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terça-feira, 5 de setembro de 2023

Ela esteve na banda


Publicado em dezembro de 2010, I'm in the Band: Backstage Notes from the Chick in White Zombie é uma janela para o que rolou de mais legal na cena alternativa do rock e do metal dos anos 1990. Escrito por Sean Yseult, baixista e co-fundadora do White Zombie, o título ganhou um tapa de seu generoso acervo de imagens e materiais inéditos. O resultado é um mix de álbum de fotos com livro de memórias, repleto de informações de bastidores e de suas impressões daquela cena do barulho.

Para aficcionados da banda e da geração: é obra atemporal, para consultas. E uma delícia.

Em relação à carreira de Yseult (pronuncia-se "Issó"), I'm in the Band começa do ano zero, com ela ainda gurizinha frequentando as aulas de balé. E segue pela sua paixão pela cultura underground até a formação do White Zombie em 1985 – então um grupo de noise/rock de garagem, incensado por gente como Kurt Cobain e o pessoal do Sonic Youth (!) – e envereda na descoberta do metal e no sucesso comercial.

Nesse ponto, salta aos olhos o contraste entre seus dias de porão, se apresentando em clubes como o CBGB, e as gigs-monstro, com apresentações consagradas no Monsters of Rock em Donington e num Hollywood Rock abarrotado no Brasil...

...onde, aliás, passaram dias de rockstar no "Rio de Janiero" e matando "capraihnas" em Copacabana, apesar do medo de terem as mãos decepadas por motoqueiros punguistas from hell com muita pressa. Achei graça. Mas não duvido.


A fuça dos jovens meliantes; flyers operação-de-guerra; o início da virada; a tensão pré-palco




Na alta roda: com Elvira, Danzig, Marilyn Manson, Cramps e Pantera



Confraternizando com Deuses do Rock and Roll



Zé do Caixão, o “Coffin Joe”, encarnando no cadáver da baixista e recebendo a devida homenagem do White Zombie

Além dos registros históricos, Yseult, hoje quase exclusivamente artista plástica, também aproveitou para oferecer sua perspectiva única de um meio majoritariamente masculino. Inclusive o subtítulo do livro, "The Chick in White Zombie" ("a mina do White Zombie"), é o apelido dado a ela por Beavis & Butthead sempre que eles assistiam algum videoclipe do grupo. Não foi fácil. Não é fácil.

A nota destoante vai para a parte física: o brochurão de quase 200 páginas em formato paisagem (wide) é um lutador peso pesado. É preciso preparar bem o terreno antes de começar a aventura e evitar algum acidente irreversível. Também é recomendável lavar as mãos antes do manuseio. As páginas são em couché de alta gramatura e praticamente todas têm fundo preto. Então, se não quiser deixar as digitais impressas ali para a posteridade...

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Retrospec Dezembro/2019

Enfim, morreu 2019.



E não volte mais!



1/12¹ - Na noite de 30 de novembro de 2019, o Slayer fez sua última apresentação ao vivo no The Forum, em Los Angeles. Hoje, a imagem de Tom Araya se despedindo corre o mundo. E dá aquela pontada no coração...

1/12² - Tem uma coleção de 2 ou 3 mil HQs e está começando a ficar preocupado? Sabe de nada, inocente.

2/12¹ - Da seção necrofagia HC: empresa pede indenização pelos shows que o Charlie Brown Jr. não fez porque Chorão morreu. Tcharroladrão...

Dezembro chegou, e com ele, nossa leva de checklists! Temos três novidades no Checklist Regular, incluindo um novo...
Publicado por Mythos HQs em Segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

2/12² - Gibi do Neymar, rolando no chão das melhores bancas da cidade. O primeiro youtuber que ostentar esta obra no fundão do vídeo é a mulher do padre!

2/12³ - Fim de uma era cannábica: Willie Nelson larga a marijuana!


3/12¹ - Sai o trailer de Viúva Negra. Várias cenas de ação grandiosas sambando sobre as leis da Física; gostei do Guardião Vermelho fatso e do lindo trio Johansson-Pugh-Weisz. Spoiler: Natasha não morre no final. Pronto, falei.

3/12² - Em agosto de 1975, o Cavaleiro da Lua fazia sua estreia na revista do Lobisomem. Agora, irá devolver o favor pro peludão em sua série live-action na Disney+.

3/12³ - A Fox está desenvolvendo um novo filme da franquia O Planeta dos Macacos com o diretor Wes Ball, da trilogia Maze Runner.


4/12¹ - Segundo o próprio Zack Snyder em sua conta no Vero, é vero: o Snyder's Cut de Liga da Justiça ecziste!

4/12² - A pré-produção de Tigra & Dazzler, a série animada de Tigresa e Cristal via Marvel/Hulu, é temporariamente suspensa. Nada menos que o time de roteiristas e a showrunner Erica Rivinoja foram demitidos - "diferenças criativas" é o motivo divulgado. E deve ter sido uma puta diferença criativa.

5/12¹ - Peninsula é o título escolhido para a continuação de Train to Busan (2016), o espetacular zombie movie sul-coreano - ou 좀비 영화 - que injetou um novo fôlego no exaurido gênero. A estreia está prevista para 12 de agosto de 2020. Na trama, um grupo de sobreviventes tenta fugir de uma Coreia sitiada pelos mortos. Difícil não lembrar daquela sequência de Guerra Mundial Z (o livro) com uma Coreia do Norte completamente deserta na superfície, mas com 23 milhões de zumbis se acotovelando em abrigos subterrâneos. Seria um sonho realizado ver isso na telona...


