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terça-feira, 9 de agosto de 2016

D.C.v D.C.


Pelos números, é quase certo que BrainDead não terá uma vida longa e próspera. Se mantiver a pegada até o final da temporada (única?), ao menos terá crivado seu logo nos neurônios de alguns poucos abnegados.

Ao contrário do que se imaginava... tá bom, do que eu imaginava, BrainDead não tem relação com Braindead, conhecido aqui como Fome Animal, crássico splatter do Peter Jackson moleque catarrento de várzea.

Mesmo assim, a premissa é, digamos, familiar.

Após meteoritos causarem um estrago numa cidadezinha da Rússia em meados dos anos 2010, o mundo dá sinais de que está enlouquecendo. Taylor Swift é o grande ícone jovem, o orçamento mundial está no vermelho e, o mais absurdo, Hillary Clinton e Donald Trump disputam a presidência dos Estados Unidos.

A explicação? A Terra está sendo dominada por alienígenas invasores de corpos. Justo.


A série é invenção do casal Robert e Michelle King (The Good Wife). Entre os produtores, estão David W. Zucker e o alien Ridley Scott, o que não é pouca coisa. A trama é protagonizada pela documentarista indie Laurel Healy, interpretada pela hors-concours Mary Elizabeth Winstead.

Com seu novo projeto encalhado na fase de captação, ela se vê obrigada a aceitar um carguinho no gabinete de seu irmão, o senador democrata Luke Healy (Danny Pino). Lá, ganhamos um intensivão sobre a doce arte de fazer política e inimigos.

Entre o fogo cruzado nos bastidores do Capitólio, Laurel se vê às voltas com coisas ainda mais estranhas que a cota habitual de estranhezas do lugar. Como várias pessoas repetindo as mesmas frases, palavra por palavra, cabeças explodindo no meio de uma acalorada discussão e coisas parecidas.


Os nomes dos episódios parecem tema de mesa redonda com analistas políticos. Tipo "Como o Extremismo Político Está Ameaçando a Democracia no Século 21" (ep. 1), "Fazendo Política: Vivendo à Sombra dos Bloqueios Orçamentários - Uma Crítica" (ep. 2) e por aí vai. As sequências com as rinhas e falcatruas de republicanos e democratas monopolizam e são deliciosas. Sátira política farsesca (ou não) no seu melhor.

Salta aos olhos a química entre Laurel e Gareth Ritter (Aaron Tveit), assessor do congressista republicano e picareta-mor "Red" Weathus, papel do genial Tony Shalhoub. Bons achados também são os sidekicks Rochelle (Nikki M. James) e o hilário Gustav (Johnny Ray Gill), fanboy de conspirações que poderia figurar tranquilamente nos Pistoleiros Solitários.

A dinâmica não faz prisioneiros. Ao mesmo tempo em que tece uma narrativa fácil, nunca se rende ao didático. O que é ótimo a princípio, mas eventualmente requer a caça de alguma info. No 5º episódio, por exemplo, há um trocadilho fulminante envolvendo o termo Sharia. Esse era nível pro. E tem vários mais.

Não é todo mundo que compra esse humor corrosivo e cínico. Mas quem é chegado em artefatos como Veep, Arrested Development, The Office, Parks and Recreation ou Community vai fazer a festa.


Apesar dos aliens influírem diretamente nos rumos da história, eles são quase um detalhe - literalmente, formiguinhas. A fatia sci-fi é sutil, mas frequente - chega a ser generosa no 6º episódio, "Notas Relativas à Teoria Pós-Reagan de Aliança Partidária, Tribalismo e Fidelidade: Passado Enquanto Prólogo" (heh!). Tivemos contatos imediatos de terceiro, quarto e até quinto graus, planos de invasão e até os infames círculos em plantações, mas nada disso do modo tradicional.

Ainda nesse (extra)terreno, particularmente bem sacada foi a explicação para o uso ostensivo - e, até ali, aparentemente gratuito - do hit chicletudo "You Might Think" (The Cars). Tão bacana que se sobrepôs até à forçada de barra do contexto. Essa nem Ellie Arroway viu chegando. Isso, mais os inacreditáveis resuminhos "previously" no início de cada episódio (cortesia do cantor folk Jonathan Coulton) já resolve a vida da série no quesito trilha.

