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terça-feira, 15 de setembro de 2026

This is the rhythm of the night


Não tinha dúvidas que O Segredo de Widow's Bay daria uma goleada no Emmy. Ou melhor, até tinha. Pela caretice tradicional da premiação. Felizmente, a química dos atores Matthew Rhys, Kate O'Flynn e Stephen Root, mais o roteiro espirituoso de Katie Dippold e a direção precisa de Hiro Mutai na metade dos episódios seduziram até os mais ortodoxos. Por todos os seus méritos técnicos e suas referências bem sacadas, foi merecido. Mais do que isso, porque a série é divertida demais.

E diversão per se não costuma ser recompensada por aí. Em certos círculos, é quase palavrão.

Na trama, uma suposta maldição ancestral assola a cidadezinha insular de, duh, Widow's Bay. A tal maldição é tida como uma lenda urbana e é prontamente rechaçada pelo novo prefeito Tom Loftis (Rhys), louco para revitalizar a ilha como ponto turístico ("seremos a próxima Martha’s Vineyard!"). A natureza da maldição – claro que ela existe – é bem específica e as tentativas de Loftis de apagar os rumores e vender uma boa imagem da cidade são impagáveis.

O núcleo de protagonistas é heterogêneo e afiadíssimo. A assistente Patricia (O'Flynn) e o obcecado Wyck (Root) são o contraponto perfeito para o caos controlado de Loftis. Dale Dickey também mata a pau como a assistente completamente sem-noção Rosemary. A sintonia do elenco inteiro é impecável, sem exceção. Achei surpreendente a escalação de Hamish Linklater (de As Novas Aventuras de Christine e Midnight Mass), que está irreconhecível como Richard Warren, o patriarca fundador de Widow's Bay. Quase um morto-vivo de dois metros de altura. Assustador.

E não dá pra deixar de mencionar a performance espetacular de Betty Gilpin como a tragicômica Sarah Westcott, esposa de Richard. Hilária. Pena que só aparece em dois episódios. Mereceu demais levar o Emmy de Atriz Convidada pra casa.


O caldeirão de influências de Widow's Bay é gigantesco. As mais óbvias são Twin Peaks, com seu microcosmo de personagens excêntricos e situações idem, e A Bruma Assassina, de John Carpenter. Por sinal, essa mistura de ambientações costeiras com o sobrenatural sempre foi uma constante nas obras de Stephen King. Filmes como Trocas Macabras e A Tempestade do Século (sorry, não li os livros), certamente foram fontes obrigatórias aqui.

O Fangoria destrinchou a coisa muito bem.

A estrutura narrativa segue o estilo monstro-da-semana em pelo menos 60% da temporada. O que acho ótimo. A variedade de ameaças é de reluzir as íris de quem cresceu nos anos 1980 se refestelando em filmes de terror. E dá-lhe palhaço assassino, casa mal-assombrada, bruxa do mar vovó da Sadako/Samara, folk horror e o pièce de résistance da galeria: o confronto Patricia vs Michael Myers, onde Kate O'Flynn foi Jamie Lee Curtis por 40 minutos. Ou quase. Mas já é icônica.

O final da 1ª temporada é um tour de force de suspense, humor negr... err, mórbido e tensão com direito a um cliffhanger dramático de novelão das oito. Também serve, ainda que melancolicamente, como uma conclusão aberta. Em outras palavras, um dever de casa muito bem feito.

E com a 2ª temporada já encomendada, só me resta comemorar.




As festas da Patricia são as melhores!

terça-feira, 23 de março de 2010

CPI da CTU


Spoilers de 24 s08

Nem terroristas, nem intel, nem tecnologia: o maior problema da CTU sempre foi a improbidade administrativa. É assim desde a primeira temporada, naquele fatídico ano de 2001. Mesmo agora, nessa nova encarnação da agência, o problema persiste. Impressionante como não inventaram ainda um modo de escanear até o último neurônio de seus empregados. Após o caminhão desgovernado chamado Nina Myers, isso deveria ser obrigatório pra quem prestasse concurso para atuar lá. No 13º episódio da oitava temporada, mais um ciclo de traição e jogo duplo se inicia, o que já virou até tradição na série - junto com outras convenções que também deram as caras ontem à noite.

A primeira delas: o agente Owen. Quem é veterano de 24 sabe que ele pertencia ao vasto núcleo perecível da série. Mas até que tive alguma esperança em relação ao garoto. Seria curioso vê-lo vivo no último episódio, superando as expectativas e sobrevivendo após um dia inteiro na companhia de Jack Bauer. Conseguiu aguentar algumas horas. Considerando tudo, nada mal para um novato.

E até agora, nada de destravarem o chefão escondido da temporada. Apenas subchefes encabeçados pelo terrorista Samir Mehran. Que fez história na série, num senhor 12º episódio: nukeou a CTU com um P.E.M. - como ninguém pensou nisso antes? E também corrompeu seu staff interno com um agente infiltrado.

Dana Walsh/Jenny Scott até semana passada era uma analista sênior talentosa com um passado problemático. A traição em si não foi exatamente uma surpresa. Surpresa maior foi ter vindo dela, sempre com uma postura passiva ao extremo diante dos contratempos - particularmente nos últimos episódios, com um sabujo sociopata em seu encalço (o oficial de condicional Bill Prady). Dessa vez, a loira resolveu no braço. E ainda deve armar para a minha querida Chloe mais pra frente.

Já disse e repito, não trabalharia na CTU nem se me pagassem em euro. Hmm... meio-expediente, talvez.