sexta-feira, 20 de agosto de 2004

Deixados para trás: pôster de AvP.

Em meio às cervas, acabei esquecendo de linkar o último (e ótimo!) cartaz de AvP. Ficou muito bom... Clique na figura pra aumentar.


Show né. Lembra uma versão dark e biomecânica daquelas pinturas pré-históricas que retratam duelos primitivos. Se eu fosse o Joe Quesada, colocaria esse artista pra ilustrar as capas do 2º volume de The Ultimates...

quinta-feira, 19 de agosto de 2004

OLIMPÍADAS 2004: LANÇAMENTO DE ALIEN À DISTÂNCIA



Então, notícia velha, mas imprescindível: cena de porradaria AvPeriana rolando na web. Opinião direta e sem firulas: divertidíssimo! Bastante malhado pela crítica, Aliens versus Predador tem arrebentado nas bilheterias norte-americanas. Não sei se chegou a garantir uma continuação, mas como o filme ainda não estreou em muitos países, é bem provável que chegue lá.

Quanto ao mal-humor - costumeiro - da crítica (17% no RT!), um conhecido meu lembrou bem: "o filme pode ser péssimo... mas carrega os monstros... tiroteio... sangue... predadores e aliens...". O quê?? Predadores armados até os dentes, detonando mariners e uma legião de Aliens, e ainda encarando a Rainha Alien?! Cara... só passa pra cá a minha pipoca e o meu refri...


BODY COUNT... MESMO!


D-Roc brincando com fogo...

Deu no site da Rock Brigade: mais um "desfalque" no grupo Body Count. Morreu terça-feira (17/08) o guitarrista da banda, D-Roc, devido à uma grave doença epidérmica. O nome verdadeiro do músico era Dennis Miles, e ele engrossa a já grande lista de integrantes do BC que passaram desta pra melhor (?).

Antes dele, o baterista da banda, Beatmaster V, morreu de leucemia, e o baixista Mooseman foi assassinado durante um tiroteio no barra-pesada South Central, LA (sinistro...), o que só alimenta a aura "maldita" do grupo.

O novo disco, Murder For Hire (sintomático...), terá Bendrix Williams, do Pitch Black, como substituto nas 6 cordas. Isso se ele sobreviver... :P


A banda no Sun n'Steel Metalfest, 06/03, na Flórida

O Body Count foi formado no início dos anos 90, pelo gangsta Tracy Marrow, a.k.a. Ice-T. Na época, Ice-T estava "bombando" no cenário musical norte-americano.

Mal comparando, ele atingiu o mesmo sucesso que Eminem, 50 Cent e Usher. A diferença era que ele tinha muito mais culhão. Comprou briga com chefe de polícia, governador, censura e gravadoras, carregou meio Compton para festas de arromba na sua mansão em Beverly Hills, e no auge do sucesso, montou uma banda thrash/hardcore (ele é fã confesso do Slayer, com quem já gravou).

O álbum de estréia homônimo do Body Count, foi lançado em 92, bem em meio aos conflitos raciais de LA, devido ao caso Rodney King. A música Cop Killer chegou a ser cortada do álbum e teve a sua veiculação proibida pelo ST da Califórnia. Grande "País da Liberdade"...

Esse disco é um verdadeiro clássico, tanto pela sua fuleiragem (gravação tosca, erros de execução) quanto pela sua ATITUDE (letras polêmicas e totalmente irresponsáveis, e um barulho de trincar os dentes). Foi uma combinação explosiva, como há muito tempo não se via em álbuns de rock’n’roll. Desde os primeiros discos do Dead Kennedys pra ser mais exato. Essencial.


O RETORNO DO GERALDÃO


Ninguém perguntou, ninguém questionou, ninguém pediu, mas é com orgulho que orgulhosamente eu anuncio a volta do Coelhinhas da Mansão Triple XXX!!

Pra quem não sabe do que se trata, é uma seleção das gurias mais bem-alimentadas da nona arte. Inicialmente, só eram focadas chicas carimbadas com o gene X no DNA, mas "pressões externas" (e cariocas!) me fizeram abranger a porra toda. O Coelhinhas passou a trazer sempre uma personagem diferente a cada vez, nas melhores posições...

A última "homenageada" foi a sensacional Druuna, alguns meses atrás. Já recuperada da experiência (afinal, é a DRUUNA pô!) a "Coluna Presta" está de volta, ainda mais rígida, mais ereta e rebimbando de felicidade.

E quem será a próxima...? Jean Grey, Diana, Fogo, Canário Negro, Roxy, Lara Croft, Supergirl...? Aceito sugestões.


dogg, assistindo no talo (vcs não conhecem o meu aparelho de som...) o DVD Stiff Upper Lip, ao vivo do AC/DC, tomando uma latinha geladaça de Skol que acabou de comprar na praça, e jurando que, antes de morrer, ainda vai no show dos coroas australianos...

domingo, 15 de agosto de 2004

TUDO QUE IRENE ADLER QUERIA


Anos 60? Woodstock? Timothy Leary? Alguém...?

Só dia desses que fui ler Lúcifer - Cartas na Mesa, e o fiz em uma só tacada (3 edições). A história é daquele tipo em que não se consegue parar de ler até chegar ao fim. Leitura imprescindível tanto para seguidores veteranos de Neil Gaiman, quanto para iniciantes nesse mundo de conto de fadas punk.

O argumento surreal de Mike Carey e o belo traço de Chris Weston não deixam nada a dever aos melhores momentos da vida quadrinhística do personagem Lúcifer. Esse, aliás, é uma das personas mais bem-construídas das HQs, nível John Constantine. O cara é (muito) sacana, cruelmente humano (!), e carrega consigo toneladas de perspicácia, astúcia, lucidez e... timing. Sim, Lúcifer tem muito, muito timing. Ele só influi ou aparece na história de forma estritamente estratégica. Enfim, Lúcifer é o capeta.

Bem, leiam as revistas, pois estas merecem a sua valiosa atenção (inclusive a edição #4, que traz uma história genial chamada Nascida com os Mortos).


