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sexta-feira, 27 de julho de 2007

PAGE 4 TART


Essa foi rápida. Imagino que a Pixel Magazine #4 deva estabelecer alguns recordes de leitura dinâmica por aí. Até a disposição contribui pra isso, num eficiente mix de histórias breves com aquele padrão artístico que nunca dura o suficiente pra quem está curtindo. A começar com Promethea, que abre a revista de uma forma até estratégica.

Promethea é mais uma cria vencedora de Alan Moore, em parceria com J.H. Williams III. Colecionou vários prêmios na estante - Eisner incluso - e sua demora em estrear no Brasil pelos meios oficiais é só mais um indício do descaso vigente, et cetera e tal.

Não lembro direito onde li, mas já afirmaram que a personagem é uma versão alternativa da Mulher-Maravilha. Besteira. Pode haver a semelhança meramente estética, mas pára por aí.

O argumento vai fundo em temas como mitologia, fé, arte, períodos históricos e questões metafísicas, sempre com uma cadência típica de aventura pop - mas underground, no sentido que Love & Rockets é pop underground -, vide o papo despachadão entre Stacia e Sophie, logo no início. É a espontaneidade em quadrinhos. Contraste total com o intrincado background criado para a musa-heroína no prólogo. Um hoaxzão pra ninguém botar defeito.

Mais e melhores capítulos virão. Segundo a Pixel, Promethea é título fixo, o que é uma excelente notícia, mesmo com pesos-pesados na concorrência.



Ainda tentando tapar os buracos da cronologia de Hellblazer por aqui de maneira caótica. Ao menos a qualidade do material nivela por cima: A Natureza da Fera foi escrita pelo bonzão Paul Jenkis (Inumanos, The Sentry), desenhada pelo fodão Sean Phillips (Marvel Zombies) e, como reza o texto de abertura, é considerada pelo roteirista como sua melhor história para o mago boêmio John Constantine.

O que seria apenas uma episódio de entressafra, se mostra uma premissa muito instigante, com uma evolução belíssima. É quadrinho com punch literário na escola Neil Gaiman. Sensacional, ainda que aquelas parábolas tenham me lembrado o Paulo Coelho (!).

Esta edição também marca a primeira aparição de Tom, o pastor cigano, também conhecido como o - olha o spoiler - Deus Cristão Todo-Poderoso.



Planetary #16, que traz a história Hark, eu ainda não tinha lido. Desde já, uma das seqüências iniciais mais despirocantes que eu já vi, mesmo com o cinemão marcial chinês em baixa. De cara, mete um roundhouse kick naquela memorável cena à Herói/O Tigre e o Dragão/O Clã das Adagas Voadoras de Wolverine #26. E veio dois anos antes.

No subtítulo da tradicional intro, está escrito "um show de Cassaday". Justo, muito justo. Acho que foi o melhor trampo do homem. Com maestria ele conferiu profundidade, tensão e uma das porradarias mais empolgantes dos últimos anos, além, é claro, da beleza minimalista dos (econômicos) cenários. Cada quadrinho pede uma moldura. A "arte" aqui foi medida ao pé da letra.

O roteiro é sobre a origem da personagem Ana Hark, com Elijah Snow sempre fazendo as vezes do anão de Twin Peaks: sabe tudo, mas não explica nada. Fosse um filme, seria dirigido pelo Michael Haneke (Caché), com os créditos subindo sorrateiros no que ia parecer só a metade da projeção. Ainda assim, uma das histórias incompletas mais bacanas que já li.

Warren Ellis continua atirando cabeça de bode pro leitor roer.



Pra fechar, duas rapidinhas extraídas da maravilhosa Tomorrow Stories: Os Fatos da Vida!! e Pensar, ambas com roteiro de sir Moore. A primeira é um conto de uma piada só, protagonizado pelo guri Jack B. Quick. Humor rasteiro, mas hilário. A segunda vem com uma climéria meio noir e lembra muito o filme O Poder da Sedução, thriller putesco com Bill Pulmann e uma fatalíssima Linda Fiorentino manipulando todo mundo. A conclusão é idêntica. Moore tem crédito na casa, então deixa pra lá.