5/12² - Holy fuck: Holy Avenger, o mangá-BR de Marcelo Cassaro, vai ganhar animação. O único contato que tive com o material foi a geral feita no Blog do Amer, além da inesquecível pinup do Roger Cruz para a personagem spin-off Vitória - que derrubou os servidores do finado Images Central em 2003 com tantos pageviews...


Mas o mangá foi sensação no longínquo início dos anos 2000, há mais de 15 anos... Terá alguma atenção no competitivo cenário animê atual?

6/12¹ - George Miller até confirma a sequência do divertido Mad Max: Estrada da Fúria, mas vai demorar.


6/12² - Na CCXP 2019, a Panini divulga vários lançamentos para 2020 (@ Fora do Plástico).

6/12³ - Deu no ISBN: Batman - A Queda do Morcego finalmente vem aí! E o provável preço absurdo também. E a igualmente provável ausência de tie-ins. Boa sorte a todos.

7/12 - Na CCXP 2019 uma barreira de proteção cede e Ryan Reynolds quase vira estatística no "Bolão da Morte". Hein, hein?

8/12¹ - Durante seus mais de 40 anos de carreira, Frank Miller já provocou a esquerda muitas e muitas vezes em suas obras. O que ele não pode fazer, sob hipótese alguma, é provocar a direita. Mas o mestre responde com carinho.


8/12² - Hoje faz 15 anos que o grande Dimebag Darrell faleceu em mais um capítulo lamentável deste mundo armado até os dentes. Cara, parece que foi ontem.

8/12³ - Na CCXP 2019, a Panini inova e erra até no slide de apresentação dos lançamentos. Mano...


8/124 - Sai o trailer de Mulher-Maravilha 1984 e senti como se Cher e Olivia Newton-John fossem surgir a qualquer momento. Mas o sorrisaço da Gadot é pura maravilha.


9/12¹ - Sai o trailer reverente e nostálgico de Ghostbusters: Mais Além. Não será cedo - ou tarde - demais para uma nova tentativa?

9/12² - Vicky Cornell, viúva do saudoso Chris Cornell, está processando o Soundgarden pelos royalties de gravações não lançadas. Até aí tudo bem. O que é do homem o bicho não come, o que é da mulher o bicho quer. Só que o barraco já está formado.

9/12³ - Coringa foi exibido na Casa Branca e o Presidente Trump adorou. O que ninguém sabe é se ele vai gostar do que o Coringa vai aprontar na edição #1 de Dark Knight Returns: The Golden Child.


10/12¹ - Se vai a cantora Marie Fredrikkson, aos 61. A eterna voz da banda sueca Roxette iniciou sua carreira em 1978, no grupo punk Strul. São emblemáticos o seu timbre melódico e alcance vocal (muito similares aos das irmãs Ann e Nancy Wilson, do Heart) e o visual punk fashion com cabelos loiros, curtinhos e espetados. Desde 2002 Marie lutava contra um câncer, mas nunca parou de trabalhar.

10/12² - Quentin Tarantino revela que tem "uma ideia que pode ser interessante" para uma nova sequência de Kill Bill. Tradução: ele viu algum filme obscuro dos anos 70 com uma ideia que pode ser interessante para uma nova sequência de Kill Bill.


10/12³ - Bizarrice normal nesse mundo de direita surreal: do Twitter oficial da campanha de reeleição do Presidente Trump, ele se compara a Thanos e avisa que também é "inevitável". Perderam a parte que explicava que, além de vilão, ele era louco e genocida. Ou será que não...? 🤔

After my initial feeling of being violated, seeing that pompous dang fool using my creation to stroke his infantile ego,...
Publicado por Jim Starlin em Terça-feira, 10 de dezembro de 2019

10/124 - Jim Starlin, lógico, ficou indignado com a audácia do Titã Laranja.

Rumor has it I’ll be on Newsroom with Brook Baldwin Friday, some time between 2:00 and 4:00pm EST. Wonder what we’ll talk about.
Publicado por Jim Starlin em Quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

11/12¹ - Após o vídeo viralizar, Starlin foi convidado pela CNN para uma breve elaboração.

11/12² - Donald Trump, "JM Bozo" e até Greta Thunberg. Nada de subtextos ou alegorias em Dark Knight Returns: The Golden Child, de Frank Miller & Rafael Grampá: é um ataque frontal!

11/12³ - Após idas e saídas, a Marvel TV irá fechar. Com várias produções em andamento (tanto live-action quanto animações), o leque de parcerias deve aumentar, ao exemplo da Marvel-Hulu.

12/12¹ - O mestre Barry Windsor-Smith está de volta com a graphic novel Monsters. Lançamento previsto para 2020.

12/12² - Robert Kirkman e Chris Samnee anunciam o lançamento da série Fire Power, via Image Comics. Que à 1ª vista parece uma chupinhada ocidental de Goku & Mestre Kame. Lançamento previsto para março.


12/12³ - Se vai Danny Aiello, aos 86. O veterano ator começou sua carreira no início da década de 1970 e participou de tantos momentos antológicos do cinema que fica até difícil listar - seu 2º papel foi em O Poderoso Chefão 2, só pra ter uma ideia. Acho que nunca passei um ano sem assistir algum Aiello. E meu personagem favorito dele provavelmente é o Sal, de Faça a Coisa Certa (Spike Lee, 1989). Inesquecível.

12/124 - A Amazon vai abrir um centro de distribuição em Pernambuco. Finalmente. Talvez, num futuro próximo, isso até faça a concorrência rever sua política de fretes irreais para o Nordeste.

12/125 - Empyre é o grande evento da Marvel para 2020. Começa em abril, mas o terreno já está sendo preparado em Incoming!, lançada este mês.


12/126 - Zack Snyder posta uma foto do seu Superman. Um Dark Superman. Alguma surpresa?

