSOS DO MALDITO OFÍCIO








Fuck me. E não é que Jack Bauer matou mesmo o Chappelle?! Coagido pelo super-terrorista Stephen Saunders, o presidente David Palmer autorizou a execução de Chappelle para evitar que um vírus letal fosse disseminado e vitimasse milhões de cidadãos americanos. Aparentemente, Chappelle, que investigava o fluxo das contas bancárias de Saunders ao redor do globo, atingiu algum ponto sensível no esquema do terrorista. Seja qual for, foi embora com Chappelle, pois nem ele mesmo sabe do que se trata (Nota do "editor" do blog - agora eu já sei do que se trata!).

Ryan Chappelle é (era...) o diretor da CTU e exerceu um papel fundamental nas 3 primeiras temporadas de 24 Hs (até quando não aparecia e era apenas citado). Sisudo, Chappelle mantinha uma frieza inigüalável em momentos pra lá de tensos e críticos, e exigia mesma postura do resto da equipe. Foi isso que triplicou o efeito dramático do ocorrido. Assim que soube por Bauer de sua condição descartável, sua parede de profissionalismo quase desabou. Méritos para a excelente atuação de Paul Schulze (Mutação 2, O Quarto do Pânico), entre o austero e o patético. Mas o pior foi vê-lo indo para o matadouro voluntariamente (como não poderia deixar de ser, pois o algoz era o Jack Bauer... se correr o bicho pega, se ficar...) e resumindo a sua vida antes do inevitável ato final.

Meu amigo... eu não trabalharia na CTU nem que o salário fosse em euro.


O LADO NEGRO DA WANDA






Se elas soubessem aonde essa conversa vai dar...

Eu já comentei aqui sobre o brilhantismo de Brian Michael Bendis em Avengers Disassembled. Foi brilhante mesmo, uma pérola recente. Principalmente por um detalhe que eu não atentei na época. Não sei se foi intencional ou se foi pura felicidade inesperada, mas ele amarrou a série de forma soberba ao apontar a Feiticeira Escarlate como a grande vilã.

Relendo histórias antigas, notei que a Wanda sempre foi dona de um background bastante curioso. Dividida pelo desejo de ser mãe (lembra da analogia que fiz com Grace, de Os Outros?) e seu amor por Visão (que nem é humano, é um sintozóide), fica subentendido num roteiro imaginário o fato dela ter feito escolhas erradas e reprimido as certas - durante anos. Psicologicamente, isso tem o efeito de uma bomba nuclear instável, prestes a explodir à menor pressão. E foi o que aconteceu durante e no final de Disassembled.




Descobrindo por Agatha Harkness que tem um poder praticamente ilimitado

Detalhe: o primeiro exemplo é de 1987 e o segundo de 2000. E não são apenas esses. Várias aventuras e situações decorridas ao longo dos anos revelam que Wanda sempre esteve em contato com um certo "lado negro" (personificado pelas suas frustrações e pela sua incapacidade de dominar todo o seu poder sem enlouquecer no processo) e que algum dia esse caldo ainda ia derramar feio. Parece incrível, mas a impressão é de que tudo isso foi feito já tendo a Feiticeira insana de Disassembled em mente. Agora toda a história antiga que eu leio da Wanda me dá essa sensação de conspiração escarlate.

Loucura, não? Por isso que eu comentei que Bendis foi brilhante em Disassembled. Possivelmente sem querer, ele traçou o perfil psicológico definitivo da Feiticeira e conferiu conhecimento de causa em sentido reverso com um alcance histórico de, no mínimo, 25 anos de roteiros escritos contendo a personagem.

dogg, ouvindo uma mulher interessante cantar.

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

PELAS BARBAS DE AGAMENON!


Eu corri, mas não pude me esconder. Ignorei solenemente a exibição de Mulher-Gato nas telonas, e ainda hoje sou assombrado pelo pôster da cabeçuda sempre que vou à locadora. Como que marcado pela profecia de alguma sacerdotisa da Ilha de Lesbos, acabei sucumbindo após uma sessão protagonizada por uma heroína de histórias em quadrinhos. E se Elektra (2005) não for do mesmo calibre do filme da gatuna, ao menos deve chegar perto.

