terça-feira, 9 de maio de 2017

JotaBeCeeeeeeee!!

Bom dia.

A editora JBC (enfim) desembuchou tudo o que sabe sobre a aguardado lançamento de Akira. Mas ainda não tirei os olhos de uma coisa.


70 mangos o volume. E sem cafuné na pré-venda da Saraiva.

Só pra constar.

Ps: vai ser um bate-boca épico no departamento de fusões & aquisições.

domingo, 30 de abril de 2017

O Estranho das Filipinas


Na época do lançamento do filme do Dr. Estranho, ano passado, fiquei de mandar o foca rascunhar um breve-mas-charmoso texto para a ocasião. Como isso nunca aconteceu, o filme - que me surpreendeu positivamente, que registrem nos autos - acabou como acabaram tantos filmes-pipoca por aqui: passando batido. Felizmente agora, em meio à faxina/releitura sazonal da portentosa coleção de papiros da 9ª arte, o nobre Doutor-Mestre das Artes Místicas há de ganhar seu tributo nesta pocilga. Que belo timing, hm?

Heróis da TV #68 e #69 (fev-mar/1985), formatinhos da Abril. Meu primeiro contato com Stephen Strange fora das fileiras dos Defensores. Era o Stephen solo, de várzea. E assustador pra caralho. Pelo menos pra um moleque acostumado ao bom e velho maniqueísmo multicolorido boa-praça.

O universo particular do Dr. Estranho era um lugar de fato estranho, com traços pesados e uma atmosfera tão obscura que chegava a ser azul. O mago honrava mesmo as calças que vestia quando ainda estrelava Strange Tales, seminal antologia de horror e monstros da Marvel.

Aquelas eram as edições #20 e #22 originais do título Doctor Strange vol. 2, ou Doctor Strange - Master of Mystic Arts. O roteiro de Marv Wolfman não era dado a pirotecnias, mas deixava claro que aquele não era o quadrinho regular da Marvel. Algumas mortes eram de arrepiar -  e aí entra o verdadeiro protagonista destas modestas linhas (mas que sacanagem com o discípulo-mor do Vishanti, você vai dizer, mas calma lá que é justificado): o veterano artista filipino Rudy D. Nebres.

A arte detalhista com painéis que lembravam um óleo sobre tela gótico trazia tons fúnebres, cenários surreais e um clima febril e perturbador que remetia a um pesadelo - nesse ponto lembrando uma cruza blasfema da mão pesada de Gene Colan com o traço estiloso de Neal Adams. Mal comparando, era como o Stephen Bissette, do Monstro do Pântano de Alan Moore, saído de uma missa negra chapado com chazinho de Santo Daime vencido.


Nas duas histórias publicadas, "Xander, o Impiedoso!" e "Tomada pela Loucura", a arte de Nebres se destaca numa aventura, que, de outro modo, ou com outro desenhista, não passaria de divertida. Mas o que se vê aqui, em cada quadr(inh)o é grande arte.

Sem o título de Mago Supremo e com seus poderes diminuídos pelo Ancião (não me pergunte porquê), o Dr. Estranho encontra pela frente o vilão Xander. Durante a batalha, um revés: sua aprendiz Clea acaba possuída pela magia negra de Xander e sai por aí cometendo as maiores barbaridades.


A despeito de Nebres ter concebido a Clea mais sensual de todas, tenho algo a confessar: a cena que mais me causou arrepios nas HQs da época é quando a moça vai parar na cadeia e para se livrar de uma detenta ameaçadora, ela concreta a infeliz ainda viva.



Não satisfeita, Evil Clea sai pela cidade tocando o terror em termos bíblicos e Lovecraftianos, como qualquer minion from hell que se preze.



Tive alguns... "problemas" com essas cenas também, pela carga imagética-religiosa envolvida. Fazer o quê, sou um católico cheio de culpa que não sabe o que faz e que tinha acabado de assistir Os Caçadores da Arca Perdida e seus devaneios apócrifos.

Apesar do incrível talento, no Brasil a carreira do señor Nebres sempre foi marcada por seu trabalho como arte-finalista. Ele fazia a cobertura dos lápis de gente como John Buscema, Gil Kane e os citados Gene Colan e Neal Adams, notadamente nos gibis do Estranho, do Hulk e do Conan (em especial A Espada Selvagem). Sempre com uma proficiência e qualidade do nível de um Alfredo Alcala, se for pra mensurar a competência do homem. Mas também assinou muita arte original, conforme o compiladão do Comic Book DB - e que, por algum motivo, em sua esmagadora maioria continua sepucralmente inédita por aqui.

Ao que consta, após a produção em ritmo industrial que manteve nos anos 70 e 80 o artista se afastou dos quadrinhos para investir seus talentos em áreas mais comerciais. Reservado e sem reconhecimento pelo conjunto da obra, Nebres faz aparições esporádicas em convenções de pequeno porte pelos EUA.

Pra mim ele sempre será o dono do traço mais bacana - e assustador - que o Dr. Estranho já teve.

sábado, 25 de março de 2017

Trailer Clube dos Cinco

O pen drive do Lex foi descompactado. Seja como for ou como vier, um 1º blockbuster da Liga da Justiça é um evento histórico. Ponto.

E toma trailer.