Essa cena lembra o clip de Sowing the Seeds of Love, do T4F

Originalmente eu ia comentar apenas sobre uma seqüência em particular: a da vingança. Em determinado momento, uma das personagens, Jill Presto, adquire poder para acessar e reposicionar todos os acontecimentos do passado e do futuro de qualquer pessoa (muito bem sacado). E, como não poderia deixar de ser, existem algumas pessoas que "merecem pagar pelo que fizeram".

Achei bem legais as possibilidades desse "poder existencialista" no plano físico. É filosofia em briga de bar. Saca só então, a vingança:


Clique na imagem

Como diria Jello Biafra: Nazi Punks... FUCK OFF!!



Operação Resgate:Quando o Texas era mais do que petróleo e dinastia Bush.


PANTERA
(1990-1997)


Os caras: Philip Anselmo (vocal), Dimebag Darrell (guitarra), Rex Brown (baixo) e Vinnie Paul (bateria).


Os discos: Cowboys from Hell (1990), Vulgar Display of Power (1992), Far Beyond Driven (1994), The Great Southern Trendkill (1996) e Official Live: 101 Proof (1997).

Foram 5 bombas nucleares despejadas no cenário musical ao longo da década de 90. O Pantera fez muito barulho, incomodou, e chegou naquele ponto em que parecia estar em vários lugares ao mesmo tempo, tamanho era o seu sucesso na época. Foram recordes e mais recordes quebrados, todos em seqüência. Mas se eu tivesse que destacar um momento em especial, eu diria que foi a estréia do álbum Vulgar Display of Power, direto em 1º lugar na parada da Billboard. Foi a primeira vez que um grupo de metal extremo alcançou tal feito, e isso arregaçou as portas do mainstream para o quarteto texano. O Pantera foi uma banda que atingiu um incrível sucesso. Incrível mesmo, seus discos venderam muito, sempre na casa dos 7 dígitos. Poderiam tranqüilamente se aposentar e ter uma casa de praia em algum país da América do Sul. Curiosamente, isso só foi acontecer após eles adotarem um estilo bem mais anti-comercial.

Desde a produção, com a bateria seca, baixo inaudível e as guitarras lá na frente, até a sua temática unidimensional (vio-vio-vio-violeeeennnce!), tudo conspirava para uma longa e produtiva vida no underground. Talvez, justamente por essa simplicidade franciscana, aliada à uma técnica instrumental irrepreensível (mas, sabiamente, sem se prestar como fator de destaque, ao contrário de bandas como Dream Theater e afins), e influências naturais de Metallica circa ...And Justice for All e Sepultura fase Arise, possa ser isolada aí aquela característica que costumamos chamar de "identidade". Por outro lado, a banda jamais perdeu aquele senso melódico, ahn, poser, que era justamente a matéria prima utilizada em álbuns pré-Cowboys. O Pantera nessa época era poser. Mas poser com força mesmo. É até surreal ver hoje alguma foto antiga do machão Dimebag, atolado em maquiagem e com aquele corte de cabelo empinado à Vince Neil, do Motley Crüe.

Muito provavelmente, seu sucesso avassalador (para os padrões do metal extremo) possa encontrar uma explicação definitiva na postura e nas letras transbordantes de ódio e individualismo. Isso, em um país como os EUA, encontra um grande respaldo por parte de um público viciado em raiva, frustração e medo. Catarses via MTV costumam funcionar muito bem por lá, e não foi só com o Pantera não.

Aspectos dicotômicos à parte, musicalmente, o Pantera foi um achado. Seu background hard rock fracassado foi quase que totalmente limado a favor de uma sonoridade metálica, carregada de influências do velho crossover oitentista (D.R.I., G.B.H., S.O.D., etc.) e um talento nato para riffs simples e certeiros - com certeza adquiridos em seus anos de laquê.


Considero que a primeira manobra de 90° na carreira do Pantera foi no Cowboys from Hell, que é o tipo do disco que agrada. É cheio de ganchos, mas sem se render à facilidade pop. Pesado, mas sem sair dos trilhos. É só ouvir belezinhas como Primal Concrete Sledge, Psycho Holiday, Heresy e a faixa-título pra você se convencer de que pode ouvir Pantera no volume 10 sem estranhar (ou se importar). Além de trazer também a magnífica Cemetery Gates, uma balada pesada com um riff tão marcante que nem o Professor X conseguiria tirar da cabeça.

Outro ponto interessante é que, com Cowboys, a banda arrebanhou legiões de fãs provindos das mais diversas tribos, de headbangers e punks até o consumidor padrão de produtos MTV, repetindo dessa forma a mesma comoção de 1983, quando o Metallica estreou com o clássico Kill'Em All.


Cowboys também foi uma excelente preparação para um dos álbuns mais singulares desse boteco chamado ROCK: Vulgar Display of Power mudou as regras das gravadoras e fez a cachoeira cair pra cima. De repente, todo mundo começava a soar como o Pantera, tanto veteranos (Overkill, Fight, do Rob Halford, e Paul Di'Anno, ex-Iron) quanto novatos (Machine Head, Misery Loves Co., Madball). Sabem aqueles discos que atingem a perfeição no que diz respeito à proposta da banda? Nos anos 90 tivemos bastante desses (pretendo comentar sobre cada um, se eu não morrer antes), e Vulgar Display of Power foi a vez do Pantera. Esse disco é daqueles em que o som se remodela conforme o volume, igual aos clássicos do AC/DC, Motörhead e Ramones. Portanto, Vulgar... só no talo.

Não há nenhum destaque específico, pois todas são a medula óssea da banda. Técnica discretamente elegante, fúria aos borbotões, viagens à base de arpejos guitarrísticos, riffs assassinos... e esse nem é o mais pesado da discografia deles. Só É o Pantera, no seu mais sincero. Para registro: Mouth For War é uma das músicas de abertura mais contundentes da História.


Ao que chegamos à porradaria cavalar de Far Beyond Driven, um disco ainda mais minimalista e experimental. A guitarra de Dimebag aqui é o destaque, e ele maltrata a coitada: distorções com o pé cravado no pedal, apitos, reverbers insandecidos e puro ruído atonal dão o tom (trocadilho sem-noção).