14/12¹ - Hoje é o aniversário de 40 anos de London Calling, clássico maior do The Clash. Dia de ouvir a linha de baixo do Paul Simonon no repeat.


14/12² - Como qualquer produto Star Wars, o merchan oficial de The Mandalorian é avassalador, mas o fenômeno Baby Yoda ainda não vai rolar neste Natal: lá fora, a pré-venda começa só no final do mês para a primavera de 2020. Mas sempre tem os piratão.

14/12³ - Orlando Jones é dispensado de seu papel de Anansi/Mr. Nancy em Deuses Americanos e deu ruim. O ator se refere à companhia produtora da série como "pesadelo" e chega até a puxar a carta racial. Epaaa...


15/12¹ - O Red Hot Chili Peppers anuncia a saída do guitarrista Josh Klinghoffer e, o mais surpreendente, o retorno de John Frusciante à banda. De novo. Quantos dias vai durar dessa vez?

Poisé, figura... não deu! Infelizmente, nosso Catarse de pré-venda de KRAKEN, de Segura e Bernet, não atingiu a meta...
Publicado por Figura em Segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

15/12² - Iniciado pela editora Figura, o Catarse de Kraken, de Antonio Segura e Jordi Bernet, não atingiu a meta. Sacanagem.

16/12 - Quentin Tarantino queria fazer uma versão on the road com Michael Myers em Halloween: The Curse of Michael Myers (1995) - aquele, com o então desconhecido Paul Rudd. A ideia é ruim, mas não tanto quanto o próprio filme, especialmente a bizarra versão The Producer's Cut lançada em 2014. Pobre Jamie.

Demolidor: Amarelo (Panini) 2019 Balões trocados #errohqs
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Terça-feira, 17 de dezembro de 2019

17/12¹ - Errão no DD Amarelão. E eu queria pegar esse. Porra, Panini!

17/12² - Já na premiere, Star Wars: A Ascensão Skywalker está polarizando geral. Pra mim, que não morri de amores por O Despertar da Força, a nova trilogia passou e muito do point of no return com Os Últimos Jedi. É enterrar o assunto com calcário, argila, sal grosso, água benta e nunca mais tocar no assunto. Partir pra outra. De preferência, seguindo a pegada low profile de Jon Favreau em The Mandalorian.


17/12³ - Liberado o trailer de Superman: Red Son, adaptação da graphic Elseworld de Mark Millar & Dave Johnson. Então... além de imigrante ilegal, comunista. Será que vão implicar?

17/124 - John Constantine, Hellblazer entra na reta final pela Panini e a editora divulga as próximas republicações. Bom saber que reeditarão a curta fase da Denise Mina, que ninguém lembra e mesmo assim está a preço de ouro nos Mercenários Livres.

18/12¹ - Sai o teaser de Um Lugar Silencioso 2 com as novas aventuras de uma família do barulho!


18/12² - A Netflix anuncia a série animada He-Man and the Masters of the Universe. O desenho será em CGI/3D e o plot é uma "reimaginação da franquia clássica" - o oposto da série animada em 2D Masters of the Universe: Revelation, capitaneada por Kevin Smith para a mesma Netflix e que dará sequência aos eventos da mesma franquia clássica. Etérnia virou Ibiza!

19/12¹ - O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos classifica Wakanda como parceiro comercial. Consultadas, Latvéria e Attilan preferiram não se manifestar sobre o assunto.


19/12² - Se vai o grande artista plástico recifense Francisco Brennand, aos 92. Contemporâneo, colaborador e amigo de Ariano Suassuna, Brennand se especializou como ceramista. Suas obras são maestras, um genuíno patrimônio nacional (ou assim deveriam), e o universo paralelo que erigiu em sua Oficina Brennand são uma verdadeira experiência. Uma perda inestimável para a arte e a cultura brasileiras.

19/12³ - Curto ver ícones se divertindo entre meros mortais. Dessa vez, Sylvester Stallone surpreende estudantes durante uma visita à estátua de Rocky, no Philadelphia Museum of Art. Muito bacana.

19/124 - Opa, crossover Transformers Vs. The Terminator via IDW/Dark Horse? Tecnicamente, não faz o menor sentido, mas já estou louco pra conferir isso. Lançamento previsto para março de 2020.

19/125 - Até o Imperador Palpatine ficou surpreso com a volta do Imperador Palpatine.

19/126 - Paula Toller vence o processo movido contra Leoni e o Partido dos Trabalhadores pelo uso não autorizado da música "Pintura Íntima" na campanha presidencial de Fernando Haddad. A bela reclamante irá receber R$ 50 mil do artista e mais R$ 100 mil do PT. "Deixa as contas, que no fim das contas, o que interessa pra nós éé-éé é..."


20/12¹ - Zilda Cardoso se vai, aos 83. A carreira da atriz e comediante paulista começou em 1961. No cinema teve poucas, mas marcantes participações em filmes do Mazzaropi e do Golias, além do clássico Se Meu Dólar Falasse (1970). Na TV a humorista foi prolífica, especialmente através da folclórica Catifunda, a mendiga malandra que vivia fumando charuto - uma personagem maior que ela mesma.

20/12² - Terry Gilliam teve a menor suspensão de descrença da História ao assistir Pantera Negra. Entre outras coisas, falou que odiou o filme e a importância que a mídia deu a ele, além de dizer que "os realizadores certamente nunca foram à África". Pra mim, pareceu que o genial cineasta nem sabia que se tratava da adaptação de uma HQ. E talvez esperasse algo como Diamante de Sangue, Hotel Ruanda ou outro dos milhares de filmes que retratam a realidade mundo-cão da África.


