terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Keep walking


Chegamos à meia-temporada de The Walking Dead e não foi nenhuma evisceração, nem algum zumbi carcomido que me deixou mais aterrorizado. Foi o artigo do Hollywood Reporter sobre a saída misteriosa de Frank Darabont da série e as desastrosas intervenções da AMC para esticar a margem de lucro. Algo polemizador, mas com análises e especulações bastante pertinentes, o texto pinça um cenário de horror nos bastidores. Elenco atônito com a dispensa do showrunner, cortes radicais no orçamento e polêmicas em torno da equipe criativa. Nem parece que a série é o maior hit da casa, superando até os números mais otimistas - os outros dois grandes da AMC, Mad Men e Breaking Bad, nem arranharam a lataria. Ao que tudo indica, a raiz do problema parece ser os imbróglios financeiros da própria network que entraram em conflito com Darabont e resultaram na saída do mesmo. E nesse ponto, a malversação de verbas no final da primeira temporada não contribuiu em nada.

O que me leva a concluir que a adaptação teve que se adequar ao modelo enxuto de produção imposto pela AMC. A primeira medida foi cortar direto na carne necrosada: menos zumbis povoando os episódios, mais drama e tensão entre os humanos. Pular o arrepiante arco no condomínio Wiltshire States e antecipar a estadia dos sobreviventes na fazenda de Hershel Greene foi o passo seguinte para diminuir custos. Sem mais aquele grupo de desesperados pegando a estrada enfurnados num trailer fedorento, passando fome e sede, sem dormir, sempre fugindo de hordas de mortos-vivos e ainda penando num inverno de lascar - que aliás, seria um detalhe importante (e caro) na trama do condomínio.

Ainda que esse arco não seja essencial para a saga, é importante sob o aspecto psicológico. É um intensivão de tudo aquilo que The Walking Dead trata e do que os protagonistas tanto temem: sobreviver em condições subumanas e zumbis doidos por um naco de carne. Eles deviam passar por isso antes de chegarem à fazenda. Tornaria sua angústia em permanecerem lá mais palpável, tridimensional. Ou, no mínimo, colocaria nosso amigo Shane mais próximo de seu fatídico ponto de ebulição. Fora que evitaria a barrigada narrativa que eventualmente se formou ao longo desse primeiros 7 episódios.

Mas deixando de lado a panfletagem e o radicalismo fanboy, rapaz... a temporada estreou em alto nível.


Pelo visto, colocar o protagonista se esgueirando embaixo de algum veículo abandonado é uma constante promissora na série. Dessa vez foi o elenco principal inteiro ralando o peito no asfalto enquanto uma manada de zumbis fazia sua marcha pela fome. A sequência é de jogar o miocárdio num barril de Red Bull e desde já uma das mais nervosas e divertidas já produzidas por uma série de TV. Mesmo que você me pergunte "mas peraí, de onde vieram todos aqueles zumbis?", eu daria ao menos umas três alternativas bem satisfatórias e seguiria para o próximo tópico.

O episódio segue criando cenas de forte apelo, novamente superando o material original com o cliffhanger trágico do Carl e definindo o perfil de alguns personagens dali em diante - mais notadamente o presunto ambulante T-Dog (se machucando sozinho e sangrando em bicas) e o senhor de todas as fodezas, mr. Badass-Redneck-with-a-Fucking-Crossbow Daryl.

O segundo capítulo é quase todo calcado no drama da família Grimes e a taxa de zumbis/m² despenca. Só aumenta no clímax eletrizante com Shane e Otis encurralados na escola por uma turba putrefacta. Para os leitores da HQ, o episódio também reservou uma redenção em especial: Hershel e Maggie, em carne e osso. E aí bate novamente aquela sensação meio onírica e surrealista, provavelmente a mesma de ver justas personificações de Yorick, 355, agente Graves, Jesse Custer, Leo Patterson. Jessica Jones. É um espetáculo à parte ver personagens marcantes transpondo as dimensões ficcionais. Quase dá pra ver as rachaduras na 4th wall. E isso não tem nada a ver com atuações dignas da Palma de Ouro. É a empatia que conta.

