quinta-feira, 10 de setembro de 2009

DISTRITO BLOMKAMP


2009 ainda não acabou, mas já é de Distrito 9. É violento, gore, divertido, impactante, dramático, consciente e tão desgraçadamente humano que não tem como superar - pelo menos no que diz respeito ao campo do sci-fi. Um filmaço. E sem diretor ou atores famosos. Particularmente, nunca tinha ouvido falar de Neill Blomkamp. Este cineasta sul-africano já pode ser considerado a melhor surpresa do gênero nos últimos sessenta e cinco milhões de anos.

Vale a pena conferir no YouTube não só os excelentes virais do filme (coisa rara no formato), como também os quatro curtas anteriores do diretor. O primeiro deles, Alive in Joburg, de 2005, já trazia vários conceitos de Distrito 9.

Logo abaixo:



O filme estreia no final de outubro. Até lá, novas reassistidas pra ajudar a assimilar a porrada.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

ULTIMATES ASSEMBLE!


Logo no início de Ultimate Comics Avengers #1, um estarrecido Nick Fury resume o sentimento dos leitores (em geral) após Ultimates 3 e Ultimatum - ambas escritas, ou melhor... excretadas por Jeph Loeb e seus desenhistas sem-mente de estimação. Mais que isso, a cena ilustra o espanto do próprio roteirista Mark Millar frente ao caos instaurado em sua cria mais notória. É a velha e boa ironia escocesa de volta ao batente Ultimate - e pra quem sabe ler, um %@#& é letra. Ainda olhando para um Triskelion em reconstrução, Millar-Fury emenda: "eu sumo por dez minutos e o lugar inteiro vai pro inferno". Pode crer que ele não estava se referindo só ao QG dos Supremos.

Após aquela fatídica primeira edição de Supremos 3 eu achei sinceramente que Joe Quesada estava de sacanagem. Que aquela escalaçãozinha Loeb/Madureira rebuscando toda a tralha noventista da era Image foi mais um plano sórdido do rotundo editor. Autosabotagem declarada para, talvez, enxugar a linha Ultimate, mantendo só o baratinho e rentável Homem-Aranha teen - com entregas sempre no prazo e um comercialmente saudável público unissex. Conspiração demais? Pode até ser, mas nada explica essa line-up sucedendo uma das duplas mais sensacionais dos quadrinhos da última década. E mais uma vez, Quesada e sua gangue fizeram muito bem aos cofres da Marvel e muito mal pro bolso do leitor.

É um baita administrador, vamos combinar. Pode não ser o cara que controla o abre e fecha da carteira, mas é quem a enche. Não fosse ele, a Marvel, se ainda existisse, seria propriedade da Wal-Mart ao invés da Disney. Vi-va.

Mas antes de tecer previsões apocalípticas sobre como a casa do Mickey irá descaracterizar o Universo Marvel ao longo dos anos que virão, vou tentando entender como Millar vai restaurar sua fabulosa sátira ao american way. Porque tá difícil. Mas essa primeira (e curtíssima) edição já traz algumas pistas.


O plot básico é aquele novelão cheio de cliffhangers pontiagudos que Millar fez tão bem nos dois primeiros volumes dos Supremos. Começa com Fury sendo cicceroneado pelo Gavião Arqueiro de volta ao Triskelion ("quase 75% operacional"), não para reassumir seu velho posto, mas para resolver uma antiga merda envolvendo o Capitão América, agora um renegado. Corta para um dia antes. Cap e Gavião estão em perseguição aérea a uma unidade de assalto da I.M.A. (Ideias Mecânicas Avançadas - até onde sei, em seu debut no universo Ultimate). O ato termina com Cap confrontando seu mais clássico inimigo, o Caveira Vermelha, e também com uma revelação-bomba daquelas de fazer o chão desaparecer. Existem novelas na Escócia?

Coube ao artista Carlos Pacheco a difícil missão de substituir Bryan Hitch e dar vazão às epifanias cinematográficas de Millar. Pacheco sempre foi competente, mas vive hoje seu melhor momento, de longe. Da grandiosa capa e do Triskelion de tirar o fôlego na primeira página à sequência de ação desenfreada da metade pro final, o cara foi arrasador. Existe alguma emulação da linguagem visual de Hitch aqui, mas usada como uma ferramenta para deslanchar sua própria dinâmica. Os melhores momentos, claro, são os que trazem recursos mais hollywoodianos (pular com uma moto de um edifício em direção a um helicóptero e uma queda livre sem paraquedas nunca soam cansativos), neste ponto lembrando um pouco a antológica "edição Matrix" do volume um (Ultimates #8).

