quinta-feira, 13 de abril de 2006

O CÓDIGO DAN BROWN


Lá no começo do texto falei sobre abordar um foco passional e outro oportunista. O passional já foi, o oportunista vem a seguir. Um dos maiores best sellers da atualidade está prestes a ganhar as telas de cinema. Daqui a um mês O Código Da Vinci (Da Vinci Code, 2006) dá razão ao meu oportunismo de resolver falar sobre as obras de Dan Brown (acho que vou aproveitar a onda oportunista e escrever sobre Superman e X-Men 3... ). A oportunidade é tão boa que, mesmo abordando simplesmente livros, dá para contrariar a regra sobre dificuldade de arranjar imagens em texto sobre brochuras. Qualquer livro dele, se analisado, implora por imagens dos locais visitados, mesmo que careça dos protagonistas das histórias nestas imagens.

Não há como negar, ele é espertíssimo. Descobriu um roteiro de "como escrever livros em X passos" e seguiu à risca. Fez o primeiro, apostou no segundo e teve que arriscar no terceiro para tirar a sorte grande. O Código veio e arrebatou meio mundo (ou mundo e meio), arrancou seu lugar na tela do cinema a cotoveladas e lotou seu bolso de dinheiro. E o que é o Código senão uma revisão nos ganchos usados em livros de suspense e mistérios de outrora com uma aura de "caramba... isto pode ser verdade"? Quem leu ficou com aquela necessidade de debater o livro como quem tem o afã de exaurir um brinquedo novo. Claro, falo da maioria que gostou, não da minoria que diz que não gostou para ser "do contra" e dizer que tem opinião... ou dos que não gostaram legitimamente mesmo.

O caminho normal de quem gosta de uma obra é procurar mais produtos do autor e assim o fiz... fui atrás de suas obras pregressas e ganhei a que veio após. Não negal a 'paternidade' e continuam com o magnetismo próprio do ritmo e da receita de bolo, mas também criam um pouco do sentimento de "já vi isto com outros atores e cenário" - mais do mesmo, já que a receita de bolo, ao invés de ser um instrumento narrativo, é tão presente que vira praticamente uma personagem.

Percebemos claramente o amadurecimento do autor desde seu primeiro romance – Fortaleza Digital – até seu último – Ponto de Impacto, mas os roteiros, como já dito, podem até ser tabelados: um mistério normalmente vinculado a algum conceito polêmico e com enigmas revelados aos poucos; sociedades ou grupos com apelo cult ou misterioso; casal de protagonistas com tensão amorosa, perseguidos durante todo o livro e que se acertam no final; uma série de informações interessantes-porém-de-utilidade-duvidosa-mas-que-rendem-ótimos-papos-de-bar, locais turisticamente interessantes ao redor do mundo descritos com riqueza de detalhes – o que dá uma aura de legitimidade ao que é escrito - , algumas mortes e um final interessante. Além disto, e creio que seja a maior qualidade dos livros de Brown, percebi que em todos os casos há uma questão que permeia o todo e que basicamente pode ser definida como "Os fins justificam os meios?", com posicionamentos bem estruturados de ambos os lados – e mesmo sendo o lado bom e o lado mau, os argumentos não seguem o mesmo maniqueísmo (a melhor argumentação que vi em seus livros na defesa de uma opinião - argumentação com a qual concordo na sua definição do papel da fé em nosso mundo, ou o papel que deveria ter - está em Anjos e Demônios e pode ser lida aqui). Todos estes ingredientes são levados a fogo alto em caldo de dinamismo, pois são escritos como se já almejassem a tela grande (Stephen King's way of writing), intercalando sempre duas ou três frentes de ação em capítulos curtíssimos, mantendo o sentimento de tour de force depois que as apresentações de personagens se dá por satisfeita.

Ahhh... e tem o toque sacana que não pode deixar de faltar. Já mencionei que, para ornamentar o todo, as descrições de locais são riquíssimas, a lista de documentos mencionados e informações históricas são cuidadosamente trabalhadas, o que dá uma aura de veracidade ao livro. Aura esta que é reforçada pela informação de que todos os "monumentos, documentos e locais descritos no livro são factuais". Não discordo disto, mas ele não diz, por exemplo, que a interpretação dos "fatos" é dele. É uma alegoria que segue o tal roteiro padrão e se aproveita daqueles leitores de primeira viagem e/ou desinformados e/ou levianos e/ou loucos por uma conspiração para ter seu sucesso espalhado como rastro de pólvora, seja no boca a boca ou em qualquer dos zilhões de mídias de que fez uso. Enfim, de algumas de suas várias frases interessantes, creio que a que mais o orienta na construção de suas histórias é que "todo mundo adora uma teoria de conspiração". Estamos então às vésperas do lançamento deste filme-evento com um elenco estelar e direção competente. Espero que o filme, um dos responsáveis por me levar à falência nos cinemas no mês que vem, mantenha todo o climão do livro e abra espaço para adaptação de outros livros, principalmente Anjos e Demônios. Afinal, a repetição de fórmulas não é privilégio de Dan Brown; o cinema já se repete há tempos... se pelo menos for divertido, pagarei ingresso feliz!

