Na Sessão da Tarde da minha época, uma reprise que eu nunca perdia era justamente uma adaptação homônima do mesmo livro, batizada aqui Chuva de Milhões (Walter Hill, 1985), com John Candy e o genial Richard Pryor. Tecnicamente, já era a 9ª adaptação cinematográfica da obra, fora musicais e peças.
A premissa é a fantasia besuntada em óleo de 99% da humanidade: sujeito falido e sem perspectivas descobre que herdou uma gigantesca fortuna (que varia de filme para filme, atualizada pela inflação), mas para receber a bolada, precisa torrar uma pequena fortuna num curto espaço de tempo. O que é (muito) mais difícil do que parece.
A sensacional cena com Pryor e o grande Hume Cronyn (o Joe, de Cocoon, e marido de Jessica Tandy) é autoexplicativa.
Revendo hoje, Chuva de Milhões é um tanto irregular. O próprio Walter Hill, que nunca foi um cara de comédias, desanca a obra de sua filmografia e admite que ele e Pryor só fizeram o filme por, duh, dinheiro.
O ritmo descompassado engessa John Candy e aproveita mal o carisma singular de Pryor e o terço final é algo caótico. Mesmo assim, o roteiro adaptado de Timothy Harris e Herschel Weingrod (do ótimo Trocando as Bolas) tem seus momentos e uma boa amarração. E com certeza, é bem mais divertido que o padrão das comédias atuais.
Seria uma Sessão da Tarde certa, fosse hoje um dia qualquer há 30 anos.
Minha nossa...