Esse é talvez o último grande bastião a ser derrubado. Lembra como há uns vinte anos (logo ali) qualquer coisa envolvendo super-poderes parecia impossível na telona? Pelo menos não sem soar camp e datado. E acho mesmo que os créditos de criação de toda a estética e cinematografia que tornaram isso possível deveriam ir para Alex Proyas e Stephen Norrington, respectivamente. Mas esse assunto fica pra próxima.

Sinto uma obrigação cívica de prestigiar a estreia da Liga no cinema, mesmo que os rumos do universo cinematográfico da DC pelas mãos de Zack Snyder sejam pra mim um desastre de proporções apokolípticas. E desconfio que estou sendo mais cerimonioso em relação à importância histórica desse longa do que a própria Warner, mas vamos lá...

Rápido e rasteiro:

  • Ao exemplo das campanhas do filme do Esquadrão Suicida, a prévia vende um pacotão de 2 horas e pouco de aventura/ação modernosa, frenética e com doses de humor mais generosas que o padrão até aqui;
  • O uniforme do Flash é uma tralha, mas o efeito do arranque é ótimo e diferente até da versão televisiva;
  • Cyborg... meu São Steve Austin, que geringonça... CGI pavoroso (isso tem que melhorar) e uma concepção lamentável baseada nos Novos 52 e, sei lá, nos Bayformers?.. e ainda voando (!) igual ao Homem de Ferro; 
  • Há algo muito mal-resolvido no Bat-Affleck, como se ele ainda estivesse bastante desconfortável no personagem... não soa como se estivesse satisfeito com seu próprio Bruce Wayne ou que tenha se acertado com a armadura de dezessete toneladas - mas, veterano, não compromete tampouco;
  • A Mulher-Maravilha da ex-incógnita Gal Gadot brilha a cada aparição e periga valer o ingresso sozinha...;
  • ...tal qual o Arthur Curry/Aquaman do Jason Momoa, entre o fanfarrão e o ameaçador num timing bacana;
  • Ao malocarem o vilão principal ou o Superman fica óbvio que esses elementos serão importantes, quiçá os MacGuffins da trama... quer me enganar, me dá bala.

Trailer é igual displayzinho de McLanche - uma peça publicitária que dificilmente vende o produto de maneira fiel. Mas esse, por priorizar o aspecto diversão da experiência, se sai bem. E dessa forma deixa a espera pelo relaunch do UDC nos cinemas um pouco mais suportável.

domingo, 12 de março de 2017

Precisamos falar sobre a Regan


Quem é você? — perguntou ele.
Nowonmai — respondeu algo num sussurro doloroso. — Nowonmai.
Nowonmai. — A voz sussurrada parecia vinda de longe, de algum espaço
escuro e fechado à beira dos mundos, além do tempo, além da esperança,
além até do conforto da resignação e do desespero.
Talvez a mais perfeita descrição do abismo olhando de volta.

Difícil destacar um único aspecto da obra O Exorcista (1971), de William Peter Blatty, falecido em janeiro. Mas posso afirmar que os mais intrigantes pra mim sempre foram os momentos de calmaria no olho do furacão. Entre as explosões de fúria demoníaca e os extenuantes embates físicos e psicológicos, existem misteriosos interlúdios em que a jovem Regan McNeil parece submergir num estado de transe. Embora breves, esses períodos de semiconsciência são fascinantes e muito sugestivos. Como se a infeliz possuída fosse arrastada para um eterno estado de espera, enquanto o demônio estivesse ocupado com outras questões além da nossa compreensão terrena - talvez negociando o preço de sua pequena aventura neste plano; ou simplesmente entrincheirado, afiando as garras antes de mais um confronto com os exorcistas.

O que vem nesse ínterim é que é a parte estranha.

Com o demônio temporariamente fora de casa, os ratos fazem a festa: o corpo catatônico da possuída passa a agir como uma "antena astral", sujeita a todo tipo de interferências vindas do outro lado. E assim evidencia como nunca sua condição de mero receptáculo, de casca vazia. Ou de um portal escancarado para um abismo. Confundindo a expectativa dos exorcistas, vão surgindo singelos cânticos de crianças de coral de igreja, murmúrios em idiomas incompreensíveis e, em dado momento, uma voz que bem poderia ter tido ali a sua primeira chance de ser ouvida desde tempos imemoriais.

"Nowonmai" - obviamente "eu sou ninguém" ao contrário - soa como uma voz condenada e anônima, soterrada pela eternidade, jazendo num vazio longínquo de redenção inalcançável. O purgatório, talvez?

Apenas divagações. Isso nunca é explicado, o que é sensacional.


Bem... nada disso se encontra em O Exorcista, a série. Como quase tudo vindo da Fox, a produção se materializou na grade um dia, sem maiores cerimônias ou explicações. A proposta era até uma blasfêmia, o que deve ter agradado bastante o príncipe da escuridão: dar continuidade aos eventos de O Exorcista (1973), clássico do diretor William Friedkin. Pra completar, o criador e showrunner é Jeremy Slater, um dos roteiristas de Quarteto Fantástico e de Pets, a menor bilheteria de 2016.