Os episódios seguintes se dividem entre a recuperação de Carl, o início do relacionamento de Glenn e Maggie, o segredo de Lori, o clima desconfortável entre Hershel e o grupo de sobreviventes, a crescente desestabilização de Shane e, claro, as incessantes buscas por Sophia. Muito do clima de terror agregado ao tema da série é colocado em 2º ou até 3º plano, dando lugar à extensos build ups dramáticos e alívios cômicos ou emocionais. Todos relevantes e bem conduzidos, mas com uma consequência imediata que remete à sangria orçamentária explicitada lá no início: a escassez de zombie action.

A economia ficou evidente no episódio 4, "Cherokee Rose", com o surgimento das criaturas se dando de forma singular e, digamos, concentrada, numa espécie de compensação em moeda splatter.


O que é um deleite para os olhos durante uma lauta refeição em algum boteco pé-sujo - porém não o suficiente para espantar a sensação de que a fazenda por vezes se torna um improvável oásis para os personagens.

Só pra ficar num exemplo recente, uma das (várias) coisas negativas da série Falling Skies - ambientada no mesmo formato pós-apocalíptico com ameaças monstruosas à espreita - é justamente ver os protagonistas convivendo, brincando e fazendo planos num território neutro (no caso, uma escola), tranquilos, à luz do dia. É uma zona de conforto que destoa das circunstâncias e que se repete em The Walking Dead.

Talvez a narrativa do arco simplesmente não deslanche na TV tão bem como na HQ, onde tudo é minimalista por natureza. Ou talvez eu esteja mal-acostumado com os humanos vivendo como ratos (e comendo ratos) na franquia do Terminator.


Se na 1ª "temporada" as impressões já haviam sido positivas, nessa 2ª, Daryl está sendo a grande revelação. Interpretado à perfeição pelo ator Norman Reedus (o Scud, de Blade II, é mole?), o personagem, além de ser o mais esperto no trato com mortos-vivos, tem ganhado uma bem-vinda complexidade. Não por acaso, o episódio "Chupacabra" foi um dos melhores até aqui. Com um cameo especialíssimo de Michael Rooker, Daryl mergulha numa autêntica bad trip hillbilly pontuada pela aparição de seu irmão, o Governad... aham, Merle Dixon. Um excelente e intenso momento-solo. Ou, nas palavras do próprio Reedus, "Amargo Pesadelo encontra Motörhead".

Alternando um pouco o ângulo sobre o personagem, cabem algumas considerações. Daryl é um caçador e rastreador, um sobrevivente nato. Come esquilos crus como se fossem doritos. Obviamente é o tipo de pessoa que qualquer um iria querer ao seu lado numa situação daquela. Também é um personagem criado especialmente para a série, ao passo que um elemento muito importante nos quadrinhos ainda não deu qualquer sinal de vida na telinha: Tyreese.

Aos que acompanham a HQ, desnecessário dizer o quão Tyreese é um dos personagens mais queridos e carismáticos criados por Robert Kirkman. A despeito da boa probabilidade que o autor havia dado para sua inclusão ainda nessa temporada, nada é muito certo desde que as coisas andaram tumultuadas na coxia. No cast publicado no IMDb para esta temporada, por enquanto, nada feito.

Responsável por várias sequências de cair o queixo, Tyreese faz o tipo badass motherfucker na mesma escala de Daryl. Caso ele apareça, certamente irá arrancar elogios dos espectadores incautos. Caso nunca apareça por uma união de fatores (redundância + corte de orçamento), Daryl poderia naturalmente assumir os seus passos na série, como vem fazendo, aliás. Quem sabe até concluir a sua saga de maneira ainda mais perturbadora que o próprio Tyreese na HQ.

Daryl, de joelhos em frente à prisão... será?