20/12³ - Se vai Gerry Alanguilan, aos 51. O excelente desenhista e arte-finalista filipino - puro pleonasmo - trabalhou em inúmeros títulos da Marvel nas últimas décadas (de New X-Men e The Amazing Spider-Man a Avengers e Star Wars) e manteve uma parceria regular com o conterrâneo Leinil Francis Yu em obras como Superior e Super Crooks, de Mark Millar, além de Superman: O Legado das Estrelas, de Mark Waid. Em 2009, Alanguilan viralizou com o vídeo "Hey, Baby!" (quase 7 milhões de views), também conhecido "The Creepy Smile Guy"...


...que ainda é hilário, por sinal. E ele ainda ensinou como fazer. Grande cara!

20/124 - A Snydermania não encontra limites. "ANN SARNOFF PLEASE #RELEASE THE SNYDER CUT", era o que estava escrito em um banner puxado por um avião sobrevoando os estúdios da Warner. E Zack Snyder curtiu isso.

21/12¹ - Com a boa recepção de Dolemite Is My Name, da Netflix, a participação no Comedians in Cars Getting Coffee, de Jerry Seinfeld, e o enorme sucesso de sua volta ao Saturday Night Live, Eddie Murphy parece ter cimentado aquele retorno triunfal que comentei dia desses.

21/12² - Harry Potter Daniel Radcliffe está sendo considerado para o papel do Cavaleiro da Lua, a vindoura série da Disney+. O rapaz é, de fato, esforçado. Mas depois da atuação impressionante de James McAvoy em Fragmentado (Split, 2016), fazendo um personagem-limite com P.I.D. (igual ao nosso herói!), fica difícil sequer pensar em outro ator para o trabalho.


22/12 - Se vai Ubirajara Penacho dos Reis, o Bira, aos 85. Por 25 anos, o carismático baixista foi integrante da banda dos programas de entrevista do Jô Soares, onde ficou famoso pela exímia musicalidade e pela estrondosa gargalhada - mas começou a carreira já na década de 1950, como cantor em boates e hotéis de Salvador. Grande veterano e uma figuraça.

Coleção Histórica Marvel - Paladinos Marvel nº 9 (Panini) 2019 "Cavaleiro da Rua" #errohqs
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

23/12¹ - Se cuidem, malfeitores. Chegou o Cavaleiro da Rua!

23/12² - Após perder a ação movida por Paula Toller, Leoni contra-ataca e a processa pelo uso não autorizado da música "Como Eu Quero". Só processos com gostinho de anos 80. Se eu fosse o juiz, colocava os dois num duelo com pandeiros. O primeiro que der uma pandeirada na cabeça do outro, ganha a ação. Leoni pode ser homem, mas Paulinha tem mais experiência no assunto.

24/12¹ - Após receber uma saraivada de críticas pelo filme A Primeira Tentação de Cristo, via Netflix, o canal Porta dos Fundos teve sua sede atacada com coquetéis molotov. Felizmente, o atentado não deixou vítimas, excetuando, claro, o 5º Mandamento.

David Riley 7/30/1960 - 12/24/2019 Sad news my Chicago friends. My dearest friend and longtime housemate Dave Riley...
Publicado por Rachel Brown em Terça-feira, 24 de dezembro de 2019

24/12² - Se vai Dave Riley, aos 59. Natural de Detroit, Riley trabalhou como assistente de engenheiro de som para George Clinton em suas instituições funk Parliament–Funkadelic, mas se notabilizou como baixista da banda noise/pós-punk Big Black, de Steve Albini. Para os vanguardistas e post-rockers, a true to the bone.

24/12³ - Nos extras do home video de Superman: Red Son virá mais uma peça da excelente série de curtas DC Showcase. Com direção de Bruce Timm, o protagonista da vez é o misterioso Vingador Fantasma - com raras exceções, personagem só menos desperdiçado que seu primo brasileiro, o Capitão Misterio, que não passou dos corner boxes da Bloch.


26/12¹ - Sue Lyon se vai, aos 73. É quase impossível encontrar uma imagem recente de Suellyn, o padrão que sigo nesses obituários, mas nesse caso até que se justifica. Então com 14 anos, ela foi a Lolita da adaptação de Stanley Kubrick para o livro homônimo de Vladimir Nabokov. Sua imagem deitada ao sol (e bagunçando o imaginário de todo mundo) ficou eternizada na História.

26/12² - Donald Trump ficou laranja de raiva depois que a TV pública canadense CBC cortou fora sua pontinha em Esqueceram de Mim 2. Right-wingers, that's your leader?


26/12³ - Nirvana news: O vídeo de Smells Like Teen Spirit alcança a marca de 1 bilhão de visualizações no YouTube. E vamos ao 1 bilhão e uma.

27/12 - Ryan Reynolds confirma o óbvio: Deadpool 3 sairá pela Marvel Studios. Contanto que seja divertido como o 1º e menos besteirol que 2º, tá valendo. Mas como ficará o Cable situation?


29/12 - Vaughan Oliver se vai, aos 62. O designer gráfico britânico ficou famoso por seus trabalhos para o cultuado selo 4AD. Entre eles, estão obras que ajudaram a definir a estética alternativa das décadas de 1980/1990, como as capas icônicas de discos do Pixies, Lush, Cocteau Twins, The Breeders, Throwing Muses e Bush, entre muitos outros.


30/12¹ - Se vai Syd Mead, aos 86. Designer industrial e artista conceitual neofuturista, Mead foi um dos nomes mais consagrados e influentes da História do automobilismo e do cinema. Seus trabalhos na 7ª Arte são incomparáveis - Star Trek: The Motion Picture, Blade Runner, Tron, 2010, Short Circuit, Alien, Aliens, Blade Runner 2049 e por aí afora. Esse sim, um verdadeiro visionário.

