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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

New World Zombie


Guerra Mundial Z (World War Z, 2013) é, de certa maneira, um tipo de marco. Zumbis sendo populares o bastante para estrelarem um blockbuster com Brad Pitt era algo impensável até pouco tempo. Foi uma autêntica escalada social. Nem George A. Romero, Lucio Fulci ou o feiticeiro bokor mais chumbado de peiote de todo o Haiti jamais sonharam que suas crias chegariam a tanto. Difícil precisar exatamente porque o grande público se afeiçoou tanto aos zumbis a ponto de um estúdio largar 190 milhões de obamas em suas mãos putrefactas. Talvez seja uma forma de encarar melhor a ideia da morte, dando-lhe um rosto para confrontar. Ou talvez algum desejo reprimido por colapso social. É algo a se pensar, claro, com o devido acompanhamento. O fato é que o filme, adaptado do notório livro de Max Brooks, tem sua ambiciosa missão estampada no título: registrar o apocalipse zumbi se desdobrando em escala global ao invés de focar um único microcosmo.

Na verdade, essa era a bola que ninguém queria cortar. Vimos relances disso no final do infame Zombi 2, do Fulci, e na abertura da refilmagem Madrugada dos Mortos, de Zack Snyder. E também em perspectivas regionais como visto em The Dead, dos irmãos Ford, Canibais, dos irmãos Spierig, e até em Mangue Negro, de Rodrigo Aragão, passado em terras capixabas (se derrubar é pênalti!). Fora isso, apenas o velho esquema das transmissões de rádio e TV reportando o caos mundo afora - um recurso já bastante utilizado desde o icônico A Noite dos Mortos-Vivos, de Romero. Uma guerra mundial dos zumbis, per se, é a 1ª vez. E o filme entrega. Pelo menos 1/4 da quantidade esperada. E com o produto não lá muito íntegro. Mas entrega.

A trama segue os passos de Gerry Lane (Pitt), um ex-empregado da ONU especialista em zonas de conflito e que agora curte uma idílica vidinha civil. Num dia qualquer, parado no tráfego com sua família, ele é pego no olho do furacão morto-vivo. Zumbis velocistas fazem um mega-arrastão pelas ruas, cravando os dentes em tudo o que se move e mal dando tempo para os motoristas em fuga exercitarem suas barbeiragens. Por pouco, Gerry escapa ileso com sua família. Após passar um sufoco para sobreviver, eles são resgatados e Gerry é "convidado" a conduzir a investigação que irá determinar as origens da praga e, quem sabe, a sua cura.

A partir daí, o filme emenda num vertiginoso tour zumbístico com escalas na Coréia do Sul, Israel e País de Gales.


Com várias opções interessantes na manga, o diretor Marc Forster privilegiou a energia cinética acima da atmosfera. Especialmente no segmento israelense, onde os zumbis literalmente caem do céu e tem uma cinematografia parecida com a de inúmeros thrillers de ação/guerra situadas naquela região (como O Reino, por exemplo). Isso faz com que os zumbis assumam um papel quase figurativo, podendo ser qualquer ameaça insurgente daquelas bandas. É um terreno bastante conhecido pelo cineasta de Redenção e O Caçador de Pipas. Essa contextualização geopolítica em detrimento do horror inerente às criaturas é incomum, mas não é algo necessariamente negativo.

Quando envereda pelo suspense, contudo, Forster monta sequências eficientes, como a fuga de Gerry e sua família pelos corredores de um prédio às escuras. O clima é de survival horror game e até os infames e gratuitos jump scares foram bem colocados. Outro grande momento de tensão é o ataque de zumbis dentro de um avião em pleno voo. Mesmo numa situação beirando o insustentável, os protagonistas e os demais passageiros mantêm o sangue frio e cooperam em silêncio para conter a horda desmorta.

Já em algumas cenas, Forster se embriaga na fonte de Spielberg. A inspiração é nítida quando Gerry e sua família vão até uma farmácia que está sendo saqueada. Lá eles testemunham a civilização despencar bem diante de seus olhos - tudo muito semelhante a um trecho de Guerra dos Mundos, incluindo desesperadas trocas de tiros. Outro momento tipicamente spieberguiano é quando Gerry & cia. invadem um centro de laboratórios tomado por zumbis. Furtivamente, eles se esgueiram pelos corredores, cruzam divisórias engatinhando e usam o silêncio (e o barulho) ao seu favor, num nervoso jogo de gato e rato. Tal qual os guris de Jurassic Park tentando se safar numa cozinha sitiada por dois velociraptors.

Por sinal, os zumbis do filme - ou "zekes" - não fazem feio perto dos dinos. Ou de um crocodilo, de um tubarão...



