segunda-feira, 5 de julho de 2021

What's done is Donner


Richard Donner
(Richard Donald Schwartzberg, 1930 - 2021)

"Ele nos fez acreditar que um homem podia voar"

Provavelmente, essa será uma das frases mais repercutidas por aí com a partida do grande Richard Donner. E é lapidar mesmo. O homem fez por merecer. Não "apenas" pelo seu insuperável Superman e por seu categórico supercorte de Superman II, mas por tantos outros momentos que esse new yorker boa-praça nos proporcionou em inacreditáveis 64 anos de carreira a mil por hora.

E ainda havia mais por vir, caso a providência assim permitisse. He definitely wasn't too old for this shit...

Do terror visceral, à diversão em sua forma mais pura, ao encantamento, à intensidade cinética da ação, Donner reescreveu as regras da indústria mais de uma vez, influenciou muita gente e mudou o mundo. E também as nossas vidas, porque não?

No cinemão pop, Donner foi, é e sempre será uma das estrelas mais brilhantes.

Thank you for everything!

sábado, 3 de julho de 2021

Halloween Mata!

Essa semana finalmente saiu o trailer de Halloween Kills e... sangue de slasher tem poder. Uau. Uau mesmo.


O novo filme vai começar do ponto exato onde o Halloween 2018 terminou, como uma versão extendida daquela noite sanguinolenta. Pra mim isso foi uma grata surpresa. Há tempos não vejo esse recurso de bola-no-peito-e-bicicleta-no-meio-da-área. E ao que parece, o clima da empreitada será mantido com o espetacular trio Jamie Lee Curtis-Judy Greer-Andi Matichak enfrentando o famigerado The Shape mais uma vez. Inclusive sem máscara.

Também não passa despercebido o pequeno levante de moradores de Haddonfield se armando e saindo à caça de Michael Myers, tal qual ocorre em Halloween 4, de 1988. Paradoxalmente, nada mais atual.

Gosto muito da atmosfera thrillêra e mais pé no chão adotada pelo diretor David Gordon Green, mais uma vez roteirizando ao lado de Danny McBride e com o Scott Teems se juntando ao time. Por sinal, Gordon Green – que está negociando para comandar a refilmagem de O Exorcista – é um cineasta orgânico e interessantíssimo. Dois bons exemplos são seus trabalhos anteriores, o drama romântico All the Real Girls (de 2003, com a Zooey Deschannel) e o drama criminal Joe (de 2013, com Nicolas Cage). Ambos são de gêneros diferentes, mas igualmente curtidos em realidade rústica e visceral, com aquele jeitão de "true face of America." Convenientemente, nada mais Halloween.

O lançamento de Halloween Kills está previsto para 15 de outubro.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Moby esteve aqui

Eu achando que a Marvel Studios estava fazendo média escalando o Owen Wilson na série Loki.

Não é que Mobius M. Mobius era coisa dos quadrinhos mesmo?






Sabia que devia ter lido a fase do Walt Simonson no Quarteto Fantástico com mais atenção.

Mobius – Moby, para as variantes íntimas – e a passagem da Autoridade de Variação Temporal estão em Superaventuras Marvel #150-152, a quem interessar. Lisérgico arco.

Ps: o som da ficha caindo parecia uma onomatopéia do Simonson!

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Carrão da porra, tu pisava ele voava

Titane ("Titânio") é o novo da celebrada cineasta parisiense Julia Ducournau. Da história, nada se sabe, mas há pouco foi liberado um atípico trailer.


E sigo sem nada saber.

No começo parece um Velozes & Furiosos NSFW batendo de frente com as Cronenberguices de Crash: Estranhos Prazeres. Depois vira outra coisa muito fixe com trilha cool, à Soderbergh, mais ainda inclassificável. O que será que a diretora do deliciosamente perturbador e sanguinolento Raw (2016) trará dessa vez?

No momento, Titane se encontra nos estágios final de pós-produção. Mas já está com a premiere agendada para 14 de julho, em Cannes.

Só me resta aproveitar o festival e marcar um rendez-vous com a Ducournau. Sacumé, passear pela Riviera ao pôr do sol, discutir as novas conjunturas do cinema automobilístico de vanguarda desde Cara, Cadê Meu Carro?...

sexta-feira, 18 de junho de 2021

sábado, 8 de maio de 2021

Cedo ou tarde vem


Genival Cassiano dos Santos
(1943 - 2021)

Se foi o gênio Cassiano. E consigo levando todo um ciclo da música brasileira, mais um punhado de certezas inconvenientes.

Quem conhece do riscado carregou silenciosamente por décadas o dilema "vai chegar o dia em que Cassiano vai partir e, com muita sorte, vai sair uma notinha de rodapé nos jornais". E, infelizmente, foi isso mesmo. Só que nos portais. A crônica de um absurdo há muito anunciado. Se o mundo fosse justo, o velho mestre paraibano teria a fama e a conta bancária do Roberto Carlos.

Ex-ajudante de pedreiro, Cassiano iniciou a carreira na música em 1964, tocando violão no grupo Bossa Trio. Mas logo ele trocou o samba jazz do conjunto pela influência do fervilhante soul e rhythm and blues americano no grupo vocal Os Diagonais. O amigo Tim Maia adorava. Tanto que Cassiano assinou quatro músicas do disco de estreia do Síndico, entre elas os diamantes "Eu Amo Você" e "Primavera (Vai Chuva)".

Com a excelente repercussão e a moral nas alturas, ele finalmente deu início à sua curta carreira discográfica solo com três clássicos atemporais: Imagem e Som (1971), Apresentamos Nosso Cassiano (1973) e Cuban Soul – 18 Kilates (1976). Álbuns essenciais em que Cassiano expande as possibilidades do soul, do funk, do r&b e do rock com toda a sofisticação e hermetismo que foram suas marcas registradas – e que, provavelmente, selaram sua carreira à margem do grande público. Afinal, para cada hit certeiro como "Cedo ou Tarde", "Coleção" e "A Lua e Eu", coexistiam releituras excêntricas (e brilhantes) de gênero como "Castiçal", "Cinzas" e "Onda". Sua inventividade era um dom implacável.

Com a palavra, Nelson Motta.


E foi isso. Ou quase.

Quinze anos depois, Cassiano passou por uma parca tentativa de revival com o disco Cedo ou Tarde (1991). Lotado de participações (Luiz Melodia, Djavan, Marisa Monte, Ed Motta, etc), o álbum funciona apenas como curiosidade e pelos breves lampejos em que o mago do soul vence a sonoridade pasteurizada e a direção musical equivocada da produção despejando todo o feeling e groove acumulados em anos de ostracismo. Uma master class para poucos.

Cassiano era um gigante, mas o velho dilema melancolicamente se cumpriu.

O lado bom? Onde quer que esteja, com certeza está desfrutando de uma companhia à altura. E sedenta por uma jam com o homem.