Nos quadrinhos, Elektra foi concebida por Frank Miller como parte de um processo de reciclagem do herói Demolidor. Com uma origem referencial nada discreta, a relocação da pesada tragédia grega para um ambiente urbano caótico foi um sucesso quase que imediato. Miller já sabia do tesouro que tinha em mãos, e o público rapidamente foi seduzido pela ninja urbana, tanto por seu conteúdo forte quanto pelo fetiche sadomasô imbutido em seu topzinho vermelho. Claro que um fanboy sensato (existe?) tem de perdoar, ou mesmo ignorar, certas liberdades adaptativas. Foi assim com filmes reconhecidamente bons, como Homem-Aranha e X-Men 2. Mas em Elektra esse limite foi (muito) ultrapassado, e não por trazer idéias melhores.

Apesar de ser um spin-off de Demolidor, Elektra traz poucas referências ao filme. Vemos ela ser levada em uma ambulância, morrer e ser ressuscitada por Stick (Terence Stamp, ex-General Zod e uma das únicas coisas que funcionam aqui). Logo, ela é treinada (mais ainda) pelo velho mestre, é mandada embora do templo e vira uma assassina profissional. Numa das "encomendas", ela tem de assassinar Mark Miller (Goran Visnjic) e sua filhinha, Abby (Kirsten Prout). Elektra, apaixonada pelos dois (você me entendeu), se recusa a fazer o serviço e, ao mesmo tempo, tem de enfrentar a ira do famigerado Tentáculo.

Pois é. É isso aí. Fora a grosseira incompatibilidade com o texto original das HQs (principalmente na relação de Elektra com o Tentáculo), o filme não consegue emocionar nem quando se resolve encará-lo como uma aventura de uma personagem X que não seja a Elektra dos quadrinhos. Aí a coisa piora, e fica parecendo uma sessão requentada de Temperatura Máxima (me perdoe a redundância e o trocadilho). O filme demora muito para entrar na ação (sendo que, na parte das "férias" de Elektra, ele dá uma parada quase que catatônica), e quando entra, ela é frouxa, econômica e mal-conduzida. Logo no início, quando Elektra puxa uma sai das costas de um alvo e quase não tem sangue na lâmina, já vi que algo estava muito errado. Aqui também predomina uma certa escassez de idéias. Durante o filme inteiro, os personagens ninja desaparecem como se fossem o Drácula do Gary Oldman, mesmo quando o recurso não é necessário naquele momento.

Fora os óbvios ninjas-padrão, alguns vilões são bem interessantes. O negão Stone parece até o Luke Cage de Azzarello/Corben, e Tattoo (não o da Ilha da Fantasia!) tem um poder tosco mas que rendeu ótimos efeitos. Já a desperdiçada Mary Tifoyd (a delícia Natassia Malthe), além da roupagem totalmente equivocada, ficou relegada a duas míseras frases durante o filme inteiro. E nem vou falar de Kirigi, nos quadrinhos um ninja gigantesco e cavernoso, aqui parecendo um modelo da SP Fashion Week.

Agora, vamos à parte que funciona (uma ou duas peças no motor). Stick num boteco de quinta jogando sinuca que nem o Rui Chapéu e humilhando Elektra com dois ou três movimentos. Igualzinho a revista, pena que dura uns 15 segundos. A Elektra da Jennifer Garner (falsa magra e agradavelmente rebolante) já é habitué dos fanboys cinéfilos. Não lembra em nada a fisionomia simétrica e o ar europeu-cosmopolita da ninja, mas assumiu o fogo e a paixão inatos da personagem, além de ser uma boa atriz com aquele elemento promissor de quem ainda vai ter o seu grande papel. Mesmo limitada por um roteiro tenebroso escrito à três mãos (dos losers Raven Metzner, Zak Penn e Stu Zicherman), Jennifer ironicamente acaba sendo a melhor presença dentro de um filme fraco baseado em sua personagem (até mesmo quando trava diálogos tosquíssimos com o seu interesse romântico).

Mas nada supera o inacreditável embate final. Fazia tempo que eu não assistia um roteiro sendo amarrado tão abruptamente. A impressão que deu era que toda a equipe técnica queria logo terminar tudo aquilo pra poder ir pra casa. Aquela adaga sai deve ter percorrido uns 4.000 metros com barreira até chegar ao seu alvo... putz, nem o poderoso Mjolnir faria igual.


