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sexta-feira, 16 de maio de 2014

12 Horas: Viva! (outro dia)


Nunca pensei que um dia o canastrão Kiefer Sutherland fosse me arrancar lágrimas. Ainda mais em companhia de uma (ex-) ilustre desconhecida, de nome Mary Lynn Rajskub. Mais do que a aguardada conclusão de 24 Horas, a dramática cena em os personagens Jack Bauer e Chloe O'Brian se despedem através da câmera de um drone foi uma perfeita metáfora à química dos dois atores ao longo da série. Nas palavras do próprio Bauer, nem ele mesmo esperava que Chloe fosse durar tanto e muito menos que criassem um elo tão forte ao ponto de se tornarem essenciais um pro outro.

Posso estar enganado, mas o que senti ali foi emoção genuína nos dois lados do monitor: era Kiefer conversando com Mary Lynn, prestando o devido respeito e admiração. E agradecendo por tudo o que passaram juntos.

O mesmo era facilmente aplicável ao ponto de vista do telespectador. Logo que apareceu, achava que aquela geek retraída e obsessiva-compulsiva seria mais uma estatística na extensa lista negra da série tão logo surgisse a primeira encrenca. "Melhores já caíram", pensava eu. O que eu não esperava é que ela se tornaria melhor ainda.

O final da série, qualquer que fosse, tinha que ser com eles. Não podia ter sido melhor.

E a vida continua.


Nesses quatro anos, tive que aprender a conviver sem minhas 24 overdoses de café com adrenalina. A abstinência foi tensa. E dá-lhe Homeland aqui, Rubicon acolá e, saindo da seara EUA/terroristas, The WireGame of Thrones, The Walking Dead e alguns outros. Todos grandes paliativos, mas, ainda assim, paliativos. Não digo que 24 era melhor nem pior. Era, simplesmente, única. Como o tempo exerce um estranho efeito cicatrizador, acabei me esquecendo um pouco sobre o que sentia tanta falta.

Mas isso até eu ouvir mais uma vez o famoso reloginho em 24: Live Another Day. A sensação, não podia ser diferente, foi de arrepiar. Fora a certeza de que delivery igual ao dessa série, não existe. O formato é de uma Scania perdendo freio na ladeira: clímax do início ao fim, não existe construção; é puro e desembestado payoff em 24 capítulos - ou, no caso desta nova incursão, em 12, apenas.

É pouco, mas generoso se comparado ao eletrizante (e infelizmente muito atual) longa Redemption, de 2008. Quantas séries já puderam se dar ao luxo render tantos projetos alternativos? E mantendo o mesmo grau de relevância de quando estreou, há 13 anos?

O que, convenhamos, nem é tão difícil se considerar que a matéria-prima da série é a escrotidão da raça humana em variados aspectos... sendo, portanto, infinita.

Bauer: o que for necessário.

24: Live Another Day tem esse título à 007 não é à toa: a trama se passa em Londres, quatro anos após a última temporada. Jack, adivinha, corre contra o tempo (e contra tudo e todos) para impedir um atentado ao presidente dos Estados Unidos - mr. James Heller, por sinal - que lá está para fechar um acordo decisivo com o governo inglês. Nesses três episódios até aqui parece que a série nunca acabou, a fórmula continua impecável. E pelo jeito, também não perderam a mão quando a questão é a crueldade com seus personagens. Basta ver o que aconteceu com Chloe nessa entressafra.

Algumas referências mais recentes dão as caras, como analogias descaradas ao Anonymous, Julian Assange e a proliferação dos drones norte-americanos ao redor do planeta. A bela Yvonne Strahovski (Chuck e Dexter) vem compondo uma promissora contraparte ao Jack, bem como a excelente Michelle Fairley (mais conhecida como Catelyn Stark), assustadora, talvez querendo vingança por traições de vidas passadas em tempos imemoriais...