Mas o inferno está na moda. Hoje temos um cardápio cramulhístico bem ao gosto do freguês, indo de Ash vs Evil DeadStan Against Evil aos que-se-recusam-a-ser-cancelados Sobrenatural e Lucifer. As ousadias começaram em 2014, com O Bebê de Rosemary refilmado em minissérie com Zoe Saldana. Afundando as botas em terreno profano, veio Damien, sequência direta do antológico filme-livro A Profecia (1976) - e, por sinal, uma boa série do ex-walking dead Glen Mazzara que, ao ser cancelada na 1ª temporada, nos brindou com uma excelente conclusão. Sem querer, é claro.

Apesar do flop, este parece ter sido o molde da Fox para O Exorcista. E ao contrário do texto intenso de Blatty e da adaptação metódica de Friedkin, a proposta da série descarta quaisquer conjecturas mais profundas sobre a natureza do bem e do mal. A abordagem agora é bem mais mundana e ágil. O que não soava animador em princípio (e meio e fim), mas a curiosidade em ver como se enquadrariam hoje os parâmetros daquela história dramática e aterradora acabou falando mais alto.

O enredo gira em torno da família Rance, modelo de classe-média yankee. O pai Henry é interpretado por Alan Huck, o eterno Cameron Frye; a rediviva Geena Davis é a mãe, Angela RanceHannah Kasulka e Brianne Howey são as filhas Casey e Katherine, respectivamente. Todos lá com as suas cotas de sinistros - Henry se recupera de uma lesão cerebral provocada por um acidente, Katherine também viu vovó pela greta n'outro acidente e Angela tem mais esqueletos no armário do que um cemitério.

Com tudo isso, uma das meninas começa a desenvolver um estranho comportamento, do tipo que pode acabar em jatos de vitamina de abacate e cabeças girando em gloriosos 360º.


Para equilibrar a balança - ou morrer tentando - estão o Padre Tomas (Alfonso Herrera), amigo próximo da família e uma estrela em ascensão na diocese, e o Padre Marcus (Ben Daniels), um exorcista experiente, obsessivo e marginalizado pela burocracia católica. Ambos também trazem suas cotas pessoais ao cenário. Enquanto isso, forças obscuras que podem ou não estar relacionadas ao caso se infiltram nos bastidores da aguardada visita do Papa à cidade.

A nova trama nem é nova, mas vai aí um conselho curtido em água benta para os peregrinos: fuja de resumos, googladas furtivas e até mesmo de listas com o elenco da série. 666% das fontes entregam já nas chamadas vários dados cruciais - um deles, inclusive, colossal (sempre quis usar...!) e que eu classificaria como o às na manga da temporada. A internet perdeu completamente o bom senso.

São esses dados que definitivamente fazem valer a conferida na série. Se você tiver o livro e o filme na cabeceira, bem embaixo do pôster emoldurado da Regan demoníaca, vale.

Vale, vale, vale.

Mas antes de embarcar, há uma listinha de coisas a abstrair. O estilo da produção é aquele típico do terror moderno e que não faz nem cosquinha em quem cresceu assistindo a sessão da meia-noite nos anos 70 e 80. Filtros teal/orange chapados, câmera balançando, o CGI que nunca convence. Você sabe. Aquela coisa pasteurizada, previsível, dispersante.

Outra: ainda que o desenvolvimento tenha pouca relação com o filme - o de 73, que fique claro, embora considere O Exorcista III (1990) um Monstro de Frankenstein cinemático deveras interessante - a série busca suas próprias conquistas, o que é louvável. Claro, não acerta o tempo todo. E nem na maior parte das vezes.

Mas é por aí que ela eventualmente se encontra.


Conferi os primeiros episódios armado até os dentes, pronto para exorcizar a série do wi-fi. Entre todas as macetadas estéticas citadas, incluindo a pior cena de CGI do ano passado (a perna quebrada no E02... o horror, o horror), me deparei subtramas ambiciosas pero sóbrias, sustos bem construídos e, ora veja, cenas de embrulhar o estômago, mesmo a esta altura do campeonato.

O elenco, completamente engajado e ciente daquele mythos, foi o elemento definitivo. Uma vitória de casting. Nada menos a esperar da veterana Geena Davis. A surpresa em vê-la nesta franquia dura alguns capítulos, mas sua imersão na personagem logo ajusta o foco do espectador. O mesmo serve para Alan Huck, cujo papel se revela bem mais vital para a trama do que aparenta no início.

Brianne Howey (Kat) tem um déficit de entrega nos momentos mais extremos, embora não comprometa, ao passo que Hanna Kasulka (Casey) foi uma belíssima revelação. Essa é pra ficar de olho, assim como o promissor Alfonso Herrera (Tomas), numa ótima participação que em nada lembra seu passado de, pasme, cantor do grupo RBD (!!!). E a tendência ao exagero de Ben Daniels (Marcus) só é tão acentuada quanto seu carisma e sua capacidade de segurar a tensão em cenas difíceis.

Estava ficando tentador. No 3º episódio eu soube que acompanharia a temporada toda. Mas foi o 5º (dos infernos) que botou fogo na série.

Meu amigo, que final...

Spoilers compels you!

(marque para ler a mensagem escondida)


Mais um aviso, tolo mortal: se quiser ter uma boa experiência com esta série, não leia. Ou Pazuzu virá em seu encalço com uma pilha de carnês do IPTU atrasados.

