segunda-feira, 16 de julho de 2012

sexta-feira, 13 de julho de 2012

segunda-feira, 2 de julho de 2012

The evil dead men do


Mais um tributaço montado pelo figura Daniel M. Kanemoto, do Ex Mortis Films. Acho que até o Necronomicon deixou escapar uma lagriminha de sangue.

Assista em fullscreen.

Dica do Sandro O Guardião da Kripta. Que está de site novo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Imagens do dia



Conseguiram melhorar o que já estava perfeito...

Bônus:


Com o perdão do trocadilho, The Walking Dead, a revista, não anda lá bem das pernas. Mas brindar a 100ª edição com uma arte de capa de Frank Quitely merece o crédito!

Lembrei da pobre vovozinha que empurrava comida aos netinhos numa música do Pungent Stench:
"Estou com fome mas não se incomode, você não precisa cozinhar porque você é o meu lanche!"

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Money, get away


Coletividade ainda que tardia. Demorou, mas a Panini cumpriu. Ufa.

Mais uma série fechada na estante.



Ainda me falta A Guerra dos Lanternas Verdes Especial: Pós-Guerra, mas essas duas são basicamente a minha carta de alforria dos super-heróis da DC no Brasil. Que venham os novos 52... para as novas gerações.


Por último e não menos acachapante...



Oásis dos Zumbis (L'Abîme des Morts-Vivants, 1981), do digníssimo señor Jess Franco, e o clássico perneta O Lago dos Zumbis (Le Lac des Morts Vivants, 1981). Essas pérolas da tosqueira B já foram lançadas há um tempo atrás pela tal Vinny Filmes, com bastante sal no preço por sinal, mas reapareceram agora nos baciões da Americanas por módicos 13 merréis.

Encalhes for sure, mas que se dane. Ambos têm zumbis. E zumbis nazistas!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

She-Wolfe of the Satan's Service


Faria muito mais sentido se Chelsea Wolfe fosse natural de algum lugarejo perdido do leste europeu ou de algum país pródigo na cena black metal. Mas foi mesmo a ensolarada Califórnia quem pariu uma das revelações mais sombrias da cena alternativa. Ovelha negra per se, a cantora, guitarrista e compositora passa longe do ideário californiano padrão, do rock alto astral e das pistas de skate aos calçadões de Venice e às onipresentes praias - exceto, claro, se estiver nublado.

O tom é de uma suavidade melancólica, liricamente pesada, estranha e de uma forma incomum, sedutora. Não é uma música de fácil assimilação, mas certamente muito recompensadora para iniciados em Nick Cave, My Bloody Valentine, PJ Harvey, Portishead, Patti Smith e esquizoidices quetais. Em suma, uma resposta das profundezas à new age popstar de Florence + The Machine. Get out!!

Esse negrume todo ganhou a atenção da crítica indie e também a afinidade de fãs ilustres, ilustríssimas. Merecido.


Ἀποκάλυψις ("Apokalypsis"), seu segundo álbum, é arrepiante. Lançado no final de 2011, virou figurinha fácil nas listinhas mais descoladas de melhores do ano. Na parte melódica, o disco tem lá seus momentos "PJ & The Banshees", mas a obsessão por morte e desespero impregnada nas letras, o instrumental fúnebre, as vocalizações fantasmagóricas, a atmosfera soturna... porra, é de fazer até os caras do Ghost se mijarem nas batinas.

Não há nada de poser na cantora californiana. Ela é the real deal. Tori Amos fez uma cover do Slayer, Chelsea Wolfe fez uma do Burzum!

O som foi batizado de doom folk pela crítica, mas é apenas uma tentativa pífia de categorizar a demon-girl. A única música que se aproxima do rótulo talvez seja "Pale on Pale", um pesadelo sepulcral de sete letárgicos minutos com uma indefectível influência de "Black Sabbath", a música. A intro "Primal/Carnal" parece saída de uma missa negra ministrada pelo próprio Pazuzu e "To The Forest, Towards The Sea" é trilha pra fugir da bruxa de Blair e de toda a população demoníaca de Amityville e Cuesta Verde. Vade retro.

Já nas músicas "Demons" e "Friedrichshain" ela reafirma sua vocação pra PJ Harvey do inferno.


Mas é nas demais faixas que a artista destrincha mais a fundo sua identidade musical (ainda em formação, segundo ela), que lembra vagamente uma versão dark da Nico, a icônica musa ex-integrante do Velvet Underground.

Não duvidaria se o cultuado disco Chelsea Girl também escondesse alguma profecia sobre uma Chelsea sinistra de um futuro próximo...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Etérnia Psytrance Rave Party '84


Normal que todo mundo tenha um pouco de bagagem bizarra da infância escondida nos recôntidos mais obscuros da mente. E que muitos desses baús sinistros e empoeirados tenham sido finalmente destrancados e desmistificados conforme o avanço da internet. Eu mesmo tenho vários fantasmas pop que me acompanham desde a pré-adolescência. Uns viraram sonho de consumo, outros foram esclarecidos ou exorcizados. E claro, ainda há um naipe variado e numeroso de mistérios a serem desvendados em seu devido tempo. Um deles finalmente chegou ao fim, após décadas de perguntas sem resposta.