E cadê a seção de cartas? Pessoal estava levantando umas questões interessantes lá.


Fábulas - 1001 Noites vol. 1/3 com 52 páginas a 6,90. Meio caro, huh?

domingo, 15 de janeiro de 2006

AVENGERS REASSEMBLED!


Com passos bem cuidadosos e estruturando uma projeção a longuíssimo prazo, segue adiante o processo de reinvenção do principal supergrupo da Marvel. Certamente eles não querem que a prata da casa reunida numa só equipe naufrague antes mesmo de gritar "I'm king of the world". Compreensível. Só o fato de estarem ali os mega-stars Homem-Aranha e Wolverine... "nada de queimar o filme desses dois", deve ter sido a ordem mais proferida pelo editor-in-chief Joe Quesada em seu belo escritório (que, imagino, deve ter um tapete daqueles que afundam até o joelho e um kit de mini-golfe bem no meio). Tanto o Capitão América quanto o Homem de Ferro têm um peso bem menor no merchandishing em geral, mas conferem o tom de propriedade e tradicionalismo necessários.

Luke Cage, ainda em test-drive, tem no currículo o fato de ser a personificação da cultura negra de rua (Blade, nos quadrinhos, definitivamente não deslanchou - o que é um paradoxo interessante, pois o mais difícil ele conseguiu). E já veio atualizado por uma mini no selo Max e pelas participações esporádicas nas histórias da Jessica Jones. O Cage atual não ouve Kool & The Gang, e sim Wu-Tang Clan e Tupac Shakur. Já a Mulher-Aranha, também reaproveitada, chega num momento de absoluto hype para as heroínas mais, assim digamos, voluptuosas (gostosas mesmo). O biotipo das pinups hoje está mais pra Druuna que pra Jean Grey, e eu bebo a isto.

Do lado das novidades, temos Robert Reynolds, mais conhecido como o complicadão Sentinela, e o misterioso Ronin (curiosamente, um ninja com nome de samurai sem mestre... há um conflito de interesses aí).

Espero que todos estejam acompanhando as edições nacionais de Vingadores - A Queda, pois tudo a partir daí se tornou literalmente imperdível. Ok, já estamos na edição #14 da revista The New Avengers e ainda não houve nenhum cataclisma de proporções globais, mas o clima enegrecido e conspiratório que permeia as histórias sugerem que uma mega-castanhada se avizinha no horizonte. Se é fogo de palha, ainda não dá pra saber, mas, vindo de Brian Michael Bendis, eu prefiro não arriscar, assim como não arrisco a enumerar quantas revistas da Marvel ele anda escrevendo. E, o mais incrível, sempre mantendo um respeito absoluto ao material com situações e diálogos muito acima da média (até mesmo naquele Aranha ultimate cara-de-mamão). Atual, criativo, bem-humorado, inteligente e com um puta timing, Bendis está insaciável. Aproveitem enquanto ele ainda está são, pois se continuar nesse ritmo ele vai pirar com certeza (e se virar um louco como Alan Moore, até que seria uma transição interessante).


Na última vez que comentei sobre os Vingadores, eles não conseguiram se livrar da ressaca escarlate de Disassembled e cada um seguiu seu rumo. Após uma violenta rebelião na Balsa (a prisão para supervilões), 42 prisioneiros superturbinados escapam e um novo grupo de heróis se forma ao acaso. Liderados pelo Capitão América (que acha que tudo é obra do destino... não o Dr. Doom... destino mesmo, de sina e tal), eles começam a agir de forma "auto-suficiente" - com capital inicial bancado pelo Stark, claro (afinal, os Vingadores também tem de ter seu Bruce Wayne).