O texto nem um pouco sutil de Millar traz de volta aquele coice anárquico dos personagens e seu eterno sarcasmo em relação à malaquice republicana dos EUA. Como não podia deixar de ser, o astro principal é o Cap, com as conhecidas frases de efeito reafirmando suas convicções de macho-man militarista ("que tipo de garota é detida por uma bomba?" - adivinhe a autoria e ganhe uma bandeirinha do exército confederado) e seu modus operandi discutível no combate ao terror - vide a cena em que ele joga soldados inimigos desacordados de um helicóptero a trocentos pés de altura com a serenidade de quem põe o lixo pra fora.

A interação com Pacheco destila fluidez e ainda resgata aquelas boas sequências de briga quadrinhística, como no momento em que o Cap leva uma surra homérica do Caveira. Destaque também para o diálogo de Carol Danvers, atual comandante da SHIELD, tentando em vão reconvocar Stark, que está chapado num puteiro bondage.

Uma primeira edição que é um colírio para os olhos e uma injeção de adrenalina para a alma. É Millar no seu mais tradicional: iniciando um arco no auge e cheio daquela energia insana e irrefreável para terminar Deus sabe como. Só não entendi porque mantiveram a infame máscara do Gavião. Apesar dele ter participação ativa nas cenas mais eletrizantes, não dá pra olhar pro personagem sem antes confundi-lo com algum integrante do Youngblood. Provavelmente Millar esteja preparando alguma catarse antes de desmascará-lo definitivamente - bem como a bagunça que fizeram durante a sua "saída de dez minutos" - e talvez assim, deixar de vez os anos noventa lá nos anos noventa.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

GUERRA EXTRA-OFICIAL


Uma das declarações mais recorrentes de James Cameron sobre Avatar é que ele guardava o projeto há anos, apenas esperando pela tecnologia o tornasse possível. Talvez esse seja o maior preço a pagar por lançar técnicas inéditas e revolucionárias que transcendem, e muito, o standard de sua época. E pelo jeito a "espera" é um lugar-comum na carreira do cineasta. Terminator 2: Judgment Day - The Book of the Film compila todos os storyboards, propostas e estratégias de produção que ficaram fora de T2. A esmagadora maioria relacionada às sequências da guerra contra as máquinas no futuro.

Toneladas de material ficaram de fora por puro déficit orçamentário. E um material de primeira, com cenas completas de ação e drama, novos robôs e conceitos como a hybermatrix dos exterminadores. O que se nota é que Cameron já havia concebido toda aquela linha narrativa, suas particularidades e, possivelmente, até sua conclusão - a mesma suspeita que todos tinham de George Lucas e Guerras nas Estrelas antes dele voltar àquele universo dezesseis anos depois.

Com o terminatorverse sendo retomado por terceiros, dificilmente veremos essas ideias saírem do papel por intermédio do diretor. Alguns trechos:


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Meu preferido é o bacanão HK-Centurion esmagando os rebeldes sob uma rocha e exterminando os demais humanos atrás das linhas defensivas... belo instrumento da destruição. Mas no livro devem haver bons lances rebeldes contra as torradeiras também. :)

Via io9 (com galeria)



Se qualquer hora você passar por Orlando, Hollywood ou Osaka - e tiver alguns dólares sobrando - não deixe de conferir T2 3-D: Battle Across Time, atração temática da Universal Studios. O show foi idealizado e dirigido por James Cameron, Stan Winston e John Bruno, funcionando como uma minissequência livre de Exterminador do Futuro 2. "Livre", pois traça uma narrativa que reaproveita os principais elementos do filme, mas desconsidera seus eventos finais.

O programa começa com uma apresentação promovendo os avanços da Cyberdyne Systems. Depois emenda num ato principal, que envolve animatronics e performances ao vivo de atores interagindo com um filme 3-D estrelado pelo cast central de T2 (Robert Patrick, Linda Hamilton, Edward Furlong e, claro, Schwarza). Custando a bagatela de 60 milhões de dólares, o filme tem uma produção bastante eficiente para o formato e expande os conceitos da guerra na visão de seu criador original - o único veículo onde isso já aconteceu.

