domingo, 12 de julho de 2009

NEGATIVE VIBRATION


"Norte de Paris. Pra vingar o assassinato de um colega por violentos gângsteres, quatro policiais corruptos armam um cerco a um prédio condenado que serve como esconderijo para os bandidos. Emboscados, os oficiais estão prestes a serem executados, quando o inimaginável acontece: hordas de criaturas canibais sedentas de sangue invadem o edifício, atacando todos brutalmente. Alianças impensáveis acabam sendo feitas quando suas vidas são ameaçadas pelo impensável."

Essa é a sinopse oficial de La Horde (França, 2009), filme que vem sendo alardeado como um mix da série The Shield, Madrugada dos Mortos de Zack Snyder e do espanhol [REC]. Uma premissa parecida com a da HQ Zumbi, de Mike Raicht e Kyle Hotz (publicada aqui via Marvel MAX), o que, além de uma referência promissora, me traz ótimas lembranças. Dirigido por Yannick Dahan e Benjamin Rocher, La Horde já conta até com um prequel, o curta Rivoallan, de 2007, filmado com os mesmos atores/personagens. Não assisti, mas pelo teaser sanguinolento, já dá pra ter uma ideia da grosseria visual dos cineastas.

Contudo, é o primeiro teaser de La Horde, que dá a noção do inferno que nos espera: esbaforido, malevolento, com o estômago roncando, abarrotado de criminosos e zumbis rápidos. Um lugarzinho aconchegante pra curtir as férias, enfim.

Senhoras e senhores, aumentem o volume.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"JOE, CALL THE POLICE... THE GIRL IS A ZOMBIE!"







"My Girl Is A Zombie"
Junkie Jesus Freud

Rigor Mortis is visible in her skin
Darling, you are so cold
And purple today
I'm curious to hear the news
From the living dead
Excuse me, there are some
Worms dancing in your head
But I want to know
That I'm glad to see you
Girl, I think I pissed in my pants

Joe, call the police
Joe, call the police
The girl is a zombie
Operator, please
It's an emergency

Joe, I think she wants
To eat me slowly
Darling, please
Go back to your grave
"'Till death take us apart"
Is a fucking joke
Baby, I'm serious
It's time to go
But I want you to know
That I'm glad to see you
Girl, I think I really can't
Drive you home



Mas quase sempre é tarde demais.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

HOLLYWOOD, O SUCESSO


Geralmente, quando vou ao cinema assistir uma continuação, procuro antes rever o filme anterior. Só pra entrar no clima, pescar eventuais pontas soltas, estabelecer alguns parâmetros comparativos, por aí vai. Mania besta, eu sei. Por sorte, não tive tempo de fazer isso antes de ver Transformers: A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen, USBay, 2009). Eu teria uma overdose e sofreria a mesma reação convulsiva daqueles pequenos que assistiram Pokémon no cinema. Sairia carregado de maca em posição fetal, balbuciando "no no no nonononono!!". Jamais retornaria daquele estado de catatonia sensorial; estaria preso para sempre no Bayworld, o mundo segundo as lentes pirotécnicas de Michael Bay, onde tudo é frenético, imediato, espásmico. Método Ludovico perde.

Por algum motivo que me foge agora, no fundo, eu tinha esperanças que esta sequência trouxesse algumas diferenças substanciais em relação ao primeiro. Que nada. Eu poderia apenas repetir o texto anterior, caprichando nos superlativos, que ainda estaria sendo absolutamente fiel. Aqui se faz a velha máxima do bigger, stronger & faster, versão Godzilla vs. Mothra entupidos de ácido. Com seu estilo inconfundível (influenciado pelos comerciais da Hollywood?), Bay continua gritando "explosão" ao invés de "ação". O roteiro à tres manos é cúmplice, e nessa Bay vai imprimindo suas convicções pessoais da forma mais escancarada possível. Sabemos que ele é o típico macho americano - sexista (ou Foxista?), reacionário e ultrarepublicano. Ao menor sinal de perigo, faz Obama correr para o bunker mais próximo, enquanto os milicos salvam a pátria. Sutil. E falando neles, na maior parte das cenas de ação, o filme lembra um vídeo institucional de propaganda das Forças Armadas. Close naquela bazuca. Enquadra aquele tanque. Cadê os AWACs que eu pedi? Em formação, em formação! Go, go, go, go! Bay loooves the army. Reclamações? Talk to the hand. Ele não tá nem aí com a cor do caqui.

E sou eu que vou esquentar? No no no nonononono. É o que eu digo e repito aqui por extenso: mais do que qualquer outro, Transformers não é filme pra crítico. Ele não seria um profissional competente se elogiasse este acinte à sétima arte. Essa coisa qualquer que foi criada apenas pra vender brinquedos e que, assumidamente, não se leva a sério. Porque crítico não é público, é fiscal do Detran de ressaca numa segunda-feira. E com certeza, pôs um ovo a cada frame que Michael Bay usou para macular na telona o seu tão adorado cinema. Bom, foram duas horas e meia só aqui.

