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quinta-feira, 9 de outubro de 2025

O milagre veio do pântano


Painel DC Vertigo de hoje, na New York Comic Con 2025

Nos últimos dias, o andar de cima da DC Comics só tem me dado orgulho. Ontem, o Presidente J. Lee baniu para a Zona Fantasma qualquer chance de uso de IA na produção dos quadrinhos da editora – até quando, não sabemos (mas valeu, patrão!). E hoje, entre os anúncios gibizísticos para 2026, foi anunciada a conclusão da fase de Rick Veitch à frente da revista do Monstro do Pântano.

Veitch dava sequência à fase Alan Moore desde a edição #65. As artes da reta final desse run são de Michael Zulli, Vince Locke, Tom Mandrake e da colorista Trish Mulvihill. E o resgate vai começar com a publicação de uma das HQs mais malditas da história: Swamp Thing #88.

Recapitulando, a edição sairia originalmente em julho de 1989 e traria o encontro entre o Monstro do Pântano e Jesus Cristo, Nosso Senhor & Salvador. Um encontro bem próximo inclusive.

Mesmo com o tema propenso a polêmicas, a DC deu o sinal verde e a edição #88 foi produzida normalmente, com desenhos de Michael Zulli. Mas a editora mudou o rumo da prosa e acabou vetando a publicação, resultando na saída de Veitch em protesto.

Dois meses mais tarde, uma edição #88 foi lançada, com roteiro de Doug Wheeler e sem qualquer relação com o roteiro original. A história tornou-se lenda. A lenda tornou-se mito.

Agora, 36 anos depois, a edição... ressuscitou.


Depois dessa, até o Constantine vai rezar um Pai Nosso.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Réquiem para uma ave de rapina


Tom Veitch
(1941 - 2022)

Se foi Tom Veitch, aos 80 anos. Segundo comunicado de seu irmão, o grande Rick Veitch, a causa foi Covid. Tempos (ainda) difíceis.

A trajetória do escritor, poeta, roteirista e quadrinista foi um tanto peculiar. Iniciou a carreira no movimento Underground Comix de San Francisco, no iniciozinho da década de 1970. A tônica era aquele tsunami irrefreável de humor negro, sexo, drogas e violência que tanto escandalizava o Comics Code Authority. No entanto, foi em suas novelas e livros de poesia que Veitch desenvolveu um estilo pessoal, repleto de abstrações, existencialismo e espiritualidade, aspectos presentes também em sua incursão no mainstream dos comics a partir dos anos 1980 —o que não surpreende, já que, durante um período, Veitch foi monge beneditino.

Sua produção na 9ª arte foi modesta, porém marcante. E quase sempre fora da curva.

Gosto de tudo o que ele fez: a belíssima mini A Guerra de Luz e Trevas, o anárquico (e não menos esquisito) The Nazz, sua trinca de arcos do Homem-Animal (Réquiem para uma Ave de Rapina - O Senhor dos Lobos - O Significado da Carne), além, é claro, o seu material de Star Wars, precisamente o início da linha Tales of the Jedi, com a introdução da era da Velha República, e a memorável trilogia Império Negro - Império Negro 2 - Fim do Império.

Foi ele, aliás, quem propôs a George Lucas as ideias da clonagem do Imperador e de Luke indo para o Lado Sombrio. E as defendia muito bem.

Veitch tocava uma livraria na pequenina Bennington, Vermont. Completamente afastado do fenômeno midiático que os quadrinhos se tornaram na última década, ele poderia facilmente ter embarcado em qualquer um desses hypes da semana. Mas é difícil até mesmo encontrar imagens recentes dele.


Semi recluso e low profile, ao melhor estilo Bill Watterson/Steve Ditko. Mas o legado segue intocável e influente. E, certamente, por muito tempo ainda.