E, retificando, um filme com uma cena dessas não só pode ser ruim como pode ser muito ruim. E dessa vez, nem o Evanescence (que comparece aqui com Breathe No More) deu jeito.

Assista por sua conta e risco, mas se você quer ver assassinas profissionais de verdade, recorra à Beatrix Kiddo ou Nikita.


dogg, pasmo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2005

SE AS MENINAS DO LEBLON NÃO OLHAM MAIS PRA MIM

.::Desafio cinematográfico::.


Que Neo que nada... óculos maneiros são esses aí

Coisa de quem não tem o que fazer (ou o que pensar), sei. Mas, como tudo o que escrevi até hoje por aqui foi nessa base, hey ho let's go. Um quebra entre esses dois iria primar pela incerteza do resultado. Eles são, disparados, os personagens heróicos mais 'mandrakes' do cinema (talvez caiba aí a inserção do Ethan Hunt também). Ou seja, eles conseguem tirar da cartola a melhor - e a mais improvável - solução para qualquer problema. Eles são mestres absolutos em todas as técnicas de luta, até as inexistentes. A todo momento, desafiam as leis da gravidade e da física. Encaram verdadeiros exércitos de guerreiros sobre-humanos e hiper-treinados que caem como moscas ante seus golpes. No meio disso tudo, eles ainda arrumam tempo para soltar frases espertinhas (todas sub-"I'll be back", sub-"You're the disease, and i'm the cure" e sub-"Hasta la vista, baby") e, o mais importante... dar uns amassos na mulher mais bonita do filme. Sem contar que os dois têm só um nome (maneiraços, por sinal).

Descrição: Blade é um mestiço. 25% humano, 25% vampiro e 50% Wesley Snipes. O cara transformou um personagem obscuro das HQs em um anti-herói estiloso e altamente característico. Eu mesmo só vi o Blade nos quadrinhos uma vez e olhe lá (quem aparecia direto mesmo era o igualmente fodão Morbius).

Poderes: Blade é poderoso como os vampiros e sem nenhuma de suas fraquezas. Tem força, velocidade, o fator de cura vampírico usual e agilidade sobre-humana. Tem um arsenal de fazer inveja ao Terminator e é um exímio espadachim, mas sua arma mais eficiente é sem dúvida as duas... hã, blades, que são um misto de bumerangue com shuriken, e parecem ter vida própria. E o cara é cool pacas!

Pontos fracos: Da minha parte, quem consegue partir o Ron Perlman ao meio com apenas um golpe, não tem pontos fracos. Mas Blade não consegue ficar muitas horas sem o seu soro anti-vampírico, o que dificultaria a sua vida em um embate mais estratégico e demorado.

Descrição: Até Eclipse Mortal, Riddick era um criminoso-mercenário-assassino-foragido perigosíssimo. Mas humano. Em A Batalha de Riddick a humanidade foi pro saco e ele passou a ser um furyan. Seja lá que raça for essa, pode-se dizer que sua índole é bem humana: Riddick não hesita em trucidar quem se colocar em seu caminho - mesmo que seja uma legião de aliens carnívoros.

Poderes: Inicialmente, ele tinha a força e a destreza padrão de heróis de filmes de ação americano (acima da média humana, claro), mas em uma rápida cena de A Batalha de Riddick, ele se denuncia: ao ser lançado de costas contra uma parede, ele amassa a coluna metálica que a sustenta. Se fosse um humano comum, ele ficaria, no mínimo, paraplégico. Além dessa super-resistência, Riddick pula como um canguru chapado de ecstasy, e com apenas uma braçada, lança para longe soldados trajando pesadas armaduras. Deve ser a tal da energia furyan. Especialista no manuseio de facas, Riddick foi "punido" com uma visão noturna pra lá de providencial. E é também um excelente estrategista de guerra.

Pontos fracos: Riddick não é invulnerável, nem tem fator de cura. Ficou inconsciente no segundo filme após receber uma rajada de energia. Quase morreu ao enfrentar um inimigo bem mais rápido que ele. Apesar de ser um guerreiro nato, Riddick é apenas um quase-sobre-humano.