Porém, no quesito pão e circo, é inquestionável: Bay bomba. Ele é um completo despudorado. Exibindo a desenvoltura maquiavélica de um gerente de puteiro, dá ao público que saiu de casa pra ver Transformers exatamente o que ele foi buscar lá... piadinhas sujas, anfetamina em celulóide e a rainha da bateria, Megan Fox.


A escalação do elenco aposta no que deu certo antes. Novamente, são jogados na parede, a 550 km/h, os mesmos LaBeouf (Sam), La Fox (Mikaela), Kevin Dunn (pai de Sam), Julie White (mãe de Sam), Josh Duhamel (milico #1), Tyrese Gibbs (milico #2) e, que surpresa, John Turturro (Simmons). Curioso como todo o elenco agora atua na mesma frequência de Turturro, ao passo que no primeiro filme ele foi o único que sacou o terreno trash em que pisava. Aliás... Turturro, "olhe em seu coração"... encha a burra por mais um ou dois Transformers e dedique o resto da carreira a atuar em filmes de verdade.

A história desta vez mostra Sam tentando levar uma vidinha normal e ingressando na facul, mesmo com um autobot na garagem e a namorada na oficina. O maior conflito entre os dois pombinhos é ver quem se arrisca a falar "eu te amo" primeiro. Cute. Com Megatron jazendo no fundo do Abismo Laurenciano e os Decepticons sobreviventes levando uma dura do exército em parceria com os Autobots, tudo caminha para uma resolução positiva entre humanos e alienígenas. Mas a aparente calmaria só dura até os heróis se depararem com uma nova ameaça: Fallen, o Prime renegado.

A sequência de abertura, contando a origem do vilão, ficou até interessante. Chegou a me lembrar da versão de Neil Gaiman e John Romita Jr. para Os Eternos. Pena que no mesmo pacote vieram a dinâmica warp de Bay e a narração em off ultracanastrona de Optimus Prime (embora em concordância com a verve pomposa do personagem nos desenhos). Sem tempo ou vontade para construir qualquer sustentação dramática, o filme vai metralhando personagens na tela indiscriminadamente, tal qual o Transformovie #1, e sabemos bem onde isso vai dar (até hoje quero saber o paradeiro da Maggie, a loirinha fabulosa que ameaçou o reinado da Megan Foxy Babe no primeiro filme). Em um núcleo, temos os colegas de república de Sam, que mantêm um hot site com novidades conspiratórias. Dali é pescado o histriônico Leo (Ramon Rodriguez), que faz as vezes de coadjuvante cômico. Até que não foi mau negócio, já que o cara protagoniza uma cena genuinamente engraçada (a do taser) e uma outra onde seu rosto petrificado já salda 1/4 do ingresso.

Também temos o inevitável mala engravatado do governo (papel que seria de William Atherton em tempos idos) e toneladas de novos Decepticons. Toneladas. Se no primeiro filme meia dúzia deles deu aquele trabalho, não dá pra entender como eles não entram em conflito direto agora, já que estão em um número vastamente superior ao dos Autobots.

Enfim... chega a hora da porrada e vem a sensação de ser pego no meio de um tornado com a calça arriada. E juro que levei um safanão também.


A primeira grande sequência acontece em Shanghai. Sem enrolação, Autobots e uma unidade militar empreendem uma perseguição-monstro a alguns decepticons foragidos. Tão absurda quanto um pesadelo de Chuck Jones filmado pelos irmãos Coen com orçamento de nove dígitos. Robôs furam prédios, pulam pontes, explodem tudo e todos num ângulo de 360º. Ufa. E não é nem 2% do que está por vir. A conclusão do entrevero revela que finalmente Optimus Prime está honrando o nome e incorporando bem mais do desenho oitentista do que apenas a entonação vocal. Diferente do primeiro filme, o líder autobot aqui é uma máquina slasher trituradora de decepticons. O momento em que ele explode a cabeça do gigantesco Demolisher é singular. Puro Dirty Harry's Magnum Force. Faltou só ele dizer "do you feel lucky?".

Melhor ainda é o tour-de-force descaralhante na floresta, em que Optimus, sozinho, chuta com força os rabos de Grindor e Megatron. Graficamente impecável, sensorialmente confuso, foi quase informação demais para só duas retinas e um córtex. Um dia, os melhores videogames serão assim. Outra boa surpresa foram as cenas do Bumblebee. Normalmente pacífico, o ex-fusquinha luta como se fosse o Ray Park e varre o chão do deserto com as carcaças de Ravage e Rampage. Fora a merecida surra que ele dá nos irritantes autobots gêmeos.

Não vou negar que o design dos Bayformers não me agrada. São bagunçados, têm partes móveis em excesso e pouco se vê a combinação de suas formas robóticas com os veículos em que se transformam (o charme dos brinquedinhos desde sempre!). Isso prejudica particularmente as cenas mais aceleradas e qualquer transforminho dos comerciais da Citröen ganha de goleada nesse sentido. Tome como exemplo a aparição do Devastador, o aguardado decepticon combiner. É espetacular, de encher os olhos, mas não poderia ser mais broxante quando o comparamos com o robô original. Vê-lo em ação destruindo uma das pirâmides é a síntese desse desperdício faraônico (e merecedor desse péssimo trocadilho). Como seria mais bacana uma versão amigável aos olhos e mais próxima dos originais.