Pedradas boas para se ouvir durante uma revolução: Becoming, a ultra-cool 5 Minutes Alone, I'm Broken (metal playboy, ótima pra ouvir no carro), Good Friends and a Bottle of a Pills, Slaughtered e 25 Years. Far Beyond Driven também inaugura a Era das Aberturas-Avalanche: logo de cara, Strenght Beyond Strenght implode os auto-falantes e twiters dos desavisados que esqueceram o som no volume máximo. Música para despertar (e voltar a dormir só no ano que vem).

De quebra, ainda tem o cover viajante de Planet Caravan (do Black Sabbath), que cairia muito bem em um lual com um pessoalzinho na faixa e algumas substâncias. É o Pantera a serviço dos fãs.


The Great Southern Trendkill, ou "O Grande Assassino Sulista de Modismos", traz o Pantera em sua profissão de fé, ainda com a mesma sonoridade, e já ultrapassando o punk melódico e o finado grunge.

Musicalmente, parece ter saído das sessões do disco anterior, apesar de conter momentos mais introspectivos, como 10's, Suicide Note Pt. 1 e Floods (muito próxima dos climas down do Alice in Chains). A abertura, com a faixa-título, é demolidora, War Nerve tem um inusitado jeitão de hit profissional, e Sandblasted Skin com certeza deve quebrar pescoços ao vivo. Mas a vencedora é a carniceira Suicide Note Pt. 2, muito rápida, muito barulhenta, muito psicótica, e me faz bater tanto a cabeça que quase perco as orelhas.


Vendagens lá em cima, turnês invariavelmente sold out, uma banda tecnicamente no auge, e uma seqüência ininterrupta de um álbum a cada dois anos. Próxima parada: Official Live: 101 Proof, o esperado ao vivo do Pantera, que já chama a atenção pela capa. Trata-se de uma (justa) homenagem ao bom e velho Jack Daniels, disparado o melhor whisky que já chapei (que o Chivas não nos ouça).

O álbum traz as apresentações norte-americanas da Tourkill, compreendendo o período de 96 a 97. O quê dizer dessa apresentação?


Eu já assisti a vários shows da banda ao vivo "mesmo", no canal Much Music, e posso garantir: eles são muito, muito bons. Se, sem a carga de estar gravando um "Ao Vivo", os caras arregaçam daquele jeito, pode crer que em Official Live existe uma quantidade ínfima de overdubs, pois eles realmente tocam muito. Mas que existem overdubs, com certeza existem (levantando o volume da platéia em momentos específicos, calibrando a distorção da guitarra na hora dos solos, limando umas entradinhas erradas aqui e ali... um dia farei um post sobre discos "ao vivo" e contarei como o Rob Halford incluiu em seu disco ao vivo uma música que ele nunca tocou em shows, ou como o Helloween gravou um show com o seu baterista antigo e lançou o disco ao vivo com o baterista do Scorpions no lugar dele... puta parênteses, né não?! Acho que vou terminar o texto nele... nah, tô zuando).

Então, os tempos românticos dos "Ao Vivo" já se foram. Momentos como o Viva!, disco clássico do Camisa de Vênus, ou It’s Alive, o clássico do Ramones fase Richie Ramone, ou então o If You Want Blood You Got It, do AC/DC fase Bon Scott, ou o No Sleep Til' Hammersmith, do Motörhead, ou o Kiss Alive I, do, ahn, Kiss, se perderam no tempo e, embora sejam melhores que 99% do que se faz hoje em matéria de rock, não conseguiram fazer a molecada entender que o bom dos discos ao vivo é a energia pulsante, orgânica e a eletricidade natural, com os erros e tudo. Os erros é que eram bons, porra!

Eu vi ninguém menos que o RUSH errando ao vivo, no Maracanã (na 3ª marcação de Overture - The Temples of Syrinx, devidamente retirada do DVD Rush in Rio, uma pena - mas eles eu perdôo), e sabem de uma coisa? Foi autêntico, humano e maravilhoso...!


Mas voltando ao assunto (viajei), podem ter certeza que Official Live, apesar de sua produção irretocável, é bem mais fiel do que se possa imaginar, pois os caras realmente mandam bem.

Estão lá todos os pontos altos desses discos que citei e apenas uma (grande) falha, que é a não-inclusão do clássico Mouth For War. De resto, tudo safo e você ainda leva duas faixas inéditas de lambuja: Where You Come From, um blue-grass metálico com slide guitar Aerosmithiana e I Can’t Hide, uma colisão à mil por hora entre Iron Maiden e Judas Priest. Pra ouvir entornando um Jack Daniels, sem gelo.


Depois disso, eles estrearam no novo milênio com Reinventing the Steel (2000), assunto pra outra vez. A banda acabou logo em seguida, e seus estilhaços deram origem ao conceituado Damageplan, enquanto o vocalista Phil Anselmo se embrenhou ainda mais em seus projetos paralelos (Down, Superjoint Ritual). Mas a incendiária fase noventista ficou na memória.



Post escrito ao som de Rush (Permanent Waves), Metallica (Ride the Lightning) e Pantera (todos esses). Sim, deu tempo e ainda detonei dezenas de copos de café.

quinta-feira, 12 de agosto de 2004

EU, BJÖRK


Tenho o livro Eu, Robô, de Isaac Asimov, já há algum tempo. É uma seleção de contos muito interessante, e muito básico também. Confesso que não cheguei a ler o livro inteiro, por conta dessa simplicidade. Por outro lado, eu também tenho um exemplar de Fundação, que também não li inteiro por achá-lo bastante complexo. Para não prejudicar a experiência, o encostei e deixei pra ler quando "estiver no clima" (situação que já dura uns 4 anos).

Estou em dívida com o Azí. Não sei se assistir à versão pipoca de Eu, Robô (I, Robot, 2004) irá me redimir em parte, mesmo assim, vambora...

O ano é 2035, e o policial tecnofóbico Del Spooner (Will Smith, ou WiALL STARmith, tanto faz) investiga um assassinato possivelmente cometido por um robô. No processo, ele é auxiliado por Susan Calvin (Bridget Moynahan), uma cética "psicóloga de robôs". Tal crime é tido como improvável, pois contraria as 3 Leis do Robocop:

1 – Um robô jamais poderá sacanear alguém da nossa família, nem deixar que ela seja sacaneada;
2 – Um robô pode fazer o diabo pra satisfazer o seu dono, menos sacanear a nossa família;
3 – Um robô deve sempre tirar o seu da reta, exceto se isso sacanear a nossa família de algum modo ou deixar que alguém a sacaneie.

