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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

1ª Guerra dos Mundos

Produzido pelo canal History, The Great Martian War documenta um dos períodos mais negros da humanidade: a grande invasão marciana de 1913-1917. As imagens são fortes, mas é de suma importância relembrarmos este trágico passado para não cometermos os mesmos erros no futuro.


Trilhazinha tecno anticlimática, hm?

Recomendo o truquezinho que aprendi com o trailer do filme do Azulão: zere o volume e deixe rolando o indefectível Mozart abaixo.


H.G. Wells curtiu isso.

Via Topless Robot.

domingo, 10 de julho de 2005

O DIA EM QUE A TERRA APANHOU



"Através do golfo do espaço, mentes que estão para as nossas como as nossas estão para as feras da floresta, intelectos poderosos, frios e sem simpatia observavam esta Terra com olhos invejosos e lenta e inexoravelmente traçavam seus planos contra nós."

Esse é um trecho da abertura do clássico sci fi Guerra dos Mundos, escrito por H.G. Wells. Ele também comparece - de forma quase solene na voz de Morgan Freeman - logo nos primeiros minutos de Guerra dos Mundos, o filme. Aliás... O filme. Poucas vezes um orçamento de gente-grande foi tão bem utilizado quanto nessa produção. E mais raro ainda foi resistir à tentação de criar um espetáculo non-stop movido a CGI. Coisa de quem não se deixa deslumbrar fácil, de veterano calejado. Coisa de Steven Spielberg. Soa meio esquisito afirmar isso, mas Spielberg tem background de diretor de suspense. Os seus primeiros filmes (Encurralado, Tubarão) são legítimos representantes do gênero - mesmo o divertido Louca Escapada, de 74, tem elementos inequívocos dele. Depois, Spielberg misturou esse timing natural à uma fórmula pop e deu no que deu. Mas o tino pra coisa continua lá, intacto. Spielberg, quando quer, pára a respiração e o batimento cardíaco de qualquer um. E é o que ele exercita aqui, primorosamente. Morra de inveja, Brian De Palma.

Muito se falou que Guerra dos Mundos (War of the Worlds, 2005) é um carro alegórico pra Spielberg acenar positivamente para a política predatória do presidente Bush. Tá, e eu vejo duendes. Pra começar, o filme segue uma linha paralela ao texto original, mas jamais modifica a estrutura dos eventos principais (aqui, em segundo plano), o que já descarta a teoria. A não ser que H.G. Wells tenha sido um partidário ferrenho de George MacBush, o pentavô de W. Bush. E Spielberg não se atém ao mero conceito do "ninguém invade o meu espaço" (ilustrado em alguns momentos no filme) e traça um perfil bem interessante da natureza irascível da humanidade - ainda que de maneira sutil.

Outra embaçada: as alusões ao 11/9. Parece que tudo é 11/9 agora. Até a inocente fonte Wingdings entrou no corredor polonês. Ah, mas certas analogias à data comparecem sim... plasticamente falando - vide a imagem do topo. Nothing more. Não há qualquer sinal de marciano árabe ou afegão por aqui (aliás... não existe nem a palavra "marciano"). O que há de referência ao fatídico dia é o inesperado da situação pegando todo mundo de calça curta. Explosões onde não deveriam haver explosões. Pessoas morrendo na sua frente da maneira mais improvável. Construções imponentes se desmanchando como um castelo de areia. Sim, já sei, somos formigas no Universo, mas em Guerra dos Mundos somos lembrados disso a todo instante. É uma ode reversa (e perversa) à brincadeira de torrar formiguinhas com uma lupa ao Sol.


A história, pra quem não conhece, é complicadíssima: os marcianos estão chegando. Ponto. Menos é mais e, no caso, o fermento rendeu bastante com a mudança de ângulo narrativo. Vemos todos os eventos se desenrolarem através dos olhos do despachado Ray Ferrier (o inconstante Tom Cruise), uma figura com tantas falhas e buracos no caráter quanto eu ou você que está aí (tá bom, tá bom... tanto quanto eu então). Comodista e pai desleixado, Ray faz da falta de compromisso seu esporte preferido, mesmo que isso lhe custe o respeito de seus filhos, Rachel (a futura oscarizada Dakota Fanning) e Robbie (Justin Chatwin, mais um teenager qualquer nota).