Mas sabe que a coisa toda me soou mais inteligível com o passar dos minutos? Talvez fosse o efeito daquele Redbull visual batendo ou minha percepção se acostumando - seguido da inteligência, já mediana, despencando. Seja como for, é o melhor CG que o dinheiro pode comprar. E utilizado com fomeagem hardcore para inspirar os guris a envergarem seus joysticks e estuprarem seus Playstation 3.

Só que o grande efeito especial do filme era bem outro. E já vinha sendo vendido, sem spoilers, desde o primeiro teaser promocional.


O cinema iraniano que me perdoe, mas Megan Fox é fundamental. Ela é a Mulher-Gostosa Ultimate. Bay sabe o diamante que tem em mãos e não se furta em colocar a moça empinando a bundinha logo em sua primeira cena. No resto do tempo, ela se dedica a fazer mais biquinhos do que a Kate Beckinsale em Van Helsing - há um recorde aqui, pessoal. Só não senti vergonha alheia porque fui lá justamente pra conferir isso em resolução 950.000 dpi.

Mas fiquei imaginando o que pensava Steven Spielberg, aqui produtor executivo, em ocasionais visitas ao set. Deve ter sido algo como "mas que piad... holy shit, que morena!".

Não deixa de ser irônico que a única real concorrência de Fox no filme seja uma linda decepticon. Alice (Isabel Lucas) é uma Pretender, uma linha obscura e tosca dos Transformers cujos integrantes podem se transformar em seres humanos e animais. No entanto, nem os recursos tecnológicos de uma avançada raça robótica se comparam ao shape da estrela principal.

E fico feliz em constatar que após alguns filmes, houve uma melhora significativa em sua... presença física. Megan Fox fucks!


Ao longo da projeção, ela nos brinda com um olhar dramático, uma boca dramática e um decote igualmente dramático. Todos essenciais para o enredo.


A entrega é total. E tome decote.


Em algumas cenas, ela tenta até atuar. E fica muito fofa!


...

La niña Fox mais o calhamaço de ação vertiginosa e produção top de linha. É exatamente o produto pelo qual paguei na bilheteria. E saí de lá bem satisfeito. De novo. O que não me deixa dúvidas quanto à natureza da franquia: Transformers é melhor puteiro da cidade.

Filme? Que filme?

quarta-feira, 24 de junho de 2009

T(HRASH)-800


Quarenta minutos do mais puro Arnold metal! Assim é Total Brutal, estréia do demolidor Austrian Death Machine. O nome é auto-explicativo, mas vamos lá... segundo o site oficial, a intenção é "fazer uma homenagem aos grandes filmes de Arnold Schwarzenegger". Trata-se de uma piração solo de Tim Lambesis, frontman do californiano As I Lay Dying, que acabou saindo melhor que a encomenda.

Diferente do metalcore da sua banda principal, o som aqui é total thrash metal old school, com aquela indefectível pegada oitentista, cheio de riffs, refrões grudentos e BPM's insanos. Coisa fina mesmo, pra fã de Exodus nenhum botar defeito. E sendo uma one man band, impressiona a fúria e a versatilidade de Lambesis, que manda bem tanto na guitarra quanto no baixo e na batera.

Na verdade, ele toca como se fosse o próprio Arnold trucidando algum inimigo em plenos anos oitenta!


Total Brutal foi lançado no ano passado, seguido do EP "natalino" A Very Brutal Christmas. Todas as faixas são destruidoras e as vinhetas protagonizadas pelo personagem "Ahhhnold" (Chad Ackerman, vocalista do Destroy The Runner) são hilárias. Já ouvi imitadores do Schwarza melhores, mas a tosqueira com o sotaque acaba conspirando a favor - em particular na intro "Hello California", onde o Governator avisa que vai abrir uma academia de musculação em cada cidade do estado.

As letras e os títulos das músicas são repletas das tags clássicas do Schwarza. Porradas como "I am a Cybernetic Organism, Living Tissue Over (Metal) Endoskeleton", "Come with me If you Want to Live", "You Have Just Been Erased", "Screw You (Benny)", "Who is Your Daddy and What Does He Do", "If it Bleeds, We Can Kill it" e a sensacional "Get to the Choppa" são um verdadeiro tributo à máquina de matar austríaca.