30/12² - A Netflix irá produzir uma nova série live-action adaptando o clássico moderno Avatar: A Lenda de Aang. Posso estar enganado (gostaria), mas acho que esse barco já foi após a tentativa fracassada do longa de M. Night Shyamalan. Preferia continuassem com o universo da saga nos mesmos moldes da ótima A Lenda de Korra. Mas isso é só minha suprema e inquestionável opinião.




Por enquanto é só, pessoal!

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Vulgar Display of White Power


Janeiro não foi para fracos. Em um ano que começou com clima de desesperança e desconfiança geral, nem o entretenimento nosso de cada dia escapou incólume. Das passagens esperadas até as inesperadas de nomes emblemáticos do cinema e da música, foi um mês estranho que só terminou quando finalmente concluiu seu sombrio epílogo.

O que Phil Anselmo aprontou ao final do Dimebash 2016 - e suas consequências - você pode acompanhar cronologicamente em qualquer site de notícias do meio heavy metal. Recomendo em especial a recapitulação dos precedentes feita pelo MetalSucks e o desabafo de Robb Flynn, do Machine Head.

Minha opinião sobre esse tosco episódio é bem simples. Primeiro, Anselmo não é racista. Uma breve passeada pelo YouTube e você o encontra curtindo com seu amigo Doug Pinnick, do King's X, agitando loucamente em uma apresentação do Living Colour e não só tietando como apoiando seus colegas latino-americanos do Sepultura. Mas é óbvio que ele tem sentimentos mal-resolvidos nessa área, ao contrário do que foi dito em seu pedido de desculpas/contenção de danos.

Tive a nítida impressão que a bebida foi o gatilho sim, mas como um veículo acidental para esses sentimentos. Pareceu algo que ele realmente queria tirar de seu sistema. Um grito entalado na garganta por muito tempo. Por toda sua vida, talvez.

Para entender melhor de onde vem esse "grey power", é preciso entender o seu contexto. O que não é tão complicado assim. Um paralelo razoável é o que acontece hoje no Brasil, com esse Fla-Flu político/ideológico pressionando todo mundo.

Cobranças veladas por posturas extremistas e intolerância estão aí, te assediando dia após dia, cada vez mais explicitamente, no trabalho, na roda de amigos, em casa. E usando qualquer boato ou factóide que estiver à mão sem o menor pudor de ser descoberto como falso. Uma mentira repetida mil vezes... sabe como é.

A médio prazo isso acaba surtindo efeitos conflituosos na cabeça de qualquer cidadão. A longo prazo, dentro de uma rotina de insinuações e "bons" conselhos, o estrago é inevitável - o que foi ilustrado à perfeição numa cena-chave do filme A Outra História Americana.


Claro que não sei o que passou na vida privada de Anselmo. Tudo isso é só presunção barata baseada nas contradições que ele vem protagonizando por anos a fio. Psicologia de boteco, certo?

sábado, 29 de dezembro de 2012

20 Years Later


Não, não são zumbis.

1992 no Brasil não foi para fracos. Éramos um país quebrado. Ainda novatos nos meandros da democracia, tivemos nosso primeiro presidente impedido de fazer mais besteiras exercer sua função. Nosso mais alto funcionário público sendo demitido por justa causa. Um arrojo só. Foi bonito ver como os brasileiros ainda se importavam o suficiente após tanta porrada no bolso e na auto-estima. E deu resultado, com ou sem ação Illuminati por trás (epa!). Mas sem querer apagar o brilho patriótico daquele momento, a coisa toda funcionou mais para as primeiras páginas dos jornais e para as capas das revistas. Na prática, aqui no front da guerra civil brasileira, a coisa seguiria praticamente imutável até... bom, até hoje.

(sim, temos banda larga, sinal digital, smartphones, tevês de última geração por preços palatáveis... pena que não se pode dizer o mesmo de bobagens como segurança, saúde, educação, transportes, urbanização, etc ad infinitum e vai embora. De quebra, aquele nosso antigo funcionário voltou das trevas como se nada tivesse acontecido... e fazendo mais alianças que um joalheiro)

(claro que nada disso nos surpreendeu, calejados brasileiros velhos de guerra. Nós comemos PIBs de 0,6% no café da manhã. Com guaraná Dolly! E segue a vida)

Essa síntese rasteira do Brasil de 1992 - as melhores partes ficam pra versão director's cut de quem vivenciou aquilo - serve pra contextualizar o sucateado cenário do pop-rock brasileiro daquele período. A geração da década de 1980 ainda não havia encontrado seus sucessores. Aquele divisor de águas essencial em qualquer cena musical saudável não despontava no horizonte. No mainstream, as gravadoras apostavam todas as fichas no pagode, no breganejo e na novidade axé.

Até haviam alguns esforços heróicos de renovação criativa, como foi o selo Tinitus, do produtor Pena Schimdt, que apesar de algumas boas apostas (Virna Lisi, Yo-Ho Delic) não vingou ninguém no 1º escalão (excetuando, talvez, o ex-cantor da Banda Bel?). Enquanto o pop-rock agonizava, o metal, o punk, o eletrônico e o hip-hop seguiam isolados em seus guetos. O mar não estava pra peixe.

Foi ano de Hollywood Rock, com um cast não tão impressionante - especialmente em comparação com a incendiária edição seguinte. Lá fora o bicho pegava: Metallica excursionando com Guns 'N Roses, mais Body Count, Motörhead e Faith No More abrindo (Nirvana foi chamado, mas recusou); um Reading Festival muito bacana (e bem transmitido aqui pela TV Bandeirantes!); e um Lollapalooza mais bacana ainda.

