terça-feira, 10 de agosto de 2004

OS VIZINHOS DA FAMÍLIA SAWYER


Burburinho leigo nas locadoras: "Nossa, já assistiram Pânico na Floresta? Muito sinistro...! Podem alugar à vontade. Terror puro!" Claro que eu não caí nessa. Perto de mim, São Tomé acredita em gnomos. Ainda mais quando se refere ao gênero terror. De qualquer forma, fui nessa (curiosidade mórbida?) e, olhem só que surpresa, o filme é mesmo uma porcaria, tal qual eu havia imaginado. Mas o que o habilita a gastar o meu tempo nestas mal traçadas linhas?

Pânico na Floresta (Wrong Turn, 2003) é ótimo pelo que ele poderia ter sido, e não pelo que ele é de fato. Pra começar, todos os seus 84 minutos foram mimeografados do celulóide de O Massacre da Serra Elétrica. Tudo ali remete diretamente ao clássico de Tobe Hooper: os jovens saudáveis fisicamente (mas não mentalmente - se embrenhar no meio de uma floresta no meio do nada, sem mapa, sem guia, sem porra nenhuma? Que conceito acéfalo de diversão é esse?), o posto de gasolina de beira de estrada pra lá de suspeito (com velhinho esquisito e tudo), o barracão aonde mora uma família de canibais monstruosos, o quintalzão que mais parece um ferro-velho abandonado... enfim. O mais apropriado seria mudar o nome para Pânico na Floresta: A Tribute to The Texas Chainsaw Massacre.


Posto isso, o jeito foi assistir ao filme caçando inovações em cima do argumento já conhecido, o que é muito mais legal de se fazer. Dá pra sacar que o diretor novato Rob Schmidt (parente do Lobo?) quis prestar uma homenagem, mas ainda tem de ralar muito pra conseguir ao menos isso. Ele não se decidiu entre o aguado suspense teen e o açougue dos snuff-movies. Deveria ter abraçado a segunda opção, pois quando o (pouco) sangue dá as caras, é em grande estilo: ao menos duas cenas de esquartejamento na casa da família-monstro me deram água na boca, mesmo eu não sendo canibal. :P

Esse filme também traz uma das machadadas na cara mais legais que já assisti. Aliás, a cena é até essa aí embaixo.


Os assassinos canibais são até interessantes, apesar da mistureba improvável: ali tem 40% do Leatherface, 30% do Jason, 20% do Predador e 10% dos Orcs de O Senhor dos Anéis (um deles é a cara do Gollum). Tudo isso, e ainda dirigindo o caminhão daquele monstro voador do filme Olhos Famintos. Só não reparei se eles tinham garras estilo Freddy Krueger.

E a trilha sonora é bem legal, cheia de rockões inspirados. Rola inclusive If Only, do Queens of The Stone Age.


Pena que tudo cai por terra quando o clima teenager entra de sola. Uma cena sintomática é quando a mocinha Jessie (Eliza Dushku) começa a se lamentar com o mocinho Chris (Desmond Harrington) que o namorado lhe chutou o traseiro via secretária eletrônica. Puta que los pario. Eles estão exaustos, feridos, desesperados, fugindo de monstros antropófagos e a maldita se queixa DISSO?

Mas a maior falha de Pânico na Floresta é a mesma que assola 95% dos filmes de terror/suspense atuais: um roteiro datado ao extremo, que te faz deduzir (e acertar) quem vai morrer, como, e em qual ordem, antes mesmo que você chegue em casa com o filme na sacola.

Apesar da ruindade latente, o início, com a reedição integral de Massacre, e as boas cenas isoladas que citei, fazem Pânico da Floresta dar pequenos saltos para a superfície do mar de lama em que se encontra. Além de ser um razoável aquecimento para o remake de O Massacre da Serra Elétrica, que estréia finalmente nesta semana, numa inacreditável sexta-feira 13 (será que o Jason vai estar lá?), e o motivo real por eu estar perdendo o meu tempo nesta tentativa de análise.


Alugar Pânico...? Alugue, mas na locadora mais furreca. Aquela de R$ 1,20. E convide uma amiga bobinha, só pra ela tomar susto toda hora e ficar pulando no seu colo.


dogg, ao som de Child in Time, do Deep Purple, e se perguntando porque o Ritchie Blackmore é tão cabeça-dura... Que solo de guitarra é esse, mermão!!

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