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domingo, 15 de maio de 2022

A Espada Selvagem de Amleth


A forja


Os ensinamentos


O massacre


O sobrevivente


Os algozes


O escravo


O guerreiro


A espada ancestral


A bruxa


O lobo entre os cordeiros


O condenado e suas companhias aladas


A vingança


A decapitação

Só Heimdall para desatar o emaranhado que as Nornes teceram caprichosamente neste trecho do destino. Ontem foi o quadragésimo outono de Conan, o Bárbaro, exatamente o dia em que o antecipadíssimo O Homem do Norte (The Northman, 2022) chegou ao alcance de uma maioria de desonrosos que não tombaram em batalha. Os paralelos entre os filmes são visíveis até das paragens mais longínquas da Bifrost. No decorrer de O Homem do Norte, assisti atônito a reedição não apenas da premissa, mas também dos aspectos estruturais eternizados pelo clássico bastardo de John Milius.

"Arquétipos", sei. Ou reflexo da lenda escandinava original.

Não é nada disso: é o timing desses arquétipos, da narrativa, do pacing. Mediocridade cinemática não é. Todos sabemos (sabemos?) do talento de Robert Eggers, um dos cineastas mais interessantes dos últimos tempos. E O Homem do Norte é um espetáculo assim mesmo. Mas por esse pequeno detalhe, o cinturão viking permanece com Nicolas Winding Refn. Odin seja louvado.

Melhor filme do ano?²³²³²³. Se acabar sendo, ótimo. Mas tomara que não.

Ps: cara, como amo a Björk. Ela já nasceu pronta, hm?

quinta-feira, 12 de agosto de 2004

EU, BJÖRK


Tenho o livro Eu, Robô, de Isaac Asimov, já há algum tempo. É uma seleção de contos muito interessante, e muito básico também. Confesso que não cheguei a ler o livro inteiro, por conta dessa simplicidade. Por outro lado, eu também tenho um exemplar de Fundação, que também não li inteiro por achá-lo bastante complexo. Para não prejudicar a experiência, o encostei e deixei pra ler quando "estiver no clima" (situação que já dura uns 4 anos).

Estou em dívida com o Azí. Não sei se assistir à versão pipoca de Eu, Robô (I, Robot, 2004) irá me redimir em parte, mesmo assim, vambora...

O ano é 2035, e o policial tecnofóbico Del Spooner (Will Smith, ou WiALL STARmith, tanto faz) investiga um assassinato possivelmente cometido por um robô. No processo, ele é auxiliado por Susan Calvin (Bridget Moynahan), uma cética "psicóloga de robôs". Tal crime é tido como improvável, pois contraria as 3 Leis do Robocop:

1 – Um robô jamais poderá sacanear alguém da nossa família, nem deixar que ela seja sacaneada;
2 – Um robô pode fazer o diabo pra satisfazer o seu dono, menos sacanear a nossa família;
3 – Um robô deve sempre tirar o seu da reta, exceto se isso sacanear a nossa família de algum modo ou deixar que alguém a sacaneie.

No caso do Robocop, havia uma 4ª diretiva que sacanearia a nossa família, e em Eu, Robô também existe um fator sacaneante.


Pra início de conversa, o filme leva o crédito de manter uma continuidade bem estável em sua narrativa. Se isso já é difícil de conseguir na adaptação de um livro contendo uma única história, quem dirá fazer o mesmo com um livro contendo várias histórias. A concepção visual é naquela tocada urban dark à Minority Report, incluindo todas as suas improbabilidades (aqueles robôs, naves e carros em 2035? Bota mais uns 300 anos nissaê). No entanto, os vôos súbitos e imprevisíveis da câmera, e o ritmo forte de ação mostram que o egípcio Alex Proyas ainda mantém a sua pegada.

Aliás, sempre gostei desse diretor, tanto pelo fato dele não pertencer ao eixão Hollywood-Londres, quanto pelo seu estilo gothic punk fluente. Os belos O Corvo e Cidade das Sombras, apesar de hollywoodianos, são exemplos bem claros disso (ainda não vi Garage Days, TSC!).

Agora, a Inês é morta com requintes de crueldade: na minha época de moleque, não haviam comerciais em uma sessão de cinema. Uma coisa dessas era totalmente improvável naqueles tempos pré-blockbuster. Hoje, parece que eles se propagaram para a telona em ritmo industrial e, em Eu, Robô, não pararam de aparecer até uns 15 minutos de projeção do filme em si. Era JVC pra cá, AS (já falei a marca) pra lá, até que parei de contar as referências, senão ia acabar ligando para o SAC de algumas daquelas marcas.

O próprio Will Smith é uma propaganda de si mesmo, sendo que as piadas fracas você ganha de brinde. Felizmente, em determinado momento, ele larga a mão de ser chato e segue com a história numa boa. É até engraçado quando lembramos que a única vez que ele não interpretou a si mesmo foi no fraquinho sitcom The Fresh Prince of Bel-Air (que passava no SBT após o Chaves – sou mais o Chaves).


Fora a beleza da atriz Bridget Moynahan, há pouco a se destacar aqui, pois o roteiro segue à risca o padrão americano de filmes de aventura: estão lá o crime, os suspeitos, as cenas de ação em alta velocidade, o herói teimoso, a mocinha incrédula, o chefe-de-polícia-nervosão-e-melhor-amigo-do-herói (até quando, meu Deus?), entregas de distintivos, conspirações e o "Chefão do Mal" comandando tudo por trás das cortinas. Ou seja, estamos falando de "matinê" aqui. Isso explica a quantidade de guris big-mac que infestavam a sessão.

Eu, Robô trafega insipidamente por um tema que já rendeu vários momentos memoráveis nas telas. Coisinhas como Metropolis, 2001 - Uma Odisséia no Espaço, Westworld - Onde Ninguém Tem Alma, A Geração Proteus, Blade Runner, Runaway - Fora de Controle, O Exterminador do Futuro, Ghost In The Shell, o 1º Matrix e A.I., foram bem mais fundo na questão do que Eu, Robô. O único detalhe é que ser superficial é justamente a proposta do filme – o que cumpre em uns 8 pontos numa escala de 10. Removendo o meu chip de compreensão, tome lá uns 6 pontos.


A propósito, essas imagens são do clip da música All Is Full Of Love, da cantora islandesa Björk, dirigido pela fera Chris Cunningham. Foi a primeira vez na vida que prestei atenção em um clip, pois ele de fato é belíssimo (assim como todos os outros da cantora). E também entrega que o design dos autômatos de Eu, Robô foi chupado (ou downloadeado) desse vídeo, que é de 1998.

Agora dá licença, que esse papo de robô me deu vontade de jogar MechWarrior...