TORNA-TE QUEM TU ÉS


Este local aqui não é muito usado para este tipo de texto, mas, como não deixa de ser uma mídia e definitivamente é veículo de cultura e entretenimento, vou falar sobre livros. Como todas as coisas, abordar este "negócio" tem um/vários lado(s) ruim(ns) e um/vários lado(s) bom(ns). Ruim pois é mais difícil inserir imagens com adesão satisfatória ao que se aborda, algo que textos sobre quadrinhos, música e filmes tem em abundância. Ruim também porque as imagens dão ritmo a textos longos – característica deste blog - , como pontos de descanso em uma trilha. E bom, pois, como não há precedentes por estas bandas, as reações ao texto são inteiramente novas, assim como novas pessoas podem surgir pelos comentários se o assunto falar mais ao pé d'ouvido.

Falar sobre as paixões que os livros criam, bem como a magia intrínseca à excitação das idéias causada apenas pelo velo das palavras e o desvelo da imaginação é chover no molhado, então vou abordar dois outros focos, um passional e outro oportunista.

O passional vem através de uma obra que se esconde por trás da frieza de uma lápide de racionalidade, mas olha enviesado para o calor da emoção fundamental; a aceitação pela convivência. Trata-se de "Quando Nietzsche Chorou" (When Nietzsche wept - Yalom, Irvin D.; 1992). O livro traz para o mundo da ficção o relacionamento de pessoas reais e relevantes na história de nossa sociedade: Friedrich Nietzsche – filósofo prussiano do século XIX, Josef Breuer – médico vienense e mentor de Sigmund Freud – "pai" da psicanálise. A relação de mentor e discípulo entre Breuer e Freud foi factual, mas Nietzsche (pronuncia-se "Nitch", mas sempre que falo assim, sou forçado a apelar pro Niétch para reconhecerem de quem falo) nunca encontrou com ambos.

Resumidamente, Nietzsche sofre de doenças terríveis e é convencido, através da ação da única mulher foco de seu amor recalcado, a tratar-se com o renomado Dr. Breuer. Até aí parece que é um livro maçante, mas a forma como a relação entre estes dois homens evolui é inapelável, além de contar com vários coadjuvantes de peso, bem como arranha a porta da aurora da psicanálise.

Não é qualquer livro que, focado em diálogos, consegue fazer alguém sentir-se em um liquidificador de emoções. Os diálogos que travam Nietzsche e Breuer são inebriantes, os duelos retóricos apaixonantes, as diferenças de personalidades praticamente saltam do livro, tomam vida, e o desfecho é um ensinamento. Não um ensinamento como estes filmes edificantes e redentores que surgem por aí, mas, ao menos para mim, um ensinamento cuja clareza chega a cegar, dado o espectro de situações que ambos vivenciam até chegarem às suas conclusões. Especifico o "ao menos pra mim", pois, cético que sou, nunca li palavras que estivessem tão ligadas à minha forma de pensar, quase fazendo-me sentir como se fosse minha própria mão, conduzida por algumas entidade mais esclarecida, que escrevera alguns trechos do livro. As tormentas que cada um deles passa são tão reais quanto às suas ou às minhas, mas exaustivamente, - e nem por isto arrastadamente - interpretadas. Sabe aquele sentimento que às vezes temos aqui dentro, mas não conseguimos verbalizar? Neste livro todas estas sensações são detalhadas, quase como se fosse um manual para quando sentirmos os sintomas de nossas angústias e quisermos nomeá-las. O real sentido de amizade sofre abordagem tão honesta quanto a forma como o escudo intransponível da razão dá lugar à sólida, mas permeável, emoção.

Não satisfeito, o livro é um manancial de frases-verdade; destas incontestáveis por quem entende que a vida é menos romântica do que se pensa. O que dizer, por exemplo, da frase "as pessoas, em verdade, amam o desejo e não a pessoa desejada"? Na minha fase de maturidade, não vejo verdade mais absoluta. A busca pelo desejar é arrebatadora, as pessoas desejadas são transitórias. E o "Transforme o 'assim se deu' em 'assim eu quis', caso contrário, não viverás uma vida, pois se não escolhes seu destino é a vida que te vive. Deseje o necessário e ame o que desejar. Amor Fati". Claro, são retórica e, por vezes, podem estar longe demais do que sentimos, pois falam à razão. Mas até isto o livro sabe e, para não permanecer imparcial, trabalha a conversão do discurso para a mente em discurso para o sentimento de forma natural, aproximando as palavras pensadas das palavras sentidas.

Na foto acima, à direita, temos Lou Salomé, Paul Rée e Nietzsche em foto cuja importância é bem destacada no livro.