Estão lá os HK's aéreos, unidades T-800 sem o "living tissue", alguns minihunters (os mesmos de Terminator: Salvation, só que armados com laser) e três novidades que me chamaram a atenção:


O brutamontes T-70, o neanderthal dos exterminadores e bisavô dos T-600 de Salvation, em toda a sua glória animatrônica (mais shots aqui);


O T-1000000 (!), também carinhosamente chamado de T-Meg., um robô aracnídeo gigante com a tecnologia de metal líquido do T-1000. É uma espécie de guarda-costas do CPU da Skynet;


E a central de processamento da Skynet, uma enorme pirâmide futurista, ainda com aquele perfil superhardware da era Cameron, antes do conceito software/ciberespaço adotado nos filmes seguintes.


Abaixo, a ótima sequência de perseguição no futuro com Schwarza e Furlong.




Impressiona a longevidade da atração, que foi lançada em 1996 e continua sendo um sucesso até hoje - mesmo com um plot defasadíssimo em relação à cronologia atual. Muito disso se deve ao impacto que T2 teve nesta geração, hoje trintona ou quarentona e com alguma bala na agulha. Quem foi, adorou.

[dica do Amadeu]


Recapitulando a guerra:
T1
T2
T3
T4

sábado, 5 de setembro de 2009

DOS ZUMBIS DOS ÚLTIMOS DIAS


Mais um capítulo da série "como é que não pensaram nisso antes?" The Book of Zombie é uma produção Z que mistura o clássico cenário de uma turba de mortos-vivos tentando entrar em alguma residência com o pior momento de uma manhã de domingo: uma turba de mórmons tentando entrar na sua residência. Não deu outra... os zumbis mórmons estão à solta. O filme, extra-low-budget, foi dirigido à seis mãos (Scott Kragelund, Paul Cranefield e Erik Van Sant) e filmado em 2007. De lá pra cá, arrasta seu corpo putrefacto numa eterna pós-produção, mas ficou de estrear ainda este ano. Orçamento de troco de padaria é assim mesmo.

O trailer é qualquer coisa de tosco, ultra-splatter, divertidíssimo, cheio de sangue de groselha e frases infames ("the congregation is hungry" é ótima). E vende seu peixe direitinho: esse filme é pra assistir com os amigos e detonando galões de cerveja.




Não é (só) pelos mórmons, mas por qualquer um que venha encher o saco às oito da manhã de um domingo. Num apocalipse zumbi, estes seriam meus alvos preferenciais, logo abaixo dos operadores de telemarketing zombies, ainda com os headsets pendurados na cabeça.


Esse filme o Hulk aplaudiria de pé. Se alguém o vir por aí (sumiu o cara), avise.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A VOLTA DO HOMEM DE VERDE


Enquanto as adaptações dos quadrinhos da DC para o cinema vão tomando rumos incertos (salvo as do orelhudo de Gotham, claro), o departamento de animações straight-to-DVD vão indo muito bem, obrigado. Lanterna Verde: Primeiro Voo (Green Lantern: First Flight, EUA, 2009) mantém o bom nível com uma aventura divertida e lançada sem muita cerimônia - talvez para aproveitar o bom momento do universo do personagem nas HQs e as constantes notícias sobre o filme. Com nomes do porte de Bruce Timm (aqui produzindo) e Alan Burnett (roteirizando, ao lado de Michael Allen), não tem erro. Esses dois, ao lado de Paul Dini, moldaram a cara das animações da DC nas últimas duas décadas. Além de estabelecerem um padrão de excelência para as séries animadas daqui do ocidente, foram, de longe, a melhor alternativa à invasão animê daquele período.

Com esse timaço nivelando tudo por cima, Primeiro Voo se torna uma boa oportunidade para acompanhar a evolução da "novata" Lauren Montgomery. Co-diretora de Superman/Doomsday, ela participou do storyboarding dos bacanas Hulk Vs e dirigiu o surpreendente Wonder Woman, ilustrando frame a frame como a personagem funcionaria na telona às mil maravilhas (sem trocadilho). Se destacando cada vez mais nessa nova fase de animações pós-Liga da Justiça Sem Limites e assumindo projetos com as principais marcas da casa (aos 29 anos, num mercado concorrido e predominantemente Clube do Bolinha), a promissora cineasta é gente igual a gente mesmo.

