quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O LUCHADOR


"51% motherfucker, 49% son of a bitch!"

Enquanto a Europa Filmes segue acabando com a paciência alheia (Death Proof? Alguém?), o multi-tarefas Rob Zombie já iniciou as filmagens de Halloween 2, sequência do remake que ele dirigiu em 2007. O filme explodiu nas bilheterias, implodiu nas críticas e permanece inédito por aqui, graças à distribuidora que não distribui. Mas, por hora, foda-se a Europa Filmes. O marido da esfuziante Sheri Moon já tem o próximo filme engatilhado e esse parece promissor: Tyrannosaurus Rex, ainda sem roteiro ou cast definido (adivinha a única atriz confirmada).

Especula-se que é baseado na hq The Nail, escrita em 2004 pelo próprio Zombie em parceria com Steve Niles (de 30 Dias de Noite). Agora, com a divulgação das artes conceituais - by Alex Horley - os rumores meio que se confirmam.

Aliás, isso até rendeu um bafafá sobre supostos desacordos entre o Niles e o Zombie - prontamente desmentidos por Niles, que vê o projeto mais como uma adaptação livre e o Zombie como o verdadeiro pai da criança.

Mas vou te contar... quanto mais se basear na obra original, melhor.


A hq é excelente e a premissa, curta e grossa: um wrestler fodão chamado Rex "The Nail" Hauser tenta proteger sua família de um grupo de motoqueiros assassinos from hell (literalmente). A graphic não poupa no grafismo. É violenta pra caceta - e daquele tipo de violência pulp que implora por uma versão jorrando sangue na telona.

Nem imagino o quanto dos elementos místicos/satânicos o filme irá incorporar, já que os previews sugerem um clima de exploitaton setentista, mas já dá pra perceber algumas referências pipocando aqui e acolá.


Algo do Quadrilha de Sádicos original...


...e até uma dose de Mad Max.

Mas isso são apenas tolas conjecturas. Esse filme seria instantaneamente foda se o ator principal confirmasse a aparência das ilustrações.



E dá-lhe Danny Trejo!


MySpace T.Rex

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DIE, AXL, DIE!


Melhores de 2008 outrora em produção e eu ouvindo o Chinese Democracy pela terceira vez nesta vida. Não é um disco ruim, tampouco justifica a demora e é, de longe, o registro mais bizarro do grande cetáceo do rock. Minha política em relação aos gunners é de "não-intervenção": tanto acho hilário o tom inflamável das críticas (algumas, antológicas!) quanto dignos de surra os que consideram o grupo a redenção definitiva do rock & roll. Ah, porra... vão ouvir Thin Lizzy, caralho. The Who. Bad Company. Led, Rainbow! Até o Foghat foi melhor.

Mas dessa os roses saem ilesos, já que sempre foram os primeiros a admitir que estavam à sombra de gigantes. Caso contrário, mereceriam mesmo todas as tomatadas. Além do mais, qualquer banda que escreva uma sonzeira como "The Garden" e ainda tenha moral o suficiente para invocar o vozeirão cavernoso do fuckin' Alice Cooper, tem direito a crédito extra. Isso me chama a atenção para o que realmente há de errado com a banda - os fãs. Ah, esses malditos.

Mas então. Enquanto tentava entender um pouco do disco novo (impossível), curtia uma versão bem melhor do Axl Rose: a da história "Stage Coach", da série White Trash de Gordon Rennie e do saudoso Martin Emond (R.I.P.!). Publicada na Heavy Metal #142 (janeiro/1993), é algo raro de encontrar, é bem possível que seja inédita por aqui. Se saiu, é quase certo que foi pela Heavy Metal Brasil ou pela Animal.


Na história, Axl, então um jovem white trash, sai de algum trailer nos cafundós de Indiana com destino a Los Angeles, a terra prometida do hard rock oitentista. Durante o trajeto, uma gangue de motoqueiros headbangers, talvez prevendo a praga mundial que seriam os GN'R, ataca o ônibus do rapaz e tenta matá-lo a todo custo.

