
Versão original, de set/1978, versão da Abril, de 1539, e a versão da Panini, de 1540
Caso (ainda) não saiba, aí vai o delivery até o conforto da sua caverna: um administrador do grupo do Comix Zone no Facebook pescou um erro cthulhúlico no volume 11 de A Espada Selvagem de Conan - A Coleção, da editora Panini, levantando uma bolinha redonda para o dono do grupo/canal/editora cortar. Mais que um erro pedestre de tradução, a frase proferida pelo cimério na versão brasileira apela para um grito de ordem racista que destoa completamente da build up-punchline escrita por Roy Thomas no original.
O pior, se é que é possível, é que isso ocorre pela 2ª vez no curso editorial dessa história. Conforme apurado pelo administrador, a "tradução" de Jefferson Pereira foi copiada da versão publicada anteriormente, em A Espada Selvagem de Conan #19, da Abril, em maio de 1986. Tradução feita originalmente pelo sr. João Paulo Lian Branco Martins — mais conhecido como Jotapê pelos
Resultado: a notícia se espalhou como fogovivo pelas planícies hyrkanianas e a Panini invocou os deuses atlanteanos para o controle de danos ASAP.

Fez o certo. A última vez que vi a editora com tanta pressa foi por intermédio do deus americano Gaiman. Isso deveria se tornar um hábito.
Me senti na obrigação de repercutir isso para registro. É um parágrafo fácil (pero constrangedor) no grande livro da louca trajetória das HQs no Brasil.
Alguns pensamentos:
⚔ Mal sabia o menino Jotapê, então com jovens 26 anos, que um dia tudo o que ele fez na Abril seria fuçado e perscrutado implacavelmente num holofote global;
⚔ Diferente de outros termos mais pueris usados até em músicas famosas e programas de televisão (como meu amado Os Trapalhões), o termo utilizado sempre foi muito ofensivo, mesmo na baixa percepção de racismo em geral da época;
⚔ Apesar da garoteada, não acho que Jotapê tenha sido racista — relapso e inconsequente definem;
Adendo Ctrl+Alt+JP (valeu, Luwig!):
Ainda sobre o Conan racista de Crom, com a palavra o Jotapê Martins, que aparece creditado como tradutor na publicação de 1986. https://t.co/lF4EG4fEZh
— Lucas Ed. ✌🏾🐷 (@lucas_ed) March 12, 2021
De novo, relapso e inconsequente definem.
⚔ O caso serve para desmistificar a ideia de que A Espada Selvagem da Abril é a melhor versão do título em português. Se é pra ler o Conan do Roy Thomas com um texto inventado aqui, prefiro reler meus gibis do Brakan!;
⚔ E sem contar a falácia de que os diálogos tinham que ser adaptados para caber no balão... o formato era o magazine, pelamordeCrom. De quanto espaço era preciso para caber as letras? De um Wednesday Comics? Das pranchas originais do Príncipe Valente?
⚔ A quantidade de absurdos ainda não descobertos nas ESC da Abril não tá no gibi. Ou melhor...
⚔ Depois dessa, não contrataria o Jefferson nem pra traduzir "the book is on the table."
⚔ O quê, achou que ia esquecer do Jefferson?



