Jeffrey DeMunn e Jon Bernthal renderam um dos embates mais bacanas da série como Dale e Shane, respectivamente. O veterano DeMunn, presença assídua na filmografia de Darabont, não só consegue capturar todas as nuances do sensato Dale, como o sintoniza ao seu próprio método de atuação. Literalmente roubou o personagem. Do outro lado da balança, o ótimo Bernthal faz um destilado de puro instinto e reação. É notável a degradação moral de Shane indo sistematicamente de encontro a Dale, sua antítese imediata. É algo que nunca ocorreu nos quadrinhos e que certamente deve ter sido um dos grandes arrependimentos de Kirkman - que, na função de produtor executivo, está ganhando a chance inacreditável de lapidar a sua obra enquanto bate recordes de audiência. Sem brincadeira, o sujeito deve achar que está num sonho.

Andrea, por sua vez muito bem representada por Laurie Holden, chegou a protagonizar uma cena de sexo com Shane num lance inexistente nos quadrinhos, mas ao meu ver muito bem sacado (afinal, foi a gota d'água para Dale). A forma como a atriz transita por sentimentos diametralmente opostos, como fragilidade/frieza, é impressionante. Preciosismo cênico de encher o olhos, embora não seja surpresa pra quem se lembra dela como a inesquecível Marita Covarrubias, dos bons tempos de Arquivo X, e como a agente Olivia Murray, em The Shield.

Sobre o sul-coreano Steven Yeun há pouco a se comentar. O cara é o próprio Glenn esculpido em cerâmica oriental. Parece até que Kirkman se baseou nele para o personagem da HQ. E é o ator mais sortudo da série, visto que Maggie é interpretada pela delícia cremosa Lauren Cohan (a mercenária Bela, de Sobrenatural). A química dos dois ainda é apenas razoável, já que seus personagens têm perfis muito diferentes. Bela... ou melhor, Maggie tem um gênio bem mais forte que nos quadrinhos, enquanto ele mantém o mesmo tom passivo do original.

Apesar disso, a dupla tem se afinado nas cenas mais recentes e alguma evolução já desponta no horizonte, com direito a Glenn no zombie massacre mode.


Ah, o amor pós-apocalipse zumbi é lindo.

A atriz Sarah Wayne Callies, em contrapartida, carrega um enorme fardo nessa série. Lori Grimes é a típica personagem sofrida de drama pesado, enrolada numa teia infinda de segredos, conflitos maritais e maternais e outros dilemas sem qualquer solução razoável. Era exatamente assim na HQ e no entanto foi dela o momento mais chocante de toda a saga. Nos créditos finais de cada episódio deveria haver uma menção especial abaixo do nome da atriz: "há um build up em andamento aqui, fellas. E o payoff vai te deixar com as pernas bambas".

Na mesma tocada, Melissa McBride também lida com sentimentos pra lá de tortuosos como Carol, a mãe de Sophia. É um papel difícil, visceral, não tão fácil de assistir, mas que ela conduz com perícia ímpar. Como ela mesma disse, interpretar Carol "é como presenciar uma batida de carro". No mínimo.

IronE Singleton tem poucas ferramentas à disposição. Seu Theodore "T-Dog" Douglas é um personagem irrelevante que precisa morrer violentamente o quanto antes. O mesmo vale para os coadjuvantes da família Hershel, praticamente invisíveis.

Quanto ao garotinho Chandler Riggs, o Carl, parafraseio um amigo: "não dá pra esperar muito de um ator criança assim, mas pra mim tá ótimo". Leia num tom menos rabugento e é isso aí.


Já expressei minha admiração pelo trabalho do britânico Andrew Lincoln antes, mas não dá pra não repetir a babação. Muito magro neste mid-season, o ator está imerso no protagonista Rick Grimes. Mesmo descontando os suportes de make-up, efeitos, luzes e o escambau, é visível o estado precário de Rick. Especialmente após ele doar 99% do sangue para salvar a vida do filho. Parecia que o homem ia desmontar a qualquer momento em cena. Performance entregue e impressionante, na escola punk rock de De Niro e Christian Bale. Narrativamente, porém, acabou sendo apagado pelo pró-ativo Shane. Rick continua sendo um líder?