Investigando os fatos que ocorreram na super-prisão, eles vão até a Terra Selvagem no encalço de Sauron (sem ser aquele do Senhor dos Anéis) e lá esbarram no invocado Wolverine. Juntos, eles se deparam com Yelena Belova, a nova Viúva Negra, cheia de tinta no cabelo, e uma operação esquisitíssima da SHIELD, envolvendo extração de vibranium para fabricação de armas ilegais. A Viúva Yelena e uma equipe de agentes tenta eliminar os nossos heróis, mas, além de fracassar, ela só consegue queimar o próprio filme - .

Bom, nunca gostei da Yelena mesmo, mas a #6 termina ao melhor estilo "eu voltarei".


Na edição seguinte, a primeira de um arco com quatro partes, os Novos Vingadores encaram uma missão quase impossível (puta frase clichê!): desatar os trocentos nós que envolvem o passado surreal do Sentinela. E quando eu digo "surreal" é porque a coisa sai dos trilhos mesmo. A vida do Sentinela parece um filme de David Lynch com roteiro de Spike Jonze e edição de Darren Aronofsky. Pra você ter uma idéia, Bendis recorre até à arriscadíssima metalinguagem, inserindo na história ninguém menos que Paul Jenkins , o criador do Sentinela (aliás, mais uma vez eu recomendo a leitura de The Sentry... ô hq pertubadora da muléstia).

Este é um terreno caro para a Marvel, afinal trata-se de um personagem-analogia ao mito do Herói (não simplesmente uma "versão do Superman", como andam dizendo por aí).

Não é à toa que nessas quatro edições rolaram participações especialíssimas de Alex Ross e Sal Buscema - sem contar que o titular da vez foi Steve McNiven, um dos meus artistas favoritos e o melhor 'desenhador' de Sue Richards do mundo. Já tava ficando cansado do David Finch e do seu jeito Image de ser.


Mas voltando ao assunto, após uma breve consulta aos Fodões da Marvel - - Tony Stark e os Novos Vingadores recebem sinal verde para futucar o vespeiro do Sentinela, obviamente com direito a um reforcinho básico - .

Após uma certa relutância - - o "Caso Sentinela" acaba sendo resolvido e todas as pontas soltas de sua existência são amarradas com eficiência ímpar - que, como se fosse um buraco negro de pura catarse, emulou The Sentry, Paul Jenkins e a Essência do Herói e os cuspiu de volta, em um único organismo, expurgado, pronto para (re)começar. Pedala Bendis!

Depois do estrondoso arco anterior, a edição #11 começa bem soturna. Marca justamente a introdução do personagem Ronin.


A parada é a seguinte: no rastro do foragido Keniuchio Harada (o vilão mutante Samurai de Prata), os Novos Vingadores tentam impedir que o meliante reassuma sua antiga posição no Japão, como senhor do Clã Yashida. Após uma negativa de cooperação por parte de Matt Murdock (mais uma), a equipe acaba recebendo o suporte de Ronin, por indicação do próprio Matt. Na verdade, a razão de ser desse arco é retomar a conspiração que Bendis vem desfiando, e que envolve a banda podre da SHIELD e agentes infiltrados da Hydra.

Por falar nisso, aqui David Finch retorna ao traço e faz da Madame Hydra quase a irmã gêmea da Aphrodite IX (personagem que ele criou e desenhou anos atrás), confira aqui.

Ao final, mais duas deixas para as próximas edições. Uma é a Jessica Drew revelando ter o (lindo) rabo preso com as forças "do lado de lá" e o mistério em torno da identidade do Ronin - que rende um comentário simplesmente impagável do Aranha. Sobre isto, uma constatação spoilerosa logo abaixo. Marque para ler (acho meio difícil alguém que esteja lendo não saber de quem se trata, mas...).