No caso do Robocop, havia uma 4ª diretiva que sacanearia a nossa família, e em Eu, Robô também existe um fator sacaneante.


Pra início de conversa, o filme leva o crédito de manter uma continuidade bem estável em sua narrativa. Se isso já é difícil de conseguir na adaptação de um livro contendo uma única história, quem dirá fazer o mesmo com um livro contendo várias histórias. A concepção visual é naquela tocada urban dark à Minority Report, incluindo todas as suas improbabilidades (aqueles robôs, naves e carros em 2035? Bota mais uns 300 anos nissaê). No entanto, os vôos súbitos e imprevisíveis da câmera, e o ritmo forte de ação mostram que o egípcio Alex Proyas ainda mantém a sua pegada.

Aliás, sempre gostei desse diretor, tanto pelo fato dele não pertencer ao eixão Hollywood-Londres, quanto pelo seu estilo gothic punk fluente. Os belos O Corvo e Cidade das Sombras, apesar de hollywoodianos, são exemplos bem claros disso (ainda não vi Garage Days, TSC!).

Agora, a Inês é morta com requintes de crueldade: na minha época de moleque, não haviam comerciais em uma sessão de cinema. Uma coisa dessas era totalmente improvável naqueles tempos pré-blockbuster. Hoje, parece que eles se propagaram para a telona em ritmo industrial e, em Eu, Robô, não pararam de aparecer até uns 15 minutos de projeção do filme em si. Era JVC pra cá, AS (já falei a marca) pra lá, até que parei de contar as referências, senão ia acabar ligando para o SAC de algumas daquelas marcas.

O próprio Will Smith é uma propaganda de si mesmo, sendo que as piadas fracas você ganha de brinde. Felizmente, em determinado momento, ele larga a mão de ser chato e segue com a história numa boa. É até engraçado quando lembramos que a única vez que ele não interpretou a si mesmo foi no fraquinho sitcom The Fresh Prince of Bel-Air (que passava no SBT após o Chaves – sou mais o Chaves).


Fora a beleza da atriz Bridget Moynahan, há pouco a se destacar aqui, pois o roteiro segue à risca o padrão americano de filmes de aventura: estão lá o crime, os suspeitos, as cenas de ação em alta velocidade, o herói teimoso, a mocinha incrédula, o chefe-de-polícia-nervosão-e-melhor-amigo-do-herói (até quando, meu Deus?), entregas de distintivos, conspirações e o "Chefão do Mal" comandando tudo por trás das cortinas. Ou seja, estamos falando de "matinê" aqui. Isso explica a quantidade de guris big-mac que infestavam a sessão.

Eu, Robô trafega insipidamente por um tema que já rendeu vários momentos memoráveis nas telas. Coisinhas como Metropolis, 2001 - Uma Odisséia no Espaço, Westworld - Onde Ninguém Tem Alma, A Geração Proteus, Blade Runner, Runaway - Fora de Controle, O Exterminador do Futuro, Ghost In The Shell, o 1º Matrix e A.I., foram bem mais fundo na questão do que Eu, Robô. O único detalhe é que ser superficial é justamente a proposta do filme – o que cumpre em uns 8 pontos numa escala de 10. Removendo o meu chip de compreensão, tome lá uns 6 pontos.


A propósito, essas imagens são do clip da música All Is Full Of Love, da cantora islandesa Björk, dirigido pela fera Chris Cunningham. Foi a primeira vez na vida que prestei atenção em um clip, pois ele de fato é belíssimo (assim como todos os outros da cantora). E também entrega que o design dos autômatos de Eu, Robô foi chupado (ou downloadeado) desse vídeo, que é de 1998.

Agora dá licença, que esse papo de robô me deu vontade de jogar MechWarrior...

terça-feira, 10 de agosto de 2004

OS VIZINHOS DA FAMÍLIA SAWYER


Burburinho leigo nas locadoras: "Nossa, já assistiram Pânico na Floresta? Muito sinistro...! Podem alugar à vontade. Terror puro!" Claro que eu não caí nessa. Perto de mim, São Tomé acredita em gnomos. Ainda mais quando se refere ao gênero terror. De qualquer forma, fui nessa (curiosidade mórbida?) e, olhem só que surpresa, o filme é mesmo uma porcaria, tal qual eu havia imaginado. Mas o que o habilita a gastar o meu tempo nestas mal traçadas linhas?

Pânico na Floresta (Wrong Turn, 2003) é ótimo pelo que ele poderia ter sido, e não pelo que ele é de fato. Pra começar, todos os seus 84 minutos foram mimeografados do celulóide de O Massacre da Serra Elétrica. Tudo ali remete diretamente ao clássico de Tobe Hooper: os jovens saudáveis fisicamente (mas não mentalmente - se embrenhar no meio de uma floresta no meio do nada, sem mapa, sem guia, sem porra nenhuma? Que conceito acéfalo de diversão é esse?), o posto de gasolina de beira de estrada pra lá de suspeito (com velhinho esquisito e tudo), o barracão aonde mora uma família de canibais monstruosos, o quintalzão que mais parece um ferro-velho abandonado... enfim. O mais apropriado seria mudar o nome para Pânico na Floresta: A Tribute to The Texas Chainsaw Massacre.


Posto isso, o jeito foi assistir ao filme caçando inovações em cima do argumento já conhecido, o que é muito mais legal de se fazer. Dá pra sacar que o diretor novato Rob Schmidt (parente do Lobo?) quis prestar uma homenagem, mas ainda tem de ralar muito pra conseguir ao menos isso. Ele não se decidiu entre o aguado suspense teen e o açougue dos snuff-movies. Deveria ter abraçado a segunda opção, pois quando o (pouco) sangue dá as caras, é em grande estilo: ao menos duas cenas de esquartejamento na casa da família-monstro me deram água na boca, mesmo eu não sendo canibal. :P

Esse filme também traz uma das machadadas na cara mais legais que já assisti. Aliás, a cena é até essa aí embaixo.