Há pouco o que se inovar no perfil dos zumbis, mas Guerra Mundial Z marca seus pontos. A zumbificação se dá em tempo recorde: de 10 a 12 segundos a partir da mordida temos um morto-vivo prontinho pra ação. E são muito rápidos, mesmo descontando as turbinadas digitais - ainda pouco convincentes, diga-se, mas melhores que os ridículos bonecos de Eu Sou a Lenda. O ataque é minimalista ao extremo, basicamente mandibular. Zumbis se atiram pra cima das vítimas e travam seus maxilares nelas como se fossem pitbulls, o que é, ao mesmo tempo, engraçado e assustador. Engraçado porque lembra Pac-Man. E assustador porque mostra que os monstrengos não estão pra brincadeira e vão direto ao que interessa.

O grande diferencial é que dessa vez não há uma fome louca por carne, massa cinzenta, vísceras ou fluídos: o objetivo é simplesmente espalhar a infecção a qualquer custo, para o máximo de pessoas possível. Isso, mais o fato de serem os zumbis que menos ligam para a própria integridade física da história, rende imagens pra lá de impactantes, como as cenas de um tsunami zumbi invadindo as ruas e escadarias de Israel como se fosse uma pororoca pútrida com dentes. Fora que dá a incômoda sensação de que eles são apenas ferramentas descartáveis para um propósito obscuro e ainda mais ameaçador.

Aliás, por "zumbis não ligando para a própria integridade física", favor descontar o pleonasmo, visto que só com essa descomunal desencanação e sacrifício pelo coletivo seria possível para as criaturas formarem pontes de formiga...




...sem dúvida, o carro-chefe do filme e uma das ideias/cenas mais perturbadoras que já vi no cinema.

É a versão pesadelo de um outro pesadelo.


Cultura pop, você é aterradora.

Uma das incógnitas do filme era a presença de Brad Pitt. Era uma dúvida que me incomodava já no teaser. Seria o marido da Angelina Jolie capaz de se desvencilhar da aura de galã/capitão do time e conseguir vender desespero, impotência e medo com credibilidade? Seria capaz de vingar como um simples mortal em uma situação extraordinária? Convencer que existe sangue quente sendo bombeado naquelas veias? Se não dá pra exigir muito, ao menos vemos um esforço honesto nesse sentido.

Seu melhor momento é quando Gerry foge com sua família para o terraço de um prédio. Realmente dramático. Durante o resto do filme, há alguns lampejos desse sentimento, mas nada que se compare. Botei na conta da frieza e experiência de campo que o personagem acumulou em seus tempos de ONU.

Com relação ao restante do elenco, há pouco o que comentar já que é composto de uma maioria de personagens efêmeros - muito embora a soldado israelense Segen, interpretada pela atriz Daniella Kertesz, seja algo promissora. Também foi ótima a participação de David Morse como um ex-agente da CIA. Meio esperto, meio insano e totalmente encarcerado. Curioso como todo bom ator se aventura pelo menos uma vez em personagens desse tipo. Que o diga Elias Koteas em Possuídos e o Ed Harris assustador de Justa Causa. Deve ser o efeito Lecter batendo.


A adaptação, desenvolvida a dez mãos, entre elas as de Damon Lindelof e J. Michael Straczynski, até consegue uma transposição satisfatória para o formato. Obviamente, a maior parte do material foi editado, o que não evitou algumas das falhas cometidas pelas maioria das adaptações que o cinema faz de livros, sendo a passagem do tempo a mais evidente. As escalas do voos internacionais de Gerry são tão imediatas que na conexão Israel-País de Gales a impressão é que ele nem havia chegado à metade do caminho. O problema aí é bem pontual.

Há um grande imediatismo assolando as produções de Hollywood. Desconfio que é para agradar os guris da geração Playstation, cujo déficit de atenção é cada dia mais agudo. Tudo tem que ser rápido, pra ontem, no corte de um videoclipe (que termo mais démodé). Isso implode qualquer construção dramática e não é compatível com um storytelling decente. Quanto mais um escrito a partir de uma narrativa literária.

Mas o que mais surpreende, porém, é a quantidade irrisória de sangue e entranhas dilaceradas para um filme de zumbis. Mesmo partindo da premissa de que não são criaturas comegente e que se contentam em morder pessoas para perpetuar a espécie, ficou faltando algo ali - ou sobrando...

O uso frequente de camera shake só reforça essa impressão de pouco grafismo. Em compensação, foi muito bem-sacado na sequência do ataque no início do filme, quando vultos zumbificados se misturam à multidão em pânico, quase indistinguíveis, criando um efeito de confusão e perplexidade muito bacana.