Como o diretor ideal para administrar essa treta do além-cosmo: William Friedkin. Arrisco ele como alternativa a diretores tailandeses e chineses, ou diretores de CGI à Wachowski Brothers. Em Caçado (The Hunted, 2003), Friedkin colocou Tommy Lee Jones e Benicio Del Toro para se destroçarem numa selva. Em nenhum momento ele "interferiu" na luta (câmera tremendo, trilha barulhenta, personagens digitais), e esbanjou carnificina e sangue à vontade. O melhor de tudo é que as lutas foram muito bem tramadas e sem soar caricatas. Entre Riddick e Blade o que não iria faltar é sanguinolência, então nada melhor do que uma câmera discreta e bem descritiva. Sem contar a classe habitual do veterano diretor de Operação França e O Exorcista.


DELISHA AMERICANA


Elisha Cuthbert mora no meu coração desde que eu comecei a acompanhar a eletrizante série 24 Hs. Sei lá, ao mesmo tempo que ela segue a linha Carol norte-americana (mas sem chegar à patricice de Lindsay Lohan), ela também tem um elemento soft/sex-introspectivo. Do tipo que fala mais com os olhos do que com a boca, o que me obriga a olhar para os dois incansavelmente. Pra mim, isso equivale em atração com um inseto rodeando uma lâmpada à noite. Isso sem falar na bundinha linda que ela tem. Com um pouco de sorte, Elisha pode pegar a coroa teen que Mena Suvari perdeu assim que subiram os créditos de Beleza Americana. Show de Vizinha (The Girl Next Door, 2004) é o seu primeiro papel de destaque após o sucesso como Kim Bauer, de 24 Hs. E também um legítimo "filme-que-eu-só-assisti-por-causa-dela".

Matt Kidman (Emile Hirsch... peraí, Emile?!) é um guri cdf que está se graduando no colegial, tentando arranjar uma bolsa pra faculdade e de saco cheio com sua rotina certinha e tediosa repleta de aspirações à uma vaga na Casa Branca. Os taradões Eli (Chris Marquette) e Klitz (Paul Dano) são seus fiéis escudeiros. Daí que pinta Danielle (Delisha) na jogada. Ela é a insinuante vizinha que acaba de se mudar. Como em filme tudo que é impossível na vida real acontece, Danielle praticamente cai de pára-quedas no colo de Matt. Os dois se apaixonam, mas ele descobre que ela é uma ex-atriz pornô querendo recomeçar a vida (por que isso não acontece comigo... por que isso não acontece comigo...). Com isso, vem toda aquela previsível confusão à tira-colo: o produtor-cafetão Kelly (Timothy Olyphant... ainda no mesmo papel) e seu rival Hugo Posh (James Remar) disputando o concorrido passe da porn star.



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Queria aproveitar esse espaço e mandar um beijo muito especial para Traci Lords...



Traci, nós te amamos!

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Aham... Então deixa eu repetir o que já foi dito à exaustão por aí: Negócio Arriscado foi um filmão. Talvez tenha sido o filme que tirou Tom Cruise da vala brat-pack dos 80's (Andrew McCarthy, Judd Nelson, Robbie Lowe, Molly Ringwald... ninguém se salvou). E Show de Vizinha tenta esterilmente reeditar o mesmo enredo, mas sem nenhum resquício daquele charme sexy sugestivo, quase porn-soft, idilicamente falando (em grande parte, por causa da presença angelical de Rebbeca DeMornay). Mesmo levando à sombra de um julgamento menos exigente e mais escapista, Show de Vizinha resvala para a concepção de um filme produzido pela MTV em uma versão light tentando em vão ser heavy (nota: gosto das produções da MTV. Joe e as Baratas, Eleição, Orange County - Correndo Atrás do Diploma... são ótimos filmes). Até mesmo a montagem velocista típica de um videoclip ficou equivocada dentro de sua proposta. Os cortes são tão nonsense que prejudicam o tempo da narrativa, e um recurso em particular foi muito mal utilizado: existem tantas seqüências imaginárias de Matt, que toda hora você pensa que nada daquilo está acontecendo e que ele está sonhando de novo, pela enésima vez. Assista o filme e tente não ficar puto com isso. Dá vontade até de quebrar o DVD.