Ok, desde que soube da série O Exorcista a pergunta recorrente era: onde estariam os personagens clássicos? Fiquei especulando até que fariam uma conexão indireta com o original.

Imaginei, por exemplo, que resgatariam Sharon, a secretária de Chris MacNeil. Coadjuvante em essência, participou ativamente de todo o horror da história original até sua conclusão. Seria justo. Mesmo se fosse algum parente dela. Um(a) filho(a) talvez, que cresceu ouvindo um causo arrepiante sobre uma "garotinha doente". 

Ou então algo mais próximo do campo místico, como a esotérica Mary Jo Perrin - personagem que só aparece no livro e foi a 1ª a notar que algo estava muito errado com Regan. 

Ou quem sabe até o simpático Padre Dyer, melhor amigo do inesquecível Padre Damien KarrasEnfim, pensei em algo bem sutil e cuidadoso na relação com o material clássico. Mas foi bem o contrário.

Nunca imaginei que essa continuação seria sobre a própria Regan Teresa MacNeil

Tenho que admitir... ao mesmo tempo que achei a maior audácia da paróquia, foi uma paulada espetacular no sensorial. O modo como a revelação foi lentamente desvelada, primeiro através da confusão de Henry, e depois no final, com um monólogo estarrecedor de Angela, foi de desnortear qualquer cidadão.

Uau, Geena Davis é Regan MacNeil adulta... Uau. 

Por isso ela sacou todo o worst case scenario em tempo recorde - e com isso quase me fez desistir da série logo de cara...

A confissão coincidindo com a própria Chris MacNeil (Sharon Gless) batendo à porta dos Rance até configura um timing forçado, mas, naquele momento, não podia soar mais apropriado. Apesar disso, ainda não compro a sempre discreta Chris ter vendido o sofrimento de Regan para a mídia. Por mais que a vida desse voltas e a nece$$idade viesse a tiracolo, ela nunca atiraria "Rags" aos tubarões.

...embora já tenhamos visto coisas similares na vida real. 

E, admito, as cenas da Regan adolescente num programa de entrevistas dos anos 1970 foram ótimas e bem convincentes. No mínimo, um material muito interessante para um retcon, que provavelmente nunca virá. Enfim, algo a se pensar - assim que eu assimilar o chocante destino de Chris pelas mãos possuídas da filha... e dá-lhe mais blasfêmia com o cânone. Se boa ou ruim, fica a critério, mas sempre saindo da zona de conforto.

Quanto à conspiração do Illuminati satânico, é seguro afirmar que há bases residuais no livro e no filme (as vandalizações na igreja feitas por uma seita). O único risco era a fórmula batida: pessoas ricas e influentes manipulando tudo com o tinhoso no corpo já foi feito trocentas vezes antes, sendo metade delas em Sobrenatural. E não adianta, falar em bandos de pessoas possuídas por demônios é quase referência às aventuras de Sam & Dean. Mas há diferenciais. 

Desde o modus operandi para a dominação mundial (muhahaha!) até a maneira como a possessão se manifesta fisicamente nos olhos. E uma boa sacada foi o conceito de "integração", o que explica o fato das possessões serem tão diferentes - animalesca em Casey e na Rags jovem e quase imperceptível nos vilões da alta sociedade e na Rags adulta.

Falando nos vilões, a Maria Walters da estranhamente interessante Kirsten Fitzgerald tem muito caldo para render, apesar do final horripilante da personagem. E por alguma razão, o Irmão Simon do ótimo Francis Guinan me lembra uma das passagens mais perturbadoras do livro: a fantasmagórica visita do "padre" Ed Lucas ao dormitório de Karras.

E parecia inevitável que dessem um corpo físico a Pazuzu, mesmo havendo um sem-número de possibilidades para um personagem/entidade incorpórea ameaçadora. Felizmente, a solução mais fácil não foi necessariamente destoante. Rags teve contato com uma versão física do demônio, o Capitão Howdy - e, partindo do sugestionamento infantil para um assédio mais íntimo, ainda houve a inserção do Salesman ("Vendedor"). Ah, meu diploma de psicologia imaginário...

Só que a estratégia tem seus pontos fracos. Por diversas vezes Pazuzu fica parecendo um arremedo de Freddy Krueger. Tem até uma cena no final em que ele abre os braços e arranha paredes com as garras. Quando se humaniza demais o perfil e as motivações, perde-se em obscuridade, estranheza, horror. Vira um monstro agradável. E isso se reflete no clímax, com um quase mano-a-mano (!) entre ele e Regan em seu subconsciente. 

Em contrapartida, sua deterioração física e agressividade aumentando conforme a passagem dos episódios ficou muito bacana. Méritos para o ator Robert Emmet Lunney, que, até onde lhe cabe, fez um bom trabalho com o capetão mais famoso do cinema.

Mas ninguém tasca a chegada triunfal do Padre Marcus na sequência do atentado ao Papa, com direito a frasezinha de efeito à Schwarzenegger. Combinação esdrúxula, mas bateu. 

Mais uma pro mural do guilty pleasure


Apesar do saldo bastante positivo em uma temporada irregular (que conflituoso) e da aclamação geral em ratings web afora, o silêncio da Fox diz muito. Até o momento não houve sinal de renovação. Jeremy Slater anda jogando verde em entrevistas, mas nem ele parece ter a menor ideia dos rumos da série.