E sim, também saíram vários discos legais. Muitos deles foram minha trilha sonora diária, rolando no walkman durante o trajeto do meu 1º emprego remunerado até a escola (era o 2º ano do 2º grau). A primeira vez que ouvi "N.W.O." e "Mouth for War" foi num ônibus abarrotado em pleno fim de expediente. Imagina o perigo de um mosh descontrolado ali...

Nos moldes da lista de 1991, segue abaixo uma relação desses álbuns que tanto me marcaram há vinte anos atrás e que ainda ouço regularmente, como se tivessem sido lançados na semana passada. Única ressalva: não inseri discos daquele ano que só descobri tempos depois e hoje teria como essenciais - portanto nada de The Chronic, In Search of Manny, Dry, Little Earthquakes, Check Your Head, T.V. Sky...



Psalm 69: The Way to Succeed and the Way to Suck Eggs (ou ΚΕΦΑΛΗΞΘ) é uma obra-prima da música pesada. O bonde Ministry e sua fusão perfeita de thrash metal, hardcore, eletrônico e industrial tomou o mundo de assalto e influenciou muita gente em várias esferas da música pop. Nunca foi igualado em equilíbrio, definição e intensidade, nem mesmo pelo próprio grupo. Ao lado de Reign in Blood, Psalm 69 segue como a trilha sonora oficial do fim do mundo.



Confesso que não recebi muito bem o sucesso dos cowboys from hell. Um novo nome forte no metal USA justo na hora em que nossos "garotos da selva" conquistavam o mundo? Mas acabei ouvindo a banda praticamente sem querer, no rádio. Fui fisgado na hora. Eram tempos difíceis e, desde a capa até o som, o Pantera nos fazia extravasar todo aquele sentimento de raiva e frustração diante de um futuro incerto. Vulgar Display of Power funciona até hoje.



No EP Broken, o Nine Inch Nails (codinome: Trent Reznor) pavimentou uma vicinal alternativa ao espectro sonoro inaugurado pelo Ministry. O mix partia de suas origens no cenário synthpop e das esquisitices do pós-punk e chapava forte em Bowie (da aclamada "fase Berlim" até Scary Monsters). Tudo absurdamente caótico, selvagem e visceral, com algumas das maiores perversões de sintetizadores e baterias eletrônicas já registradas. Um memorável passeio pelo inferno.



"O futuro do death metal". Ah, esses revisionismos editoriais... Não era nada disso, mas o Helmet projetou algumas saídas para o rock pesado e influenciou muita gente. É verdade que o grupo veio de uma seara de bandas post-hardcore do underground nova-iorquino, mas Meantime era um inédito passaporte pra fora do gueto. Tinha todo o barulho e a violência minimalista daquela turma ao mesmo tempo em que soava acessível na medida. Além disso, os caras tinham o diferencial de uma formação musical mais clássica, inserindo nuances de jazz ao contexto - vide "Give it", uma das músicas mais groovy e pesadas já compostas. Experimentalismo para iniciantes e bastante satisfatório para veteranos. Um discaço.



Era ponto pacífico que o Faith No More não iria parir um novo The Real Thing cheio de hits para as rádios. Não com o fugitivo do manicômio Mike Patton por lá. Mas também ninguém esperava por Angel Dust. O álbum era uma espécie de avant-garde demencial na forma de um metal progressivo com grooves bizarros e enlouquecidamente anticomercial, mas que não reprime a vocação natural do grupo para montar as estruturas básicas do pop (melodia, cadência, refrão, etc.). A ensolarada "A Small Victory", por exemplo, tocou bastante no rádio. Já "Malpractice" nem sonhando.

Foi um disco de difícil digestão, mas que, ouvindo hoje, soa quase totalmente decodificado. De razoável assimilação até para os moleques mais novos, o que creio ser o reflexo de 20 anos de uma profunda influência dentro do cenário do rock pesado. Nem sempre bem administrada, claro.



Apesar de ter curtido o debut, achava que o Alice in Chains não iria muito além daquele grunge hard rock qualquer coisa. Ledo engano. Dirt é um dos melhores álbuns daquela década, um refinamento do melhor aspecto do grupo em seu disco de estreia: temáticas depressivas e mórbidas embaladas por um som opressivo e claustrofóbico. A sensação é de estar preso debaixo de toneladas de escombros - ou fundido inexoravelmente ao chão, tal qual a garota da capa. Absorvendo de forma inteligente o legado do Black Sabbath, o AiC exibia uma versatilidade sonora invejável, sendo as estrelas do show o guitarrista e cantor de apoio Jerry Cantrell e o finado frontman Layney Staley. Viciante.



Fui um dos entusiastas do funk metal durante seu auge, do fim dos anos 1980 até o início dos 1990. Mas em 92, o estilo era notícia velha. Daí o pouco crédito que dei logo de cara ao debut do Rage Against the Machine e seu discurso politizado. Com o tempo, percebi que o som demandava audições mais atenciosas para uma assimilação decente. Culpa das bases que emulavam espertamente o DNA zeppeliniano e um guitarrista que era um dos mais inventivos a despontar no cenário pop em muito tempo.

Mais que um simples registro funk metal (ou rap-metal, etc), Rage Against the Machine, o álbum, passou com louvor no teste do tempo - como ainda atesta um dos finais de filme mais bacanas dos anos 90.



Com seu álbum de estreia homônimo, o Body Count jogou gasolina no incêndio dos distúrbios raciais de Los Angeles em 1992. Além das várias provocações espalhadas pelo disco, uma música em particular foi endereçada aos policiais de LA com a sutileza de um Tomahawk: "Cop Killer". O lobby caucasiano reagiu rápido: banida das rádios e das lojas, a faixa teve que ser cortada das prensagens seguintes, sendo apenas encontrada em compactos vendidos nos shows do grupo. Virou artigo de colecionador, mas na prática era só mais uma engrenagem do disco, que metralhava tudo e todos sem piedade. E sem esquecer da bandidagem e putaria características das rimas de Ice-T - ainda estou pra ver alguém compor algo mais sacana que "Evil Dick". Já o som, era uma maravilha de hardcore/thrash/rock 'n' roll barulhento, tosco e furioso. Divertido até hoje.