Confesso que fiquei meio preocupado quando reconheci todas elas com absurda facilidade. Lembrei que na minha adolescência tive pouco de Bergman, Truffaut, Buñuel, Antonioni... mas quer saber?

terça-feira, 23 de junho de 2009

HASTA LA VISTA, KRYPTON


De volta à lida: o crossover Superman versus Exterminador do Futuro é um dos piores, senão o pior, que eu já li. O tipo do trabalho que os artistas pegam sem tesão criativo nenhum, tão somente para saldar as contas do fim do mês. O roteirinho é de Alan Grant, o mesmo da revista Judge Dredd, sem dúvida, rabiscado num guardanapo de padaria, entre um donut e outro. Os desenhos meia-sola são do geralmente eficiente Steve Pugh, de Santo dos Assassinos. Como se vê, a dedicação foi mínima, tendo em vista a qualidade dos envolvidos. Enfim, mais um caça-níqueis über-tosco feito sob medida para engambelar leitores newbie e admiradores incautos das duas franquias.

Essa edição (nada) especial foi destroçada com maior propriedade no Universo HQ. Mas pelo menos me atentou para alguns paralelos até estreitos do universo do Clark Kent com os exterminadores de James Cameron, incluindo até algumas emulações ocasionais.

Um bom exemplo é o vilão desta história.


O Superciborgue foi um dos falsos messias que substituíram o Superman logo após sua suposta morte, no início da década de 90. Na verdade, era Hank Henshaw, astronauta da LexCorp que sofreu um acidente no espaço junto com sua tripulação - formada pela esposa e dois amigos, numa referência direta ao Quarteto Fantástico (referência ao FF cool mesmo são Os Quatro, de Planetary, e tenho dito). Como de se esperar, todos ganham superpoderes do tipo fantástico, mas os efeitos colaterais são devastadores.

Quando o pior acontece e sua esposa morre, Henshaw culpa o Superman por não ter conseguido salvá-la (lógica de vilão é o que há!). Seu corpo físico é consumido, mas não antes dele descobrir que pode projetar sua consciência pra dentro de qualquer sistema informatizado e dominá-lo.

Henshaw sai de cena, reaparecendo em grande estilo como o principal vilão da série de arcos O Retorno do Super-Homem. O curioso é que, no início, ele tenta se passar publicamente pelo próprio Superman redivivo, mesmo com aquele visual de andróide assassino. Difícil é alguém acreditar num exterminador que voa. Esses roteiristas...


Essa foi mais evidente. Voltando um pouco no tempo, chegamos à antológica Man of Steel, revisão oitentista de John Byrne para o Superman. Além de dar um novo fôlego ao Azulão pós-Crise, também deu aos seus vilões o upgrade que precisavam há décadas. O que não foi tanto o caso do Metallo. Criado em 1959, sua origem pode ser considerada não só precursora do simulacro do Superciborgue, como do próprio Exterminador - incluindo aí o clássico "living tissue over a metal endoskeleton", diferente de seu xará da Marvel, criado anos depois.

Por ironia, a nova versão, de 1986, foi inspirada na cria de Cameron, bagunçando toda a minha teoria de criador/criatura. Mas foi apenas esteticamente. Apesar de contar com a fuça brucutu do Schwarza e tudo, Byrne só atualizou o cenário, reeditando quadrinho a quadrinho o background e as motivações originais do vilão. Mesmo o seu "coração de kryptonita" já estava lá (bom, acho que agora já estamos aptos para conversar com Grant Morrison numa roda de bar por, pelo menos, uns 12 segundos).

Metallo, que era vilão da décima quinta divisão, acabou indo para a segundona dos supervilões dos quadrinhos - é o 52º no ranking do IGN. Graças ao Byrne e sua fixação pelo Exterminador, ele ganhou uma sobrevida que dura até hoje. Inclusive fora dos comics, ganhando lugar nas séries animadas do Superman e da Liga da Justiça.

Aliás, foi com ele uma das melhores sequências da série The Batman, com direito a três boas referências aos filmes do Exterminador.




Valeu, Só Lutas!

As últimas notícias envolvendo Metallo mostram que seu apelo pop chegou longe. E que também acabou convergindo com o terminatorverse, coincidentemente na vida real. Mas vamos parar por aqui, pois já tive minha cota de Barrados no Baile por uma vida.

Se viesse falar da Brenda e da Kelly, de preferência com fotos HD em anexo, tô dentro. Mas do David... tô fora!


Voltando mais ainda no tempo: revista DC Comics presents #61 - Superman & OMAC, setembro de 1983. Um pequeno clássico do Super, com roteiro do grande Len Wein e desenhos do mestre George Pérez. O plot é basicamente o mesmo do 1º Exterminador do Futuro. Na história, um robô quase indestrutível é enviado do futuro para assassinar o cientista que criará o herói OMAC. Ele, claro, também consegue voltar no tempo, no último segundo. No presente, se une ao Superman para salvar o cientista e o futuro do planeta.

O filme estreou nos EUA em outubro do ano seguinte. Sem muitas infos específicas, fica difícil identificar o ovo e a galinha neste caso. A maioria das fontes apenas reconhece a coincidência impossível. Obviamente, o roteiro ou a sinopse do filme já existia quando a revista foi lançada, já que era o período de pré-produção, mas provavelmente não havia sido divulgado em materiais promocionais.

