quinta-feira, 10 de julho de 2008

RECLAMÃO SUPREMO


É, parei de reclamar da DC. J. Michael Straczynski é a prova viva de que a Marvel pode ser tão nonsense e cruel em suas decisões editoriais quanto a subsidiária da Warner Bros. O pobre Stracza tem sido o alvo preferencial daqueles mini-tiranos (será que aquele arquiinimigo dos Micronautas descolou um emprego da hora na Casa das Idéias?). Estreando com toda a pompa de "ex-escritor de Babylon 5" - bom programa, por sinal -, logo caiu nas graças dos exigentes fãs do Aranha, onde escreveu muito tempo e culminou lá em fases ruins (nas quais até o defendo... isso nada mais é que barrigada, falta de renovação, inépcia, negligência administrativa). Paralelamente, ele reafirmou seu talento na memorável fase inicial de Poder Supremo. Releitura instigante, realista e gráfica da Liga da Justiça, a série ganhou spin-offs menores e, já fora da linha MAX, emendou numa competente seqüência PG-13.

Stracza rendeu grana e elogios ao clube. Mesmo assim, foi o bode expiatório num lance polêmico (pra dizer o mínimo) que desembocou em sua contratação pelo time adversário. Um final melancólico, nada surpreendente e que, a julgar pelo que se viu em Confronto Supremo e nesta estréia de Squadron Supreme 2, ainda não terminou.

Primeiro, algumas considerações com spoilers sobre Confronto Supremo, que atualmente está sendo publicada aqui em Marvel Millennium: Homem-Aranha --

A minissérie é dividida em nove partes, sendo as 3 primeiras de Brian Michael Bendis, as 3 seguintes de Straczynski e concluindo com 3 do Jeph Loeb. Começou até bem(dis) na trinca inicial, antecipando o que seria o embate Vingadores x Superamigos definitivo, e melhorou absurdamente com um texto inspirado e impagável do Stracza. Mas, numa queda dramática de qualidade e bom-senso (parece até perseguição, mas juro que não é), virou o samba do alemão doido pelas mãos do Loeb.

Evidente que os créditos negativos não são exclusivos do J.Lo, mas ele ficou com a missão ingrata de roteirizar o destino ridículo de alguns personagens. Resumindo bastante: a serial-maravilha Zarda migrou pro Ultiverso e Nick Fury L. Jackson, milagrosamente com dois braços, foi rebaixado a vilão e despachado pro universo do Esquadrão Supremo (Terra-31916).

Afe.


Squadron Supreme 2 começa com um gap de cinco anos após Confronto Supremo. Nesse meio-tempo, o Esquadrão se dissolveu, sendo que Hipérion e Dr. Espectro desapareceram sem deixar vestígios. Com dor-de-cotovelo, a mídia passou a exaltar entusiasticamente os feitos de pessoas comuns, sem super-poderes. Mesmo uma expedição lunar ganha destaque estratosférico (ops), especialmente depois que a tripulação retorna na surdina, sem dar declarações à imprensa. A gostosinha Arcanna Jones agora presta serviços quânticos para líderes religiosos, enquanto Nick Fury e Emil Burbank (que estavam em cana) aparentemente deram a volta por cima e viraram oficiais da inteligência norte-americana. Nas ruas, eventos estranhos indicam que uma nova onda meta-humana está se formando no horizonte.

Ao mesmo tempo em que os astronautas se revelam uma nooooova versão do Quarteto Fantástico, os outros personagens estreantes também não fogem à regra. Nesta primeira edição, temos um Capitão América munido com um rifle, capacete da Primeira Guerra e literalmente enrolado na bandeira americana. E temos também a tal Arachnophilia, que deve ser a bilionésima variação feminina do Spidey. E assim o Universo Supremo vai abandonando seus dias de subversão do Universo DC para se tornar uma versão alternativa da própria Marvel. Como se fosse uma última pá de cal em cima da passagem de Straczynski pela casa.

Sem grandes destaques para a arte irregular do italiano Marco Turini. Desleixada para os padrões do circuitão, ainda está bastante atrelada às suas incursões na porno-erótica (parecia que a qualquer momento ia rolar uma mega-suruba na história). Imagina o Carlos Zéfiro na Marvel desenhando super-herói... é mais ou menos por aí.

Por fim, um alento: quem assina o roteiro é o sumido Howard Chaykin (lembra de American Flagg!?), um sujeito normalmente competente, criativo, com timing afiado e especialista em coordenar cenários de caos sócio-político, o que é bem o caso aqui. Contudo, encarar esta edição é como mergulhar de cabeça no olho de um furacão. Com vários elementos novos ainda inexplicados, informações fragmentadas e um completo reboot daquele mundo que nós conhecíamos e amávamos (a Zarda principalmente...), o resultado não poderia ser outro senão ter que aguardar pacientemente no escuro até o próximo capítulo.

Pelo menos não é o Loeb aqui. Afinal, ele ainda está nos Ultimates.

Ah é, ele está nos Ultimates! Ah nããoooo...

3 comentários:

Luwig disse...

Por mim, o Straczynski tinha pulado fora do barco logo após aquele "foda-se" extra large de 'A Declaração de Mark Milton'.

Se ele tivesse feito o mesmo com o Peter, depois da resolução do lance dos tótens e Ezekiel, teria saído por cima.

Mas esse é o grande problema do autor, ele simplesmente não sabe quando parar. Será que Sandman só vende no Brasil?

Luwig disse...

A propósito... Santa Regularidade, Batman!

doggma disse...

Culpa do cafezinho expresso! :D

Mas voltando...

É função do editor-chefe prevenir esse desgaste. Stracza não desaprendeu de repente. Ele indo mal no Spidey e, ao mesmo tempo, bombando em Poder Supremo foi um sinal bem evidente da necessidade de mudanças.