O ponto de vista é do egocêntrico Ray, então o recurso se torna funcional quando testemunhamos seu micro-universo particular e confortável indo às favas. A partir daí, a composição inicial de Cruise (à base do famoso sorrisinho confiante-e-idiota) é seguida por uma quebra de ritmo que começa em incredulidade, trafega pelo desespero e chafurda numa mortificante desolação. Ele entrou no clima e seu nível de atuação vai aumentando à medida em que o script explora as nuances do personagem, conferindo-lhe uma inesperada tridimensionalidade. Daí o "inconstante". Um pouco antes do final, Cruise justifica todas as vezes em que eu o defendi como um bom ator.

Com a história sendo assistida diretamente da "geral", alguns detalhes logo saltam aos olhos. Um deles foi o uso da dinâmica estilo Canal 100 em certos trechos, remetendo à ação descaralhante da meia hora inicial de O Resgate do Soldado Ryan. E fica aí o registro: a aparição do primeiro tripod é um dos momentos mais contundentes do cinema blockbuster nos últimos 15 anos. E o som da sala que eu estava era absurdamente alto. Tonteei. Outro detalhe foi a informação a conta-gotas. Sabemos o que Ray sabe, nada mais. Temos outras preocupações mais importantes (como permanecer vivo, p.ex.) do que desvendar os meandros da invasão. Daí que não existem maiores referências à procedência dos aliens - com design no padrão clássico - e nada muito além de suas intenções imediatas, que continuam como no original, ou seja, maniqueístas. E essas informações não fizeram falta, pois a saga de Ray e seus filhos não deixa a peteca cair nem um segundo. É uma porrada atrás da outra.

Existem dois momentos que podem ser considerados os mais não-Spielberg que Spielberg já filmou. O primeiro é quando Ray & cia trafegam de carro por uma rua lotada de refugiados. A seqüência chega a ser desoladora de tão real e ilustra bem até onde vai a nossa civilização. O segundo é um mergulho num oceano de tensão, e se passa num porão onde nossos heróis são acolhidos pelo personagem de Tim Robbins, excelente como sempre. Não há muito o que se possa comentar sem revelar um spoiler, mas pra quem já assistiu ao filme, apenas uma observação logo abaixo. Marque para ler.

O personagem de Robbins, o alucinado Harlan Ogilvy, pode ser relacionado a um manifesto político sem culpas, ao contrário da maioria das supostas mensagens do filme. Sua obsessão em se manter no "território ocupado" para atacar o inimigo por dentro, de surpresa, e a negação de Ray a essa atitude é claramente um protesto de Spielberg e dos roteiristas Josh Friedman e David Koepp à realidade do Iraque hoje. Por outro lado, o que Ray faz com Harlan no fim, soa como um recadinho malcriado aos terroristas. Aliás, a menção à Europa e ao terrorismo no mesmo diálogo, dentro do carro, foi uma infeliz coincidência com os atentados em Londres, na semana passada.

Guerra dos Mundos é um spin-off de uma premissa clássica. Tem um evento principal que começa e termina da mesma maneira como todos conhecem (ou deveriam conhecer, façam-me o favor...). Vocês já viram isso naquele outro filme, que ganhou até um upgrade mal-feito. Correndo por fora, tem a saga de Ray, que - essa sim - termina Spielberg's style, para o bem ou para o mal. Mas depois do exercício de nervos que ele proporcionou na hora e meia anterior, isso veio como uma brisa suave e providencial - e com todas as suas improbabilidades digeridas por este que vos escreve. Não tenho culpa se fiquei de bem com a vida... :P


Na trilha: o álbum WWIII, do KMFDM... uma porradeira eletrônica sinistra...

domingo, 29 de maio de 2005

MULDER WAS RIGHT


Saiu o trailer final de Guerra dos Mundos, o mais novo encontrão spielberg-cruisiano (o último full lenght dos dois foi o bonzão-mas-podia-ter-sido-genial Minority Report, de 2002). Mudando um pouco o estilo dos previews anteriores, Spielberg mostra um pouquinho mais dos tripodes e naves marcianas que arrasarão a Humanidade. Mas tudo naquele velho esquema old school de marketagem que o próprio diretor criou: imagens em cortes rápidos, de relance, em fade-out ou em meio à explosões visuais em que é difícil distinguir qualquer contorno mais revelador. Estratégia que corre contra a atual tendência de mostrar, hiper-expor e até divulgar spoilers que, não raro, funcionam como um verdadeiro anti-clímax.

