quarta-feira, 18 de julho de 2007

O FIM ESTÁ PRÓXIMO


...e o Ministry começa a desligar seus motores secundários, após 26 anos de funcionamento nonstop. Vazou ontem na rede The Last Sucker, último álbum de estúdio da banda (finalizando assim a trilogia/atentado à administração W. Bush iniciada em 2004 com House Of The Molé e seguida por Rio Grande Blood, de 2006).

O canto do cisne foi anunciado em maio do ano passado pelo alter-ego do grupo e anti-republicano de carteirinha, Al Jourgensen. Entre os motivos para o término das atividades, ele destacou a manutenção de seu novo selo, 13th Planet Records, a produção de bandas e, principalmente, evitar que o Ministry se torne uma caricatura ("and doing crappy Aerosmith and Rolling Stones albums 30 years later").

Geralmente, grupos com fim de atividade programado agendam a longo prazo certos packages estratégicos. O esquema continua o mesmo. Senão, vejamos: Rantology (2005) é a coletânea (ainda que subverta o formato) e Rio Grande Dub (2007) é o disco de remixes. Agora só falta o Live. O fato é que de Ministry mesmo só tem mais esse resto de ano. Concluindo a atual "MastubaTour", eles fecham o boteco ao vivo com a "SeeYouLaTour". Em 18 de setembro, eles lançam The Last Sucker. Depois disso já era.

O fim da banda deixa o mundo mais babaca, mal-humorado e politicamente correto. Com a saída do baixista e ex-parceiraço Paul Barker em 2003 (o único colaborador fixo), o Ministry termina sua existência da mesma forma como começou - pelas mãos de Al Jourgensen, como uma one-man-band. Triste ainda é constatar que a trilha dessa despedida é simplesmente um dos álbuns mais destruidores do ano. Jourgensen preparou um track-list violento, direto e, de certa forma, menos dispersivo e mais "musical" que os últimos discos. Ao todo são onze lajotadas na testa.


A faixa de abertura Let's Go, é thrash dos bons e chega derretendo os auto-falantes com um riff serra-elétrica e um solo psicótico de Mike Scaccia (ex-Rigor Mortis). Watch Yourself é um speed metalzão mixado com EBM old school. Lembra algo do The Land Of Rape And Honey, de 1988, produzido com tecnologia atual. A ritmada Life Is Good, é o Service Pack 2 do Sepultura fase Chaos AD. The Dick Song é escandalosamente pesada. Poderia facilmente constar no repertório do sujão 1,000 Homo DJ's, uma das filiais do Al. A faixa-título resgata a essência pós-punk na qual o grupo foi tão influente. No Glory e Death & Destruction são literalmente morte e destruição sem glória, com samplers de W. Bush ordenando a implosão do planeta. Roadhouse Blues é um inesperado cover do clássico do The Doors. Thrash industrial com harmônica. Caraaaaalho. Acrescentaram 850 toneladas de peso na música e juro que o blue ainda continua lá, intacto. Die In A Crash é um electro-punk embebido em new wave, coisa realmente alienígena no som da banda, mas executada em altíssima voltagem.

End Of Days partes I e II têm participação de Burton C. Bell, frontman do Fear Factory, e fecham o álbum em tom inequívoco de "tá chegando a hora". Especialmente a parte II, com riff melódico inspirado, coralzinho de crianças ao fundo e a sonzeira se esvaindo até a última pancada do drum machine. Isso aqui vai deixar saudade.

Rest in peace, Ministry.


...mas tenho lá as minhas reservas. Al Jourgensen é malandro pra caramba.


A propósito, pra efeito de comparação: Cold Life, o primeiro single do Ministry, de 81, e Let's Go, do disco novo.

It's evolution, baby.

9 comentários:

:[marz]: disse...

Vai fazer falta. Rio Grande Blood é um dos melhores trampos da banda em muitos anos.

mariachi disse...