A duração do longa conspirou contra, mesmo na versão uncut. Muito curtinho, quando o ideal deveria ser pelo menos umas duas horas e meia. A conclusão escancarada precedida pela inevitável narração em off com resuminho da ópera foram sintomáticos. Preferia esse troquinho convertido em mais história e mais mordidas. Embora Guerra Mundial Z fique devendo na ousadia e no sentido literal do título que ostenta, não dá pra negar que é divertido e vale eventuais reprises com muita pipoca.

...pelo menos até que Danny Boyle e Alex Garland mexam seus traseiros brancos e finalmente tirem Extermínio 3 do papel.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Quando o inferno estiver cheio...


Frenético trailer de Guerra Mundial Z (World War Z, 2013). A noção de caos global é bem transmitida (ainda que a montagem vertiginosa lembre a Escola Bay de Cinema), Brad Pitt faz mesmo cara de preocupado e o formigueiro de zumbis digitais nem de longe lembra os bonecos de massinha de Eu Sou a Lenda. É público e notório que a produção teve sua cota de problemas, mas esta apresentação deu um novo ânimo. Pra mim, pelo menos.

Sou dos que acham OK mortos-vivos recém convertidos e em boas condições físicas (tirando, lógico, o fato de estarem mortos, ha-ha) atingirem o índice olímpico nos 200 metros rasos. Tragédias à parte, se uma invasão de zumbis lentos parece um convite à diversão, o mesmo não se pode dizer de uma turba de zumbis velozes e furiosos.

Na verdade, seria a primeira coisa que eu perguntaria se informado de um apocalipse zumbi...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Zombie tsunami

O Entertainment Tonight liberou um teaser com as primeiras cenas da adaptação de World War Z. Eat this:


Desde Brad Pitt tentando convencer que corre mesmo algum perigo até os zumbis em sua controversa versão Mach 5, certamente há muito o que se filtrar aí. Mas não deixam de ser impressionantes as cenas do ondão desmorto engolindo tudo à sua frente. Meus sonhos mais delirantes estão agora atualizados.

Foi só um petisco para os zumbis de plantão. O trailer completo de World War Z sai quinta-feira.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Operação Festival: BABEL


Compaixão. Segundo um dicionário online, trata-se de dor perante o mal alheio; pena; comiseração; lástima. Segundo Alejandro González Iñárritu, trata-se do elemento que falta à humanidade para convivência pacífica. Pelo menos foi o que disse no palco do Odeon antes da premiére de seu filme no Festival do Rio. Ainda segundo o diretor, o filme trata também de fronteiras; aquelas que todos conhecemos e aquelas que são guardadas em nossas cabeças, que afloram quando tomamos posturas em relação ao próximo.


Um moleque no meio do deserto do Marrocos dispara um tiro. Quatro famílias em três continentes têm suas vidas afetadas por este evento. Esta é a sinopse de Babel (idem, 2006). Tentar encaixar esta sinopse nas palavras do parágrafo anterior parece, à primeira olhada, tão fácil quanto esbarrar com a Scarlett Johansson na porta da minha casa. Uma família no Japão, outra no Marrocos, uma terceira no México e uma quarta dividida nestes lugares. Cinco línguas, dentre elas a dos surdos-mudos. Um tiro. Vamos combinar que o plot não é simples, mas Iñárritu (pronuncia-se Inarritú - aprendi ontem quando a mestre de cerimônias o apresentou) mostra competência para contar esta estória de forma convincente e tocante, sem em nenhum momento resvalar no piegas. É mais um daqueles filmes onde não há protagonistas, todos coadjuvam, ninguém tem destaque sobre ninguém, mesmo que no elenco tenhamos um Brad Pitt, uma Cate Blanchett e um Gael Garcia Bernal contracenando com Adriana Barraza (Quem?), Rinko Kikuchi (Hã?) e Said Tarchani, o garoto marroquino que nem creditado no IMDB está, mas é quem rouba a cena a cada vez que aparece.