Tão divertido quanto parece!


No link (em inglês) >>

White Trash: Stage Coach


E Chinese Democracy não constaria no Melhores '08. Processo arquivado.

Ok, me entrego. Rolei de rir nessa última enquete. Fiz de sacanagem, porque no fundo sabia que a parada ia terminar entre o Stan e o Hugh. Ora, o velho Stan é o maioral, tem conexões inimagináveis dentro na arte que tanto amamos (a 9ª) e um arquivo de histórias pra contar off-record...

Mas como competir com isso?

Com certeza, o marvete que votou no Hugh, votou com o coração partido (mas com o imaginário pra +18). Mas estamos todos perdoados. Num mundo perfeito, o "avô dos sonhos" seria uma mistura dos dois.


E, quem sabe, esse decano idealizado até mandasse um "go ahead, punk" de vez em quando.

Tipo, "vô, posso ficar com a ruiva?" - "go ahead, punk".


Rascunhei isso ouvindo uma puta relíquia do Van Halen e me espantando com o fato de não ter mais ressaca. Não que eu esteja reclamando.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

JASON VOORHEES' DAY OFF


Facão enferrujado? Confere. Sorriso cativante? Confere. Pescoção? Confere. Fetiche por acessórios de hóquei? O-fucking-yeah. Tremei, amantes da nouvelle vague! O rei dos slashers está de volta! E quando eu afirmo "está de volta" eu quero dizer per se literalmente por extenso. Porque cada frame respingante de Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, EUA, 2009) remete rigorosamente à franquia original, funcionando mais como um resumão dos três primeiros capítulos. Nada do que era circunstancial ou situacional foi modificado, o que faz deste filme uma autêntica 80's X-Party, com todos os machados, cutelos e loiras subindo as escadas em vez de fugirem pela porta. Mas antes que você me pergunte, sim, houve alguma reinvenção. Do próprio Jason.

O filme é a segunda colaboração do diretor Marcus Nispel com a produção do decepticon Michael Bay - dobradinha que funcionou às maravilhas no ótimo remake de Massacre da Serra Elétrica. Só que desta vez, o roteiro é de Damian Shannon e Mark Swift (do slasher-arena Freddy vs. Jason), o que talvez explique o default sanguinário aqui presente. Ao contrário da refilmagem de Massacre, aquele trocinho descaralhante no grafismo, o novo Sexta (apelido carinhoso) pouco revitaliza seu lado mais explícito e visceral. Esteticamente, não traz novas informações àquilo já vimos antes, o que hoje, não é o bastante. Não depois de Alta Tensão, Rejeitados pelo Diabo ou mesmo O Albergue. Isso, pelo menos, na versão que foi para as telonas.

Segundo Nispel, eles deceparam cerca de dez minutos em gore e putaria só pra acalmar a MPAA e emburacar censura R. Mesmo assim, a quantidade de mamões em exposição é redentora! Contei três pares generosos de magumbos, todos em farol alto e com moranguinhos perfeitamente simétricos. E como nada se perde, o diretor já avisou que o DVD e o Blu-ray é que vão ser o canal e terão todas as cenas proibidonas, mais os gêiseres de hemácias, leucócitos e plaquetas que ficaram de fora. Oremos!


A premissa é trivial e conta com, provavelmente, a maior introdução da história do cinema (pra lá de vinte minutos). Começa com um flashback p&b do primeiro filme, com a serial-mom de Jason jurando vingança e perdendo a cabeça pra deixar de ser besta. Corta para um grupinho de amigos (dois casais e um geek) indo acampar nos arredores de Crystal Lake - novamente em busca de erva, tal qual em Massacre. Papo vai, papo vem, a noite cai, uma menina mais assanhada paga peitinho (sic!!) e não demora até todos serem atropelados por um bulldozer da marca VOORHEES. No meio do açougue, aparecem algumas novidades em relação ao "man behind the mask" (já volto aí).