Há tempos não leio algo tão bom, tão envolvente e com tanta mensagem, pois "bom" e "envolvente" vários são, mas também são rasos de significado. Li emprestado, vou comprar. E as obras de Nietzsche estão na mira, certamente, até porque após pesquisar sobre o cara na net, a wikipedia fez-me passear por conceitos impossíveis de se ignorar.

terça-feira, 11 de abril de 2006

QUE PAÍS É ESTE


"Estamos em 1988 agora. Margaret Thatcher está entrando em seu terceiro mandato e falando confiante de uma aliança inquebrantável dos Conservadores no próximo século. Minha filha mais jovem tem sete anos, e um jornal tablóide está circulando a idéia de campos de concentração para pessoas com AIDS. Os soldados das tropas de choque usam visores negros, bem como seus cavalos, e suas unidades móveis têm câmeras de vídeo rotativas instalados no capô. O governo expressou o desejo de erradicar a homossexualidade e as pessoas já ficam especulando contra qual outra minoria irá legislar. Estou pensando em reunir a família e deixar o país nos próximos anos. Este lugar está virando uma terra fria e hostil, e eu não gosto mais daqui."
Alan Moore, março de 1988

Anos após a publicação original de V de Vingança, Alan Moore ainda penava com o cenário político de sua terra natal. Fascismo imperialista de extrema direita ditando as regras do jogo, em plena Guerra Fria. Reagan e Thatcher caminhando juntos e antevendo um futuro em chamas. Era desse futuro que tratava V, obra clássica que Moore desenvolveu ao lado do desenhista David Lloyd. Apesar de ainda em início de carreira, Moore discorre com maestria sobre temas não-usuais como favorecimento político, massificação e manipulação da mídia (isso te lembra alguma coisa?). Outro ponto que sempre me interessou em V, foi a opção do autor em observar de perto o impacto dessa repressão extrema sobre o cidadão comum. Mais ainda, sobre os próprios agentes do autoritarismo. O tal "elemento humano" que a Máquina é incapaz de processar com exatidão.

V apresentava um naipe de personagens complexos, tridimensionais, cada um enfrentando o seu próprio drama particular. Além de estarem de alguma forma ligados ao status quo, a única relação entre eles era a conseqüência das ações de um terrorista auto-entitulado V (ou "Codinome V"). Nada se sabe a respeito do indivíduo, apenas o que ele mesmo faz questão de deixar claro: travestido de Guy Fawkes (genial idéia de Lloyd, Moore odeia admitir), V faz de sua estréia um tributo ao mesmo e explode as casas do Parlamento britânico. Momentos antes, ele havia trucidado três agentes do governo (policiais à paisana, denominados "homens-dedo") para salvar a desesperada Evey Hammond da morte certa. Isso, logo nas primeiras páginas da graphic novel. A partir daí, Moore traça um painel amargo do que pode acontecer quando as pessoas erradas estão no poder. E faz questão de lembrar que a diferença pode sim ser feita por uma pessoa - ou uma idéia.


Agora, fãs da clássica Vendetta, vamos dar as mãos: que susto levamos, hein. Adaptação cinematográfica hollywoodiana feita no controle remoto por Matrix's Larry & Andy Wachowski? E quando soltaram aquele trailer japonês cheio de caratê e música tecno? Brrrr... gotas frias de suor caindo com efeito bullet-time. Po-rém... pensando friamente, os caras têm sim uma boa experiência no quesito "No Future/Fuck The System" - talvez sejam os profissionais top de linha no assunto atualmente - o que é, sem dúvida, indispensável para dar vazão à abordagem emputecida que Moore impregnou no texto original. E o diretor James McTeigue se mostra um controle remoto daqueles do tipo "universal", hiper-versátil. É dono de uma bela folha de serviços em blockbusters, como diretor de 2ª unidade e diretor assistente (em dois episódios de Star Wars e nos três, oohh... Matrixes), o que, categoricamente, não quer dizer porra nenhuma.

Mas nem tudo foi baixa expectativa. Acho humanamente impossível algum admirador de V não ter comemorado a inclusão de Natalie Portman no cast. Quase não consigo imaginar outra atriz melhor no papel de Evey (quase). A aura inocente, a jovialidade (aparentemente eterna), o olhar mezzo estarrecido mezzo intrigado, e, claro, sua beleza natural irresistível, seja pra homem, mulher ou GLS (desafio qualquer um a não ser um natalieportmanssexual). E ela ainda tem um background interessante com esta motivação em particular. A primeira vez que vi Natalie foi em O Profissional, aquela belezura de filme em que ela, ainda molequinha, fazia um mix de mocinha-em-perigo com sidekick de uma força da natureza ambulante, encarnada pelo Jean Reno. Juntos, eles enfrentavam a personificação de um sistema caótico e corrupto - o melhor papel de vilão do Gary Oldman. E ela roubou a cena dos dois. Perfeita. Já estava preparada para este papel desde aquela época. Tá contratada.

"Não há carne ou sangue dentro deste manto para morrerem. Há apenas uma idéia. Idéias são à prova de balas."
Codinome V

Uma pequena confissão: após meses acompanhando os percalços da produção, não sei porquê cargas d'água, acabei entrando no cinema sem a mínima idéia de quem interpretaria V. Incrível. Pode ter sido apenas uma monumental falta de atenção, mas prefiro acreditar que foi influência direta da revista, que minimizava ao zero absoluto a importância individual neste caso (afinal, ele representava, antes de tudo, "uma idéia").

