Piração cannábico-headbanger, reafirmação de estilo de vida e uma porradaria de primeira traduzidos em imagens. A música é do último (e acachapante) álbum do High on Fire, De Vermis Mysteriis. Por sinal, um disco conceitual que evoca Robert Bloch (escritor de Psicose) e os Mitos Cthulu de H.P. Lovecraft. O que prova que por baixo daquela fachada rude e embrutecida os caras também são uns filhos da puta sombrios bagarai.
Produções inglesas geralmente se saem bem no terreno dos zumbis - vide os ótimos Todo Mundo Quase Morto e a série Dead Set. Cockneys vs Zombies já começou com o pé direito: o trailer é muito divertido e violento. Além do mais, qualquer filme com as presenças da megafabulosa Michelle Ryan e do hilário coroa motherfucker Alan Ford (o Brick Top, de Snatch - Porcos e Diamantes) já ganha a minha atenção.
Sinopse britânico-capixaba:
"Cockneys vs Zombies é a história de Andy (Harry Treadaway) e Terry (Rasmus Hardiker), dois irmãos que tentam resgatar seu avô (Alan Ford), internado em uma casa de repouso após roubar um banco. Ao mesmo tempo, um vírus varre a zona leste de Londres transformando todos os habitantes em zumbis comedores de carne fresca. Cercados por hordas de mortos-vivos, eles têm que salvar uma casa lotada de velhinhos durões, fugir com a grana do assalto e sair de Londres vivos!"
O filme estreia em 31 de agosto, lá. London calling...
A série Homem-Aranha: Grandes Desafios já tinha mesmo um jeitinho pra matéria-prima de encalhe. O que eu não esperava era que rendesse uma aula sobre a lei de oferta e demanda durante umas aquisições básicas na banquinha da esquina.
Steven Gene Wold, vulgo Seasick Steve, aprendeu a tocar guitarra aos oito anos de idade. Quem ensinou foi o bluesman K.C. Douglas, que fazia um bico na oficina de seu avô. Aos 13 fugiu de casa - e dos maus-tratos que sofria do padrasto - e caiu na estrada. Pegou muita carona, viajou como clandestino em trens, conheceu o Mississippi, o Tennessee e Deus sabe mais onde. Viveu muitos anos como sem-teto, comeu muita poeira. Virou um hobo: migrava pelo interior atrás de emprego, trabalhando sazonalmente em fazendas. Depois sumia no mundo de novo, evaporando por longos períodos.
Emergiu nos anos 60, em meio à efervescência blueseira e psicodélica de São Francisco. Tocou com vários artistas da cena independente. Foi músico de rua em Paris. Em 2001, morando na Noruega, lançou seu 1º disco, como Seasick Steve & The Level Devils. Em 2006 veio o primeiro álbum solo.
You Can't Teach an Old Dog New Tricks já é seu quarto álbum e, pra mim, um dos melhores de 2011. Na bateria está o figuraça Dan Magnusson (parece roadie do ZZ Top, como o próprio Steve) e nas quatro cordas um ilustre senhor de nome John Paul Jones. É um discaço de country 'n' blues com os dois pés fincados na garagem - vide a cigar box guitar zoadaça construída por Steve - e recheado de slides insanos e boogies deliciosos. Ora melancólico, como na abertura "Treasures", ora rasgado e frenético como em "Days Gone", mas sempre carregado com um groove blueseiro irresistível. Sob medida para as melhores espeluncas de beira de estrada.
Na última faixa, "Levee Camp Blues (Write Me A Few Of Your Lines)", Steve deixa de lado os instrumentos e desfia um tostão da sua vida louca vida. Fantástico.
Steve tem estado em alta na Inglaterra desde sua aparição no programa do Jools Holland. Tem sido redescoberto na América também, inclusive com dois terços do Them Crooked Vultures lhe pagando tributo e servindo de banda de apoio. Merecido é pouco.