
Lá no começo do texto falei sobre abordar um foco passional e outro oportunista. O passional já foi, o oportunista vem a seguir. Um dos maiores best sellers da atualidade está prestes a ganhar as telas de cinema. Daqui a um mês O Código Da Vinci (Da Vinci Code, 2006) dá razão ao meu oportunismo de resolver falar sobre as obras de Dan Brown (acho que vou aproveitar a onda oportunista e escrever sobre Superman e X-Men 3... ). A oportunidade é tão boa que, mesmo abordando simplesmente livros, dá para contrariar a regra sobre dificuldade de arranjar imagens em texto sobre brochuras. Qualquer livro dele, se analisado, implora por imagens dos locais visitados, mesmo que careça dos protagonistas das histórias nestas imagens.
Não há como negar, ele é espertíssimo. Descobriu um roteiro de "como escrever livros em X passos" e seguiu à risca. Fez o primeiro, apostou no segundo e teve que arriscar no terceiro para tirar a sorte grande. O Código veio e arrebatou meio mundo (ou mundo e meio), arrancou seu lugar na tela do cinema a cotoveladas e lotou seu bolso de dinheiro. E o que é o Código senão uma revisão nos ganchos usados em livros de suspense e mistérios de outrora com uma aura de "caramba... isto pode ser verdade"? Quem leu ficou com aquela necessidade de debater o livro como quem tem o afã de exaurir um brinquedo novo. Claro, falo da maioria que gostou, não da minoria que diz que não gostou para ser "do contra" e dizer que tem opinião... ou dos que não gostaram legitimamente mesmo.
O caminho normal de quem gosta de uma obra é procurar mais produtos do autor e assim o fiz... fui atrás de suas obras pregressas e ganhei a que veio após. Não negal a 'paternidade' e continuam com o magnetismo próprio do ritmo e da receita de bolo, mas também criam um pouco do sentimento de "já vi isto com outros atores e cenário" - mais do mesmo, já que a receita de bolo, ao invés de ser um instrumento narrativo, é tão presente que vira praticamente uma personagem.
Percebemos claramente o amadurecimento do autor desde seu primeiro romance – Fortaleza Digital – até seu último – Ponto de Impacto, mas os roteiros, como já dito, podem até ser tabelados: um mistério normalmente vinculado a algum conceito polêmico e com enigmas revelados aos poucos; sociedades ou grupos com apelo cult ou misterioso; casal de protagonistas com tensão amorosa, perseguidos durante todo o livro e que se acertam no final; uma série de informações interessantes-porém-de-utilidade-duvidosa-mas-que-rendem-ótimos-papos-de-bar, locais turisticamente interessantes ao redor do mundo descritos com riqueza de detalhes – o que dá uma aura de legitimidade ao que é escrito - , algumas mortes e um final interessante. Além disto, e creio que seja a maior qualidade dos livros de Brown, percebi que em todos os casos há uma questão que permeia o todo e que basicamente pode ser definida como "Os fins justificam os meios?", com posicionamentos bem estruturados de ambos os lados – e mesmo sendo o lado bom e o lado mau, os argumentos não seguem o mesmo maniqueísmo (a melhor argumentação que vi em seus livros na defesa de uma opinião - argumentação com a qual concordo na sua definição do papel da fé em nosso mundo, ou o papel que deveria ter - está em Anjos e Demônios e pode ser lida aqui). Todos estes ingredientes são levados a fogo alto em caldo de dinamismo, pois são escritos como se já almejassem a tela grande (Stephen King's way of writing), intercalando sempre duas ou três frentes de ação em capítulos curtíssimos, mantendo o sentimento de tour de force depois que as apresentações de personagens se dá por satisfeita.