Corta pra hq novamente (pulem esta parte, desafortunados que ainda não leram V... há spoilers aqui):

Quando li V pela primeira vez, eu já estava tão embriagado por aquele ideal libertário, que cheguei a torcer para que Evey não retirasse a máscara de V, já moribundo. No começo, é claro que estava curioso pra saber como ele era. Mas depois de toda aquela dicotomia revolucionária e subversiva, - e já totalmente "convertido" - fiquei com medo de virar a página e me sujeitar à uma desmistificação abrupta daqueles conceitos - que passei a tomar como preciosas informações. Ou que isso acarretasse o fim daquela viagem (cacete... Moore e seus argumentos que transcendem o final físico da história. Espero que este legado esteja sendo bem rateado por aí, pois de uns dias pra cá ando pensando muito nisto).


Hugo Weaving talvez não tenha o timbre de voz que eu imaginava (detalhe que, neste personagem, leva uns 90% do carisma). Pra mim, seria algo mais suave e melodioso. Em todo caso, até pelo tom áspero e o fôlego filhadaputa, a já conhecida mis-en-scene vocal do ator garantem a diversão (pô, a caricatura que ele fazia com o Agente Smith era demais)... e insólita, diga-se. Recitar riminhas complicadas pouco antes de deitar uns seis na mãozada é digno daquela reprise de Laranja Mecânica. Ultra-violência shakespieriana! Felizmente, as cenas de luta são filmadas de maneira digna, sem muitas novidades modernosas. Aqui não há nenhum pulinho, seguido de loop em 360º e chutinho que joga algum infeliz pra longe. As lutas são honestas, as facas são altamente letais (e estavam na hq... são faquinhas super-idôneas!) e as coreografias são decentes (a melhor foi a da fuga na estação de TV). Pero hay que endurecerse... a seqüência final foi inegavelmente matrixiana. Não que eu vá ignorar o que isso tecnicamente ofereceu de bom até certo ponto, mas ver as faquinhas girando em slow-motion-querendo-ser-bullet-time me irritou sobremaneira. Preciosismo altamente dispensável.

O produtor Joel Silver andou falando que Alan Moore só ficaria satisfeito com o roteiro se cada palavra do texto original fosse transcrita. Quem dera. Mas o trabalho de adaptação foi respeitoso em relação ao conceito, e, ao mesmo tempo, pra lá de ousado. O resultado foi bastante funcional. Os puristas vão engasgar com a pipoca devido ao efeito impiedoso da condensação e com a semi-inversão na ordem dos acontecimentos (disto eu gostei muito). E os cortes? O supercomputador Destino não aparece, assim como a obsessão do Líder Sutler (o grande John Hurt, desperdiçado). Também não aparecem personagens-chave que fizeram toda a diferença, como a ambiciosa Helen Heyes e a vitimizada Rosemary Almond. O assassinato de Lewis Prothero - ex-"Voz do Destino", rebatizado "Voz de Londres" - foi relegado à uma seqüência padrão que passa longe daquela maravilha ritual vista na hq (aquilo sim era uma vendetta!). Já Gordon Deitrich não pega Evey (muuuuito pelo contrário...), justamente pra não ofuscar uma infeliz opção do roteiro quase na reta final. E Stephen Rea, um ator que eu admiro muito e também nem imaginava que estaria em V, caiu como uma luva no papel de Edward Finch - papel este que seria memorável, caso não tivesse um final tão alterado.


Mas o que aparece transposto literalmente chega a ser emocionante. O processo de "purificação espiritual" a que Evey é submetida ficou uma beleza (e prova que Natalie Portman fica bonita até azul com bolinhas amarelas). As cenas e os flashbacks relacionados à carta sufocante de Valerie ficaram perfeitas, talvez o auge dramático do filme. Ótimas as seqüências de V despachando a amargurada Doutora Delia e o repugnante Bispo Lilliman. Irretocáveis.

Eu defendo até a atualização da geopolítica envolvida. Muito se fala que as referências ali são ao W. Bush way of life, e são mesmo. Fazer o quê, se a Inglaterra andou importando alguns mal-costumes de sua ex-colônia (vide a co-autoria na invasão ao Iraque e o caso Jean Charles)? Não que isso vá acontecer com eles mais pra frente... não apenas com eles. Hoje, esta não é apenas uma visão do futuro da Inglaterra, mas do mundo. Inclusive nós aqui. Sem querer soar condescendente... estamos num país onde milhões de dólares são saqueados de cofres públicos e políticos assumidamente corruptos se beneficiam de acordos para evitarem a cassação, enquanto uma doméstica desempregada fica cinco meses na cadeia por roubar um pote de manteiga. Não se engane, neste exato instante, vivemos no universo de V. Mas em breve teremos mais uma chance de mudar algo - não através da força, ainda bem.

"O povo não deveria ter medo do seus governos. Os governos deveriam de ter medo de seu povo."
Codinome V²

Temos muito o que aprender aí, com todos estes acontecimentos e informações disponíveis, com este filme e seu final apelativo e populista. O pedido por indignação e contestação se confirma quando os créditos sobem ao som do clássico stoneano Street Fighting Man - uma ode ao cara que vai às ruas lutar pelo que acredita. A palavra de ordem não é mais "acorde", e sim "reaja". Nada mal em se tratando de uma mega-produção hollywoodiana.

