segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

Meu amigo... chapei. Esse Natal rulez. Aproveite minha presença enquanto estou vivo, pois o reveillon promete ser ainda mais sinistro.

Agora, voltando à programação normal...


"SHOW ME THE MONEY!"


Lembra desse lance? Isso saiu na Marvel MAX #1, na versão dirty uncut do Luke Cage. Essa verdadeira saga urbana de Brian Azzarello e Richard Corben, foi uma das melhores coisas que li esse ano. Belíssimo trabalho de resgate/atualização de um dos personagens mais legais e mais mal-aproveitados da Marvel. Tirando um ou dois furos (como o Cage se machucando feio na briga com o Marko), o arco foi simplesmente perfeito.

Aliás, eu sempre me perguntei de onde veio aquela má-vontade titânica do herói de aluguel com relação ao Homem-Aranha. Tudo bem, o cara é naturalmente seco e mal-humorado pacas, além de ter aquela típica pose gangsta do Bronx, Compton e outras quebradas. Mas descontando esses detalhes, ficou um cheiro de rancor antigo no ar.

E não é que, nos primórdios, os dois caíram dentro mesmo? A treta rolou na dinossáurica Amazing Spider-Man #123, publicada em agosto de 1973 (wow!). O cabeça de teia sempre começou com o pé esquerdo na maioria de seus encontros com outros heróis. Tanto é que ele já brigou com o Hulk, com o Wolverine, com o Capitão Britânia, e até mesmo com o Namor, berrando "Imperius Rex" a plenos pulmões. Com tanto peso-pesado, o Luke Cage era figurinha fácil no rol dos desafetos.

Motivo da peleja: cinco mil doletas, num freela pro famigerado J.J. Jameson (na época, mais anti-aracnídeo do que nunca). Bem no início de carreira, Cage era bem mercenário. Ele levava ao pé da letra a sua fama de "herói de aluguel" e terceirizava qualquer serviçinho sem pestanejar. Mesmo que fosse algo contra os mocinhos - ou as mocinhas. Só pra situar, a 1ª vez que Cage se encontrou com seu futuro sócio, o Punho de Ferro, foi para assassinar a sua namorada (tudo bem que ele foi coagido, mas...).

Depois falam por aí que o personagem era uma referência direta ao blaxploitation, que ele era uma representação da nova cultura negra, etecétera. Coitado do mundo se existissem "super-heróis" negros então. Cage era o próprio Alonzo Harris* da nona arte.

Mas descontando a polemização social, foi porradaria das boas. Também, a line-up era de cair o queixo: Gerry Conway no roteiro e a dobradinha Gil Kane e John Romita Sr. nos desenhos (sinistro...). Como o spoiler perdeu a validade lá pelos anos 80, vão aí alguns momentos de amizade terna e solidária.






Opa, opa, peraê... essa foi foda. "Você é o palhaço que vende seus poderes"...? Nossa, humilhou.














"Alguns momentos" mesmo, pois a revista inteira é assim, que nem final entre Palmeiras e Corinthians, com o Edilson doido pra fazer embaixadinha. Na conclusão, o Aranha dá uma seqüência matadora de ganchos à Roy Jones Jr., e tem uma daquelas "revelações" que o acometem de vez em quando. Percebe que está furioso além da conta porque vê em Cage o seu passado de defensor do próprio bolso. Aí ele prende o cara com a teia e começa aqueles papos tipo "no começo eu estava nisso por grana também... houveram conseqüências...", e tal. Há a inevitável reconciliação, cada um segue o seu caminho e o J.J.J. paga o pato. Mas ficou o precedente, bem lembrado pela MAX. Será que nas futuras edições de The New Avengers (onde os dois estarão lutando lado-a-lado) pode rolar um tira-teima? Esse é um recurso pouco usado por roteiristas de super-equipes, mas que na época dos Defensores dava muito certo. Ver o Namor encarando o Surfista Prateado era demais. Os dois se odiavam!

