Impossível resumir a importância de Dennis O'Neil – ou "Sergius O'Shaughnessy" – nos comics dos últimos 45 anos. Muito mais fácil resumir sua importância em nossas vidas. Ele já era publicado por aqui pelo menos desde o final dos anos 1960 e, num microcosmo de uma microsituação, desde os primeiros gibis que li na vida.
Foi ele quem criou a 1ª fagulha de consciência social em minha alienada cabecinha fã de "crunchs!" e "pows!" com sua inesquecível fase do Lanterna Verde & Arqueiro Verde ao lado do genial Neal Adams, lançada aqui na saudosa Superamigos. "Inesquecível", aliás, é um pleonasmo: pra mim, ainda é releitura sazonal e estupidamente atual.
E teve a revolucionária e influente incursão no Batman. E a fantástica carreira como editor – graças a ele, o jovem Frank Miller ganhou total controle sobre o Demolidor, livrando o herói da obscuridade certa. E o Questão, que, elevado a um novo patamar, tornou essencial a série Os Caçadores, da Abril.
São apenas alguns highlights. O melhor run de O'Neil foi, sem dúvida, sua brilhante vida dedicada aos quadrinhos. Uma impecável lição de amor à arte.
Q: If the Sheriffs can choose not to enforce the beach closures can the hospitals “choose” not to admit any possible Covid-19 suspected beach goers? Just askin’...🤔
2/5 – Em uma época em que a racionalidade e o senso de autopreservação caem ante a paranoia ideológica ou a possibilidade de um dia de praia, Axl Rose propõe uma solução que há tempos venho pensando em voz baixa...
3/5 – Se vai Dave Greenfield, aos 71, vitimado pelo novo coronavírus. Desde 1975 – exatos 45 anos – era tecladista, compositor e ocasional cantor da icônica banda The Stranglers. O grupo britânico teve papel essencial na efervescência punk e seminal na 1ª geração do pós-punk. Muito disso se deve à Greenfield e seu improvável papel de tecladista/organista na barulhenta cena emergente, aliando elementos psicodélicos e progressivos, antecipando o que viria a ser a new wave e o synthpop anos depois.
4/5¹ – Sylvester Stallone confirma que a Warner Bros. está desenvolvendo uma sequência de O Demolidor (Demolition Man, 1993). Contanto que finalmente expliquem para que servem as malditas conchas, tá valendo.
4/5² – Se vai Aldir Blanc, aos 73, por complicações associadas ao COVID-19. O letrista, compositor e cronista carioca foi autor de mais de 600 canções em 50 anos de atividade. Foi gravado por artistas como Elis Regina, Clara Nunes, Fafá de Belém, Nana Caymmi, Roupa Nova e MPB-4, entre muitos outros. Fez parcerias memoráveis com Maurício Tapajós, Carlos Lyra e, especialmente, João Bosco, em clássicos como "O Mestre-Sala dos Mares" e "O Bêbado e a Equilibrista". A partida de Blanc fecha um gigantesco capítulo da música popular brasileira.
4/5³ – A Lucasfilm confirma: Taika Waititi irá dirigir um novo Star Wars. Parecia inevitável. O marketing pessoal do neozelandês – ilustre desconhecido até dia desses – só pode envolver truques mentais jedi e manipulações sith.
4/55 – Se vai Flávio Gomes Migliaccio, aos 85. O ator paulista iniciou sua longeva carreira no teatro, em 1954. Nos cinemas, participou de sucessos como a 1ª versão de Todas as Mulheres do Mundo, Terra em Transe, de Glauber Rocha, Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora e nos dois longas como o inesquecível Tio Maneco; na televisão era hor-concours com participações em incontáveis novelas e séries. Deixou uma carta de despedida tocante – e que, embora contundente e muito triste, trouxe de volta à luz o debate sobre o descaso com a cultura no Brasil, além da solidão e da depressão na 3ª idade.
4/56 – Os Novos Mutantes já está disponível para pré-venda na Amazon em opções HD/SD. Mas gringo piscou, perdeu: enquanto escrevia a frase anterior, a folclórica produção foi removida do serviço nos Estados Unidos. Porém, continua ativa na Amazon-UK.
