sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Nariz de doze

Olha que bacanudo esse trailer do filme Last Days on Mars...


Na pior, deve valer pelo ótimo Elias Koteas fazendo um astronauta zumbi! Tão bizarro quanto o Robert Carlyle como um infectado raivoso em Extermínio 2.

O filme britânico foi dirigido pelo estreante irlandês Ruairi Robinson. Já o roteiro foi desenvolvido por Clive Dawson, do esquisito The Bunker. Estréia no próximo dia 19. No Reino Unido. E na Dinamarca também.

Mas é só correr ao seu torrent-dealer favorito, tirar a poeira da espingarda e "vamo simbora receber o povo de Marte!"

Uma ótima sexta-feira 13!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O universo e um pouco de nós


Em se tratando quadrinhos nacionais, Mauricio de Sousa® ainda é, de longe, nossa melhor história de sucesso. Boa parte dos leitores brasileiros em algum momento se rendeu à galeria de personagens do autor. Foi o meu caso: bem guri, me iniciei nos gibis direto com o Incrível Hulk e o Homem-Aranha, no meio daquele típico tiroteio narrativo. Fui fisgado de primeira, mas foram as criações do Mauricio e do mestre Ziraldo que, logo depois, amaciaram o processo, tornando-o mais amigável e didático. Pra mim, funcionaram como uma perfeita escada para compreender mundos mais cinzentos e complexos.

O paralelo com os quadrinhos da Disney era quase imediato: historinhas curtas e lúdicas convivendo com aventuras mais rebuscadas e ambiciosas. E entre todos os integrantes da "turminha", o Astronauta era certamente o mais audacioso ao protagonizar antigos dilemas humanos sob uma cortina de escapismo infanto-juvenil. O personagem estreou nas tirinhas do Diário de São Paulo, no longínquo ano de 1963. A corrida espacial estava no auge e, junto com os quadrinhos do Flash Gordon de Alex Raymond, foi uma grande influência para Maurício. Mas foi seu toque pessoal, um tanto melancólico, que deu uma alma para o herói.

Astronauta Pereira - é o nome dêle mesmo² - explorador espacial da BRASA (Brasileiros Astronautas!), desbrava mundos estranhos e eventos cósmicos nos confins do universo enquanto morre de saudades de sua terrinha natal e da sua namorada, a Ritinha. Uma premissa simples e de apelo universal que ilustrava verdadeiras metáforas à passagem para a vida adulta e às coisas tão importantes que deixamos para trás. Ele poderia muito bem ser o protagonista da música "O Portão", do Roberto Carlos.

Em Astronauta: Magnetar, o roteirista Danilo Beyruth (Necronauta, Bando de Dois) não apenas resgata esses valores abstratos e perenes, como também os amplifica, conferindo uma notável carga de dramaticidade. Daquele humor ingênuo, há pouco ou nada - no máximo, momentos de tensão mais baixa funcionando como doses homeopáticas de alívio. O que não significa que o clima sombrio monopolize o conto: apesar do suspense e da atordoante vastidão do espaço ocupar boa parte do sensorial, é difícil não se sentir seduzido por aquele espetáculo misterioso, imponente, indescritivelmente belo e, parafraseando Ellie Arroway, poético.


Na história, Astronauta cruza o espaço para investigar de perto um magnetar. O objeto cósmico, sugestão de um amigo astrônomo de Beyruth, é dos mais intrigantes e é apresentado com detalhes ao leitor, ao melhor estilo Ler e Saber - Enciclopédia Juvenil em Côres (estamos saudosistas hoje!). O que, por si só, já renderia um belo exercício de imaginação e ciência, porém o enredo ainda reserva um uso muito bem dosado de alguns velhos artifícios cinematográficos. Beyruth fuçou fundo no seu baú de referências da 7ª arte - todas impressas no imaginário popular desde que ganharam o mundo.

Estão lá as experiências extra-sensoriais de 2001 - Uma Odisseia no Espaço, o suspense petrificante de Alien, droids médicos que parecem saídos de O Império Contra-Ataca e até mesmo uma cena com Astronauta selecionando um de seus trajes como se fosse Tony Stark escolhendo uma de suas MARKs. Mas talvez a maior aproximação - provavelmente involuntária - tenha sido com Solaris, filme de 1973 de Andrei Tarkovsky adaptado do romance de Stanisław Lem.