E Hershel Greene. É quase certo que o experiente Scott Wilson nunca nem passou na frente da revista (estou no aguardo pela entrevista no blog da série), portanto é fabuloso como um ator com esse perfil tradicionalesco tenha comprado a premissa com tanto fervor. Soa um tanto menos rústico e austero que na HQ, mas a elegância e sobriedade que ele empresta ao personagem justificam qualquer coisa. Quem não se emocionou com o seu semblante arrasado no clímax do episódio 7 é porque teve o coração devorado por um zumbi há muito tempo.

A fazenda de Hershel também foi palco de uma das grandes questões de The Walking Dead: a real condição dos zumbis. Estariam mortos de fato ou gravemente enfermos? Há cura? Kirkman assimilou esse item da mitologia comum em torno das criaturas, que remonta ao folclore haitiano original. Homens sendo envenenados com extrato de datura, declarados clinicamente mortos, enterrados vivos, desenterrados e, induzidos a um estado de transe, escravizados por algum mestre bokor - Wes Craven fez um filme ótimo sobre isso, A Maldição dos Mortos-Vivos.

Da mesma forma que na HQ, a discussão é apenas superficial. Compreensível, já que sobrevivência é a ordem do dia. Mas recapitulando o polêmico arco do CDC, algumas das críticas apontavam que aquela explicação científica acabaria com a ambiguidade da questão, que seria abordada mais tarde no plot do celeiro de Hershel.


Bobagem. Se a ideia inteira do CDC foi ruim, não foi por isso. Nenhuma das informações divulgadas pelo cientista representou uma reviravolta na mitologia dos mortos-vivos.

Na verdade, foi apenas uma versão moderna daquilo que George A. Romero já havia exposto (literalmente) numa cena didática do filme Dia dos Mortos, seu clássico de 1985.


Pra mim parece mais um dos tributos de Darabont ao Godfather of all Zombies. Não sei quantos mais destes serão presenciados até seus derradeiros trabalhos frente à série, mas tomara que Glen Mazzara, o novo showrunner, mantenha a tradição. E o respeito.


E que conclusão surpreendente. Nem me importa que tenha se afastado, e muito, do que aconteceu nos quadrinhos. Aquele clímax foi The Walking Fucking Dead até a medula. Minha maldita ficha só caiu mesmo quando a trama assim o quis. E isso é mais do que posso dizer da maioria dos roteiros que pululam por aí. Sem redenção às portas do inferno, deixai toda a esperança vós que entrais, quando não houver mais lugar no inferno os mortos vagarão pela Terra, dance with the dead in my dreams listen to their hallowed screams e tudo o mais. Compensou? Pra caralho.

A série retorna no episódio "Nebraska", no dia 12 de fevereiro, em pleno carnaval, a festa da carne. As apostas estão estratosféricas. O caldo que tinha que entornar na fazenda já entornou. Shane já está "no ponto". E alguns ajustes não fariam nada mal. Minha sugestão: mais Rick Grimes, mais zumbis, mais urgência, mais baixas.

E se não for pedir muito, uma pequena escala num certo condomínio antes do provável cliffhanger final dessa temporada...

11 comentários:

Raid disse...

Tomara mesmo que tenha algum season finale mais pra frente em outra temporada com o destino original da Lori e da filha.

Se você acha que o Daryl está meio que no lugar do Tyreese qual você acha que o Shane hj representa? Você gostou do destino diferente dele do que nas HQs?

JoaoFPR disse...

Dogg, saudades das tuas resenhas/criticas.

Concordo quase completamente o que disse, em especial em relação ao ator que interpreta Rick.
Ele esta destruido, brilhante.

Em contra-partida o Daryl teve aquele "mini-arco" onde revia o irmão e ele enfodecia, voltando a origem dele (um filho da puta), com direito a colar de orelhas.
Chega na fazenda no fim, não serviu de nada. Ele não voltou a ser o que era, logo o mini-arco, foi, ao meu ver, inútil.

Abração.

Luwig disse...

Uma coisa eu digo, esse post devia estar atravessado na sua garganta há muito, muito tempo.

