quinta-feira, 10 de setembro de 2009

DISTRITO BLOMKAMP


2009 ainda não acabou, mas já é de Distrito 9. É violento, gore, divertido, impactante, dramático, consciente e tão desgraçadamente humano que não tem como superar - pelo menos no que diz respeito ao campo do sci-fi. Um filmaço. E sem diretor ou atores famosos. Particularmente, nunca tinha ouvido falar de Neill Blomkamp. Este cineasta sul-africano já pode ser considerado a melhor surpresa do gênero nos últimos sessenta e cinco milhões de anos.

Vale a pena conferir no YouTube não só os excelentes virais do filme (coisa rara no formato), como também os quatro curtas anteriores do diretor. O primeiro deles, Alive in Joburg, de 2005, já trazia vários conceitos de Distrito 9.

Logo abaixo:



O filme estreia no final de outubro. Até lá, novas reassistidas pra ajudar a assimilar a porrada.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

ULTIMATES ASSEMBLE!


Logo no início de Ultimate Comics Avengers #1, um estarrecido Nick Fury resume o sentimento dos leitores (em geral) após Ultimates 3 e Ultimatum - ambas escritas, ou melhor... excretadas por Jeph Loeb e seus desenhistas sem-mente de estimação. Mais que isso, a cena ilustra o espanto do próprio roteirista Mark Millar frente ao caos instaurado em sua cria mais notória. É a velha e boa ironia escocesa de volta ao batente ultimate - e pra quem sabe ler, um %@#& é letra. Ainda olhando para um Triskelion em reconstrução, Millar-Fury emenda: "eu sumo por dez minutos e o lugar inteiro vai pro inferno". Pode crer que ele não estava se referindo só ao QG dos Supremos.

Após aquela fatídica primeira edição de Supremos 3 eu achei sinceramente que Joe Quesada estava de sacanagem. Que aquela escalaçãozinha Loeb/Madureira rebuscando toda a tralha noventista da era Image foi mais um plano sórdido do rotundo editor. Autosabotagem declarada para, talvez, enxugar a linha ultimate, mantendo só o baratinho e rentável Homem-Aranha teen - com entregas sempre no prazo e um comercialmente saudável público unissex. Conspiração demais? Pode até ser, mas nada explica essa line-up sucedendo uma das duplas mais sensacionais dos quadrinhos da última década. E mais uma vez, Quesada e sua gangue fizeram muito bem aos cofres da Marvel e muito mal pro bolso do leitor.

É um baita administrador, vamos combinar. Pode não ser o cara que controla o abre e fecha da carteira, mas é quem a enche. Não fosse ele, a Marvel, se ainda existisse, seria propriedade da Wal-Mart ao invés da Disney. Vi-va.

Mas antes de tecer previsões apocalípticas sobre como a casa do Mickey irá descaracterizar o Universo Marvel ao longo dos anos que virão, vou tentando entender como Millar vai restaurar sua fabulosa sátira ao american way. Porque tá difícil. Mas essa primeira (e curtíssima) edição já traz algumas pistas.


O plot básico é aquele novelão cheio de cliffhangers pontiagudos que Millar fez tão bem nos dois primeiros volumes dos Supremos. Começa com Fury sendo cicceroneado pelo Gavião Arqueiro de volta ao Triskelion ("quase 75% operacional"), não para reassumir seu velho posto, mas para resolver uma antiga merda envolvendo o Capitão América, agora um renegado. Corta para um dia antes. Cap e Gavião estão em perseguição aérea a uma unidade de assalto da I.M.A. (Ideias Mecânicas Avançadas - até onde sei, em seu debut no universo ultimate). O ato termina com Cap confrontando seu mais clássico inimigo, o Caveira Vermelha, e também com uma revelação-bomba daquelas de fazer o chão desaparecer. Existem novelas na Escócia?

Coube ao artista Carlos Pacheco a difícil missão de substituir Bryan Hitch e dar vazão às epifanias cinematográficas de Millar. Pacheco sempre foi competente, mas vive hoje seu melhor momento, de longe. Da grandiosa capa e do Triskelion de tirar o fôlego na primeira página à sequência de ação desenfreada da metade pro final, o cara foi arrasador. Existe alguma emulação da linguagem visual de Hitch aqui, mas usada como uma ferramenta para deslanchar sua própria dinâmica. Os melhores momentos, claro, são os que trazem recursos mais hollywoodianos (pular com uma moto de um edifício em direção a um helicóptero e uma queda livre sem paraquedas nunca soam cansativos), neste ponto lembrando um pouco a antológica "edição Matrix" do volume um (Ultimates #8).

O texto nem um pouco sutil de Millar traz de volta aquele coice anárquico dos personagens e seu eterno sarcasmo em relação à malaquice republicana dos EUA. Como não podia deixar de ser, o astro principal é o Cap, com as conhecidas frases de efeito reafirmando suas convicções de macho-man militarista ("que tipo de garota é detida por uma bomba?" - adivinhe a autoria e ganhe uma bandeirinha do exército confederado) e seu modus operandi discutível no combate ao terror - vide a cena em que ele joga soldados inimigos desacordados de um helicóptero a trocentos pés de altura com a serenidade de quem põe o lixo pra fora.

A interação com Pacheco destila fluidez e ainda resgata aquelas boas sequências de briga quadrinhística, como no momento em que o Cap leva uma surra homérica do Caveira. Destaque também para o diálogo de Carol Danvers, atual comandante da SHIELD, tentando em vão reconvocar Stark, que está chapado num puteiro bondage.