Em meio aos sintomas demenciais causados pelo longo período de isolamento (retratado de maneira genial por Beyruth), há uma conexão profunda serpenteando matreiramente entre as obras. Solaris teoriza sobre o encontro de humanos com seres tão diferentes de nós que qualquer tipo de comunicabilidade é virtualmente impossível - um dos itens mais inquietantes do Paradoxo de Fermi, por sinal. Durante a leitura da graphic, percebi que isso poderia facilmente ser estendido não apenas ao conceito de vida que nós conhecemos, mas principalmente àqueles que mal concebemos sua existência.

Tal qual Solaris, um planeta senciente, e a influência devastadora que exerce sobre os astronautas que se aproximam dele, qual seriam os efeitos que um evento da magnitude de um magnetar causariam em uma pessoa em um nível psicológico e/ou químico?

É o abismo olhando de volta...


Criada e batalhada pelo Sidney Gusman, a série Graphic MSP teve em Astronauta: Magnetar um debut de primeira linha, aliando boas opções de formatos/preços (o calcanhar de Aquiles da série MSP 50) a um produto de excelência, como se vê na qualidade gráfica irrepreensível. Isso não apenas reflete o ótimo momento do mercado editorial brasileiro como propõe novas abordagens para a formação de futuras bases de leitores. A importância disso vai muito além de uma boa jogada comercial.

A nota destoante vai para os créditos quase en passant dedicados à talentosa colorista Cris Peter, cujos tons ousados e sui generis fogem do lugar-comum e fazem toda a diferença no quadro geral. O diálogo de suas cores com a arte-final cria momentos de tirar o fôlego, como na magnífica splash-page das páginas 68-69.

Como bônus especialíssimo, nada mais adequado do que o posfácio escrito pelo navegador, escritor e aventureiro Amyr Klink. Foi até covardia. E fecha uma viagem inesquecível para o leitor e transformadora para o personagem.

Afinal, novamente citando 2001, foi uma oportunidade única podermos testemunhar o nosso bom e velho astronauta Pereira mergulhando em paradoxos existenciais tão incríveis quanto os do astronauta Bowman.


In an interview with Rolling Stone, Waters explained that the song's lyrics were an attempt to describe "the potential that human beings have for recognizing each other's humanity and responding to it, with empathy rather than antipathy." He has also stated in many interviews that this song is the ideological predecessor to The Dark Side of the Moon, for in "Echoes" he began to focus the music of Pink Floyd on people and the issues facing humanity rather than fantastical space trips and psychedelic imagery — Via

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

OMNI Produtos para o Consumidor® orgulhosamente apresenta:


Diretivas parciais:

1. Sai Capitão Nascimento, entra Neill Blomkamp e Dredd 2012;

2. Efeitos, ação e sci-fi genéricos + iRoboCop 5G + longas apresentações em flash holográfico;

3. Peter Weller > Joel Kinnaman | Michael Keaton = Steve Jobs;

4. ?


Ps: só lembrando do tempo em que as reuniões da OMNI eram mais animadas...


...e nada PG-13.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

The Dark Affleck Returns

O anúncio foi feito, não adianta espernear. E vai se acostumando, pois a coisa deve ir longe.


"Sim, Comissário. É o Batman."

Grandes estúdios não têm o hábito de plantar trollagens em escala global sobre seus projetos mais aguardados. Sendo assim, vamos destrinchar um pouco melhor essa porrada que você tomou quando abriu seu browser naquela manhã de sexta-feira (que não era 13, mas era 23).

O projeto do crossover cinematográfico do Batman com o Superman não é novo. Há pelo menos 10 anos vem sendo ruminado pela Warner, mesmo antes do boom super-heróico via Marvel Studios. Mas sempre retornava à gaveta, talvez pela falta de precedentes de um universo integrado dos quadrinhos no cinema. O mais perto que chegaram foi em 2002, num projeto que seria dirigido por Wolfgang Petersen (Mar em Fúria) e que acabou não saindo do papel - felizmente, visto que o script era uma trasheira de grosso calibre.