A revolução definitivamente não será televisionada.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

ALTAR BOYS & THE ATOMIC TRINITY


Quatro amigos passam os dias vivendo (ou, na maior parte do tempo, bolando) grandes aventuras, enquanto encaram, cada um à sua maneira, o turbilhão da adolescência. A primeira vez que assisti Conta Comigo (Stand by Me, 1986), foi identificação no ato. Mesmo levando em conta a enorme diferença, sei lá, "existencial" entre eu e os personagens do filme, a sensação de que minhas memórias poderiam se encaixar perfeitamente dentro daquele contexto era quase tangível. O sentimento e a busca por adrenalina era o mesmo. O filme me fez lembrar que também fui revoltado como o Teddy, fútil como o Vern, escapista como o Gordie e que ao menos 1% da minha consciência me mandava fazer as coisas certas, igual ao Chris. Isso sem contar a narração intrigante e a breve participação de Richard Dreyfuss, e a linda Stand by Me na trilha, além do verniz suave que deixava a história acessível - ao contrário do ótimo-mas-pesadão Vidas Sem Rumo, de 83. Tudo muito distante dos bacanas e estereotipados Goonies (lançado um ano antes), dos maconheiros de Picardias Estudantis (nunca nem pitei) e do super-herói Ferris Bueler (Save Ferris!). Claro... cada um com a sua viagem, mas Conta Comigo tinha um apelo universal. Esse filme foi um divisor de águas e efetivou um estilo todo próprio de se contar uma história, até hoje revisitado à exaustão.


...talvez só encontre paralelo no ótimo Clube dos Cinco (Breakfast Club, 1985), disparado o melhor filme de John Hughes - mas ainda assim tem um target muito mais preciso.


Depois desse tributo aos deuses, já dá pra falar sem reservas de Meninos de Deus (The Dangerous Lives of Altar Boys, 2002), filme já bem rodado nas locadoras. Estrelado e produzido por Jodie Foster para sua Egg Pictures, o filme é a estréia de Peter Care na direção de um longa. Até então, ele havia dirigido vídeos do R.E.M. e Depeche Mode, entre outros. O título em português parece nome de filme sobre a vida de Joseph Mengele, mas tem lá a sua justificativa (detalhe inédito, visto que as distribuidoras nacionais sacaneam os títulos por hobby). A tradução literal seria "A Perigosa Vida dos Coroinhas (Estrelando Michael Jackson no papel de Padre Jacko)". Pegava mal pra uma certa instituição religiosa patrocinadora das Cruzadas (sabe aquelas revistinhas da Ediouro?).

Nos Estados Unidos, apesar das pressões, a jagunça Jodie Foster sacou a peixera da liberdade artística e manteve o título original - o mesmo do livro no qual é baseado, escrito por Chris Fuhrman, falecido pouco depois de terminá-lo.


O filme se passa em meados dos anos 70 e é protagonizado por dois amigos, Tim (Kieran Culkin, de Sempre Amigos) e Francis (Emile Hirsch, o vacilão morde-fronha de Show de Vizinha). Ambos cursam o ginásio de uma escola católica e auxiliam o Padre Casey (Vincent D'Onofrio!) como altar boys, digo, coroinhas. Ao lado de mais dois colegas, eles vivem armando trotes sem-noção, tipo aqueles do Delinqüente, Inconseqüente & Demente, e têm como alvo principal a severa e implacável Irmã Assumpta (Jodie Foster). Enquanto o grupo está próximo de aplicar o seu maior trote, Francis se apaixona pela doce Margie (Jena Malone).

O roteiro, adaptado por Jeff Stockwell e Michael Petroni, segue por uma linha aparentemente simplista, mas guarda várias surpresas, em sua maioria muito positivas. Os quatro amigos andam de bicicleta, bebem, fumam, enfim... curtem adoidado aquela fase de suas vidas, mas têm em comum uma paixão em especial: histórias em quadrinhos. Eles discutem sobre personagens, poderes, inventam super-heróis calcados neles mesmos (criam um supergrupo chamado "Trindade Atômica", ignorando um dos colegas, que desenha mal pra chuchu) e rabiscam sem piedade as páginas de seus cadernos de escola. Quem curtiu hq nessa idade, pode se preparar para um déjà-vu daqueles.

Destaque também para os temas abordados ao longo do filme. Alguns bem pesados para o consumidor acostumado à produções mainstream, mas que conferem toda aquela pecha alternativa heróica, típicas do circuito independente (além de serem únicas, artisticamente falando).

Uma boa sacada ficou por conta das intervenções animadas, que funcionam como uma metáfora ao momento que o grupo de amigos atravessa no mundo real. Ali, a Trindade Atômica ganha vida e, com o tempo, o ponto de vista vai se centralizando em Francis (o filme gira sob a ótica dele). Assistindo aos desenhos, fica mais clara a influência da Tragédia Grega no mito do super-herói. A dramaticidade é exagerada ao extremo, tanto nas posturas e ações físicas, mas sempre mantém uma analogia única com a realidade cinzenta. Outro detalhe bacana é que Francis é fã do Monstro do Pântano e sua contraparte animada por acaso é um ser vegetal chamado Samambaia - cuja trajetória acaba incluindo uma versão "guerreira" de sua namorada Margie (mais déjà-vu).