Uma primeira edição que é um colírio para os olhos e uma injeção de adrenalina para a alma. É Millar no seu mais tradicional: iniciando um arco no auge e cheio daquela energia insana e irrefreável para terminar Deus sabe como. Só não entendi porque mantiveram a infame máscara do Gavião. Apesar dele ter participação ativa nas cenas mais eletrizantes, não dá pra olhar pro personagem sem antes confundí-lo com algum integrante do Youngblood. Provavelmente Millar esteja preparando alguma catarse antes de desmascará-lo definitivamente - bem como a bagunça que fizeram durante a sua "saída de dez minutos" - e talvez assim, deixar de vez os anos noventa lá nos anos noventa.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

GUERRA EXTRA-OFICIAL


Uma das declarações mais recorrentes de James Cameron sobre Avatar é que ele guardava o projeto há anos, apenas esperando pela tecnologia o tornasse possível. Talvez esse seja o maior preço a pagar por lançar técnicas inéditas e revolucionárias que transcendem, e muito, o standard de sua época. E pelo jeito a "espera" é um lugar-comum na carreira do cineasta. Terminator 2: Judgment Day - The Book of the Film compila todos os storyboards, propostas e estratégias de produção que ficaram fora de T2. A esmagadora maioria relacionada às sequências da guerra contra as máquinas no futuro.

Toneladas de material ficaram de fora por puro déficit orçamentário. E um material de primeira, com cenas completas de ação e drama, novos robôs e conceitos como a hybermatrix dos exterminadores. O que se nota é que Cameron já havia concebido toda aquela linha narrativa, suas particularidades e, possivelmente, até sua conclusão - a mesma suspeita que todos tinham de George Lucas e Guerras nas Estrelas antes dele voltar àquele universo dezesseis anos depois.

Com o terminatorverse sendo retomado por terceiros, dificilmente veremos essas ideias saírem do papel por intermédio do diretor. Alguns trechos:


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Meu preferido é o bacanão HK-Centurion esmagando os rebeldes sob uma rocha e exterminando os demais humanos atrás das linhas defensivas... belo instrumento da destruição. Mas no livro devem haver bons lances rebeldes contra as torradeiras também. :)

Via io9 (com galeria)



Se qualquer hora você passar por Orlando, Hollywood ou Osaka - e tiver alguns dólares sobrando - não deixe de conferir T2 3-D: Battle Across Time, atração temática da Universal Studios. O show foi idealizado e dirigido por James Cameron, Stan Winston e John Bruno, funcionando como uma minissequência livre de Exterminador do Futuro 2. "Livre", pois traça uma narrativa que reaproveita os principais elementos do filme, mas desconsidera seus eventos finais.

O programa começa com uma apresentação promovendo os avanços da Cyberdyne Systems. Depois emenda num ato principal, que envolve animatronics e performances ao vivo de atores interagindo com um filme 3-D estrelado pelo cast central de T2 (Robert Patrick, Linda Hamilton, Edward Furlong e, claro, Schwarza). Custando a bagatela de 60 milhões de dólares, o filme tem uma produção bastante eficiente para o formato e expande os conceitos da guerra na visão de seu criador original - o único veículo onde isso já aconteceu.

Estão lá os HK's aéreos, unidades T-800 sem o "living tissue", alguns minihunters (os mesmos de Terminator: Salvation, só que armados com laser) e três novidades que me chamaram a atenção:


O brutamontes T-70, o neanderthal dos exterminadores e bisavô dos T-600 de Salvation, em toda a sua glória animatrônica (mais shots aqui);


O T-1000000 (!), também carinhosamente chamado de T-Meg., um robô aracnídeo gigante com a tecnologia de metal líquido do T-1000. É uma espécie de guarda-costas do CPU da Skynet;


E a central de processamento da Skynet, uma enorme pirâmide futurista, ainda com aquele perfil superhardware da era Cameron, antes do conceito software/ciberespaço adotado nos filmes seguintes.


Abaixo, a ótima sequência de perseguição no futuro com Schwarza e Furlong.




Impressiona a longevidade da atração, que foi lançada em 1996 e continua sendo um sucesso até hoje - mesmo com um plot defasadíssimo em relação à cronologia atual. Muito disso se deve ao impacto que T2 teve nesta geração, hoje trintona ou quarentona e com alguma bala na agulha. Quem foi, adorou.

[dica do Amadeu]


Recapitulando a guerra:
T1
T2
T3
T4

sábado, 5 de setembro de 2009

DOS ZUMBIS DOS ÚLTIMOS DIAS


Mais um capítulo da série "como é que não pensaram nisso antes?" The Book of Zombie é uma produção Z que mistura o clássico cenário de uma turba de mortos-vivos tentando entrar em alguma residência com o pior momento de uma manhã de domingo: uma turba de mórmons tentando entrar na sua residência. Não deu outra... os zumbis mórmons estão à solta. O filme, extra-low-budget, foi dirigido à seis mãos (Scott Kragelund, Paul Cranefield e Erik Van Sant) e filmado em 2007. De lá pra cá, arrasta seu corpo putrefacto numa eterna pós-produção, mas ficou de estrear ainda este ano. Orçamento de troco de padaria é assim mesmo.

O trailer é qualquer coisa de tosco, ultra-splatter, divertidíssimo, cheio de sangue de groselha e frases infames ("the congregation is hungry" é ótima). E vende seu peixe direitinho: esse filme é pra assistir com os amigos e detonando galões de cerveja.




Não é (só) pelos mórmons, mas por qualquer um que venha encher o saco às oito da manhã de um domingo. Num apocalipse zumbi, estes seriam meus alvos preferenciais, logo abaixo dos operadores de telemarketing zombies, ainda com os headsets pendurados na cabeça.


Esse filme o Hulk aplaudiria de pé. Se alguém o vir por aí (sumiu o cara), avise.