Ahhh... e tem o toque sacana que não pode deixar de faltar. Já mencionei que, para ornamentar o todo, as descrições de locais são riquíssimas, a lista de documentos mencionados e informações históricas são cuidadosamente trabalhadas, o que dá uma aura de veracidade ao livro. Aura esta que é reforçada pela informação de que todos os "monumentos, documentos e locais descritos no livro são factuais". Não discordo disto, mas ele não diz, por exemplo, que a interpretação dos "fatos" é dele. É uma alegoria que segue o tal roteiro padrão e se aproveita daqueles leitores de primeira viagem e/ou desinformados e/ou levianos e/ou loucos por uma conspiração para ter seu sucesso espalhado como rastro de pólvora, seja no boca a boca ou em qualquer dos zilhões de mídias de que fez uso. Enfim, de algumas de suas várias frases interessantes, creio que a que mais o orienta na construção de suas histórias é que "todo mundo adora uma teoria de conspiração". Estamos então às vésperas do lançamento deste filme-evento com um elenco estelar e direção competente. Espero que o filme, um dos responsáveis por me levar à falência nos cinemas no mês que vem, mantenha todo o climão do livro e abra espaço para adaptação de outros livros, principalmente Anjos e Demônios. Afinal, a repetição de fórmulas não é privilégio de Dan Brown; o cinema já se repete há tempos... se pelo menos for divertido, pagarei ingresso feliz!
Este local aqui não é muito usado para este tipo de texto, mas, como não deixa de ser uma mídia e definitivamente é veículo de cultura e entretenimento, vou falar sobre livros. Como todas as coisas, abordar este "negócio" tem um/vários lado(s) ruim(ns) e um/vários lado(s) bom(ns). Ruim pois é mais difícil inserir imagens com adesão satisfatória ao que se aborda, algo que textos sobre quadrinhos, música e filmes tem em abundância. Ruim também porque as imagens dão ritmo a textos longos – característica deste blog - , como pontos de descanso em uma trilha. E bom, pois, como não há precedentes por estas bandas, as reações ao texto são inteiramente novas, assim como novas pessoas podem surgir pelos comentários se o assunto falar mais ao pé d'ouvido.
Resumidamente, Nietzsche sofre de doenças terríveis e é convencido, através da ação da única mulher foco de seu amor recalcado, a tratar-se com o renomado Dr. Breuer. Até aí parece que é um livro maçante, mas a forma como a relação entre estes dois homens evolui é inapelável, além de contar com vários coadjuvantes de peso, bem como arranha a porta da aurora da psicanálise.
Não satisfeito, o livro é um manancial de frases-verdade; destas incontestáveis por quem entende que a vida é menos romântica do que se pensa. O que dizer, por exemplo, da frase "as pessoas, em verdade, amam o desejo e não a pessoa desejada"? Na minha fase de maturidade, não vejo verdade mais absoluta. A busca pelo desejar é arrebatadora, as pessoas desejadas são transitórias. E o "Transforme o 'assim se deu' em 'assim eu quis', caso contrário, não viverás uma vida, pois se não escolhes seu destino é a vida que te vive. Deseje o necessário e ame o que desejar. Amor Fati". Claro, são retórica e, por vezes, podem estar longe demais do que sentimos, pois falam à razão. Mas até isto o livro sabe e, para não permanecer imparcial, trabalha a conversão do discurso para a mente em discurso para o sentimento de forma natural, aproximando as palavras pensadas das palavras sentidas.





Depois desse tributo aos deuses, já dá pra falar sem reservas de 




Dessa vez eles se mexem. Tudo bem que não é aquela movimentação hiper-realista com que eu vivo sonhando desde Akira, mas está longe de lembrar aqueles desenhos desanimados dos anos sessenta. Logo nos primeiros instantes de Ultimate Avengers: The Movie (2006), não fica difícil imaginar que esta não é uma adaptação lá muito fiel. Sem chance de comparecer toda aquela malaquice anti-republicana, anti-democrata, anti-globalização, anti-Mac Donalds, anti-Marvel, anti-DC, anti-Bono Vox e anti-atitude-de-ser-anti-alguma-coisa, que fez a fama dos Supremos de Mark Millar e Bryan Hitch (já sinto saudades). Nada de Capitão América apontando o dedo pra cara de algum infeliz e sentenciando "son... you're goin' down", Hank Pym cobrindo Janet de bolacha, muito menos do Hulk vociferando que tá morrendo de tesão e que vai catar Betty Ross a todo custo. Ficou só a estrutura antenada da concepção Ultimate. O inusitado era saber como os Supremos se sairiam jogando pelas regras do standard que tanto debocharam nos quadrinhos.