Não sei se BrainDead é o Arquivo X que precisamos hoje - e Mulder & Scully deram uma patinada sinistra naquele final da 10ª "temporada". Também duvido que vá vingar na audiência em algum ponto. Só sei que o payoff é instantâneo e nossos homenzinhos verdes estão de volta... ainda que sejam formigas. E nem ao menos verdes. Mas são da constelação de Draco, o que rende mais trocadilhos bestas com a capital americana.

E o melhor de tudo, agora a belezura suprema Winstead é oficialmente a nossa mulher para assuntos ufológicos. Revisionou invasores clônicos, invasores de mundos e invasores de corpos num espaço de 5 anos e com uma média muito boa!

E tem algo mais supimpa que ela correndo pelo Capitólio de salto alto e saia executiva?

Ah, Maria Elizabete...

domingo, 19 de junho de 2016

Os discos voadores estão chegando!


Sempre me perguntei por onde eles andavam.

Como devoto fervoroso de São Maia, padroeiro do Soul e do R&B, fui surpreendido nesta idílica manhã domingueira com o ribombar de uma banda marcial se aproximando ao longe. Na espiadela discreta pela janela, fui fulminado pelo reluzir do uniforme branco-como-uma-fuckin'-supernova dos músicos e do animado coralzinho de crianças.

"Não, não pode ser", pensei eu, até ver a inscrição gravada no bumbo e atestar o inatestável:

"UNIVERSO EM DESENCANTO
CULTURA RACIONAL"

Parafraseando o saudoso Tim Maia, nesses tempos bagunceiros, onde a racionalidade e o bom senso das instituições, da política, das classes, dos gêneros e até da nossa adorada cultura pop parecem ter sido mandados para as cucuias, nada mais normal. Acho mesmo que a Cultura Racional era a peça que faltava nesse Bizarro World que é o mundo atual (falemos mais disso no post seguinte). A nave-mãe não poderia ter (res)surgido em melhor hora.

Pena que as antenas eletromagnéticas do comboio espacial não estavam bem calibradas, visto que passaram reto pelo maior expert em Cultura Racional da rua. Sério, por aqui sou praticamente um cavaleiro jedi da matéria.

Pelo menos deu tempo pra correr e ganhar uns folhetos de um súdito que irradiava alegria em sua indumentária branco-Omo Ultra Mega Ação!

Vede, mortais magnetizados:


A Verdade em frente e verso. Midi-chlorians on crack!

Esse vai pra seção de memorabílias trash pop.

Confesso que estou me segurando demais pra não visitar o QG alien e fazer um recon da patifaria in loco. Mesmo com receio de sair de lá vestindo roupas brancas. Com esses caras não se brinca.

Só pra situar: surgida na década de 1930, a Cultura Racional era mais uma seita misturando bases religiosas tradicionais com esoterismo e ufologia num insano plano cósmico que mais parecia Star Trek encontra Deixados para Trás. Os ensinamentos eram compilados numa série interminável de livros chamada "Universo em Desencanto", vendidos a preços módicos pelos fiéis seguidores.

Em suma, foi um precursor la garantía soy yo da Cientologia, fadado à obscuridade total, não tivesse seduzido um famoso adepto em meados dos anos 70 - o indomável Tim Maia, então em grande fase artística e comercial.

Durante o breve namoro, Tião perdeu tudo em sua louca paixão racional/superior/extraterrestre, mas legou para posteridade dois excepcionais álbuns "religiosos": os míticos Tim Maia Racional vol. 1 e vol. 2.

Apesar de musicalmente brilhantes, os bolachões pegavam pesado na pregação, não venderam nada e foram irrevogavelmente banidos da memória e do repertório do Síndico assim que ele, falido, cortou relações com a seita. Com o tempo, os discos ganharam reconhecimento e status cult - e ainda renderam um terceiro miojão de sobras, póstumo, muito divertido.

O causo é folclórico no panteão do pop nacional e bastante conhecido, mas sempre vale o replay.


Para maiores e melhores informações, recomendo logo o calhamaço punk-biográfico Vale Tudo, de Nelson Motta. Depois do arrebatamento visual que tive hoje, não será outra a minha fonte de leitura nos momentos de ostracismo laboral durante a semana.