Os assassinos canibais são até interessantes, apesar da mistureba improvável: ali tem 40% do Leatherface, 30% do Jason, 20% do Predador e 10% dos Orcs de O Senhor dos Anéis (um deles é a cara do Gollum). Tudo isso, e ainda dirigindo o caminhão daquele monstro voador do filme Olhos Famintos. Só não reparei se eles tinham garras estilo Freddy Krueger.

E a trilha sonora é bem legal, cheia de rockões inspirados. Rola inclusive If Only, do Queens of The Stone Age.


Pena que tudo cai por terra quando o clima teenager entra de sola. Uma cena sintomática é quando a mocinha Jessie (Eliza Dushku) começa a se lamentar com o mocinho Chris (Desmond Harrington) que o namorado lhe chutou o traseiro via secretária eletrônica. Puta que los pario. Eles estão exaustos, feridos, desesperados, fugindo de monstros antropófagos e a maldita se queixa DISSO?

Mas a maior falha de Pânico na Floresta é a mesma que assola 95% dos filmes de terror/suspense atuais: um roteiro datado ao extremo, que te faz deduzir (e acertar) quem vai morrer, como, e em qual ordem, antes mesmo que você chegue em casa com o filme na sacola.

Apesar da ruindade latente, o início, com a reedição integral de Massacre, e as boas cenas isoladas que citei, fazem Pânico da Floresta dar pequenos saltos para a superfície do mar de lama em que se encontra. Além de ser um razoável aquecimento para o remake de O Massacre da Serra Elétrica, que estréia finalmente nesta semana, numa inacreditável sexta-feira 13 (será que o Jason vai estar lá?), e o motivo real por eu estar perdendo o meu tempo nesta tentativa de análise.


Alugar Pânico...? Alugue, mas na locadora mais furreca. Aquela de R$ 1,20. E convide uma amiga bobinha, só pra ela tomar susto toda hora e ficar pulando no seu colo.


dogg, ao som de Child in Time, do Deep Purple, e se perguntando porque o Ritchie Blackmore é tão cabeça-dura... Que solo de guitarra é esse, mermão!!

sábado, 7 de agosto de 2004

JOÃO MINEIRO E MARCIANO




Parece que é consenso geral que World's Finest, o novo filme do Sandy Collora, promete. Principalmente depois daquele ótimo preview. É impressionante a capacidade que Collora tem de não ferrar com a mitologia de um super-herói. Batman Dead End já é clássico (só não sei bem em qual área... dos fan-films?), e pelas seqüências do teaser de WF, parece que outro filmão de fã está a caminho.

Todos estão empolgados. Eu estou, meu cachorro está, todo mundo da minha rua está. Nesse exato momento, Sandy Collora ganha qualquer eleição. Sugiro que cada fã compre 1 cota de ações da Time Warner, e transfira para um laranja qualquer – digamos a empresa "Fuck You Halle Inc". Aí, é só reprivatizar aquela joça e contratar o Collora pra dirigir e produzir todos os filmes baseados em personagens da DC Comics. Só assim eu apostaria na qualidade de um filme da Liga da Justiça, por exemplo.

Nas HQs, o Super e o Morcego têm um histórico de longa data. Na chamada "Era de Ouro", qualquer aventura reunindo os dois tinha uma concepção bem diferente. Eles eram grandes chapas. Tanto um quanto o outro era um exemplo a ser seguido, um modelo para toda família. Nos dias de hoje, Clark combina mais do que nunca com a bandeira e o totalitarismo norte-americanos, e Bruce é a encarnação do pior que uma pessoa tem a oferecer. Os dois têm ideais que são verdadeiras antíteses entre si. Mas o mais interessante é que eles não são inimigos diretos (o que seria muito mais fácil de se lidar), porque ambos compartilham do mesmo objetivo.


De um ponto de vista mais técnico, o encontro desses dois personagens também gera paradoxos interessantes. Uma produção com o Bruce evitaria um estouro no orçamento apenas com certos cuidados no tratamento: visual estiloso, atmosfera dark e um protagonista cool e sombrio. Com essas características, já é meio caminho andado para algo legal ("meio", pois Silêncio teve tudo isso nas HQs, e ainda assim esqueceram da história).

Obviamente, qualquer produção que traga o Clark no elenco, já complicaria as coisas. Primeiro: o cara tem de voar. A melhor e mais barata solução encontrada por aí (em Lois & Clark e, ao que parece, em WF também) é o imprescindível auxílio da grua. Portanto, preparem-se para mais uma dúzia de cenas focando o Clark voando apenas da cintura pra cima. Segundo: temos de vê-lo usando a superforça e disparando uns raiozinhos de calor. O teaser de WF já dá uma palhinha do Super levantando um carro e, digamos, ficou muito satisfatório. Muito mesmo. Quanto à "visão quente", se alguém tiver o telefone do Collora, avisem-no que, dependendo da freqüência, um feixe laser não é visível. É só providenciar uma lente de contato vermelha pro Clark que já entenderemos o recado.


Agora, pra mim, a maior prova de que a classe executiva de Hollywood complica o que deveria ser muito, muito simples: a escolha dos atores. E não venha me dizer que existe a questão mercadológica ou baboseiras do tipo. Hugh Jackman, antes de X-Men, era mais desconhecido que eu, e hoje deve ter até selo com a fuça dele estampada.

Se o filme for realmente BOM (lembra disso?®), ele decola. E, nesse caso, as escolhas foram muito felizes. Os dois juntos reproduzem à perfeição o mesmo embate que têm nos quadrinhos.


Clark (...!) Bartram já provou que é o Batman. E o Batman do Jim Lee, ainda por cima. Sinistro, mal-humorado, sisudo, monocórdico e com uma cara de quem acabou de comer jiló. Ele aparece aqui, pela primeira vez, sem a máscara. Parece ator de filme de ação "Z" (tipo Frank Zagarino, Gary Daniels, Matthias Hues... por aí vai).
Pouco se pode falar da atuação, já que, por enquanto, o material é escasso. Mas ele ficou muito bem na cena em que Bruce estava passando o rodo em duas comportadas senhoritas. Ele também não olhou para a câmera nenhuma vez (ao contrário de muito ator famoso por aí...). Pô, até o Batman, de dia e com sol quente, ficou legal!