Ronin é Maya Lopez, copycat de artes marciais e outra ex-comida do Demolidor Matt Murdock. Não sei se ela vai continuar se chamando "Ronin", visto que é mais conhecida como Eco. Aliás, o uniforme que ela está usando lembra muito aquele mais recente do Pantera Negra. De qualquer modo, fiquei meio surpreso com a fisionomia européia/caucasiana da moça. Clique aqui pra comparar a concepção dela nas artes de David Mack e David Finch (se bem que é até covardia comparar o Finch com o Mack... são iguais só no primeiro nome mesmo).


Chega a última edição, a #14, e o chow começa já nos créditos. O homem, o mito, Frank Cho assume os desenhos! Sabe o que isto significa? Sabe o que isto significa?? Significa isto, isto, isto, isto e, por Deus, até isto aqui. Só o Cho-san tem moral pra fazer aquelas splash pages totalmente gratuitas com direito a assinatura no cantinho da página (Cho nº1... Cho nº2...). Apreciar a arte desse rapaz é tão relaxante, que até um puta errão de continuidade parece bobagem (no finalzinho da edição #13, Cap está de uniforme e Jessica Drew de jaqueta vermelha, mas no início da #14 eles... resumindo, foi assim, mas o Cho pode, ele tem regalias para o tanto que nos proporciona!).

Aaaah, tem a história também...

Cap coloca Jessica contra a parede, e ela explica sua situação de agente dupla por acidente. Aparentemente, a Hydra a coagiu a trabalhar como espiã infiltrada na SHIELD. Ela acabou revelando o esquema para Nick Fury, que recomendou que ela fizesse o serviço de mão dupla, assim ele poderia saber dos passos da Hydra. Mas ninguém poderia saber do trato, só os dois, caso contrário ambos ficariam expostos. O problema é que Fury encontra-se foragido da SHIELD (na verdade, ele foi traído lá dentro, numa puxada de tapete digna da UCT, da série 24 Hs). Agora, os heróis têm de desvendar a conspiração que está apodrecendo os alicerces da SHIELD, enquanto cedem de vez à pressão da opinião pública, que quer saber quem são esses "Novos Vingadores".

Ainda há muitas nuances a serem delineadas em The New Avengers. Wolverine não assumiu uma posição de membro fixo, apesar de ter participado de tudo até agora (rendendo uma divergência de opiniões muito bacana entre Cap e Stark). A presença do "Ronin" ainda é incerta. Cap, por sua vez, ainda não desistiu de recrutar o Demolidor. E o Sentinela está arriscando os primeiros passos, construindo um perfil. Lentamente, diga-se de passagem. Não deverá ser fácil se sobressair em meio a medalhões editoriais e líderes de bilheteria. Mas é Bendis quem está no manche. Nas mãos dele, cada edição de The New Avengers parece um evento.

Este post foi powered by Wikipedia!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2004

Antes de mais nada...


Ok, acho que isso é tudo. Agora podemos começar...


NEW KIDS ON THE ROCK


Eis que finalmente o aguardado (por mim, pelo menos) The New Avengers #1 dá o ar da graça. Mas eu sou um sujeito esperto. Eu sabia que a carroça não ia descer a ladeira já na estréia. Sabia que essa capa ultra-mega-divulgada, desenhada pelo próprio David Finch, antecipava bastante algo que ainda ia demorar mais um tanto pra acontecer. E que, no início, Brian Michael Bendis iria se fazer de mulher difícil. As coisas ainda estão cobertas com uma névoa bem espessa que, aos poucos, vai se dissipando. Aquele negócio... resgate de personagens pra lá de secundários e/ou esquecidos (faltaram o Homem-Máquina, Paladino e Nômade), uma trama misteriosa e ainda por se desenvolver e, principalmente, um total deslocamento do leitor sobre o que andou rolando desde aquele genial "quem-matou-Odete-Roithmann", que foi Avengers Disassembled.