No vídeo abaixo, Tim estava bem no início de sua jornada de "desmagnetização" (e de sua bancarrota profissional e financeira). A música de louvor é a última do pout-pourri, quase ao final, mas vale destacar a abertura também, com uma raríssima "Réu Confesso" ao vivo, outra que, devido a imbróglios legais, foi riscada para sempre da vida do Síndico.



Uma excelente semana. E não se esqueça dele:

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

You know I'm born to lose / and gamblin's made for fools / but that's the way I like it baby / I don't want to live forever!


O Motörhead nunca foi exatamente uma mina de dinheiro. Lemmy costumava dizer que o hit baladeiro que compôs pro Ozzy Osbourne rendeu mais grana que a discografia inteira do grupo. Mas não seria justo ignorar que foi "Ace of Spades", a música, quem garantiu a bebida comida na casa dos Kilmisters.

Lançada em 1980, "Ace of Spades" é um clássico do rock 'n' roll desde a primeira hora. E provavelmente o clássico mais barulhento da História. Isso pelo menos até 2010, quando ganhou uma estilosa versão acústica num comercial da cerveja francesa Kronenbourg 1664.


Apesar da bebida favorita do tio Lemmy ser o velho Jack, o feeling era inegável, flertando com um direcionamento blueseiro num álbum que nunca veio...

Nesta vida, pelo menos, o lugar de "Ace of Spades" foi no topo dos Marshalls.

De "Stage Fright", o melhor dvd/blu-ray de show do universo

Mas, como todo hino de verdade, a música - e o álbum homônimo - também trouxe seus percalços ao longo da carreira.


“Você pode achar Ace of Spades o melhor, porque só ouviu esse! Temos feito 1 álbum a cada 18 meses por 34 anos! Tenho certeza de que deve haver alguma coisa neles que você iria gostar!”

O cardápio é todo maravilhoso. Pra hoje, sugiro uma entrada triunfal com Overkill (1979), Iron Fist (1982) e Rock 'n' Roll (1987), seguida por porções completas de 1916 (1991), Bastards (1993) e uma saideira apoteótica com Inferno (2004).

Repita sem moderação.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Ali, além

Rafael Grampá segue intermídia em Romeo Reboot, curta dirigido por ele e produzido pela Axe.

Na sinopse:
"Coragem de arriscar é o que separa uma vida singela de uma verdadeira aventura. Romeo desperta de seu trabalho maçante, sem medo das consequências que o abandono de uma segurança rasa podem trazer, para desafiar a sociedade e ir atrás de um sonho do qual abriu mão no passado."


Talento há, talento há...

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A morte pode esperar

Mesmo que, no caso dos zumbis, a questão fique ambígua. Mas ainda é mais divertido que a alternativa...


Esperta campanha educacional da Heart & Stroke Foundation. A instituição beneficente é sediada no Canadá, o que é até óbvio. Onde mais veríamos mortos-vivos tão prestativos e bem-educados?

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Rinha escocesa

Se tudo der certo, Supergods, o aguardado livro de Grant Morrison, sai no Brasil no primeiro semestre de 2012, via editora Pensamento/Cultrix. Enquanto esse narguilé não é aceso por aqui, é interessante acompanhar a turnê (auto) promocional, com direito a um bate-bola de luxo entre o All Star Morrison e Neil Gaiman e, quem diria, também a figurar num caderno dois dominical de um diário escocês, ao lado de outro grande astro da terra do Chivas Regal:


Eu até descontaria as onomatopeias e a apelaçãozinha de imprensa marrom, mas ambas caem como uma luva no Morrison e seu discurso de retidão moral. Tudo bem que Mark Millar e sua fórmula kick-ass de "degradação, violência e herois durões assassinos em massa" ressoam hoje de forma mais gratuita que criativa, mas, caramba... quanta animosidade.

quarta-feira, 23 de junho de 2004

JASON XP


Nemesis é o nome do sujeito. Não contente em sacanear os sofridos gamers de Resident Evil 3 - Nemesis (ô bicho ruim de matar!), agora ele vai distribuir porradas e rajadas de bala nas telonas também. Assim espero, pelo menos. O primeiro Resident foi bem aquém do esperado, mas também não foi essa desgraça toda que andaram falando por aí. O problema foi que, apesar do potencial comercial, não souberam vendê-lo. Não se decidiram entre terror, ação ou aventura. Mas houveram alguns méritos e boas idéias isoladas (os 10 minutos finais foram melhores que o filme inteiro - e ainda instigou pra ca#*&§!). Outro ponto inusitado foi a trilha composta pelo Marilyn Manson: desconexa, ruidosa, tensa e perturbadoramente incômoda - mil vezes melhor que as manjadas trilhas "pra tomar susto".