Considerando que a carreira de Wein sempre teve ligações estreitas com outras mídias, não duvido que ele já conhecesse ao menos a premissa do filme. Mas isso é só um palpite. Sem declarações diretas do quadrinhista (ou do cineasta), essa continua sendo uma pergunta para o futuro.

(Contudo, Cameron não foi de todo inocente. Em outro front, o diretor teve que creditar o autor Harlan Ellison após ameaça de plágio de dois episódios da série The Outer Limits e um conto sci-fi, escritos por ele)

No Brasil, essa história, no original "The Once and Future War", foi publicada na revista Super-Homem #23, pela editora Abril. Era maio de 1986. Com o planeta ainda curtindo a febre do Terminator, os editores brazucas não perderam a oportunidade: o nome do robô (no original, MurderMek) virou Exterminador e o nome da história, "O Exterminador do Futuro".


Sutileza, aqui me tens de regresso...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O MUNDO QUE JAMES CAMERON CRIOU


O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator Salvation, EUA, 2009) representou antes de tudo um grande desafio para os criadores e para os admiradores da franquia. James Cameron era o padrão qualitativo a ser seguido - e praticamente impossível de ser alcançado, seja no âmbito artístico ou pelos valores nostálgicos, sempre atrelados. Ao mesmo tempo, oferecer uma continuidade relevante à mitologia é pisar em campo minado. Primeiro, por se desfazer de todas as convenções caras ao terminatorverse, considerando que nos três filmes anteriores a premissa básica era a mesma. Sem mais das elocubrações espaço-temporais e do tenso jogo de gato-e-rato, o alvo agora era a guerra do futuro. Depois, porque o Exterminador original já tem 25 anos, e a nova produção explora um cenário já visitado por incontáveis imitações desde então (trilogia Matrix inclusa). E finalmente, o público, essa incógnita ranhenta, teria que aceitar o novo perfil da série, nesse primeiro momento capitaneado por um abacaxi de três letras: McG.

Joseph McGinty Nichol é o homem dos estúdios para produtos pop de massa. É, basicamente, um produtor. Competente nesse negócio, diga-se. Emplacou vários hits, de As Panteras e The O.C. às Pussycat Dolls e Chuck. Produz Supernatural desde sempre, o que me faz (infeliz e) automaticamente parte de seu público. É um profissional multimídia bem-sucedido num mercado ultracompetitivo, background compartilhado por seu camarada J.J. Abrams, que deu show pra quem quis ver no novo Star Trek. Então, o que fez exatamente de McG uma aposta arriscada? Fora o pré-conceito, não muito.

Mas não fui exceção. Ao mesmo tempo em que achava promissora a escalação de Christian Bale, ainda hiperexposto via Cavaleiro das Trevas, queria enviar pela máquina do tempo o T-800, o T-1000, a T-X e até o Keruak no encalço do McG antes que ele gritasse "ação". Reclamações? Ah, eu tinha muitas. Desde o apelidinho metido a besta até o tenebroso roteiro vazado, passando pela evidência séria de uma absoluta falta de controle no set (pelo menos, foi engraçado) e pelos péssimos agouros que desciam Olimpo abaixo. Sem falar em sua afinidade com uma certa "atitude pop" que sempre caracterizou sua filmografia. Dificilmente eu poderia estar enganado.

Mas estava. McG fez um filmão - e a única atitude aqui está mais pra "War Ensemble", do Slayer, que pra pop. Salve Ares. Só que o jogo foi decidido apenas aos quarenta e cinco do segundo tempo, quando vi quase tudo indo pelo ralo num pênalti absolutamente desnecessário.


O início do filme se passa em 2003, introduzindo o personagem Marcus Wright (Sam Worthington), que está no corredor da morte, e a Dra. Serena Kogan (Helena Bonham Carter), da Cyberdyne Systems, que tenta convencê-lo a doar seu corpo para pesquisas médicas. A partir daí, a história segue a cronologia sugerida desde o final de A Rebelião das Máquinas: um ano depois, o sistema de defesa militar Skynet torna-se autoconsciente e começa uma guerra nuclear - ou, no clima da série, o Dia do Julgamento Final. A humanidade é quase extinta. Estamos agora em 2018 e John Connor (Bale) lidera um ataque da Resistência contra uma base subterrânea da Skynet. No local, eles encontram esquemas de uma nova linha de exterminadores que se utilizam de tecido vivo (o T-800 dos dois primeiros filmes), além de outras experiências com seres humanos - entre eles, Marcus, que desperta naquele mundo pós-apocalíptico sem lembrar de como foi parar ali.

Connor também descobre que os oficiais da Resistência planejam uma investida definitiva contra as máquinas. E que ele e um jovem desconhecido chamado Kyle Reese (Anton Yelchin) encabeçam a lista negra da Skynet.