A inspirada animação ficou a cargo do businessman Todd McFarlane, notório criador do herói Spawn. Como de praxe nessa área, ele fez mais um bom trabalho, anos-luz à frente de tudo que já produziu nos quadrinhos (vide o excelente clip da música Do The Evolution, do Pearl Jam). Ficou tão legal que os extras do dvd trazem essas seqüências na ordem, compondo um único desenho independente do filme. Aliás, só soube agora que McFarlane abocanhou um cobiçado prêmio Emmy, pela série do Spawn produzida pela HBO.

Algumas pequenas falhas pipocam na narrativa, mas nada muito grave. Os dois amigos de Tim e Francis, p.ex., apresentam uma certa personalidade, mas acabam se tornando invisíveis ao longo da história. O filme chega a descartá-los por uma boa parte do tempo e quando eles voltam, a boa caracterização do início já evaporou. Francis, por sua vez, ganha a interpretação sempre relutante de Emile. Isso, diante do carisma agressivo de Kieran Culkin, é praticamente um suícido cênico. No entanto, soam absolutamente naturais em seus diálogos, o que salva a química de ambos. É fácil ver que os dois também são amigos longe das câmeras, facilitando a proposta do roteiro. Já o tal grande trote final tem uma tendência tão forte a dar numa merda sem tamanho, que arrisca seriamente a condição de "heróis-contra-o-sistema" dos garotos. Por fim, o momento em que Francis vê o espírito de uma mulher na casa de Margie fica em aberto, e nada mais é dito a respeito após a cena.

Por falar em Margie, ela é, de longe, a personagem mais complexa do filme. Jena Malone (a namorada do Donnie Darko e a versão jovem de Jodie Foster, em Contato) prova que é uma das melhores atrizes de sua geração, conferindo sutileza, introspecção e amargura à nuance mais densa e hardcore do filme. Quanto à Jodie Foster... puxa vida... desnecessário descrever o seu nível de atuação infinitamente superior ao da maioria dos colegas de profissão. Resta observar, humilde como um gafanhoto diante de seu mestre shaolin, o que ela pode fazer com uma personagem que é um dos estereótipos mais antigos do cinema. Não muito, pra falar a verdade. Nos extras, ela mesma explica que não poderia fazer a típica vilã caricatural, pois destoaria da atmosfera realista do filme. Na mesma entrevista, ela ainda dá uma bela alfinetada no roteiro por representar uma irmã de um modo tão maniqueísta. Jodie é foda.

Meninos de Deus está longe de ser perfeito, mas, antes de tudo, é bastante humano e cativante na medida certa. E é incrível como um filme independente, com orçamento pra lá de modesto, consegue ser muito mais criativo do que esses blockbusters barulhentos de verão. Viva a independência!

Ah... o Vincent D'Onofrio. Há uma "certa" tensão no olhar de seu personagem, o Padre Casey. Ecos do Recruta Pyle?



CINCO


Finalmente estréia na sexta-feira a adaptação cinematográfica de uma das hqs que mais me marcaram na vida. É até estranho dizer "foram os quadrinhos que eu mais curti" (essas coisas não se decidem assim, pois dependem do estado de espírito no momento), mas se me entendessem mal e ficasse por isso mesmo... tranqüilo pra mim. Anos após a primeira leitura, as idéias desenvolvidas em V de Vingança até hoje me assombram com a mesma intensidade. Principalmente sendo eu um brasileiro vivendo no Brasil, neste momento em específico. Talvez esta seja a explicação de tanta empatia.

Sem querer menosprezar os vindouros X-Men: O Conflito Final e Superman - O Retorno, esse é o filme mais aguardado do ano por este que vos escreve. Após tantas CPIs, absolvições, caso Celso Daniel, quebras ilegais de sigilo bancário, corrupção ativa e passiva... eu preciso deste filme. Com Joel Silver, Wachowski Brothers e tudo.


dogg... assistindo FHC no Jô Soares e pensando em dar à distinta Câmara do Congresso a mesma decoração que Codinome V deu ao Parlamento inglês.

quinta-feira, 2 de março de 2006

THE LIGHTMATES


Dessa vez eles se mexem. Tudo bem que não é aquela movimentação hiper-realista com que eu vivo sonhando desde Akira, mas está longe de lembrar aqueles desenhos desanimados dos anos sessenta. Logo nos primeiros instantes de Ultimate Avengers: The Movie (2006), não fica difícil imaginar que esta não é uma adaptação lá muito fiel. Sem chance de comparecer toda aquela malaquice anti-republicana, anti-democrata, anti-globalização, anti-Mac Donalds, anti-Marvel, anti-DC, anti-Bono Vox e anti-atitude-de-ser-anti-alguma-coisa, que fez a fama dos Supremos de Mark Millar e Bryan Hitch (já sinto saudades). Nada de Capitão América apontando o dedo pra cara de algum infeliz e sentenciando "son... you're goin' down", Hank Pym cobrindo Janet de bolacha, muito menos do Hulk vociferando que tá morrendo de tesão e que vai catar Betty Ross a todo custo. Ficou só a estrutura antenada da concepção Ultimate. O inusitado era saber como os Supremos se sairiam jogando pelas regras do standard que tanto debocharam nos quadrinhos.