Depois do circo armado por Wanda Quebra-Barraco, no finalzinho de Disassembled, os Vingadores estavam um caco física e emocionalmente. Três de seus colegas foram pro Val-Vala: Gavião Arqueiro, Homem-Formiga (e eu achava que era ele!) e Visão, o andróide andrógino. Já aquele congresso marvete de super-heróis que se formou, logo deu linha. Só ficou mesmo o Jarvis pra limpar a bagunça.


Corta pra seis meses depois. Jessica Drew (a venerável Mulher-Aranha) agora é funcionária pública, e trabalha para a SHIELD. Jessica faz o papel de ciccerone para Matt Murdock (o Demolidor), Foggy Nelson (o Foggy) e do pára-quedista Luke Cage, durante uma visita à prisão de segurança máxima da Ilha Ryker (espécie de Gulag/Alcatraz destinado a segurar bandidos com super-poderes).

E é claro que tudo começa a dar errado quando eles estão lá. Um Electro absolutamente over-powered liberta grande parte dos prisioneiros. Não demora muito e logo o Capitão América aparece no faro - e o Homem-Aranha também... de penetra, como sempre. Ao final, temos o primeiro vislumbre da maior incógnita da nova formação: Robert Reynolds (quem?!), ninguém menos que o famoso Sentinela (quem?!?!), que parece ter saído direto do elenco de O Conde de Monte Cristo.


A narrativa de Bendis está cada vez mais cinematográfica. Espertamente, ele coloca dois eventos (ou mais) ocorrendo em tempo real, aumentando ainda mais a tensão. E ainda é zeloso com os detalhes. Pra amenizar um pouco a presença irrelugar de Luke Cage, por exemplo, ele utiliza um antigo inimigo que está preso. Outro exemplo, é no envolvimento do Aranha. Ele não aparece simplesmente no meio da ação, como tantas vezes já aconteceu. Muito pelo contrário. O Aranha tem dificuldades até em chegar na prisão, que fica no meio da baía de Manhattan.

Já o traço de Finch, tem melhorado ainda mais. "Como 'ainda mais'?", você, fãzão do cara, me pergunta. Finch sempre foi fraco em se tratando de expressões faciais (doença Jim Leeana que atinge 90% dos desenhistas atualmente), sempre sisudas e fechadas. Mas ele tem maneirado bastante. E há também grandiloqüência aqui. Bastante. Panorâmicas de encher os olhos, explosões gigantescas, e o uso inteligente de perspectiva (técnica há muito esquecida), como nessa imagem aí embaixo.


Uma coisa é inegável... A linha adotada em New Avengers está muito próxima do que Mark Millar e Bryan Hitch fizeram em Os Supremos. Isso não é necessariamente uma coisa ruim, mas pode abrir um precedente inédito a longo prazo. O contexto proposto é bem mais realístico do que se espera de uma HQ em sua cronologia normal. Resta saber que tipo de influência uma abordagem desse tipo terá nesse novo e promissor universo dos Vingadores.

Mas ainda é cedo pra afirmar qualquer coisa... esse é o nº1 apenas! E detalhe... anda vendendo como pãozinho quente lá fora. Quesada deve estar com câimbra na cara, de tanto rir.


"O GRANDIOSO GUARDIÃO DA GLÓRIA!"



Esse é Robert "Bob" Reynolds, o Sentinela, atual "super-herói-mais-poderoso-de-todo-o-Universo-Marvel". Pelo que eu andei notando por aí, muita gente conhece de pouco a nada sobre o herói. E isso é bastante compreensível, visto que o universo do personagem é tão especulado quanto desconhecido. Não se sabe ao certo onde termina a verdade e onde começa a boataria. Antes de mais nada, é imprescindível uma sessão básica de Sentry - O Sentinela, escrito por Paul Jenkins e desenhado pelo grande Jae Lee (repetindo: JAE Lee). Lá, você vai saber o suficiente para apresentar até uma monografia sobre o herói.