Iñarritu é um diretor cuja carreira é interessante. Não há muito no seu background para ser comparado, mas, do que ele já fez, pode-se afirmar que tudo preza pelo equilíbrio e uniformidade. Dirigia algumas produções da Televisa até realizar Amores Brutos e receber nomeação ao Oscar por melhor filme estrangeiro. Descoberto pela indústria dos EUA, realizou, sempre em parceria com o roteirista Guillermo Arriaga, 21 Gramas , que ganhou nomeações para melhor ator coadjuvante e atriz. E agora Babel. 3 filmes. Só. No entanto, percebo que ele, mesmo com filmografia tão discreta, já consegue aquilo que muita gente persegue e não alcança: fazer cinema autoral. Ver seus filmes dá a sensação de que a cada quadro temos uma assinatura no cantinho inferior mostrando quem está por trás da obra. Não à toa, seus dois trabalhos na grande indústria já lhe renderam a possibilidade de escalação de atores reconhecidamente seletivos quanto à qualidade do que estrelam. Indo além, ele não só consegue fazer cinema autoral na grande indústria com apenas três filmes, como também os classifica como uma trilogia, tipo de indulgência só possível para gente já conceituada (ou obra adaptada, vide SdA). O primeiro tinha um acidente de carro e um cachorro que interconectava 3 estórias. O segundo também tinha um acidente de carro que perpassava os dramas de núcleos distintos. Agora o acidente mudou, mas mudou também a força do tapa na cara. Antes os eventos eram focais. Ali no bairro, acontece com qualquer um. Página 8 do jornal. Até aí, muitos outros diretores já se arvoraram na mesma seara, com mais ou menos competência, sendo que antes esta competência era mais destacável pela segregação de culturas. Com as relações globais de hoje, mostrar o mesmo drama existencial exige outro tato e, de uma forma geral, este “tato” opta pelos mecanismos dos sistemas e corporações (vide Syriana), em detrimento dos mecanismos da alma. Em Babel, mesmo com as proporções intercontinentais, o filme não perde a característica de retratar o drama também das coisas pequenas, só que mostrando como estas individualidades são reflexos puros das tais fronteiras internas influenciadas por nossa imersão cultural, como falei no começo do texto.



Nesta linha, Babel também não perde a oportunidade de cutucar os EUA, assim como 15 entre 10 produções sérias vêm fazendo ultimamente, mas ao menos não se prende ao maniqueísmo dos “americanos maus” vs “resto do mundo bons”. Sim, em diversos momentos nos mostra como o americano é capaz de ser cruel com seus vizinhos, seja na relação pessoa x pessoa ou na relação governo x pessoa, mas mostra também que eles são cruéis até mesmo com seus próprios cidadãos, como no embate entre Pitt e os outros turistas do ônibus, ou quando o governo, no afã de arranjar uma justificativa para rotular o acidente idiota como terrorismo, impede o envio de uma ambulância para atender uma cidadã. Mas vemos também que o mundo tem bem mais tons de cinza do que os jornais costumam mostrar. Quando vemos a postura da polícia marroquina no tratamento de suspeitos, fica bem claro que a intolerância não é trademark yankee – e não estamos falando aqui de grupos radicais, mas de uma força policial integrante de um sistema de um país soberano. Em contraponto, temos também o drama da japonesa surda-muda; a retratação de seu mundinho silencioso que contrasta com as impressões visuais mais “ensurdecedoras” que conseguem ser, a juventude e os hormônios tentando arrombar a porta da sua sexualidade e esbarrando na angústia desesperada para ser aceita como mulher completa; as humilhações às quais se sujeita e o encontro da compaixão no ombro de um policial japonês, escolha esta interessante para polarizar as posturas policiais de um local e de outro, mas ambos orientais, mostrando que toda generalização é idiota. Esta sub-trama do filme é a que, numa tacada só, tem a menor e a maior ligação com o evento central da trama. É também o núcleo que me passou os sentimentos mais essencialmente humanos, em contraposição às questões mecanizadas que orientavam os outros 3 cenários. Em outra polarização, agora ocidental, Iñárritu coloca duas crianças americanas by the book no meio de um casamento mexicano. Por serem crianças, suas “fronteiras” ainda não estão construídas. Aquele ambiente seria visto como uma taverna de bárbaros se já estivessem institucionalizadas, mas transforma-se rapidamente num playground sem diferenças à medida que os preconceitos culturais são demolidos.



Iñárritu é muito competente. Dirigiu atores em cinco línguas diferentes e com todos desempenhando bem seu papel (deve ter algum significado isto, mesmo que japonês, para mim, seja um mero agrupamento de fonemas desconexos). E humilde. Não sei se foi apenas devido ao fato de ser uma premiére e pela presença do diretor no cinema, mas as palmas efusivas que seguiram os créditos mostraram que um pouco mais de compaixão contribuiria muito para um mundo mais agradável de se viver.