Já o Mike O'Hearn no papel do Clark (o Kent) é um achado. Além da cara de líder internacional dos escoteiros, do físico de halterofilista, ele ainda conseguiu a proeza de não ficar ridículo no uniforme do Super. E outra: é o Clark mais fiel às HQs em todos esses anos de adaptação televisiva e cinematográfica.

Calma lá, pode fechar o Outlook, deixa eu terminar. O título de melhor Clark, no entanto, continua com Christopher Reeve, intocável. Seu ar de confiança inabalável e o forte sentimento de solidariedade continuam insuperáveis, pois ali houve uma transcendência do próprio conceito original da HQ. Pegou a coisa e melhorou, saca.

E pra fazer justiça (hehe), O'Hearn caracterizado lembra muito o Super do Ivan Reis. Uma cena ótima: quando Clark se despede de Lois (muito gostosa por sinal), deu a impressão de que ele ia mesmo se jogar daquele prédio. Já vi até as manchetes: "Ator se suicida incorporado pelo personagem"...


Os demais também ficaram muito bons. Lois Lane está deliciosa (não fica nada a dever para a Mulher-Gato do Grayson), e tem um jeitinho de sarcástica, ambiciosa e muito da safadinha também (ela deu uma secada violenta em Bruce).

Lex Luthor é outro que ficou muito bem caracterizado. O ator exala maldade pura no papel. Parece uma mistura do jovem Luthor de Smallville (ultra-perspicaz e ultra-ultra-capitalista) com o Luthor de Lois & Clark (pelo jeitão de playboy bilionário à Larry Ellison). E ainda resgataram a armadura verde do cara.

Já o Harvey Dent parece que sofreu uma abordagem mais realista. A queimadura em seu rosto ficou anos-luz daquela máscara esdrúxula das HQs. Os trejeitos doentios permanecem intactos, e em nada lembram o exagero cartunesco de Tommy Lee Jones, em Batman Eternamente.


No geral, a provável excelência de World's Finest (ó eu já falando que é excelente) parece ter mais à ver com o que não foi cortado e/ou adaptado do que o contrário. O respeito às fontes que Collora deixa transparecer é louvável, e prova que uma história em quadrinhos pode sim, ser transposta para a linguagem cinematográfica de forma integral e sem maiores traumas.

Além do mais, Hollywood já produziu muita porcaria com narrativas mais difíceis de engolir do que a lógica de uma HQ.


dogg, ao som da fase poser do Pantera (já ouviram o Power Metal? Querem rolar de rir?) e exibindo um timing invejável com esse post.



Anexo 21-08-2008

Olá doggma do passado. Aqui é o doggma do futuro. Cara, era tudo de mentirinha. Fake trailer. Nem queira ver o que fizeram oficialmente depois.

Hoje as coisas estão mais interativas e práticas. Inventaram um negócio chamado "embed" que... ah, vê aí.





Maneiro, né.

Ps: e quanto ao Batman, fique tranquilo. Excelentes notícias!

quarta-feira, 4 de agosto de 2004

"QUANTOS ACORDES TEM O RIFF DE 'PARANOID'? ALGUÉM...?"


Assistir a performance de Jack Black em qualquer filme é estar no meio de um furacão. O cara é over all time. Foi assim em Alta Fidelidade, em O Amor é Cego e, mais recentemente, em Escola de Rock (2003). Esse último, ao contrário dos outros, deixa a fera solta e bem à vontade - ali a história gira 100% ao seu redor. Portanto, se você não vai muito com o cornos do sujeito, passe longe.

Escola de Rock é extremamente recomendável se você: 1) Curte o método Tazmania de atuação do JB; 2) Curte filmes sobre música, sem serem necessariamente "musicais"; 3) Curte ROCK'N'ROLL até o último quark do seu ser; 4) Conhece ROCK'N'ROLL o suficiente pra saber, por exemplo, quem foi o melhor vocalista da história do Black Sabbath. Se você não se enquadra em nenhum desses pontos, favor pressionar as teclas Ctrl+W, simultaneamente. Se você concorda com apenas alguns desses pontos, alugue o filme. Em caso de total concordância, desliga essa porra de computador e vai logo assistir!


Escola de Rock é uma festa para conhecedores de rock'n'roll old school. São zilhares de citações, piadas "internas" e uma seleção musical irrepreensível em pouco mais de uma hora e meia de filme. Jack Black é Dewey Finn, um rockeiro idealista e fracassado que, pra engordar o orçamento, finge ser um professor substituto de pré-escola. Ao mesmo tempo, ele tenta entrar em um concurso de bandas. O problema é que ele foi chutado do seu grupo (os caras eram uns posers). A "solução" aparece quando ele vê os guris tocando música clássica na escola. Aí é um passo pra ele montar uma banda nova (literalmente) e enfiar muito rock'n'roll na cabeçinha inocente dos anjinhos.

O roteiro é uma bobagem só, com direito ao "grande duelo final de bandas", mas os guris são umas figuraças (e tocam de verdade!) e JB está mais insano do que nunca. Chega a ser até meio frustante não estar lá em cena também, só pra argumentar com o Jack. Quando ele grita "Motörhead!", dá vontade de você retrucar "Ramones!". Quando ele grita "Led Zeppelin!", você retruca "Black Sabbath!". Ele, "Jimi Hendrix!", você, "Neil Young!". "AC/DC!", "Deep Purple!". E por aí vai... Aliás, falando em Purple, a seqüência do "vamos-aprender-o-riff-de-Smoke-On-The-Water" é antológica (e didática!).

E outras: JB passando o "dever de casa" (dá-lhe CDs de Hendrix, Floyd, Wakeman, Rush, etc.), a cover de Highway To Hell (AC/DC), dicas de matéria ("nada de composições secretas, hein!") e um clip estilo "Melhores Momentos do Rock", ao som de My Brain is Hanging Upside Down (Bonzo Goes to Bitburg), do Ramones (sensacional!).