A direção ficou a cargo de Steven E. Gordon e Curt Geda, que é profissional do ramo. Ele tem no currículo bons episódios de X-Men: Evolution (sim, eles existem!) e do interessante Projeto Zeta, além do excelente Batman do Futuro: O Retorno do Coringa.

A adaptação tem início em 1945, mostrando a última e fatídica missão do Capitão América na 2ª Guerra. Durante a batalha, Cap descobre que os nazistas tiveram uma mãozinha da perversa raça alienígena Chitauri em seu suporte tecnológico. Daí em diante, a história clássica retoma o curso: ao impedir a trajetória de um míssil intercontinental nazista, Cap cai nas águas geladas do Atlântico Norte e vira picolé de bandeira americana até os dias atuais, quando é resgatado pela SHIELD em perfeito estado criogênico. Reincorporado ao esforço de guerra norte-americano, Steve Rogers (o Cap) passa a fazer parte de uma nova linha de defesa pós-humana, que conta com outros integrantes também com "talentos" fora do comum: Hank Pym (a.k.a. Gigante, um cara que cresce), sua esposa Janet (a Vespa, que encolhe, cria asas, solta buscapés e não paga peitinho na versão animada), Natalia Romanoff (a Viúva Negra, aqui chamada de Natalia mesmo, em vez de Natasha), a supervisora de pesquisas Betty Ross e o Dr. Bruce Banner (esse dispensa apresentações).


Entre os relutantes com postura de participação esporádica, estão o bilionário Tony Stark (o Homem de Ferro) e o filho de Odin e ativista de plantão Thor. Clint Barton (Gavião Arqueiro), Pietro e Wanda Maximoff (respectivamente Mercúrio e Feiticeira Escarlate) nem chegaram a ser citados.

Ainda em fase de testes e sob a batuta de Nick Fury, diretor da SHIELD, o supertime encara a missão de escorraçar a ameaça alienígena de uma vez por todas, enquanto tenta lidar com a instabilidade emocional de Banner e de seu alter-ego indócil.

Apesar de ser ligeiramente acima da média, Ultimate Avengers deixa claro que uma animação com boa qualidade técnica não passa de um preciosismo dispensável para a indústria americana. É tudo tão padronizado, tão pré-moldado, que eu acho até que deve existir algum plug-in pra Photoshop que reproduz aqueles cenários fielmente. A fisionomia dos personagens segue o tal standard e remetem a qualquer sessão animê matinal de sábado. O que é um grande desperdício, se pensarmos que tudo foi baseado no conceito original criado por Bryan Hitch, um dos melhores desenhistas de quadrinhos da atualidade. Sem contar que isso revela uma absurda falta de timing e criatividade para criar muito com poucos recursos.

Digamos que cada frame adicional incrementaria sobremaneira uma animação, mas custaria os olhos da cara para os produtores. Sem problemas. Gente inspirada e inovadora como Genndy Tartakovsky (Samurai Jack, Star Wars - Clone Wars), Bruce Timm (Batman, Justice League Unlimited) e os artesãos shaolin da cultura anime, estão acostumados a tirar água de pedra, trabalhando e até utilizando longos quadros estáticos ao seu favor (retratando, p.ex., um momento de suspense). Até mesmo a relação estreita com a sétima arte já rendeu momentos memoráveis, como a despirocante série The Maxx, criada pelo insano Sam Kieth como se fosse uma transposição literal, mantendo o mesmo traço estiloso que fez a sua fama nas HQs.

No caso, sobraram apenas algumas cenas inspiradas no original, como essas aqui - pra quem acompanhou as histórias, fica quase irresistível a releitura das revistas.

Claro que pensar em Hitch como o ilustrador da adaptação é querer demais (se já é difícil ele manter a regularidade nas HQs...). Mas nos créditos finais, com uma seqüência de seus desenhos para a revista, transparece que esta talvez tenha sido uma possibilidade cogitada. No entanto, voltamos à questão do orçamento à toque de caixa, do lançamento em esquema direct-to-dvd (inequívoco sinal de estratégia mercadológica) e do "risco-Ultimate", que pesa o custo-benefício de se levar ao alcance das crianças um produto mais sofisticado que o bê-a-bá Stan Leeano (sem ofensas, mestre!).