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Observações adicionais: Nunca fui numa premiére antes. Não uma destas. Sabia que o diretor do filme estaria presente, mas não imaginava que teria toda aquela pompa. Tapete vermelho, cinema lotado, gente sentada nas escadas nos dois andares do Odeon (aliás, lindíssimo... há tempos não colocava os pés lá). Dá um clima interessante ao evento, diferente de quando vamos ao cinema normalmente. Vem um sentimento de que tem alguém ali apresentando o trabalho dele para você, diretamente, submetendo-se à sua avaliação. Humildade. Muito interessante. Em sua apresentação, o diretor falou no espanhol mais português que ele conseguiu, de modo que todos entenderam tudo, além de ter passado pelos lugares comuns que todos passam quando aqui vêm: “A cidade mais bela do mundo”, “torço pelo Brasil na copa (depois do México sair na primeira fase)”, “tenho grande amigos brasileños” etc, até falar do que se tratava realmente o que estávamos por assistir. O que é bom, pois o cara está ali dizendo para você, momentos antes do filme, o que passou pela cabeça dele quando resolveu realizar aquilo. Simpatia pura.

Ah... teve os peitos da Danielle Winnits tb, mesmo cobertos, mas estes eu já tinha visto numa sessão especial de Homem Aranha no UCI.

sexta-feira, 17 de junho de 2005

MORCEGOS, ANJOS E DEMÔNIOS



Hoje vi Batman Begins (2005) e só tenho a dizer que o filme é muito bom! Muito mesmo! Fora de série. Tudo muito bem arrumado e explicado com um roteiro phoderoso. Sempre achei os outros quatro filmes horríveis, mas este finalmente nos brinda com quase tudo o que sempre esperamos do morcego. Assim, torna-se inviável comparar outros filmes de heróis mais, digamos, coloridos. Constituíram-se estilos completamente diferentes, mas se for para julgar em termos de "não ter o que reclamar", sempre tive ressalvas a alguns pontos em todos os filmes de heróis vistos. Em Batman Begins não reclamo de nada. Neste ponto, seria o filme baseado em HQ que mais gostei até hoje (como dói falar isto para um fã do Homem-Aranha). O negócio agora é esperar o "Batman Continues" e, se continuar com estas letrinhas todas certinhas (BB e BC), o terceiro deve ser "Batman's Development". Aham... a piada foi fraca, eu sei. Não tentarei fazer melhor, pois não escreverei um post estruturado sobre este filme por um motivo: Doggwayne é muito mais fã do personagem que eu. Este é dele! Aguardem!

Aliás, quarta vi Sr e Sra Smith (Mr and Mrs Smith, 2005). Sabem a origem do Freddy Kruegger? Aquele papo de 100 maníacos estuprarem uma freira e nascer aquele rascunho do capeta? Pois é... imaginemos a mistura "genética" de Bonnie & Clyde, True Lies, A Guerra dos Roses, Assassinos (aquele de Sly e Banderas) e teremos este filhote protagonizado pela Lara Croft e Rusty Ryan (de Ocean's Eleven). Filme cheio de furos, mas vale a pena, caso não tenha nada para fazer e queira divertir-se sem pensar. E também não vale um post.




Resolvi pois falar sobre uma destas febres que assolam o mundo de vez em quando. Já tivemos a Peste Negra, a Gripe Espanhola, a Tuberculose, a AIDS, a Influenzza, o Big Brother e agora temos Dan Brown.

A personificação do Pop atual é ele. Alguns podem até discutir citando coisas como Britney, Usher e outros ganhadores de MTV Movie Awards deste ou de anos passados, mas a abrangência das palavras deste escritor é muito maior seja por área global ou por grupo demográfico. Artistas pop normais têm seu apelo principalmente junto à juventude em países com costumes mais globalizados e abertos. Adultos e países mais, digamos, recatados ou de religiões diferentes das que dominam o lado ocidental do mundo não são atingidos por qualquer Aguillera que seja, mas certamente compraram "O Código Da Vinci" aos borbotões.

A literatura pela qual circula não é aquilo que poderiam classificar por aí como digna de uma ABL (ou a equivalente americana), está muito mais para o pop fácil de engolir de um Paulo Coelho ou Stephen King do que para o contorcionismo mental de um Saramago. Todavia, em época tão digital, conseguir fazer o povo voltar a ler é um feito digno de ganhar beijo da Fernanda Lima (e nesta linha cito também J.K. Rowling, novamente Paulo Coelho e afins). Além disto, o cara é inegavelmente inteligente. Não é qualquer um que cria os mistérios que criou, usando as locações que usou e com um estilo envolvente a ponto de fazer muita gente ler 400 páginas de uma tacada, conseguindo manter um equilíbrio de início, desenvolvimento e final impecáveis. King, por exemplo, costuma dar vários "soluços" no ritmo de suas obras, além de produzir finais fracos em 90% delas. Já a leitura das obras de Brown é quase materializável, transporta o leitor para dentro da história. A intensidade empregada apaixona e os diálogos são envolventes, além de ter apostado alto num mote que é pule de dez: todo mundo adora uma teoria conspiratória. Principalmente se for embebida num caldo de religião, símbolos curiosos e mistérios mortais.