Mesmo o enorme sucesso da trilogia do Batman de Christopher Nolan não parecia animar os executivos a apostarem numa série de franquias interligadas. Mas os filmes da Marvel chegaram e mudaram as regras. Foi um sinal verde para a Warner e até para a Fox, que já quer os X-Men coexistindo com o Quarteto Fantástico no cinema.

Parafraseando Marcelo Rezende, corta pra 2013: Ben Affleck como o novo Batman já é o maior meme ligado à adaptações de HQs dos últimos anos. Fazia tempo que um filme em pré-produção não gerava tanto feedback - a esmagadora maioria negativa (71% dos tweets, desde a última medição), num consenso que reconhece a trajetória ascendente de Affleck como cineasta, mas que ainda não o livra da condicional por ter protagonizado Demolidor - O Homem Sem Medo em 2003.

É injusto dizer que foi culpa exclusiva dele o fato dessa adaptação ter sido decepcionante. Mas teve a sua parcela...


Em geral, as vozes a favor defendem sua evolução como ator e/ou condenam veementemente a expressão de opiniões sobre algo que ainda nem saiu do papel. Mas dedução e especulação são habilidades desenvolvidas pelo ser humano ao longo de milhares de anos de evolução. Não vamos reprimi-las agora, não é?

Primeiro os contras.

A contratação de Affleck representa não apenas um enorme retrocesso no programa de adaptações cinematográficas da DC, mas principalmente, revela que os executivos da Warner ainda não compreenderam o fenômeno. Herói com um rosto conhecido do grande público? Não há necessidade disso e talvez nunca houve. O público que irá lotar as primeiras sessões será o mesmo que compra os quadrinhos religiosamente há anos e o mesmo que espalhará a palavra aos 4 cantos da internet. Simples assim. Essa estratégia de "rostos familiares" como chamariz de público leigo deve ser relegada ao núcleo coadjuvante, como foi feito em O Homem de Aço - e penso agora que a escolha de Henry Cavill deveu-se mais à influência de Christopher Nolan que qualquer outra coisa.

Talvez a ideia seja fabricar um novo Robert Downey Jr. que conduzirá a DC à terra prometida de Hollywood. Mas parece que esqueceram que Downey Jr. foi cozinhado em fogo brando nos dois longas que precederam Os Vingadores e, principalmente, esqueceram quem ele era antes de vestir a armadura do Homem de Ferro. Uma dica: não era um mega-star.

O fim da trilogia "realista" do Batman também marca o início do grandioso UDC nas telonas. Isso não é pouco. Estamos num daqueles momentos-chave, onde novos conceitos e abordagens têm que ser explorados. E o morcego, com perdão do trocadilho, precisa de sangue novo. Não de um déjà vu.

Há uma sensação muito forte de que Ben Affleck não é Bruce Wayne. Nunca imaginei o sr. Wayne com a cara do Christian Bale também, mas, além de ser um ator diferenciado, Bale emergia de um background sombrio, perturbador e visceral, construído com performances memoráveis em filmes como Psicopata Americano e O Operário. Em outras palavras, não deu certo por acidente. Bale já estava com um pé no velho poço abandonado.

Também foi escrito por aí, ad nauseum:

"A escolha de Heath Ledger para o papel do Coringa também foi duramente criticada na época e antes ele era o cara de '10 Coisas que eu Odeio em Você'". 


Primeiro, as reações nem chegaram ao calcanhar do Bat-Affleck. Segundo, o Coringa é um passe livre para a anarquia, do tipo do-or-die/tá-com-medo-pra-quê-veio, sem meio-termo, um presente pra qualquer ator com sede de improvisação. Já o Batman é outra viagem, completamente oposta em tom, atitude e racionalização.

Quanto à 10 Coisas, uma comédia inofensiva, foi o pior argumento usado até agora. Afinal, até James Cameron carregou piano.

Também tem a variação piorada: "...antes ele era o cowboy boiola de 'Brokeback Mountain'".

O que, ao meu ver, é um grande elogio. Ledger, que já tinha impressionado em Os Reis de Dogtown, demonstrou ali o reflexo de um ator comprometido com a arte, ciente do papel e da dimensão de sua profissão e sem medo de desafios. Ou seja, a escolha só revoltou neófitos mesmo. Definitivamente, o Ledger-Coringa não é o parâmetro para essa comparação. Pelo menos não numa conversa séria.