Se McG já tinha antecedentes artisticamente irregulares, quem dirá a dupla de roteiristas John D. Brancato e Michael Ferris. Felizmente, com o roteiro reescrito mais tarde por Jonathan Nolan (não creditado), a cota de diálogos ruins se manteve num nível aceitável e melhorados pelo bom desempenho do elenco. Mesmo o infame "agora eu sei o gosto da morte", dito por Worthington, soa plausível no contexto. E a ligação dos eventos é razoavelmente bem amarrada, dada à quantidade de subtramas se cruzando - o dilema pessoal de Connor com relação à sobrevivência de seu pai se contrapondo ao ataque iminente da Resistência à Skynet é a mais interessante. Poderia até ser melhor desenvolvida, pois há muito pano pra manga aí. Quem já assistiu a série 24 sabe a que um ponto um herói pode chegar jogando contra a camisa.

Também digno de nota é o perfil atual do "messias" Connor, com rompantes semi-paranóicos, complexo de perseguição e obsessão pelo futuro imediato. Embora eu tenha sentido falta do humor de outrora, imagino que seja natural que ele, agora um soldado forjado no campo de batalha, tenha perdido muito de sua jovialidade. Essa sensação é maximizada pelo tom sempre raivoso de Bale, aqui numa performance um tanto... mecânica. Soou unidimensional demais e carismático de menos, assim como a bela Bryce Dallas Howard, no papel de uma grávida Kate Connor, por motivos terceiros. A atriz faz o que pode para dramatizar um relacionamento tão profundo num espaço tão reduzido.

Já Kyle Reese, talvez o personagem mais importante a longo prazo, esteve nas boas mãos do russo Anton Yelchin. Com sensibilidade, conferiu um perfeito mix de inocência, coragem e idealismo consagrados pela atuação original de Michael Biehn. Era o parâmetro que eu precisava: o Chekov, do Star Trek 2009, é um ator talentoso e promissor.


A grande surpresa fica por conta da atuação sólida e decidida de Sam Worthington, que está em todas ultimamente. Com um personagem que é peça-chave na trama, ele supera as pendengas conspiratórias envolvendo a Skynet e alguns traumas de seu passado misterioso ao melhor estilo America Vídeo. Muito mais wolverinesque que Wolverine. A cena em que ele surra um bando de renegados soa bastante visceral (num excelente trampo da edição de som), atingindo um efeito muito superior às pancadarias biônicas mais pra frente. E além de fluir muito bem em tela, consegue uma boa química tanto com a deliciosa Moon Bloodgood (sangue-bão até no sobrenome), quanto com a dupla Kyle Reese e Star (Jadagrace Berry), a menininha mais durona do cinema desde Newt, de Aliens, o Resgate. E falando em resgate, foi memorável a participação do veterano Michael Ironside, como o General Ashdown. Pena que foi tão curta.

A estética do filme é um primor tétrico pós-guerra. A fotografia árida e cinzenta do que restou das cidades é desoladora e reforça não só a natureza mortificante da paisagem, como também a sensação de perigo constante. E não é pra menos: as ruínas são patrulhadas por hunter killers aéreos e por arrepiantes exterminadores T-600. Lentos, trôpegos e pesadões, eles são monstruosidades mal camufladas com farrapos e máscara de borracha - mais primitivos que eles, só os robôs ABC, de Judge Dredd. São confundidos com seres humanos apenas de longe, o que rende uma cena ótima com Marcus. Não vou negar que achei o T-600 particularmente bacanudo. Eles parecem zumbis!

As novas máquinas têm um design diferenciado dependendo da função. Sendo assim, o Harvester gigantesco tem sua razão de ser, trabalhando em conjunto com as naves de transporte. As Mototerminators fornecem bons ganchos para sequências de ação desenfreada e, por isso mesmo, confesso que esperava mais. Já os Hydrobots não são mais que refugos do Scorponok - aí sim, procedendo uma comparação com os Bayformers.

Por último, revemos os jurássicos T-1, do filme anterior, com design levemente modificado guardando os campos de concentração da Skynet.


Os campos de morte, por sinal, são uma visão do inferno - ou de uma realidade distante há apenas sessenta anos atrás. Citados por Reese no primeiro filme, acabaram perdendo aí uma ótima deixa para autoreferência. Seria o período em que Reese passou escravizado recolhendo corpos e quando recebeu a marca de identificação a laser. Mesmo assim, citações ao passado da franquia não faltam aqui. Estão lá o eterno hit dos gunners (na boa companhia de "Rooster", do Alice in Chains), as taglines clássicas da série, a origem da scarface de Connor, a cena do retrato de Sarah e até reedições visuais, como um exterminador cortado ao meio tentando matar Connor e o T-800 subindo lentamente os degraus de uma escada.

T-800, aliás, paramentado com a face digitalizada do próprio Schwarza, num dos resultados em CG mais bizarros que eu já vi. Mas aí não tenho certeza se a culpa é da qualidade dos efeitos ou da carranca ogra do Governator.

O respeito de McG pelo legado de Cameron é latente. Pura reverência, em muitos momentos até exagerada. Sem menosprezar o timing dos acontecimentos, capturou com inteligência as particularidades daquela guerra ainda em seu estágio inicial, sem a profusão de lasers ou exterminadores de metal líquido. A Salvação ainda trilha a estrada da ação e da ficção-científica, recorrentes na série, mas vai além e finalmente a inicia no gênero da guerra, talvez sua verdadeira vocação desde o início.