O pecado de Dan é usar seu dom de indução pela escrita para fazer o pessoal que lê seus livros acreditar em palavras da forma que parecem significar, mas que não necessariamente são afirmações categóricas de que tudo que está no livro é verdade. Sempre, no início de cada, é dito que "todas as referências a obras de arte, arquitetura, túneis e a tumbas em Roma são inteiramente factuais (assim como suas localizações exatas)". Esta paráfrase é de Anjos, mas em Código há algo parecido, com a substituição de "túneis" por "documentos" ou coisa parecida. O que ele diz aí é que os objetos clássicos e conhecidos são reais, bem como documentos mencionados, mas não diz que as interpretações que faz disto com o objetivo de construção literária são igualmente verdadeiras. E é justamente aí que começa toda a polêmica. Para exemplificar, um dos livros descreve o interior de uma igreja em Paris, menciona um obelisco interno e tece algumas considerações sobre as iniciais PS dos vitrais. Hoje estão afixados cartazes dentro da nave central desta igreja que desmentem aquilo que Dan nunca disse ser verdade.



Cavaleiro Templário na Temple Church de Londres e Entrada da Abadia de Westminster


Os cartazes, escritos em inglês, francês e em outra língua que não lembro, explicam que o obelisco, um gnômon, não é uma reminiscência de qualquer templo pagão e que as letras PS espalhadas na igreja não significam Priorado de Sião. O obelisco é um instrumento de estudos astrológicos e serve para marcar quando ocorre o dia do ano que representa o solstício do inverno (dia mais curto do ano) e o outro que marca o equinócio da primavera (dia e noite separados igualmente). Isto é percebido a partir da incidência da luz sobre a linha de latão que reflete no meio ou no alto do obelisco, para solstício ou equinócio, respectivamente. Quanto ao PS, chega ser ridículo. Significa Peter Sulpice, patrono da igreja.



Igreja de St Sulpice


Já há 4 livros no currículo do homem. Listo-os em ordem cronológica: Fortaleza Digital, Anjos e Demônios, O Código Da Vinci e Deception Point, este último ainda não publicado no Brasil, mas dizem que é o melhor deles. Só li os dois do meio, e na ordem em que foram publicados por aqui, mas todos já cansaram de ouvir falar no fenômeno do Código – em plena produção para lançamento em 2006 com Forrest Gump, Amelie Poulain, O Profissional, Magneto e Otto Octavius nos papéis principais – mas devo dizer que Anjos e Demônios repercutiu muito melhor dentro de mim do que seu irmão mais famoso. Penso que seu sucesso só não é maior do que o livro que o sucedeu em virtude deste último usar como protagonista em condição sub judice o maior herói da humanidade: Jesus (em dados estatísticos, por favor; não quero conflitos com nenhum devoto de Alah ou Sidartha). Anjos fala de religião de forma mais ampla, sem especificar um "cristo", com perdão do trocadilho, mas faz isto usando uma trama muito mais intrincada e bem sacada. Não é só isto, o principal encanto que Anjos exerce sobre mim reside na definição que dá à importância de uma fé, qualquer que seja, para o ser humano.

Tentando ilustrar melhor o que digo, neste link (leia primeiro o resto deste post antes de clicar aí) transcrevo um trecho do livro que acho fantástico (sim, há espaço para bastante discussão ali, mas o que é mesmo insofismável é a idéia geral do texto, o resto é retórica).

Para evitar qualquer eventual sentimento de bandeira semítica, devo dizer que não tenho religião alguma, mas tenho sim uma miscelânea de crenças que cumprem seu papel para mim como qualquer religião "formal" do globo e reconheço a importância disto para o mundo. Importância que nos remete aos conceitos morais que deveriam nos nortear e transcende a postura metafísica de declarações de ativistas religiosos.

quarta-feira, 21 de abril de 2004

OS PRIMOS POBRES DO HOMEM-ARANHA



Fechando aquele papo que comecei no blog antigo (o último post antes daquele ablogalipse empreendido pelo Blogger Brasil), parece que já temos aí o resultado de duas das produções que comentei na ocasião - Hellboy e O Justiceiro. Confesso que daquela vez eu estava bem otimista com relação ao Hellboy, mas no caso do Justiceiro foi aquilo mesmo. Após uma visita ao Rotten Tomatoes (o principal termômetro da crítica cinematográfica norte-americana), acho que já dá pra tirar algumas conclusões.


