A série Homem-Aranha: Grandes Desafios já tinha mesmo um jeitinho pra matéria-prima de encalhe. O que eu não esperava era que rendesse uma aula sobre a lei de oferta e demanda durante umas aquisições básicas na banquinha da esquina.
Steven Gene Wold, vulgo Seasick Steve, aprendeu a tocar guitarra aos oito anos de idade. Quem ensinou foi o bluesman K.C. Douglas, que fazia um bico na oficina de seu avô. Aos 13 fugiu de casa - e dos maus-tratos que sofria do padrasto - e caiu na estrada. Pegou muita carona, viajou como clandestino em trens, conheceu o Mississippi, o Tennessee e Deus sabe mais onde. Viveu muitos anos como sem-teto, comeu muita poeira. Virou um hobo: migrava pelo interior atrás de emprego, trabalhando sazonalmente em fazendas. Depois sumia no mundo de novo, evaporando por longos períodos.
Emergiu nos anos 60, em meio à efervescência blueseira e psicodélica de São Francisco. Tocou com vários artistas da cena independente. Foi músico de rua em Paris. Em 2001, morando na Noruega, lançou seu 1º disco, como Seasick Steve & The Level Devils. Em 2006 veio o primeiro álbum solo.
You Can't Teach an Old Dog New Tricks já é seu quarto álbum e, pra mim, um dos melhores de 2011. Na bateria está o figuraça Dan Magnusson (parece roadie do ZZ Top, como o próprio Steve) e nas quatro cordas um ilustre senhor de nome John Paul Jones. É um discaço de country 'n' blues com os dois pés fincados na garagem - vide a cigar box guitar zoadaça construída por Steve - e recheado de slides insanos e boogies deliciosos. Ora melancólico, como na abertura "Treasures", ora rasgado e frenético como em "Days Gone", mas sempre carregado com um groove blueseiro irresistível. Sob medida para as melhores espeluncas de beira de estrada.
Na última faixa, "Levee Camp Blues (Write Me A Few Of Your Lines)", Steve deixa de lado os instrumentos e desfia um tostão da sua vida louca vida. Fantástico.
Steve tem estado em alta na Inglaterra desde sua aparição no programa do Jools Holland. Tem sido redescoberto na América também, inclusive com dois terços do Them Crooked Vultures lhe pagando tributo e servindo de banda de apoio. Merecido é pouco.
Lembrei da pobre vovozinha que empurrava comida aos netinhos numa música do Pungent Stench: "Estou com fome mas não se incomode, você não precisa cozinhar porque você é o meu lanche!"
Coletividade ainda que tardia. Demorou, mas a Panini cumpriu. Ufa.
Mais uma série fechada na estante.
Ainda me falta A Guerra dos Lanternas Verdes Especial: Pós-Guerra, mas essas duas são basicamente a minha carta de alforria dos super-heróis da DC no Brasil. Que venham os novos 52... para as novas gerações.
Por último e não menos acachapante...
Oásis dos Zumbis (L'Abîme des Morts-Vivants, 1981), do digníssimo señor Jess Franco, e o clássico perneta O Lago dos Zumbis (Le Lac des Morts Vivants, 1981). Essas pérolas da tosqueira B já foram lançadas há um tempo atrás pela tal Vinny Filmes, com bastante sal no preço por sinal, mas reapareceram agora nos baciões da Americanas por módicos 13 merréis.
Encalhes for sure, mas que se dane. Ambos têm zumbis. E zumbis nazistas!