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quarta-feira, 29 de junho de 2022

Panela vegan é que faz comida boa


Já espalhei a palavra em tudo que é lugar: há tempos o Panelaço é o melhor programa de entrevistas brasileiro. E de culinária vegana. Os pratos são saborosos (os que arrisquei copiar, pelo menos) e inacreditáveis: coxinha de jaca, strudel de maçã e banana, penne ao abacaxi, cebolada com farofa de maracujá, pudim de tapioca e por aí vai.

E o Gordo, cara.

Gordo é foda. A cancha que o cara tem hoje é anos-luz de sua época na MTV, que já era muito legal. Ele sabe criar/manter um clima informal como poucos e deixar os convidados bem relaxados (excetuando uma), dispostos a responder praticamente qualquer coisa. Ele não é de desperdiçar chances. Além de tudo, é obrigatório para quem se interessa pela fauna musical brasileira.

Portanto: feito, feito e feito. E vou dormir feliz, crucificando o sistema.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Bons tempos que voltam sempre

E agora, algo completamente diferente: um unboxing post. De um CD. Que rufem os tambores...!



Não é um unboxing qualquer. Pelo menos, para mim. Foi meu primeiro contato direto com a pioneira, veterana, icônica, formadora de caráter, aleluia-salve-salve Cogumelo Records, a pioneira, veterana, icônica, etc, loja/selo/gravadora de Belo Horizonte. Tecnicamente, já comprava os LPs e CDs produzidos pela Cogumelo desde os onze anos, mas nunca direto da fonte. Aposto que o sujeito que viu o crédito na conta, embalou o CD, digitou o endereço no Word, imprimiu, passou durex e pegou trânsito pra colocar a encomenda no correio não imaginava a minha emoção no estado ao lado.

Então é um marco pessoal, ainda que facilitado pela comodidade da internet e com o timing há muito perdido. O álbum Who Is Your Enemy Anyway?, da banda santista Safari Hamburguers, é de 2007 (e compila também o bolachão de estreia, o excelente Good Times, de 1993). Fora o pequeno detalhe de ser um disco de hardcore lançado por um selo famoso por seu trabalho com o metal. Fosse nos anos 1980 eu entraria para a lista negra da comunidade heavy.

Como dizem, a 1ª vez a gente nunca esquece... Até por que foi agora há pouco. E com uns 30 anos de atraso.

Ps: o blog Desova fez uma ótima entrevista com João Eduardo de Faria Filho, proprietário da Cogumelo. Como convém, foi publicada em 2014, mas feita em 2005...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Mr. Catra's in the House


Deu no feice: tudo certo pro álbum de estreia do Mr. Catra & Os Templários, a banda de metal e hardcore do digníssimo embaixador/engenheiro/diplomata Wagner Domingues da Costa, vulgo Mr. Catra - e dou o serviço, foi o Wikipédia quem caguetou essa informação. Quem estava acostumado com o folclórico cancioneiro do MC, abordando de conduta moral à crise na instituição do casamento até relações trabalhistas, vai arrepiar os cabelos descoloridos, franzir as tocas ninja e inverter os sorrisos de suas tatuagens do Jóker. 

Ao que parece, as músicas realmente não fazem a menor concessão pra malandro (e muito menos pra mané) e mostram que Catra & cia não vêm pra perder viagem. O som é papo reto!






O que normalmente pareceria mais um atentado ao rock 'n' roll nosso de cada dia, se desenha não como sua salvação, mas como a injeção de sangue quente que o pop brasileiro vem implorando há muito tempo. Sim, o underground é fervilhante, só que aquela ponte para o mainstream continua no fundo do rio. Catra, por sua vez, é um dos artistas nacionais com maior exposição na grande mídia - agora mesmo ele está lá, distribuindo seus vaticínios pra revista grande. E com público próprio e fidelizado garantido a autossuficiência comercial.

Usando todo esse alcance pra tocar o terror num programa dominical, ou mesmo sabático, o estrago seria antológico.

Habitué em qualquer atração da TV aberta, seja pra falar de maconha, do funk proibidão ou de seus 788 filhos e 354 esposas, a correção política é a menor de suas preocupações. Não é balela poser, o cara vive isso. Fosse na gringolândia, certamente seria parte da turminha do Lil Jon, Big Boi e Snoop Dogg. Transposto para o idioma do rock pesado, acaba adquirindo contornos de autêntico bad boy, saído direto da favela/gueto/trenchtown. Um Ice-T dos trópicos - e olha que Ice é um chihuahua perto da besta-fera carioca. 

Marrento que só, diz que "curte e respeita" Led Zep, Biohazard e Body Count. Sem descansar a artilharia, se compara a David Coverdale. E antes que alguém leve à ponta da faca, é bom frisar que isso também tem tudo a ver com a melhor tradição malaca do rockstar.

Trash talk, inadvertido que seja. E se for, melhor ainda.


Pra quem está de saco cheio de rockinho cara limpa, Chicos Buarques de CCE universitário e indies de SESC, o álbum do Catra (e d'Os Templários) parece até providência divina. Chuva de fogo e enxofre pra cima de uma ceninha de bastardos bossa-novistas e penetras no Clube da Esquina. 

Ou como ele mesmo explica numa síntese que só as mentes mais aerodinâmicas são capazes:

"Acho que esse disco vai acabar com a brincadeirinha que virou o rock. Agora é porrada. O rock voltou. Acabou o colorido. Acabou a matinê."