A cena que conclui a chacina chama a atenção por dois motivos: visivelmente, Derek Mears, o novo Jason, estava em plena realização de um sonho de infância; Dada a disposição com que ele vai pra cima da última vítima, Whitney (a fabulosa Amanda Righetti), você imagina que ele não só partiu a garota ao meio como abriu um novo afluente para o lago Cristal. Mas não é bem por aí - e essa é a primeira pista do estilo que Nispel imprime durante o resto do filme.

Finalmente, o título aparece e a história central começa. Seis semanas depois, o irmão de Whitney, Clay (Jared Padalecki, o Sam, de Sobrenatural) varre a região à procura da garota, enquanto uma nova leva de presuntos com úteros e hormônios em fúria armam um rendez-vous pelas redondezas. Os conhecidos estereótipos estão lá, desde o playboy cuzão e duas loirinhas bimbantes até um japa e um negão obedecendo o sistema de cotas - todos com etiqueta de identificação do necrotério amarrada no dedão do pé.

Também temos uma inevitável e virginal Pollyana no meio do grupo, a gracinha Jenna (Danielle Panabaker), interesse romântico de Clay. Aliás, sempre me pergunto porque uma pattyzinha casta e inocente resolve ir até um fim de mundo com uma galera sedenta por drogas e orgias.


Os garotos intrometidos xeretando o velho acampamento abandonado, jovens transando num filme de terror (isso é assinar a própria sentença de morte, mermão!), policiais incompetentes que nunca observaram os índices de homicídios e desaparecimentos da região... tudo pronto para o psicopático Jason inundar a floresta com um maremoto vermelho-bordô, mas logo percebemos algo diferente no capiau de Crystal Lake. Bem diferente.

Na nova abordagem, Jason está mais safo, mais versátil. Ainda é aquela mesma máquina de moer adolescentes, mas longe daquela rigidez robótica de outrora. Sim, a unidimensionalidade, maior característica do immortal-killer, foi pro saco. O Jason 2009 está mais para os cajuns sacanas de Amargo Pesadelo e O Confronto Final do que pra Michael Myers, o que faz até mais sentido. O caipirão from hell agora se utiliza de vários apetrechos (armadilhas, gambiarras de alarme e... ainda estou pasmo... arco e flecha!) e até de joguinhos psicológicos - coisa que ele fazia muito nos primeiros filmes e foi que sendo esquecida conforme a criatividade foi descendo pelo ralo. Do jeito que está, Jason poderia alugar uma caminhonete, cair na estrada e protagonizar a continuação de Wolf Creek.

Mesmo descrevendo tudo isso positivamente, confesso que fiquei meio dividido sobre essas modificações. Mas isso porque eu sou um maldito nostálgico. Jason pra mim é aquele que vai andando e mesmo assim pega o infeliz que está se desgraçando de correr lá na frente.


A direção de Nispel surpreende pela pouca ousadia, sugerindo até um certo cuidado com a marca. Também é meio canalha com o espectador, usando várias vezes o recurso do volume alto para amplificar sustos falsos (chega ao absurdo de um simples arrastar de cadeira criar um susto de mil decibéis). Outra estratégia furada que é repetida à exaustão e que se esgota rapidamente: Jason e seu poder mutante de se materializar atrás das vítimas, o que fatalmente chega ao ponto de comédia involuntária (a velha maldição da série original). E algumas passagens intrigantes como a da velhinha mal-encarada e adepta da causa Jasoniana não são desenvolvidas, o que é uma pena.

De positivo, temos boas homenagens aos primeiros filmes, como a cadeira de rodas que aparece jogada no muquifo de Jason (referência ao paraplégico de Sexta-Feira 13: Parte 2), a cachola da mamãe Voorhees reverenciada num altar (também da parte dois) e o ônibus escolar tombado no meio da floresta (lembrando muito a van que ele detonou na parte VI).

Também não poderia deixar de destacar que, após tantos cancelamentos, finalmente alguém de Sobrenatural conseguiu enfrentar o Jason - ainda que extra-oficialmente. O que, convenhamos, foi até melhor, já que os Winchester bros. nem abalariam o mascarado com os tradicionais sal grosso e rituais de exorcismo. Jason esquartejaria os dois num piscar de olhos e a série é bacana demais pra terminar assim.