Agora, uma pequena chafurdação nerd. Cage levanta cerca de 1 tonelada de peso, e o Aranha cerca de 10. Mas em nenhum momento a história atravessa esse detalhe, visto que Cage sempre acerta o Aranha quando este se encontra em posições de desequilíbrio. Além do mais, mesmo tendo 10 vezes a força de Cage, o Aranha não é invulnerável - exceto pela resistência natural de quem tem esse nível de poder. Diferente dos dias de hoje, onde vemos os maiores absurdos envolvendo a força física dos personagens. Até hoje eu encontro vacilos monstruosos em A Morte do Super-Homem. Pelo visto lá, só o Clark é que era vulnerável ao Doomsday...

*Alonzo Harris é o tira corrupto interpretado por Denzel Washington no filmaço Dia de Treinamento.


"THE STRANGE FACE OF LOVE"
(Tito & Tarantula)


Essa canção, que entrou na trilha de From Dusk Till Dawn, seria perfeita também no set list de Sin City. Ali, o amor é descrito como uma força estranhamente agradável (ou agradavelmente estranha). E Sin City está cercado de amor. Amor ao Cinema, às HQs e também o amor paternal de um artista pela sua obra. Pois, por mais capitalista que Frank Miller seja (e dizem que ele é), nada me tira da cabeça que ele deve se encontrar num estado de nirvana contínuo, nesse exato momento. Pelo menos, até o filme estrear e fazer carreira nos cinemas, mundo afora.

Miller conseguiu algo muito difícil, que foi estabelecer uma conexão direta com a produção (ele é co-diretor, ao lado de Quentin Tarantino - também "colaborador" de FDTD). Sem contar o fato que o diretor Robert Rodriguez mantém com ele uma relação ainda mais estreita do que Guillermo Del Toro e Mike Mignola em Hellboy, por exemplo. "Fidelidade" aqui será o menor dos problemas.


O universo bizarro/urbanóide de Sin City influenciou uma carreirada de gente, sendo que o mais notório está lá (Q.T.). Mas após os dois previews acachapantemente 'megafodônicos' (homenagem ao Alcofa, que não vai mais embora, aêê!), pode-se notar também algumas fontes pré-Tarantinescas e pré-Millerescas (nó). O choque entre o monocromático e aplicações em cores (O Selvagem da Motocicleta, de 83, do Coppola), ultraviolência seca e estilizada (típica do mestre Sam Peckinpah), ruídos distorcidos de guitarra, atmosfera dark/surrealista/abstrata e perspectivas sufocantes em plongée (ângulo de cima para baixo, David Lynch rasgado), sem contar o amor, novamente, só que mais ordinário e conturbado do que a intenção original (Coração Selvagem... do Lynch também - vou fazer o quê, o cara é genial mesmo). E pode até ser uma certa forçação, mas a cena das viaturas quase voando me lembrou na hora o cultuado Repo Man, aquela piração punk de 84, dirigida pelo insano Alex Cox.

E já a famosa fidelidade ao original... Lassie perde. Não quero menosprezar o grande Robert Rodriguez, mas está claro que Miller é co-diretor só nos créditos mesmo.


Mickey Rourke/Marv


Bruce Willis/Hartigan


Clive Owen/Dwight

Mickey Rourke está numa situação parecida com a de John Travolta, anos atrás. Após uma eternidade mergulhado no ostracismo total, caiu no seu colo um grande personagem, feito sob medida. Já foi o tempo em que Rourke era o number one lá em L.A., através de hits como Orquídea Selvagem, Coração Satânico e 9½ Semanas de Amor. Esse pode ser o seu melhor momento na telona, em muito tempo. Quanto ao Bruce Willis (que já foi um sub-Mickey Rourke...), eu sempre o considerei o cara certo apenas para os papéis certos. E isso corresponde a... o quê...? ...uns 90% do que ele já fez na telona, com exceção de um ou outro Hudson Hawk da vida. E o Clive Owen é um bom ator, apesar do maneirismo sociopata. Isso já o atrapalhou em papéis que não pediam essa postura, mas aqui cairá como uma luva.

Apesar daquele primeiro teaser esgulapante de foda, ainda não sei a que veio a presença de Josh Hartnett aqui. Se você, um sujeito antenado que visita o BZ regularmente, sabe, por favor, me ilumine com o seu conhecimento. Já o hobbit Elijah Wood eu só fui perceber da segunda vez que vi o trailer. Ele está com o rosto imerso nas sombras, só dá pra ver os óculos. Benicio Del Toro, um cara legal pra cacete, aparece lá, mas bem menos do que deveria, no papel de Jackie Boy. As maravilhosas Carla Gugino e Brittany Murphy também marcam presença, como Lucille e Shellie, respectivamente. E ainda têm Devon Aoki como Miho, Rosario Dawson como Gail... putz.