Quanto à notória performance extra-plus de JB, aqui tem razão de ser: ele imita à perfeição todas as convenções intituídas pelo rock'n'roll ao longo de 50 anos de História - poses olímpicas, stage-dive, moshing, vôos no palco com aterrisagem de joelhos, falsetes e pura gritaria psicótica. Logo lembramos "aonde vimos aquilo antes" (Angus Young, Robert Plant, Ozzy Osbourne, David Coverdale, Steven Tyler, Ted Nugent, Klaus Meine, Ian Gillian, Bon Scott, David Lee Roth, Bruce Dickinson, Gene Simmons, Dee Snider, eR'n'Rtc).

E o DVD ainda traz um ótimo material extra, tão divertido quanto o próprio filme. Contém inclusive o comentado vídeo aonde JB implora aos remanescentes do Led Zep que liberem o clássico Immigrant Song para rolar no filme. Hilário, pra dizer o mínimo.

Escola de Rock é daqueles filmes para se assistir com o cérebro configurado em modo slow. Aconselho uma mega sessão com a turma reunida, muita pipoca, mais os filmes Airheads, This is Spinal Tap, The Doors e Quase Famosos. E aquela cervejada, é claaaro... :P


BRUCE WAYNE E A PEDRA FILOSOFAL

Eu levo fé em Batman Begins. Não, é sério, eu levo fé de verdade. Vou até fazer uma confissão: Bruce nunca foi o meu herói favorito. Brincadeira, ele é sim... Pelo menos, um dos 5 que eu mais gosto. Eu me considero um sujeito bem sensato e racional. Sei reconhecer, por exemplo, quando uma banda que eu gosto faz um álbum terrível, quando um ator ou atriz que admiro atuam pessimamente, e por aí vai. Então, que fique acertado desde já: se no dia 17 de junho de 2005 eu sair decepcionado do cinema, destroçarei esse filme em Rede Mundial (nunca foi tão fácil prometer isso...).

Revendo o teaser esses dias, reparei bem na trilha de fundo, na baixa entonação de voz de Christian Bale e nos ângulos privilegiados pela câmera (notadamente na parte do retiro de Bruce), e notei um sentimento isolado entranhado naqueles frames. Acabei reconhecendo uma certa "linha de concepção" do que pretende ser feito no filme.

Bruce foi muito longe para conseguir algo que era impossível onde ele estava, que é encontrar a si mesmo. O que é óbvio, já que no final ele próprio explicita isso. Mas a informação que está subentendida ali é que tanto o percurso físico quanto o espiritual estão intimamente ligados. E é um caminho com sentimentos tão tortuosos e desoladores quanto o terreno que Bruce está pisando naquele ambiente inóspito. "Encontrar a si mesmo", talvez não seja assim tão simples, e a trilha percorrida até lá merece ser contada. Principalmente quando tais eventos levam uma pessoa a abraçar as trevas e a encarar a morte todos os dias, mesmo sem nenhum resquício de esperança. Pior, imerso em uma busca eterna de redenção impossível, que só encontra paralelo em sua incapacidade de aceitar que a vida pode ser injusta.

Essa é apenas uma pequena parte da intrincada psique de Bruce. Há motivações e noções "do que é certo" que apenas ele se dá o direito de saber. A última vez que vi isso foi em uma série que o Frank Miller roteirizou e desenhou. E agora, me deparo novamente com o mesmo sentimento. E estava lá no teaser, juro por Deus.


E falando em Bruce, foi uma ótima surpresa finalmente ver o Batmóvel dando sinal de vida. Para mim, a questão "batmóvel" é claramente não-argumentativa. De um lado, tem o pessoal que prefere o velho Cadillac com capô quilométrico e asinhas de morcego no lugar do aerofólio. De outro – ó eu lá! – tem o pessoal que acha que um pouco de inovação é muito bem-vinda e que um bat-tanque DK style vem bem a calhar numa aventura com pretensões realísticas.

E olha que eu sempre gostei do batmóvel clássico. Sempre quis ter o carrinho de ferro dele e do Aston fuckin’ Martin (do 007). Fiquei só na vontade, claro (soldados de guerra civil brasileira não têm privilégios)...


Mas vamos enxergar assim: são os primeiros anos de Bruce com o morcego estampado no peito. Ele tem de se cercar de armamento pesado e tem condições para fazer isso (trad.: tem grana o suficiente).

Portanto, é muito natural que seja assim, afinal, ele não é nenhum Clark. Pra sair na noite barra-pesada de Gotham e puxar briga com um exército de Zés-Pequenos armados até os dentes, tem de ser dessa forma. Pelo menos, até ele atingir um certo nível de confiança quanto às suas habilidades.


Essas imagens foram gravadas por algum funcionário gente-boa e sem-ética da equipe de produção. Quer saber? Gostei da parada². Devido às suas dimensões, eu tinha receio que ele fosse lerdo como uma retro-escavadeira, mas, felizmente, me enganei. A filmagem revela o batmóvel arrancando, fazendo manobras e até arriscando um cavalo-de-pau.

Mas o que eu gostei mesmo foi do roncão de T.Rex gripado do motor. Um rapaz que estava perto da câmera até exclamou: "Wow!" (e eu, em uníssono).

Conclusão: já quero o carrinho de ferro do novo batmóvel.

Batmóvel veloz e furioso
Site oficial

sábado, 31 de julho de 2004

HELLB...





hã... HELLBOY


Aos poucos os super-heróis patrocinados pelo coisa-ruim estão saindo do inferno. Desde o filme do Spawn, no longínqüo 1997, que não vem uma única alma boa do reino das trevas pra salvar os indefesos traseiros humanos (excetuando o Ozzy, no final do Little Nick). No momento, estou em stand-by from hell, aguardando notícias do enrolado filme do Motoqueiro Fantasma (Nicolas Cage deve rezar todo dia pra ver se sai). E me parece que já houveram conversações à respeito de um longa com o Etrigan também. Tenho certeza de que um dia algum executivo de Hollywood (da New Line ou da Lions Gate, de preferência) ainda terá a grande idéia de adaptar Lúcifer - Estrela da Manhã, do Gaiman. O inferno será pop, se Deus quiser. E não esperem muito de Constantine. Tenho quase certeza que aquilo não vai vingar.

