
Motown vs. SubPop. MC5 + Aretha Franklin. The Stooges com Tina Turner no lugar do Iggy Pop. Para um crossover deste nível são imprescindíveis: talento, intima com o lado mais selvagem do rock'n'roll e a disposição de tornar tudo isto possível (e palatável). Calhou do californiano The BellRays ter estas três características em abundância.
Conheci a banda só ano passado, pelo excepcional álbum Have A Little Faith, de 2006 (pra que servem as listas, senão pra deixar alguém indispensável de fora?). É uma porrada na cara e um orgasmo para o espírito. Bob Vennum (baixo) e Craig Waters (batera) gerenciam uma cozinha pesada, carregada de grooves matadores, e a guitarra de Tony Fate parece uma cruza dos riffs de Wayne Kramer e Johnny Ramone.
Mas a estrela é mesmo a poderosa vocalista Lisa Kekaula. Quando ela começa a cantar, a mística deste mix entra em ação e faz todo sentido do mundo. Que voz. Que voz. Que voz.
Quem compareceu aos shows da banda no ano passado (no Inferno Club, em Sampa, e ao lado do Mudhoney no festival brasiliense Porão do Rock), com certeza saiu extasiado. Ainda mais com o presentão que ganharam no bis...
Angus ficaria orgulhoso.
The BellRays está de disco novo, Hard Sweet And Sticky. Já é o 9º álbum de sua discografia, fora os splits e EP's. Ainda estou degustando, mas a primeira impressão é de que a sonzeira agora flui mais acessível. Contudo, o punch rocker continua intacto - e o vozeirão também!
"Blues is the teacher. Punk is the preacher."