Lançado em setembro de 2000 nos EUA, o personagem foi objeto de uma marketagem filha da puta do editor-chefe-canastrão da Marvel, Joe Quesada. O herói foi criado no início dos anos 90 por Jenkins, que durante anos bateu às portas da DC e da própria Marvel para apresentar o projeto, sem sucesso. Resumindo a história, em 1999, a mesma dupla Jenkins/Lee levou o cobiçado prêmio Eisner Award, pela mini-série Inumanos. Com a moral lá em cima, logo eles foram chamados para desenvolver "aquele outro projeto". Mas pra garantir o retorno, o guloso Quesada não mediu esforços e meteu o seu dedão sujo no bolo. Iniciou uma campanha intensiva de informações falsas, dando conta de que o personagem Sentinela foi criado por Stan Lee e Artie Rosen em 1961. Ou seja, antes mesmo da criação do Quarteto Fantástico, o que faria do Sentinela o super-herói da história da Marvel. O engodo teve participação até da badalada Wizard, que em sua edição #103 divulgou uma nota de falecimento do "grande" Artie Rosen. Em tempo: Rosen sequer existe.

No final das contas, Sentry foi um sucesso retumbante. Isso, graças à massa de fanboys secos pela possibilidade de degustar uma obra raríssima do sanssei Stan Lee. Tudo está detalhado na edição nacional de Sentry. Como diriam alguns, "timing é tudo"... e como diria o Quesada, "criar timings é tudo e mais um pouco".


O herói, na Fase de Ouro e na Fase Bagaceira...


Amargando um Bangu I e agora, bombando...


Um pouco de déja-vu pra quem costuma passar por aqui. O Sentinela, além de ser uma enorme incógnita, é também mais um Superman referencial. Pouco se sabe da real extensão de seus poderes, mas o B.O. oficial diz o seguinte... vôo, superforça extrema, super-velocidade, invulnerabilidade, sobrevivência no vácuo e, pra variar um pouco, capacidade de criar, manipular e refratar a luz. Outra característica é que cada átomo do seu corpo avança além do tempo presente, o que lhe proporciona um estado de "hiperconsciência" - o que sinceramente, não faço a mínima idéia do que significa. Não raro, é chamado de deus, onipotente e imortal. É considerado por Reed Richards como o ser mais poderoso da Terra. E por último, seus poderes são reenergizados pelo Sol (aí pegaram pesado). Tudo isso graças à um insuspeito super-soro. Pra quem ainda tinha dúvidas a respeito do novo padrão "JLA" dos Vingadores, a Inês acabou de ser morta a travesseiradas.

O Sentinela será o futuro líder da equipe, jogando o baleado Steve Rogers pra escanteio? Com que explicação o Bendis se sairá, visto a forma como termina Sentry? O quê diabos foi aquilo que o Murdock afirmou sobre o Sentinela, ao final de NA #1? Com o retorno do herói, os "problemas" vistos na mini-série também retornarão? Perguntas... perguntas...


DUAS RAPIDINHAS NO DRIVE-IN


Quem acompanhou as duas últimas edições de O Incrível Hulk, já sabe que o seboso Carl "Crusher" Creel, vulgo Homem-Absorvente, desenvolveu um novo poder. Creel agora tem a capacidade de transmigrar a sua consciência para outros corpos e se impor nestes como dominante. Em apenas duas edições (#9 e #10), ele já fez um belo estrago com essa nova habilidade. O detalhe é que Creel nem saiu do lugar, pois se encontra detido numa prisão especial.

Na hora, lembrei de Edgar Reese, assassino psicopata interpretado por Elias Koteas, no ótimo Possuídos (Fallen, 1998). Reese estava no corredor da morte e mesmo assim mantinha um sarcasmo pra lá de ameaçador, pois sabia que aquilo não era o fim, mas o começo... Na verdade, ele estava possuído pelo demônio Azazel, cuja velocidade de possessão faz inveja ao Pazuzu, de O Exorcista. Ele é uma entidade "saltadora", que pula de corpo para corpo em progressão geométrica. Lembra tanto o mutante Proteus em sua versão ultimate, quanto a nova concepção do jurássico Homem-Absorvente. A diferença é que o supervilão está na revista do Hulk, que é o Cadillac das entidades incorporadoras. E repara bem para a foto do Reese, ao lado... é ou não é a cara do Creel?!

