quarta-feira, 8 de setembro de 2004

AOS 48 DO 2º TEMPO


Wildcats Version 3.0 foi cancelada na edição #24, após mais uma tentativa de recuperar a posição que a equipe ocupava na década passada. Na verdade, eu sou a pessoa menos indicada para guiar alguém no universo do supergrupo. Sempre os achei um dos símbolos máximos de uma era em que o que contava eram músculos aditivados, poses olímpicas e uma explosão a cada dois décimos de segundo. Nada de roteiros inovadores ou da inventividade e ousadia de gente como Grant Morrison, Warren Ellis e Mark Millar.

Já até comentei isso uma vez, mas o fato é que era decepcionante conviver com o fantasma da Image, e ter de ver medalhões como a Marvel e a DC se adequando às novas regras impostas por McFarlane, Liefeld e cia. Ver escritores com um passado de glórias, como Chris Claremont, se limitando a seguir a tendência e exterminar em série personagens importantes. E olhando para o universo "tradicional", a situação só piorava. Desmembraram os X-Men em zilhares de formações (deveriam ter mudado o nome pra Z-Men), mataram Hal Jordan e Clark, clonaram o Parker, não conseguiram reformular o Steve Rogers. Cara... foi uma época inesquecível, no pior sentido da palavra.

Pra não dizer que foi tudo ruim, as super-heroínas estavam mais gostosas do que nunca. :P


Tudo bem, existe uma legião que idolatra o Jim Lee, principalmente por ele ser "só" o desenhista, mas acho que, nesse caso, o estrago transcendeu o nanquim. Conhece o jargão "uma imagem vale mais do que mil palavras"? As grandes editoras de HQ norte-americanas conhecem, e muito bem. De qualquer forma, isso não vem ao caso.

O fato é que hoje, após o hit estrondoso que foram os Ultimates, a redescoberta de Alan Moore pelo mainstream, e uma renovada percepção de história como fator predominante (Y - The Last Man, Global Frequency, linha MAX, tudo de Neil Gaiman e do selo Vertigo), certas posições estão sendo reavaliadas. Foi o caso do Spawn, do Youngblood e dos Wildcats, que, após uma década inteira de "party everyday", não conseguiram sair da dolorosa ressaca noventista.


Levada a cabo pelo talentoso Joe Casey, a nova - e breve - empreitada dos Wildcats tem como palavra de ordem "realismo super-heroístico". Curioso pela matéria escrita por Érico "difícil de agradar" Assis, fuzilei o DC++ em busca da versão 3 da ex-menina dos olhos da Wildstorm.

Não li tudo, mas já deu pra ter uma boa idéia. Realmente, os pés estão (bem) mais no chão. É tudo muito parado em relação ao carnaval que eram suas antigas aventuras. Mas tem razão de ser. O que não faltam são diálogos quilométricos, conspirações empresariais, espionagem industrial, subcríticas ao capitalismo selvagem e, pasmem, superpoderes também. Achei até que não veria alguém disparando um raio de energia lá. Particularmente, eu gostei. Nunca imaginei que fosse dizer isso um dia, mas eu realmente gostei dessa nova série dos Wildcats.


Apesar da inicativa louvável, o público americano não acolheu muito bem o novo modus operandi dos heróis e remanejou o seu orçamento para outro título (tsc!). Como escreveu Érico "difícil de gostar" Assis, houve uma tentativa de resgatar o público com um arco mais agitado, chamado Coda War.

Não tinha chegado lá ainda, mas não fiquei na fissura. Baixei logo a #19 (edição de estréia da aventura), e o que vi foi um tour de force alucinante, digno das melhores seqüências de ação do Cinema. Imagina (olha só a minha viagem) The Bride (Kill Bill), Boba Fett (Star Wars) e o sisudo Bateau (Ghost in the Shell), se enfrentando naquela batalha em alta velocidade do começo de Akira (o mangá). Um verdadeiro rolo-compressor. Pouquíssimos diálogos e muito sangue. É só porrada, do início ao fim.

Infelizmente, a reação chegou tarde. Wildcats v3 já partiu dessa pra melhor, mas teve uma das melhores tentativas de recuperação de público que eu já vi. Já repassei essa edição-seqüência mentalmente umas 5 vezes em live-action. O "elenco" é aquele mesmo que eu escrevi.

Vale a pena conferir. Só não traduzi por dois motivos: 1 - Poucos diálogos; 2 - Muita preguiça.

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PS.: Diminuí um pouco o tamanho das páginas. Os scanners gringos fazem seus scans do tamanho de uma pessoa real. Será miopia em massa?


SEPARADOS HÁ MUITO, MUITO TEMPO, NUMA MATERNIDADE MUITO, MUITO DISTANTE...


Clique nas imagens pra vê-las no modo "american scan"

O tipo da coisa que só passa pela minha cabeça. E como não poderia deixar de ser, vou compartilhar aqui também. Alguém reparou na semelhança entre o General Grievous (novo vilão de Star Wars) e aquela criatura biomecânica da capa do álbum de estréia do Probot (mega projeto paralelo do Dave Grohl)?

Olhando pra capa do CD e para o design do "maior matador de jedis do Universo", notei algumas similaridades físicas entre os dois. Até a marca cruzando os olhos é parecida (no Probot é do meio pra baixo, no Grievous é do meio pra cima). A arte de capa do Probot foi feita por Away, batera do Voivöd.

O mais interessante é que ao fundo há uma espécie de cidade, com arquitetura bem ao estilo do personagem. Poderia ser o planeta natal do General Grievous também. :P


dogg, curtindo a sonzeira de Eliades Ochoa, um dos coroas do Buena Vista Social Club. Música tradicional cubana com umas doses de tequila. Bom demais.

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