Show de Vizinha começa pendendo para a comédia adolescente, emenda para uma semi-comédia romântica, volta pra comédia adolescente, o tempo fecha em uma esquisita arapuca policial, arrisca um improvável "a verdade sobre o submundo da indústria pornográfica", e volta pra comédia pastelão, digo, adolescente, coroada com uma fraquíssima conclusão com um discurso mal colocado, mal escrito e... enfim, mal tudo. Apesar disso, sabe que eu senti uma certa espinha dorsal permeando boa parte do filme? Poderia ter dado certo, numa espécie de aventura multi-facetada e insólita, mas a quantidade gigantesca de erros não permitiu. A coisa precisaria ser mais ousada, mais inventiva, mais independente, longe da bunda-molice que se instaurou no cinemão americano de uns 10 anos pra cá. E nem estou me referindo à (pouca) quantidade de mulher pelada no filme.

No saldo final, alguns motivos fazem valer uma sessão de Show de Vizinha. Se você é interessado em técnicas de direção e montagem, vale conferir o trabalho de Mark Livolsi e do diretor Luke Greenfield, que tentaram mostrar tudo o que sabiam (quase sempre de forma errada) em 1 hora e 49 minutos de filme. É ótimo aprender com os erros dos outros.

Outro (boooom) motivo é a Presença de Elisha. Com certeza, esse foi o cascalho mais fácil que ela já ganhou na vida, pois ela não faz absolutamente nada durante o filme inteiro. Ela só enfeita as cenas com sua cútis privilegiada, e já está mais do que bom.

Por último, a trilha sonora. Rapaz, quase que só rola coisa boa aqui. Take a Picture, do Filter, Dopes to Infinity, do Monster Magnet, Sweet Home Alabama, do Lynyrd Skynyrd, Angeles, de Elliott Smith, Under Pressure, do Queen, Lucky Man, do The Verve, What's Going On?, de Marvin Gaye, Hootie Coochie Man, de Muddy Waters, Baba O'Riley, do The Who...

Mas é uma pena que agora o Echo e sua The Killing Moon viraram figurinha fácil nessas produções pretensiosamente descoladas. Show de Vizinha está muito, muito longe de ser Donnie Darko, que é o verdadeiro lugar desse clássico.


dogg, que hoje vai assistir 24 hs só pra rever a Delisha... :D

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

A GAROTA DO FANTÁSTICO


Bom, não posso dizer que superou as minhas expectativas, pois elas já estavam bem altas, confesso. Para mim, um longa do Quarteto Fantástico sempre foi mais fácil de se imaginar do que um dos X-Men, por exemplo. A linguagem pop movida à conceitos tecnológicos e o irresistível espírito de aventura sempre clamou por uma versão cinematográfica. É o mesmo mix que fez a fama de filmes como Os Caça-Fantasmas e De Volta Para o Futuro, em dois exemplos de extrema felicidade (e que eu não estou dizendo que seja o caso... mas tomara). Se tudo der errado, pode esperar por um novo Perdidos no Espaço - o que eu não acho que vá acontecer, talvez por mera fé cega, com toda a margem de decepção que isso traz de brinde.


Seja lá como for, agora, com o ótimo teaser em sua versão oficial, dá pra notar que vem algo promissor por aí - ao menos no que diz respeito à diversão. O efeitos são de ponta, os quatro fantásticos estão... fantásticos (exceção feita à Alba Storm, que está... incrível), o Dr. Destino está sinistro como nas HQs (pena que aparece rápido) e um detalhe muito interessante foi a trilha com "Counting Bodies Like Sheep To The Rhythm Of The War Drums", do grupo A Perfect Circle, que começou a rolar a partir do acidente espacial (pra quem conhece, sabe que isso foi fantasticamente foda).


É torcer pra que o diretor Tim Story honre seu sobrenome, com trocadilho fantasticamente ruim e tudo. E que site oficial mais pesadinho hein?! Putz.


A SUPREMACIA BYRNE


John Byrne merecia um Eisner pelo conjunto da obra. Poucas pessoas produziram tanto quanto ele e com um nível tão alto de qualidade. Livre da sombra de Chris Claremont (o Bendis dos anos 80), Byrne alçou vôos bem mais altos, lançando mão de um talento indiscutível como argumentista. Até a metade dos anos 90, Byrne trabalhou em quase todos os personagens de destaque da Marvel e, destes, ele livrou boa parte de alguma fase ruim. Foi assim com os Vingadores, com o Hulk, com a Tropa Alfa, com a Mulher-Hulk, etc. Mas a primeira vez que vi o Byrne "solo", desenhando e escrevendo primorosamente após o furacão Saga da Fênix Negra, foi nas histórias do Quarteto Fantástico.