Por conhecidência, conheci o Ministry esse ano, enquanto procurava o disco mais recente do Helloween, para baixar. Eles são foda, vão fazer falta.
Muito bom saber que você gosta de metal, a maioria dos blogueiros que escrevem sobre cultura pop, não gostam.

doggma disse...

Marz, achei a trilogia inteira memorável. A melhor coisa desde o Psalm 69...

Mariachi, também já reparei nisto. A grande maioria dos bloggers são indies ou curtem pop rasgado mesmo. Do lado de cá, eu curto de tudo. Não sou nem um pouco radical. Basta que o artista tenha credibilidade no som que faz.

Fabio Martins - Kalunga disse...

Salve Doggma!!!! Ou melhor, vc é quem me salva, hahahahahaha!!! Bom, ainda recuperando o fôlego dos downloads que vc disponiblizou p/ mim, sendo que eu ainda não ouvi o referido terceiro disco da trilogia anti-Bush do Tio Al Jourgensen... enfim, estou extasiado com tua descrição do disco - cover do The Doors??? Bom, pra quem já tirou Bob Dylan...

Acho o Ministry uma das bandas mais fodonas de todos os tempos, fez um estrago no meu cérebro a partir de 1991, quando ouvi "Thieves" pela primeira vez. Sou fã incondicional, tenho tudo (acredite! de singles e EPs a ao vivo pirata...) deles até o "Houses of Molé" - "Rio Grand Blood" é o único disco deles que só tenho em mp3. Na boa, estou babando aqui p/ ouvir este troço, o wisky tá encomendado (no Extra Plus do recém-inaugurado Hortomercado Municipal tá baratinho...) e também lamento o fim da banda, mas pelo menos os caras terminam a bagaça por cima!

Espero que o Revolting Cocks e o Lard continuem! Uma das coisas mais fodas que Mr. Jougernsen faz é meter um senso de humor negro e ácido em tudo o quer produz, pois o Jorginho Busha no Rio Grand Blood virou piada em certos momentos (vide as frases alteradas que ele diz na primeira faixa!). E, acredite, eu gosto pra caramba da fase technopop dele, do começo mesmo, pois sou fã deste tipo de som também.

É isso aí Doggma! Mande ver nos postso, e concordo com Mariachi: os bloggeiros na sua maioria só curtem o último hype do mês, passam longe de metal, industrial, punk, gótico, etc. Por incrível que pareça, os indies hoje ditam as regras do mundo pop, e não suas alternativas. Acredito, então, que ser alternativo hoje é não ser indie, hehehehe...

um grande abraço!

*me perdi agora com tantos posts! estou numa lan house, não tenho web em casa, mas vopu tentar acompanhar!

hazzamanazz disse...

Estou de luto!

Mais nada a declarar...

[ ]'s

Alcofa disse...

puuutz , num tava sabendo disso ! de verdade! fiquei triste ...

bom, o jeito é baixar o album ! hehehe

Michel disse...

Concordo com o Doggma - é o melhor desde o Psalm 69.

E o mundo realmente fica mais babaca sem Ministry!

Bom, Alien Jourgensen bem que poderia tirar mais um Skatenigs da cartola com o novo selo...

Fabio Martins - Kalunga disse...

PUTAQUEPARIU!!!!

Finalmente ouvi o Last Sucker!!!

que desgraceira boa do caralho!!! Realmente é o melhor desta trilogia, estou seriamente considerando a hipótese que é sim o melhor disco desde o Psalm 69! Roadhouse Blues em ritmo meio Motorhead ficou muito foda, e semperder a pegada blueseira, como o Doggma falou!



E o Skatenigs poderia voltar mesmo, hein?

doggma disse...

Skatenigs! Ou então o Pailhead, a véia parceria com o Ian MacKaye, do Fugazi.

E o Lard! PelamordeDeus, tem de rolar mais um petardo do Lard.

Rezemos para o São Leary.