Muito simpática, bem-humorada, fã da Cheetara (!), fissurada em A Pequena Sereia (a Disney é uma influência primordial), com blog e deviantArt à distância de um clique pra quem quiser curtir - impressiona a simplicidade. Pra lembrar como isso é raro no meio, confira qualquer entrevista com o Bruce Timm ou o Brad Bird onde eles emanam toda aquela aura übernerd/Brainiac híbrida e tão agradável quanto um banho de nitrogênio líquido. Creepy.


Historicamente, o Lanterna Verde sempre foi um personagem do segundo escalão. Senão vejamos: Clark, Bruce, Diana, depois Barry/Wally... o velho Hal Jordan é imediatamente o segundo herói abaixo da santíssima trindade world's finest da DC. Com poderes tão Era de Prata em essência, o maior risco era de uma interpretação camp, o que, felizmente, não ocorre em nenhum momento. E por aí se nota o quanto foi importante e definitiva a caracterização conceitual e estética criada para o Lanterna John Stewart nas séries da Liga. Praticamente toda aquela abordagem foi reeditada no longa, com as providenciais expansões que o herói sempre mereceu. Toda aquela dimensão e grandiosidade estão lá e a gama de possibilidades se mostra realmente universal. Fica bem claro: o lugar desse cara é no cinema.

Outro bom timing foi abreviar a origem do personagem, considerando que já foi mostrada recentemente em Liga da Justiça: A Nova Fronteira. Uma ótima ideia para agilizar a trama e evitar repetições, mesmo com Nova Fronteira sendo de um "elseworld". Assim, o background do Lanterna é bastante sintético e dura o tempo dos créditos de abertura: uma breve apresentação do piloto de testes Hal Jordan, seguido do clássico encontro com o alienígena moribundo Abin Sur e logo o herói chega ao planeta Oa para integrar a Tropa dos Lanternas Verdes. Lá, ele enfrenta os problemas típicos de adaptação de um recém-chegado em meio a veteranos, mais a perigosa rotina da maior força peacemaker do universo - além, é claro, de uma obscura ameaça que se revela na segunda metade da trama.

A dinâmica entre os personagens principais costura uma relação tensa, bem ao estilo do filme Dia de Treinamento, onde o novato Jordan passa dobrados cada vez mais sinistros com seu oficial... Sinestro. Que por sinal rouba a cena. Sua evolução e motivações pessoais são observadas bem de perto, desde a relação desgastada com os Guardiões de Oa até sua transformação no primeiro Lanterna Amarelo, ganhando mais tempo de tela do que o esperado. Isso acaba criando a interessante sensação de que Primeiro Voo se trata mais sobre a origem do vilão do que do herói.

Dono de um carisma arrogante e uma relação dúbia com Hal - ele admira a raça humana por tudo que ela tem de pior -, Sinestro ainda conta com uma irretocável dublagem.



Estreando em animações, o ator Victor Garber empresta elegância e sagacidade ao Lanterna renegado. Já Hal Jordan teve a ótima performance de Christopher Meloni, o Chris Keller, da série Oz (tão inesperado quanto irônico). Kilowog encontrou sua voz definitiva no gogó de Michael Madsen (superando até o excelente Dennis Haysbert, na série da Liga), Kurtwood Smith competente como sempre na voz de Kanjar Ro e a fabulosa Tricia Helfer bem à vontade na voz da Lanterna Boodikka.

Mas se for contabilizar tempo de tela x desenvoltura, quem sai na frente é a atriz Juliet Landau. Numa pequena (e sensacional) participação, ela confere sarcasmo e uma deliciosa vulgaridade na voz da alien Labella.

Até onde conheço do universo do Lanterna, Primeiro Voo se mostra bem fiel aos seus aspectos mais caros. E alguns deles tiveram uma ótima transição da arte sequencial para a arte animada. Um bom exemplo são os anéis que retornam à Oa quando seus portadores morrem. Isso rende cenas tão sutis quanto impactantes - o que parece ser o objetivo maior da diretora Montgomery nos 75 minutos da animação.