■ spoiler

Porém, quase pôs tudo a perder na reta final. Aquela punhalada que John Connor leva do T-800 doeu mais em mim que no salvador da humanidade. A cena já constava no roteiro original, sendo concluída com o cyborg Marcus "adotando" a pele de Connor e assumindo sua identidade no intuito de manter a lenda viva. De lascar.

Por providência divina, esse script vazou na web e a Warner Bros., num raro espasmo de lucidez, decidiu alterar o final. Do jeito que ficou, achei ótimo.

Viva a Internet-Skynet.


■ /spoiler

McG realizou a guerra de James Cameron. Guerra que ele evitou por anos e que eu sempre quis ver desde o primeiro filme. O destino pode ser até irônico, mas geralmente cumpre o que promete. Que continue inevitável com filmes assim.


Na trilha: "Let's Start a War", The Exploited.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

EXTERMINADOR, PARTE 3: O LEGADO


No começo de O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas, de 2003, John Connor mostra o quanto pode ser pesado o fardo de um predestinado. Ali, sabemos que ninguém viveu feliz para sempre desde o final de T2, pelo contrário. Num tom amargo e monocórdico, Connor, agora adulto, narra em detalhes o impacto que aqueles eventos tiveram em sua vida. O estrago foi profundo e irreparável. Mesmo anos depois, supostamente "livre" da responsabilidade de juntar os estilhaços que sobrarão da raça humana. Repetindo um lugar-comum na trajetória de vários líderes e messias ao longo da História, John Connor mergulhou no vazio e na obscuridade por um período. Tornou-se pária por opção, ou por falta de. Nada heróico, mas muito humano. É um dos momentos mais realistas e tristes da trilogia.

Confesso que esse início, bem mais dramático e intimista que o padrão da série, me desarmou em relação ao Nick Stahl. Não o conhecia, ainda não tinha assistido Carnivàle e era algo irregular a substituição de Edward Furlong. Em contrapartida, Furlong cresceu e seu estilo de vida junkie estava estampado bem na cara. Embora John Connor ainda não fosse um personagem de intensidade física, tínhamos de ver alguma raiva ardendo por trás daquela melancolia solitária. Stahl convence, adicionando ao contexto um tanto de relutância, perplexidade e inconformismo pelo inevitável.

Não era lá um papel muito fácil. Não havia catarse e era uma história de transição. Connor tinha que aceitar e abraçar o seu próprio legado - o filme é sobre o processo que o leva a isso. Apesar das sequências retumbantes de ação (a perseguição inicial é pra levantar e fazer uma ola), na maior parte do tempo A Rebelião das Máquinas trafega ao largo das convenções do gênero e, por extensão, das convenções estabelecidas pelo próprio James Cameron para a franquia. Há poucas tomadas noturnas, a fotografia gélida dos filmes anteriores agora dá lugar a um visual sóbrio à luz do dia. A dinâmica e o crescimento moral dos personagens têm mais importância do que o ritmo frenético, o que não é uma proposta muito comercial vindo de um blockbuster.

Mas há algumas verdades incontestáveis a respeito deste filme: é, em essência, um caça-níqueis, tramado pelos produtores Mario Kassar e Andrew Vajna desde a falência da Carolco em 1995; e não se compara aos dois anteriores por simples inferioridade cinemática, por mais que eventualmente tenha acertado.

E acertou. Não o tempo todo, mas o suficiente - pra mim e até para o Cameron, maníaco perfeccionista e detrator do filme durante sua produção.


Desta vez, o único link com o futuro pós-apocalíptico de Salvação (pauta/objetivo dos últimos posts, só pra esclarecer) se dá na forma de um pesadelo de Connor. A cena soa mais como obediência a uma tradição da série do que qualquer outra coisa, mas é de encher os olhos. Começa acompanhando o voo de alguns hunter killers aéreos até uma unidade de exterminadores avançando em uma zona de combate. Embora os modelos reais de Stan Winston ainda sejam imbatíveis, foi uma das raras vezes em que um emprego de CGI me soou convincente - e, de certa forma, até inevitável. Por mais que seja entusiasta dos animatronics e dos efeitos rústicos da velha escola, não há outra maneira disso ser feito nessa escala.

Também em T3 as distorções temporais têm suas variações mais significativas. O "the future is not set" de John Connor entra em rota de colisão com o "Judgment Day is inevitable" do T-850. Ainda que sutis, houveram sim alterações na linha do tempo. Por conta dos eventos de T2, o exterminador não se identifica mais como um modelo Cyberdyne Systems, citada até por Kyle Reese como parte da sua realidade no futuro. A Skynet não é mais uma linha de superprocessadores criada por Miles Dyson baseada no CPU do primeiro exterminador (olha o loop aí de novo). Com a destruição de seu centro de pesquisas, a Cyberdyne quebrou e seus projetos foram adquiridos pela Força Aérea dos EUA e desenvolvidos por seu setor de tecnologia, a CRS (Cyber Research Systems Division) - incluindo o da Skynet, que "reencarnou" como um software de defesa estratégica.