Primeiro, historinha de fundo pra criar clima.

Meados dos anos 80, lá estava eu, um pequeno zumbizinho, assistindo "He-Man e os Defensores do Universo", o último desenho antes da escola. Nada demais, até que num desses dias o desenho (um fenômeno na época) trouxe algumas surpresas. Era um raro episódio duplo, com uma atípica trama de horror. O vilão da vez não era o Esqueleto e nem seus lacaios, mas uma bruxa vampiresca de nome Shokoti. Que, por sinal, quase me fazia mijar nas calças. Hoje a acho até bem gostosa, no estilo undead byatch de Lady Death/Vampirella. Eu ia ali tranquilo, mas isso não vem ao caso agora.

O lance é que na 2ª parte do episódio a trilha sonora estava diferente, incorporando elementos de música eletrônica, ambient e muito experimentalismo. Como eu era um analfabeto musical, não sabia precisar o que estava fora do lugar, apenas que a história, já bem macabra para aquele guri impressionável, ficou seiscentas e sessenta e seis vezes mais aterrorizante!


Nos episódios seguintes a trilha retornou ao seu motif heróico habitual. Mas não em todos. Alguns poucos ainda voltavam àquela trilha de fundo misteriosa e estranhamente evocativa. Curiosamente, era sempre nas histórias onde He-Man enfrentava adversários diferentes de seu arqui-inimigo Esqueleto. Não raro, estreantes em sua galeria de vilões, como Mestre do Jogo, Semente do Mal e o Conde Marzo, além da citada Shokoti (ou "Chucrute", segundo o Aríete). Todos esses fatores juntos conferiam uma sensação de perigo num nível até então inédito, como se o campeão de Etérnia finalmente enfrentasse uma ameaça de fato mortal.

Conspirando contra essa coincidência - à primeira vista (e ouvida) planejada - a nova trilha era nitidamente invasiva, às vezes se sobrepondo à trilha original e tomando seu lugar em fade in. Em vários momentos, as duas trilhas eram executadas simultaneamente, criando uma cacofonia melódica difícil de descrever - era mais ou menos como uma versão sonora do efeito Pokémon. Também era perceptível o sumiço do áudio da ação em certas cenas, deixando apenas a dublagem em português e a trilha freak cobrindo os espaços vazios.

Era muita loucura. E uma verdadeira tortura para um moleque sem Google ou Wikipédia e com professores estressados que não assistiam He-Man.

Décadas passaram (e rápido!). Com a internet, eu ocasionalmente garimpava por infos sobre isso, sem direção e sem sucesso. Achava mesmo que nunca chegaria a descobrir nada a respeito. As buscas, que eram mensais, viraram semestrais, depois anuais, depois... Até que um dia, no lugar mais improvável - numa reprise de Laranja Mecânica - se fez a Luz! Inacreditavelmente, uma das "músicas do He-Man" tocava no filme. Munido com novos parâmetros de busca, voltei à lida e pronto: os primeiros resultados positivos deram as caras. Finalmente.

São três músicas no total. Duas são do grupo Azul y Negro, precursores do tecnopop espanhol (!!). São as instrumentais "Fantasia de Piratas" e "Fu-Man-Chu", ambas do álbum La Noche, lançado em 1982.

Seguem:







Fiz uma pequena busca reversa pra identificar as fontes originais dessa informação. Aparentemente, elas foram destrinchadas primeiro numa comunidade do Orkut especializada em rock progressivo. Os créditos arqueológicos são dos usuários Geraldo Júnior e Rivaldo Lima.

A terceira música, bem mais dark, é uma piração electro/industrial/ambient do compositor norte-americano Walter Carlos. É aí que a coisa fica bizarra meeesmo.

Segue:




"Timesteps" foi composta para a trilha sonora do filme de Kubrick. No álbum oficial da trilha, lançado em 1972, a faixa foi compilada numa versão "excerpt", com pouco mais de quatro minutos. Em sua versão completa, "Timesteps" tem quase 14 minutos, com trechos diferentes que também rolavam no desenho. Sendo assim, essa foi a versão inserida na animação. O detalhe é que essa versão integral só foi lançada no álbum solo de Walter Carlos, lançado também em 72.

Bônus-track sensacionalista: naquele mesmo ano, Walter Carlos mudou de sexo e virou Wendy Carlos!

Alguns episódios com a trilha from hell: "A Semente do Mal", "A Busca pelo O.V.A.F", "A Casa de Shokoti (Parte 2)", "A Busca de He-Man", "O Primeiro e Futuro Duque", "Patas do Mestre do Jogo", "Discos Dourados da Sabedoria" e "Coração de um Gigante". Todos da 1º temporada. Esses eu identifiquei entre downloads e plays no YT. Certamente existem outros.


