
Parece que a notícia do dia nos meios pop quadrinhísticos (quiçá cinematográficos!) foi Edward Norton embebido em radiação gama para o próximo filme do Hulk. Norton é um dos melhores atores de sua geração e sua presença neste projeto com certeza muda, e muito, a percepção geral sobre o que virá a ser o filme. O primeiro longa foi bastante criticado, principalmente pela intensa carga dramática conferida pelo diretor Ang Lee (não inesperadamente: ele cansou de repetir que faria uma "tragédia grega", nestas palavras) - do lado de cá, acredito que este primeiro momento foi absolutamente necessário antes de qualquer outra coisa.
Mas a história se repete - se antes a novidade insólita foi a toda-boa Jennifer Connelly, agora é a vez de Norton garantir uma atuação de alto nível e, porque não, ser um baita chamariz de público (principalmente após a moralzinha mais popularesca adquirida via O Ilusionista). Tomara que não seja pedir demais que La Connelly retorne ao cast, juntamente com o grande Sam Elliot. Eu até ajudo a pagar.
Se alguém tem experiência em dupla personalidade é Ed Norton. A primeira vez que vi o sujeito foi em As Duas Faces de um Crime, com Richard Gere estrelando. O thriller era meia-boca toda vida até seus dez minutos finais, quando é revelada a presença de um monstro gigante em cena. Quem assistiu o filme na época saiu atropelado. Na ocasião, Norton saiu recolhendo indicações - Oscar incluso - e prêmios a rodo (conta quantas vezes aparece o nome dele aqui). Já em Clube da Luta, seu alter-ego, o paranoid Tyler Durden, era uma força anti-sistema de caráter (auto-)destrutivo. E o Hulk não é nada mais que uma simbologia grotesca e per se deste mesmo conceito.A verdade é que daí pode sair qualquer coisa (até mesmo o primeiro nuke da filmografia de Norton), mas ao menos há uma certeza: Bruce Banner nunca esteve tão próximo de seu sociopata interior.

No final de 2005, "todo mundo" foi aterrorizado pela imagem acima. Até então, só sabíamos que uma das tretas mais clássicas dos quadrinhos - Wolverine contra Hulk, gafanhoto! - ganharia sua versão no Universo Ultimate, onde tudo vale, tudo é permitido, de golpe abaixo da linha da cintura a dedada no olho. Mas ninguém estava preparado pra isto, for Christ's sake. Viajando pela web como parte de um preview da história, a força dessa imagem foi um trampo marketeiro de primeira linha. E reflete à perfeição o que é a Marvel Comics sob a gerência de Joe Quesada, para o bem ou para o mal. O fato é que a mesma foi o papel de parede de todos os computadores que usei na época. Já vinha em resolução 1024x768 mesmo. Fui fisgado legal, admito.
Aí saiu a primeira edição. A primeira de uma minissérie de seis. Fevereiro de 2006. Escrita por Damon Lindelof, co-criador e roteirista de Lost, e desenhada pelo excelente Leinil Francis Yu, de Superman: O Legado das Estrelas. Nada mal, hein. No mês seguinte (março, pra constar), houve um apagão e nada da revista. Tá, era bimestral. Beleza. Em tempos de Evil That Men Do, Daredevil: Father e Ultimates 2, a paciência virou a maior das virtudes. Em abril, ueba, lá estava a HQ seguindo seu curso na 2ª edição.E foi a última vez que a vi.
Atualmente, Ultimate Wolverine vs. Hulk jaz em alguma geleira próxima daquela em que o Capitão América foi resgatado. Ou em algum ponto obscuro da ilha de Lost, onde nem os Outros se atreveriam a chegar. A história do atraso desta 3ª edição virou lenda urbana nos meios editoriais. Primeiro, ela foi re-solicitada para maio. Após, teve lançamento oficial agendado pra 12 de julho e nada aconteceu. Re-solicitada novamente para 9 de agosto, e na seqüência para 20 de setembro, 25 de outubro e, mais uma vez sem sucesso, para 27 de dezembro. Por fim, foi anunciado seu cancelamento provisório até que todas as edições restantes estejam completadas.
Eu nem ligaria se fosse, p.ex., o Aranha Ultimate de Bendis/Bagley. Mas o que acontece aqui é justamente o contrário. Ultimate Wolverine vs. Hulk estava se encaminhando pra ser uma das coisas mais divertidas publicadas nesta década. As duas únicas edições são um tour-de-force irresistível de humor negro e boas sacadas.