Tive esse disco em várias edições. Com exceção do K7 lançado na época, "Cop Killer" estava em todas, provavelmente solta sob condicional. Sinal dos tempos. E Rodney King, pivô daquilo tudo, morreu em junho último, com 47 anos. Sem revolução dessa vez.



O melhor show do Hollywood Rock '93, fácil. A discografia do L7 beira o impecável, sendo Bricks Are Heavy seu momento mais pop. A equação sonora era perfeita (Ramones + Motörhead + Joan Jett + Black Sabbath x Suzi Quatro), mas para domar o furioso punk metal de garagem dessas belas-feras foi preciso ninguém menos que o Midas grunge Butch Vig. O resultado não podia ser diferente: um álbum pesado, ganchudo, espirituoso, emputecido e acima de tudo divertido, vertendo uma velha máxima dos 80's para os 90's: "Riot grrrls just wanna have fun".

Eu amo essas garotas e queria ser o cachorro delas.



Dirty ainda é meu disco favorito do Sonic Youth. Sei, sei, Sister, Daydream Nation e Goo são os queridinhos da torcida, mas o páreo é duro. Novamente, culpa do então onipresente Butch Vig na produção e um senso mais palpável de acessibilidade envolvendo o noise obsessivo do grupo. Logicamente foi mais uma das tentativas das grandes gravadoras de encontrar um novo Nirvana. Não vingou simplesmente porque o Sonic já tinha uma personalidade muito bem definida e nem um pouco preocupada em agradar a todos. Mas rendeu um discaço.



Incesticide não era exatamente o disco que estava nos planos de Kurt Cobain para o Nirvana pós-Nevermind. Mas seu aval foi relativamente barato: o controle criativo do design gráfico do álbum, incluindo a pintura (dele mesmo) que ilustra a capa. Ainda bem, já que Incesticide - composto por lados B, demos, outtakes, covers e performances em rádios - foi a última chance dos admiradores do excelente Bleach de ouvir o Nirvana cáustico e cru dos primórdios.

Esse eu tive em fita cassete. Tempos depois, em CD. Atualmente voltou aos fones de ouvido em formato, digamos, "compacto".



Os anos 70 estavam sendo pilhados naquele início de década, mas o grupo californiano Kyuss abraçava uma vertente mais underground (e mais legal) que seus colegas de Seattle. Se era pra seguir os passos de Ozzy, Iommi & cia, então que fosse pra valer. E dá-lhe afinações subterrâneas fazendo a ponte entre a psicodelia e o groove dos power trios dos 60's e o heavy metal dos 70's. Blues for the Red Sun era apenas um bando de moleques se divertindo. E fazendo história.



Na época, comprei esse LP num sebo pouco depois do lançamento, por uma ninharia, junto com o New York. Deus abençoe a ignorância alheia. Lou Reed compôs Magic and Loss inspirado pelas mortes de dois amigos (Doc Pomus e Rotten Rita). É um álbum conceitual sobre a morte e o processo que leva a isso. É sobre resignação, arrependimentos, dor, solidão e... lâminas. Apesar de parecer muito deprê - e é - o disco tem um certo humor cruel, uma riqueza textual e uma beleza dramática únicas. Musicalmente, é rock de raiz interiorana, soturno e intimista ao extremo, pra ouvir em silêncio e de luzes apagadas. Esse merece a total atenção.

Foi o 1º disco em que não larguei o encarte até conseguir traduzir e interpretar tudo do início ao fim. Foi um parto, mas valeu a pena. Era eu e meu fiel dicionariozinho do cursinho de inglês contra o mundo...



O Screaming Trees já era um veterano quando estourou com a faixa "Nearly Lost You" na esteira da onda grunge. Ao ouvir o bolachão de Sweet Oblivion logo percebi que a musicalidade do grupo estava muito acima de seus colegas de cavanhaque e camisa de flanela. Mais ligado ao hard blueseiro e ao southern rock (Allman, Lynyrd) com boas doses de psicodelia e country do bom (Gram Parsons), os Trees eram músicos de verdade. Na bateria estava o grande Barrett Martin (QotSA, REM, Nando Reis), na guitarra e no baixo estavam os hermanos Gary Lee Conner e Van Conner e na voz curtida à bourbon e gin tônica, a entidade estradeira Mark Lanegan. Aí compadre, é calar a boca, abrir um JD e apertar o play...



Eu já desconfiava que a pecha de "melhor banda ao vivo do mundo" era viral de assessoria de imprensa. Mas na época ouvi muito o LP de Grave Dancers Union, do Soul Asylum (que comprei junto com o Sweet Oblivion... incrível como a gente lembra dessas coisas após tanto tempo). O disco sentiu um pouco os efeitos do tempo, mas ainda sinto o feeling verdadeiro registrado ali, que tem muito a ver com a evocativa e belíssima capa - retirada de uma fotografia do artista tcheco Jan Saudek - e a interpretação desavergonhadamente entregue de Dave Pirner.

Ainda me arrepio com o clipe de "Runaway Train". E mais ainda com seus diferentes resultados, felizmente em sua maioria positivos.



Difícil descrever a sensação que tive ao ouvir esse álbum pela 1ª vez. Em Images and Words, o Dream Theater promovia uma inesperada fusão de Metallica e Rush com arranjos soberbos e revelando uma técnica absurda ao lidar com o progressivo, o jazz e o AOR. E sem soar chato ou elitista, ainda que muito pretensioso (também, né!). Pra mim, é o ponto de perfeição do grupo e certamente o disco que definiu o prog metal.