5/5¹ – Lembra do maestro Dante Mantovani, que acredita ser o rock obra da SS (Satã Soviético) e que foi exonerado da presidência da Funarte pela secretária da Cultura Regina Duarte? Ele acaba de ser reconduzido ao cargo pelo ministro-chefe da Casa Civil General Walter Braga Netto.
5/5² – Ansioso, Mantovani já almeja uma recepção calorosa da secretária ex-namoradinha do Brasil.
5/5³ – E a nomeação de Dante Mantovani é cancelada mais uma vez. E seu algoz foi o próprio Braga Netto. É o Inferno de Dante!
5/54 – Se vai Ciro Pessoa, aos 62, vítima do COVID-19 em meio ao tratamento de um câncer. O músico, compositor, jornalista e escritor foi uma das peças fundamentais do underground paulista da geração 80. Foi membro fundador do Titãs (na época, ainda Titãs do Iê-Iê-Iê) e também do cultuado grupo gótico/pós-punk Cabine C, entre inúmeros outros projetos.
6/5¹ – Divulgada a passagem de Florian Schneider em 21 de abril último, aos 73, de câncer. O compositor e multi-instrumentista alemão foi um dos fundadores do Kraftwerk. É, sem a menor dúvida, um dos nomes mais revolucionários e influentes da história da música pop dos últimos 50 anos. Um gênio. Pessoalmente, era meu mensch-maschine predileto do grupo...
...até pelo senso de humor kraftwerkiano sem concessões. Até hoje a repórter está perguntando se anotaram a placa do robô!
6/5³ – Se vai Brian Howe, aos 66. O cantor britânico iniciou sua carreira na década de 1970 e chegou a integrar a banda de Ted Nugent. Mas ficou famoso mesmo quando foi contratado para cantar no Bad Company no retorno do grupo em 1986. Na nova fase, o hard/blues rock da era Paul Rodgers foi limado em favor de um som mais comercial, repleto de babas radiofônicas como "If You Needed Somebody" e "How About That" – que, mesmo desagradando os mais puristas, vendeu muito. Mas nem tudo foram flores: em entrevista recente, Howe expôs profundos ressentimentos dessa época.
Olá figura!
Estamos perplexos! Nem em nossas mais otimistas previsões imaginamos que a meta da campanha de TORPEDO 1936...
Publicado por Figura em Quinta-feira, 7 de maio de 2020
7/5¹ – E o Catarse de Torpedo 1936+Kraken, da editora Figura, foi um sucesso absoluto!
7/5² – Marc Guggenheim, showrunner de Arrow, irá roteirizar um longa do Profeta, de Rob Liefeld.Lembra dele? Nem eu!
7/5³ – A secretária da Cultura Regina Duarte dá uma polêmica entrevista à CNN e muda a fachada de "namoradinha do Brasil" para "namoradinha da ditadura". Constrangedor é apelido.
7/55 – Se vai Richard Sala, aos 65. O quadrinhista americano iniciou sua carreira em 1984, com a HQ indie experimental Night Drive. Seu estilo cartunesco muito influenciado pela cultura pulp misturando elementos góticos/sobrenaturais com realismo fantástico rendeu elogios e colaborações com gente como Art Spielgeman e Monte Beauchamp. Onipresente na grade da sensacional Fantagraphics Books, Sala ainda é virtualmente desconhecido no Brasil – foi apenas publicado numa antologia de novos autores da Conrad, em 1999. Pessoalmente, só conheci seu trabalho há uns dois anos e fui imediatamente fisgado. Em outras palavras, uma notícia que, para mim, foi um baque inesperado daqueles...
I’m sad to say that my father, Jerry Stiller, passed away from natural causes. He was a great dad and grandfather, and the most dedicated husband to Anne for about 62 years. He will be greatly missed. Love you Dad. pic.twitter.com/KyoNsJIBz5
11/5¹ – Se vai o grande Jerry Stiller, aos 92. O veterano ator e impagável comediante estava na ativa desde 1956 e se desdobrou tanto no teatro quanto na televisão e no cinema. Incansável. Para nós, fica a saudade e a certeza que os Festivus não serão mais os mesmos... for the rest of us!