Espertamente, a temporada deixou algumas possibilidades em aberto, ao mesmo tempo em que priorizou um senso de conclusão. E ainda há muitos elementos do livro a serem explorados/revisitados.

Mas se o ponto final foi esse mesmo, então a saga foi fechada dignamente.

E só me resta brindar a isso.


Saúde!

quarta-feira, 1 de março de 2017

Papai voltou!

Devemos uma reverência especial a Alien: Covenant por ser a 1ª vez ipso facto que Ridley Scott dirige os xenomorfos babões desde seu clássico de 1979.

História sendo escrita aqui, amigo. Não importa se o capítulo for ruim.


Mesmo com o prólogo de humanização do núcleo de personagens divulgado esses dias, nada de novo no front. E tanto David (Michael Fassbender) quando Elizabeth (Noomi Rapace), constantes no elenco, continuam estrategicamente sumidos, embora as referências a Prometheus estejam bem evidentes.

O que me chama atenção mesmo são as estrelas do filme. Que espécimes magníficos, hm?

Alien: Covenant estoura o peito do Brasil em 18 de maio.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Guerras Sacanas


Eu sei, eu sei... alimentei a fera. Inflacionei o mercado, lubrifiquei as engrenagens da Skynet, fiz acordo com Mefisto. Mas atire a 1ª Super-Heróis Premium quem nunca foi a uma banca ou livraria, viu uma falcatrua, riu da falcatrua e saiu de lá com uma falcatrua. Leitor de gibi é um bicho estranho. Vez ou outra sofre uma epifania, desliga o senso crítico em detrimento da razão - mais precisamente, do livro razão - e se joga todo faceiro às estatísticas das editoras e suas fantásticas edições-limitadíssimas-e-absolutamente-deluxe-apenas-para-colecionadores-exigentes. Aliás, patologicamente exigentes, com ênfase no pato.

Quando a epifania passa, olha lá a falcatrua na estante.

Mas não se pode subestimar o poder do lado negro. Ainda mais quando perpetrada por operativos formidáveis com longa experiência de campo. Sabe quantas Universo Marvel com o Quarteto na capa eu comprei repetidas? Quantas Dimensão DC: Lanterna Verde? E Marvel Millennium - Homem-AranhaPlausible deniability no dos outros é refresco.

Correndo por fora, a Mythos Editora ganhou muitos pontos nos círculos inferiores com aquele Hellboy Edição Gigante - A Morte de Hellboy, reeditando a esgotada e há muito suplicada O Clamor das Trevas (2008) junto com Caçada Selvagem (2012!) e Tormenta e Fúria (2014!!), estripando em 170 marcelas o bolso do hellfan que só queria a primeira. Golpe de mestre (das trevas) que encontrou paralelo nas assassinas voadoras do CLUQ e suas edições de Ken Parker de 64 páginas a 65 marcelas + frete na promoção! - essa aí, só se a própria Marcela viesse junto.

Mas não teve jeito: a Panini desovando Guerras Secretas - Edição Especial em tempo recorde após Coleção Histórica Marvel - Guerras Secretas foi, sem exagero, a Ordem 66(6) do mercado brasileiro de HQs em 2016. De diferencial, a CHM trazia um punhado de histórias-bônus - que, eu então desconhecia, não tinham relevância histórica ou conexão com a saga principal. E era em papel offset com cheirinho de EBAL. Caí facin.

Mal tinha armado o box, acomodado os cadernos ali dentro (já tentou fazer isso após 5 latões?), fechado e disposto na estante, a Panini anuncia o capa dura edição única com extras exclusivos. Pra disfarçar, vai que é tua, Alex Ross.

Fffffuuuuuu...

Mas gosto da saga. Escolado em mim mesmo, já sabia que toda resistência seria fútil. Então abstraí e aguardei diligentemente por um bom desconto. Pra amortizar umas moedas, sacumé.

Os tais extras não são graúdos como os de um Crise, mas nesse caso o conteúdo prevalece sobre a forma: estudos e artes não-finalizadas da saga pelo indefectível Mike Zeck, santo padroeiro do Steve Rogers e do Frank Castle nos loucos anos 1980.


Amém.

Também era de se esperar uma impressão afudê-em-couché comparado ao offsetão anterior. Mas não imaginava uma diferença assim tão esgulepante.


No fim, acho que este cenário é similar ao de muitos outros saudosos e velhuscos leitores de super-heróis da Abril. Se esse for o caso, eu diria que vale a pena avaliar a possibilidade de descascar esses limões e fazer a tal da limonada. Mas, claro, estabelecendo uma hora de parar também.

"A Guerra para acabar com todas as guerras!"

Duvido.


* * * * *

A Panini segue firme e forte em sua miguelagem de verniz!

A capa de Guerras Secretas - Edição Especial parece ter saído da fábrica de papelão reciclado sem tempo pra mais nada. Eles estão ficando bons nisso - o que é preocupante. A impressão ficou melhor do que, por exemplo, a da capa da "edição definitiva" de Asilo Arkham, do ano passado.