E como diria Mick Jagger... "Tiiiime is on my side... yes it is..."

Cara, sério mesmo... Muitos não curtem, e eu entendo o motivo perfeitamente, mas o ex-marvete Bruce Jones fez um trabalho irretocável na revista - mesmo alçando o Gigante Esmeralda à mera condição de coadjuvante.

Próxima!

Não sou telepata, mas garanto que o Tony Stark aí está pensando "ufa, quase que me ferro". Um boato recente afirmou que aquele guri que trepa com Britney Spears seria o Homem de Ferro, no vindouro filme a ser dirigido por Nick Cassavetes. Mas antes que Stark pudesse dizer "garçom!", o rumor foi desmentido. Graças a Deus.

E por falar nisso, que fim levou aquela fixação de Tom Cruise pelo papel do Vingador Dourado? Ele pode até não ser lá a encarnação viva do Tony, mas, pelo menos, é bom ator e seria uma espécie de seguro para a adaptação - Cruise dificilmente embarca em furadas.

A propósito, quando eu era um jovem padawan marvete, achava o Tom Selleck, da época do seriado Magnum, a cara do Tony. O ar mulherengo, bon-vivant e playboy era igualzinho. E além de parrudão, o cara já tinha até o famoso bigode. Sem contar que ele se dava muito bem com equipamentos escarlates...

"Higgins...! Cadê as chaves da Ferrari?!" :P


dogg, ouvindo direto Recipe 4 Hate e Stranger Than Fiction, do Bad Religion... não pude ir ao show. Merda.


Anexo 10/12:

Logo no fim da quinta-feira, duas pauladas. A primeira é sobre mais um absurdo ocorrido no dito mundo "civilizado". Dimebag Darrell, guitarrista eternizado pelo seu trabalho no Pantera, foi covardemente assassinado durante um show do Damageplan, a sua banda atual, na quarta-feira última (dia 8/12). O assassino chama-se Nathan Gale, de 25 anos, e foi morto pela polícia logo após disparar 4 tiros no músico, ferir o baterista Vinnie Paul e matar mais 2 pessoas da platéia (Nathan Bray e Erin Halk). Também houve uma 5ª vítima, ainda não identificada.

A tragédia infelizmente não se trata de um caso isolado. Não é apenas por Dimebag, mas por todas as pessoas que foram vitimadas por essa violência desenfreada, ampliada ainda mais pelo comércio indiscriminado de armas de fogo. E essa é uma lista imensa, que vai de Dimebag até Sabotage e Marcelo Yuka, passando por milhares de pessoas e famílias literalmente destruídas num piscar de olhos.

Um episódio triste, ocorrido no mesmo dia da morte de John Lennon, há 24 anos atrás - também assassinado por um louco armado. Que Deus nos ajude.

Pra fechar, uma notícia até certo ponto melancólica. O Alcofa está pendurando o escudo do Capitão Ultimate. Ele é um dos caras mais autênticos a escrever na web, e que eu sempre admirei pela sua total desencanação. O bom de ler os seus textos - além do gosto por rock'n'roll e HQs - é a sensação de indiscutível honestidade que eles transmitem. E isso é uma coisa muito difícil de encontrar por aí.

Pelo menos existe um lado positivo. Em seu "último" post, ele prenuncia grandes - e ótimas! - mudanças em sua vida pessoal, o que é sempre uma boa notícia. E se dar um tempo no blog faz parte do processo, que seja!

Muito sucesso e grandes conquistas pra você, cara. Vai lá que você merece! :)