
Foi com dor no coração que passei a coleção Príncipe Valente da Planeta DeAgostini. 82 volumes (com Hal Foster nos 30 primeiros) é para fortes. Mas lembro que não iria perder a defunta coleção A Espada Selvagem de Conan, da Salvat, por nada nesse mundo. O Conan de Roy Thomas, John Buscema e aquele séquito de gênios filipinos do traço é para mim imprescindível (sorry, Príncipe). Da mesma forma é com o Homem-Aranha de Stan Lee, Steve Ditko, Jack Kirby e, depois, John Romita Sr., Romita Jr., Ross Andru, Roger Stern e um imenso etc que começa lá em agosto de 1962 e vai até meados da década de 1990.
Esse período todo do Aranha é discoteca básica. Um dia estarei me deliciando com esse material enquanto singro a 3ª idade em meu sítio (ou caverna) bem afastado da descivilização.
O lançamento de O Espetacular Homem-Aranha: Edição Definitiva - Volume 1 teve uma das piores repercussões do mercado. Na tentativa de alcançar a geração fã de um compiladão omnibus e de seduzir os viúvos da descontinuada linha Biblioteca Histórica Marvel, a editora Panini acabou desagradando os dois. Os motivos todo mundo sabe: erros de revisão e impressão num material luxuoso, caro e de importância histórica indiscutível (você não discutiria com alguém que questiona esse fato, espero). Depois daquilo foi difícil manter a chama acesa.
Com a Panini ainda se recuperando do imenso tombo do ano passado e sendo necessária a intervenção de ninguém menos que Neil Gaiman para um recall de um TPzinho de 240 páginas, meus planos para o essencial do Aranha se voltavam para o Aranha dos Essential, no câmbio do Tio Trump. Até que o livrão da Panini saiu do catálogo da Amazon e só retornou semanas depois, com um insólito "Versão Corrigida" no título. Impagável, mas serviu para voltar a sonhar. E se arriscar.
Ao longo dos meses, vi dezenas de fotos com os erros da edição, mas nenhuma atestando as correções. Aproveitei então para fazer uma comparação erro/correção das duas edições usando caps do vídeo do canal HQzasso (não seria "HQzaço"?). Estava sem um marcador à mão, então tive que improvisar um na hora. É só ignorar, por obséquio.
Em que pese a boa impressão de ver uma empresa fazendo a coisa certa (mesmo sob uma pressão absurda) é preciso dizer que a simples diagramação do "Em Chamas!" ficou pavorosa. Não sei como era na BHM - Homem-Aranha Vol. 2, onde a história também foi publicada, mas o alinhamento está ruim, o preenchimento do balão irregular e até a fonte escolhida foi mal aí. Putz. Melhor era ter feito à mão, como no original e mantido na digitalização da Marvel. Mas aí acho que era pedir muito...
Colecionar gibis depois de véio, com o mercado e a economia nesse atual pega-pra-capar, é para malucos mesmo. Antigamente... e me refiro há uns 10 anos apenas... era só marcar uns títulos, jogar lá no mylibrary - ainda ecziste! - e ir enfileirando calmamente as leituras à medida que os pacotes chegassem. Amigável para a agenda, para a saúde mental e para o bolso. Mas hoje, cada "departamento de aquisições" é caso de CPI. Difícil saber em qual bonde embarcar, quando sair e qual arriscar.
Tomara que a coleção recupere a moral embaçada, siga em frente e não seja mais uma a ir pra conta dos planos adiados.





















