
Tenho o livro
Eu, Robô, de
Isaac Asimov, já há algum tempo. É uma seleção de contos muito interessante, e muito básico também. Confesso que não cheguei a ler o livro inteiro, por conta dessa simplicidade. Por outro lado, eu também tenho um exemplar de
Fundação, que também não li inteiro por achá-lo bastante complexo. Para não prejudicar a experiência, o encostei e deixei pra ler quando "estiver no clima" (situação que já dura uns 4 anos).
Estou em dívida com o Azí. Não sei se assistir à versão pipoca de
Eu, Robô (
I, Robot, 2004) irá me redimir em parte, mesmo assim, vambora...
O ano é 2035, e o policial tecnofóbico
Del Spooner (
Will Smith, ou WiALL STARmith, tanto faz) investiga um assassinato possivelmente cometido por um
robô. No processo, ele é auxiliado por
Susan Calvin (
Bridget Moynahan), uma cética "psicóloga de robôs". Tal crime é tido como improvável, pois contraria as 3 Leis do Robocop:
1 – Um robô jamais poderá sacanear alguém da nossa família, nem deixar que ela seja sacaneada; 2 – Um robô pode fazer o diabo pra satisfazer o seu dono, menos sacanear a nossa família; 3 – Um robô deve sempre tirar o seu da reta, exceto se isso sacanear a nossa família de algum modo ou deixar que alguém a sacaneie.No caso do Robocop, havia uma
4ª diretiva que sacanearia a nossa família, e em
Eu, Robô também existe um fator sacaneante.

Pra início de conversa, o filme leva o crédito de manter uma continuidade bem estável em sua narrativa. Se isso já é difícil de conseguir na adaptação de um livro contendo uma única história, quem dirá fazer o mesmo com um livro contendo
várias histórias. A concepção visual é naquela tocada
urban dark à
Minority Report, incluindo todas as suas improbabilidades (aqueles robôs, naves e carros em
2035? Bota mais uns 300 anos nissaê). No entanto, os vôos súbitos e imprevisíveis da câmera, e o ritmo forte de ação mostram que o egípcio
Alex Proyas ainda mantém a sua pegada.
Aliás, sempre gostei desse diretor, tanto pelo fato dele não pertencer ao eixão Hollywood-Londres, quanto pelo seu estilo
gothic punk fluente. Os belos
O Corvo e
Cidade das Sombras, apesar de hollywoodianos, são exemplos bem claros disso (ainda não vi
Garage Days, TSC!).
Agora, a Inês é morta com requintes de crueldade: na minha época de moleque, não haviam
comerciais em uma sessão de cinema. Uma coisa dessas era totalmente improvável naqueles tempos pré-
blockbuster. Hoje, parece que eles se propagaram para a telona em ritmo industrial e, em
Eu, Robô, não pararam de aparecer até uns 15 minutos de projeção do filme em si. Era JVC pra cá, AS (já falei a marca) pra lá, até que parei de contar as referências, senão ia acabar ligando para o SAC de algumas daquelas marcas.
O próprio Will Smith é uma propaganda de si mesmo, sendo que as piadas fracas você ganha de brinde. Felizmente, em determinado momento, ele larga a mão de ser chato e segue com a história numa boa. É até engraçado quando lembramos que a única vez que ele não interpretou a si mesmo foi no fraquinho sitcom
The Fresh Prince of Bel-Air (que passava no SBT após o Chaves – sou mais o Chaves).

Fora a beleza da atriz Bridget Moynahan, há pouco a se destacar aqui, pois o roteiro segue à risca o padrão americano de filmes de aventura: estão lá o crime, os suspeitos, as cenas de ação em alta velocidade, o herói teimoso, a mocinha incrédula, o chefe-de-polícia-nervosão-e-melhor-amigo-do-herói (até quando, meu Deus?), entregas de distintivos, conspirações e o "Chefão do Mal" comandando tudo por trás das cortinas. Ou seja, estamos falando de "matinê" aqui. Isso explica a quantidade de guris
big-mac que infestavam a sessão.
Eu, Robô trafega insipidamente por um tema que já rendeu vários momentos memoráveis nas telas. Coisinhas como
Metropolis, 2001 - Uma Odisséia no Espaço, Westworld - Onde Ninguém Tem Alma, A Geração Proteus, Blade Runner, Runaway - Fora de Controle, O Exterminador do Futuro,
Ghost In The Shell, o 1º
Matrix e
A.I., foram bem mais fundo na questão do que
Eu, Robô. O único detalhe é que ser
superficial é justamente a proposta do filme – o que cumpre em uns 8 pontos numa escala de 10. Removendo o meu chip de compreensão, tome lá uns 6 pontos.

A propósito, essas imagens são do clip da música
All Is Full Of Love, da cantora islandesa
Björk, dirigido pela fera
Chris Cunningham. Foi a primeira vez na vida que prestei atenção em um clip, pois ele de fato é belíssimo (assim como todos os outros da cantora). E também entrega que o design dos autômatos de
Eu, Robô foi chupado (ou downloadeado) desse vídeo, que é de
1998.
Agora dá licença, que esse papo de robô me deu vontade de jogar
MechWarrior...