11/5² – Existem lives e a live do Emicida: mais de oito horas, mais de cem músicas e quase um milhão de reais arrecadados para o projeto beneficente Mães da Favela.Bravo!
12/5² – A produção de Mad Max: Estrada da Fúria assimilou bem a essência do filme: bastidores loucos e furiosos, com direito a brigas entre os astros Tom Hardy e Charlize "Imperatriz Furiosa" Theron. Perfeito. Filme com sangue nos zóio tem que ser filmado com sangue nos zóio. Se não for assim, nem quero.
13/5 – 2ª temporada de Patrulha do Destino prevista para 25 de junho, via HBO Max. Ok, a série é bacana, mas parece que a HBO virou povão de vez mesmo, hm?
16/5¹ – Hoje faz dez anos da partida do inesquecível Ronnie James Dio. Parece que foi ontem. Como bem disse o Geezer, o tempo voa. E rápido.
16/5² – Geoff Johns comentou que existe a possibilidade do Shazam voltar a se chamar Capitão Marvel. E deixou escapar que esse será o nome ao qual o Superboy Primordial irá se referir ao herói. São pequenas coisas como essa que alegram o meu dia.
16/5³ – Vincent Cassel diz que revistinhas e filmes baseados em revistinhas são para crianças, no que concordo em absoluto. Quem sou eu pra questionar um sujeito casado com a Tina Kunakey e que é ex da Monica Bellucci?
16/5³ – Divulgado o 1º pôster de Kung Fu, remake da CW para o clássico seriado dos anos 1970. No papel principal, que era de David Carradine, está a atriz Olivia Liang, o que enfureceu muitos rapazinhos inseguros web afora. Pra mim, ela parece ótima – embora ache que a maravilhosa Jessica Henwick (a Colleen Wing, de Punho de Ferro) merecesse uma 2ª chance de chutar uns rabos por aí.
16/54 – Tony Isabella, criador do Raio Negro (o Black Lightning, não o Boltagon) ficou puto da cara com a DC. Motivo: alteraram o status do herói de "casado" para "divorciado e namorando a Lady Shiva." Exagero ou não, isso me lembra por que Steve Ditko, Alan Moore, Mark Millar, Grant Morrison e tantos outros abandonaram o mainstream para seguir na independência...
16/55 – Em mais um delírio pop hollywoodiano, o presidente Donald Trump toma para si o discurso do presidente Thomas J. Whitmore, personagem de Bill Pullman em Independence Day!
18/5 – David Arquette foi confirmado no novo filme da série Pânico, agora pelos diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett. É certo que a franquia do Ghostface se exauriu há eras juntamente com seus zilhões de genéricos, mas a dupla de cineastas – responsável pelo divertido Casamento Sangrento (Ready or Not, 2019) – merece um votinho de confiança. Que vai ser barra extrair alguma coisa que preste dali a esta altura, vai. Ah, vai...
26/5 – Scott Derrickson (A Entidade, Doutor Estranho) irá dirigir uma sequência de Labirinto para a TriStar Pictures. Boa sorte em reeditar o charme do clássico de 1986 sem os efeitos práticos, sem a jovem Jennifer Connelly e sem David Bowie.
28/5 – Nubia: Real One é uma graphic de L.L. McKinney (roteiro), Robyn Smith (traço) e da dupla Brie Henderson/Bec Glendining (cores) que irá reintroduzir uma personagem pouco comentada: a irmã negra da Mulher-Maravilha. Confesso que nunca ouvi falar na moça, mas já dei início à pesquisa de campo.
29/5¹ – Se vai Bob Kulick, irmão do Bruce, aos 70. O CV do músico e produtor é quilométrico, com trabalhos que vão de Kiss e Meat Loaf a Lou Reed e Doro, passando por W.A.S.P., Diana Ross, Michael Bolton, etc, etc, etc. – fora projetos solo e suas várias produções de álbums-tributos, que muito me divertiam em tempos idos. Fácil, um dos nomes mais respeitados da indústria.
29/5² – Após o sucesso de O Homem Invisível, a Universal segue expandindo seu monstroverso com a refilmagem de Wolfman. No papel do licantropo, Ryan Gosling.Rrraw.
