quinta-feira, 25 de novembro de 2004

Antes de dissecar o novo do Helmet, uma citação à um post que li no .:Weapon X:., do compadre .:Logan:. (fala, sumido!). Particularmente, não faço uso do copy/paste, mas essa merece. Ladies and gentlemen... mr. Eddie Vedder:

"Li um artigo de um músico que respeito, o Alice Cooper, em que ele fala que os músicos realmente precisam se manter à parte das discussões políticas. Segundo ele, isto é uma idiotice. Quando ele era criança e seus pais começavam a falar de política, ele corria para o quarto e colocava Rolling Stones no volume mais alto que podia. Eu concordo com o Alice. Não creio que algum de nós quisesse estar fazendo isso tudo... Mas o meu problema é que o volume do meu som não aumenta o suficiente para abafar o som das bombas que caem no Oriente Médio!"

Cara... depois dessa, Eddie é meu bróder.

O TAMANHO DO BARULHO


Page Hamilton, estourando tímpanos ao vivo

Quando apareceu em 1992, com o estouradaço Meantime, o Helmet foi chamado de muita coisa: "reinventores do rock", "o próximo Nirvana", "a banda mais pesada do mundo", "o futuro do death metal", etc. Claro, boa parte disso é viagem de publicitário doido pra faturar algum em cima do hype, mas alguma coisa é verdade, mesmo que relativa.

Com um inovador mix de metal, jazz, noise, experimentalismo e vocais que passeavam da leveza melódica ao urro tipicamente hardcore, o grupo nova-iorquino foi o primeiro de uma geração inteira de bandas de rock. Tudo o que se ouve por aí hoje passa pelo que o Helmet já fez antes. O grunge, o stoner e até o decadente nu-metal. As características mais evidentes eram os riffs estilo "pára-e-começa" (no qual o também new yorker Prong foi precursor), o andamento quebradão das músicas, fraseados jazzísticos e afinação baixa.

Mal comparando, era como se o Black Sabbath fase Ozzy Osbourne tivesse surgido na década de 90. A banda tinha um talento nato para esculpir músicas certeiras, movidas a riffs minimalistas e matadores. São dessa época pauladas como Sinatra, Ironhead, a maravilhosa Give It, o clássico noventista Unsung, a memorável Just Another Victim (parceria com os rappers do House of Pain), Wilma's Rainbow, Milquetoast, Birth Defect... a lista de sonzeiras marcantes não tem fim - mesmo que a crítica dita "especializada" não tenha a mesma opinião.

Após uma reclusão de 7 longos anos, a banda retorna com o aguardado Size Matters (Interscope/2004). Aliás, "banda" em termos, visto que o único remanescente original é o guitarrista e vocalista Page Hamilton. Egresso da cena experimental underground nova-iorquina (já tocou na Band of Susans e na orquestra de guitarras de Glenn Branca), Hamilton sempre exibiu virtuosismo por baixo das toneladas de distorção. Ele, declaradamente, é a mente e o coração do Helmet, contrariando os saudosistas da excelente formação original. Além de Hamilton, seguem o guitarrista Chris Taynor (do Bush, lembra dele?), o baterista John Tempesta (Testament, Rob Zombie e Exodus, um arroz-de-festa metálico) e o baixista Frank Bello (aquele mesmo do Anthrax).

Agora o disco. Size Matters tem um mundo nas costas pra carregar, e o cumpre em boa parte. Mesmo longe de ser o melhor do Helmet (título que pertence ao Betty, de 94), SM é imensamente superior aos paddawans do rock atual. Estão lá o peso irreprimível, a intensidade e o ritmo psicopático que nos acostumamos a esperar da banda. Sinal que Hamilton realmente era o testa-de-ferro. Colecionando pencas de críticas ruins por aí, o álbum só surpreende pela mudança da entonação vocal. Os vocais de Hamilton não trazem mais aquela calma aterradora atrás de uma parede de guitarras saturadas, o que é uma pena. Ele está bem mais melódico, tentando acertar o tal "refrão definitivo" - coisa que ele fazia sem nem ao menos tentar.

Daí saem momentos apenas razoáveis, como See You Dead, Drug Lord, Enemies e Surgery. São boas canções, mas muito aquém do padrão estabelecido pela banda. Por outro lado, a velha energia do Helmet transborda nas outras faixas: a excelente abertura, com Smart (uma pedrada!), Crashing Foreign Cars, Unwound (essa sim, um belo exercício de harmonia), a revoltada Everybody Loves You, a desalinhada Speak and Spell, a cadenciada Throwing Punches e o fechamento chutadão com Last Breath (minha preferida).

Um bom disco, mas que fica bonzão, se você levar em conta que é o primeiro deles após quase 10 anos. "Ô dogg, dá a nota logo aê pô." Ok: 8/10.

Site oficial

Curiosidades (BZ também tem seção "Contigo" agora!): Page Hamilton namora com Winona Ryder, tradicional maria-cabelo (apesar dele ser careca) e eterna pé-frio de ex-rockeiros consagrados; A banda Soulfly (do Max Cavalera) gravou um cover para In The Meantime, e o Deftones regravou Sinatra; Al Jourgensen, líder do Ministry, já fez um remix para o hino Unsung; O Helmet já fez uma versão para o tema do clássico desenho Gigantor, que saiu no álbum Saturday Morning, só com bandas coverizando temas de desenhos animados.

Bandas contemporâneas relacionadas em sonoridade: Prong, Therapy?, Ministry e Sepultura fase Chaos AD.

Discografia: Strap it On (1990), Meantime (1992), Betty (1994), Born Annoying (1995, coletânea de lados B), Aftertaste (1996), Size Matters (2004).



COM MUITO ORGULHO, COM MUITO AMOR


Pô, nem sei como comunicar isso sem ficar parecendo uma auto-promoção descarada. Mas vou me auto-promover descaradamente assim mesmo: texto escrito por este que vos escreve, no portal dos Melhores do Mundo. Lá eu explico porque o Clark nunca fez um ménage-à-trois com Lois e Lana. É só clicar nessa simpática caveirinha logo abaixo.


Ps.: Essa caveira não tem absolutamente nada a ver com o texto, mas como eu sempre quis publicá-la aqui... Pretexto bem chinfrim, eu sei. :P

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