O consenso (e o bom senso) é que essa trilha - que alterava de maneira sensacional a percepção do desenho - foi inserida apenas na versão brasileira mesmo, pela própria Herbert Richers. Corrobora para isso o fato de que os mesmos episódios na versão original norte-americana (disponíveis no YT) têm a velha e clássica trilha sonora inalterada. Há uma teoria corrente, não confirmada, de que o estúdio brazuca recebeu cópias do desenho com falhas no áudio, então eles tiveram que improvisar durante os processos de dublagem e engenharia de som.

Mas são só especulações que ainda aguardam (muitas) elucidações. Enquanto isso não acontece, vamos imaginando quem era o funcionário maluquinho da Herbert Richers na época que era chegado num tecnopop espanhol e no disco solo experimentalzão do Walter... ou melhor, da Wendy Carlos - e que ainda teve uma malandragem Boss level para incluir esses sons na trilha de um inocente desenho infantil.

Em tempo: entre os fãs, se convencionou chamar os desenhos que tinham essa trilha de episódios psicodélicos do He-Man. O que é até subestimar um pouco o quadro geral. Mesmo sem a trilha "psicodélica", o desenho já era bem doidão e lisérgico por si só...





sábado, 21 de abril de 2012

Migué Open Air


A essa altura há pouco o que ser dito sobre o malfadado Metal Open Air 2012, que está acontecendo (ou melhor, não está) este fim de semana em São Luís, Maranhão. Mesmo assim vou dar meus 50 centavos, por dois motivos: ouço rock todo santo dia, desde que me conheço por gente - heavy metal é o meu pastor e barulho não me faltará; ainda tenho a capacidade de me indignar. Sou um romântico incurável, infelizmente.

Projetado com ares de mega-festival, o evento teve uma line-up pesada poucas vezes vista em terra brazilis: ao lado de formações expressivas que iam de Fear Factory e Saxon até Blind Guardian e Venom, estavam também atrações de peso - Megadeth, que conseguiu tocar ontem, e Anthrax - e, claro, uma esmagadora maioria formada por bandas nacionais, como Hangar, Korzus, Andre Matos, Torture Squad, Stress e Ratos de Porão. Tudo parecia correr normalmente até a última semana, quando a coisa toda desandou de uma hora pra outra, como num passe de mágica - de magia negra, pra ser mais exato.

Notícias - uma chuva torrencial delas - davam conta de quebras de contrato dos produtores, especificamente em relação aos grupos nacionais (falta de cachê, transporte, etc), o que motivou uma série infinda de cancelamentos. Acompanhar os grupos dando baixa a cada meia hora foi tragicômico, admito. Mas além disso, ainda havia a situação precária do local dos shows, incluindo área de camping estabelecida num estábulo, 1 banheiro, stands de alimentação em péssimas condições, problemas com a firma contratada para dar segurança, com a liberação dos Bombeiros, com os patrocinadores e, o mais surreal, com a falta de equipamentos de som até o início do festival. Os detalhes são fartos e chocantes (e pode ser acompanhado no Whiplash), mas não mais do que decepcionantes.

Ao que parece, houve um racha entre as produtoras "responsáveis" pelo evento, a Negri Concerts, a CK Concerts e a Lamparina Produções. As poucas declarações oficiais refletem um cenário ainda mais caótico.

Apesar de tudo, neste momento o festival ainda acontece, apesar da quase ausência de seguranças, do desmonte de um dos palcos e da desistência de 30 das 47 bandas originalmente programadas (Anthrax incluso, com os membros do grupo abandonados no aeroporto). O evento, que vem sendo chamado de fiasco e que havia ganho repercussão nacional de ontem pra hoje, está ganhando contornos internacionais com os depoimentos em uníssono dos artistas estrangeiros que foram prejudicados.

É horrível? Ô. É muita merda (de cavalo) no ventilador em tão pouco tempo. O MOA não era só uma promessa de shows antológicos, mas também de um fluxo alternativo digno para o rock. Talvez o início de uma descentralização do eixo Rio-São Paulo. O que se viu (e se vê) foi justamente o oposto. Só não acho que nem o metal nem o Brasil inteiro entrarão pra história como os grandes prejudicados. O metal vai tirar isso de letra, assim como já tirou coisas muito piores. O Brasil também vai superar, apesar da mancha emporcalhada que ficou. Rio e São Paulo (e Porto Alegre e Belo Horizonte) continuarão recebendo sua cota de shows internacionais, conforme os cachês e os traslados estejam OK. Mas não duvido que novas garantias contratuais se tornem parte do menu daqui por diante.

O grande prejudicado - além, claro, dos abnegados que se deslocaram de outras partes do país até o Maranhão em busca de uma grande aventura rock'n'roll (ao invés de um programa de índio) - é mesmo o público rockeiro cujo CEP não é do Rio, nem de Sampa. Maranhenses, anotem o ano de 2012. Salvo um improvável esforço heróico de algum maluco sortudo e competente, levará anos até vocês se recuperarem desse baque e as guitarras voltarem a ressoar em alto e bom som novamente por aí.

E afirmo isso por experiência própria, de uma terra tornada maldita para grandes eventos de rock and roll, há quase dez anos atrás.




Atualização 22/04:

E o Metal Open Air está oficialmente cancelado. Finalmente o pesadelo acabou. Que os esfíncteres dos produtores sejam duramente castigados.