Sexta-Feira 13 em muito se assemelha àquelas bandas hard rock de antigamente. E não me refiro apenas aos canhões de luz e gelo seco que impregnam as florestas de Crystal Lake à noite. A série retorna com um lançamento divertido, mas flagrantemente datado para os padrões atuais, na ânsia de recuperar um pouco do seu passado de glórias. O que consegue, no entanto, é mostrar mais uma autocaricatura, regurgitando as convenções criadas por ela mesma e que influenciaram as gerações seguintes - o que, de um certo modo, não poderia ser mais bem-vindo e lisonjeiro.

Jason está de volta. Vida longa a Jason Voorhees, o maior rockstar dos anos oitenta.


Friday the 13th Films
Camp Blood
Desciclopédia do Jason!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

FIGHT FIRE WITH BAUER


Olha só que coisa. Mesmo com tudo o que já aconteceu em 24, a série nunca foi tão didática quanto no último episódio (o oitavo, sétima temporada). O que rolou ali foi um intensivão da metodologia anti-terror - e anti-ética - de Jack Bauer. Um compacto de tudo o que polemiza o personagem de Kiefer Sutherland e, porque não, daquilo que é o coração da série. Uma sequência em particular (a da imagem acima) é emblemática neste sentido: trata-se de uma única situação de campo, onde o ex-CTU, auxiliado por uma agente do FBI, tenta extrair uma informação crucial de um agente duplo. Movido por uma deadline iminente e antecipando a recusa do sujeito em abrir o bico, Bauer o coloca sob a mira, enquanto a agente do FBI invade a casa do cara e coloca a família dele (mulher e um bebê de 11 meses) sob a mira. Para Bauer é só mais um dia no escritório. Mas para a agente Renee Walker...

A agente Walker tem personificado os brios do espectador liberal nesta temporada. Ao mesmo tempo em que admite alguma tortura e coação por um bem maior (que seja), se recusa a trilhar de vez o caminho negro de Bauer, que absorve isso como oxigênio. Ela tenta evitar baixas. Ele, controla os danos. Isso deu muito certo antes (lembra de como ele quebrou o vilanesco Stephen Saunders na terceira temporada?). A única exceção (Christopher Henderson, mentor de Jack, ou seja, Satã em pessoa) só confirma a regra.

Uma das boas sacadas do roteiro foi mostrar a agente sendo seduzida pelo modus operandi de Bauer (reacionário e com tempo de resposta mach-5) em contraponto aos protocolos e burocracias sem fim do Bureau - este, sem dúvida, representado em terno e gravata pelo diretor assistente Larry Moss, de quem a Agente Walker é protégé. É dele uma missiva lapidar para Jack: "são as regras quem nos fazem melhores" - ao que ele prontamente responde: "não hoje".

Poucas vezes Jack esteve tão sóbrio e incisivo quanto nesta cena de confronto ideológico. Faltou pouco pra ele dizer algo como "sou o melhor no que faço" ou "peace sells, but who's buying?". Um badass, enfim.

A sétima temporada segue irrepreensível. Pra quem se surpreendeu com o tour-de-Rambo que foi 24: Redemption (achei um filmaço sim), posso adiantar que a trama está muito bem elaborada e cheia daqueles excessos narrativos quase-saindo-dos-trilhos que marcaram os melhores momentos da série. E pra quem estranhar a calmaria inicial, os dois últimos episódios (#7 e #8) são totalmente punk, hardcore e death metal. Na verdade, só há uma coisinha que ainda não comprei totalmente, mas sem ligações diretas com o andamento dos plots. Que, por sinal, nem vou resumir quais são para não atrapalhar a surpresa (não dessa vez!).

Ah, e evite o Wiki de 24. Estraguei um episódio só de correr o olho ali. Os caras contam tudo!

Na trilha: War Pigs!