Se o vindouro filme tiver metade dessa vibe, o dia será mais claro e a noite menos densa para as adaptações da DC. Afinal, nem todos vivem de intimidações.

domingo, 12 de julho de 2009

NEGATIVE VIBRATION


"Norte de Paris. Pra vingar o assassinato de um colega por violentos gângsteres, quatro policiais corruptos armam um cerco a um prédio condenado que serve como esconderijo para os bandidos. Emboscados, os oficiais estão prestes a serem executados, quando o inimaginável acontece: hordas de criaturas canibais sedentas de sangue invadem o edifício, atacando todos brutalmente. Alianças impensáveis acabam sendo feitas quando suas vidas são ameaçadas pelo impensável."

Essa é a sinopse oficial de La Horde (França, 2009), filme que vem sendo alardeado como um mix da série The Shield, Madrugada dos Mortos de Zack Snyder e do espanhol [REC]. Uma premissa parecida com a da HQ Zumbi, de Mike Raicht e Kyle Hotz (publicada aqui via Marvel MAX), o que, além de uma referência promissora, me traz ótimas lembranças. Dirigido por Yannick Dahan e Benjamin Rocher, La Horde já conta até com um prequel, o curta Rivoallan, de 2007, filmado com os mesmos atores/personagens. Não assisti, mas pelo teaser sanguinolento, já dá pra ter uma ideia da grosseria visual dos cineastas.

Contudo, é o primeiro teaser de La Horde, que dá a noção do inferno que nos espera: esbaforido, malevolento, com o estômago roncando, abarrotado de criminosos e zumbis rápidos. Um lugarzinho aconchegante pra curtir as férias, enfim.

Senhoras e senhores, aumentem o volume.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

"JOE, CALL THE POLICE... THE GIRL IS A ZOMBIE!"







"My Girl Is A Zombie"
Junkie Jesus Freud

Rigor Mortis is visible in her skin
Darling, you are so cold
And purple today
I'm curious to hear the news
From the living dead
Excuse me, there are some
Worms dancing in your head
But I want to know
That I'm glad to see you
Girl, I think I pissed in my pants

Joe, call the police
Joe, call the police
The girl is a zombie
Operator, please
It's an emergency

Joe, I think she wants
To eat me slowly
Darling, please
Go back to your grave
"'Till death take us apart"
Is a fucking joke
Baby, I'm serious
It's time to go
But I want you to know
That I'm glad to see you
Girl, I think I really can't
Drive you home



Mas quase sempre é tarde demais.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

HOLLYWOOD, O SUCESSO


Geralmente, quando vou ao cinema assistir uma continuação, procuro antes rever o filme anterior. Só pra entrar no clima, pescar eventuais pontas soltas, estabelecer alguns parâmetros comparativos, por aí vai. Mania besta, eu sei. Por sorte, não tive tempo de fazer isso antes de ver Transformers: A Vingança dos Derrotados (Transformers: Revenge of the Fallen, USBay, 2009). Eu teria uma overdose e sofreria a mesma reação convulsiva daqueles pequenos que assistiram Pokémon no cinema. Sairia carregado de maca em posição fetal, balbuciando "no no no nonononono!!". Jamais retornaria daquele estado de catatonia sensorial; estaria preso para sempre no Bayworld, o mundo segundo as lentes pirotécnicas de Michael Bay, onde tudo é frenético, imediato, espásmico. Método Ludovico perde.

Por algum motivo que me foge agora, no fundo, eu tinha esperanças que esta sequência trouxesse algumas diferenças substanciais em relação ao primeiro. Que nada. Eu poderia apenas repetir o texto anterior, caprichando nos superlativos, que ainda estaria sendo absolutamente fiel. Aqui se faz a velha máxima do bigger, stronger & faster, versão Godzilla vs. Mothra entupidos de ácido. Com seu estilo inconfundível (influenciado pelos comerciais da Hollywood?), Bay continua gritando "explosão" ao invés de "ação". O roteiro à tres manos é cúmplice, e nessa Bay vai imprimindo suas convicções pessoais da forma mais escancarada possível. Sabemos que ele é o típico macho americano - sexista (ou Foxista?), reacionário e ultrarepublicano. Ao menor sinal de perigo, faz Obama correr para o bunker mais próximo, enquanto os milicos salvam a pátria. Sutil. E falando neles, na maior parte das cenas de ação, o filme lembra um vídeo institucional de propaganda das Forças Armadas. Close naquela bazuca. Enquadra aquele tanque. Cadê os AWACs que eu pedi? Em formação, em formação! Go, go, go, go! Bay loooves the army. Reclamações? Talk to the hand. Ele não tá nem aí com a cor do caqui.