Com um senso de humor bem cínico, vilões cavernosos, grandiosidade épica, bastante adrenalina e aquele climão de ficção-científica (que, por sinal, anda em falta no Quarteto de Mark Waid), ele valorizou todos os elementos que fizeram a equipe tão característica (pra não dizer "fantástica"). Claro que alguns mal-costumes marcaram presença, como a mania de inserir metalinguagem nas aventuras (ele mesmo, o Byrne, na história... no papel de John-Byrne-desenhando-o-Quarteto...). Pior que isso, só os editores nacionais da Abril: para fazer as vezes de editor-chefe da Marvel, ninguém menos que o famigerado Figa, aquele que decepava 50 páginas em uma história de 30. Felizmente, isso não chegava a atrapalhar, pois era só ignorar a "presença" do autor. Mas fiquei bem curioso pra saber se a esposa do Byrne na vida real é mesmo aquela coisinha maravilhosa que ele rabiscou.


A maior parte dessa fase de Byrne comandando o Quarteto foi publicada na revista do Homem-Aranha (provando que as HQs daquela época eram bem mais imperdíveis do que as de hoje), e um dos arcos mais bacanas que eu li foi da edição #66 a #68. Começa com o Doutor Destino reconstruindo a Latvéria e recrutando Tyros (ex-Terrax, arauto de Galactus, aqui totalmente overpowered) com o objetivo de destruir o Quarteto, que não tem Reed Richards, mas tem o Surfista Prateado. Logo, a maior especialidade de Byrne dá as caras: as pancadarias federais no meio de uma grande cidade que, em poucos instantes, fica totalmente arrasada. Aliás, Destino fica numa situação pra lá de embaraçosa no final. Logo na seqüência (praticamente soldada nessa história), os remanescentes do Quarteto, com a ajuda do Vigia Uatu, partem em busca do desaparecido Richards. Participações mega-over-empowered de Galactus, Odin e Eternidade.

Clique do Vic Doom aí embaixo pra baixar o pacotão (18,8MB). Ah, e paciência com esse servidor, ok? Às vezes ele dificulta a vida de quem não é assinante. :P

Scans by: doggma (link expirado há muitos éons)



Na trilha: Of The Son And The Father, do Astral Doors, um dos melhores álbuns de 2004.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

AINDA BEM QUE NÃO LEMBRARAM DO FANTASTICARRO


Johnny Storm dando uma de Johnny Blaze


Os melhores 20 segundos do ano, até agora (perdendo só para os deliciosos 56 segundos do selinho na Elektra...). Diferente da patrulhinha modista que ronda por aí, vi no spot do trailer (cacete... spot do trailer... falta mais o quê agora... resumo do teaser?) tudo o que o Quarteto Fantástico representou para as HQs em mais de 40 anos de história: muita ação, aventura, bom-humor, diversão-família e... poderes fantásticos (ahem). A única abordagem mais diferente que eu notei foi a intensa exploração da mídia em cima da equipe, o que sincroniza os personagens com o que andam fazendo atualmente nas HQs, mais notadamente na versão Ultimate e no tom pop de Mark Waid (a histeria acabou me lembrando um pouco o X-Tatics).


O nome de Tim Story nos créditos não me agrada muito, mas, à primeira vista, ele resolveu apostar na simplicidade narrativa das histórias do Quarteto. Nada de muita responsa. O Senhor Fantástico se estica numa ação reflexa, Dr. Destino dispara raios (bem à Conde Dookan, em SW: AdC) pra cima da Mulher-Invisível, que rebate com seu campo de força, e a grande estrela do (sub-) trailer, o Tocha Humana, rasga o céu de fora a fora, e se esquiva de um míssil. Mal posso esperar pelo trailer inteiro (isso é que é se contentar com pouco!).