Na saga do Morcego, a capa sem o verniz ficou fosca, gélida e estéril, em contraste extremo com as cores vibrantes e o tom ameaçador da edição definitiva de 2013.


À esquerda, com miguelagem de verniz; à direita, sem miguelagem de verniz

Mesmo tendo a anterior, acabei pegando a nova porque, apesar da capa envernizada, linda e joiada, o letreiramento da edição de 2013 era uma tragédia. Na reedição recente algumas coisas foram reparadas, mas no geral não melhorou muito mais, não.

Ambas tomam uma surra de vara verde da antiga edição da Abril.

Porra, Panini. Vocês têm ideia do quanto isso é humilhante?

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Lobo Brutal


E aí finalmente arranquei do plástico o DC Comics Coleção de Graphic Novels vol. 25 - Lobo: Sem Limites - trilha adequada aqui - já esperando para corroborar o consenso universal de se tratar de uma obra indigna do Flagelo da Galáxia.

Mas, ei...



Diacho, essa HQ é muito legal!

Pelo menos bem melhor do que eu lembrava - e ninguém me ajudava a melhorar essa lembrança. Um exemplo é a arte pintada do Alex Horley, relegada ad nauseum a pastiche de Simon Bisley. Ok, o velho Biz é rei (e Martin Emond, outro rei; e Frank Frazetta é o One-Above-All), mas o senso de humor negro nas pinceladas é irresistível e doentio num nível satisfatório para um gibizão do Maioral.

Mesmo perfumarias baratas como a intro Tiny Toon contando a origem d'O Último Czarniano Vivo e o segmento Archie versão gangsta ficaram divertidas.


A história em si é tiro, porrada e puta. Nada mais a exigir de um Keith Giffen ainda escrevendo o Lobo naquele ponto (há muito) sem retorno. Longevidade cobra um preço salgado e nessa relação criador-criatura quase simbiótica só tenho a concordar com a impressão certeira do Malta na época.

Sem Limites foi provavelmente o último espasmo da fase de ouro do personagem. E, entre mortos e defenestrados, ainda crava uma boa média na escala hipotética Lobo-Omnibus-por-Garth-Ennis-&-Goran-Parlov.

A tradicional história-bônus tem o efeito de uma bem-alimentada mocinha de lingerie saindo do bolo. Três motivos. Primeiro, é o Lobo de várzea, estreando de colantezinho em The Omega Men #3 (1983), ainda inédita por aqui. Um acinte histórico sendo corrigido.



Segundo, esse título dos Ômega me pareceu bacaníssimo e até à frente dos US comics de então. Lembrando bastante os materiais da 2000 AD, é sci-fi politizado com clima anárquico e putanhesco - e se a cena de strip e sexo reptiliano com a Demônia não te convencer, nada mais o fará. Ler isso com impressão decente em papel filé foi diliça. Quero mais, mas só vai rolar em cbr maroto.

Por último, Giffen e o roteirista/co-criador Roger Slifer fizeram uma bela rendição ao cinema B: o Maioral estripando meio mundo para sequestrar Kalista e desfilando por aí com a rapariga na comissão de frente.

Isquindô!


E todo mundo sabe que ostentar uma pin-up gostosona (com todo respeito, Primus) na frente de um carango-monstro é estilo de vida no País das Maravilhas Trash.

Tá lá aquela cena memorável de Jogo Brutal (Fair Game, 1986) que não me deixa mentir...


Yippee Ki Yay!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Zombie de Ouro 2016


O Zombie de Ouro nunca primou pela pontualidade, mas verdade seja escrita... de todos os anos de edição, 2016 foi o que menos mereceu o benefício do timing. Parafraseando um velho amigo, que ano excruciante. Foi tão abominavelmente interminável que ainda não terminou - e desconfio que irá perdurar por muito, muito tempo. E além disso, tem outras coisas: me pergunto se ainda é relevante compilar o que mais gostei, se ainda é necessário comentar cada item, se o BZ ainda atravessa mais um ano, se...?

A vida é um mar de incertezas, mas sempre posso contar com minha prolixidade, mesmo que rateando na 3ª idade virtual, com a adoração pela cultura pop, pelo trash e pelo thrash e, claro, com o sorrisão de Coringa que pipoca na minha fuça sempre que destrincho esses assuntos com outros malucos perdidos por aí.

No mais, vamos levando. Com Trumps, Temers, Putins, Lulas e Moros. Yippie-ki-yay para esses motherfuckers.

E mencionando o cinema... o vídeo que melhor resumiu 2016 foi produzido pelo genial Friend Dog Studios num formato de trailer - de filme de terror, claro.


Nada mais adequado para abrir este ZdO.

Simbora, gente.



Os 11 discos


O fato do quarteto inglês The Heavy continuar não seduzindo a faixa mais acessível do público indie - faixa esta composta de indies de final-de-semana, mas ainda assim acessível - é pra mim um mistério. Talvez a situação mude neste quarto petardo, Hurt & The Merciless, que traz seu coquetel de r&b, funk, soul, blues e rock valvulado mais dançante e easy listening do que nunca. Tomara que essa antena da capa seja poderosa o suficiente para fazer o disco reverberar mainstream afora. Nós merecemos.