Do lado novelão, claro que o prato principal será o inevitável reencontro entre Bauer e Audrey (Kim Raver) e, naturalmente seu pai, o então presidente. Não há cola no mundo que possa juntar esses cacos. Mal posso esperar.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Jackstroke


Season finale é uma caixinha de surpresas. Enquanto algumas séries começam a missão embebidas em hype, apenas para corresponderem com mais lugares-comuns e questões não resolvidas, outras seguem pelo caminho oposto, se superando a cada episódio, como se toda cena seguinte fosse a derradeira. Esse 8º dia na vida de Jack Bauer deveria ser obrigatório em oficinas e cursos de roteiristas. Não pela alta média de saídas criativas ou pela fina arte de repaginar as fórmulas da série, mas pela capacidade de prender a atenção (e os batimentos cardíacos). Nesse ponto, 24 Horas é imbatível. Tem sido, aliás, desde a fatídica 14ª hora. A partir dali a coisa realmente extrapolou.

Nessa 22ª hora, o mashup dos melhores elementos de ação e espionagem chega ao seu clímax. Após um episódio arrasador (aquela sequência do cerco no shopping deu vontade até de pagar ingresso e a cena da tortura do sniper russo é a mais arrepiante já executada por Bauer), agora acompanhamos nosso anti-herói favorito galgando a pirâmide conspiratória como se fosse um Wally West possuído pelo Necronomicon. Muitas coisas ali só veríamos num filme do Bourne. Outras, nem num filme do Bourne.

As interpretações estão uma uva: Cherry Jones, no papel da Presidente Allison Taylor, continua ótima em sua personificação do sonho americano corrompido; Mary Lynn Rajskub eficiente como sempre com a Chloe entre e a cruz e o Bauer; Freddie Prinze Jr. convincente como nunca foi na vida; Bob Gunton, que eternizou seu Secretário Ethan Kanin na mitologia da série, já está fazendo falta; e Michael Madsen, meu Deus, foi um legítimo às escondido na manga... jogadas de mestre como essa já motivaram muitas mortes em cassinos do velho oeste.

Mas o destaque gritante nessa reta final não poderia ser outro senão Gregory Itzin, o redivivo Presidente Logan. Talvez o antagonista definitivo da série, numa postura inicialmente metódica e cerebral emendando numa tresloucada corrida de volta ao poder (a cena das gravatas foi hilária), o ator superinterpreta - recurso perigoso - com todos os exageros gestuais e tiques a que isso dá direito.

Desde os momentos em que envenena as decisões da presidente até a torrente de informações que minam de sua boca à menor pressão de Bauer, sua performance esteve irresistível. Nem Roberto Jefferson faria melhor.

Bem...


O banho de sangue promovido por Bauer nessas duas últimas horas pode até soar refugo de ação standard, o que é mesmo, mas com a classe que faz a diferença. Não por acaso, a trilha sonora que embala o exército-de-um-homem-só lembra bastante as orquestrações de Jerry Goldsmith em Rambo 2. Mais sintomático ainda é quando Bauer se arma até os dentes para o sequestro de Logan. Receita de intimidação urbana é aquilo ali. Arsenal hardcore, o traje protetor pesadão e a máscara mezzo Jason mezzo Batman.

Isso, mais o redentor massacre no gabinete do Ministro Novakovich, dá a dica da forma mais clara possível: Bauer, eletrocutado, com duas facadas no bucho, contusões variadas e estresse físico over, só pode ser sobrehumano. Não como um super-herói, mas talvez como algo mais... compatível.