Ultimate Avengers não reedita o tsunami anárquico das HQs e se o fizesse seria a animação mais revolucionária dos últimos dez ou quinze anos. Calma, fãs de A Viagem de Chihiro, Cowboy Bebop, Metropolis e Steamboy, já explico. Imagine essas HQs como um veículo pop, já que são produzidas por uma major editorial como a Marvel Comics ("não exatamente um bastião anti-capitalista"). O conteúdo polêmico que Mark Millar criou para os Supremos, apesar de se ater mais à geopolítica internacional, também critica furiosamente o próprio sistema do qual a editora faz parte. Isso pra não falar da veia "Nelson Rodrigues" existente na HQ - por si só, impublicável. Toda essa pólvora temática disseminada em um veículo ainda mais pop e sendo vendida aos lotes em gigantescas megastores, seria como a mordida final que o sistema daria no próprio rabo. Uma justiça poética que arrancaria um sorriso maquiavélico de Millar.

Teorias de conspiração à parte, Ultimate Avengers até que se sai bem como aventura descompromissada PG-13.

Apesar de exageradamente curto (72 min.), o desenho sintetiza de forma eficiente as tretas nazi-alien-Hulkísticas que a equipe enfrentou em seu 1º volume nos quadrinhos. Alguns designs foram até melhorados, como os porta-aviões aéreos, os aliens e as naves chitauri (que deixaram de ser arremedos de ID-4). Após uma lerdeza inicial, a ação fica mais solta, dinâmica, e finalmente se vê a influência de todos aqueles nomes nipônicos enfeitando os créditos finais. Um bom exemplo é a segunda vez que o Cap atira seu escudo em um alvo múltiplo (gesto tão tradicional quanto o Clark voando com o braço esticado na frente ou o Parker lançando teias). Bem melhor que da primeira vez. Outras nuances foram perfeitamente traduzidas, como a tragédia pessoal/temporal do Cap (que, estranhamente, não contou com a simbólica olhadinha na bandeira do original. Eu, que nem sou americano, achei um vacilo - mas acho que é só meu lado Michael Bay falando).

Hank Pym não faz Janet de sparring, mas a tensão doméstica existe e nota-se claramente que o cara não vale um copo de cachaça. A Viúva Negra, por outro lado, ficou tão gostosa quanto artificial, tendo como maior atrativo o sotaque russo canastrão. Já Nick Fury continua linha-dura e controlador - e é compreensível que ele não tenha herdado o famoso visual L. Jackson, mas bem que poderiam ter chamado o ator pra fazer a dublagem. Seria perfeito e ele já disse até que é fã dos quadrinhos. Tony Stark, do alto de sua playboyzice no jet set internacional, ficou bastante carismático. Pena que ele aparece muito pouco sendo Stark. E por falar em aparecer pouco, Thor consegue dar o recado apesar da participação reduzida e protagoniza a cena mais engraçada do filme ao recusar a oferta de Fury. Aquilo lá ficou muito melhor que na HQ...


O momento mais esperado, claro, é o inevitável confronto contra o Hulk. Não decepciona. O Golias Verde (aqui, Golias Eucalipto) arrasa naves chitauri, nocauteia o Gigante duas vezes, esfrega o chão com a cara do Cap, destroça o Homem de Ferro e até faz o Thor sentir o gostinho de levar com o Mjolnir na cara. Exagero bacana!

Talvez o maior defeito de Ultimate Avengers seja a falta de um target mais preciso. O principal vilão da HQ, o impiedoso Ming... digo, Herr Kleiser (um alien travestido de milico nazi), só aparece no comecinho e dali por diante figuram apenas aliens operários e anônimos. Fica uma certa ausência de clímax. Isso sem contar nas cenas em que a Viúva dá em cima do Cap. Muito forçado, e pra quem está acompanhando as últimas edições americanas da HQ soa mais absurdo ainda.

Dá pra afirmar que essa é a melhor adaptação animada de personagens da Marvel. É um passo à frente no que tem sido feito até então. E a conclusão indica que algo interessante pode rolar mais pra frente. Mas a sensação que fica é que poderia ter sido muito melhor - principalmente após o alto nível estabelecido pelas animações da Divina Concorrente.


Na trilha: CD I, do classudo Nightingale. Sabe, revendo os últimos posts... acho que vou mudar o nome do blog pra Zombie Ultimate.

quarta-feira, 1 de março de 2006

Rapidinha: o filme do GEN¹³ (da extinta seção "Merece uma caixa de Antarctica Original")


A adaptação animada de Gen¹³! Lançada sem muito alarde em 1998, o desenho baseado nos personagens criados por Jim Lee foi dirigido por Kevin Altieri (diretor de vários episódios do sem-comentários Batman: The Animated Series) e co-escrito pelo próprio ao lado de Karen Kolus.

Fiquei realmente impressionado, o desenho é bem melhor do que eu imaginava. E carrega bastante na violência. Certos momentos lembram até o clássico Akira...


...e não faltam algumas pseudo-cenas de nudez e a deusa Caitlin Fairchild em posições bem generosas.



O resultado é bastante fiel à HQ, a trama e o carisma dos personagens mantém o interesse (tem até uma revelação final de lambuja), Roxy tá uma gracinha punk e o Grunge (dublado pelo Flea, do RHCP) continua o mesmo zuado de sempre.

Ótima diversão. Pena que o caldo não rendeu e a conclusão - abertaça para uma seqüência ou uma série televisiva - ficou naquilo mesmo.