E sou eu que vou esquentar? No no no nonononono. É o que eu digo e repito aqui por extenso: mais do que qualquer outro, Transformers não é filme pra crítico. Ele não seria um profissional competente se elogiasse este acinte à sétima arte. Essa coisa qualquer que foi criada apenas pra vender brinquedos e que, assumidamente, não se leva a sério. Porque crítico não é público, é fiscal do Detran de ressaca numa segunda-feira. E com certeza, pôs um ovo a cada frame que Michael Bay usou para macular na telona o seu tão adorado cinema. Bom, foram duas horas e meia só aqui.

Porém, no quesito pão e circo, é inquestionável: Bay bomba. Ele é um completo despudorado. Exibindo a desenvoltura maquiavélica de um gerente de puteiro, dá ao público que saiu de casa pra ver Transformers exatamente o que ele foi buscar lá... piadinhas sujas, anfetamina em celulóide e a rainha da bateria, Megan Fox.


A escalação do elenco aposta no que deu certo antes. Novamente, são jogados na parede, a 550 km/h, os mesmos LaBeouf (Sam), La Fox (Mikaela), Kevin Dunn (pai de Sam), Julie White (mãe de Sam), Josh Duhamel (milico #1), Tyrese Gibbs (milico #2) e, que surpresa, John Turturro (Simmons). Curioso como todo o elenco agora atua na mesma frequência de Turturro, ao passo que no primeiro filme ele foi o único que sacou o terreno trash em que pisava. Aliás... Turturro, "olhe em seu coração"... encha a burra por mais um ou dois Transformers e dedique o resto da carreira a atuar em filmes de verdade.

A história desta vez mostra Sam tentando levar uma vidinha normal e ingressando na facul, mesmo com um autobot na garagem e a namorada na oficina. O maior conflito entre os dois pombinhos é ver quem se arrisca a falar "eu te amo" primeiro. Cute. Com Megatron jazendo no fundo do Abismo Laurenciano e os Decepticons sobreviventes levando uma dura do exército em parceria com os Autobots, tudo caminha para uma resolução positiva entre humanos e alienígenas. Mas a aparente calmaria só dura até os heróis se depararem com uma nova ameaça: Fallen, o Prime renegado.

A sequência de abertura, contando a origem do vilão, ficou até interessante. Chegou a me lembrar da versão de Neil Gaiman e John Romita Jr. para Os Eternos. Pena que no mesmo pacote vieram a dinâmica warp de Bay e a narração em off ultracanastrona de Optimus Prime (embora em concordância com a verve pomposa do personagem nos desenhos). Sem tempo ou vontade para construir qualquer sustentação dramática, o filme vai metralhando personagens na tela indiscriminadamente, tal qual o Transformovie #1, e sabemos bem onde isso vai dar (até hoje quero saber o paradeiro da Maggie, a loirinha fabulosa que ameaçou o reinado da Megan Foxy Babe no primeiro filme). Em um núcleo, temos os colegas de república de Sam, que mantêm um hot site com novidades conspiratórias. Dali é pescado o histriônico Leo (Ramon Rodriguez), que faz as vezes de coadjuvante cômico. Até que não foi mau negócio, já que o cara protagoniza uma cena genuinamente engraçada (a do taser) e uma outra onde seu rosto petrificado já salda 1/4 do ingresso.

Também temos o inevitável mala engravatado do governo (papel que seria de William Atherton em tempos idos) e toneladas de novos Decepticons. Toneladas. Se no primeiro filme meia dúzia deles deu aquele trabalho, não dá pra entender como eles não entram em conflito direto agora, já que estão em um número vastamente superior ao dos Autobots.

Enfim... chega a hora da porrada e vem a sensação de ser pego no meio de um tornado com a calça arriada. E juro que levei um safanão também.