Sobre a dinâmica cada vez mais densa entre Rick/Shane, o intrigante, tendo em vista o inedismo da mesma frente ao quadrinho, é que para sobreviver ao que estar por vir o Sr. Grimes deverá seguir justamente a cartilha do (futuro) falecido Sr. Walsh. Lembra daquele tiroteio na prisão em que Dexter é alvejado pelo "fogo 'muy' amigo" do Subdelegado? É o incidente Otis fazendo escola.

Quanto ao Governad... aham, Merle Dixon, já pensou se porventura esse argumento vinga? Digo, se Daryl incorporar mesmo o storytelling de Tyreese, seu desfecho na história seria justamente nas mãos do irmão? Ou, quem sabe, vice-versa, se Daryl desse cabo de Merle (mais provável?).

Taí, chefe, nunca pensei que tecer conjecturas heréticas frente ao que se propôs no original e o que se vislumbra no derivado, viesse a calhar como algo tão satisfatoriamente imprevisível.

Mas, e aí, tá sabendo mais de alguma coisa sobre o boato de que um dos protagonistas tomou as dores de Darabont e vai deixar a série? Tomara que esse esquentadinho seja o J. Bernthal (pelos motivos óbvios), só que dado o histórico de colaboração entre os dois, tô apostando que o desertor deixará um chapéu bem suado e um trailer fedorento como herança.

Isto posto, não duvido nadinha que a produção improvise e coloque o Dale na conta de Shane.

P.S. A Loja HQM deu notícias de vida hoje. Mais de uma semana depois que efetuei o pagamento. Disseram que postariam ainda pela manhã. Oremos.

Abração.

Luwig disse...

A propósito, quer dizer, nenhum propósito na verdade.

Ouvi da boca do próprio Ed Brubaker que ele pagou pau pra esse quadrinho.

Cara, eu também... P-H-O-D-A demais!

http://hotfile.com/dl/136642995/07d9e13/Who_Is_Jake_Ellis.rar.html

Divirta-se.

Anônimo disse...

Estava esperando uma análise desta primeira parte da temporada neste blog putrefato, afinal não é possível se autoproclamar Black Zombie e não cobrir o maior evento "zumbisístico" dos últimos anos, não é? Passados os momentos finais do massacre no celeiro, só posso dizer que ainda acredito na série a despeito das escorregadelas na trama, tais como ficar cozinhando em banho-maria o paradeiro da menina Sophia e as reações de certos personagens aos segredos da fazenda Herschel. Não acompanho ainda a HQ - então, qualquer informação meio que se torna um spoiler para mim - o que não estraga a diversão de acompanhar esta série. No mais, só saberemos o quanto o efeito da demissão de Frank Darabont teve sobre a série nesta segunda parte da temporada, porque, segundo os informes, ele ainda estava a frente da série nestes primeiros episódios. Que venham mais textos sobre The Walking Dead e outros sobre filmes de terror/horror e a preparação para mais um ano nerd antes que o mundo acabe no ano que vem.

Tio Greg disse...

Acho que o destino de Daryl/Tyresse, não vai acontecer da mesma forma que nas HQs. Assim como acho que não vão dizimar quase metade do elenco principal no provável final da 3ª temporada, nem vão matar Shane tão cedo. O que acontece entre o Governador e Michonne, então...

Tudo isso é muito pesado para um canal com o AMC, que é fechado mas não tem a mesma liberdade de Showtime e HBO. Os personagens das séries do canal não podem nem falar "fuck". Matar zumbis é uma coisa bem diferente de decapitações, estupros e mutilações entre gente viva. Se a decapitação for entre irmãos, então, só fica mais difícil de acontecer. O mesmo se aplica ao que o grupo de Rick faz com os canibais, em arco bem mais recente.

Não me entendam mal. Espero que essas coisas aconteçam. Mas simplesmente não consigo enxergar na série a mesma ousadia dos quadrinhos.

Para completar, simplesmente não gosto da ideia de Merle ser o Governador. Merle é um caipirão republicano tosco, não um ser humano intrinsicamente mal como o Governador. Acho forçado torna-lo pior do que já é.

Tio Greg disse...