Mas por hora, curvem-se, súditos das profundezas... a malevolência quadrinhística a serviço de Hollywood ganhou um novo fôlego: Hellboy finalmente chegou à terra do Carnaval. E boas notícias: o filme é ótimo! Aêêê...!


Não é pra menos... O diretor Guillermo Del Toro é gente que nem a gente. Ele é fanático por HQs, Cinema (com ênfase no gênero Horror), enfim... é o meu melhor amigo dos que eu não conheço. E ele empreendeu uma verdadeira cruzada pra realizar esse filme, principalmente para manter o grande Ron Perlman no papel principal ("eles" queriam Vin "Riddick" Diesel) - para maiores detalhes, confira a ótima entrevista publicada no Omelete, o templo do timing.

Outro fator que somou vários pontos na qualidade da produção foi o respeito de Del Toro com o material original. Sabiamente, ele manteve o pai do personagem, Mike Mignola, perto da equipe criativa do filme. Em geral, diretores de adaptações não estabelecem conexão alguma com os criadores, o que é uma lástima.

Acho que numa altura dessas, todo mundo já conhece o background de Hellboy. Eu mesmo, já escrevi sobre isso várias vezes aqui e antes daqui também. Campanha de conscientização, saca.


Essa cena original da HQ também comparece no filme, intacta


Ainda sem o tratamento digital... o resultado ficou maravilhoso

"Gente... olha... o Hellboy é demais, é o que há. Sabem o Grigori Rasputin? É, aquele monge russo doido que fez a cabeça e a esposa do czar Nicolau II...? Então... na verdade ele não morreu em 1916... no fim da 2ª Guerra, ele, Dr. Karl Ruprect Kroenen e Ilsa Haupstein, tentaram abrir um portal para o inferno, a serviço do Fürher... mas foram impedidos por um destacamento Aliado e pelo dr. Trevor Bruttenholm, especialista em paranormalidade... durante a batalha houve uma enorme explosão e, em meio aos destroços, lá estava ele... Hellboy... um guri vermelho com uma enorme manopla de pedra no lugar da mão direita..."

Foi mais ou menos isso. Lembro que, na época, coloquei umas imagens cool e uns providenciais scans também. Inclusive tinha um todo azulado do então exaurido scanner do Eudes, ex-OutZ (aliás, fico me perguntando como é que ele respirava naquela época. Eram mais de mil HQs publicadas todos os dias... nem a FedEx trabalhou tanto).

Voltando ao filme, fica evidente o conhecimento que Del Toro tem sobre o universo do Hellboy e o feliz resultado de sua interação com Mignola. Por exemplo: para saber exatamente como são os 15 minutos iniciais do filme, é só conferir o começo da história Sementes da Destruição, roteirizada por John Byrne e publicada no Brasil pela Mythos. Até a lapidar sentença de Rasputin está lá: "Eu prometi um milagre a Hitler, e a promessa foi cumprida". Pô, ouvir isso live-action é uma maravilha. Dá vontade de gritar pra todo mundo da sala que você já leu isso há muito tempo.


Algumas das poucas alterações foram muito bem-vindas. Liz Sherman (a gatinha deprê Selma Blair), não tem aquele sex-appeal todo na HQ. Aliás, nos quadrinhos, ela é até bem feinha, não sei se de nascença ou se por causa do traço "caixotão" do Mignola (com todo respeito). E quando ela usa seus poderes pirocinéticos (criação e controle do fogo), é impossível não lembrar da Fênix Negra. Fico só imaginando as possibilidades visuais que X-Men 3 terá com essa personagem.

Já o veteranaço John Hurt exibiu um notável desempenho no papel do dr. Bruttenholm. Ele ficou igualzinho à HQ, é incrível. Mais incrível ainda foi a atuação de Kevin Trainor, na juventude do mesmo. As inflexões vocais e os tiques faciais dos dois estão totalmente sincronizados, e o resultado ficou perfeito.

Eu tinha algumas reservas em relação ao personagem John Myers (Rupert Evans), que não existe na cronologia das HQs. Mas ele não atrapalha, muito pelo contrário. Ele funciona como um contraponto sensato ao sempre insubordinado, sarcástico, agressivo e gente-fina Hellboy.


Talvez o Kroenen - vilão bacana por excelência - poderia falar uma ou duas palavras, como nas HQs, pois aqui ele entra mudo e sai calado. Contudo, sua habilidade com armas afiadas já faz valer o ingresso, assim como o momento em que a sua carinha linda é revelada.

A história em si, não tem nada demais. Fora a origem do Hellboy, é o tradicional "heróis tentando impedir que os vilões destruam o mundo". Mas sem nada que lembre aquela responsa incômoda que mutantes e adolescentes aranhudos têm de levar nas costas em suas incursões cinematográficas. Tudo aqui funciona tão harmoniosamente, tão fluído e despretensioso, que lembra até aquela época em que você ainda se impressionava com um filme de ficção/aventura.

Outra coisa: a trilha de abertura é muito show. Se eu não me engano, é do Marco Beltrami. Baixará-la-ei (sic?).


Agora, o trabalho de maquiagem foi realmente impecável. Hellboy tem uma das cabeças maquiadas mais legais do Cinema, ao lado do Escuridão (personagem tenebroso interpretado por Tim Curry no filme A Lenda, de 1985) e do hors concours Predador (Van Damme, durante uns 10 segundos, e depois Kevin Peter Hall).

Sem falar no trampo inacreditável que fizeram no Abe Sapien, mil vezes superior ao original. Foi um personagem que rendeu trabalho pra dois atores: Doug Jones na batera e David Hyde Pierce nos vocais. Um trabalho explêndido, que enche os olhos, e me faz pensar se eu não deveria ter prosseguido com a carreira de maquiador (brincadeira...).

E antes que alguém reclame que colocaram muito enchimento no peitoral do Hellboy, fique sabendo que aquele é o corpo do Ron Perlman de verdade. Só pintaram de vermelho. Quando eu chegar aos meus 54, vou comparar e tomar vergonha na cara.

Que venha Hellboy 2!

E Hellboy 3, 4, 5, 6... um por ano tá bom.