Na verdade, não sei até que ponto a publicidade tímida dessa produção (em se tratando de um candidato a blockbuster) pode se fazer por si só. Afinal, trata-se de um filme com Steven Spielberg e Tom Cruise juntos, e o fator "nunca vi filme ruim com esse cara" tem lá a sua parcela garantida de retorno junto ao povão*. Mas, mesmo sabendo que não é bem assim, as chances parecem muito boas de o filme ser bem divertido, principalmente após ver esse trailer, que é um amálgama das melhores cenas que foram divulgadas até então. Tem lá o exército mandando bala, ao melhor estilo O Dia em que a Terra Parou (ê filmão que eu tenho saudade de assistir), uma balsa virando, uma gigantesca implosão no meio de uma avenida e a já famosa e impressionante cena da ponte sendo destruída. Em meio à tudo isso, refugiados se esgueirando nas ruínas buscando a sobrevivência, entre eles o personagem de Tom Cruise e sua filhinha, interpretada por Dakota Fanning, a tampinha mais talentosa a aparecer em Hollywood nos últimos anos (e já é o 3º filme-pauleira que ela faz quase em seqüência - os anteriores foram o malvadão Chamas da Vingança e a sessão da tarde do inferno O Amigo Oculto).

Sem contar que ela já tem experiência com aliens e abduções, como visto na minissérie Taken, de 2002 - por sinal, produzida por Spielberg. Dakota rulz.

* Por "povão", entenda-se pelo pessoal que não é tão tarado por filmes quanto eu ou você que está lendo. Sem qualquer referência elitista e/ou pseudo-intelectual, como eu tenho visto tanto por aí, infelizmente. Tem nego que não merece ser dono de um computador. Deveria era trocar por uma carroça - e não pra ficar no lugar do carroceiro.

Pelo currículo de Spielberg no trato com aliens, o filme deverá ser mais focado no drama humano. O contraste será a diferença de caráter das criaturas. No clássico Contatos Imediatos de 3º Grau , no melô E.T. - O Extra-terrestre e mesmo em AI - Inteligência Artificial (ah, se eu fosse o editor desse filme...) os aliens eram entidades quase angelicais, superiores em senso de Justiça, donos de um caráter benevolente e de uma enorme empatia espiritual em relação aos seres humanos. Bem diferentes dos martian boys casca-grossas criados por H.G. Wells. Eles são o próprio... hã, "lado negro" do maniqueísmo, a personificação das personificações do Mal. Vêm à Terra somente para destruir, pilhar e erradicar completamente a raça humana, impiedosamente. Os únicos sobreviventes humanos são transformados em força de trabalho escrava secundária. Enfim, é aquele mesmo pessoalzinho que vimos em ID-4. O curioso é que essas características em aliens são meio incompatíveis com o bom e velho Stevão (ele sempre gostou mais de descontar a sua raiva em nazis).


Alguns tentáculos e um Cruise desesperado lá no meio tentando fugir


Uma Guerra Interplanetária seria uma mão na roda para a economia norte-americana...


Diferente de Close Encounters, dessa vez é pra sair correndo mesmo

Ficam aí algumas dúvidas em relação à abordagem adaptativa, principalmente na procedência dos ETs. Serão marcianos mesmo? Parece que sim, pois alguns dos previews mostraram um planeta de cor vermelha. Então como não os encontramos... ou melhor, a Nasa não os encontrou antes, após décadas de estudo massificado do nosso planeta vizinho? Só assistindo mesmo.

Após ver o trailer, bateu vontade até de reler o segundo volume de A Liga dos Cavalheiros Extraordinários, que traz um ataque marciano ao nosso lindo planetinha. Aliás, um design das naves, tripodes e armaduras dos marcianos foi divulgado recentemente pelo Ain't It Cool News e se aproxima bastante da versão clássica que foi adotada pelo Kevin O'Neill, nos desenhos de A Liga. Clique nas imagens e compare:


Agora que fiquei com vontade de reler mesmo... Estou segurando as ondas, pois não quero estabelecer um nível comparativo muito alto que possivelmente vá atrapalhar a apreciação isenta do filme. Mas provavelmente não agüentarei e lerei um dia antes da estréia. :)


Trailer final:
480x360 (23,5 Mb) - 320x240 (9,2 Mb) - 240x180 (4,1 Mb)



A trilha desse post foi o álbum Out of Exile, o novo do Audioslave