O destino deu seu jeito, mas como se vê, não é totalmente imutável. Como diria o Farraday, de Lost, é preciso um número considerável de variáveis para alterar uma constante.

Os modelos robóticos que aparecem em T3, ainda primários, dão uma noção melhor da evolução dos exterminadores. Curioso ver HKs aéreos em dimensões bem menores, alguns exterminadores T-1 fazendo as primeiras vítimas humanas da Skynet e até o que parece ser um protótipo humanóide dos robôs (no canto à esquerda). Infelizmente, não foi dessa vez que vimos um HK Centurion em ação no front de batalha.

E, claro, a T-X, exterminadora de exterminadores que é uma evolução do T-1000 com endoesqueleto metálico, arsenal generoso e altíssima capacidade de infiltração. De longe, é a que parece mais humana entre os exterminadores - e com direito a reação orgástica quando na iminência de atingir seu alvo primário. E eu morreria feliz. Ah, Kristanna Loken...


Mas não dá pra comentar sobre o filme sem mencionar o que ele teve de mais surpreendente. Os cinco minutos finais de T3 me pegaram no contrapé. Não esperava mesmo e a partir dali o que perigava ser apenas uma aventura eficiente e derivativa, ganhou peso e substância. E refletiu em tudo o que eu havia visto até ali, expandindo seu significado bem diante dos meus olhos - alterando até, como uma boa viagem no tempo. Sequência final bela, aterradora e emocionante, de longe a mais recompensadora da série.

T3 forneceu a base perfeita para Salvação. E tão importante quanto John Connor finalmente acreditar em si mesmo naquela conclusão, é o fato de me fazer acreditar também.

Até segunda ordem, pelo menos.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

EXTERMINADOR, PARTE 2: A INDÚSTRIA


O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final, de 1991, foi contido nas cenas da guerra contra as máquinas. Desta vez, não havia nenhum humano vindo do futuro com lembranças a serem vislumbradas em ocasionais flashbacks (ou seriam flashforwards?). Talvez pra não deixar todo mundo no vácuo, James Cameron optou por abrir o filme com uma sequência massiva de uma grande batalha no futuro. No fundo, ele apenas atualizou aqueles flashes do primeiro filme (até a cena da pick-up em fuga sendo atingida e capotando está lá), numa versão ainda mais poderosa, acelerada e grandiosa. Criou assim uma introdução absolutamente eletrizante, mesmo que apenas ilustrativa e sem ligação direta com o plot central.

Sempre achei curioso o fato de Cameron, quebrador de convenções que é, apenas reprisar o ponto de partida anterior. Nada de soldados invadindo uma base da Skynet, provavelmente em missão suicida, e enviando o T-800 hackeado momentos depois da partida do T-1000. Ah, essas sequências imaginárias...

Também especulei outras coisas de lá pra cá. Uma delas tem ligação direta com o promo teaser de T2. Esse explodiu bem na minha cara, numa desavisada tarde de sábado, durante o saudoso Cinemania, da Rede Manchete. Uma pequena obra-prima dirigida pelo mago Stan Winston - e a única vez onde foi mostrado o processo de construção dos exterminadores. Simples e antenado com a mitologia e com o clima de expectativa.




Sabe o que foi assistir esse teaser em 1989?



Cara, depois disso não sosseguei enquanto esse filme não estreou no cinema. Cinema lotado. Aliás, lotado não... super, hiperlotado. Fila quilométrica e não tinha lugar nem no chão. Bons tempos.

Desde essa época, fiquei chapado com o conceito de linhas de montagem de exterminadores e outras máquinas genocidas. Imensas áreas industriais criadas pela Skynet com tecnologia livre de questões humanas, evoluindo em horas o que levaríamos décadas para começar a compreender. Mas longe daquele visual dark biomecânico de 01, a capital das máquinas de Matrix, e sim algo mais próximo de uma central mecanizada clean, eficiente e produtiva. Projetada e construída do zero com high-tech brand new.

O que vai contra a info dada pela exterminadora Cameron, na série Terminator: The Sarah Connor Chronicles. Segundo ela, após os bombardeios nucleares, a Skynet reaproveita as bases militares humanas para adaptar suas fábricas. O que seria um belo retrocesso vindo de uma IA com aversão à espécie humana.

T2 ainda traz um bônus no final de sua acachapante abertura. Pela primeira vez, somos apresentados ao grande John Connor.


Não lembra em nada a jovialidade delinquente de Edward Furlong no mesmo filme, mas Michael Edwards tem uma puta expressão badass nessa cena. É o próprio líder de uma revolução armada (ainda mais com essa cicatriz à Tom Berenger, em Platoon). Foi o John Connor escolhido por James Cameron, portanto o que ficou eternizado no imaginário popular. Nunca saberemos se vingaria mesmo, já que Edwards evaporou em meados dos anos 90.