O novo filme, atualmente em pós-produção, foi dirigido pelo figura Alexander Witt, um ótimo diretor... de fotografia em equipes de 2ª unidade. O cara exerceu essa função em Piratas do Caribe, Triplo X e A Identidade Bourne, entre outros. Bom... fazer o quê né. É esperar pra ver se ele se revela um estreante no nível de Guy Ritchie ou David Fincher (aliás, esqueçam Alien³... o filme do Fincher foi Seven!).

O sinistro Nemesis será o novo vilão, o que já é um ótimo avanço. Aquela mistura de cachorro, lesma e pizza do primeiro filme foi quase um anti-clímax. Até eu matava aquela aberração.

Se ao menos parte da essência do personagem for passado para as telas, já devemos esperar por um dos vilões mais legais do ano. Nemesis é forte como o Hulk, "imparável" como o Fanático, e carrega um arsenal que faria inveja ao Frank Castle. Ele foi criado pela Corporação Umbrella exclusivamente para empreender genocídios. Tudo o que põe em risco o bom nome da gigante corporativa é devidamente pulverizado pelo monstro. É o perfeito "kit Queima de Arquivo" do executivo moderno. Bill Gates deve ter um desses guardado nos porões da Microsoft.

No game, o monstrão sofre algumas providenciais mutações durante as fases, como se pode conferir aí embaixo, mas não creio que vá rolar isso no filme.


Por enquanto, a imagem da criatura está sendo guardada a 7 chaves pelo estúdio (claaaro), mas de vez em quando aparece alguma coisa. Além da imagem lá do início, recentemente caíram na rede mais três fotos com cenas do Nemesis live-action. Nada que tenha sido divulgado no site oficial, of course. Clique nas imagens para ampliá-las um pouco (e bota pouco nisso!).


Claro que nem tudo é sangue e violência... Outras duas razões (muito) boas para conferir Resident Evil 2 é o retorno da deliciosa doidinha Milla Jovovich, no papel de Alice, e a estréia da curvilínea Sienna Guillory, como Jill Valentine (finalmente!). Aliás, Sienna é uma cópia fiel da heroína virtual!


Resident Evil 2 - Apocalypse estréia lá fora em 10 de setembro e aqui, só em 26 de novembro (!!). Pra ir enrolando até lá, recomendo esse site. Na seção de mídia, vá na aba dos vídeos e confira os making-offs. São bem legais, naquele climão "carnificina-na-cidade-lotada-de-zumbis" - especialmente o vídeo 04, que traz como trilha sonora a esquizofrênica Gave Up, do Nine Inch Nails.




"O FUTURO É PASSADO, BABY"
(Marceleza)



E mais um ciclo se completa na extensa carreira do Black Sabbath. Você pode até dizer que os álbuns com os vocais olímpicos do Dio são maravilhosos (e são) e que ele é muito superior ao Ozzy tecnicamente (e é mesmo), mas a verdade é uma só: o Black Sabbath, aquela banda que compunha temas tão tétricos quanto pesados e marcada por referências ao ocultismo, acabou com a saída do Ozzy, em 1978, e seu último disco foi Never Say Die!, do mesmo ano. Ou quase...


Dois álbuns relativamente recentes acordaram os bruxos novamente. São nada menos que dois duplos ao vivo: Reunion, de 98, e Past Lives, de 2002. O que pode parecer uma óbvia seqüência caça-níqueis, na verdade é essencial para compreender a importância do Sabbath e os percalços que a banda atravessou - e ainda atravessa.

