segunda-feira, 6 de maio de 2024

Perseguidor implacável


Falcão sendo caçado por um Sentinela defeituoso que jazia num ferro-velho. Leiturinha básica num domingo chuvoso, resgatada no red label Os Heróis Mais Poderosos da Marvel Vol. 19: Falcão, da Salvat. Quando moleque, lia e relia essa história na Capitão América #78, da Abril, reforçando fobias mecatrônicas plantadas no córtex pela face robótica de Yul Brynner em Westworld, pelas fembots de A Mulher Biônica e pelo aterrorizante braço cibernético de Geração Proteus. Só que em versão kaiju. Brrr.

A ideia de ser perseguido por um robô assassino que se reergue dos escombros para continuar a sua caçada era combustível de pesadelos. E mais uma para a extensa conta do James Cameron e seu O Exterminador do Futuro, de um ano depois.


A história fazia parte de uma minissérie em 4 capítulos e foi escrita pelo Christopher Priest na época em que ainda assinava como Jim Owsley. Os desenhos são do grande Mark D. Bright, recentemente falecido. Na trama, o pobre Sam Wilson passa um dobrado ao ser confundido com um mutante pelo Sentinela bugado.

O que não lembrava é que a aventura também incluía fortes comentários políticos e sociais – hoje, bem mais instigantes para mim do que eram em tenra idade. É justamente o que faz da mini uma excelente releitura.

Mas admito que rever aquele velho Sentinela A-7 me fez sentir como o Prefeito Marvin Kuzak reencontrando o robô Cain, em RoboCop 2...

4 comentários:

Luwig Sá disse...

Só imagino que um eremita digital como o senhor deve sofrer horrores com a ascensão da Skynet da vida real sem qualquer resistência da nossa parte¹.

Reli esse gibizinho do Priest não tem muito tempo. Na verdade, bons tempos quando o texto dele ia direto ao ponto. Hoje em dia, qualquer trabalho dele requer muita paciência do leitor p/ captar o que quer; vide Exterminador e o recente Superman Lost. Bons quadrinhos, mas cheios de firulas no storytelling.

Abração.
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¹ Aliás, sobre o lance da IA, se não conhece, precisas conhecer Injection, do Warren Ellis e Declan Shalvey. Achei a tua cara: https://thepulseluwig.blogspot.com/2023/08/inteligencia-artificial-assombrada.html

doggma disse...

Acho que a escrita do Priest ficou mais densa, com mais camadas. Tem que passar no decantador, degustar aos poucos, harmonizar com um Tom King... 🤪

Curto muito o run do Slade e aquele do Pantera Negra - que ainda segue inédito por aqui, puta merda. Acho sensacionais. O SuperLost ainda não li.

Ah, e tem aquele conto do Doom, "Máscaras", que é um desbunde de poesia latveriana.

https://cidadefantasma.blogspot.com/2015/06/Mascaras.html

Quanto à Skynet, já estávamos condenados desde o ábaco... Como diria a Moira, "tecnologia não é algo a ser criado, é algo a ser descoberto".

Abraço biônico!

Tulio Roberto disse...

A Geração de Proteus!!! vc acabou de destravar uma memória há muito enterrada nas minhas sinapses. A tensão do filme o estupro da protagonista a falta de ética da máquina e até do seu criador e aquele final grotesco. Meu... acho que assisti ele quando tinha 10 anos foi punk na época.

doggma disse...

Rapaz, eu ficava petrificado com aquela cadeira robótica e aquele braço dos infernos.

E nem quando eles são destruídos no final o filme alivia. E segue com aquele "parto" bizarríssimo do "bebê 2.0", fazendo um link com outro filme que me apavorava quando moleque: Nasce um Monstro.

...que reassisti algumas vezes depois de véio. E sempre rio de rolar no chão. :P