Anunciem ao mundo: o Claustrofobia é uma das melhores formações thrash metal da atualidade. Entre as 4 ou 5 melhores da esfera azul, pelo menos. Culpa do desnorteante petardo chamado Download Hatred. É world wide foda pra caralho. Metalzão esperto, moderno, primorosamente executado/produzido e com um ódio e brutalidade tão autênticos que te faz reavaliar urgentemente todo o seu mapa da música extrema. O caos é aqui.



Entre o pega-pra-capar vigente de conservadores versus liberais e os cacos que sobraram da indústria musical, Dave Mustaine se tornou uma celebridade heavy metal divertida de acompanhar. Sem virar um jacu reacionário tipo Ted Nugent, tasca lá suas opiniões controversas sobre como seria um mundo perfeito para a América & os americanos. No Megadeth e no campo musical, que é o que vale ainda, também não é dos mais tediosos: vez ou outra tenta entrar de penetra no mainstream yankee e, tal qual um Dick Vigarista headbanger, sempre acaba com o nariz na porta. Aí - só pra ficar em analogias cartunescas - pega a saída pela direita de volta à zona segura do metal e de lá enfileira trampos certeiros como esse Dystopia. Ainda com um indefectível tino para equipes terceirizadas, incluindo aí seu novo xodó Kiko Loureiro, Mustaine mostra que quando está a fim de thrash, sai da reta. Mas só quando está a fim.



Atomic, a trilha do Mogwai para o doc Atomic, Living in Dread and Promise, de Mark Cousins, reitera a impressão que tive quando fizeram o mesmo para o filme Zidane: Um Retrato do Século XXI há exatos dez anos: sem mudar uma nesga de seu m.o. criativo, o quarteto escocês ocupa tranquilo o posto de melhores artesãos de trilhas sonoras do pop (só equiparado pelo Godspeed You! Black Emperor, sejamos justos). E a instrumentação de Atomic é uma das coisas mais lindas que ouvi nos últimos tempos.



O Testament entrou no estúdio tão desfalcado que deixou o índio preocupado. Felizmente, com Eric Peterson inspirado, o veterano Steve DiGiorgio assumindo o baixo, o kraken Gene Hoglan nas baquetas e o próprio Chuck Billy envelhecendo igual vinho no vocal, não deu outra: Brotherhood of the Snake é o melhor álbum saído das 1ª e 2ª (olá!) divisões do thrash metal em 2016. O mais relevante enquanto banda/gênero e agressivo como o inferno numa porradaria semi-conceitual sobre o Illuminati reptiliano que há milênios controla os destinos da raça humana e a impede de progredir. É a única explicação!



Não mexa com o Meshuggah! O grupo sueco é uma monstruosidade metálica de outra dimensão e The Violent Sleep of Reason é ao mesmo tempo uma força imparável e um objeto irremovível. Prosseguindo com a evolução calculada em sua arrasadora discografia recente, thrash, math, noise e progressivo são batidos violentamente no LHC da banda até quase atingir o estado de singularidade. Se continuarem nesse ritmo no próximo disco, adeus mundo.



Surgical Meth Machine é uma desgraceira electro-hardcore-industrial-esporrenta-fim-da-linha-estrebuchando-no-chão-com-uma-baba-esverdeada-escorrendo-no-canto-da-boca. O projeto começou como homenagem do Al Jourgensen ao velho camarada caído em combate, Mike Scaccia, mas foi ganhando contornos de piração pessoal. Diz ele que o álbum era pra ter de 220 bpms pra cima, mas que se entupiu com tanta cannabis na Califórnia que as músicas saíram devagarzonas. É um fanfarrão mesmo.



O que dizer da saideira épica de David Bowie no iniciozinho de 2016, como que antevendo a mediocridade geral que assolaria o período e preferindo partir, literalmente, desta para melhor? Mais intenso e, logicamente, mais introspectivo que o álbum anterior, Blackstar consuma a relação do artista com o pop esquizóide que tanto amava. Nesse disco também dá pra sacar mais fácil aquilo que o Ed Motta comentou no My Tracks sobre o Camaleão e suas influências de canto tradicional japonês.



Todo álbum novo do Death Grips dá a impressão de ser o melhor da discografia. Com Bottomless Pit não foi diferente. Os caras simplesmente não têm limites. Seja depurando o hip hop, o dub, o reggae, o hardcore, o tecno, o noise, o cadáver do funk metal e o raio que o parta em etecéteras infinitos. E o melhor de tudo: continua não sendo pra todo mundo.



As certezas da vida: morte, impostos e Pixies não faz disco ruim. Mesmo que Head Carrier nem arranhe os classicões da primeira fase (e deveria?), mesmo com atitudes indie-rockstarzinhas como dispensar a baixista gente-fina por uma bobeira boba que só e mesmo com Joey Santiago achando que é Keith Richards a essa altura do campeonato. O fato é que ninguém sabe entortar uma boa melodia como Black Francis e sua turma. E isso hoje em dia, meu amigo, vale euro.