31/5 – Stanley Kubrick ficou tão impressionado com a cena do chestburster em Alien (1979) que ligou para Ridley Scott para perguntar como foi que ele fez. O fato dele lembrar disso até hoje me diz que alguém foi à loucura com aquele telefonema...
Not Alone in Here é o novo curta de David F. Sandberg, diretor de Shazam!, mas também dos bons Lights Out (o curta e o longa) e Annabelle 2. "Watch loud in the dark if you dare", ele desafia.
Assisti a meio volume com a luz acesa e mesmo assim quase mijei na bermuda.
O título é autoexplicativo: "Tudo o que Preciso Saber para Sobreviver ao COVID-19 Eu Aprendi Assistindo Filmes de Ficção Científica e Terror". O mashup de clássicos do cinemão pipoca é obra do cineasta Michael Dougherty (Trick ‘r Treat, Krampus, Godzilla: King of the Monsters) e do editor cinematográfico Evan Gorski. E é assustadoramente acurado.
São três minutos e ½ que definem este tétrico 2020 (e além) mais que qualquer outra coisa que tenha ido para as telas ultimamente.
Da série "revivais em tempos de pandemia": com o 30º aniversário do filme As Tartarugas Ninja (1990), a equipe original da produção fará uma festa de pizza virtual. E Judith Hoag, a 1ª April O'Neil dos cinemas, está promovendo o encontrão.
O evento rola no próximo dia 23, no Zoom.
Darei uma espiadela. Adoro causos de bastidores, o filme foi um big fenômeno na época e a Hoag está mais bonita do que a 30 anos. Um vinho só.
Enquanto isso, sigo na vigília por um desconto nos doisvolumes dos quelônios lutadores da Pipoca & Nanquim – um dos capas duras mais desnecessários do mercado nacional. Mas é um pequeno preço a pagar após uma espera de - putz - 30 anos.
Confesso que tinha deixado de acompanhar o épico retorno da trindade Jaspion – Changeman – Jiraiya nas manhãs de domingo da Band por conta de um velho TOC pós-Y2K: o esquizofrênico padrão de resolução das redes de TV na exibição de conteúdo antigo.
Nada como um pouco de criatividade e senso estético.
A mesma sacada serviu bem no repeteco do mundial de 93. Partidinha da tarde, pra fazer a digestão.
Mas enquanto a Sato/Band deram um show de (tele)visão, a Globo parecia o tiozão que não manja de porra nenhuma e se mete a fuçar/desconfigurar o equipamento alheio. Ao exemplo dos jogos da seleção e das corridas da Fórmula 1 dos domingos anteriores, a OMNI-BR repetiu a tosca esticada wide na icônica vitória de Ayrton Senna no GP do Brasil em 1991.
O resultado são carros achatados de 1/2 metro de altura por quatro de largura e 8 de comprimento e mecânicos hobbits parrudos trabalhando nos boxes.
Bem, amigos da Rede Bobo, aqui temos o...
Jeito Errado #1
Até o nosso eterno campeão Ayrton parece ter levantado o troféu em Júpiter, com o triplo da dificuldade que teve, o que parecia impossível.
Correndo por fora (perdoe o trocadilho), a Rede Brasil não esticou full em wide, mas na exibição do seriado Lois & Clark recorreu ao famigerado pan & scan – literalmente um recorte em cima e embaixo de um vídeo full para forçar um formato wide inexistente no original. Nem sei qual é pior.
O que nos leva ao...
Jeito Errado #2
...com um bônus tão impagável que nem lembrei de resoluções e TOCs. Pobre Escoteirão.
Little Richard pode ter dividido a paternidade/maternidade do Rock and Roll, mas foi ele quem viu primeiro a chance de levar toda a malandragem, safadeza, promiscuidade e, putz, anarquia até os culhões da família, da moral & dos bons costumes. Fãs? Teve alguns. Mas isso não era o mais importante.
Provavelmente sem perceber, ele deu a Deus e o mundo a matéria-prima inesgotável do rock e do pop até os dias de hoje. Little foi grande assim.
E como ainda não inventaram um termo à altura para agradecê-lo, nada como recorrer a um que ele mesmo inventou: