segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Ao meu amigo Sal
Triste iniciar os serviços do ano com uma notícia assim, mas esse não teve como. Sal Buscema mudou a minha vida (ou ao menos o modo como a levo). E digo até em que mês e ano isso aconteceu: junho de 1984, quando pus a mãos em O Incrível Hulk #12, da Abril. Foi a primeira vez que lia algo por conta própria fora dos cadernos e livros da escola. Meu primeiro gibi. O impacto daquilo carregarei comigo até o dia em que fechar os olhos.
Lógico que a parceria antológica com o roteirista Bill Mantlo era parte indissociável da magia, mas foram os traços dinâmicos e efetivos de Sal que traduziram para aquele molequinho as décadas da fórmula Marvel desde que Jack Kirby deu início à coisa toda. O encantamento foi imediato. Aquelas cenas de ação, as porradarias explodindo painéis e todo aquele frenesi narrativo não conseguia ver em mais lugar nenhum. Nem mesmo hoje, nos comics regulares.
Sal Buscema também trabalhou para a DC, IDW e algumas outras, mas na maior parte da carreira ele foi praticamente sinônimo de Marvel Comics – a mesma carga identitária construída por seu irmão, o lendário "Big" John Buscema. E, da mesma forma, um operário incansável. E um operário que valia ouro em se tratando de Hulk, ROM, Defensores, Homem-Aranha (notadamente o título Spectacular), os Novos Mutantes e por aí foi. Inesquecíveis.
Mesmo notório pelas sequências cinéticas eletrizantes, Sal também era um mestre em transpor emotividade aos personagens, da mais básica à mais complexa. Tudo de forma fluída e cristalina. Mesmo para um gurizinho com pouquíssima noção de mundo.
E volto àquela memorável e, infelizmente, ainda atual Hulk #12.
Muitas vezes, nem mesmo um texto era necessário.
Espetacular, de fato.
Thank you for everything, “Big” Sal.
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