Tomara que ele tenha acertado pelo menos esse alvo

A segunda chance do Justiceiro no Cinema foi recebida à pauladas pela crítica e não é pra menos. Pelos trailers já dava para enxergar uma certa estrutura padronizada de filme de ação, já bastante exaurida no cinemão americano. A maioria das pessoas com certeza não conhecem a caveira-símbolo do Frank Castle tanto quanto o “D” duplo do Demolidor, por exemplo. Pra quem vai ao cinema simplesmente atrás de um história original, deve ter sido decepcionante. E não adianta nem inserirem personagens cool, como o Russo, pois poucos conhecem a fundo a mitologia do (anti) herói. Colocar o diretor estreante Jonathan Hensleigh pra comandar a coisa toda também não ajuda. Isso é coisa pra um Robert Rodriguez ou um John Woo da vida... Resultado: o filme não pagou seu custo de produção e marketing, e está literalmente despencando nas bilheterias. A não ser que ele faça uma estréia mundial arrasadora, já era uma continuação com o Castle...

Por incrível que pareça, o Justiceiro ainda tem mais algumas sobrevidas. As ex-subestimadas vendas de DVD ao redor do planeta já livraram do anonimato certo vários candidatos à franquia cinematográfica (vide Hulk). Seja como for, O Justiceiro ainda vai demorar pra vingar (trocadilho infame), pois só a estréia no Brasil é 17 de setembro!

Reviews do Justiceiro publicados no Rotten Tomatoes



”Críticos? Prefiro a minha parte em dinheiro”

Na meia-contramão, temos a aguardada estréia de Hellboy, que não fez tanto barulho nas bilheterias, mas pode ser considerado um sucesso de crítica. Segundo o RT, 77% dela aprovou a produção. Isso é uma grande vitória, considerando que “filmes de super-herói” são, em sua maioria, mal-vistos pelos respeitáveis especialistas da 7ª Arte. Uma pena que o público foi bastante tímido, o que impediu a produção de se pagar logo. Mas faltou isso aqui pra chegar lá. De qualquer forma, ainda faltam várias estréias pelo mundo afora, o que deve garantir o retorno de bilheteria.

Aqui no Brasil, só vamos conferir o resultado do trabalho de Guillermo del Toro no longínqüo 30 de julho.

Reviews do Hellboy publicados no Rotten Tomatoes

O que nos resta agora é conferir a carreira dos outros candidatos a blockbuster pré-verão americano...



DESTRINCHANDO TRAILERS
(de novo)


TRÓIA


Ainda na onda de filmes épicos (Senhor dos Anéis, Gladiador e o vindouro Alexandre, O Grande) temos aí Tróia, candidato a detonar nas bilheterias. É sobre a lendária guerra entre gregos e troianos, em que uma disputa política teve como pretexto o rapto de Helena por Páris, o príncipe de Tróia. Essa produção da Warner é gigantesca em todos os sentidos. O diretor e produtor é Wolfgang Petersen e o elenco é estelar. Têm Orlando Bloom (como Páris), Brad Pitt (Aquiles), Eric Bana (o Bruce Banner de Hulk, aqui como Heitor), Peter O'Toole (Príamo) e Brian Cox (o cel. Stryker de , como Agamenon).

Pelas prévias divulgadas, o clima é de pancadaria old style, com uma história de amor e sacrifício por trás. Parece tudo muito bem coordenado (profissional é outra coisa) e as cenas grandiosas estão eletrizantes. O único fator preocupante mesmo é a presença do californian boy Pitt, que aqui parece mais galã do que aqueles ótimos sociopatas que ele costuma fazer.


Estilo "samurai-deixando-o-inimigo-agonizante-para-trás"


Indo pra guerra, dessa vez sem raios gama


Nós vamos invadir a sua praia...


Desembarque grego na Normandi... digo, em Tróia


Meio HQ essa cena aí...


Quem disse que agradar a gregos e troianos é fácil?

Curiosamente, algumas seqüências do último trailer (como essa última aí de cima) lembram bastante cenas da clássica HQ Os 300 de Esparta, de Frank Miller. Acho que os produtores de Hollywood já devem ter aposentado aqueles story-boards há muito tempo. É só passar na banquinha de revista mais próxima...


Tróia com um pé nos 300 de Esparta



O DIA DEPOIS DE AMANHÃ


Nova incursão do diretor Roland Emmerich (de Independence Day) no gênero ficção/aventura, dessa vez sem a costumeira parceria de Dean Devlin na produção. Emmerich é um diretor de altas apostas. Elogiado por Spielberg na época do ótimo (apesar da patriotada) ID-4, ele também foi responsável por Godzilla, que só tinha tamanho mesmo. Desta feita, o grande vilão é o desequilíbrio climático da Terra causado por décadas de superaquecimento global. New York que se cuide. Se fosse filme japonês o coitado seria Tokyo. E tomem tornados gigantescos em plena Time Square, tsunamis afogando a Estátua da Liberdade, terremotos apocalípticos e Manhattan se transformando na filial da Antártida. No elenco, o redivivo Dennis Quaid (no papel do "professor" da vez) e a demorada promessa Jake Gyllenhaal (do excelente Donnie Darko, aqui como o filho do "professor").

