terça-feira, 16 de agosto de 2016

O Paradoxo de Denis

E mais um filme com a indefectível Amy Adams entrando em contato (imediato) com extraterrestres. Não espero de ninguém o mesmo interesse que tenho sobre o tema, portanto já abro logo com o super-trunfo: a direção é de Denis Villeneuve.

De Os Suspeitos. De Sicario. E, puta que lhe pariu, de Incêndios.


Não é o caso típico de um nome respeitado fora do circuitão se queimando no mainstream (não é mesmo, Oliver Hirschbiegel?). Villeneuve é só know-how a este ponto. Ponho fé. E preciso.

Faz algum tempo que impera uma carência de bons filmes "de contato" sob uma ótica mais pragmática ou, no mínimo, propondo especulações sóbrias, pé no chão. Filmes de sci-fi à luz do dia, desprovidos, senão de todo, de uma boa parte da velha fantasia distrativa.

Nos últimos anos não faltaram bolas na trave: Esfera, O Dia em que a Terra Parou - remake, O Enigma de Outro Mundo - prequel; todos com instigantes prólogos de recrutamentos-para-lidar-com-uma-situação-misteriosa-e-extraordinária, mas que rapidamente cederam ao peso de suas promessas. Distrito 9 era diversão e panfleto, outro assunto. Maçãs e laranjas.

Em meio ao mar de frustrações, os únicos que me fizeram sair do cinema pleno de satisfação foi Contato, já quase completando seus 20 anos com fôlego invejável, e o controverso Prometheus, um dos blockbusters mais intrigantes e ousados que já tive o prazer de assistir - e aguardo muito a continuação, mesmo ciente das presepadas de Ridley Scott.

Enfim, escrito isso, gostei do que vi nesta prévia de Arrival (aqui, A Chegada). Parece uma adaptação livre do item "Eles são muito alienígenas" constante no Paradoxo de Fermi, o que, sem dúvida, é uma visão não só fora da zona de conforto hollywoodiana, mas da humana enquanto perspectiva.

Arrival estreia em 10 de novembro.

Dever de casa para o incauto leitor: It Came from Outer Space (1953), o ponto zero... ou melhor, o ponto 0,5 disso que comentei aí e que começa quase despercebido com a xenofobiazinha nossa de cada dia.

9 comentários:

Vinícius Alves Hax disse...

O trailer realmente está muito instigante. Espero duas coisas:

- Que os trailers não revelem o final (vou tentar ficar longe das notícias);
- Que ao final não seja só mais um "independence day";

Valeu pela dica, nem sabia desse.

doggma disse...

Parei por aí também, Vinícius. Esse merece ser conferido em estado íntegro de percepção.

E confesso que fiquei meio desconfiado com as cenas dos caças e tudo, mas só pelas credenciais do Villeneuve não acredito que vá resvalar num Emmerich/Bay-movie não. O cara não faz concessões. Vide a forma dos alienígenas, realmente alienígena.

Marco disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marco disse...

"E, puta que lhe pariu, [diretor] de Incêndios." Esse cara é aqui do Quebec, eu já tinha ouvido falar em Incêndios. Como já peguei várias referências aqui do BZ, estimo a sua opinião. Pra vc falar assim, tem que ser bom mesmo... Vou assistir esse fim de semana (e aguardo ansiosamente pelo Arrival!). Abraços

doggma disse...

Marco, não é o tipo da experiência que vá reforçar sua esperança na humanidade, mas é um daqueles raros momentos em que o cinema consegue abraçar tantos cenários complexos e ao mesmo tempo soar fluído, orgânico, real. E pontuado por várias porradas na boca do estômago. Abração!

Marco disse...

Legal doggma. Já estou com ele na mão, vamos ver qual é.
Grande abraço

Luiz Carlos Silva Marcolino Júnior disse...

Li, em algum lugar, que o Villeneuve vai dirigir o infame Blade Runner 2. Já me animou um pouquinho.

doggma disse...

Rapaz... Vi agora a entrada no IMDb. Contorno de roubada é certo. O cara que anda colaborando com o Ridley no roteiro é o Michael Green, que tem um currículo pavoroso - foi um dos gênios que escreveu o filme do Lanterna Verde.

Santo canadense faz milagre?

Luiz Carlos Silva Marcolino Júnior disse...

Putz! Brochei agora! Mas em tempos de mais do mesmo ( leia-se Estrela da Morte e Darth Vader ), vamos ter fé no canadense.