Próxima fase: Presidente Yuri Suvarov. Na minha opinião, antes disso a escalada revanchista acaba. Proporções globais e termonucleares demais na parada.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Eu podia tá matando


Arrancaram Jack Bauer da aposentadoria. Após quatro episódios, já dá pra arriscar os primeiros chutes sobre a oitava temporada de 24: dinâmica mais cadenciada que a habitual, mas diametralmente impactante. E o início é surpreendente. Quando Jack apareceu pela primeira vez, pensei até que fosse um daqueles telefilmes família da Hallmark. Numa cena idílica, o ex-agente brinca com sua netinha enquanto assistem desenhos na TV. Ele parece finalmente levar a vida que sempre quis desde a primeira temporada. É a primeira vez que o vejo começar um desses "dias no escritório" totalmente absorto, descansado, em outro lugar. Curioso. Será um retrato da América atual, exausta de crises, ameaças e más notícias diversas lotando a grade da CNN? Seja como for, não demora até a vida real bater à porta de Jack respingando sangue e pronta para desconstruir o sonho americano, mais uma vez. Na trama, agora em NY, ele investiga uma conspiração para assassinar Omar Hassan, presidente de uma república fictícia simulando o Irã, e acaba cruzando com uma operação da máfia russa envolvendo canisters com urânio enriquecido. Familiar...

Não será fácil chegar ao nível da excelente temporada anterior, mas há várias pistas promissoras aqui. Os destaques até agora: a CTU reativada com tecnologia agressiva, uma desatualizada Chloe O'Brian (minha xodozinha nerd) e, especialmente, Renee Walker. Após um dia inteiro nadando em sangue ao lado de Jack Bauer, a ex-FBI agora é uma máquina de triturar suspeitos. A última cena do quarto episódio arrepiou Jack, eu, Leatherface, Jason e o Dr. Lecter. Essa promete.

Bem sacada a participação de Mykelti Williamson como o novo diretor da CTU, Brian Hastings. Ao que tudo indica, é mais um burocrata carreirista que ainda vai bater muito de frente com Jack. Particularmente, também gostei do retorno da Presidente Allison Taylor (a ótima Cherrie Jones) e da raposa velha Ethan Kanin. Mas fica sempre a torcida pela volta, mais uma vez, de Aaron Pierce e do saudoso Mike Novick.

De ruim: o plot-blackmail de Dana Walsh, analista sênior da CTU. Não dá pra crer que ela ajuda a salvar o mundo num minuto e abaixa a cabeça pra um zé-ninguém no minuto seguinte. Claro, tudo vai depender do background que ela tanto teme, mas, por enquanto, inverossímil. Outra coisa que desceu meio quadrada foi em relação à Kim (aaa... Delisha Cuthbert). Logo ela incentivando o pai a largar tudo pra sair por aí arriscando a vida?

Aliás, pra quem assiste Californication, vai ser meio esquisito ver o maluco Lew Ashby (Callum Keith Rennie) como um dos gângsteres barra-pesada. É só olhar pra cara dele que eu lembro das dúzias de mulheres peladas dançando ao som de Black Label Society...

E finalmente, um Prinze em Nova York. Mal me recuperei da notícia que revelou sua presença na série. 24 é a antítese de tudo aquilo que Prinze Jr. participou na sua vida profissional. Achei que nunca iria convencer como o "superior" de Jack, como noticiaram por aí. E achei também que não convenceria se tentasse parecer durão. Felizmente, não é nem uma coisa, nem outra. No papel do agente Cole Ortiz, ele está na mesma posição que Jack ocupava nas primeiras temporadas. Mas claro, longe daquela ousadia limítrofe: aqui ele é a correção em pessoa, só agindo by-the-book. Mas desde que conheceu Jack já distorceu um pouco seus princípios (por uma boa causa). A boa cena em que ele escolhe a alternativa à trair sua equipe reafirmou a integridade do personagem. Em contrapartida, o lado galã enraizado no ator continua lá, nos momentos com Dana, sua noiva.

Pelo visto, o maior trunfo do Prinze é esse mesmo: encarar o papel com seriedade, sem exageros e, principalmente, sem tentar ser o que não é. Os prognósticos são bons. Da última vez que ele esteve em Manhattan pelos meios pop...