Sempre nadando contra o tempo e o estado das coisas, Iggy Pop tem cunhado uma sequência recente de álbuns sensacionais - seus discos de chanson, Préliminaires (2009) e Après (2012), são estupidamente legais. Post Pop Depression funciona como uma volta ao doce amargor das guitarras (ui), mas o velho Iguana esteve bem assessorado por quem aproximou a velha garagem do art rock: as Rainhas da Idade da Pedra Dean Fertita, Matt Helders e o onipresente Josh Homme, que também produz. Com um climão de fim-dos-tempos e aquela calma desesperadora que só Iggy sabe destilar, não tem como não associar o disco à nuvem pesarosa deixada por seu irmão musical/espiritual David Bowie.


Também valem:
Adore Life, Savages
Hidden City, The Cult
Book of Shadows II, Zakk Wylde
Nucleus, Witchcraft
Ritual Spirit (EP), Massive Attack
Not the Actual Events (EP), Nine Inch Nails
Barbara Barbara, We Face a Shining Future, Underworld



Melhor capa

Gore, do Deftones.


Nem ouvi o disco ainda, mas olha só essa capa!



Aquisição do coração

Gibi na área! Levando em consideração o fluxo desembestado de lançamentos num mercado hiper/ultra/superaquecido, contrariando a própria realidade econômica do país, fica até difícil instaurar uma ordem de relevância. Em 2016 os colecionadores de HQs tiveram a oportunidade de realizar vários feitos conforme a dispo$ição do momento.

No meu caso, foi demais enfileirar tudo dos incomparáveis X-Men de Chris Claremont e John Byrne em capa dura, fechar todo o Hellboy já publicado no Brasil (ainda que de forma não tão espetacular), fechar Tex Gigante em Cores (via Black Friday, óbvio) e finalmente pôr minhas patas sujas em A Liga Extraordinária: Dossiê Negro, Fax de Saravejo do mestre Joe Kubert, nos TPs do Pato Donald por Carl Barks, nas sequências de Gotham de Brubaker/Rucka/Lark e Demolidor de Bendis/Maleev e mais alguns outros.

Na seara brazuca, também muita coisa legal: Rasga-Mortalhas, de Diogo Vercito e Pedro Vergani, Mundo Paralelo: Aventura e Ficção 1 e o encadernão Brakan do grande Mozart Couto fizeram meus olhos reluzirem. Estamos indo bem - diremos "obrigado" mais pra frente se tudo continuar bem.

Mas disparando na reta de chegada, sem ninguém esperar... e aposto que todos os autores e artistas citados acima concordariam... está Sharaz-De - Contos de As Mil e Uma Noites, do gênio italiano Sergio Toppi (1932-2012). É uma obra-prima.



Uma belíssima publicação da Figura Editora que simplesmente não dá pra explicar com palavras ou fotinhos de celular e internet. Esse funciona em um nível sensorial só ativado por contato táctil.


Divagações mercadológico-HQzísticas:

  • Amazon e Saraiva disputam a liderança das megastores virtuais ferozmente com motosserras, sabres de luz e cara de poker. Porém, a Amazon se revelou uma mistura de Galactus e Bill Gates, com ofertas e táticas claramente predatórias que um dia se voltarão contra nós sem uma gota de vaselina. Mas continuamos comprando. Malditos sejamos.
  • Entre as duas gigantes, Fnac e Livraria Cultura se acotovelam. São as alternativas imediatas ao temível "produto indisponível" e já me salvaram em tempos de seca. Não são dadas a bons descontos ou fretes (especialmente a segunda), mas de vez em quando até fazem um cafuné no bolso do consumidor. É ficar de olho.
  • Liga HQ, um ano pra esquecer. Problemas com distribuidores é uma coisa, entregas não realizadas de pedidos fechados é outra completamente diferente. Sem atualização no site há tempos, será quase impossível recuperar a credibilidade perdida. Uma pena. A loja virtual priorizava os checklists recentes (incluindo o complicadinho material Salvat) com valores irrisórios de envio/manuseio. Preenchia uma lacuna essencial, tanto pela praticidade quanto pra quem perdeu uma edição só porque foi à banca no dia errado. Pena mesmo. De verdade.
  • HQM, seu espírito está nesta sala?
  • Comix continua desconhecendo Black Friday, envios por impresso econômico ou mala direta e segue salgando no frete. Mas justiça seja feita, promoveu e promove várias ofertas interessantes no site. Chorei com Gunnm completo a 50 mangos.
  • Mercado Livre, a terra maldita. Só pra navegantes pro - e às vezes nem pra eles. Mas ainda é imprescindível, apesar dos infames mercenários livres. Ah, como foi lindo vê-los tomando na tarraqueta com os relançamentos de O Evangelho Segundo Lobo e A Morte do Superman... E será mais lindo ainda com os relançamentos que virão...



Filme do ano


O extemporâneo A Chegada. Ao verter a ficção-científica e o 1º contato com extraterrestres para seu próprio estilo, Denis Villeneuve escreveu um belo, dramático e triste relato de humanidade. Clássico certo para os anos que virão. E ele tomou gosto pela coisa.



Filme-pipoca do ano


Capitão América: Guerra Civil é divertido, frenético, tenso e bem-humorado na medida. E com a melhor sequência de superporradaria em grupo já filmada provando que, sim, é possível uma splash-page do George Pérez em versão live-action funcionando na telona.



Ao pior filme-pipoca do ano:




Só pra constar: conferi a edição extendida com muita calma e amor no coração. E o que vi, piora a coisa toda diametralmente. Pelamor...