Após assistir o trailer: o filme é um mix de todos os filmes-catástrofe que envolvem a Natureza. Aqui têm elementos de Twister e Terremoto, passando por Limite Vertical até Impacto Profundo e O Destino do Poseidon. Com o diferencial dos efeitos ultramodernos é claro. Separem a grana da pipoca.


Tornado arrasando o letreiro de Hollywood - seria muita sorte


A Dama da Liberdade pegando jacarezinho


Pulando a 43 com a 44 da Time Square


Tornados muito nervosos em New York


Manhattan parecendo Brasil em dia de chuva grossa


Um puta ondão e só dá ráuli na área...

E pra confirmar que a grana aqui não foi pouca, a estréia será mundial: 28 de maio. Eu queria só 1% disso, que já tava bom. :)



A BATALHA DE RIDDICK


Vin Diesel, o ex-sr. "não-faço-continuações", estrela aqui a... aham, continuação de Eclipse Mortal, surpresa "B" de 2000, também dirigida e roteirizada pelo competente David Twohy. De famosos no elenco, temos a maravilhosa Judi Dench (o quê diabos ela faz aqui?), o rapper/dublê de ator Ja Rule e Thandie Newton, de Missão: Impossível 2.

Esse filme primeiramente foi tido como um prequel do anterior, mas pelo que parece, mudaram de idéia. O anti-herói Riddick agora é fugitivo (no anterior ele era prisioneiro de uma confederação de planetas qualquer), e se vê obrigado a enfrentar um vilão que quer escravizar toda a humanidade. Eeei, acorda aê! O filme anterior também não prometia!

Pelos trailers divulgados, não tem quase nada (ou nada) de alienígenas, que apareceram bem no filme anterior. Vin Diesel ainda é O Cara dos filmes de ação atuais, a produção está bem melhor, o clima continua sombrio e apocalíptico, com um bom jogo de sombras, e têm efeitos simples e bem interessantes, como um "fantasma" transparente, bem ao estilo Kittie Pryde e Visão. Separei poucos screens desse, pois há muitas cenas que "não funcionam" de forma isolada.


A 1ª aparição d'O Cara...


Parece a Lara Croft...


...mas né não...


Riddick com as faquinhas rasgando alguém


Os olhos sinistraços ainda estão lá...

E no trailer ainda aparece um monumento gigantesco, que lembra vagamente uma esfinge egípcia em pé. O curioso é que uma representação bem parecida também aparece no clip da música In The End, da banda Linkin Park.


A Batalha de Riddick estréia por aqui no dia 23 de julho, quase um mês após a estréia norte-americana. Não promete ser um blockbuster, mas tem cara que vai fazer uma boa carreira nas bilheterias.



VAN HELSING - CAÇADOR DE MONSTROS
(mais um pouco...)


Nos derradeiros dias do BZ lá no Blogger Brasil, eu comentei ad nauseum sobre essa produção. Falei do Hugh Jackman, da tendência "terrir" do diretor Stephen Sommers (da série A Múmia) e, principalmente, do plágio visual descarado em cima do personagem Solomon Kane, criado pelo escritor Robert E. Howard e presença esporádica nas páginas das HQs do Conan (também cria dele).

Reassisti a esse trailer recentemente, durante a sessão de A Paixão de Cristo, e conferi uma reação bem interessada do povo que lá estava. Os sustos, a princípio óbvios, parecem funcionar melhor na tela grande. A maior prova disso é a última seqüência do trailer, naquela hora que Helsing e Anna (a deliciosa Kate Beckinsale) olham pra dentro do poço. O susto é previsível, mas totalmente funcional... Por quê nós somos assim? :D


É isso aí que sai do poço...


Helsing e um Mr. Hyde sem um braço


Vampirinha dando uns rasantes

Van Helsing já está na boca do forno, com estréia mundial prevista para 7 de maio. Pode ser arrasador (65%) ou uma bomba daquelas (35%).

Todos esses trailers estão disponíveis para download bem aqui, em formato Quicktime. No próximo post, uma olhada mais "de perto" no último trailer de Homem-Aranha 2...

Post ao som de A Garage Dayz Nite, do Beatallica

Fui!!