Agora um alô para os exigentes fanboys (os da patrulhinha) que andam reclamando do Coisa. As contra-missivas criticam a textura da sua pele petrificada (tsc, papo de fanboy mesmo) e da baixa estatura do personagem. Segundo os detratores, o Coisa do filme tomou pra si a naniquez que faltou no Wolverine de Hugh Jackman. Bobagem (ns). Nos primórdios, a pele do Coisa era formada por uma camada epidérmica que parecia rocha vulcânica, não por aquelas placas de pedra que estamos acostumados. Ele também não era o caminhão-tanque que é hoje. Era mais atarracado e um pouco mais alto que uma pessoa normal. Só anos mais tarde que ele adquiriu o visual clássico.

Não sei se foi intencional, mas achei uma opção de design extremamente feliz, comparável à um Hulk cinza nas telonas. Ele pode desenvolver seu aspecto no futuro, até chegar ao shape atual. Para ilustrar melhor, confiram a capa de Marvel Two-in-One #50, que já foi publicada no Brasil, mas não me perguntem onde. Na história, o Coisa volta ao passado até o tempo em que haviam poucos meses desde a sua transformação. O objetivo era "se convencer" a ingerir uma fórmula que o faria humano novamente (ela só funcionava se fosse no início). Daí ele enfrenta sérios problemas com a sua contra-parte do passado. Naquela época, ele vivia enraivecido, amargurado e fisicamente muito diferente, bem mais deformado pela mutação cósmica - e igualzinho ao filme. Cara, rola um porradêro dos bons, vale conferir.

Clique na imagem para ampliar a capa.


Esse dedo não é meu não


Isso posto, vamos mudar os discursos aborrecidos e elogiar a fidelidade ao original... conhecimento de causa é isso aí. O filme pode até ser podrão (não creio), mas que o Coisa ficou muito bom, isso ficou. Nas ótimas cenas em que ele entra em ação (porrando o caminhão e sendo atingido por uma rajada de energia), dá pra perceber uma articulação pra lá de satisfatória. Melhor que o Coisa do Roger Corman... :P


"O HORROR... O HORROR..."


"Ela fica sabendo o que são recorporações... qual é o rio negro, para onde ele se dirige... por que os pássaros mortos se movem... e quem está olhando pelos olhos de seu marido. O cheiro. O fétido cheiro de formigas queimadas esbofeteia a mente de Abby e seus joelhos se dobram ante tamanha força. O nome dele... uma assinatura redigida em ácido... Então ela pensa, 'há quanto tempo estive casada com'... 'quantas vezes nós'... Agora Abigail sabe o que é a coisa ruim e de onde vem o fedor. Vem de si mesma... e ela não consegue se livrar da contaminação... nem queimá-la... abafá-la com perfume... ou raspá-la da pele. Seus sonhos são nojentos e intoleráveis... e seu despertar não é um alívio."

Parece Augusto dos Anjos.

Poesia dark, beleza tétrica, junkie trip gótica. Isso é Alan Moore, sem gelo e batido, não mexido. O Senhor do Caos criou o link definitivo para pesadelos claustrofóbicos através da escrita. Moore elevou as artes ocultas (horror, guri) para um patamar que o gênero sempre almejou. Embora seja difícil traçar um paralelo, foi no horror que Moore mais se encontrou à vontade (o que não o impediu de conceber clássicos em outras linhas narrativas). Infelizmente, em sua mídia mais efetiva - a 7ª arte - o gênero não conseguiu decodificar esse mosaico de humanidade caótica que é Alan Moore escrevendo um conto de terror - ainda que eu tenha apreciado a adaptação de Do Inferno.

A edição #6 da velha Super Powers só atesta o que eu já escrevi sobre essa revista, certa vez. Não negando sua condição de arremedo de Grandes Heróis Marvel, os editores se contentaram em usá-la para finalizar sagas e atualizar a cronologia defasada de certos personagens - como o Monstro do Pântano. Esse arco foi publicado originalmente em The Saga Of The Swamp Thing, do #29 ao #31, e já foi levada ao ar pelo poderoso gRAlactus, mas em condições bem precárias. Resolvi então reescanear essa pérola, com o miraculoso auxílio do Photo "o-melhor-amigo-das-playmates" Shop.

Scans by: doggma

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dogg, curtindo muito tudo isso... ouvindo um show do Robbie Williams com a Kylie Minogue... juro que é verdade. A Kylie vyle o sacrifício.