A primeira grande sequência acontece em Shanghai. Sem enrolação, Autobots e uma unidade militar empreendem uma perseguição-monstro a alguns decepticons foragidos. Tão absurda quanto um pesadelo de Chuck Jones filmado pelos irmãos Coen com orçamento de nove dígitos. Robôs furam prédios, pulam pontes, explodem tudo e todos num ângulo de 360º. Ufa. E não é nem 2% do que está por vir. A conclusão do entrevero revela que finalmente Optimus Prime está honrando o nome e incorporando bem mais do desenho oitentista do que apenas a entonação vocal. Diferente do primeiro filme, o líder autobot aqui é uma máquina slasher trituradora de decepticons. O momento em que ele explode a cabeça do gigantesco Demolisher é singular. Puro Dirty Harry's Magnum Force. Faltou só ele dizer "do you feel lucky?".

Melhor ainda é o tour-de-force descaralhante na floresta, em que Optimus, sozinho, chuta com força os rabos de Grindor e Megatron. Graficamente impecável, sensorialmente confuso, foi quase informação demais para só duas retinas e um córtex. Um dia, os melhores videogames serão assim. Outra boa surpresa foram as cenas do Bumblebee. Normalmente pacífico, o ex-fusquinha luta como se fosse o Ray Park e varre o chão do deserto com as carcaças de Ravage e Rampage. Fora a merecida surra que ele dá nos irritantes autobots gêmeos.

Não vou negar que o design dos Bayformers não me agrada. São bagunçados, têm partes móveis em excesso e pouco se vê a combinação de suas formas robóticas com os veículos em que se transformam (o charme dos brinquedinhos desde sempre!). Isso prejudica particularmente as cenas mais aceleradas e qualquer transforminho dos comerciais da Citröen ganha de goleada nesse sentido. Tome como exemplo a aparição do Devastador, o aguardado decepticon combiner. É espetacular, de encher os olhos, mas não poderia ser mais broxante quando o comparamos com o robô original. Vê-lo em ação destruindo uma das pirâmides é a síntese desse desperdício faraônico (e merecedor desse péssimo trocadilho). Como seria mais bacana uma versão amigável aos olhos e mais próxima dos originais.

Mas sabe que a coisa toda me soou mais inteligível com o passar dos minutos? Talvez fosse o efeito daquele Redbull visual batendo ou minha percepção se acostumando - seguido da inteligência, já mediana, despencando. Seja como for, é o melhor CG que o dinheiro pode comprar. E utilizado com fomeagem hardcore para inspirar os guris a envergarem seus joysticks e estuprarem seus Playstation 3.

Só que o grande efeito especial do filme era bem outro. E já vinha sendo vendido, sem spoilers, desde o primeiro teaser promocional.


O cinema iraniano que me perdoe, mas Megan Fox é fundamental. Ela é a Mulher-Gostosa Ultimate. Bay sabe o diamante que tem em mãos e não se furta em colocar a moça empinando a bundinha logo em sua primeira cena. No resto do tempo, ela se dedica a fazer mais biquinhos do que a Kate Beckinsale em Van Helsing - há um recorde aqui, pessoal. Só não senti vergonha alheia porque fui lá justamente pra conferir isso em resolução 950.000 dpi.

Mas fiquei imaginando o que pensava Steven Spielberg, aqui produtor executivo, em ocasionais visitas ao set. Deve ter sido algo como "mas que piad... holy shit, que morena!".

Não deixa de ser irônico que a única real concorrência de Fox no filme seja uma linda decepticon. Alice (Isabel Lucas) é uma Pretender, uma linha obscura e tosca dos Transformers cujos integrantes podem se transformar em seres humanos e animais. No entanto, nem os recursos tecnológicos de uma avançada raça robótica se comparam ao shape da estrela principal.

E fico feliz em constatar que após alguns filmes, houve uma melhora significativa em sua... presença física. Megan Fox fucks!


Ao longo da projeção, ela nos brinda com um olhar dramático, uma boca dramática e um decote igualmente dramático. Todos essenciais para o enredo.


A entrega é total. E tome decote.


Em algumas cenas, ela tenta até atuar. E fica muito fofa!


...

La niña Fox mais o calhamaço de ação vertiginosa e produção top de linha. É exatamente o produto pelo qual paguei na bilheteria. E saí de lá bem satisfeito. De novo. O que não me deixa dúvidas quanto à natureza da franquia: Transformers é melhor puteiro da cidade.

Filme? Que filme?