Quando ouvi o White Zombie pela 1ª vez achei que se tratava de alguma incursão solo ou mesmo um projeto paralelo do James Hetfield. Isso graças ao timbre da voz do Rob Zombie, idêntico ao do colega da Bay Area. La Sexorcisto: Devil Music, Vol. 1 era um pandemônio sonoro: riffs à Slayer conduzindo um climão de horror B sugado diretamente da fonte de Cramps, Kiss e Black Sabbath com uma massa ectoplásmica de samples que iam de Faster, Pussycat! Kill! Kill! e Despertar dos Mortos à Plano 9 do Espaço Sideral e O Massacre da Serra Elétrica. Em suma, irresistível.



Burning in Water, Drowning in Flame é o primeiro e melhor álbum do Skrew. Metal industrial über-abrasivo, com um paredão de guitarras e drum machines que socam no peito até romper a caixa toráxica. A versão do clássico "Sympathy for the Devil" lembra um Slayer acordando de ressaca dentro da Matrix. Segundo consta, o disco teve co-engenharia de Al Jourgensen, além de contar com a participação do mesmo e do recém-falecido guitarrista Mike Scaccia, também do Ministry. Perfeitas más companias, como convém.



Cool World - por aqui, Mundo Proibido - só fui assistir tempos depois, quando já sabia quem era Ralph Bakshi. Mas a trilha sonora caiu em minhas mãos bem cedo, num daqueles saldões "pague 2, leve 3". Peguei só pra completar. E, sim, pela loira cartunizada da capa. Mas quando ouvi tive uma bela surpresa. Com exceção de David Bowie, Electronic, The Cult e talvez Brian Eno, o disco reunia nomes ainda pouco conhecidos no Brasil (Moby, The Future Sound of London, Pure), traçando um instigante cenário da música alternativa lá de fora. Por exemplo, foi aqui que tive acesso pela 1ª vez a algum material do My Life with the Thrill Kill Kult, que comparece em duas faixas.

Analisando em perspectiva, a seleção ainda hoje surpreende pela qualidade e ousadia. Mesmo os momentos puramente dançantes (Da Juice, Mindless) ou cabeções (Eno) são bacanas, além de terem contrapontos de peso. Que tal curtir o trance viajandão do Future Sound of London e logo após se deparar com o terremoto provocado pelo Ministry em "N.W.O."? Insano.



Sem contar a fase inicial insuperável, Mondo Bizarro talvez seja o meu álbum favorito do Ramones. O disco não trazia nenhum clássico per se, nem um hit do calibre de "Pet Sematary" - no máximo, "Strength to Endure", a balada "Poison Heart" e a porrada "Tomorrow She Goes Away" foram relativamente bem veiculadas. Mas era o Ramones se preocupando apenas em ser o Ramones. Punk rock 'n' roll alto, rápido e bagunceiro, com a guitarra do inesquecível Johnny soando como há tempos não soava e a voz do Joey idem.

A inspiração e o tesão haviam voltado. Boa parte do crédito é de Ed Stasium, produtor da maioria dos principais álbuns do quarteto e que não comparecia ali desde Too Tough to Die, de 1984. Ainda ouço no volume 10, com a mesma frequência de quando saiu.


Bonus tracks:



Somewhere Between Heaven and Hell, do Social Distortion, é o azarão da vez. Fiquei na dúvida se incluiria, já que nunca tive em formato oficial, pois era muito difícil - pra não dizer impossível - encontrá-lo por essas bandas. Tive foi uma fitinha Scotch gravada do LP importado de um amigo (pirataria à moda antiga), já bastante detonada pelo tempo e pelas execuções infindas. Não era pra menos. Difícil crer que uma combinação de country e hardcore seria tão acachapante. Não tem bola perdida aqui, todas as faixas são arrasadoras. All killer, no filler total.



RDP ao Vivo do Ratos de Porão não podia faltar, claro. Esporro altamente concentrado de Gordo & cia e um dos melhores discos ao vivo já registrados em terras tupinambás - mas vou te dizer... se tiver a chance de conferir o show do Ratos in loco não perca. É a versão Godzilla disso aqui.



Lançado lá fora no final de 91, Decade of Aggression até que não tardou em aportar em terra brazilis. Eu ainda nem conhecia todos os discos - só o Reign in Blood e o South of Heaven - mas quando a agulha começava a correr naqueles sulcos de vinil enxofrento a sensação de violência e malevolência (não confundir com malemolência) era indescritível.

Ou melhor... até era descritível, mas pra isso terei que apelar para um excerto um tanto quanto "empolgado" da revista Rock Brigade da época em que ainda era datilografada e mimeografada (sério):

“Os guitarristas do Slayer rasgam os seus dedos, destroçando as cordas do mais perfeito instrumento projetado pelo capeta. Power metal (sic!) elevado á última instância, tempestuoso e corrosivo, feito somente para headbangers. Roncando e vomitando fogo, como se um cometa explodisse dentro de um vulcão em erupção!”

(...)

“Misericórdia não existe! Não cabe na filosofia Heavy, por isso que Dave Lombardo pulveriza as moléculas do ar com suas patadas letais na mesma medida em que o terremoto provocado pelo baixo de Tom Araya invoca Satanás para a destruição! Não tem música melosa! A mais lenta faz qualquer um sair por aí chamando urubu de ‘Meu Loro’ e Jesus de Jenésio.”

Créditos da resenha headbanger-true-of-death: Berrah de Alencar (sério²).


Como vociferava o Gordo nos bons tempos do Garganta e Torcicolo...

SLAAAAAAAAAAAAYEEERRRRR!!!