Recentemente, foi divulgado que o replicante Rutger Hauer interpretará o Cardeal Roark (no ano que vem ele deve bombar, pois estará também em Batman Begins). Os onipresentes Michael Madsen, no papel de Bob, e Michael Clarke Duncan, no papel de Manute, também estão no elenco, mas não devem passar de pontas.

De resto, dois detalhes que me chamaram a atenção...


Nick Stahl no papel de Junior e do Bastardo Amarelo. Só agora a ficha caiu. O mesmo Nick Stahl que fez o John Connor, no ótimo O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas.

Interessante. Geralmente chamam o John Leguizamo para esses papéis... :D


E a esfuziante Jessica Alba e sua Nancy Callahan, repetindo aquela inacreditável rebolada stripper, em versão semi-colorida, com direito a piscadela no final. Coisa de profissional mesmo. Promete superar o show da vampiraça Satanico Pandemonium, de From Dusk Till Dawn (ops, de novo!).

Gostaria de dizer que vou assistir esse filme só por causa dela, mas, pelo andar da carruagem... acho que vou lá é pra ver um filme perfeito mesmo.

Trailer, agora em resolução decente


"VOCÊ É A DOENÇA, EU SOU A CURA"


Precisou uma tragédia familiar para transformar o pacato arquiteto Paul Kersey em uma máquina de fazer justiça. A violência chegou arrombando o seu mundinho perfeito e foi embora levando tudo, mas deixou algo em troca: a natureza selvagem do ser humano. É, somos assim. Às vezes, precisamos de entrar em contato com o "lado negro" para assumirmos a nossa verdadeira face. E quem atirou a primeira bala de calibre 45 foi o Kersey, o emblemático personagem de Charles Bronson no filme Desejo de Matar. Dali, veio um exército de soldados urbanos que perderam suas famílias, em busca de justiça cega. Isso no universo pop, claro. Principalmente em filmes e HQs.

Vou confessar uma coisa. Não faço a mínima idéia se o Batman, quando foi criado, em 1939, tinha a mesma origem que conhecemos hoje. Não sei se naquela época, ele já era motivado pela perda brutal de seus pais, tendo em vista a sua abordagem mais leve. Seja como for, ele é a referência nº1 para personagens desta estirpe. Mas mesmo após DK, o morcego sempre teve um limite intransponível, um código de honra consciente que serve até mesmo para a auto-preservação da sua sanidade frente a toda loucura criminosa que permeia Gotham City. Ele não mata. O que não acontece com Frank Castle, o Justiceiro, curiosamente criado em 1974, o mesmo ano em que Desejo de Matar estreou nas telonas. Ex-combatente no Vietnã, Castle já era napalm pronto para explodir. Muito da violência desenfreada que o vemos cometer hoje vem acompanhando o personagem muito antes dele perder a sua família. E é essa a fina linha que separa o Bruce do Frank.


Entre 95 e 96, foram lançados dois crossovers entre Batman e o Justiceiro. Apesar de bem simplistas, chegam a tocar nessas questões éticas entre os vigilantes. Mas o grosso mesmo são os tiroteios, explosões, galpões em chamas e pancadaria cheia de golpes baixos. E os vilões são bacanas: Coringa e Retalho. O primeiro crossover foi produzido pelo cast da DC: Dennis O'Neil no roteiro e a dupla Barry Kitson/James Pascoe nos desenhos. Na época, Bruce estava fora de ação e quem assumia o manto do morcego era o alucinado Jean Paul "Azrael" Valley. Já no segundo, com o Bruce de volta, foi produzido pela Marvel, com Chuck Dixon no roteiro e John Romita Jr./Klaus Janson nos traços.

Batman/Justiceiro - Lago de Fogo
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Justiceiro/Batman - Cavaleiros Mortíferos
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dogg, ouvindo o álbum Scarlet's Walk, da Tori Amos, sem parar. Essa mulher é perfeita.

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