A premissa é aquela mesma juramentada e sacramentada pelo universo normal dos personagens - a SHIELD quer a cabeça do Hulk numa bandeja e vê em Wolverine a saída mais prática pra resolver a parada. A seqüência insanamente gore do Wolvie sendo partido igual Doritos vem logo nas primeiras páginas, já entregando a disposição monstruosa de Lindelof/Francis Yu. Depois disso, corta pra alguns dias antes, quando Nick Fury tenta convencer Wolverine... pensando bem, "convencer" não foi bem o caso.
Fury: "Você fará, Logan?"
Wolvie: "Yeah. Eu farei."
Fury: "Eu não tenho de ameaçar você? Te dar uma moto multi-milionária? Te oferecer um pedaço do seu passado misterioso?"
Wolvie: "Você disse que ele é durão. Vai ser divertido."
Nesse interím, o Hulk/Banner (que saiu vivo da execução termonuclear vista em The Ultimates 2 #03), fez uma excursão literalmente devastadora por vários países da Europa e acabou desembocando no Tibet atrás de paz interior. Como sabemos, o Hulk Ultimate é cruel até a medula óssea e seus acessos de fúria não perdoam ninguém. Só mesmo alguém da linhagem sagrada do Dalai Lama poderia ajudá-lo... no caso, este seria o Panchen Lama e é aí que eu paro porque a cena é hilária e não dá pra revelar mais.
No frigir dos ovos, a última coisa que nos resta é a esperança. Miremos no exemplo da lendária 13ª edição de Ultimates 2 que está aí, na boca do caixa, com shots descaralhantes de páginas óctuplas aquecendo a chama que existe em nossos corações. Raspas e restos me interessam. Não tenho dignidade, pois sou fã de HQs. E como Leinil Francis Yu não é de dar satisfações, vou de Ed McGuiness mesmo.



Na edição #50 de Wolverine, McGuinness e o irregularzão Jeph Loeb mandam um 'curta-metragem' bastante divertido, onde Wolverine relembra detalhes aparentemente não divulgados de seu primeiro encontro com o Hulk, logo na estréia do baixinho canadense.
A referência é clara e evidente. Leinil & Lindelof (parece dupla sertaneja) até constam nos agradecimentos, mas o modo como a história termina é particularmente sugestivo. Só espero que não seja uma alusão ao destino da mini.
Pelo menos, terei alguma distração durante a espera. Como a "batalha do século", por exemplo.




...que por acaso é revanche. Hulk já perdeu uma vez pro Raio Negro. Quero ver agora, no jogo de volta.
Se o novo confronto for tão sóbrio quanto este...
Edward Norton em Hulk 2... surreal.

Sempre vi o momento da criação do Hulk como um milagre acidental. “Milagre”, por ter sido um acontecimento aparentemente impossível, e “acidental”, pela baixíssima probabilidade daquilo acontecer.
Mesmo porque, houveram N tentativas de reproduzir o fenônemo em laboratório. Abominável, Líder, Dr. Samson, Ravage, Sasquatch, entre outros, apesar de poderosos, não são bem experiências bem-sucedidas. Nenhum deles se compara ao Hulk porque - dando seqüência à analogia - nada é tão bem-sucedido quanto um acidente.


Alguns de seus adversários “quase chegam lá”, como é o caso do Thor. O Gigante Esmeralda soma várias vitórias em cima do asgardiano e apenas alguns poucos empates, sabem por quê? Porque o Thor lança raios, controla o tempo e tem conhecimento básico sobre as propriedades místicas do Mjolnir, o que minimiza a predominância do seu nível de força. Aliás, não deixa de ser uma relação conflituosa essa dos dois, visto que, juntos, eles também fundaram os Vingadores.
Em tempo: Wolverine já matou o Hulk, num elseworld bem legal (daqueles antigos "o que aconteceria se...?"). Foi em uma versão alternativa da estréia do baixinho. Após aquela derradeira luta contra o selvagem Wendigo, Wolvie resolve cravar as garras no pescoço do Hulk, dessa vez com sucesso.

”É nosso melhor álbum desde Psalm 69”, segundo Al Jourgensen, alter-ego da entidade



Aventura futurista reunindo os 3 ícones da ficção-científica. Surpreendentemente bem roteirizado (por Mark Schultz) e desenhado de forma competente (por Mel Rubi), a trama enfoca um futuro pós-Guerra contra as Máquinas, do universo do Terminator. Um exterminador sobrevive e, disfarçado, tenta criar um híbrido de Alien com exterminador. Para tentar impedir, Annalee Call e Ellen Ripley. E no meio da confusão, surgem os Predadores, com seus próprios - e misteriosos - objetivos. Raro crossover acima da média, em se tratando desses personagens.
Edição especial de 2003 do kryptoniano, ainda não lançada por aqui (não que eu saiba). Finalmente um mano a mano direto e sem firulas entre o Clark e o soturno Darkseid. Para salvar a vida de seu amigo John Henry Irons (o Aço), que está preso em Apokolips, o Super desafia o Dark para um quebra, só os dois. Quem ganhar, leva. Participação de Krypton inteira praticamente: Superboy, Erradicador, Krypto (!), Kara Zor-El e a deliciosa Linda Danvers, a nova Supergirl. Ah, rola um Apocalypse de "leve" também.
Melancólica visão de Dale Keown e Peter David para o futuro do gigante esmeralda. Vivendo em uma Terra pós-holocausto nuclear e totalmente só, o Hulk/Bruce continua lutando contra o seu maior inimigo - ele mesmo. Destaque para as monstruosas baratas mutantes. Eu nunca pensei que as únicas sobreviventes de uma guerra nuclear fossem ficar tão sinistras... ah, e o estado do Hulk depois de um "carinho" que elas fazem nele é uma das coisas mais nojentas que já vi numa HQ (se não for a mais). Um triste (e muito bem realizado!) The End pro Hulk.