Em Reunion, o plano geral era apresentar a banda para a gurizada que marcava presença no OzzFest. Mesmo assim, a motivação foi de peso: era o primeiro show do Sabbath com a formação original desde o Live Aid, em 85. É realmente incrível como eles ainda estavam lá, e em boas condições, mesmo após todos esses anos. Principalmente Ozzy e o batera Bill Ward (que era tão junkie quanto o Madman, ou mais até). No set-list, marcam presença hits certeiros como Paranoid, War Pigs, Iron Man e Sweet Leaf. As execuções, apesar do polimento em estúdio, estão muito energéticas e "atualizam" o andamento das músicas. O guitarrista Tony Iommi e o baixista Geezer Butler sempre foram os mais "profissionais" da banda e aqui isso fica bem claro. O trampo dos dois está impecável como sempre foi. O estilo de Bill Ward, por sua vez, mudou bastante. Limou boa parte de sua verve jazzy em favor de uma pegada mais intensa e direta. Já o Ozzy... é o Ozzy. Você reconhece a voz dele até pelo espirro. Para conhecedores, é justamente ele quem entrega os overdubs que povoam Reunion. Ozzy sempre foi famoso pelas suas desafinadas ao vivo. Apesar da técnica apurada que ele acumulou ao longo dos anos, sua inflexão vocal sempre o traiu - o que nunca chega a acontecer aqui. Dizem também que Bill errou feio a introdução de Fairies Wear Boots. Só quem esteve naquele show em Birmingham, no dia 5 de dezembro de 97, é quem sabe como foi...

De bônus, Reunion ainda trouxe duas músicas inéditas de estúdio: Psycho Man (bem parecida com o material de Ozzmosis, disco solo do Ozzy na época) e Selling My Soul (com uma providencial bateria eletrônica). Ambas são muito boas, apesar de bem modernosas.

Past Lives foi a redenção dos fãs mais antigos. Aqui, comparecem todos aqueles clássicos e mais alguns, sem nenhum retoque de estúdio, com a banda bem à vontade e no auge da forma. A gravação inclusive é bem "suja", retratando com fidelidade as apresentações da época. Chega de se sacrificar pra tentar ouvir algo naquele bootleg mal-gravado de algum show deles nos anos 70 (eu tinha um!). E sempre foi frustrante fingir que o Live Evil, de 83, é um disco ao vivo do Black Sabbath verdadeiro (era o Dio nos vocais).

No CD1, temos um show feito em Manchester, em 73, e o CD2 é um apanhado de várias apresentações que a banda fez ao longo da década de 70. O repertório é de matar qualquer rockeiro veterano do coração. Pô, ouvir War Pigs, Paranoid, Children Of The Grave, N.I.B., Sympton Of The Universe e Black Sabbath à mil por hora, com as execuções da época?! Fora outras pedradas menos óbvias como Cornucopia, Snowblind, Hand Of Doom e Tomorrow's Dream.

Agora, porrada inesperada mesmo rolou no final de Wicked World. Após uma improvisação jazzística, eles emendam a pauleiríssima Supernaut (que não consta nos créditos)! Minha nossa, que riff, que batera demolidora...! Sem comentários, é só ouvindo mesmo.


Nesse álbum percebe-se claramente como o Black Sabbath era pesado demais pra sua época. Chega a ser quase irreal que um som violento daqueles estava sendo feito na mesma década que a disco e de grupos flower-power (The Mamas & The Pappas, Fleetwood Mac, etc). Foi um período em que o Rock era movido à base de muita garra e tesão, e não de samplers e efeitos especiais. Também é um atestado definitivo da influência direta que o Sabbath exerceu em 11 a cada 10 bandas que fazem som pesado hoje.

Essencial. Compre, roube, o que for.




Anexo 24/06/2004 - MENÇÃO HONROSA:

"Em cumprimento à sentença do juiz de Direito da 18ª Vara Criminal da Cidade do Rio de Janeiro, em ação de direito de resposta, movida contra a TV Globo, passamos a transmitir a nota de resposta do sr. Leonel de Moura Brizola.

'Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui cita o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado, perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de ‘O Globo’, fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.

Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca.

Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.

E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na Quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.

Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.

Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.

Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível: quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.

Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência límpida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros.'"


Palavras de Brizola, ditas por um incrédulo Cid Moreira, no dia 15 de março de 1994, em pleno horário nobre. Foram cinco minutos de terror no Jardim Botânico. Nunca fui PDTista, nem entusiasta do leão dos pampas, mas sempre admirei a sua obstinação inabalável pelos ideais em que acreditava. Ele foi o menos político dos políticos profissionais.

E qualquer um que tenha feito o Grande Irmão morder o próprio rabo dessa forma merece aplausos.