Só pq esqueci no comentário anterior:

Grande texto. Esperava por um comentário da série assim, tendo os quadrinhos como base. Os blogs de séries que leio são muito bons, mas não dão conta de acompanhar a história dessa maneira, já que evitam spoilear, não citando a HQ.

Paulo Bala disse...

Excelente resenha, camarada.

Bernardo disse...

Como sempre a resenha do Doggma deixando a imprensa mainstream comendo poeira... Nada como saber do que está falando.
Contrariando as expectativas, gostei demais dessa temporada (até agora), no conjunto conseguiu superar a primeira fácil. A coisa foi crescendo devagar e acelerou no final até chegar ao soco no estômago que foi o último episódio. Fazendo um contraponto da primeira cena em que Rick mata uma criança zumbi com essa última, dá pra perceber que, o que antes era pura sobrevivência, agora é outra coisa, e que Rick nunca será o mesmo a partir de agora.
Ainda assim concordo com o Tio Greg que futuramente a série vai divergir cada vez mais da revista. Simplesmente não tem como colocar na tela quando o foco da ameaça mudar dos zumbis para as pessoas, e as coisas que são capazes de fazer nesse mundo novo.
Seja como for, torcendo aqui para essa temporada terminar com a Michone despontando no horizonte como alguns boatos estão sugerindo.

doggma disse...

Fala, Raid! Cara, Shane é o Shane mesmo, só que muito melhor desenvolvido do que na HQ. Só espero que ele tenha o mesmo destino, no entanto. A esta altura do campeonato, não dá mais pra voltar atrás.

* * *

"Chega na fazenda no fim, não serviu de nada. Ele não voltou a ser o que era, logo o mini-arco, foi, ao meu ver, inútil."

João, enxergo um pouco diferente. Daryl enfrentou seu piores demônios ali. No mínimo saiu daquele episódio sabendo o seu lugar naquele mundo. Que não é entre o grupo e muito menos com seu irmão. E o colar de orelhas ainda está lá...

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Luwig, eu extraí esse post das minhas entranhas e comi novamente, tal qual um marvel zombie.

Boa linkada essa do Dexter/Shane. Mas espero que não aconteça. Precisamos de algo mais... explícito. Prefiro que Carl faça o maldito serviço mesmo, rs.

Sim, dá pra brincar com as possibilidades mesmo. E exercitar o lado doentio!

...mas precisamos de um Dale. A via crúcis dele está no Top 5 de TWD.

RePs: Rapaz, que boa notícia. Detesto gente enrolada. E valeu pela dica. Vou conferir.

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Anônimo, tentei ser bem discreto quanto aos spoilers da HQ. Na maioria das referências, deixei um viés evasivo, só para leitores entenderem mesmo. E sim, devemos sentir alguma diferença no retorno da série. Espero que não pra pior!

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Tio Greg, tenho o mesmo sentimento em relação ao Merle. Já expressei isso em outro post, com palavras bem parecidas até. Porém, a série já me surpreendeu positivamente em outras alterações. Vou esperar pra ver (mas não pagar ;)).

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Bernardo/Tio Greg:

Quanto ao limite do que a adaptação poderá fazer, acho que todos compartilham dessas dúvidas. A AMC não é a HBO, que peita uma morte daquelas no clímax de "Game of Thrones", por exemplo. No entanto, Achei a morte da Zombie-Sophia bem perturbadora, já que houve um link narrativo com a garotinha viva e bem. Certamente os envolvidos sabem que o público-alvo da série (esse, que vem lhes rendendo muita grana) não é composto por incautos. Algumas coisas têm que acontecer. Duvido muito que Kirkman embarcaria nessa (e continuaria embarcado após a saída de Darabont) por uma versão "One Tree Hill" de sua obra mais transgressora. O resto são conjecturas. Até agora, na prática, não houve nenhum sinal contrário.

joão thiago disse...

Doggma, meu velho, excelente crítica, prá variar...

O plot final foi simplesmente fantástico. Alguém disse aí em cima "a sensação de cair de elevador", algo assim...

Vamos ver o Peso Darabont na segunda parte desta bagaça! E que venha o presídio!