Mas o maior problema é que Ben Affleck (ainda) parece um garotão boa-praça. Não vejo amargura, obsessão, rancor ou austeridade no seu olhar. Não consigo vê-lo dando esporro no "Clark" e enfiando lições de vigilantismo cinza-fascistóide naquela mentalidade pacata do Kansas.

Os prós?

Affleck de fato evoluiu como ator na última década. Nada estratosférico, apenas o suficiente para transitar pela tela discretamente e não cimentar os personagens em seus próprios maneirismos. Inclusive aprendeu até a dissimular tensão e seriedade de forma natural e convincente.


"Sr. Wayne, seu projeto de pesquisas está pronto." - "Obrigado, Lucius."

A maioria das críticas lembra de sua atuação como o Demolidor, pela semelhança óbvia de ser outro vigilante noturno dos gibis. Mas esquecem seu eficiente desempenho na pele do agente Jack Ryan, no thriller A Soma de Todos os Medos (2002), sucedendo ninguém menos que Alec Baldwin e Harrison Ford. Foi um dos melhores laboratórios que um ator poderia ter feito para o papel de Bruce Wayne/Batman. Espionagem, conspirações nos altos escalões do governo e deadlines dramáticas dividindo espaço com intensas sequências de ação - parece mesmo um dia no escritório do cruzado encapuzado.

Mas o mais importante é que Affleck transmitia credibilidade no papel. Sim, ainda soava como um novato, porém, um talentoso, confiável e obstinado. E com segurança o suficiente para duelar com gigantes do porte de Morgan Freeman, James Cromwell e Ciarán Hinds. A longeva aura de californian boy foi quase totalmente apagada.

Isso foi há onze anos - curiosamente, um ano antes de Demolidor. Se o Batman de Affleck for mais Jack Ryan e menos Matt Murdock, já é um começo.

Talvez o melhor aspecto dessa improvável parceria seja as ramificações do misterioso contrato. Os burburinhos dos sites de cinema dizem que o acordo é multifranqueado. Affleck se tornaria assim o responsável pelos próximos longas do Batman no cinema. Um acordão.


É inegável que Affleck se tornou um cineasta muito interessante. E não é de hoje: já em sua estréia na direção, no bom Medo da Verdade (2007), ele impressionou com uma construção sólida e um storytelling seco, sem perfumarias. Aliás, o crescendo atmosférico é das suas melhores características. Ele não tem pressa e valoriza o build up, ao contrário do estilo recortadinho de Nolan. Outro destaque é a sua estratégia de deixar os atores bem à vontade e com bastante espaço para trabalhar, mostrando que ele viu com atenção os filmes dirigidos pelo Clint Eastwood.

Sem dúvida, é um diretor cuja visão do Batman eu gostaria muito de conferir. Mas, pesando os prós e os contras do que sei sobre o dossiê Affleck, não diria que foi uma boa escolha como o ator que envergará o manto. Ainda mais com tantos candidatos em que a carapuça (ou a capa) cairia mais naturalmente. Aquele lance da afinidade com o lado negro, saca.

Enfim, coisas da Warner, como sempre. E tome o vídeo do Kevin Smith de novo.

Aliás...


...fico só imaginando o que Holden acharia disso.

Ps: Ok, ok, Bryan Cranston como Lex Luthor foi bola dentro...

sábado, 24 de agosto de 2013

Assim é como a diversão começa

E olha que trailer bacana da HQ de apocalipse zumbi do Archie:


Afterlife with Archie tem roteiro do Harveyrizado Roberto Aguirre-Sacasa e desenhos do Eisnerizado Francesco Francavilla. Pelas prévias que foram liberadas recentemente, parece que o ectoplasma ainda encarnado de George A. Romero vai baixar com vontade em Riverdale.

Sente o drama:


Até Hot-Dog foi pro saco!

Recado da Archie Comics Publication:

"...will be Archie's first direct market only, NOT for all ages, horror title"

Imperdível é pouco. Afterlife with Archie começa a ser publicado dia 9 de outubro. Lá fora, claro. E aqui, ali... depende das suas fontes.